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Blog Memória Futebol


Carlos Celso Cordeiro, o Senhor Futebol.

Autor: José Renato - 24/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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“Um historiador preciso”. Esta, talvez, seja a forma como Carlos Celso Cordeiro, certamente, poderia se definir. Também é certo que sua humildade jamais o permitiria fazê-lo. Ouvi falar de seu nome, pela primeira vez, quando lançou uma série de três livros com todos os jogos disputados pelo Náutico. Um trabalho de folego, “coisa de louco” para alguns, que se destaca pela exatidão de uma pesquisa inimaginável. Engenheiro, Administrador e Torcedor do Timbu, não necessariamente nesta ordem, Carlos Celso não parou por aí. Seu trabalho, incansável, gerou novas publicações, com levantamentos históricos sobre todo o campeonato pernambucano, Sport e Santa Cruz. Um Historiador com H maiúsculo que dignificou como pouquíssimos fazem, com trabalhos totalmente isentos. Impossível achar qualquer rastro de ser torcedor do Náutico em seus trabalhos sobre os rivais. Por conta disso, é muito possível afirmar que ele seja o maior historiador dos três grandes times de seu estado, bem como do futebol pernambucano. Na verdade, por ser autor com maior número de livros publicados sobre futebol no país, é certo afirmar que ele seja o maior historiador de futebol do país. Sim, pois é intrínseco a qualquer historiador, algo que ele tinha como regra tácita: compartilhar. Carlos Celso é a maior das exceções. Mas há algo muito maior nele que o futebol, sua bondade. Quando tive a felicidade de conhecê-lo, ele me levou a sua casa e compartilhou de sua intimidade com aquele, que até então, era “apenas” um admirador de seu trabalho. Encontrá-lo era sempre uma alegria. Poucos encontros, porém, sempre duradouros em minha mente. Na ultima vez que o encontrei em Recife, combinamos de marcar uma tarde juntos. E o local escolhido não poderia ser o mais apropriado, o estádio dos Aflitos, o campo do seu Náutico. Aliás, do nosso Náutico, de tantos outros amigos queridos, Lucídio, Lenivaldo, Roberto Vieira... Carlos Celso foi chamado para o andar de cima neste domingo, dia 24 de janeiro.

 

 

O bom alagoano Peu

Autor: José Renato - 18/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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Júlio dos Santos Ângelo nasceu em Maceió, no dia 4 de abril de 1960. Um dos oito filhos do casal formado por “Seo”Antônio, roupeiro da equipe alagoana do Centro Sportivo Alagoano, o CSA, e “Dona” Maria, lavadeira do clube, entrou para a história do futebol com o apelido de Peu. Sua infância foi vivida praticamente no campo do Mutange, onde o Azulão treinava e mandava algumas de suas partidas. Durante os jogos costumava ajudar a mãe vendendo raspadinha e atuando como gandula. Ainda com 15 anos passou a atuar nas equipes de base da CSA, onde logo se destacou por ser um meio campista habilidoso, veloz e que avançava ao ataque com grande facilidade. Chegou à equipe principal com apenas 17 anos e logo passou a ser chamado de Pelezinho. Graças ao jornalista Marcio Canuto, sabedor sobre o quanto o peso deste nome poderia atrapalhar sua carreira, o apelido logo foi deixado de lado. A excelente campanha da equipe em 1980, quando foi vice-campeã da Taça de Prata, atual Série B do campeonato brasileiro, e campeã alagoana, galgou Peu à condição de maior ídolo da torcida azulina. Dos rivais chegou a ganhar o apelido de “Demônio Preto”. Toda esta badalação acabou chamando a atenção do então técnico, e ex-jogador, Orlando Peçanha, que o indicou ao Flamengo. O interesse rubro negro acabou provocando a realização de uma pesquisa de opinião pública promovida pelo jornal local Tribuna de Alagoas, para saber se o craque alagoano deveria seguir para o Rio de Janeiro. Para a felicidade de sua mãe, que chegara a pedir ao presidente do CSA, João Lyra, que “pelo Amor de Deus” vendesse seu filho, seu destino foi a Gávea. Atuar no Flamengo era a concretização do sonho de seu falecido pai, que fora fã de Dida, um dos grandes nomes da história da equipe carioca e que também iniciara a carreira no CSA. Peu chegou ao “Mengo” justamente no maior ano da história da equipe da Gávea, 1981. Coube a ele substituir o maior nome rubro negro de todos os tempos, Zico, que defendia a seleção brasileira durante as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1982, durante o começo do campeonato brasileiro daquele ano. Estreou em 28 de janeiro na vitória por 2 a 0 frente ao Sampaio Corrêa no Maracanã. Com o retorno do Galinho, passou a ser utilizado como opção na linha de ataque. Embora não tenha se firmado como titular, o ano foi muito promissor para o atacante que conquistou a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca, a Taça Libertadores e o Mundial Interclubes. Além de sua habilidade, outra característica marcante em Peu era a sua ingenuidade, o que, somado com sua gagueira, o fazia ser a vitima preferida das brincadeiras de seus colegas de time. Durante a viagem de avião entre Los Angeles e Tóquio, onde o Flamengo decidiria a final do Mundial contra o Liverpool, Zico e Junior se dirigiram a ele e apresentaram um documento onde estavam listados todos os nomes dos atletas que possuíam bigode. Alertaram Peu, que em sua foto no passaporte ele estava sem bigode, e que pelo fato do seu nome não estar no documento, ele teria problemas para entrar no Japão. O atacante se desesperou pela possibilidade de ser mandado de volta ao Brasil. Minutos depois, coube ao comandante do voo continuar com a brincadeira o chamando pelo alto falante: “Jogador Peu, por favor, se dirija a cabine de comando” Chegando lá, o comandante o alertou do “problema” e lhe entregou um barbeador e um creme, para que retirasse o bigode. Agradecido, Peu se dirigiu ao toilette. Ao sair, se deparou com quase todos os seus amigos rubro-negros que não aguentavam de tanto rir. O ano de 1982 começou com mais uma conquista, a do campeonato brasileiro, com participação decisiva de Peu que após longo período sem atuar, ao substituir Nunes, marcou um dos gols da vitória rubro-negra por 2 a 1 frente ao Guarani, em partida, realizada no Maracanã, válida pelas semifinais da competição, em 11 de abril. Naquele mesmo jogo, no entanto, sofreu uma distensão muscular que o afastaria dos campos por um longo tempo. Seu retorno foi demorado e as oportunidades no time titular, no entanto, se tornaram cada vez mais raras. No começo de 1983, acabou envolvido em uma troca, por empréstimo pelo meio campista Lino, do Atlético Paranaense para a disputa do campeonato brasileiro daquele ano. Peu teve boas atuações na equipe do Furacão, comandada pelo Casal 20, Assis e Washington, que chegou as semifinais do campeonato brasileiro, sendo eliminada justamente pelo Flamengo. De volta a Gávea, com apenas 23 anos e muito mais experiente, a saída de Zico para a Udinese, em junho de 1983, talvez pudesse significar novas chances para Peu, no entanto, a instabilidade da equipe carioca acabou contribuindo para a sua saída, após a goleada de 6 a 2 sofrida frente ao Bangu em partida válida pelo campeonato carioca em 7 de setembro. Foram 59 partidas com a camisa rubro-negra e 11 gols marcados. Poucos dias depois, em 25 de setembro, já estrearia no Santa Cruz em um clássico frente ao Náutico, vencido pela equipe tricolor por 1 a 0. Peu conquistaria o titulo pernambucano daquele ano, na épica vitória por 6 a 5, em disputa por pênaltis, frente a equipe alvirrubra. Ficou pouco tempo no Arruda, e logo no começo de 1984 foi contratado pelo Nacional de Manaus para participar a Taça de Ouro, o campeonato brasileiro. A aventura no Amazonas foi ainda mais curta, e naquele ano, chegaria a Ribeirão Preto, mais precisamente no Botafogo. Acabou se firmando no clube e durante 4 temporadas foi titular da equipe na disputa dos campeonatos paulistas, atuando com grandes jogadores, tais como Raí, Marco Antonio Boiadeiro e Mario Sergio. Durante este período chegou a ir jogar no futebol mexicano, sendo campeão nacional pelo Monterrey em 1986. Passaria ainda pelo Cruzeiro, em 1989, e São José, em 1990, antes de voltar a atuar no futebol alagoano, primeiro pelo Comercial de Viçosa, e posteriormente, por quase três anos, onde tudo começou o CSA. Terminaria a carreira por lá, aos 34 anos, sendo campeão alagoano em 1994. Peu foi um jogador vencedor, que nasceu dentro do futebol, em uma família muito simples que sempre viveu do esporte, e que ganhou o mundo, literalmente, ao fazer parte de uma das maiores equipes da história do futebol mundial, sem que em momento algum, no entanto, chegasse a perder a sua ingenuidade e verdade.



 

 

O Maior Artilheiro Azulino, Alcino

Autor: José Renato - 11/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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Alcino Neves dos Santos nasceu em uma família pobre do subúrbio carioca em 24 de março de 1951. Desde muito pequeno seu grande sonho era jogar futebol e foi com muita alegria que recebeu a notícia que fora aprovado nos testes para jogar no Flamengo, que passou a lhe dar uma pequena ajuda financeira. Embora morasse longe, graças à ajuda de seu pai, conseguia pagar o transporte para treinar. A morte paterna caiu como uma bomba junto à família. Sem dinheiro para chegar a Gávea, Alcindo precisou abandonar o clube, quase na mesma época em que sua mão adoeceu. O desespero de precisar colocar dinheiro em casa e as más companhias acabaram por levá-lo a praticar um assalto a um motorista de taxi, com uma arma de brinquedo. Preso juntamente com o amigo, Damião, foi liberado enquanto o inquérito corria. Logo o futebol o daria nova chance, agora na equipe do Madureira. Após disputar a Taça Guanabara, logo na sua estreia em campeonato carioca em 28 de junho de 1970, marcou gol no empate por 1 gol frente ao São Cristovão. Atacante alto, 1,91m, ótimo cabeceador, apesar de pouca habilidade técnica, sabia se posicionar como poucos na grande área e tinha um raro poder de finalização. Boas atuações e gols durante sua primeira temporada voltaram a atrair a atenção de outra grande equipe, desta vez, o Fluminense. Os dirigentes da equipe do subúrbio acabaram dificultando as negociações com o tricolor e seu destino acabou sendo o Clube do Remo, do Pará. Polêmico, em uma de suas primeiras partidas pela equipe azulina, em 4 de abril de 1971, justamente na vitória por 2 a 0 em um clássico frente ao Paysandu, no estádio da Curuzu, depois de driblar toda a defesa adversária, sentou sob a bola e fez o chamado “gol de bunda”. Acabou expulso pelo árbitro, que achou o ato desrespeitoso com o adversário, mas ganhou de vez a moral da torcida remista. Pelo campeonato paraense daquele ano, teve atuações históricas, ainda que não viesse a conquistar o titulo estadual. Na final da competição frente ao rival Paysandu, em 13 de outubro, colocou o Remo em vantagem, com 2 gols. A 10 minutos do final da partida a equipe remista sofreu o empate, provocando uma prorrogação que acabou com vitória do Papão por 1 a 0. Ainda naquele ano, se recusou a viajar para Aracaju na primeira partida válida pelas semifinais do campeão brasileira da segunda divisão frente o Itabaiana em 5 de dezembro. No jogo de volta, foi colocado no banco de reservas pelo técnico François Thym. Após 0 a 0 no primeiro tempo, acabou entrando após o intervalo, e embora não tenha feito gol, incendiou o jogo, sendo essencial na vitória por 2 a 0, gols de Robilota. A torcida invadiu o gramado e levantou o atacante gigante como herói, o levando às lágrimas. Aquela equipe do Remo seria vice-campeã da competição ao perder as finais para a equipe mineira do Villa Nova de Nova Lima. Irreverente e admirador da noite, Dadinho passou a aprontar fora de campo. No Mosqueiro, onde o Remo costumava concentrar para grandes partidas, tinha como hábito desfilar nu em cima do seu opala envenenado. Em dezembro de 1973, titularíssimo da equipe azulina, os jornais do Pará estamparam em suas manchetes que o inquérito do assalto cometido no passado houvera sido concluído com a sua condenação a cinco anos e quatro meses. Os dirigentes remistas chegaram a escondê-lo para evitar sua prisão, enquanto os advogados do clube conseguiram livra-lo da condenação por conta dele estar plenamente recuperado e feito um crime quando ainda era menor de idade. Dadinho se transformou no maior nome do futebol paraense nos anos de 1973, 1974 e 1975, sendo tricampeão estadual e artilheiro das três edições com 7, 12 e 21 gols respectivamente. No entanto, foram suas atuações no campeonato brasileiro que o fizerem ganhar notoriedade em todo o país. Na edição de 1974, em 10 de março, no empate por 2 gols frente ao Botafogo do Rio de Janeiro, ao ver a bola parar em uma poça d´água a poucos centímetros da linha do gol, não se furtou a se jogar de cabeça para marcar o gol e empatar a partida. Já no ano seguinte, em 25 de outubro, foi dele, de cabeça, o primeiro gol da vitória remista frente ao Flamengo de Zico, por 2 a 1, no primeiro triunfo de uma equipe paraense no estádio do Maracanã. Seus feitos o fizeram ser contratado pelo Grêmio em 1976. Com a camisa do Imortal Tricolor, conseguiu ser o artilheiro máximo do campeonato gaúcho, com 19 gols marcados, embora tivesse perdido o título do estadual para o Internacional. O frio intenso para quem estava acostumado a jogar nas altas temperaturas do Pará e a dificuldade em manter o peso, acabaram fazendo com que, logo após o campeonato brasileiro daquele ano, fosse negociado com a Portuguesa de São Paulo. Aos 26 anos de idade e pesando 97 quilos, sua estreia na Lusa foi promissora, em 27 de março de 1977, numa goleada por 3 a 0, com direito a um gol, frente ao São Paulo em partida realizada no Pacaembu e válida pelo campeonato paulista. Para a imprensa da época, enfim a Portuguesa teria um parceiro ideal para seu craque Eneias. A dificuldade em manter um bom preparo físico, no entanto, continuou sendo seu principal inimigo. Para piorar, em 21 de outubro de 1978, após marcar o gol da vitória da Portuguesa frente o Paulista de Jundiaí, por 1 a 0, correu para comemorar sambando junto a torcida. A euforia demonstrada pelo atacante chamou a atenção do médico da Federação Paulista de Futebol, Hélio Grillo, que resolveu chama-lo para fazer o exame antidoping ao final da partida. O resultado do exame foi positivo para o uso de um inibidor de apetite, receitado, segundo o atleta, pelo próprio médico da Portuguesa. Por conta disso, o clube correu riscos de perder os pontos ganhos na partida e preventivamente Alcino foi suspenso por 60 dias. Afastado do clube e sem treinar, acabou esquecido, sendo emprestado para a equipe do Atlético Goianiense que participaria do campeonato brasileiro de 1980. Embora continuasse marcando seus gols, não conseguia se manter na equipe por muito tempo. No segundo semestre daquele ano foi contratado pela Internacional de Limeira. Fez algumas boas partidas pela equipe do interior que chegou as semifinais do campeonato paulista de 1980. Ainda assim, no ano seguinte foi emprestado ao Bangu para disputar o campeonato brasileiro. Ao final da competição, de volta a Limeira, acabou sendo negociado com o grande rival do “seu” Clube do Remo, o Paysandu. Em 1981, aos 30 anos de idade, sua contratação agitou ainda mais a rivalidade entre os dois clubes, no entanto, em campo, estava claro que o fim da carreira estava próximo. Foram apenas 5 partidas pelo Papão, sendo 4 delas amistosas. Com apenas 1 gol marcado e mais um caso de indisciplina, foi afastado antes do término do campeonato paraense. Sua fama de artilheiro, no entanto, o fez ser contratado em 1982 pela equipe amazonense do Rio Negro. Vice-artilheiro da equipe com 8 gols e campeão do estadual, ainda chegou a disputar seu ultimo campeonato brasileiro em 1983. Logo estaria de volta ao futebol paraense, defendendo a pequena equipe do Pinheirense, onde encerraria a sua carreira. Alcino foi um retrato do jogador de origem simples, que em um momento de fraqueza se envolveu com o submundo do crime, ganhou do futebol a chance de se reerguer, mas que não teve equilíbrio para crescer com ele. Ainda assim, considerado o maior jogador da história do Clube do Remo, é admirado como ídolo por milhares de torcedores.




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