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Blog Memória Futebol


Tudo em Sima, o maior artilheiro nordestino.

Autor: José Renato - 30/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Dia 3 de fevereiro de 1966, a vitória do Piauí por 1 a 0 frente o Auto Esporte foi um marco para o futebol piauiense, algo inimaginável para aqueles poucos que presenciarem a partida. O gol da vitória foi marcado por um rapaz de 17 anos, Sima, o primeiro da carreira daquele que acabou por se tornar o maior nome do futebol em seu estado. Nascido no povoado de Matões, na pequena cidade de Miguel Alves, em 7 de março de 1948, Simão Teles Bacelar foi um dos maiores artilheiros da história do futebol brasileiro. Ainda franzino foi cedido para disputar o campeonato intermunicipal pela cidade de Barras. Na verdade poucos acreditavam no potencial daquele atleta, que se tornou artilheiro desta competição, o que o fez voltar imediatamente ao clube para ser campeão estadual em 1967. Já como titular foi artilheiro e campeão estadual em 1968 e 1969, jogando pelo Piauí Esporte Clube. Sua habilidade e fama de goleador fez com que fosse levado para fazer testes no Sport Recife. Acabou não ficando. De volta a sua casa, foi artilheiro do estadual de 1970 e ao marcar 42 gols na temporada se tornou o recordista de gols no estado, feito quebrado por ele próprio em 1977, quando balançou as redes em 44 oportunidades. Após voltar a ser artilheiro do campeonato estadual em 1971, foi contratado pelo Bahia em 1972. Teve bons momentos do Tricolor da Boa Terra, chegando até mesmo a marcar gol de título do turno frente o rival Vitória, no entanto, contusões acabaram por fazer com que voltasse ao Piauí em 1973. Aquele ano foi marcante para fazer com que se tornasse conhecido nacionalmente, uma vez que pela primeira vez na história uma equipe de seu estado iria participar de uma edição do campeonato brasileiro, o Tiradentes. Sima voltou a ser artilheiro e campeão estadual em 1974 e 1975. Artilheiro e campeão foi contratado pela equipe mais popular do estado, o River Atlético Clube, em 1977, naquele que foi seu maior ano. Foi campeão estadual, maior artilheiro brasileiro (considerando todas as competições) com 33 gols marcados e chegou a figurar por algumas rodadas como maior artilheiro do campeonato brasileiro. Conquistou três títulos estaduais pelo River e é o maior artilheiro da história do clube com 185 gols. Já considerado veterano, foi cedido por empréstimo, em várias ocasiões para equipes de outros estados nordestinos, até que em 1983 foi cedido ao Auto Esporte, para, novamente ser artilheiro e campeão estadual. Sima era considerado o Pelé em seu estado, e a grande receita para qualquer clube que almejasse conquistas. Em 1984 ainda voltaria ao seu time de origem, o Piauí, onde ganhou seu último título de campeão piauiense no ano seguinte. Ao contrário do que costumava ser uma característica de muitos goleadores, sobretudo naqueles anos, Sima era muito habilidoso e disciplinado, uma prova disso é que jamais foi expulso de uma partida ao longo de 21 anos de carreira. Foram 11 títulos estaduais, sendo 10 no Piauí, e 1 em Sergipe, jogando pelo Sergipe. Foi, por 10 vezes, o maior artilheiro do campeonato estadual. Uma carreira de muitos títulos e gols, ao todo 530, que fizeram dele o maior artilheiro nordestino do futebol brasileiro.

 

 

O artilheiro Bife, o maior do Mato Grosso.

Autor: José Renato - 23/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nascido na cidade paulista de Vera Cruz, José da Silva Oliveira era filho de uma “marmiteira”. Com 12 anos, já morando em Aquidauana, no Mato Grosso, cabia a ele entregar as “quentinhas” para os soldados de um quartel perto da casa da família. Eram quase 150 por dia. Quase que diariamente sempre havia alguma reclamação sobre a ausência de bife em algumas delas. Após certa pressão, o menino acabou confessando o “crime”. A mãe quase perdeu os clientes, quanto ao menino, ganhou o apelido de Bife. Foi com este nome que ele marcou história no futebol brasileiro. O começo foi em 1968 no LS de Campo Grande, equipe do futebol amador, onde se destacou por marcar muitos gols. Seu primeiro contrato profissional foi com o Operário de Várzea Grande em 1971. Foi vice-campeão logo no seu primeiro ano e bicampeão nos anos seguintes, 1972 e 1973. Seus gols chamaram a atenção do Atlético Mineiro, do técnico Tele Santana, que contava com ele para substituir o atacante Dario, o Peito de Aço, em 1974. Destacou se em alguns coletivos, até que foi abordado por um dirigente do Galo, quanto à necessidade de mudar seu nome. Segundo ele, “... não fica bem o Atlético ter no seu time um jogador com nome de carne de vaca...”. Bife não deixou por menos e respondeu: “....gosto do meu apelido e não vou muda-lo por nada neste mundo...” Resultado: foram apenas 10 dias no Atlético. Acabou no Comercial de Campo Grande para participar do Campeonato Brasileiro de 1975. Em 1976 foi contratado para atuar no maior rival do Operário, o Mixto. Viveu grandes momentos na equipe de Cuiabá. Muito habilidoso e artilheiro, Bife sempre foi sondado para sair de Mato Grosso, mas seu temperamento nunca ajudou muito. Em 1978 foi emprestado para atuar no campeonato paulista pelo São Bento de Sorocaba, do técnico João Avelino. Após boas atuações, foi dada como certa sua ida para a Portuguesa, na época do técnico Osvaldo Brandão. No meio de um treino foi informado que posteriormente falaria com um representante da equipe paulistana. Grande foi sua surpresa ao ser abordado pelo presidente do XV de Piracicaba, Romeu Ítalo Rípoli, que o intimou: “... a partir de hoje, você é jogador do XV...” Bife não gostou do comportamento do dirigente e respondeu: “...tenho nome de carne de animal, mas sou gente, sei conversar...”. Chegando a cidade de Piracicaba, a conversa virou em discussão. Resultado: em 1979 já estava de volta ao Mixto. Foi bicampeão estadual em 1979 e 1980. Seu futebol refinado estava em alta e atraiu o interesse do Futebol Clube do Porto, para onde foi emprestado. Após fazer uma boa temporada de 1980/1981, foi procurado por dirigentes portugueses que desejavam sua contratação em definitivo. Sua proposta foi alta, e para a sua surpresa, aceita. Foi quando uma ligação do dirigente do Mixto o fez largar tudo e voltar para Cuiabá. Ainda chegou a atuar no Belenenses, mas já em 1983, estava de volta ao Operário de Várzea Grande que pretendia recuperar a hegemonia no estado, novamente após uma polêmica contratação junto ao grande rival da capital. 1983 foi seu último grande ano, artilheiro e campeão do campeonato estadual pela equipe tricolor. Seus últimos anos no futebol foram marcados por contusões e muitas situações de indisciplina, sobretudo, envolvendo bebida. O maior artilheiro da história do maior estádio de Mato Grosso, o Governador José Fragelli – o Verdão, com quase 100 gols marcados, parou de atuar como jogador em 1987. Bife foi um craque caseiro como tantos outros que fazem de sua cidade ou estado, seu mundo.



 

 

O belo Rosemiro, o homem de muitos pulmões.

Autor: José Renato - 16/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nascido na cidade de Belém em 22 de fevereiro de 1954, Rosemiro Correia de Souza começou no futebol jogando na Tuna Luso Brasileira. Embora tivesse uma baixa estatura, 1,67 metros, e apenas 61 quilos, seu vigor físico impressionou muito e logo foi contratado pelo Clube do Remo. Suas atuações na equipe azulina chegaram a causar estranheza. Como poderia um jogador tão franzino, correr tanto? Além disso, era raro, naquele tempo, ver um lateral avançar tanto para o ataque. Por conta disso passou a ser escalado também como ponta direita. Ainda com 19 anos, já titular, conquistou o estadual de 1973, o que repetiria em 1974 e 1975. Embora fosse tricampeão paraense ainda era “remunerado” com apenas uma ajuda de custo, o que o colocava ainda como amador. Por conta disso foi convocado para a seleção olímpica que conquistou o Pan Americano de 1975 e o Pré Olímpico de 1976. Apesar de ter sido convocado como lateral direito, Rosemiro atuou como ponta direita titular em uma seleção que contava com o goleiro Carlos, Batista, Edinho e Claudio Adão, dentre outros. Passou a ser pretendido por grandes clubes e acabou contratado pelo Palmeiras em 1976. No alviverde fez história, sendo campeão paulista logo em seu primeiro ano no clube, sua quarta conquista consecutiva, ao ser lançado pelo técnico Dino Sani. No começo chegou a dividir a titularidade com Valdir, mas logo passou a ser absoluto na posição. Sua, digamos, “falta de beleza”, era motivo de muita brincadeira por parte dos colegas e de muitos jornalistas. A verdade, no entanto, é que em campo Rosemiro era um dos pulmões de uma das grandes equipes do futebol brasileiro. Formou juntamente com Edu, um setor direito que marcou história. Protagonizou duelos históricos com Zé Sérgio, ponta esquerda tricolor. Vice-campeão brasileiro em 1978, conquistou a Bola de Prata, tradicional prêmio promovido pela revista Placar. Titularíssimo no grande Palmeiras formado pelo Mestre Telê Santana em 1979, segundo muitos, foram as características de Rosemiro que levaram o técnico a convocar Leandro para ser o lateral da seleção brasileira em 1982. A saída de Telê para o seleção, em 1980, acabou provocando um desmonte da equipe alviverde, o que provocou a saída de muitos de seus principais jogadores. Por conta disso, após 300 jogos com a camisa alviverde, foi contratado pelo Vasco da Gama em 1981. Ajudou a equipe da cruz de malta a interromper a hegemonia do tricampeão Flamengo, ao conquistar o titulo de campeão carioca de 1982. Rosemiro foi um atleta exemplar e muito disciplinado, daqueles que é chamado como “de grupo”. Atuou até 1990.



 

 

Um centroavante do barulho, Beijoca.

Autor: José Renato - 09/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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A tranquilidade, algo marcante nos baianos, certamente passou bem longe de um deles, Jorge Augusto de Aragão, o Beijoca. O apelido veio por conta de uma boneca da sua irmã que tinha este nome. Começou no futebol batendo bola nos campos do tricolor da “Boa Terra” ainda no final dos anos 1960. Ainda com 16 anos, fez parte do elenco da equipe que conquistou o estadual de 1970. Sem espaço e já com certa propensão a problemas, foi emprestado. Ao final de cada ano, voltava ao Bahia e era informado que não teria oportunidade no Tricolor. Esta rotina aconteceu até o começo de 1975, quando resolveram testá-lo na equipe que buscava o tricampeonato estadual. Beijoca não só ficou, bem como foi um dos grandes responsáveis por aquela conquista. Não acostumado a se dedicar aos treinos, sempre teve uma vida boemia. Costumava sair dos bares de Salvador diretamente para o jogo, independentemente da importância da partida. Foi o que aconteceu justamente no dia da final do estadual de 1976, frente o maior rival, o Vitoria. Após a primeira partida da final vencida por 2 a 1 pelos tricolores, com um gol de Beijoca, Orlando Fantoni, o técnico tricolor resolveu concentrar os jogadores. Só não encontrou Beijoca, que tinha sido visto pela ultima vez, apenas no vestiário após a partida. Mandou alguns de seus assessores procurarem o atacante na região boemia da cidade. Beijoca foi encontrado totalmente embriagado por volta das 4:00 em condições que beiravam a de um coma alcóolico. Descartado para a final, coube aos atletas o carregarem para a cama. Um pouco depois do almoço, do dia do jogo, eis que ele se juntou ao elenco. Já de banho tomado e com forte cheiro de álcool, foi informado que não jogaria. De imediato ele se levantou e apontando o dedo para Fantoni afirmou: “Vou jogar e marcar o gol da vitória.” Os dirigentes alertaram que aquela seria a ultima partida dele com as cores do Bahia. Pegou a camisa 9 vestiu e se dirigiu ao ônibus, e já que seria seu ultima partida, levou uma garrafas de cerveja com ele. Pois bem, em 22 de agosto de 1976, o Bahia conquistou o tetracampeonato baiano ao vencer por 1 a 0 o Vitória com um gol de Beijoca, de beijinho. Virou Mito. Trombador, sem preparo físico de atleta, gordo, com graves problemas de alcoolismo, mas fazedor de gol. Foi o maior artilheiro da equipe nas conquistas estaduais dos anos seguintes, 1977 e 1978. Já com fama nacional foi contratado pelo Flamengo. O inicio das negociações entre rubro-negros e tricolores começaram envolvendo um novo problema envolvendo o artilheiro. Durante uma noite de farra, Beijoca tinha sido preso em uma “casa de conveniência”. Por conta disso, sua chegada a equipe carioca foi adiada. Ele acabou se unindo ao grupo já no avião que iria levar a equipe à Espanha, para a disputa do Torneio Ramon de Carranza. No avião, resolveu beber algo para relaxar... resultado, apalpou uma aeromoça. Coube ao comandante do avião exigir sua retratação, caso contrário, iria denunciar toda a delegação rubro-negra a polícia espanhola. Desculpas dadas, foi possível o desembarque do Flamengo sem maiores problemas. Sua estreia com a camisa rubro-negra, não poderia ter sido melhor. Em 25 de agosto de 1979 na vitória por 2 a 1 frente o grande Barcelona, quem diria? O fim da aventura de Beijoca no Rio de Janeiro aconteceu na partida frente ao Palmeiras no Maracanã, no dia 9 de dezembro, válida pelas quartas de finais do campeonato brasileiro daquele ano, e vencida por 4 a 1 pela equipe paulista do técnico Tele Santana, em uma das maiores atuações de uma equipe sob seu comando. Beijoca entrou em campo e em pouco mais de um minuto, largou uma cotovelada no meia campista Mococa e deu um soco no atacante Baroninho, sendo expulso em seguida. Jamais voltou a vestir a camisa do Mengão. Depois disso, voltou a defender as cores de mais de 10 equipes, sendo campeão aqui e ali, e sempre marcando gol e criando confusão. Parou de jogar futebol em 1990 e depois de algum tempo, deixou de lado também a bebida ao ser tornar evangélico. Beijoca foi, o que muitos jogadores são hoje.



 

 

Jacozinho, o parceiro sergipano de Maradona.

Autor: José Renato - 02/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Sergipano da pequena cidade de Gararu, Givaldo Santos Vasconcelos fez história no futebol brasileiro. Afinal quem pode afirmar que após substituir Falcão, recebeu um passe de Maradona, driblou o goleiro e marcou um gol no Maracanã. Pois é... este tal Givaldo, ficou para a história com o nome de Jacozinho. Ponta esquerda muito rápido e com grande habilidade começou no futebol defendendo o Vasco de Aracaju. Após disputar o campeonato brasileiro pelo Sergipe, foi contratado para atuar no CSA de Alagoas. Foi tetracampeão estadual com a equipe alagoana em 1980, 1981, 1982 e 1984, e vice-campeão brasileiro da segunda divisão em 1980, 1982 e 1983. Virou ídolo e passou a ganhar nome nacionalmente graças às reportagens divertidas do repórter Marcio Canuto para o Globo Esporte. Era sempre muito divertido acompanhar as histórias do folclórico Jacozinho. Dentro de campo, jogadas mirabolantes, fora dele, “causos” como o do seu carro, um fusca apelidado de Maestro pelo fato de ter um “conserto” em cada esquina. Até mesmo o técnico da seleção brasileira, Evaristo de Macedo, chegou a ser questionado sobre uma eventual convocação. Mas algo ainda mais marcante aconteceria em 12 de julho de 1985. Após cerca de dois anos na Itália, onde jogou na Udinese, Zico retornaria para o Flamengo em um amistoso frente a uma seleção de seus amigos. Apesar de sequer conhecer o Galinho, Jacozinho acabou arrumando uma vaga no banco de reservas do selecionado comandado pelo técnico Telê Santana. O Flamengo já vencia por 3 a 0, quando foi levantada a placa, com o número 13, que indicava a entrada de Jacozinho no lugar de Falcão. O mais inusitado ainda estaria por vir. Pouco minutos depois, Maradona dominou a bola no meio do campo e lançou Jacozinho, que passou por trás da zaga rubro negra, deu um “drible da vaca” no goleiro Cantarelli e tocou a bola para o gol vazio. Um golaço comemorado por toda a torcida, inclusive a do Flamengo, talvez a primeira vez (e única) por um gol sofrido. No dia seguinte, por mais paradoxal que possa ser o retorno de Zico foi deixado em segundo plano. As manchetes eram todas para Jacozinho. Procurado pelo América do Rio de Janeiro, acabou contratado pelo Santa Cruz. Campeão pernambucano em 1986, voltou para o CSA em 1987. De lá continuou sua carreira por dezenas de equipes de pequeno porte. Viveu com esplendor seu auge, sem pensar no futuro. Um dos mais claros exemplos do que acontece com grande parte dos jogadores de nosso futebol.




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