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Blog Memória Futebol


Itaquerão, Petrobrás e Falta de Combustíveis

Autor: Rafael Porcari - 30/03/2012 Categoria: Rafael Porcari   Comentários Nenhum comentário

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Quem disse que não estamos sentindo ou percebendo as obras da Copa do Mundo à nossa vista?

Na Inglaterra, os consumidores estão à beira do racionamento pelo excessivo consumo e dificuldades de compra pela baixa ofertada proporcionada pelo Irã. Aqui no Brasil (e em São Paulo, em especial), a dificuldade na oferta se deve ao Estádio do Corinthians! Pelo menos, os donos dos Postos de Combustíveis estão percebendo nessa quarta e quinta-feira o “efeito Copa do Mundo”. E os consumidores poderão sentir também, em seus bolsos.

A Petrobrás cortou o bombeio de Gasolina e Diesel às bases das Empresas de Petróleo. A estatal, através de oleodutos, envia combustível para Guarulhos. Lá diversas distribuidoras (Shell/ Esso/ Alesat e a própria BR) recebem o produto e redistribuem aos postos da Região Metropolitana e parte do interior.

Entretanto…

Sem prévio aviso, a Transpetro (que pertence à própria Petrobrás), cortou a distribuição de Petróleo para que fossem retirados dutos que estão atrapalhando as obras do Itaquerão, estádio paulista para a Copa do Mundo 2014. O oleoduto está sendo desviado, e o bombeio só retomará, provavelmente, na próxima segunda-feira.

Economicamente falando: devido essas obras da Copa do Mundo, os postos de combustíveis que estão com os estoques cheios, conseguirão manter o preço nas bombas. Os que não possuem grandes estoques, poderão reajustar o seu preço em até R$ 0,10, que seria a diferença de frete em algumas localidades, já que outras bases (como Paulínia) atenderão esses postos. E aqueles que não são bandeirados, sofrerão para encontrar o produto, já que as distribuidoras privilegiarão as entregas a sua rede bandeirada.

É a Copa 2014. Mesmo àqueles que não gostam de futebol, já pagarão o custo da construção dos estádios, indiretamente.

Fonte: Blog do Professor Rafael Porcari em 29/3/2012


 

 

Ademir, o Divino: a arte e a elegância dizem adeus ao futebol

Autor: Adriano Fernandes - 30/03/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 1 comentários

Ademir da Guia

Depois de alguns anos de omissão chega a despedida de Ademir da Guia. Uma pequena dose de reconhecimento para um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro. Logo mais, no Canindé, estará deixando oficialmente os gramados, o Divino Maravilhoso – sinônimo de elegância, arte, inteligência e beleza.

Durante treze anos, a estabilidade do time do Palmeiras chamou-se Ademir da Guia. As difíceis disputas, as crises inflamadas no clube e as incompreensões não foram suficientes para tirar de Ademir da Guia o símbolo da carência. Ao longo do período que passou dentro da equipe do Palmeiras, teve ao seu lado, jogadores medíocres e profissionais de enorme talento. Concedeu aos mais jovens o orgulho de poder assimilar um pouco do seu exuberante futebol.

Ademir da Guia começou a jogar pelo Bangu e foi contratado pelo Palmeiras em 61. Esperou dois anos, até que Chinezinho, o titular da posição, fosse vendido para a Itália. Aí sobrou Hélio Burini. Disputou e ganhou um lugar na equipe, por decisão do técnico Geninho. Nunca mais perdeu a posição de titular.

“Sempre aceitei o fato de ser titular como algo passageiro. Felizmente, para mim, durou muitos anos, mas sempre pensei que a posição e a camisa não eram minhas. O futebol é implacável. Uma troca de técnico, uma fase ruim podem determinar a saída de um bom jogador de um time. Já vi muitas pessoas se magoarem profundamente por acreditar que as posições lhe pertenciam. No futebol, vale o presente.”

Ademir da Guia nunca foi goleador, um jogador vibrante e era difícil a sua comunicação com os torcedores.

O futebol de Ademir da Guia aflorou mesmo, no Palmeiras. Considerado pelos mais críticos analistas do futebol como “um grande jogador”. Um grande jogador de uma só camisa. Participou de apenas uma Copa do Mundo, a de 1974.  Mas quase não jogou.

Ademir da Guia não é um homem emotivo, é frio. Atingiu um ponto elevado dentro do futebol brasileiro, sem contar com uma grande arma: o gol. Tímido, calado, olhos pequeninos e brilhantes, cabelos amarelo-escuros, pele bem clara. Fugiu totalmente ao espírito alegre e eufórico do povo do Rio de Janeiro.

Há torcedores do Corinthians que ainda perdoaram o técnico Rato, que dispensou da Guia, com 14 anos, por considerá-lo lento demais. E uma presumível lentidão tornou Ademir um dos maiores injustiçados do futebol brasileiro. Suas passadas largas, elegantes, tornavam seu futebol eficiente, vistoso e objetivo.

Milhares de pessoas torceram para que Ademir fosse convocado e escalado em seleções. Nada adiantou. Foi convocado várias vezes, mas só jogou mesmo, meio tempo contra a Polônia.

Embora tenha deixado o time do Palmeiras há 6 anos, somente agora terá a sua festa de despedida do futebol.  E mesmo assim graças a uma enorme pressão por parte dos jornalistas esportivos. O Palmeiras não teve saída: precisou promover o jogo final. Uma questão de respeito.

Durante muitos anos, o time do Palmeiras desenvolveu o seu ritmo de jogo, ao compasso de Ademir da Guia. Tinha no “Divino” o regulador do seu desempenho técnico e tático. Era o cérebro da equipe, a própria filosofia em campo.

Até mesmo os que consideravam Ademir da Guia “excessivamente clássico e lento” viram o time do Palmeiras veloz, tocando rápido na bola, com deslocações perfeitas e acima de tudo, atuando com praticidade. Graças a Ademir da Guia.

Assim como muitos torcedores do Corinthians não perdoaram a ineficiência dos critérios de avaliação do treinador Rato, os amantes do Bangu não perdoaram até hoje os antigos dirigentes que venderam Ademir da Guia ao Palmeiras, como um “bonde”. Até os 14 anos, Ademir também participava de competições de natação e ganhou inúmeras medalhas na categoria “borboleta”.

No dia 18 de setembro de 1977, contra o Corinthians, no Morumbi, Ademir da Guia jogou pela última vez com a camisa do Palmeiras. A sinusite crônica impediu que ele atuasse mais de meio tempo de jogo. Picolé entrou em seu lugar, por determinação de Jorge Vieira, e o Corinthians venceu a partida por dois a zero.

Quase vinte anos de carreira e muitos títulos: campeão paulista (63, 66, 69, 73 e 76), campeão brasileiro (65, 67, 69, 72 e 73) campeão do Troféu Carranza, na Espanha (69, 74 e 75), campeão do Torneio Laudo Natel e do Torneio de Mar del Plata (Argentina em 72).

E hoje, finalmente, Ademir da Guia vai receber um pouco daquilo que o futebol lhe deve. Será uma festa sem grandes pompas e deve até ser considerada discreta para a importância de Ademir da Guia. Mas valeram os esforços dos amigos, de alguns dirigentes sinceros e de grande parte da imprensa. Era um débito que precisava ser saudado.

Nos últimos anos, Ademir da Guia enfrentou inúmeros problemas e situações desagradáveis. Ficou quase esquecido percorrendo as alamedas do “Palestra Itália” e continua sentindo constrangimento quando se dirige ao caixa do clube para receber o salário mensal. É funcionário do departamento amador, mas com funções indefinidas. Ainda é respeitado pelos velhos funcionários e por gratos dirigentes, mas também foi olhado com indiferença por pessoas que jamais deram alguma glória ao Palmeiras.

Baixou os olhos, caminhou devagar e continuou pensando na ingratidão. Ademir da Guia nunca fez contratos milionários. Ele sempre gostou de jogar pelo Palmeiras e não fazia exigência nas suas renovações contratuais. Não ganhou muito dinheiro, não formou um grande patrimônio e nunca soube tratar com sabedoria certos investimentos feitos. Os resultados não foram bons.

Os dramas foram se acumulando. Atritos familiares, pronunciamentos irônicos de falsos amigos e aqueles que corriam atrás de autógrafos e abraços, fingiram não conhecê-lo.

Tentou trabalhar no setor de vendas e sua timidez foi fatal. Não teve sucesso e o seu jeito humilde o impedia de anunciar publicamente os seus problemas e pedir ajuda. Nunca deixou de ter o carinho e respeito do compadre Luís Pereira e do ex-centroavante César.

O Ademir da Guia disse Luís Pereira – “merece um busto dentro do Palmeiras. Sempre foi sério, honesto, leal e jamais criou um inimigo. Além do mais, em toda a história do Palmeiras, é difícil ter encontrado um jogador tão bom quanto ele foi. O time jogava através dele.”

“Esse jogo da despedida é muito pouco. O Ademir da Guia merece muito mais. Deveria estar numa situação financeira tranqüila e cercada da maior atenção. Ou trabalhando no Palmeiras numa função importante ou mesmo num outro clube ou numa empresa de prestígio.”

“Claro, sou seu amigo e talvez até considerado suspeito, mas continuo considerando o Ademir como um homem sofrido, injustiçado, e vítima da sua própria inocência e lealdade.”

Extrovertido, brincalhão, César torna-se sério para falar sobre Ademir da Guia:

“O Ademir da Guia foi o meu padrinho dentro do Palmeiras. Sempre me ajudou e me incentivou em todos os momentos. Entrei de cabeça nesse movimento que vai realizar o jogo de despedida do Ademir. Tomara que a renda seja boa, que muita gente boa participe e que o Divino tenha boa parte dos seus problemas resolvidos.”

“Ele sempre teve juízo, sempre foi um excelente profissional. Foi o maior jogador da história do Palmeiras e muito respeitado pelos torcedores, mas nem tanto pelos dirigentes…”

O companheiro inseparável de Ademir da Guia, Dudu, com os olhos molhados, fala de maneira direta:

“O Ademir da Guia precisa da ajuda de seus amigos e daqueles que acompanharam tudo que ele fez pelo futebol e pelo Palmeiras. O clube que defendeu por tantos anos tem dezenas de conselheiros industriais e comerciantes. Eles deviam ajudar o Ademir. Ele não sabe vender nada, mas ele seria uma excelente pessoa para lidar com relações públicas.”

“Toda grande firma precisa de um homem para receber as pessoas, em reuniões, simpósios, palestras ou mesmo nos seus pontos de venda. Vários jogadores trabalham assim e o Ademir da Guia também poderia fazer isso. Mas ele não sabe pedir. Espero que bons palmeirenses se aproximem e façam algumas propostas de trabalho ao Divino.”

“Ele foi maravilhoso para o Palmeiras e incrível para o futebol. Lotou muitos estádios e arrancou alguns aplausos até dos adversários. O seu futebol realmente era bonito e elegante. E nunca foi irresponsável. Se teve falhas, foram a inocência, a amizade, o idealismo, a sinceridade e enorme honestidade para as pessoas e com a profissão.”

Os últimos trinta e cinco minutos

Está tudo pronto para a festa de despedida de Ademir da Guia. Ele jogará 35 minutos e depois, acompanhado por todos os jogadores, dará a sua última volta em torno de um gramado.

Será a sua despedida oficial. Em seguida, Ademir da Guia receberá homenagens do Palmeiras, através do presidente Pascoal Giuliano. Depois, em nome da Federação Paulista de Futebol, o vice-presidente Armando Ferrentini entregará uma placa de prata e também o diploma Belfort Duarte, em nome do general César Montagna, presidente do CND.

Ademir da Guia será homenageado pela Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo (ACEESP), através do vice-presidente, Wanderley Nogueira e pela Associação Brasileira de Cronistas Esportivos, representados pelo presidente Aroldo Chiorino. Finalmente, a Secretaria de Esportes e Turismo, com Caio Pompeu de Toledo homenageando Ademir da Guia, encerrando as manifestações de respeito ao jogador.

Todo o produto das bilheterias ficará para Ademir da Guia, que também recebeu a taxa de televisionamento direto, paga pela empresa Promoção, através da Televisão Bandeirantes.

Nos próximos dias, Ademir acertará seu ingresso numa importante organização empresarial para atuar no departamento de relações públicas.

Palmeiras X Amigos do Ademir

Local: Estádio do Canindé

Horário: 11 horas

Árbitro: Roberto Nunes Morago, auxiliado por Reinaldo Teixeira e Cláudio Amaral.

* Publicado na Gazeta Esportiva de 22/01/1984

Fonte: Vanderley Nogueira Oficial



 

 

O Futebol de Millôr

30/03/2012 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Millôr

Millor Fernandes não foi um cronista de futebol. Nem precisava ser. Tanto quanto Shakespeare, Millor sacava tudo de bola. Millor que insistia: “Jogar futebol é desenhar sem borracha!”.

Millor começou a fazer gols na Copa de 38.

Leônidas na bicicleta.

Millor contista e repaginador.

Ambos cigarras.

O Brasil se arrastava apanhando de Getúlio e da Argentina.

Millor no Pif-Paf.

Quando Pelé surgiu, moderno e surrealista.

Millor era salão de arte moderna.

Para espanto de uns e de outros.

Vão Gogo nasceu no Garrincha chileno.

Mas a verdadeira história do paraíso conduziu Millor ao index.

Index de Canhoteiro, Barbosa e Heleno.

O genial tradutor de Shakespeare escrevia Pasquins.

Como Zizinho destilando sua classe nas peladas.

Pois futebol é coisa séria.

Soneto.

Mas na pelada a gente pode exercitar o sarcamo.

A cruel ironia.

O veneno que matou Romeu e Julieta.

Os fantasmas do porão atormentando Hamlet.

Os podres do reino da Dinamarca tupiniquim. 

Assim.

Millor vai embora no dia em que Fausto disse adeus.

Fausto, a Maravilha Negra – nada de Goethe.

No mesmo dia do Calabouço de Edson Luís.

No dia que matou Virgínia Woolf.

Um segundo após Coalhada.

Quanto a Millor, Shakespeare e futebol?

Millor sempre insistia que o bardo era genial.

Com apenas um momento de perna de pau.

Quando escreveu que os homens de poucas palavras eram os melhores.

Palavra e gol nasceram para a liberdade.

Principalmente quando o artilheiro se chamava Millor...

Fonte: Blog do Roberto Vieira em 28/3/2012



 

 

Vivemos um dos grandes momentos da história

Autor: José Renato - 29/03/2012   Comentários Nenhum comentário

Testemunhar os grandes momentos da história é algo único que muitos poucos têm a oportunidade.

No futebol, então, isso é ainda mais forte.

Quantos não afirmam terem estado presentes na final da Copa do Mundo de 1950?

Bem eram mais de 200 mil pessoas.

Mas, e com relação ao primeiro treino de Garrincha no Botafogo?

Ou ao gol mais bonito marcado por Pelé na Rua Javari?…

Se metade das pessoas que afirma ter presenciado estes momentos estiver falando a verdade, na caberia espaço nas acanhadas arquibancada do campo de treinamento do alvinegro carioca ou da Rua Javari.

O fato é que, pelo bem ou pelo mal, nos últimos anos temos tido a oportunidade de testemunhar grandes momentos, realmente históricos.

Em 1994, foi com muita tristeza, que assisti ao vivo a morte de um dos meus maiores ídolos, Airton Senna.

Foi doloroso, mas histórico, realmente marcante.

No futebol, não tive a oportunidade de viver os momentos do grande e genial Pelé. Felicidade única que meu pai, por exemplo, teve.

Por outro lado, pude viver Ronaldo Fenômeno, algo que foi uma honra, e que, com o tempo, se tornará motivo de orgulho cada vez maior.

Dia 27 de março de 2012 fez um ano de um dos maiores feitos da história do futebol mundial.

O centésimo gol de um goleiro.

Algo inimaginável em tempos passados e que passou a ser possível a partir do momento que Rogério Ceni começou a bater faltas, isso lá no meio da década de 1990, quando marcou um gol frente o União João de Araras, em outro momento que pude testemunhar.

Independentemente de paixões clubísticas, todos tivemos esta oportunidade.

Um instante único que poderemos compartilhar no futuro.

Ainda mais que daqui alguns anos, os quase 20 mil torcedores presentes na arena Barueri, se transformem em milhões de pessoas.

Fonte: Blog do SP - Cola do José Renato em 28/3/2012



 

 

Luisinho - Craque feito em casa

Autor: Adriano Fernandes - 29/03/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Luisinho

Luisinho foi considerado o melhor ponta-direita da década de 30 e um dos maiores craques que já defenderam o São Paulo. Começou a carreira no próprio clube, em 1930.

Nessa época, ainda na fase do antigo São Paulo da Floresta, Luisinho ajudou o Tricolor a se firmar como um "time grande", conquistando o Campeonato Paulista de 1931. Ganhou ainda outros três campeonatos estaduais (1943, 1945 e 1946), já na fase em que o clube passou a se chamar São Paulo Futebol Clube.

A vinda de Leônidas da Silva para o São Paulo foi o estopim que faltava para a carreira do atacante decolar de vez. Como os adversários se preocupavam demais com o "Diamante Negro", Luisinho era pouco marcado e por isso marcava muitos gols.

Driblava tanto para a direita como para a esquerda, cruzava com precisão e seu chute era forte e certeiro.

Fonte: UOL Esportes

Republicação de 27/12/2011



 

 

Corinthians teme que provas contra Adriano mostrem conivência com atacante

Autor: José Renato - 28/03/2012   Comentários Nenhum comentário

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A diretoria corintiana está segura de que ganhará na Justiça caso Adriano entre com uma ação para contestar a sua demissão por justa causa. A confiança vem da quantidade de documentos que os corintianos afirmam ter que comprovam justificam a radical decisão.

Mas há um efeito colateral. Existe o temor de que ao tornar públicos documentos como o número de faltas a tratamentos e atrasos a diretoria mostre que foi conivente ou boazinha demais com o Imperador. A oposição já critica e diz que há anos a diretoria fecha os olhos para jogadores que exageram na balada, principalmente na bebida, e que agora resolveu ser rigorosa apenas com o atacante.

Se a briga for parar na Justiça, documentos como um relatório com dezenas de faltas de Adriano a sessões de fisioterapia, que os cartolas dizem ter, se tornará público. Tostará o filme do Imperador. Mas fará o torcedor perguntar por qual motivo o clube demorou tanto para demiti-lo por justa causa.

O questionamento maior ficará para o ex-presidente Andrés Sanchez, já que a maioria dos atos de indisciplina teria ocorrido durante sua administração. Seu sucessor, Mário Gobbi, teve pouca paciência com Adriano.

A oposição questiona essa tolerância exagerada. Afirma que há tempos os cartolas alvinegros enxergam como natural o hábito baladeiro e etílico de alguns jogadores. Aponta que o mal começou no famoso episódio de Presidente Prudente, em que Ronaldo deu trabalho numa boate. O caso acabou com a saída do então diretor Antônio Carlos Zago.

Oposicionistas reclamam também da fama de Andrés de sair à noite com alguns jogadores, o cartola nega. “Levar o Adriano para o Corinthians foi como levar para o bar uma pessoa que está em tratamento para largar a bebida. Sempre deixaram todos beber, mas resolveram barrar só o Adriano do bar. Ele é vítima, tem grandes chances de ganhar uma ação na Justiça e ainda ganhou motivação pra fazer gols no Corinthians quando estiver no Flamengo. A diretoria deveria pedir desculpas e reintegrá-lo para evitar o pior”, disse ao blog Romeu Tuma Júnior, conselheiro oposicionista.

Por sua vez, a diretoria nega que tenha errado na condução do caso.

 

Por Ricardo Perrone em 24/3/2012

Fonte: Blog do Perrone



 

 

Denílson Custódio Machado - O Rei Zulu

Autor: Adriano Fernandes - 28/03/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Denílson Custódio Machado

O invejável porte físico – forte e alto – poderia ter levado Denílson Custódio Machado a sonhar com a posição de centroavante.

Seu futebol, no entanto, tinha características bem mais defensivas e a capacidade de desarmar o adversário fez com que Denílson se tornasse o primeiro verdadeiro cabeça-de-área do futebol brasileiro.

Ainda jovem bateu na porta do Fluminense e, decidido, foi pedir uma oportunidade diretamente ao técnico Zezé Moreira. O treinador gostou de sua impetuosidade e o deixou treinar entre os juvenis, onde ficou até 1964, quando Tim o lançou no time profissional, que acabou conquistando naquele mesmo ano o título carioca.

Ganhou de Nélson Rodrigues o apelido de “Rei Zulu” e na proteção da área tricolor colecionou ainda os Campeonatos Estaduais de 1969/71/73 e a Taça de Prata, em 70. 

O bom futebol o levou à seleção brasileira e à disputa da Copa do Mundo de 66. Ao todo defendeu o Brasil em 9 partidas internacionais e marcou dois gols.

Fonte: FFC



 

 

Fausto, a “Maravilha Negra”

Autor: Adriano Fernandes - 28/03/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

Fausto

Quando alguém lembra dos grandes jogadores do passado é quase sempre chamado de saudosista, mas eu não me importo com isso e gosto de contar neste meu blog as trajetórias vitoriosas de grandes nomes do nosso futebol. Jogadores que esbanjaram classe e categoria e encantaram os torcedores de suas épocas, quando o futebol brasileiro misturava técnica e encantamento.

Um dos primeiros craques da era moderna do futebol brasileiro foi sem dúvida o maranhense Fausto dos Santos, ou simplesmente Fausto, nascido em Codó, no dia 28 de fevereiro de 1905. Ele foi um dos melhores, senão o melhor meio campista de seu tempo. Era daqueles jogadores clássicos, que quando recebia a bola pelo alto, sabia dominá-la como poucos. A visão de jogo era uma de suas maiores virtudes, dava passes e lançamentos primorosos e também fazia gols.

Fausto teve uma infância difícil, por força da miséria no Nordeste brasileiro. Sua mãe, dona Rosa, queria um futuro melhor para o filho, coisa que dificilmente teria no interior maranhense. Por isso foi com a família tentar a sorte no Rio de Janeiro, então a capital e maior cidade do Brasil.

Naqueles áureos tempos em que os campos de futebol se espalhavam por todos os cantos da cidade, Fausto encontrou sua vocação, ao manter uma relação íntima com a bola. Ele a chamava de tu e ela o obedecia em todos os malabarismos que fazia, caindo sempre aos seus pés, como se uma escrava fosse. Era aquilo que hoje chamamos de domínio da bola.

Em 1926, Fausto, alto e magro, aparecia jogando como titular da equipe do Bangu Atlético Clube, atuando de meia atacante e mostrando sinais evidentes de que se tratava de um verdadeiro craque. Era bonito vê-lo tocar na bola, dar a matada no peito, driblar, fazer ginga, no desarme e na preparação do gol. Todas essas qualidades encantaram a Henry Welfare, um inglês radicado no Brasil e técnico do Clube de Regatas Vasco da Gama.

Fausto gostava do Bangu e era apegado aos companheiros. Por isso, resistiu para sair do clube vermelho e branco. Mas em 1928, finalmente foi parar no Vasco, agremiação representativa da rica colônia portuguesa e da gente graúda da cidade. No estádio de São Januário, inaugurado um ano antes, ele atingiria os “píncaros da glória”, plagiando verso da música “O Ébrio”.

E Fausto teve muito a ver com o personagem musical do grande cantor e compositor Vicente Celestino. Quando não estava nos gramados vestindo a camisa preta, com a “Cruz de Malta” branca à esquerda do peito, costuma freqüentar os bares e bailes de gafieira do Rio de Janeiro

Em 1929, foi campeão carioca, jogando como médio volante na equipe vascaína e se tornando o cérebro do meio-de-campo, posição para a qual fora deslocado por Welfare, que ignorava o esquema WM, criado por seu compatriota Herbert Chapman e praticado na Europa. Pela fórmula vascaína, Fausto tinha que ter um fôlego fora do comum, pois dele dependia o ataque. No 1º turno do Carioca, o Vasco goleou o Flamengo por 4 X 1, e Fausto marcou 3 gols. Nesse ano, além de campeão estadual, o negro de Codó estreou com êxito nas seleções carioca e brasileira.

Em 1930 participou da 1ª Copa do Mundo, disputada em gramados do Uruguai. O Brasil não conseguiu fazer uma boa preparação e isso foi preponderante para que a campanha fosse muito abaixo das expectativas. Mesmo cheio de craques, o escrete nacional, com três treinos, era composto de uma turma inexperiente e temerosa em fazer feio no exterior. Na estréia, perdemos para a Iugoslávia. Depois, derrotamos a Bolívia. Fausto foi considerado o melhor médio volante da Copa e ganhou da imprensa uruguaia o apelido de “Maravilha Negra.”

A partir daí, o jogador passou a ser ajudado financeiramente pelos portugueses ricos do Vasco da Gama. Mas, despreparado para a glória e a fama, continuou com as farras. A madrugada e o álcool estavam colocando sua carreira em risco. A sua saúde estava em declínio, e sofria com sucessivas e intermináveis gripes. À época, disseram-lhe que os negros eram predispostos à tuberculose e Fausto tomou isso como exagero racista, seguindo fiel à boemia.

Mesmo assim continuava a jogar um grande futebol. No ano de 1931 quando o Vasco se tornou o primeiro clube carioca a excursionar pelo exterior, Fausto, folgando da gripe, encantou as platéias européias com sua elegância e habilidade. Em Madri, Barcelona e Vigo, o compararam a um escravo levando o time nas costas. Depois de um jogo em que o Vasco derrotou o combinado português formado por jogadores do Sporting e Benfica, o jornalista português Alberto de Freitas, embora com um comentário altamente racista, resumiu a representatividade de Fausto: "O centromédio faz verdadeiras maravilhas, passeando a vontade pelo campo. Com tanta categoria até se pode não ser branco”.

Contratado pelo Barcelona, fez jus ao nome e maravilhou a todos, inclusive conquistando o torneio da região em 1932. Pelo clube espanhol, o negro brasileiro foi a Paris e recebeu do jornal “France Football” este elogio: "Ele faz com espantosa facilidade o que outros fariam com um esforço sobre-humano. Fausto, com seu futebol maravilhoso, veio ensinar à Europa como deve jogar um center-half".

Mas a gripe voltou a incomodá-lo. E fez com que se indispusesse com a direção do clube espanhol, que exigia que ele jogasse mesmo com febre. Acabou rescindindo o contrato. No Barcelona, Fausto ganhou muito dinheiro, mas gastou tudo na boemia. Em 1933, foi jogar no Young Fellows, da Suíça, onde ficou somente dois meses. Jornais da época já falavam sobre seu estado de saúde e achavam que o jogador tinha consciência da tuberculose e de sua gravidade, embora nada comentasse.

Retornou ao Brasil e ao Vasco em 1933, para um ano depois ser outra vez campeão carioca, jogando ao lado dos geniais Domingos da Guia e Leônidas da Silva, o "Diamante Negro". Em 1935, o Nacional de Montevidéu o contratou. No Uruguai não teve o mesmo brilho de antes, sendo expulso de campo em quase todos os jogos. Com a saúde bastante abalada o craque brasileiro não conseguia mais correr os dois tempos de uma partida. E por isso voltou ao Brasil, em 1936, para jogar no Flamengo.

No rubro-negro teve o azar de se deparar com o técnico húngaro Dori Kruschner, fã do sistema WM que consistia de 3 beques, 2 médios, 2 meias e 3 atacantes e um rígido treinamento físico, até então inédito no país. Fausto já não tinha gás, por isso o técnico o escalou na zaga. Fausto não gostou e pediu rescisão do contrato, que lhe foi negada no clube e na Justiça. Acabou substituído no time titular pelo atacante alemão Engels, que foi adaptado como centromédio.

Em 1938, porém, vendo-se sem chance e humilhado, Fausto se retratou em carta exaltando o trabalho de Kruschner. O “Maravilha Negra” ainda voltou a jogar com o aparente talento de sempre. E foi até cogitado para a Seleção Brasileira que iria à Copa do Mundo, disputada na França. Mas a velha e cruel gripe, cheia de tosse, veio abatê-lo de novo. Uma tarde, após jogar entre os aspirantes do Flamengo, sentiu-se mal e teve hemoptise. Quando quis retornar aos treinos, em 1939, os médicos o enviaram ao Sanatório Mineiro, escondido nos cafundós do Estado de Minas Gerais, sem muita esperança de curá-lo da tuberculose.

Sob os cuidados da irmã Catarina, abnegada freira que lhe incutiu a fé cristã através de doutrinação oral e de um livro emprestado, o negro que viera do Rio de Janeiro viveu seus últimos momentos. Ao início da noite, depois de arder em uma febre de graus elevados, com a respiração sôfrega e os pulmões corroídos, Fausto, aos 34 anos de idade deu seu último suspiro.

E por lá mesmo Fausto dos Santos foi enterrado sem grandes pompas em cova rasa, cravada por uma tosca cruz de madeira, sem nome nem data. Morreu tendo conquistado 2 títulos cariocas para o Vasco, em 1929 e em 1934 e marcando seu nome como um dos maiores futebolistas de todos os tempos! E morreu na miséria. Um fim triste para um jogador que, menos de uma década antes, encantara o mundo

Por Jorge Costa em 24/2/2009

Fonte: Só Vasco da Gama



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