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Blog Memória Futebol


Nasce o América

Autor: Adriano Fernandes - 30/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

América

O América Futebol Clube foi fundado em 30 de abril de 1912 por um grupo de garotos da elite mineira, quase todos estudantes do "Gymnasium Anglo-Mineiro", onde as aulas eram dadas em inglês por professores, em sua maioria, norte-americanos.

O nome do clube foi escolhido por sorteio. Entre as opções estava "América Foot-ball Club", em homenagem aos Estados Unidos da América, dos quais os meninos eram fãs, por influência das histórias contadas por seus professores, apesar de vários deles, inclusive Afonso Silviano Brandão (sobrinho do "presidente" do Minas Gerais, Bueno Brandão – na época, os Estados possuíam presidentes e não governadores), serem torcedores do América FBC do Rio de Janeiro.

O time de futebol foi criado um ano antes da fundação do clube. Essa equipe, que não tinha nome, durou pouco menos de seis meses. Ela foi desfeita por causa dos estudos intensos do segundo semestre. Porém, um ano depois, os garotos se reuniram novamente e decidiram recriar o clube naquela mesma data. 

A reunião para a escolha do nome ocorreu em maio, nos porões da casa de Adhemar de Meira. As sugestões foram colocadas dentro do chapéu pertencente a Aureliano Lopes Magalhães, e o nome foi retirado pela pequena Alda Meira, que depois se tornaria uma das mais importantes damas de nossa sociedade. As cores verde-branca foram escolhidas também por sorteio. 

Sua diretoria já havia sido escolhida em reunião anterior, na casa do senhor José Gonçalves, pai de um dos meninos, Secretário de Estado da Agricultura e um dos fundadores e o primeiro Secretário do Sport Club (primeiro clube de futebol de Minas Gerais).

Primeira diretoria:

Presidente: Afonso Silviano Brandão

Vice-presidente: Aureliano Lopes de Magalhães (primeiro a falecer)

Secretário: Adhemar de Meira

Tesoureiro e Zelador: Oscar Gonçalves

Em setembro 1913, o Minas Geraes, clube fundado na mesma data, foi extinto. O presidente de honra dos dois clubes, então prefeito de Belo Horizonte, resolveu ceder ao América o patrimônio do Minas Geraes: um campo de futebol com suas traves.

O clube era composto por crianças de 13 e 14 anos e disputava jogos com garotos da mesma faixa etária. Na mesma época, devido a uma “desinteligência” no Atlético Mineiro, todos os seus presidentes até aquela data e três de seus fundadores, além de meio time se afastaram e pediram suas inscrições no América.

Os meninos que torciam por aqueles atletas fizeram uma reunião para que o Estatuto fosse mudado. Houve discordância e vários dos fundadores americanos saíram, mas o clube se tornou time de adultos, com atletas de Atlético e Minas Geraes. Os meninos americanos passaram a formar o segundo time. Em homenagem aos seus novos integrantes, o América decidiu substituir os calções brancos por calções negros, tornando-se tricolor a partir de 1913.

1916 a 1925 - DECACAMPEONATO

Fizeram parte da conquista do decacampeonato: Geraldino de Carvalho - primeiro negro a fundar e jogar em um time de futebol no Brasil; Otacílio Negrão de Lima, que se tornou grande político, e Mário Pena e Lucas Machado, que se formaram médicos e foram fundadores do Hospital São Lucas.

Quatro anos depois de ser concebido, o AMÉRICA começa a escrever sua história no futebol mundial. O time, que vestia as mesmas cores de hoje - o verde, branco e preto -, iniciou a maior série de títulos conquistados consecutivamente por um clube no mundo.

1933 - PROFISSONALIZAÇÃO

Nesse ano, foi oficializado o profissionalismo no AMÉRICA. Até então, toda prática esportiva era amadora. O clube protesta contra a implantação do profissionalismo e muda as cores de sua camisa para vermelho e branco, situação que perdurou por dez anos.

1943 a 1948 - RETOMADA DAS CORES DO DECA

A partir de 1943, o América aceita o profissionalismo, retoma as cores que marcaram o decacampeonato e recomeça a investir no patrimônio do clube.

Em 1948, o clube conclui as obras de seu novo estádio - OTACÍLIO NEGRÃO DE LIMA - período marcado por grandes conquistas como o Campeonato Mineiro daquele ano e o Torneio Quadrangular, que reunia o Vasco da Gama, campeão sul-americano daquele ano, o São Paulo, campeão paulista, e o Atlético, campeão mineiro de 1947.

1957 a 1971 - TRÍPLICE COROA

Em 1957, o América conquista a tríplice coroa ao ganhar os títulos juvenil, aspirante e profissional. Em 1971, destaca-se pela conquista do Campeonato Mineiro de forma invicta.

Fonte: Site Oficial do América


 

 

Flamengo - Campeão Carioca 1979 (Especial)

Autor: Adriano Fernandes - 29/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

Flamengo campeão 1979

Como as federações dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara tinham sido fundidas na federação do novo Estado do Rio de Janeiro, esta competição foi originalmente concebida como a fase final do primeiro campeonato do novo estado, sendo as competições realizadas em 1978 por clubes cariocas e fluminenses apenas fases classificatórias para este campeonato, conforme determinação da Resolução nº 4/78 do CND. Em 25/01/1979, após o término das fases classificatórias, aquelas competições foram transformadas nos últimos campeonatos dos antigos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, este campeonato, originalmente válido pela temporada de 1978, foi transformado no "Campeonato Especial" de 1979, e o I Campeonato Estadual do (novo Estado do) Rio de Janeiro, válido pela temporada de 1979, foi disputado entre maio e setembro/1979.

Chamado oficialmente de I Campeonato Estadual de Futebol pela recém-criada Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, o campeonato de 1979 seria o primeiro unificado entre os clubes da capital (antigo Estado da Guanabara) e do interior (antigo Estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói). Embora os estados tenham se unido em 1975, as entidades Federação Carioca de Futebol e Federação Fluminense de Futebol continuaram separadas por alguns anos graças à manobras políticas dos representantes cariocas, que não tinham interesse em enfrentar longas viagens ao interior para "cumprir tabela", dada à diferença técnica entre os participantes dos antigos Campeonato Carioca (de visibilidade nacional) e Campeonato Fluminense (considerado um dos campeonatos estaduais de "menor expressão" do Brasil).

O "I Campeonato Estadual de Futebol" do novo Estado do Rio de Janeiro reunía os seis melhores clubes do Campeonato Carioca (América, Botafogo, Flamengo, Fluminense, São Cristóvão e Vasco e os quatro melhores do Campeonato Fluminense (Americano, Fluminense de Nova Friburgo, Goytacaz e Volta Redonda) da temporada anterior.

Contudo, após a disputa do mesmo (título conquistado pelo Flamengo), a CBD considerou ilegal o critério desigual (mais vagas para os cariocas) utilizado pela FERJ, e forçou a mesma a organizar um novo campeonato "I Campeonato Estadual de Futebol" - dessa vez reunindo todos os participantes dos estaduais carioca e fluminense de 1978, num total de 18 participantes. O campeonato de 10 clubes, já concluído, foi renomeado para "Campeonato Estadual Especial de Futebol".

Embora até hoje a nomenclatura oficial da competição unificada seja "Campeonato Estadual" a mídia e a opinião pública em geral chamam o campeonato frequentemente de "Campeonato Carioca", por considerar que a identidade do antigo campeonato da Guanabara (com clubes considerados grandes e de visibilidade nacional) tenha prevalecido sobre o antigo Campeonato Fluminense (sem visibilidade e enfrentando desinteresse em seu próprio estado, onde a maioria da população acompanhava preferencialmente a competição carioca).

Campeonato Carioca de Futebol de 1979 (Especial)

Flamengo 2x2 Botafogo

Local: Maracanã 

Juiz: Valquir  Pimentel

Renda: Cr$ 8 297 685,00

Público: 158 477

Local: Maracanã 

Juiz: Valquir  Pimentel

Renda: Cr$ 8 297 685,00

Público: 158 477

Gols: Zico 32, Gil 39 e Zico 45 do 1.°; Luisi­nho Lemos 7 do 2.°;

Cartão amarelo: Perival­do, Luisinho Lemos e Toninho

Flamengo:  Cantarele,  Toninho,  Rondinelli, Nelson,    Júnior,    Carpeggiani    (Andrade), Adílio, Reinaido, Luisinho (Cláudio Adão), Zico e Tita

Botafogo: Luís Carlos, Perivaldo, Osmar, Renê. China, Wecsley, Chiquinho, Gil (Dé), Lui­sinho Lemos, Renato Sá e Clóvis

Fonte da Imagem: Imortais do Futebol

Fonte: Ranking & Futebol RJ em 8/8/2011



 

 

Mais Uma do João Avelino

Autor: Adriano Fernandes - 27/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

João Avelino e jogadores do ABC

João Avelino foi um dos treinadores mais incriveis do Brasil.

Ele dirigiu inúmeros times, principalmente em São Paulo e sempre com muita inteligência, e uma grande dose de malandragem.

Era um tipo que tirava partido de tudo, da postura, do entusiasmo em fazer as palestras, em explorar o ponto fraco de cada adversário, de conhecer de cor e salteado o que um ou outro jogador era capaz de fazer, tanto do seu time quanto os dos outros times.

Se fosse necessário apelava para truques e malandragens inimagináveis.

Mas uma coisa é certa: ele conhecia o futebol como poucos.

Em 1955 ele dirigia a Ferroviária, de Araraquara e chegou a finalíssima da Segunda Divisão contra o Nacional, da capital. Se o Nacional vencesse haveria uma prorrogação.

O jogo foi incrível, como eram todas as finais da segundona naqueles tempos.

Aos 10 minutos do segundo tempo o Nacional vencia por 3 a 0.

Sorrateiramente Avelino se aproxima da lateral do campo e passa uma ordem ao seu lateral direito que transmite a mensagem para seus companheiros.

Os jogadores da Ferroviária começaram a cair em campo. No terceiro caído e retirado do campo para cuidados, todo mundo pensou que o jogo acabaria por ser interrompido pela falta necessária de jogadores da Ferroviária.

Mas não foi o que aconteceu, quando o quarto jogador do time de Araraquara simulou estar machucado, as simulações acabaram por aí. Com 11 jogadores contra 7, o Nacional se esforçou para aplicar uma goleada e desmoralizar o adversário, mas o jogo ficou no 3 a 0.

No finalzinho do tempo regulamentar todo mundo se programando para a prorrogação, aconteceu a grande surpresa: os 4 “contundidos” milagrosamente recuperados e devidamente descansados voltam a campo com todo o gás e encontram um Nacional extenuado.

A Ferroviária venceu, por 2 a 0, subiu para a Primeira Divisão do futebol paulista e João Avelino já diplomado em malandragem, ganha a pós-graduação.

Por Michel Laurence em 3/4/2012

Fonte de Texto e Imagem: Jogo Quase Perfeito



 

 

Sastre - A Marca do Argentino

Autor: Adriano Fernandes - 27/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Sastre

Um argentino que deixou sua marca

Antonio Sastre é um dos jogadores mais completos da história do futebol argentino. No Independiente, marcou 112 gols em partidas oficiais, atuando em várias posições, além da preferida, a meia-direita. Foi zagueiro-central, lateral-direito, meia-esquerda e volante, desempenhando todas as funções com perfeição.

O Independiente deve muito a Sastre, especialmente, pelo bicampeonato nacional de 1938 e 1939. Em 1942, Pedro Canaveri, presidente do Independiente, premiou Sastre pelos serviços prestados em 11 anos. O São Paulo fez uma proposta para tirá-lo de Avellaneda, subúrbio de Buenos Aires, e Canaveri lhe deu passe livre. Sastre arrumou as malas e mudou-se para São Paulo.

Em quatro anos no "Mais Querido", Sastre ajudou o São Paulo a conquistar três títulos paulistas (1943, 1945 e 1946). A turma era boa: no Morumbi, ele jogou ao lado de Zezé Procópio, Noronha, Leônidas, Bauer e Teixeirinha. Em 1943, tornou-se o recordista de gols marcados em uma mesma partida pelo São Paulo: foram seis, na goleada de 9 x 0 sobre a Portuguesa Santista.

Em sua passagem pelo Brasil, recebeu o apelido de Maestro e o seguinte elogio do técnico Oswaldo Brandão, que em 1947 conquistou o título paulista no comando do Palmeiras: "Ele é o homem que nos ensinou a jogar futebol".

Sastre voltou à Argentina no final de 1946, decidido a largar o futebol. Mas o destino ainda lhe reservava uma emoção no mundo do esporte. Dirigentes do Gimnasia Y Esgrima de La Plata bateram em sua porta pedindo socorro.

O Gimnasia havia feito uma péssima campanha na Primeira Divisão e não fugiu do rebaixamento. Sastre aceitou o convite e adiou sua aposentadoria. O tempo provou que sua decisão foi acertada: com ele comandando o meio-de-campo, o Gimnasia conquistou o título da Série B de 1947 e voltou à Divisão Principal. Dever cumprido, Sastre parou definitivamente.

Fonte da Imagem: Arquibancada Tricolor

Fonte: UOL Esportes



 

 

Estádio Paulo Machado de Carvalho

Autor: Adriano Fernandes - 27/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Pacaembu

Trecho de A Construção do Pacaembu, 

de João Fernando Ferreira

A CERIMÔNIA INAUGURAL

De acordo com Reis Filho, o Estádio Municipal colocava-se como uma obra com características monumentais, pretendendo ser o divisor de águas de uma época. Os festejos organizados para sua inauguração reforçaram essa idéia. Pouco tempo antes do evento que abriria as portas do estádio à população, representantes do jornal O Estado de S. Paulo produziram uma extensa cobertura relatando o acontecimento e descrevendo o estádio:

De acordo com a resolução da Diretoria de Esportes do Estado de São Paulo, será realizado na inauguração do Estádio Municipal um majestoso desfile envolvendo esportistas de todo o Estado e de alguns países vizinhos"

("O desfile de inauguração do Estádio", in:O Estado de S. Paulo, 11/04/1940, p. 8).

Conforme aponta o jornal, os festejos para a inauguração deveriam ser compatíveis com a monumentalidade da construção. Caberia a São Paulo mostrar ao resto do país o seu papel de "locomotiva do progresso", afirmando-se como um símbolo de desenvolvimento econômico, fruto da industrialização. A cidade impunha-se, assim, como um modelo a ser seguido não apenas neste aspecto, mas também no desenvolvimento da Educação Física. Da mesma forma, o Brasil mostraria esse poderio para os outros países da América do Sul. O Estádio Municipal seria a síntese dessa nova fase:

A Federação Uruguaia de Bola ao Cesto enviará para a inauguração do Estádio Municipal uma delegação de 13 jogadores, a fim de prestigiar a mais moderna praça de esportes da América do Sul. Os nadadores chilenos também participarão da festa, inclusive o grande campeão Jorge Baroeta

("As delegações estrangeiras na festa do Estádio Municipal", in: O Estado de S. Paulo, 12/04/1940, p. 8).

Mais que simples cerimônia de inauguração, a apresentação do novo estádio à sociedade consistia na afirmação de um estado diante dos demais, e de um país diante de seus vizinhos sul-americanos. Para tanto, era fundamental o engajamento da imprensa e da administração pública. O trabalho dos periódicos desencadeou uma grande movimentação em torno do evento, o que fez a expectativa da população atingir grandes proporções, conforme é possível verificar nesta passagem d’O Estado de S. Paulo:

Não se fala em outra coisa. A população da cidade de São Paulo conta os dias para a grande festa. Todos querem estar lá para a inauguração da maior praça de esportes da América do Sul. Todas as delegações estrangeiras chegarão na próxima semana

("Instruções da Diretoria dos Esportes", in: O Estado de S. Paulo, 9/04/1940, p. 6).

Assim, a prefeitura se esmerou na divulgação de uma série de providências a serem tomadas pela iniciativa privada, que deveria ser envolvida nesse processo, visando a preparar a cidade para receber um grande contingente de visitantes. Um exemplo ilustrativo

é encontrado no considerável abatimento que os preços das passagens ferroviárias sofreram, o que viabilizou o deslocamento de pessoas de outras localidades tanto para assistir quanto para participar do desfile de abertura.

Apesar de a obra ser municipal, toda a organização referente à inauguração ficara, exclusivamente, a cargo da Diretoria Geral de Esportes do Estado de São Paulo (Deesp) que, no período estadonovista, teve seus poderes ampliados.

A agitação em torno da festa inaugural era intensa. E, para coroar tal acontecimento, foi apresentada pela Deesp uma longa lista de disputas esportivas. Essas disputas contariam, necessariamente, com um grande número de atletas, uma vez que tal diretoria proibiu qualquer atividade esportiva na cidade, fora do estádio, no período de 27 de abril a 5 de maio, para que a massa de competidores fosse mobilizada exclusivamente para o evento. Além do futebol, todos os esportes que poderiam usufruir da nova praça foram contemplados no programa, que contava com a presença de atletas não apenas brasileiros, mas também sulamericanos, principalmente vindos da Argentina, do Uruguai e do Chile. Além disso, a comemoração não se restringia apenas ao estádio, mas também à cidade como um todo, uma vez que englobava disputas também fora dos limites do Pacaembu.

De acordo com o programa dos festejos inaugurais do Estádio Municipal, as competições esportivas terão início no dia 28 de abril e se estenderão por duas semanas, seguindo esta ordem: dia 28 – esgrima, futebol, natação e boxe; dia 29 – esgrima, bola ao cesto; dia 30 – esgrima, futebol, bola ao cesto; dia 1o – tênis, voleibol, bola ao cesto; dia 2 – tênis, bola ao cesto; dia 3 – tênis, bola ao cesto; dia 4 – tênis, natação e boxe; dia 5 – hipismo (Jockey Club), futebol; dia 7 – hipismo; dia 9 – pólo (Sociedade Hípica Paulista); dia 11 – hipismo, iatismo (Yacht Club Riviera); dia 12 – handebal, corridas de automóveis e motocicletas (Autódromo de Interlagos) (Catálogo de festejos inaugurais do Estádio Municipal do Pacaembu, 27/04/1940, p. 32).

Apesar do grande número de disputas esportivas, elas compunham apenas uma parte do caráter da cerimônia inaugural, ocupando um lugar "complementar" no evento como um todo. A grande solenidade de abertura oficial era tida, pelo poder público, como um dos mais eficazes meio de controle social. A função do esporte seria, nesse determinado contexto, a cooptação das massas e o estabelecimento de uma disciplina que tinha como objetivo controlar corpo e mente dos cidadãos.

Assim sendo, em nome do esporte, organizava-se um grande espetáculo cívico-político de amplitude nacional. Fazia-se necessário, portanto, um desfile inaugural majestoso, consoante com as dimensões do monumento inaugurado. Visando a premiar os que se esforçassem para o êxito do desfile, a Deesp institui premiações às delegações tanto do interior quanto da capital, que deveriam esmerar-se para se enquadrar na disciplina imposta pelo regime estadonovista:

Dizendo respeito às representações, é conveniente ressaltar a necessidade da presença de todas as modalidades esportivas; que cada uma tenha os seus respectivos uniformes cabendo a cada uma a iniciativa de melhor apresentação. Para maior uniformidade, porém, todos os componentes do desfile devem usar sapatos brancos ou Keds dessa cor. As camisas serão usadas por dentro do calção e os esportistas não deverão trazer nenhuma cobertura na cabeça

("Instruções da Diretoria de Esportes", in: O Estado de S. Paulo, 9/04/1940, p. 6).

Em 27 de abril de 1940, data da cerimônia de abertura oficial do estádio, o espírito disciplinar era perceptível em cada pequeno detalhe. O grande público assistente deveria estar harmonicamente disposto, bem como os participantes do desfile – em número vultuoso – deveriam exalar a aura da organização, primando pela ordem e produzindo um momento triunfal:

A Diretoria de Esportes do Estado de São Paulo, em colaboração com a Prefeitura Municipal, fará realizar, por ocasião da inauguração do Pacaembu, um grande desfile, como abertura da temporada esportiva a ser realizada no mesmo, fazendo todos os esforços para que seja imponente e que cale profundamente no espírito brasileiro e das Américas, tornando-se digno da opulência do estádio, da operosidade de São Paulo e para a glória do Brasil. É o início de uma nova era esportiva ("Instruções da Diretoria de Esportes", in: O Estado de S. Paulo, 9/04/1940, p. 6).

A massa unificada e disciplinada compunha uma metáfora para aquilo que o Brasil deveria ser, segundo a concepção dos ideólogos do Estado Novo. Esses viam na cerimônia de abertura a imagem primordial de como o cidadão brasileiro deveria se apresentar ante as demais nações: um povo harmônico, coeso e unido. Ao mesmo tempo, cabe realçar que a prática dos desfiles é uma influência totalitarista. Nesse âmbito, os desfiles eram tidos como estimulantes do espírito cívico da população, sobretudo dos jovens que, influenciados pelas grandes comemorações patrióticas, enquadravam-se sob os olhos atentos do regime.

Para os defensores da prática esportiva não existia progresso econômico sem um respaldo físico; daí o papel estratégico da Educação Física. Disso decorre a afirmação de que o ritmo de desenvolvimento dos esportes, no estado de São Paulo, caracterizava-se, ao mesmo tempo, como efeito e causa do progresso. A esse respeito, mostra-se relevante o fragmento publicado em O Estado de S. Paulo:

São Paulo sem um estádio era realmente incompleto, mas esse estádio não passaria, talvez, de uma obra meramente suntuária não fosse o meticuloso cuidado e o decidido esforço que o poder público está desenvolvendo para colocar a fisiocultura no seu verdadeiro plano, pondo-a no mesmo nível de interesse e apoio que já vinham merecendo, desde muito, a educação intelectual e moral

("Instruções da Diretoria de Esportes", in: O Estado de S. Paulo, 9/04/1940, p. 6).

As autoridades paulistas ligadas ao esporte afirmavam que não bastava um estádio, por maior que fosse, para disseminar o gosto pelas práticas esportivas. Foi valiosa a contribuição da Deesp nesse sentido, uma vez que ela possibilitou que o esporte chegasse a todo o estado de São Paulo – é claro, com seus objetivos e a seu modo. Assim, a construção do estádio do Pacaembu representava a parcela de um trabalho muito mais amplo, que empreendia a disseminação da prática esportiva entre os paulistas.

Inúmeras autoridades políticas compareciam à cerimônia, o que lhe emprestava um caráter mais abrangente que o de simples evento esportivo. Entre nomes expressivos da época, estavam presentes o prefeito da cidade de São Paulo, Francisco Prestes Maia, que se referia à cidade como uma "metrópole" que fazia jus à grande obra. Além dele, estava presente o interventor Adhemar de Barros, cujo aniversário de dois anos de governo seria também comemorado nas festividades do Pacaembu, segundo determinações da própria Deesp.

O vínculo de Adhemar de Barros com políticas em favor das atividades esportivas já existia. Em seu governo, o interventor soube perceber o potencial dos esportes como meio para se angariar dividendos políticos. O Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (Deip) muito contribuiu com o interventor, utilizando-se dos jornais para promovê-lo. Esta pequena nota evidencia tal ligação:

A mocidade de Santos enviará, no dia 3 de maio, uma mensagem esportiva de congratulações ao Governo pela inauguração do Estádio do Pacaembu, em reconhecimento também pelo grande benefício que o dr. Adhemar de Barros está prestando ao desenvolvimento do esporte paulista. A mensagem será trazida até o Estádio por 15 corredores do Club Esportivo Municipal, estando a partida marcada para às 9 horas e meia no Paço Municipal de Santos e a chegada ao Estádio do Pacaembu às 16 horas

("Instruções da Diretoria de Esportes", in: O Estado de S. Paulo, 9/04/1940, p. 6).

Além de Adhemar de Barros e Prestes Maia, que buscavam capitalizar a simpatia do eleitorado, o presidente Getulio Vargas seria, indubitavelmente, "o nome do jogo", a grande atração do evento. A entrega da obra à sociedade deveria ser realizada pelo presidente, coroando-o como "pai dos pobres" em solo paulista. A consolidação da união entre esporte e política, que viria a se estender até os dias atuais, tinha neste momento um de seus marcos iniciais.

Assim, Getulio Vargas comparecia para comemorar os dois anos de governo de Adhemar de Barros, além de encontrar-se com representantes do empresariado e de outros setores da sociedade paulista, conforme noticiou a imprensa:

Chegou hoje à capital paulista o Sr. Presidente Getulio Vargas para assistir às festividades comemorativas do segundo aniversário de governo do interventor Adhemar de Barros e também presenciar a cerimônia inaugural do Estádio Municipal (...)

("A visita do Presidente Getulio Vargas", in: O Estado de S. Paulo, 20/04/1940, p. 8).

A cerimônia de inauguração iniciou-se, então, com a recepção a seu convidado mais ilustre, saudado por uma salva de morteiros, pela execução do hino nacional e pelo hasteamento da bandeira nacional. Além do chefe da Nação, encontravam-se presentes interventores federais dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, ministros da administração paulista e outras exponenciais autoridades civis e militares. Do lado de fora do estádio, ao longo da avenida Pacaembu, era possível contemplar as representações perfiladas, prontas para desfilar, além dos assistentes que tomavam todos os espaços das arquibancadas. Os números apresentados pelo jornal O Estado de S. Paulo têm a clara intenção de demonstrar a magnitude da manifestação:

(...) Deu-se, a seguir, o desfile das representações esportivas que, cerca de uma hora e meia, marcharam sob o compasso da marcha "Paris Belfort". Nada menos de 10.000 esportistas passaram, assim, noventa minutos seguidos, sob os aplausos da multidão. Abriu o desfile a representação estrangeira, que era puxada pela delegação argentina. Vinham depois os peruanos, os uruguaios e os brasileiros. Todas elas exibiam as bandeiras de seus países. Desfilaram, a seguir, as delegações dos estados, encabeçadas pelo Distrito Federal, após a

qual vinham, nesta ordem, as associações esportivas paulistanas. Seguiram-se as representações do interior, representadas por cerca de 180 municípios. Esta parte do desfile foi puxada pela delegação dos municípios de Americana e Amparo e fechada pela de Vera Cruz. Encerrando o desfile, vinham os esportistas do Exército e da Força Policial, Corpo de Bombeiros (...)

("Inaugurado o Estádio Municipal do Pacaembu", in: O Estado de S. Paulo, 28/04/1940, p. 7).

Fonte da Imagem: São Paulo 450 anos

Fonte: Veja.com



 

 

João Avelino, o 71, era esperto!

Autor: Adriano Fernandes - 26/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

Joao Avelino, Oswaldo Brandão, Professor José Teixeira & não indentificado

Vou contar dois causos de um grande amigo que tive no futebol. Apesar do folclore que sempre existiu em torno de João Avelino, ele era um conhecedor do futebol e sabia todas as malandragens também. Pequeno, agitado, falante, sempre andava de paletó e gravata porque segundo ele “impressionava”. Mas marcante na maneira de ser de João Avelino era o chapéu, um chapeuzinho de aba curta, que nunca foi abandonado e que lhe dava uma aparência dos anos 40.

João Avelino começou sua carreira como assistente de vários grandes técnicos como Osvaldo Brandão e muitos outros. Depois de algum tempo começou sua carreira, principalmente dirigindo clubes da segunda divisão do futebol paulista.

Só não me perguntem por que o apelido de 71. Sobre isso o João Avelino nunca quis falar.

Certa vez Avelino foi contratado pelo Ceará. Chegando lá foi apresentado ao elenco e ficou visivelmente preocupado quando lhe mostraram o goleiro, cujo nome realmente esqueci. Avelino chamou o presidente de lado e disse:

- Presidente manda o goleiro embora, ele é muito baixo. Vamos contratar um mais alto.

- Não dá – respondeu o presidente – acabou a grana!

Avelino tirou o chapéu, coçou a cabeça e perguntou:

- Presidente, e jardineiro temos?

- Temos, um grande jardineiro, olha que beleza de gramado!

O jardineiro foi chamado e Avelino foi conversar com ele num canto:

- Olha, preciso que você faça o seguinte: da marca do pênalti até a linha do gol vai aterrando suavemente, suavemente para que ninguém note de cara a diferença. Bem suave vai aterrando e vai subindo o gramado até uns 10 centímetros até chegar bem na linha do gol!

Diante da cara de espanto do jardineiro, João Avelino explicou:

- Nosso goleiro é baixinho e a gente não vai conseguir fazer ele crescer! Então, põe terra por baixo do gramado, bem suavemente para quem notar pensar que é “ilusão de ótica”!

Este outro causo acho que foi o J.Hawilla quem me contou quando a gente trabalhava na TV Globo de São Paulo.

João Avelino dirigia  o América, de Rio Preto, terra natal do J.Hawilla.

Só não me lembro quem era o adversário, mas J.Hawilla de férias em Rio Preto, entrou no vestiário do América e viu o time todo ajoelhado, Avelino inclusive, rezando diante de um monte de velas acesas.

Hawilla esperou o Avelino levantar e disse:

- João, superstição não ganha jogo. Veja a Argentina foi campeã do mundo jogando bola, na raça e na técnica!

João Avelino olhou para o jovem e já ilustre apresentador da Rede Globo, e perguntou:

- Quem é o meia da Argentina?

- Maradona … – respondeu J.Hawilla.

- Pois é … o meu é Niquinha… Niquinha!

Por Michel Laurence em 3/1/2012

Fonte de Texto e Imagem: Jogo Quase Perfeito



 

 

Uma Lenda chamada Manga

Autor: Adriano Fernandes - 26/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Manga

De inimigo do Flamengo a ídolo de muitos

Manga tinha uma provocação capaz de deixar qualquer torcedor do Flamengo furioso: "Flamengo é bicho certo. Eu gasto o dinheiro na véspera". A Gávea estremecia. O pernambucano Aílton Correia Arruda, o Manga, era assim mesmo: antes de tudo, um provocador. Tecnicamente, foi um dos melhores goleiros do Brasil. Embora não tenha sido campeão mundial - disputou apenas uma Copa, a de 1966, quando o Brasil fracassou -, acumulou vários títulos nos oito times que defendeu. O mais importante deles foi o Mundial Interclubes de 1971, pelo Nacional de Montevidéu. Manga tinha um físico privilegiado: mãos grandes (sofreu diversas fraturas nos dedos durante a carreira), elasticidade e boa colocação.

Ele sempre foi um vencedor. Estreou no Sport-PE em 1955. Quando deixou a equipe pernambucana, no final de 1958, havia conquistado três estaduais. Ganhou fama e foi contratatado pelo Botafogo-RJ, onde fez parte do esquadrão que dominou o futebol carioca na década de 60, ao lado de craques como Gérson, Quarentinha, Didi, Garrincha e Roberto. Jogou 445 partidas e sofreu 258 gols com a camisa número 1 do Botafogo.

Manga ajudou a fazer do Flamengo um "freguês de caderno" do Botafogo nos anos 60, mas deixou General Severiano em 1968, após um desentendimento com o jornalista e técnico João Saldanha. Alvinegro fanático, Saldanha o acusara de ter se vendido na final carioca de 1967, quando o Botafogo venceu o Bangu por 2 x 1. Manga se mudou para o Nacional, do Uruguai, clube que defendeu de 69 a 74 com enorme brilho - a imprensa local o considera o melhor goleiro que já apareceu por lá.

De volta ao Brasil, seguiu colecionando títulos pelo Internacional-RS, que ele defendeu entre 74 e 76 e de cuja torcida se tornou ídolo. Aquela foi uma época de ouro do clube gaúcho, e Manga deixou sua marca no gramado do Beira-Rio. Ele passou rapidamente pelo Operário-MS, time que ajudou a levar às semifinais do Brasileiro de 1977, sendo eliminado apenas pelo São Paulo, futuro campeão naquela temporada. Jogou ainda no Coritiba e no Grêmio até se mandar de vez para o Equador, onde defendeu o Barcelona de Guaiaquil e especializou-se em treinamento de goleiros, função que segue exercendo por lá.

Fonte da Imagem: Wepes Lendas Raras

Fonte: UOL Esporte



 

 

Histórias do Rei os dias em que Pelé vestiu a camisa 13 e foi reserva na Seleção Brasileira

Autor: Adriano Fernandes - 26/04/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

Pelé

Pelé se consagrou para o mundo com a camisa 10 em 1958, na Suécia. Mas foi a camisa 13 a primeira que ele vestiu na Seleção Brasileira, em seu jogo de estréia, no dia 7 de julho de 1957, no Maracanã.

Pelé, que estava no banco de reservas, entrou no lugar de Del Vecchio e marcou o gol do Brasil - o primeiro com a camisa da Seleção - na derrota de 2 a 1 para a Argentina.

Treze anos depois, já Rei do Futebol, Pelé voltaria a vestir a camisa 13 do Brasil. No dia 26 de abril de 1970, com Zagallo como treinador, Pelé ficou no banco de reservas em um amistoso contra a Bulgária, que terminou empatado em 0 a 0, na preparação para a Copa do Mundo do México - naquele dia, no Morumbi, o titular da posição, o número 10, foi Tostão. É ele quem conta o que aconteceu.

- O Zagallo tinha convocado dois centroavantes, Roberto Miranda, que era o titular, e o Dario. Como eu seria o reserva do Pelé na Copa, ele quis ver com eu me sairia na posição. Por isso, o Pelé ficou no banco - recorda. 

Na foto acima Pelé, com a camisa 13, no banco de reservas (de madeira) do Morumbi. Ele substituiu Tostão no segundo tempo. O Brasil empatou em 0 a 0 com a Bulgária com Félix, Carlos Alberto, Brito, Joel Camargo e Marco Antônio; Clodoaldo (Rivelino) e Gérson; Jairzinho, Roberto Miranda, Tostão (Pelé) e Paulo César (Edu). 

Foi o quarto jogo sob o comando de Zagallo, que havia assumido a Seleção Brasileira no dia 22 de março de 1970, em amistoso em que o Brasil goleou o Chile por 5 a 0, no Morumbi, com dois gols de Roberto Miranda, dois de Pelé e um de Gérson. Depois vieram uma nova vitória sobre o Chile, por 2 a 1, em 26 de março, no Maracanã (gols de Carlos Alberto Torres e Rivelino) e um empate em 0 a 0 com o Paraguai, em 12 de abril, também no Maracanã (a dupla de atacantes foi formada por Dario e Pelé). 

O treinador conta que pretendia armar a Seleção com um centroavante específico (Roberto Miranda), de presença mais fixa na área. Tostão não tinha essa característica e por isso seria mesmo o reserva de Pelé na Copa do Mundo do México. 

- Como do Pelé já sabia o que esperar, quis ver o Tostão jogando de saída, pois poderia precisar dele na Copa como ponta de lança - conta o treinador. 

Três dias depois desse jogo contra a Bulgária, no entanto, Zagallo tomou a decisão que prevaleceria na Copa do Mundo - passou Tostão para centroavante. No último amistoso da Seleção antes da viagem para o México, em 29 de abril de 1970, no Maracanã, o Brasil venceu a Áustria por 1 a 0, gol de Rivelino. Tostão vestiu a camisa 9, ao lado de Pelé. Zagallo conta como foi. 

- Eu chamei o Tostão e perguntei se ele estava disposto a jogar mais à frente, funcionando como uma espécie de pivô. Foi escalado e, com sua inteligência e talento, acabou sendo um dos jogadores mais importantes da campanha do tricampeonato. 

Nesta partida contra a Áustria, o Brasil jogou com Félix, Carlos Alberto, Brito, Wilson Piazza e Marco Antônio; Clodoaldo, Gérson e Rivelino; Rogério (Jairzinho), Tostão (Dario) e Pelé. Foi a despedida da Seleção no Maracanã com 57. 370 pagantes.

Em 1966, nos treinamentos, o Rei e a 13

Para a Copa do Mundo de 1966 foram convocados 44 jogadores que formavam quatro times nos treinamentos. Em um deles, Pelé vestiu novamente a 13 do início da carreira e aparece na foto abaixo junto aos companheiros Paulo Borges (18), Brito (14), Rinaldo (22), Parada (19) e Gérson (8). 

Fonte: Virt Itatiba em 23/10/2010



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