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Blog Memória Futebol


O Salto Imortal de André Catimba

Autor: José Renato - 25/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Carlos André Avelino de Lima nasceu na cidade de Salvador em 30 de outubro de 1946. Um atacante brigador e oportunista que ganhou notoriedade como André Catimba. A inclusão do “catimba” ao seu nome se deveu ao fato dele ser conhecido por provocar seus marcadores e, por conta disso, causar muitas expulsões. O início de carreira, com 19 anos, foi no Ypiranga da Bahia, em 1966, equipe que tinha um torcedor ilustre, Jorge Amado. Ficou por lá até 1968, quando foi contratado por outra equipe baiana, o Galícia. A conquista do estadual pelo Bahia em 1970, ano em que o Vitória sequer chegou as finais da competição, fez com que o clube rubro negro resolvesse investir em talentos nativos da região. Foi esta receita que fez com que André fosse contratado pelo Vitória em 1971. Não demorou muito para que ele se transformasse no homem gol da equipe. No ano seguinte, em 1972, foi um dos grandes líderes do time que conquistou o titulo estadual de forma incontestável, com um dos maiores ataques da história do futebol baiano com os geniais Osni e Mário Sérgio. Por conta disso, em 1973, chegou a ser convocado para a seleção brasileira para enfrentar um combinado estrangeiro. Ficou no Vitória até 1975, quando foi contratado pelo Guarani de Campinas. Confirmou sua fama de goleador e acabou sendo levado, em 1977, para o Grêmio, comandado pelo técnico Telê Santana. O desafio no futebol gaúcho era gigantesco, interromper a incrível sequência de oito títulos consecutivos do atual bicampeão brasileiro, o Internacional. Muitos gremistas não acreditavam que isso seria possível. Em 25 de setembro de 1977, coube justamente a André, aos 42 minutos do primeiro tempo, marcar o gol do título sobre o rival, na vitória por 1 a 0. Mas o mais curioso ainda estava por vir, a vibração foi tanta que André tentou dar um salto mortal durante a comemoração. Não conseguiu... levou uma queda. Enquanto era ovacionado pela torcida, André se contorcia em dor. Não teve condições de continuar na partida, precisando ser substituído por Alcindo. A grotesca cena de seu malfadado salto estampou as capas de todos os jornais do Rio Grande do Sul que destacavam o título gaúcho gremista. Até hoje, muitos chegam até mesmo a lembrar do salto, mas esquecem da importância daquele gol e até mesmo de seu autor. André voltaria a ser campeão estadual pelo Imortal Tricolor em 1979. Ainda naquele ano foi contratado pelo rival do Vitória, o Bahia, para disputar o campeonato brasileiro. Em 1980, acabou sendo levado ao Argentino Juniors, onde chegou a atuar, simplesmente, com Diego Maradona. A partir daí passou a ser um cigano da bola. Andou pelo extinto Pinheiros, do Paraná, em 1981, Comercial de Ribeirão Preto e Náutico do Recife, em 1982, até voltar, em 1983 onde tudo começou, o Ypiranga da Bahia. Decidido a encerrar a carreira por lá, ainda assim voltou a bater uma bola na equipe amazonense do Fast Club em 1984. André foi um grande goleador e um daqueles jogadores que acabaram marcados para a história do futebol por sua irreverência, e principalmente por conta de uma comemoração inusitada.

 

 

Geraldo Assoviador

Autor: José Renato - 18/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Geraldo Cleofas Dias Alves nasceu na pequena cidade mineira de Barão de Cocais em 16 de abril de 1954. Um dos nove filhos de Dona Nilza, Geraldo foi um dos cinco filhos que se tornaram jogador de futebol. No início da década de 1970, veio para o Rio de Janeiro com a ajuda do irmão Washington que era zagueiro do Flamengo onde passou a fazer parte da equipe de base do rubro negro carioca juntamente com o imortal, Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Meio campista com grande habilidade e muito driblador, estreou com a camisa rubro-negra na vitória por 1 a 0 frente ao Goiás em partida amistosa realizada em 24 de junho de 1973. Foi também frente outra equipe goiana, o Vila Nova, que marcou seu primeiro gol, na goleada de 4 a 0 em amistoso realizado em 30 de janeiro de 1974. A titularidade, no entanto, só aconteceria a partir de 1974, quando o então técnico rubro negro, Zagallo, passou a se dedicar da preparação da seleção brasileiro para a Copa do Mundo da Alemanha, e seu substituto, Joubert, resolveu aproveitar os craques da categoria de base. Acabou por ganhar a posição que pertencia ao grande Afonsinho. Segundo amigos, o próprio Geraldo foi flagrado chorando por ter provocado a ida de Afonsinho, seu grande amigo, para o banco de reservas. Naquele ano conquistou o título carioca como dono absoluto da camisa 8 e tendo ao seu lado, o seu amigo inseparável, Zico. Sua amizade com o Galinho era tão grande que chegou a ser considerado como um filho de coração de seu Antunes, o pai do Zico, que passou a chamá-lo de “filho marronzinho”. Ganhou o apelido Assoviador, porque vivia assoviando, o dia inteiro, até mesmo em campo, as músicas que gostava. Dentre elas se destacava “Your Song” de Elton John e que era interpretada por Billy Paul. Logo passou a ter sua presença cobrada nas convocações da Seleção Brasileira, o que aconteceu em 1975, através do técnico Oswaldo Brandão, para a disputa da Copa América. Sua estreia, já como titular e com a camisa 10, aconteceu nas semifinais da competição em 30 de setembro daquele ano frente a seleção do Peru. Aprovou e passou a ser convocado com frequência. Na seleção brasileira atuou em 7 partidas, tempo suficiente para conquistar, já em 1976 a Taça do Atlântico, Copa Rocca e Taça Oswaldo Cruz. Sua ultima partida com a camisa amarela aconteceu em 9 de junho daquele ano na vitória por 3 a 1 frente a Seleção Paraguaia. Com a camisa rubro-negra sua despedida aconteceu em 4 de agosto pelo campeonato carioca na derrota por 3 a 0 frente ao Americano, na cidade de Campos. Após a eliminação da equipe nesta competição, o Flamengo passou a realizar amistosos por várias cidades até a sua estreia no campeonato brasileiro em 1° de setembro. Enquanto isso, seguindo a orientação do Departamento Médico do Flamengo, Geraldo se submeteu em 26 de agosto a uma cirurgia para retirar as amigdalas por conta de uma inflamação crônica na garganta. Um imprevisto deu fim à vida de Geraldo. No Flamengo atuou em 169 partidas pela equipe profissional e marcou 13 gols. Geraldo foi um daqueles jogadores, promissores, que o destino resolveu levar por outros caminhos, bem longe daqueles sonhados.



 

 

Marinho, o Cara

Autor: José Renato - 11/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Mário José dos Reis Emiliano nasceu em Belo Horizonte em uma família de origem muito pobre, em 23 de maio de 1957. Era o sétimo filho de uma lavadeira de cadáveres no necrotério da polícia mineira. A vida era muito dura. Para não passar fome, virou catador no lixão da capital mineira, e por conta de algumas más companhias chegou a ser internado em um reformatório. O menino magricelo corria demais e passou a acalentar seu sonho de ser jogador de futebol já aos 12 anos quando foi levado por um massagista do Atlético Mineiro, para fazer parte das categorias de base do clube. Com a bola nos pés o “neguinho” agradou. Foi neste tempo que a primeira tragédia se fez presente em sua vida. Sua irmã, Irene, morreu atropelada quando o levava a um treino do clube mineiro. Aos 18, foi convocado pela primeira vez para a seleção olímpica que disputaria os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. Pela equipe olímpica participou de 15 jogos e marcou 2 gols, o suficiente para chamar atenção do técnico Barbatana que bancou sua escalação na equipe principal do Atlético. Logo em seu primeiro ano conquistou o titulo mineiro em uma equipe onde se destacavam craques do nível de João Leite, Toninho Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro e tantos outros. O garoto sentiu o peso do sucesso e se deslumbrou com a rápida fama. Passou a se dedicar poucos aos treinos e muito a vida noturna. Acabou afastado da equipe em 1978 e se transferiu para o América de São José do Rio Preto. Na simpática cidade do interior paulista, Marinho se reencontrou e foi um dos grandes nomes do campeonato paulista de 1979, sendo considerado o melhor ponta direita daquela competição. Ao que parecia o menino voltara em rumo ao sucesso. Passou a ser ídolo na cidade paulista e lá ficou até 1982, sempre sob a proteção do folclórico presidente americano, Birigui, que sequer cogitava admitir a sua saída. De volta ao Galo Mineiro, ficou pouco tempo, e logo foi contratado, em 1983, pelo Bangu, cujo patrono, Castor de Andrade, bancava financeiramente a formação de grandes equipes. Sua contratação junto ao América foi árdua, por conta do presidente Birigui que não cansava de irritar o dirigente carioca ao chamá-lo de Esquilo de Andrade. Diz a lenda que Castor chegou a colocar um revolver em cima da mesa, enquanto que com a outra mão assinou o cheque. Marinho não tinha ideia o quanto sua vida profissional mudaria no Bangu. Passou a ser um dos grandes nomes da equipe carioca que viveu o seu auge ao chegar a final do campeonato brasileiro de 1985. O titulo acabou sendo perdido na decisão de pênaltis frente ao Coritiba, ainda assim, Marinho foi escolhido o melhor jogador do campeonato brasileiro daquele ano, e venceu a Bola de Ouro, prêmio oferecido pela Revista Placar. Naquele mesmo ano, conquistou o vice-campeonato carioca após uma conturbada final frente ao Fluminense. Um ano quase perfeito fez com que sua convocação para a seleção brasileira acontecesse em 1986, ano da Copa do Mundo do México. Foram duas partidas com a camisa amarela e um gol marcado, no entanto, sua ida para a Copa acabou não acontecendo. Acabou se achando injustiçado por isso e chegou a acusar o técnico Telê Santana de ser racista. Em 1987 conquistou a Taça Rio, segundo turno do campeonato carioca e viu que era momento de mudar de ares, sobretudo pelo início de problemas judiciais e financeiros que passaram a assolar o patrono banguense Castor de Andrade. Foi contratado pelo Botafogo em 1988 juntamente com Paulinho Criciúma e Mauro Galvão. Em 13 de fevereiro daquele ano reuniu a imprensa para uma entrevista em sua casa para divulgar seus novos rumos profissionais, quando uma nova fatalidade aconteceu. Durante a gravação, seu filho, Marlon, com apenas um ano e sete meses caiu na piscina e morreu afogado. A tragédia pareceu marcar o inicio do fim de sua carreira como jogador de futebol. Teve atuações apagadas na equipe da Estrela Solitária. Voltou ao Bangu em 1989. Em 1990, tentou novo retorno em outro lugar que tinha sido muito feliz, o América de São José do Rio Preto. Não deu certo. No ano seguinte rumou a Bolívia, onde atuou no San Jose. Passaria novamente pelo Bangu, Entrerriense, São Cristovão, até encerrar sua carreira na equipe de Moça Bonita, como o décimo maior artilheiro de sua história, com 81 gols, em 1997, aos 40 anos. Marinho seguiu o roteiro de jogador profissional que a grande maioria dos atletas tem enfrentado ao longo dos tempos. A infância pobre, seguida de muito sucesso e sempre acompanhada de tragédias que marcam sua vida pessoal.



 

 

Ruço, o Beijinho Doce

Autor: José Renato - 04/05/2015   Comentários 1 comentários

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José Carlos dos Santos nasceu no simplório bairro do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, em 3 de junho de 1949. Filho de um pintor de carro e de uma dona de casa, durante criança, sua vida se resumia a estudar e bater bola na rua. A necessidade fez com que logo aos 14 anos começasse a trabalhar como torneiro mecânico. O sonho de se tornar jogador, no entanto, ainda estava muito presente na cabeça daquele menino de cabeleira castanha, na verdade, quase que avermelhada. Resolveu tentar a sorte no Madureira, equipe do subúrbio carioca. Ao chegar no dia de seu teste, se encontrou com o técnico e ex-jogador, Jair da Rosa Pinto. Foi do grande Jair, a ideia de dá-lo um nome mais apropriado, de acordo com a sua fisionomia, virou Ruço, para sempre. Aprovado, passou a atuar nas categorias de base do Madureira. Com 22 anos, atuando pela equipe principal, se destacou no campeonato estadual de 1973, o que chamou a atenção do Botafogo, equipe que o contratou para disputar o campeonato brasileiro daquele ano. Teve poucas chances e acabou emprestado para o Clube do Remo em 1974. Em 19 de maio daquele ano, participou do clássico frente ao Paysandu, que acabou em briga generalizada com direito a invasão de torcedores e intervenção da Polícia Militar. Foi a gota da agua para decidir voltar para casa, naquele tempo, o Madureira Logo na segunda rodada do estadual do Rio de Janeiro, em 10 de agosto, teve atuação impecável na vitória da equipe suburbano frente ao Flamengo por 2 a1 em pleno Maracanã. Ao final do campeonato, novamente Ruço voltou a ser cortejado por outras equipes. Quase foi para o Vasco da Gama, mas em janeiro de 1975 chegou ao Corinthians. O clima no alvinegro paulistano não era dos melhores, uma vez que tinha perdido o estadual para o rival Palmeiras, pouco menos de um mês antes, e com isso o tabu sem títulos tinha alcançado 20 anos. O que estava ruim, piorou com a saída do grande craque do time, Rivellino, acusado pela direção alvinegra de ter tremido na final do Paulistão, contratado pelo Fluminense. Seu primeiro ano no Corinthians foi difícil, sobretudo pela pressão da torcida que não se conformava com mais um ano sem conquistas. Em 6 de julho daquele ano, após sofrer uma goleada por 5 a 1 para a Portuguesa, a torcida cercou o ônibus do time e ameaçou virá-lo. Foi demais para Ruço, que decidiu ir embora de volta ao Rio de Janeiro. Convencido, acabou ficando e para sempre entrou na história da equipe paulista. Marcador implacável, dotado de pouca técnica, mas muita raça se firmou como titular absoluto da equipe lutadora que disputou um grande campeonato brasileiro em 1976. Em 5 de dezembro daquele ano, coube a ele vestir a camisa 10 alvinegra, na partida válida pela semifinal, frente justamente o Fluminense de Rivellino, também camisa 10. Em um Maracanã lotado, com a maioria da torcida pertencente a equipe adversária, a alvinegra, algo jamais visto na história do futebol mundial, em fato que passou para a história do futebol brasileiro como a Invasão do Maracanã, ainda assim os paulistas eram considerados zebras frente a Máquina Tricolor. Momentos antes de pisar no gramado, Ruço tinha uma preocupação a mais. Na véspera, tinha sido chamado pelo técnico Duque, e recebido um pedido de Roberto Barros, que era pai de santo, e, por conta disso, era mais conhecido como Pai Guarantã. Ao receber o Exu Rei, ele afirmou que o Corinthians levaria a melhor e que Ruço faria um gol, mas que para isso se concretizasse o meio campista alvinegro teria que passar três vezes a mão na bunda de Rivellino. Ruço sabia que Rivellino tinha a cabeça quente, o que ele não tinha ideia era de como ele conseguiria atender a orientação do Pai Guarantã. Em certo momento do jogo, surgiu a oportunidade. Após ver o camisa 10 carioca no chão, por conta de uma falta sofrida, deu a mão a ele e bateu três vezes em sua “área traseira”. O alívio foi total, agora só faltava o gol, que não demorou muito e foi marcado com uma inusitada e belíssima meia-bicicleta que tirou totalmente o goleiro Renato da jogada. Era o gol de empate, daquela partida que terminaria 1 a 1. Para comemorar, usou a sua marca registrada, mandou beijos, muitos deles, para a torcida, hábito que já tinha feito com que tivesse ganhado outro apelido, Beijinho Doce, este dado pelo jornalista Osmar Santos. Na decisão de pênaltis, Ruço voltou a marcar, na vitória por 4 a 1 que deu a vaga a final do campeonato brasileiro ao Corinthians. Se o título não veio naquele ano, viria no seguinte, em 13 de outubro de 1977, na vitória por 1 a 0 na final do campeonato paulista frente a Ponte Preta. Ficou no Corinthians até 1978, de onde saiu para atuar novamente no Botafogo que também amargava um grande período sem títulos. A dificuldade em manter o peso, no entanto, algo que o perseguiu durante toda a carreira, se intensificou ainda mais e refletiu muito em seu futebol. Em 1979 voltou ao futebol paulista para atuar no Juventus, onde ficou até o ano seguinte. Retornou ao Rio de Janeiro, onde disputou o campeonato estadual de 1981 jogando pelo Volta Redonda. Seu ultimo ano no futebol profissional aconteceu no Rio Branco do Espirito Santo, onde conquistou o título capixaba em 1983, a sua segunda conquista ao longo de toda a sua carreira. Ruço foi o exemplo do boleiro que embora sem ter muito talento com a bola no pé, conseguiu estar presente em grandes momentos de nosso futebol, por conta de sua raça e disposição quase infinita.




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