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Blog Memória Futebol


...E o Doutor virou irmão dele

Autor: Adriano Fernandes - 15/05/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Raí Oliveira

Quando começou a sua carreira, no Botafogo de Ribeirão Preto, Raí era visto apenas como "o irmão do Sócrates", craque-símbolo do Corinthians nos anos 80. A história continuou durante seu empréstimo à Ponte Preta, para a disputa do Campeonato Brasileiro de 1986. E mesmo nos primeiros tempos de São Paulo, em que Raí demorou a explodir.

Tudo mudou, porém, depois da chegada do técnico Telê Santana ao São Paulo, em 1990. Está certo que, até ali, Raí já havia faturado uma Bola de Prata da revista Placar (em 1989) e um título de campeão paulista, naquele mesmo ano.

Mas foi só em 1991, com a conquista do Campeonato Brasileiro no primeiro semestre e na tranqüilidade dos jogos menores do Grupo B do Campeonato Paulista, no segundo, que Raí começou a mostrar o que sabia. O jogador apático de antes daria lugar ao líder das maiores conquistas da história do clube.

Com Raí no comando, o São Paulo foi campeão paulista em 1991 (os três gols que mataram o Corinthians, logo na primeira partida decisiva, foram dele); bi paulista em 1992; bi da Libertadores, em 1992 e 1993. E campeão mundial em 1992, com dois gols dele: o primeiro de coxa, após excelente cruzamento de Müller, e o segundo numa cobrança de falta ensaiada, virando uma difícil partida contra o Barcelona da Espanha.

No final do primeiro semestre de 1993, Raí deixou o time pronto para a conquista do bi mundial e embarcou para a França, onde defenderia o Paris Saint-Germain por cinco anos. Foi campeão francês, da Copa da Uefa e campeão mundial pela Seleção Brasileira, em 1994, nos Estados Unidos. Esse último título acabou vindo com um certo desgosto. Isso porque, até o início do Mundial, Raí era o titular absoluto, capitão e grande líder da Seleção.

Mas suas atuações nem sempre convincentes fizeram com que Parreira o trocasse pelo volante Mazinho. Raí teve então de amargar o banco até a final. Para a Copa de 98, na França, apesar das insistentes pressões de torcedores e da imprensa, Raí não foi convocado.

Em 98, Raí voltou ao Tricolor, a tempo de jogar a última partida da final do Campeonato Paulista, contra o Corinthians. O time, que havia perdido a primeira (1 x 2), precisava da vitória. E Raí não decepcionou, marcando o primeiro dos 3 x 1 que, naquela tarde, deram ao São Paulo mais um título.

O que parecia uma volta triunfal acabou sendo abortada num jogo contra o Cruzeiro, pelo Brasileiro de 98, em que Raí recebeu uma entrada dura que causou o rompimento dos ligamentos de um dos joelhos. Raí ficou sem jogar até a temporada de 99, e passou a aceitar, com dignidade, a eventual reserva do São Paulo. Ainda foi campeão paulista de 2000, com o Tricolor, e encerrou a carreira ao final da Copa dos Campeões do mesmo ano.

Fonte de Texto e Imagem: UOL Esportes


 

 

De 1895 a 2012, o que o futebol brasileiro produziu de pior?

Autor: José Renato - 14/05/2013   Comentários Nenhum comentário

O dia 14 de abril de 1895 entrou na história do futebol brasileiro como um marco, o primeiro jogo de futebol realizado no país, entre duas equipes formadas por funcionários da Companhia de Gás e da Estrada de Ferro São Paulo Railway. Os ferroviários levaram a melhor por 4 a 2.

A primeira competição oficial no Brasil aconteceria cerca de 7 anos depois em 1902, o Campeonato Paulista, que seria vencido pelo São Paulo Athletic Club.

Hoje quase 110 anos, o nosso futebol cresceu muito, os inúmeros campeonatos disputados e todas as conquistas em campo comprovam o quanto a adoção da prática do futebol no Brasil é um grande sucesso.

Desde o inesquecível Charles Miller, que trouxe bolas e um livro de regras da Inglaterra até o mágico Neymar, isso sem querer falar de outros fantásticos nomes, realmente podemos afirmar, o futebol brasileiro é um “case” de sucesso.

Mais uma evidência?

Temos para todo sempre o maior jogador de todos os tempos, Pelé, e muito mais.

Desde os primórdios, também, juntamente com estes magníficos atletas, se instituiu a figura do dirigente, pessoa que assume responsabilidades gerenciais vinculadas a prática esportiva, sob o papel, supostamente, de coadjuvante, uma vez que cabe sempre ao atleta assumir o papel de protagonista.

Infelizmente, muito embora de vez em quando possa aparecer um ou outro grande coadjuvante que se predisponha a assumir o papel de dirigente, ao que parece o Brasil não evoluiu neste item: “Não produzimos grandes dirigentes.”

No começo do século passado, nossos dirigentes não conseguiam sequer criar federações que organizassem competições de forma regular, e quando faziam, havia mais de uma liga, mais de um campeão e várias outras condições especiais.

Nossos dirigentes também foram os grandes responsáveis pela primeira grande derrota de nosso futebol, a Copa do Mundo de 1950, quando quiseram sair do papel de coadjuvantes para os de protagonistas, ao mudarem as condições que “protegiam” os nossos craques.

Ainda assim, anos depois, estamos falando da década de 1970, dirigentes cansaram de bagunçar competições nacionais sob o lema “Onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional, onde a Arena vai bem, outro time também”.

Em São Paulo, para se ter uma ideia, houve competição interrompida, a partir de orientação do próprio staff da federação local, para que determinada equipe fosse prejudicada (vejam a história do estadual de 1979).

Já na década de 1980, o futebol “ganhou de presente” o novo senhor, que se apropriou da organização do esporte, como se fosse um negócio. É notado o crescimento dos valores que passaram a envolver o futebol durante sua gestão, no entanto, infelizmente, o esporte se transformou em um negócio particular dele, familiares e “amigos”.

Hoje, novamente, vivemos a gestão dos mesmos coadjuvantes que iniciaram a gerir o futebol ainda na década de 1970, com aqueles mesmos preceitos e práticas abomináveis. Basta ler suas biografias para sabermos suas histórias.

Sem querer entrar em questões que não estejam relacionadas de forma direta com o futebol praticado por nossos craques, a intervenção no trabalho do técnico da atual seleção brasileira, serve para comprovar ainda mais o quanto ainda estamos em 1895 no que diz respeito a gestão administrativa do futebol, um total amadorismo.

Tal atitude só não foi mais absurda do que uma: O fato do nosso atual técnico da seleção não ter tomado qualquer atitude contrária a esta ingerência, nem que fosse com a apresentação de seu pedido de demissão. Certamente os técnicos da Companhia de Gás ou da Estrada de Ferro São Paulo Railway teriam agido desta forma em 1895.

Se bem que os interesses podem ser outros...



 

 

Ely do Amparo

Autor: Adriano Fernandes - 14/05/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Ely do Amparo

Ely do Amparo

Ely do Amparo era volante, começou sua carreira no América do Rio, de onde se transferiu para o Canto do Rio e posteriormente para o Vasco da Gama. Jogando pelo Vasco, chegou a ser convocado para a Seleção Brasileira, onde se sagrou vice-campeão mundial na Copa de 1950 e campeão panamericano de 1952.

Em 1955, foi contratado a peso de ouro pelo então presidente Adelmar da Costa Carvalho para defender a camisa rubro-negra, no ano em que o Sport comemorava o seu cinquentenário.

Neste ano, registrou-se em Pernambuco um dos campeonatos mais disputados de sua história, e foi Ely do Amparo quem protagonizou um dos episódios mais marcantes para a torcida rubro-negra.

Decorrido todo o campeonato, Sport e Náutico qualificaram-se para decidir o título numa melhor-de-três, decisão comum na época. Após vencer a primeira partida por 2 a 0 na Ilha do Retiro, o Sport foi ao Aflitos e empatou com o Náutico, ficando o placar em 0 a 0. Nesta segunda partida, Ely do Amparo transformara-se em herói do campeonato. Depois de uma disputa pelo alto, de cabeça, com Ivanildo, o jogador leonino sofreu um corte no supercílio, inundando seu rosto de sangue. O médico do Sport pediu a sua substituição, mas Ely se recusou a deixar o campo e com uma faixa enrolada na cabeça foi até o fim do jogo, defendendo bolas de cabeça e levando a torcida rubro-negra ao delírio.

Na partida decisiva, marcada para o Aflitos, o Sport jogaria pelo empate. O volante Ely, mesmo sem condições de jogo, pois o corte no seu supercílio continuava aberto, fez questão de disputar a partida. Quando a partida estava empatada em 1×1, ele foi novamente atingido por Ivanildo, só que desta vez, fora covardemente agredido por uma cotovelada. Seu sangue lhe escorria a testa. Ao sair de campo para ser atendido, o Náutico por intermédio do mesmo Ivanildo, desempatava a partida. Ely então volta a campo com a cabeça enfaixada como uma fera ferida, prometendo a todos a vitória. O Sport empata novamente por intermédio de Traçaia. O resultado de 2×2 dava o título ao Leão. Assim o Náutico partiu com tudo para tentar a vitória. Ely do Amparo agigantou-se. Tirava tudo. Quando a bola vinha pelo alto ele enfiava a cabeça, ensopando de sangue a faixa de curativo. E num desses cortes, ele avançou e viu Naninho livre. Então deu um passe milimétrico, que o mesmo apelidou de ?o passe da fúria? nos pés de nosso centroavante que esperou a saída do goleiro e marcou o gol da vitória. Ao final da partida, Ely saiu de campo carregado pela torcida, em reconhecimento à sua garra ostentando a camisa rubro-negra.

Mais tarde, Ely se aposentaria jogando pelo Sport, e até hoje é lembrado com um exemplo de raça rubro-negra.

Por: Luiz Fittipaldi

Fonte da Imagem:Net Vasco

Fonte: Meu Sport



 

 

A primeira final das multidões

13/05/2013 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Sport - Campeonato Pernambucano 1916 01

O Santa Cruz amargava o vice-campeonato de 1915. A derrota diante do Flamengo remoía os olhares do arqueiro Ilo Just. A equipe estava bastante remodelada, do onze que perdera a final contra o Flamengo restavam Manoel Pedro, Pitota e Dória. Mas o grupo era forte e perdera apenas quando podia perder no campeonato. A final contra o Sport era a chance de conquistar a glória perdida um ano antes no British Club.

O problema era que o Sport estava impossível. Depois de levar a goleada do Náutico por 4 a 1, os rubro negros fizeram das tripas leão e foram vencendo todo mundo que encontraram pelo caminho - inclusive aplicando um  8 a 0 no rival alvirrubro. Pra completar, o Sport trouxera o zagueiro Paulino, campeão carioca pelo América-RJ para reforçar a sua equipe. Diante da atitude do Sport, o Santa Cruz vociferava contra tudo e contra todos. As opiniões estavam divididas. O Jornal Pequeno detonava o Sport. O diário 'A Província' dizia que o Sport estava jogando com as armas de que dispunha. 

A escolha do juiz da finalíssima foi tensa. Nome após nome foi recusado pelos tricolores. Bittencourt? Não! Foster? Nem pensar! Rômulo de Souza? Apitou a goleada do Sport sobre o Náutico. Finalmente chegou-se ao nome de R.Bold, o qual apitara apenas uma peleja do certame, a goleada de 6 a 1 do Flamengo sobre o CS Peres.

Eram tempos de discussões acaloradas sobre o football. Do alto de seu cargo de lente da Escola Superior de Guerra, o Sr. Liberato Bittencourt defenestrava o esporte bretão. O tal desporto seria a perdição das massas brasileiras: "Se o futebol se desenvolver... seremos em poucos annos uma massa de jogadores consumados e pervertidos". Como prova das suas palavras na Revista Pedagógica, o ilustre professor afirmava que o futebol era violentíssimo, impróprio para nosso clima, atacava de frente a cultura intelectual da mocidade e feria de morte a cultura moral do nosso povo. Sob um aspecto o professor tinha razão: o futebol iria dominar nosso país.

Sob um clima quente que antevia o futuro Clássico das Multidões, tricolores e rubro negros adentraram o gramado do British Club naquele 24 de dezembro de 1916. Véspera de Natal. Os fronts europeus sob chuva e trincheiras. Nuvem pesada e beligerante sobre a humanidade. Naquela noite, o pequeno milagre da trégua de Natal durante a guerra dos anos de 1914 e 1915 não aconteceu. Os comandantes militares ameaçaram executar quem desobedecesse as ordens para confraternizar com o inimigo.

O Sport alinhava Luiz Cavalcanti; Briant e Paulino; Town, Robinson e Smethurst; Asdrúbal, Motta, Anagan, Smith e Vasconcelos. O Santa Cruz escalava-se com Ilo Just; Mangabeira e Reis; Valença, Theóphilo e Manoel Pedro; Silva, Pitota, Zé Tasso, Alberto e Dória. O Santa Cruz ganha o toss. Primeiro ataque. O Sport é favorito mas é surpreendido por um tento de cabeça, especialidade de Pitota, primeiro grande cabeceador do nosso futebol. O gol é marcado depois de escanteio cedido por Briant e brilhantemente batido por Dória. A coisa esquenta e o pau come. As duas defesas batem até na sombra e o referee R. Bold fica meio que perdido em campo. O Santa sustenta a vantagem, lembra de 1915, voltar pra casa de mãos abanando não faz parte dos seus planos. Porém, a qualidade da equipe rubro negra é superior. Vasconcelos e Mota passam como querem por Reis e estufam as redes de Ilo Just. O primeiro tempo termina com o placar registrando Sport 2 a 1.

O intervalo chega ao seu final e inicia-se o bombardeio tricolor. Durante dez minutos a área de Cavalcanti vira cenário de guerra. É aí que surge a classe e categoria de Paulino. Dono de um futebol incomparável na província, Paulino começa a mandar no jogo, desarmando Zé Tasso, orientando a equipe, lançando o ataque nas costas do meio campo do Santa Cruz. O investimento feito no zagueiro se justifica conforme a pelota procura seus pés - a bola sempre procura os craques. Quando a partida parecia caminhar para a vitória apertada dos Leões, Asdrúbal acerta um tirombaço de fora da área e Mota, após driblar toda a defensiva do Santa toca na saída de Ilo Just ampliando o marcador para um insuspeitado 4 a 1. 

Just cai de joelhos. Pitota olha para os céus. A final das multidões é rubro negra. O Sport Club do Recife conquista seu primeiro título de campeão pernambucano.

O Santa é vice. E tem de esperar até rir por último contra o Leão...

Fonte de Texto e Imagem: Blog do Roberto Vieira em 11/05/2012



 

 

O Conto de Hory

12/05/2013 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Esteban Hory

Os jornais anunciam.

Vice-campeão mundial no Arruda.

O húngaro Esteban Hory.

Arqueiro reserva dos magiares na Copa de 1938.

Assinava por 40 mil cruzeiros antigos.

Contrato para dirigir o tricolor.

Isso em maio de 1954.

O cara parecia fera mesmo.

Impressionou os jornalistas.

O que ninguém sabia era o passado de Hory.

6 de novembro de 1952.

Esteban Hory é contratado pela Ferroviária de Araraquara.

11 de novembro de 1952.

Esteban Hory é demitido pela mesma Ferroviária.

Algo de estranho no ar?

Pois é.

Esteban Hory nunca foi convocado para a Copa de 38.

Não era reserva de ninguém.

Muito menos foi centroavante do Ujpest 

em meados da década de 20 - como relatou a reportagem.

Centroavante que se transformara em goleiro,

eis sua história.

Conto do vigário?

Nem tanto.

O cara tinha apenas mania de grandeza.

Mas o Santa Cruz não estava só.

O Siderúrgica de Minas Gerais.

Também foi dirigido por Hory em 1954.

Em tempo:

Hory não assume o Santa Cruz.

Santa Cruz que se depara com o Corinthians pela frente.

Assume o comando Milton Barreto.

Milton Barreto que assiste o tricolor perder por 5x1 diante do Timão...

Fonte de texto e Imagem: Blog do Roberto Vieira em 7/5/2012



 

 

Feliz aniversário, João!

10/05/2013 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Jean Marie Havelange

Não deveria ser assim.

O silencio do hospital não combina com as piscinas.

Não combinam com o garoto que amava o desporto.

Um amor desses maiores que a realidade.

Quando foi mesmo que as coisas começaram a dar errado?

Nunca se sabe.

Quando você largou a bola?

Quando você abraçou as águas?

Quando seu pai disse adeus?

Era tudo tão simples e amador.

Braçadas, braçadas, gols e mais braçadas.

Mas você queria mudar o mundo, João!

Você achava que a paixão somente não é suficiente.

Era necessária organização.

Como na Berlim onde você nadou e foi nocauteado.

Política era o novo nome do jogo.

E pela grandeza do esporte você submeteu os ideais pela primeira vez.

As piscinas não eram suficientes.

O nome do jogo era o poder.

Uma das tantas brincadeiras da Confederação Brasileira.

Você usou todas as armas para ser presidente.

Um presidente diferente.

Colocando uma máquina de guerra belga aos pés de Pelé.

Você tremeu em 1966 e 1969?

Inglaterra e João Saldanha te deixaram em maus lençóis com generais?

1970 foi a apoteose da ironia desportiva.

O melhor time do mundo nascendo da anarquia.

Os militares te deixaram sonhar novamente.

E desta vez você quis a FIFA.

A modesta FIFA com sua casinha na Suíça.

Mas você transformou a FIFA em superpotência.

A mais poderosa entidade deste mundo, João!

Você era Deus.

Os trens de Berlim.

Mas a vida sempre cobra seu preço.

Não deveria ser assim.

O silencio do hospital não combina com as piscinas.

Não combinam com o garoto que amava o desporto.

A virada, João!

O corpo tocando a borda da piscina um segundo atrasado.

Será que todo poder corrompe, João?

Não deveria ser assim.

O silencio do hospital não combina com as piscinas.

Não combinam com o garoto que amava o desporto.

As noites lembram as noites nos hotéis.

Quando todo mundo vai embora e você fica solitário.

De que vale ser presidente honorário?

Quando foi que tudo começou a dar errado?

Será que foi naquele baile de carnaval?

Quando tocaram Máscara Negra?

Fonte da Imagem: Terceiro Tempo



 

 

Timbu Franciscano

09/05/2013 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Os pobres de Rosa e Silva estão estarrecidos. Eládio de Barros Carvalho, horrorizado. Neto Campelo deu duas voltas na eternidade. Barbosa Lima Sobrinho fez que não era com ele. A diretoria de futebol do Clube Náutico Capibaribe afirmou que anda de pires na mão.

Então, o Timbu é pobre de dar dó?

Pode até ser o caso de requerer Bolsa-Família para os marsupiais dos Aflitos, mas vamos devagar com o andor: memória deveria ser instrumental de todo bom torcedor. Em dezembro de 2011, o Timbu era fidalgo. Pelo menos para os candidatos que agora ocupam a direção do alvirrubro. Em pouco mais de cinco meses, a penúria e amargura ocupou as salas e gramado da agremiação hexacampeã pernambucana.

Por que será?

No primeiro quadrimestre de 2012, o Náutico teve acesso a uma verba inimaginável nos anos anteriores. Isso se dando ao luxo de dispensar um patrocinador master na sua camisa oficial. Isso se dando ao luxo de contratar um caminhão de jogadores aposentados tecnicamente ao preço de ouro – o Náutico foi tábua de salvação pra meia dúzia de ex-atletas apaixonados pelo turismo noturno da Veneza Brasileira.

Pobre que é pobre investe no feijão com arroz. Já os dirigentes alvirrubros, os quais prometeram mundos e fundos para as divisões de base, destinaram 0,25% da receita do clube – isso mesmo que você está lendo – para os garotos que poderiam segurar a onda nos próximos anos. Além da miséria destinada aos garotos, ainda sacudiram Diego Bispo embora, em prol do zagueirão Gustavo.

Rico quando vai perdendo os anéis tenta fazer uma auditoria, descobrir as mazelas que conduziram ao caos. Pois bem. Auditoria nos Aflitos é prato cheio nas campanhas eleitorais e palavrão no dia a dia das gestões. O sujeito diz que está cada dia mais pobre recebendo cada dia mais dinheiro e nem sequer resolve descobrir se existe um rombo.

O Conselho Deliberativo segue atuando com nove homens. Faltam conselheiros para vigiar e os que decidem se manifestar são boicotados pelos que acham que tudo está as mil maravilhas. Bote em cima disso que a administração Timbu ainda se encontra em xeque no que diz respeito a sua legitimidade, visto que o imbróglio da prestação de contas do orçamento se arrasta como fantasmas dinamarqueses.

O prometido Departamento de Futebol forte e onisciente não existe. Desfeito em pó, vazio em resultados, aqueles que se comprometeram nas eleições em fazer um clube poderoso se calam. Restou apenas o discurso temerário de pobreza franciscana. O proclamar nacional de que o Náutico é personagem de Victor Hugo.

Diante do quadro dantesco, diante da falácia de uma ruína que não é compatível com a realidade – o Náutico de 1971 e 2000 era muito mais cercado de escombros – resta colocar os pontos nos ‘is’ da questão. E os pontos são dois.

O primeiro envolve a venda dos Aflitos. O palavreado de pobreza deixa o clube centenário nas mãos dos oportunistas de plantão. O Náutico recomeça a conversar sobre a Arena e a disponibilização dos Aflitos como se estivesse de pires na mão. Não se sabe o que se quer vender, como se quer vender, se queremos vender. Mas já existem os envelopes dos compradores – e a gente nem mesmo sabe quanto vale o latifúndio. Como estamos falando de pobreza, esmola pouca Timbu desconfia. Em ambiente tão pobre, a grana que entra já era.

O segundo ponto envolve coisa muito mais séria, muito mais delicada. No jargão jornalístico, e diante dos fatos apresentados, o que ocorreu em Rosa e Silva entre dezembro e maio sugere estelionato eleitoral. O mar de rosas prometido para conquistar a eleição não tinha rosas nem silvas. Os eleitores e torcedores alvirrubros foram ludibriados em sua boa fé. Ainda mais que os ocupantes dos cargos atuais eram profundos sabedores da situação econômica do clube. Mentir um pouco em eleição e começo de namoro virou bordão, mas não cumprir nada do que foi prometido é caso de divórcio.

Os pobres de Rosa e Silva estão estarrecidos. Eládio de Barros Carvalho, horrorizado. Neto Campelo deu duas voltas na eternidade. Barbosa Lima Sobrinho fez que não era com ele.

Então, o Timbu é pobre de dar dó?

Esmola muita o Timbu desconfia.

Mas nesse caso específico, tem muita esmola pra pouco santo...

Roberto Vieira é médico, escritor, alvirrubro sem partido político dentro do clube. Autor do texto ‘Aflitos e Arena’ lido por ocasião da assinatura do contrato da Arena da Copa, entre Náutico e Governo do Estado, no Campo das Princesas. 



 

 

Meu Jogo Inesquecível: as cores e o cheiro do 1º Gre-Nal de Verissimo

Autor: Adriano Fernandes - 09/05/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 1 comentários

Veríssimo

Miles Davis e o seu jazz emudecem no escritório aninhado discretamente abaixo da cozinha da espaçosa e tranquila casa de Luis Fernando Verissimo, para quem não existe música de fundo. “Música é sentar e ouvir”, garante. É no silêncio guarnecido pelos imponentes jacarandás do bairro Petrópolis, em Porto Alegre, que, a convite do GLOBOESPORTE.COM, o escritor de 75 anos, mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões vendidos, desperta o seu jogo inesquecível.

Obviamente, um Gre-Nal. Mas as obviedades imitam Davis e também se calam. Afinal, Verissimo entra em cena. Na primeira vez em que pisou num estádio de futebol, ele conta, o resultado foi o que menos importou. Pode soar estranho, mas, para aquele menino de dez anos, fazia todo o sentido.

- O que eu me lembro é a emoção de estar no campo. Foi uma sensação. Só ouvia futebol pelo rádio. Ali, uma cerca pintada de branco nos separava dos jogadores. Dava para ver as feições, sentir a respiração deles. Eu estava vendo as cores do jogo, uma sensação completamente diferente - resgata. - Nunca vou me esquecer também do cheiro de grama quando entrei no estádio.

A cerca branca a que Verissimo se refere separava o gramado das arquibancadas do estádio dos Eucaliptos, casa colorada entre as décadas de 1930 e 1960 e demolida há poucos meses. Ali, o Gre-Nal de 1946 decidiria o Citadino. Se a lógica imperasse, o Inter venceria. Afinal, o clube vivia os áureos tempos do Rolo Compressor, time que recebeu tal alcunha por esmagar os oponentes. A partir de 1940, foram oito títulos estaduais em nove disputas.

No entanto, aquela tarde de 15 de setembro despejou lembranças nada animadoras na história colorada. Foi exatamente o dia em que o Rolo Compressor deu adeus a seu único campeonato, entre 1940 e 1948.

Farto pelas sucessivas derrotas, o Grêmio se preparou para aquele ano. Trouxe um pacotão de reforços do Vasco da Gama, criou o mascote Mosqueteiro e ainda passou a levar aos jogos uma faixa com o dizer “Com o Grêmio onde estiver o Grêmio" - enfim, medidas mobilizadoras, para elevar a combalida estima tricolor.

Deu certo. No Gre-Nal decisivo do citadino, o mesmo que até hoje Verissimo guarda o cheiro e as cores, o Grêmio venceu por 2 a 1 nos Eucaliptos, com dois gols de Cordeiro, uma das contratações vindas do Rio de Janeiro.

Cerca de 10 mil pessoas saíram arrasadas ao ver o time imbatível dos Eucaliptos ruir, mesmo que por 90 minutos. No entanto, para aquele garoto, pouco importava a derrota ou o tamanho daquele resultado para a história dos Gre-Nais. Valeu a experiência. Tanto que, inebriado pela atmosfera do futebol, o garoto Luis Fernando deixava o estádio certo de que o seu time vencera mais uma decisão.

Nada disso. Como se emergisse de um de seus tantos contos encharcados de ironia, o "jogo inequecível" de Verissimo vem carregado de uma boa dose de... amnésia.

- Após uns anos, fui olhar nas estatísticas e vi que havíamos perdido. Achei curioso, engraçado - diverte-se, 65 anos depois.

Verissimo "contraria" o pai

Não estranhe o começo "tardio" do garoto, conhecendo um estádio de futebol apenas aos dez anos, quando muitos o fazem aos seis, sete anos. Foi quando retornou com a sua família dos Estados Unidos. Até então, não havia tomado contato com o esporte. Aliás, também demorou a ver sua literatura transformada em livros. Seu primeiro, O Popular, é de 1973, lançado quando ele já tinha 37 anos. Se no caminho das letras andou ao lado do pai, Erico Verissimo (1905-1975), na questão clubística, rumou na direção contrária. Resolveu ser colorado.

- Ele (Erico), na verdade, era Cruzeiro (de Porto Alegre) e optou pelo Grêmio por causa das cores. Não era muito ligado em futebol - explica, voz calma, pausada, cada palavra pinçada como se fosse inseri-la em mais uma de suas crônicas. - Aos poucos, comecei a me interessar, e o Inter estava mais em evidência. O Grêmio carregava aquela antipatia elitista que não me agradava.

De certa forma, Verissimo não deixa de ter razão nas duas observações. Como já é sabido, o Inter dominou a década de 1940. Completamente sobrepujado pelo rival, o Grêmio ainda não aceitava atletas negros em seu quadro - o faria oficialmente apenas em 1952. Inclusive, o primeiro jogador negro após tal medida foi Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha. Peça-chave do Rolo Compressor, o ponta-direita havia deixado o Inter e atuado no Rio antes de vestir a camisa tricolor. É o ídolo maior de Verissimo, que lamenta até hoje a lesão que o tirou da Copa de 1950. Com ele, acredita, o Brasil teria evitado sua maior tragédia diante do destemido Uruguai de Obdulio Varela.

- Era o grande jogador gaúcho da época - recorda, sorriso no rosto.

Verissimo continuou perseguindo o aroma do futebol. A partir daquele jogo, tornou-se um “assíduo de arquibancada”. Se em sua estreia foi acompanhado pelos amigos da família Bertaso, ligada à histórica Livraria do Globo, depois deixou-se levar por suas próprias pernas ao bairro Menino Deus, para se debruçar sobre a cerca branca dos Eucaliptos.

E para ver o Inter vencer. Afinal, aquela derrota logo em seu primeiro jogo soou mais como um acidente de percurso. O clube que adotara seguiria com boa sorte. Muito por competência em campo, mas também um bocado pela providência do além.

A história conta que o Grêmio foi além das medidas terrenas para enfim dinamitar o rival naquele Citadino de 1946. Procurou um pai de santo, mas, ao final, acabou não pagando o tal do Homem dos Cachos, que ameaçou os tricolores. "Uma derrota para cada jogador", teria dito, em fúria. Boato ou não, o certo é que o Grêmio ficou sem vencer o Inter durante três anos - ou longos 17 Gre-Nais.

Pelé, Copas e...  o "triunfo de Gabiru"

O garoto cresceu. Virou jornalista, músico, escritor - sem jamais deixar o Inter de lado. Mas também soube compartilhar a sua paixão. Acompanhou de perto, por exemplo, o nascimento de um rei. Em abril de 1956, dez anos depois de seu primeiro contato com o futebol, assistiu à estreia de Pelé, então aos 16, com a camisa do Santos. Escancarando de pronto seu talento e predestinação, ele fez o sexto gol da vitória de 7 a 1 do Santos em amistoso contra o Corinthians de Santo André. Verissimo virou fã daquele Santos cada vez mais mágico. Das cadeiras do Maracanã, testemunhou as finais de Mundial do clube paulista com Milan e Boca Juniors.

Cobre Copas do Mundo desde 1986, edição em que lamentou a eliminação do Brasil nos pênaltis diante da França nas quartas de final - mais uma partida marcante, revela. Pelo Inter, lista outras tantas. Fala com satisfação da final do Brasileirão de 1975 e o gol iluminado de Figueroa diante do Cruzeiro. Também menciona o tricampeonato invicto em 1979, com Falcão “em grande fase”. Mas reserva para o Mundial de 2006 a descrição mais demorada, como se o resgate daquele 1 a 0 sobre o Barcelona fosse um doce a ser saboreado com calma, paciência, em busca de um prazer prolongado.

- Foi a maior sensação - atesta. - Vejo como o triunfo do Gabiru, o grande herói que era criticado. Algo meio melodramático. Foi um momento de sonho. Antes do jogo, o sentimento era: “Se perder de pouco, está bom”.

O maior título da história de seu Inter Verissimo assistiu em casa. Há dez anos, dispensa os estádios. O que não o faz menos fanático.

- Acompanho a vida do clube pelo jornal, pela televisão. Tenho visto todos os jogos - adianta.

Antenado, Verissimo carrega certo pessimismo com o time de Dorival Júnior. Classifica-o como um “time hipotético”, que dizem ter, já há algum tempo, o melhor plantel, mas que não vê evolução.

- Tomara que engrene - torce.

Tamanha devoção ao Inter se dá mais no plano dos sentimentos e das palavras. Bem ao estilo de Verissimo, as referências físicas ao clube são discretas na casa comprada pelo pai em 1941 e que até hoje conserva intacto o escritório de Erico. Em meio ao livros de Luis Fernando, surge, como uma intrusa, uma flâmula de um dos Nacionais dos anos 1970. Mais uma amostra de que aquele cheiro de grama ainda está fresco na mente do escritor.

Fim do silêncio. A carioca Lucia, esposa de Verissimo, o chama para almoçar. É o único intervalo que costuma fazer enquanto se vê mergulhado em textos, o criador e as criaturas. Nunca para, das 9h até o início do Jornal Nacional, programa do qual não perde uma edição. O silêncio novamente insiste em ser atravessado. É Lucinda, sua primeira neta (tem três filhos), ouriçada com os preparativos de sua festa de aniversário. Na época da entrevista, faria quatro anos, no dia 4 de abril. A data em que nasceu o Inter. Nada é óbvio, mas tudo faz sentido na morada silenciosa, tranquila e colorada dos Verissimo.

INTER 1 X 2 GRÊMIO

Data: 15 de setembro de 1946

Local: Estádio dos Eucaliptos

Competição: Campeonato Citadino

Árbitro: Dirceu Bezerra

Internacional: Ivo, Alfeu, Nena, Viana, Ávila, Abigail, Tesourinha, Rui, Adãozinho, Elizeu e Carlitos - Técnico: Félix Magno

Grêmio: Júlio; Joni, Clarel, Jorge, Touguinha, Sanghinetti, Bentevi, Jélio, Massinha, Segura e Cordeiro - Técnico: Otto Pedro Bumbel

Gols: Cordeiro (2) e Carlitos

Por Lucas Rizzatti

Fonte do Texto e Imagem: Globo Esporte em 7/5/2012



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