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Blog Memória Futebol


Bizu, amado por uns e por outros, nem tanto.

Autor: José Renato - 27/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Cláudio Tavares Gonçalves nasceu na cidade paulista de São Vicente em 18 de junho de 1960 e entrou na história do futebol brasileiro pelo nome de Bizu. O seu começo no futebol aconteceu em 1979, em uma pequena equipe do futebol catarinense, o Caçadorense. Após um ano de experiência foi contratado pelo Blumenau onde atuou até 1982. Após rápida passagem pelo Bangu, chegou ao Avaí, em 1983, onde se destacou na equipe que conquistou a primeira fase do campeonato estadual, a Taça Governador do Estado. Já no ano seguinte foi contratado pela equipe gaúcha do Novo Hamburgo. Ao que tudo indicava sua vida profissional seria similar a de um nômade, passando de clube em clube. Foi com esta fama que chegou ao Caxias para disputar o campeonato gaúcho de 1987. O primeiro turno daquele estadual marcou definitivamente a carreira de Bizu. Ele comandou a equipe grená que conquistou o primeiro turno do Gauchão daquele ano (após vencer o sorteio, ultimo critério de desempate, frente o Grêmio). Com 12 gols e até então artilheiro da competição, chamou a atenção do Palmeiras. A equipe alviverde vivia um momento de grande pressão, sobretudo por conta do jejum de títulos, que começara em 1976. Ficou pouco tempo na equipe paulista, atuando em 30 oportunidades e marcando apenas 4 gols. Alvo de muitas críticas dos torcedores virou motivo de piada por grande parte da imprensa. Acabou encostado e emprestado para o Náutico. Chegou ao Timbu em 1988, quando foi vice campeão brasileiro da segunda divisão, em uma pequena amostra do que viria acontecer nos anos seguintes. Em 1989, viveu o seu melhor momento. Foi artilheiro do campeonato pernambucano, ao marcar 31 gols em 35 jogos, uma média fantástica de quase 1 gol por partida. Além disso, foi campeão da competição e autor do gol do título frente o Santa Cruz, aos 43 minutos do segundo tempo, na vitória por 2 a 1, em 3 de agosto daquele ano. Ainda naquele ano foi o vice artilheiro do campeonato brasileiro ao marcar 10 dos 16 gols da equipe pernambucana, que teve o melhor ataque daquela competição. Por fim, foi escolhido pela revista Placar, o melhor atacante do campeonato, o que lhe valeu a conquista da tradicional Bola de Prata. Em 1990, voltou a se destacar. Além de, novamente, ser artilheiro do estadual e vice artilheiro do campeonato brasileiro, foi artilheiro da Copa do Brasil, com 7 gols marcados. Depois de mais um ótimo campeonato brasileiro em 1991, foi contratado pelo Grêmio. Com 31 anos, foi recebido com desconfiança e acabou não repetindo suas boas atuações. Contratado pelo CSA de Alagoas em 1992, ainda naquele ano estaria de volta ao Timbu, onde foi vice campeão estadual. Chamou a atenção do rival Sport, ao comandar os alvirrubros em uma sonora goleada por 4 a 1, em 6 de dezembro daquele ano, e acabou contratado pelos próprios rubro-negros para a temporada de 1993. No ano seguinte, 1994, foi contratado pelo Ceará, e posteriormente já estaria de volta ao Náutico. Após defender a equipe gaúcha do Aimoré, em 1995, se despediu do futebol em 1996, jogando no Novo Hamburgo. Bizu é daqueles jogadores que viveram no limiar do amor e ódio. Enquanto é considerado um dos piores atacantes da história do Palmeiras, é idolatrado pelos torcedores do Náutico, onde é o sexto maior artilheiro da história do clube com 114 gols marcados. Um legítimo artilheiro que viveu dos gols que marcou.

 

 

O homem que substituiu Pelé: Luizinho, um artilheiro das Arábias.

Autor: José Renato - 20/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Luiz Alberto Duarte dos Santos nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro em 13 de novembro de 1957. Ainda menino veio morar com a família no subúrbio carioca, onde passou grande parte do seu tempo batendo bola nas ruas. Muito franzino se destacava nas peladas por ser fominha, aquela cara que queria ficar com a bola a maior parte do tempo. Tinha apenas 13 anos, quando foi convidado para ir treinar nas equipes infantis da Portuguesa Carioca. A carreira parecia pouco promissora, o que fez com que entrasse na faculdade de Educação Física. Até que o ano de 1977 marcou um divisor de águas na vida de Luizinho. Promovido para o time principal, seria centroavante da equipe que disputaria o campeonato carioca daquele ano. O futebol passou a ser sua prioridade. Luizinho tinha 1,80m de altura, era muito rápido e chutava muito forte, sobretudo com o pé esquerdo. Além disso, era muito oportunista. Foi destaque da pequena Portuguesa durante dois anos, chegando até mesmo a ser emprestado para disputar o campeonato brasileiro pelo Juventude de Caxias do Sul. Em 1979, foi contratado pelo Flamengo, onde teve um começo fulminante. Logo ganhou a posição de Claudio Adão, até então titular absoluto, e passou a ser dono da camisa 9 rubro negra. Até que veio o dia 6 de abril de 1979, talvez o maior jogo de toda a sua carreira. Naquele dia, quase 140.000 pessoas, incluindo o Presidente da República, João Baptista Figueiredo, estiveram presentes no estádio do Maracanã para assistir a partida em prol dos atingidos pelas fortes chuvas que atingiram Minas Gerais. A partida entre Flamengo e Atlético Mineiro tinha algo ainda mais especial. Aos 39 anos de idade, Pelé atuaria com a camisa 10 da equipe carioca. Por conta disso, Zico ficou com a 9 e Luizinho, no banco de reservas. Algo muito especial estava guardado para ele naquele dia. Após um primeiro tempo de domínio mineiro, o placar marcava 1 a 1. No segundo tempo, veio o grande momento, substituição no Flamengo: Sai Pelé, Entra Luizinho. O centroavante entrou com fome de gol, e juntamente com Zico, comandou a goleada do rubro negro por 5 a 1, com direito a marcar um golaço, o quarto dos cariocas. Luizinho estava no céu. No Flamengo conquistou os dois títulos estaduais que foram disputados no Rio de Janeiro, naquele ano. O mundo queria saber quem era aquele menino que entrou no lugar do Rei, e “acabou” com o jogo. Ao final do ano, foi contratado para jogar no futebol árabe, o Al Nassr. Algo reservado para pouquíssimos craques brasileiros naqueles tempos. Foi uma decisão difícil, pois se ficasse no Brasil, certamente em breve seria convocado para a seleção nacional. Mas era muito dinheiro na jogada. Os donos do Al Nassr contavam com ele para enfrentar o grande rival, o Al Halil, que contava simplesmente com Roberto Rivellino. Eles não se arrependeram, foi de Luizinho o gol do titulo nacional frente ao maior rival. Os árabes queriam mantê-lo de qualquer forma na equipe, mas a saudade foi maior, e ao final do contrato, Luizinho estava de volta ao Flamengo. Desta vez, no entanto, foi impossível arrumar um espaço naquela equipe que acabara de conquistar o titulo brasileiro de 1980, e que contava com o centroavante Nunes em grande fase. Castor de Andrade, patrono do Bangu, tratou de contratá-lo. Foi nesta época que, para diferenciar do centroavante Luizinho Lemos que jogava no América, o jornalista Washington Rodrigues passou a chamá-lo de Luizinho das Arábias. Teve boas atuações no Bangu onde ficou até 1981, quando foi contratado pelo Campo Grande. Foi por esta modesta equipe, que conquistou o seu único título brasileiro, o da Série B de 1982. Sempre artilheiro, disputou a primeira divisão do brasileiro com a equipe que foi dirigida por um técnico estreante, Vanderlei Luxembugo. Ao final do seu contrato, valorizado, foi contratado pelo Fortaleza, juntamente com seu ex- colega do Flamengo, o ponta esquerda Julio Cesar. No Ceará, Luizinho jogou demais, foi artilheiro do estadual com 33 gols e campeão cearense, ao marcar os dois gols da vitória, por 2 a 0 na final do campeonato frente o Ferroviário. Em 1984, voltou ao futebol carioca, defendendo as cores do Bangu e posteriormente do Botafogo onde fez dupla de ataque com Baltazar. No ano seguinte, após rápida passagem pela Desportiva, do Espirito Santo, já estava de volta a Fortaleza, desta vez para defender as cores do Ferroviário. Nesta primeira passagem pelo Tubarão da Barra, Luizinho só não foi campeão, mas foi artilheiro do campeonato cearense com 24 gols e segundo maior do Brasil em 1985. Seria campeão estadual pelo clube em 1988, quando atuou por algumas partidas. Antes disso, em 1987, foi decisivo para a conquista do estadual paraense jogando pelo Paysandu, com direito a gol do titulo na final do campeonato. Ídolo no Papão, onde disputou o estadual daquele ano, foi contratado pelo arquirrival, o Remo, para disputar o campeonato paraense de 1989. Acabou atuando por apenas 6 partidas. Sua ultima partida aconteceu em 3 de maio daquele ano, uma vitória por 4 a 0 frente o Tiradentes. Saiu do estádio, foi para casa e virou lenda com apenas 32 anos de idade. Luizinho das Arábias foi um legitimo representante do futebol brasileiro, artilheiro por todos os lugares que passou, e ídolo por onde passou.



 

 

Simplesmente Revetria…

Autor: José Renato - 13/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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1976, o Cruzeiro era o atual campeão da Taça Libertadores e sofrera com a perda de dois de seus principais atacantes, Jairzinho e Palhinha. Outro desafio da equipe azulina seria impedir o rival, Atlético, de chegar ao bicampeonato mineiro. Por conta disso, o técnico cruzeirense Zezé Moreira, que havia treinado o Nacional de Montevidéu, indicou aos dirigentes mineiros a contratação do atacante do Nacional, Hebert Revetria, que era titular na seleção olímpica uruguaia, e apontado como eventual sucessor de Fernando Morena, um dos grandes nomes do futebol celeste. A última lembrança do uruguaio no Brasil tinha sido em 28 de abril de 1976, no Maracanã, na vitória da seleção brasileira por 2 a 1 frente a Celeste, na partida que ficou marcada para a história, por conta da briga generalizada ao seu final. Perseguido por Ramirez, Rivellino levou um épico tombo nos degraus do túnel de acesso aos vestiários. Naquele dia, Revetria chegou a ser preso após agredir um fotógrafo. Acabou salvo por Cláudio Coutinho, que era militar e fazia parte da comissão técnica da seleção nacional. Naqueles tempos era muito raro o futebol brasileiro trazer atacantes estrangeiros, ainda mais de um país rival como o Uruguai. O desafio seria muito grande, mas tratava-se de um jogador muito promissor. Era um goleador com grande senso de finalização, no entanto não era veloz, tão pouco driblador. Seu começo no Cruzeiro foi difícil e acabou sendo colocado no banco de reservas. Não foi aproveitado na competição sul-americana. Passou a ser considerado, pela imprensa mineira, como um bonde, nome dado as grandes contratações que não surtiram efeito. Já com Iustrich como técnico, chegou a ser aproveitado pontualmente, mas normalmente apenas como opção para o segundo tempo. Em 14 de setembro, a equipe mineira perdeu a final da Taça Libertadores para o Boca Juniors, o que fez Iustrich bancar a sua escalação na primeira partida da final do campeonato mineiro, pouco mais de dez dias, em 25 de setembro frente o grande rival, o Atlético. Nova derrota, desta vez por 1 a 0, fez o sinal de alerta acender de vez no lado cruzeirense. O empate na segunda partida daria o título ao Galo Desta vez em 2 de outubro, tudo teria que ser diferente, no entanto logo aos 5 minutos do primeiro tempo, o Galo abriu o placar. Ao que parece, aquele era o momento para se separar homens de meninos. E foi isto que aconteceu com Revetria. O atacante uruguaio empatou a partida, ainda na primeira etapa, aos 25 minutos. De volta do intervalo, coube a ele marcar mais duas vezes, de cabeça, aos 10 e 12 minutos. Posteriormente Reinaldo diminuiu para o Galo. A vitória por 3 a 2 recolou o Cruzeiro na briga e, o mais importante, elevou a moral da equipe, que estava cabisbaixa. Na semana seguinte, a terceira partida resolveria de vez o campeonato. A partida começou da mesma forma que a anterior, com o Galo abrindo o placar ainda no primeiro tempo. Coube ao guerreiro uruguaio empatar o jogo, novamente de cabeça, a 20 minutos do final, e levar a partida para a prorrogação. Esgotado e sentindo a virilha, foi substituído e de fora assistiu seus companheiros marcarem mais 2 gols, 3 a 1. O Mineirão era azul. Depois do desempenho nas finais, Revetria assumiu a titularidade no comando do ataque cruzeirense por algum tempo, e acabou deixando o clube em 1979. Partiu para atuar no futebol mexicano, onde ficou por 5 anos com sucesso. Ainda voltaria a ser campeão uruguaio com o Peñarol na temporada 1985/1986 e a atuar no futebol chileno, onde também foi campeão nacional pelo Colo Colo e Cobreloa. Para os cruzeirenses, sempre será digno do coro: “Rei... Rei... Rei... Reivétria é nosso rei!”. Revetria é um daqueles jogadores que foram protagonistas em momentos únicos que marcaram o futebol para sempre.



 

 

Um craque único, o grande Rubens Feijão

Autor: José Renato - 06/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Rubens de Jesus nasceu na cidade paulista de Taubaté em 09 de maio de 1957. Começou a jogar nas ruas e logo chamou sua atenção por seu perfil elegante de dominar a bola. Passou a atuar nas equipes juvenis do Burro da Central, o Esporte Clube Taubaté. Ainda amador, em 1975 foi convocado para representar a cidade nos Jogos Abertos do Interior que seriam realizados na cidade do Guarujá. Visto por um olheiro, foi convidado para fazer testes no Santo Futebol Clube. Lá conheceu Chico Formiga que tratou de trazê-lo ao alvinegro da Vila Belmiro. Foi nesta época que ganhou o sobrenome “Feijão”, uma mistura do seu gosto por feijão e da sua cor morena, o que talvez tenha chamado mais a atenção de muitos torcedores do que a qualidade de seu futebol, o que é uma grande injustiça, pois sempre foi um baita jogador. Lançado por Oto Glória, logo em sua estreia como titular nos profissionais, no dia 25 de setembro de 1977, em clássico frente o Palmeiras, marcou gol, o que fez com que fossem inevitáveis as comparações com o Rei Pelé. Aliás, chegou a atuar com Ele em sua despedida definitiva do futebol, uma semana depois, em 1° de outubro, frente ao Cosmos. Com a promoção de Formiga para o cargo de técnico da equipe principal em 1978, passou a fazer parte da primeira geração dos meninos da vila com Pita, Juari, João Paulo, Nilton Batata e tantos outros. Esta equipe marcou historia ao conquistar o titulo paulista daquele ano, o primeiro depois da saída do Rei. Por conta de sua deficiência em marcar e da grande concorrência no meio campo santista, passou muito tempo no banco de reservas, como talismã que entrava em campo no segundo tempo para fazer gols, o que aconteceu com certa frequência. Sua presença no time principal passou a ser mais efetiva em 1979 e 1980, quando foi vice-campeão paulista. Sua habilidade e fama de goleador atraiu a atenção de Castor de Andrade, patrono do Bangu, que de forma surpreendente o contratou para disputar o campeonato carioca de 1981. Lá viveu seu grande momento no futebol. Feijão foi o grande destaque, e artilheiro com 15 gols marcados, daquela equipe que acabou em quarto lugar na competição. Chegou a ser considerado o meio campista que faltava para a seleção brasileira do técnico Telê Santana. A concorrência, no entanto era gigantesca naquela época e nunca foi convocado. Em 1982, novamente Rubens Feijão foi o principal jogador do Bangu que chegou as quartas de finais do campeonato brasileiro, algo incrível para uma equipe do subúrbio carioca. Para se ter uma ideia de sua importância, em partida frente ao Operário do Mato Grosso do Sul, após estar perdendo por 2 a 0, o Bangu virou o placar para 3 a 2 com três gols marcados por ele, sendo que um deles foi eleito como o Gol do Fantástico, um disputado premio atribuído pelo programa da Rede Globo de Televisão aos finais de semana. Castor ficou tão impressionado com seu futebol que chegou a encomendar um busto seu para ser colocado no estádio de Moça Bonita, campo do Bangu. Após um período pouco inspirado, voltou para o futebol paulista, em setembro de 1983, contratado pelo Guarani de Campinas que lutava para escapar do rebaixamento. Ficou no Bugre até 1985. No ano seguinte voltou a vestir uma camisa alvinegra, desta vez do Ceará Sporting Club. Tornou-se o maior nome da equipe cearense ao ser artilheiro, com 30 gols, e campeão do estadual de 1986. Até hoje aquela equipe é considerada uma das maiores da história do Vozão. Já no ano seguinte estava de volta a São Paulo, na Ferroviária de Araraquara em 1987. Com 30 anos nas costas chamou atenção do futebol português e foi contratado pelo Boa Vista. Em Portugal atuou por 5 equipes ao longo de 7 temporadas. Feijão foi um exemplo de atleta que viveu o futebol, como poucos, sempre em alto desempenho.




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