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Blog Memória Futebol


Dez anos do Penta

30/06/2013 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

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Ninguém prestava.

Na longa história do futebol brasileiro.

Eles eram a Família Brancaleone.

Os mais espinafrados jogadores a disputar uma Copa do Mundo.

A vergonha nacional.

Romário era o Deus.

O resto era digno de vergonha.

Marcos era um beato.

Cafu, o tresloucado capitão e lateral da Vila Irene.

Roberto Carlos, apenas chute.

Roque Júnior, um zagueiro mediano.

Lúcio, o desmiolado que se imaginava atacante.

Kléberson e Gilberto quem?

Edmilson, meu filho!

O que você está fazendo aí?

Levar Vampeta?

Endoidou de vez.

Luisão, Edílson, Denílson?

Indignos de Pelé, Tostão e Rivelino.

Ronaldo?

Aleijado!

Rivaldo?

Mais aleijado ainda.

Como agravante de ser feio pra chuchu.

Essa trupe ia acabar com a promessa do Ronaldinho Gaúcho.

Isso sem falar no técnico.

O Scolari nem sabia onde ficava o Japão.

Porém.

Toda vitória é alquimista.

Transforma o nada em ouro.

Marcos foi santificado.

Cafu botou a Vila Irene no mapa.

Roberto Carlos? O CHUTE!

Roque Júnior e Lúcio?

Bellini e Orlando.

Kléberson e Gilberto Silva?

Lennon e McCartney.

Belo voleio, Edmilson!

Como o Vampeta sabe dar cambalhota!

Luisão, Edílson, Denílson?

Dignos de Pelé, Tostão e Rivelino.

Ronaldo?

Messias!

Rivaldo?

Que cabra elegante!

Ronaldinho Gaúcho?

O futuro gênio do futebol brasileiro.

Todos compondo a brilhante Família Scolari.

Uma seleção que ganhou todos os jogos de uma Copa do Mundo.

Como a de 70.

Hoje?

Onze anos do Penta!

Dizer mais o quê?

Fonte da Imagem: Juca Varella / Folha Imagem


 

 

Sociedade Esportiva Tiradentes – O Lendário Tigrão!

Autor: Adriano Fernandes - 30/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

Tiradentes (Crédito: Severino Filho)

Por Renneé Cardoso Fontenele

As histórias e estórias correm soltas. Sobretudo quando se trata de futebol. Associam-se fatos, muitos deles até mesmo não merecendo tal coisa. A título de exemplo, pode-se dizer que restringir a Sociedade Esportiva Tiradentes à derrota elástica sofrida em um dos confrontos com o Corinthians em 1983 e ou ao caso de homicídio envolvendo jogadores do clube (inclusive Jorge Costa, o goleador de 1976), é, no mínimo, uma insensatez.

Bastou apenas uma má apresentação, seguida de goleada como fora (10 a 1), e a “condenação” viria em seguida: “time ruim”, “sem criatividade”, “como foi que o Corinthians perdeu em Teresina?”, e coisas semelhantes!

Os fatos, entrementes, são diversos, muitos dos quais omitidos pela Imprensa Nacional. Revelam, a bem da verdade, um time temido: “Temido Amarelão da PM”, como foi e é conhecido, por muitos!

A Sociedade Esportiva Tiradentes, expressivo clube piauiense, surgiu em 1959, aos 30 dias de junho, por Sargentos e Subtenentes da Polícia Militar do Piauí. Campeão Piauiense de Futebol por 5 vezes (1972, 1974, 1975, 1982 e 1990), o Tigrão, hoje, trabalha somente as categorias de base e o futebol feminino, tendo participado do Estadual Sub-18 deste ano e da Copa do Brasil.

Participou de 5 edições do Brasileirão Série A, em 1973, 1974, 1975, 1979 e 1983. A trajetória do Amarelão da PM é sobremodo digna de aplausos e, claro, reminiscência de um futebol áureo, apresentado por uma equipe nordestina.

Muitos clubes brasileiros, dos maiores centros do país, foram vencidos pelo temido Tigrão, como clubes de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, sem mencionar os do Nordeste e de outras regiões.

Em 1973, entre os 40 clubes, o Amarelão passou para a segunda fase do Brasileiro em 18º, sendo eliminado em seguida, embora vencendo o Ceará no Castelão, empatando com o Coritiba no Couto Pereira e com o Atlético mineiro no Albertão. Em 1974, houve uma divisão em grupos, sendo que o Tiradentes terminou em 11º do Grupo A, perdendo a vaga da segunda fase para o Paysandu que, por 1 ponto, tomou a vaga do clube piauiense. Em 1975, dos 10 clubes do Grupo B (Cruzeiro, Corinthians, Fluminense, Guarani, Atlético paranaense, América mineiro, Ceará, Paysandu, Nacional e Tiradentes), o Tigrão foi o quinto colocado, conseguindo a classificação para a fase seguinte. Na oportunidade, empatava com o Vasco em São Januário e batia o Flamengo no Albertão. Em 1976, jogadores do clube foram envolvidos em um homicídio em Teresina, de modo que o Comando da PM desativou o Departamento de Futebol. De volta aos gramados, em 1979, o Tigrão fizera sua pior campanha, ficando na lanterna do Grupo E. Em 1983, porém, num grupo onde disputavam 3 vagas Corinthians, Fluminense, Fortaleza, CSA e Tiradentes, o Tigrão terminara a fase inicial em terceiro lugar, perdendo a segunda colocação para o Fluminense, pelo saldo de gols, mas passando à fase seguinte.

Alguns jogos marcantes podem ser citados:

Pelo Brasileiro de 1973, o Corinthians conhecia a derrota em Teresina: Caio, o algoz do Timão, fazendo 1 a 0 Tigrão, sobre o maior clube paulista, o Corinthians de Armando, do lateral Zé Maria, do muito reverenciado e craque Rivelino, Tião, Vaguinho, entre outros que viram a vitória piauiense no Albertão, naquele domingo, 16 de setembro de 1973,  uma vitória de nomes simples, como, por exemplo, Toinho, Ivan, Marinho, Caio, Sima, Ventilador, Bina, e outros.

Pelo mesmo campeonato, o Coritiba de Jairo, Scala, Dico e Negreiros, também sofreu a derrota para o Tigrão. Caio e Carlos Alberto marcaram os dois gols da vitória do clube piauiense: 2 a 1 sobre o “Coxa”, em Teresina.

O Vozão, também, seria alvo do Tigrão, no Castelão em Fortaleza. Pelo Brasileiro de 1973, embora o jogo realizado em janeiro de 1974, o temido Tigrão do Piauí deixou as marcas de suas garras: 2 a 0 sobre o alvinegro da capital alencarina. Joel, no primeiro tempo e Marinho, no segundo, decretaram a vitória do Tigrão piauiense em solo cearense.

Em 1974, 27 de março, numa quarta-feira, o famoso “Mecão”, o América de Natal, tomava 3 a 0 no Albertão. Sima, o “Pelé do Nordeste”, abria o marcador da goleada, aos 36 do primeiro tempo. Aos 42, ele, novamente, Sima, fazendo 2 a 0 Tigrão. Joel, aos 38 do segundo tempo, fechava a goleada: Tiradentes 3×0 América-RN.

Outro clube que sofreu a fúria do Tigrão, ainda em 74, foi o Bahia. Mais uma goleada do “Amarelão da PM”, agora sobre os baianos: 3 a 0 o marcador. Miltão marcou dois, e Derivaldo fechou a goleada: 3 a 0 Tiradentes!

O “Fogão” também não escapou da derrota, em 1974. Um timaço alvinegro em campo. Do outro lado, apenas um clube do futebol piauiense. Contudo, o Tiradentes. O Botafogo de Cão, Miranda, Ferreti, Nei, Nílson Dias e Ficher , não agüentou a força do Tigrão no Albertão, naquele sábado, de 4 de maio. Nílson Dias abria o placar, aos 20 do primeiro tempo. Assis, empatava o marcador: 1 a 1. A virada do Tigrão veio com ele, Sima, aos 25 minutos do segundo. Tigrão 2×1 Botafogo.

Outro clube carioca seria batido pelo Tigrão, ainda em 74: o Olaria! O clube carioca, de Dirceu, Jair e Gesse, não suportou a força do clube piauiense, perdendo por 2 a 0. Sima, no segundo tempo, fazia os dois gols da vitória do Tigrão: 2 a 0 Tiradentes.

Dos cariocas aos maranhenses. O mesmo placar fizera o Sampaio Corrêa a vítima seguinte: 2 a 0 no Albertão, com gols de Miltão e Maranhão, para o Tiradentes.

Já em 1975, o América do Rio de Janeiro seria mais um clube carioca a conhecer a derrota: Santos, para o clube piauiense, marcava os dois gols, enquanto Mauro descontava. Tiradentes 2 a 1 sobre o América-RJ.

O Moto Club não teve a mesma “sorte”, perdendo para o Tiradentes por 4 a 1. Sima marcou 2, Edgar e Ubiranir fecharam a conta para o Tigre do Piauí: 4 a 1 Tigrão!

Ainda pelo Brasileiro de 1975, Nivaldo do Tiradentes fazia 1 a 0 no Palmeiras do goleiro Emerson Leão, Eurico, Ademir da Guia, Didi, dentre outros nomes importantes do futebol brasileiro da época, que no Albertão estiveram, na oportunidade. Sima jogou, no entanto, Nivaldo foi o nome: 1 a 0 Tigrão, sobre o “Verdão” do Palestra Itália.

Era quarta-feira 8 de outubro de 1975, em São Januário. A partida prometia: de um lado, Mazarópi, Alfinete, Zanata, Alcir e Roberto Dinamite; de outro, Sima, o artilheiro do Norte-Nordeste do Brasil. Com dois jogadores expulsos (Vicentinho e Joel), o Tigrão foi barreira para o Vasco da Gama, em pleno Rio de Janeiro. Foi Sima, porém, o autor do primeiro gol, aos 44 da etapa inicial: 1 a 0 Tigrão! O Vasco tinha Roberto Dinamite, que, aos 21 minutos da segunda etapa, empatava o placar, dando números finais ao jogo: Tigrão 1×1 Vasco. Saliente-se: o Tiradentes com 9 jogadores em campo!

No dia 29, o Tigrão teria mais um desafio carioca: o Flamengo! Pois bem, a partida foi realizada no Albertão. O Flamengo, de Cantarelli, Júnior, Liminha, Caio Cambalhota e ele, Zico, não esperava vencer o Tigrão lendário do futebol piauiense. Não, evidente que não! Porque, defendendo as cores do “Amarelão da PM”, estava, de pronto, ele, Sima, o goleador! Fato é que marcaram Sima de forma eficaz. Esqueceram, todavia, do atacante Meinha, que balançou as redes rubro-negras logo aos 4 minutos de jogo: 1 a 0 Tigrão, para o delírio de mais de 30 mil torcedores no Albertão! Mas o Flamengo era uma equipe e tanto, empatando e virando o marcador, com Luisinho (aos 20) e Zico (aos 30), fazendo 2 a 1 Flamengo. Na segunda fase do jogo, o Tigrão voltou a mostrar as “garras”. Leal e Roberval marcaram, terminando o confronto em 3 a 2 Tiradentes, e mais um grande clube do futebol brasileiro derrotado pelo lendário Tigrão do Piauí.

Pelo mesmo Brasileirão de 1975, o Santa Cruz, de Ramon e Luís Fumanchu, chegava às semifinais do campeonato, fato que lhe deu a condição de ser o primeiro clube do Nordeste a chegar às semi do Brasileirão, inclusive, derrotando o Palmeiras, por 3 a 2, em São Paulo e o Flamengo, no Rio, por 3 a 1. Contra o Tigrão, entretanto, a história foi outra: mesmo jogando no Arruda, pela segunda fase do campeonato, o Santa não conseguiu superar o lendário Tiradentes. Ramon, para o Santa, aos 27 minutos fazia 1 a 0. Sima, o matador, aos 49 do segundo, empatava para o Tigrão: 1 a 1, placar final, em Recife!

Prosseguindo em 1975, o América de Natal tornava a perder: 1 a 0 Tiradentes, com gol de Sima, no Albertão!

Em 1983, pelo Grupo D (Corinthians, Fluminense, Fortaleza, CSA e Tiradentes), 5 clubes disputavam 3 vagas. O Tigrão passou, novamente, à segunda fase, terminando a primeira em terceiro colocado, perdendo a segunda colocação no Grupo para o Fluminense, pelo saldo de gols (ambos com 9 pontos), sendo o Corinthians o primeiro do Grupo e o Fortaleza o lanterna. Oportuno observar, diga-se, que o Tigrão bateu todas as equipes do Grupo D, na primeira fase.

Apesar de haver sofrido a dita goleada para o Corinthians, coisa que aconteceria posteriormente, o Tigrão bateu, mais uma vez, a equipe paulista. Era 29 de janeiro de 1983. O Corinthians com seu grande elenco: Solito, Gonzalez, Wladimir, Zé Maria, Zenon, Biro-Biro, Paulo Egídio, Sócrates e Casagrande, além de outros nomes! O Tigrão, com Válter Maranhão, Sabará, Hélio Rocha, Joniel e Zuega, dentre outros nomes, faria o seu papel em casa, com Sabará (o pequeno-gigante), abrindo o placar aos 34 do primeiro tempo. Hélio Rocha, aos 39 minutos iniciais, ampliava o marcador: 2 a 0 Tigrão! Aos 18 minutos do segundo tempo, Sócrates diminuía o marcador. Foi só: Tiradentes 2×1 Corinthians!

Continuando em 83, após o Corinthians, veio o Fluminense. A exemplo de Flamengo, América, Olaria e Botafogo noutras ocasiões, o tricolor das Laranjeiras foi outro carioca que não conseguiu parar o ataque do Tigrão. Com nomes importantes do futebol na ocasião, como Paulo Vitor, Branco, Aldo e Leomir, o  Fluminense perdeu em Teresina por 1 a 0. Sabará, aos 4 minutos do primeiro tempo, definiu a partida: 1 a 0 Tiradentes!

Na sequência, o Tigrão foi ao Castelão, em Fortaleza, enfrentar o Leão do Pici. O Tigrão fez 1 a 0, com Luís Sérgio, mas Rôner empatou para o Fortaleza, terminando o jogo em 1 a 1. Na segunda partida, em Teresina, no Albertão (“Gigante de Concreto”), o Fortaleza seria mais um clube goleado pelo Tigrão. Com  3 gols de Luís Sérgio, e 1 de Hélio Rocha, o Tigrão aplicava  4 a 1 no Leão do Pici, fazendo o Fortaleza  seu gol de honra  através de Lenílson. Curioso notar que o Fortaleza iniciou a partida vencendo, cedendo a virada e o placar elástico posteriormente: 4 a 1 Tigrão!

Por fim, o CSA de Alagoas, perdendo por 2 a 1. A Vitória do Tigrão veio com Sabará, aos 27 minutos do primeiro tempo. Romel, aos 30, empatou para o clube alagoano. Flávio, aos 35 do segundo tempo, fazia 2 a 1 Tiradentes, “O Lendário”!

Como se vê, a história da Sociedade Esportiva Tiradentes, o Tigrão, ou Amarelão da PM, não se restringe ao jogo contra o Corinthians e nem a algum fato negativo relacionado ao modesto futebol do Piauí, mas é motivo de orgulho tanto para o piauiense quanto para o nordestino em geral, em virtude de seus feitos e, sobretudo, de toda sua história por si só!

Crédito da Imagem: Severino Filho

Fonte: Futebol Piauiense



 

 

Em 1915 surgia o Mais Querido

Autor: Adriano Fernandes - 29/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Farache e o elenco decacampeão

Natal ainda era uma cidade pacata e provinciana, com uma população estimada em 27 mil habitantes, quando no início do século XX, mais precisamente aos 29 dias do mês de junho do ano de 1915, surgia o ABC Futebol Clube: primeiro clube de futebol do Rio Grande do Norte, e que se transformaria, com o passar dos anos, na maior e mais querida agremiação futebolística do estado e recordista mundial em conquistas de títulos estaduais. A cidade tinha como presidente (o termo prefeito ainda não existia) da Intendência Municipal de Natal, o comerciante e abolicionista Romualdo Galvão; e o Rio Grande do Norte acabara de eleger em 1914, pela primeira vez pelo voto direto, o magistrado Joaquim Ferreira Chaves, para governar os destinos do povo potiguar, acabando com a oligarquia dos Albuquerque Maranhão.

“A distração daquele tempo era o cinema Politheama de “seu” Leal, as festas religiosas, um futebol ainda muito primitivo e o tão falado circo do “seu” Striguini, que vez por outra aparecia por aqui…não havia vôlei, nem basquete, nem concursos de misses, nem biquínis e nem “brejeiras”. Os homens tinham palavra e prezavam a sua honra, e o nosso Réis era moeda forte”, relatou o ex-presidente do ABC, médico José Tavares, em conferência proferida por ele na comemoração do 44º aniversário do ABC, em 1959. Vale somar as referências de entretenimento da época, levantadas por José Tavares, o Cine-Teatro Carlos Gomes, hoje Teatro Alberto Maranhão.

Esse era o cenário de Natal em meados da década de 1910, quando na tarde, do dia 29 de junho de 1915, um grupo de jovens natalenses, alguns praticantes de remo, fundou o ABC Futebol Clube. O surgimento do Mais Querido aconteceu num dos cômodos do casarão do coronel Avelino Alves Freire – respeitado comerciante e presidente da Associação Comercial do RN –, situado na Av. Rio Branco, no bairro da Ribeira, com frente para os fundos do então Cine-Teatro Carlos Gomes.

Participaram da histórica reunião: João Emílio Freire – filho do coronel , Avelino Freire, e eleito por unanimidade como o primeiro presidente do ABC –, o próprio coronel Avelino Alves Freire, Avelino Alves Freire Filho (conhecido como Lili, também filho do coronel Avelino e primeiro goleiro do alvinegro potiguar), Alexandre Bigois, Arary Brito, Artur Coelho, Álvaro Borges, Antônio Alves Ferreira, Cipriano Rocha Filho, Carlos Noronha, Cícero Aranha, Francisco Deão, Francisco Antônio, Frederico Murtinho Braga, Francisco Mororó, José Potiguar Pinheiro, José Cabral de Macedo (o Tarugo), Júlio Meira e Sá, Josafá dos Santos, João Cirineu de Vasconcelos (o Baluá), João dos Santos Filho, José Pedro (o Pé de Ouro), José Aurino da Rocha, Luiz óbrega, Manoel Dantas Moura, Manuel Dantas Cavalcanti, Manoel Avelino do Amaral, Manoel Bezerra da Silva (o Paraguay), Marciano Freire, Mário Eugênio Lira, Silvério Carlos de Noronha e Sólon Rufino Aranha.

A escolha do nome

A primeira providência da reunião foi a de escolher um nome para a agremiação que nascia. Por sugestão de José Potiguar Pinheiro, o primeiro clube do RN adotou o nome de ABC Futebol Clube, aprovado por unanimidade. O conjunto de letras ABC prestou uma justa homenagem ao pacto de amizade fraternal, amparado diplomaticamente pelos países Argentina, Brasil e Chile, assinado em 1903 (ver Box nesta página). A escolha do nome veio revelar a preocupação social dos jovens rapazes, apesar da maioria pertencer à alta sociedade natalense.

Primeira Diretoria

Também foram escolhidos os primeiros dirigentes que tiveram o privilégio em dar o pontapé, literalmente, para o início de uma história repleta de glórias, que dura há 93 anos. A primeira diretoria foi assim composta: João Emílio Freire – presidente, José Potiguar Pinheiro – vice-presidente, Manoel Dantas Moura – 1º secretário, Solon Rufino Aranha – 2º secretário, Avelino Freire Filho – tesoureiro, e José dos Santos – diretor de esportes. Esses valorosos homens ficaram à frente do ABC, no período de 29/06/1915 a 03/06/1916.

Primeiro jogo

Segundo registro do livro “Os Esportes em Natal”, de 1991, do pesquisador natalense Procópio Netto, o primeiro jogo do ABC Futebol Clube aconteceu em 20 de setembro de 1915, contra o Natal Esporte Clube. Placar? 13 a 1 para o Mais Querido, que assim, já nascia grande. Sobre essa partida não existem registros na imprensa local, mas deve-se levar em consideração a informação do pesquisador potiguar, pois a segunda atuação do ABC foi registrada à época pelo jornal A República, como sendo “o segundo match oficial…”. Aconteceu em 26 de setembro de 1915, no campo (ground) da Vila Cincinato (ver Box na página seguinte), contra o América, seu eterno e mais tradicional rival. Placar? 4 a 0 para o ABC. Ratificando a fome de gols do primeiro jogo. Vale salientar que o ABC, nesse jogo, atuou com o time reserva (segundo quadro como era chamado), enquanto que o América com a sua equipe principal (primeiro quadro).

Notícia do jogo publicada pelo jornal A República: “Realizou-se no dia 26/09/1915, às 16:00 horas, no ground da square Pedro Velho, o segundo match oficial promovido pela Liga Desportiva Natalense, entre o 2º team do ABC e o 1º team do América. A luta começou favorável ao América, mas, devido à desigualdade de forças e ao mais perfeito treinamento do ABC, conseguiu este clube fazer quatro goals a zero. O 2º team do ABC estava assim distribuído: Avelino (Lili), Batalha, Borges, Cabral (Tarugo), Paraguay, Freire, Bigois, Moacyr, Mandu, Nóbrega e Mousinho. Reservas: Baluá, Elissozio e Bill. O 1º team do América com Siqueira I, Lélio, Gato, Carvalho, Galo, Antônio, Barros, Siqueira II, Neco, Garcia e Pipio. Reservas: Revorêdo, Lopes e Tupy. Atuou como referee (assim era chamado o árbitro) Júlio Meira e Sá; referees de linha Manoel Gomes e Aguinaldo Fernandes; referees de goal (ficavam atrás das traves) Sérgio Severo e Araty Brito. Os goals do ABC foram alcançados por Mousinho (dois), Mandu e Baluá”. (A República de 25 a 27/09/1915) informações obtidas na plaquete “ABC, honra e glória do esporte potiguar (II)”, publicada em 2005, pelo pesquisador natalense, Luiz G. M. Bezerra.

Amor pelo ABC acima de tudo

A história do ABC Futebol Clube deve, obrigatoriamente, dispensar um capítulo à parte ao casal Vicente Farache Netto (1902-1967) e Maria do Rosário Lamas Farache (1906-1949). Ambos foram, sem dúvida, o esteio do clube por quase 15 anos, enquanto foram casados de 1935 a 1949, ano da morte de Maria Lamas. Nesse período, o casal protagonizou um intenso caso de amor com o Mais Querido. O natalense Vicente Farache (filho do italiano José Farache e da brasileira Maria Carmina Farache) sempre teve uma condição financeira privilegiada, pelo fato de seu pai ser um comerciante de prestígio em Natal, no início do século XX. Aos 18 anos foi o ponta direita (bastante limitado) do time que conquistou para o ABC o primeiro título de campeão potiguar. Vendo que não tinha muito jeito para a bola voltou-se para o comércio, além de embarcar para o Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de direito em 1927. Anos depois foi promotor público em Natal, e membro do Tribunal Regional Eleitoral/RN.

Retornando a Natal em 1928 afasta-se definitivamente dos “gramados” (se é que existiam à época) para dedicar-se exclusivamente à condição de dirigente. Nessa função ganha notoriedade, merecendo o título de patrono do clube, devido à sua abnegação e desprendimento. Como diretor técnico conquista o decampeonato potiguar de 1932 a 1941. Também foi responsável pela vinda de grandes jogadores para o ABC, entre os quais: Xixico (primeiro grande ídolo do ABC vindo do Ceará), Dequinha e o grande ídolo Jorginho Tavares (todos de Mossoró), segundo o pesquisador Newton Alves.

Ele não se limitou apenas, à condição de diretor técnico. Tamanho era o seu amor pelo clube, que fazia questão de chamar para si todas as responsabilidades. “Acredito que os presidentes do ABC, durante o período em que o doutor Vicente esteve presente no dia-a-dia do clube, achavam isso muito bom, por ele tomar à frente dos problemas”, revela o pesquisador natalense, Luiz G. M. Bezerra.

Assistencialismo – Contratava, dispensava, treinava, pagava os salários, empregava jogadores em suas duas lojas na Ribeira (a de sapatos e tecidos “Vicente Farache Netto” e uma joalha-ria), além de hospedar e alimentar os atletas em dias das partidas, e ainda, comprar o material de treino e de jogo. Para isso, contou com a ajuda dos quatro irmãos, principalmente de Antônio, o Tonho Farache, que com o seu antigo “Ford” transportava os jogadores para onde fosse necessário.

Mas, sem dúvida, o grande lastro de Vicente Farache foi a sua esposa, a chilena Maria Lamas Farache (filha do casal de palestinos Elias e Mercedes Lamas radicalizado no Chile) que por amor ao marido entregou-se de corpo e alma à causa abcdista. “Tinha o jeito de um italiano carrancudo, mas era gentil. Só não falasse mal do ABC na frente dele, aí virava um bicho. Ele vivia para o clube. Mas dona Maria era quem cuidava de tudo dele e também fazia muito pelo ABC”, diz Maria Clotilde da Costa Rodrigues, 89anos, a dona Clotilde, que por 18 anos, de 1937 a 1955, trabalhou na Relojoaria Farache, na Ribeira, pertencente aos irmãos Farache.

Quando se casou com Maria Lamas em 1935, Vicente trazia consigo o amor incondicional pelo ABC, incorporado de imediato pela esposa, que conseguiu levar à ala feminina da família Lamas o sentimento de simpatia pelo Mais Querido. “Os meus tios eram quase todos americanos, somente tio Jacob era abecedista. Mas a minha mãe Esther e as outras três irmãs torciam pelo ABC, por conta de tia Maria. Apesar de lados opostos todos conviviam harmonicamente”, revela Marco Antônio Fernandes, sobrinho de Maria Lamas Farache. Assim como Vicente, Maria Lamas veio de uma família bastante conceituada em Natal, proprietária de respeitadas casas comerciais no tradicional bairro da Ribeira – A Chilenita e o Armazém Elias Lamas. A família Lamas foi responsável, juntamente com a família Lamartine, pela introdução em Natal, de um dos esportes mais elitizados: o tênis. Nem por isso, deixou de seguir o marido servindo ao ABC no que fosse possível.

O Deca campeonato

O ABC é o recordista brasileiro de títulos consecutivos. O Mais Querido conquistou entre 1932 e 1941, o decacampeonato estadual. Tal façanha está registrada inclusive no Guiness Book of Records. Neste caso, o alvinegro de Natal divide a primazia com o América mineiro, que também venceu dez vezes seguidas o campeonato do seu estado entre 1916 e 1925.

No decampeonato do Alvinegro há detalhes que seriam praticamente impossíveis hoje, salvo um ou outro caso de excepcionalidade. Nos 10 anos do ABC os maiores exemplos de amor ao clube foram dados pelo goleador Xixico e o volante Simão (únicos realmente decacampeões, de 32 a 41), Nezinho e Dorcelino, com nove anos dos 10 campeonatos, Hermes (de 35 a 1940), Mário Crise (de 32 a 39), e ainda outros campeões que variaram suas participações com menos tempo de clube. São os casos de Mário Mota (38 a 41), Adalberto (32 a 36), o goleiro Edgar em temporadas alternadas de 35, 36, 40 e 41, provavelmente por estar fora de Natal. Como curiosidade registrar que nos 10 títulos consecutivos o ABC contou com seis goleiros entre reservas e titulares, revezando-se nas 10 temporadas.

Conheça todos que ganharam o deca

Os 50 decampeões pelo ABC FC, de 1932 a 41 são estes: goleiros, Tarzã, Diógenes, Edgar, Nené, Daniel, Nunes e Jônatas, e demais posições os titulares e suplentes Bicudo, Zé Maria, Pedrinho, Albano, Mário Mota, Pageú, Vilarim, Nezinho 1o., Nezinho 2o. , Netinho, Cesário, Neguinho, Nenéo, Gageiro, Joãozinho, Zé Lins, Tico, Saravotti, Enéas, Barbalho, Paulino, Elias, Xixico, Dorcelino, Adalberto, Pereirão, Augusto Lourival, Mário Crise, Soldado, Romano, Arlindo, Zeca, Hermes, Acácio, Valter, Teixeira, Osvaldo, Edvard, Nepó e Novinho. Técnico, Vicente Farache nos 10 títulos.

A maior excursão da história

O ABC se destacou como o clube Brasileiro com maior tempo de permanência fora do País (mais de 100 dias), jogando em gramados da Ásia, África e Europa.

Ser decacampeão não é o único motivo de orgulho dos ABCdistas na vasta e gloriosa história do time. Em 1973, a equipe bateu outro recorde, até hoje inigualável e digno de presença no Guinnes Book. Durante 108 dias, o time excursionou pela Europa, Ásia e África, se transformando no clube de futebol a permanecer maior tempo fora do Brasil, um feito que entrou para história do esporte nacional. A delegação alvinegra deixou Natal em 17 de agosto e retornou no dia 6 de dezembro do mesmo ano (112 dias com viagens aéreas e terrestres).

O motivo da viagem não foi dos mais nobres – a equipe havia sido suspensa por dois anos, pela então CBD (Confederação Brasileira de Desporto) hoje CBF, por ter utilizado dois jogadores irregulares – Rildo e Marcílio – em um jogo contra o Botafogo-RJ, pelo Brasileiro de 1972. Os resultados obtidos durante a excursão, no entanto, se tornaram um orgulho para os torcedores, dirigentes e jogadores do “Mais Querido”. Em 24 partidas contra times e seleções dos três continentes, o Alvinegro conseguiu sete vitórias, 12 empates e apenas cinco derrotas. Foram 30 gols a favor e 21 contra.

Após um início irregular, o time engrenou e conseguiu ficar invicto nos 14 últimos jogos da série. Seleções como a da Romênia, Somália, Etiópia e Líbano sofreram nos pés de craques como Sabará, Maranhão, Alberi, Danilo Menezes e Jorge Demolidor. A maior goleada da excursão foi sobre a seleção Etíope de Novos, pelo placar de 6 a 2.

Da viagem participaram os goleiros Veludo, Erivan, Floriano e os jogadores Sabará, Edson, Telino, Walter Cardoso, Anchieta, Wagner, Soares, Baltazar, Valdecy Santana, Maranhão, Libânio, Alberi, Morais, Danilo Menezes e Jorge Demolidor, este tornando o artilheiro, balançando as redes adversárias 10 vezes.

A jornada marcou o grande momento da internacionalização do ABC Futebol Clube, assim como do reconhecimento da qualidade da equipe, então coroada com o tetra-campeonato estadual (1970, 1971, 1972 e 1973).

A delegação era chefiada por Jácio Fiúza e formada ainda pelo técnico Danilo Alvim, o supervisor José Prudêncio Sobrinho, o médico Sérgio Lamartine, o fisicultor Sebastião Cunha, o massagista Zózimo Nascimento e o jornalista Celso Martinelli, da Rádio Cabugi, que gravava os jogos, reproduzidos depois em Natal para os torcedores saudosos da equipe no outro lado do Atlântico.

A excursão foi promovida graças à amizade do então presidente da Federação Norte-riograndense de Futebol, João Machado, como o todo poderoso da CBD na época, João Havelange.

Fonte da Imagem: ABCFC

Fonte: ABCFC



 

 

Leovegildo do Flamengo

Autor: Adriano Fernandes - 29/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Leovegildo Lins da Gama Junior

Leovegildo Lins da Gama Junior, mais conhecido como Junior, foi um dos melhores jogadores futebol de todos os tempos, entre os três maiores laterais-esquerdos, e um dos grandes ídolos da história do Flamengo.

Fez parte do elenco mais vitorioso da história do Flamengo e é o recordista de partidas oficiais pelo clube, com 857 jogos.

Fez também parte de grandes elencos da Seleção Brasileira, participou das Olimpíadas de Montreal em 1976 e das Copas do Mundo de 1982 e 1986.

Biografia

Junior nasceu em João Pessoa no dia 29 de junho de 1954, mas veio cedo para o Rio de Janeiro.

Chegando à Cidade Maravilhosa o garoto chamou a atenção do treinador do Flamengo, Modesto Bria, quando disputava peladas na Praia de Copabacana. Levado para a Gávea estreiou como profissional em 1974. No início era lateral direito mas atuava também no meio-de-campo.

Logo um mês após sua estréia no time de cima, o jovem Junior demonstrou todo o seu talento e sua estrela. Marcou dois gols em uma partida decisiva contra o América, que foi fundamental para a conquista do Campeonato Estadual daquele ano.

Anos depois, sob o comando de Cláudio Coutinho, Junior passou a jogar improvisado como lateral-esquerdo. E a estrela dele brilhou mais uma vez e foi assim por muito tempo. Nascia um dos maiores jogadores na posição na história do futebol brasileiro.

Conhecido como "Capacete", devido ao seu cabelo black power, o jogador fez parte da Era de Ouro do Flamengo. Com muita competência, bons passes e muita habilidade, Junior foi decisivo nas maiores conquistas dos 112 anos de glórias do Flamengo. Ganhou seis Taças Guanabara, uma Taça Rio, seis Campeonatos Cariocas, uma Copa do Brasil, quatro Campeonatos Brasileiros, a Taça Libertadores da América e o Mundial Interclubes.

Junior ficou dez anos seguidos no Flamengo, de 74 a 84, quando deixou o clube para conseguir sua independência financeira, ao ir atuar no Torino e no Pescara, da Itália. Mas como diz o ditado: "o bom filho à casa torna". Mais experiente o "Capacete" virou "Vovô Garoto", pela velocidade e pelo ritmo que imprimia apesar da idade. Ajudou o Flamengo a conquistar a Copa do Brasil, em 1990, e o Penta Campeonato Brasileiro, em 1992, cujo um dos grandes nomes era ele. Na Seleção Junior participou da equipe que disputou a Copa de 1982, considerada por muitos a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos, e atuou também em 1986.

Se despediu dos campos em 93 e depois ainda treinou o Rubro-Negro em duas oportunidades: de 1993 a 1994 e em 1997. Foi vice-campeão carioca em 94, e totalizou 35 vitórias, 21 empates e 20 derrotas em 76 partidas. Pouquíssimo tempo perto dos treze anos em que vestiu o Manto Sagrado como jogador, sendo o recordista em número de jogos com a camisa rubro-negra: 874.

Fonte da Imagem: CR Flamengo

Fonte: CR Flamengo



 

 

Brasil Campeão do Mundo: no pé, no peito e na raça

Autor: Adriano Fernandes - 29/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Brasil - Copa do Mundo de 1958 (Fonte: Veja.com)

Foram 2.905 dias de cabeça baixa, ombros curvados e rabo entre as pernas. Durante 415 semanas, o jogador de futebol do Brasil zanzou pelos gramados estrangeiros sem saber ao certo do que era capaz. Temia descobrir sua própria identidade, pois acreditava que o drama de 1950 revelara sua fraqueza, sua covardia, sua inferioridade – o chamado "complexo de vira-latas", conforme a célebre definição do cronista Nelson Rodrigues na revista Manchete Esportiva. Na tarde do último dia 29, contudo, o escrete brasileiro mostrou pertencer à mais nobre das linhagens: a dos campeões do mundo. Noventa e cinco meses depois da mais doída tragédia da história esportiva do país, a seleção nacional enfim exorcizou os fantasmas que tiravam o sono de seus craques e assombravam seus sofridos torcedores desde a tragédia do Maracanã. Ainda não somos os maiorais da bola, é fato – os gigantes Uruguai e Itália, por exemplo, já conquistaram duas Copas cada um. Neste alegre junho de 1958, porém, ninguém mais duvida: o brasileiro é o melhor jogador de futebol do planeta.

A sensacional vitória na finalíssima contra a Suécia, no domingo – 5 a 2, placar jamais antes visto numa decisão de Copa do Mundo – lavou a alma dos brasileiros e tirou um monstruoso peso das costas dos ídolos da seleção. Afinal, todos ainda carregavam as duras lembranças da inacreditável derrota para os uruguaios, oito anos antes, no Mundial realizado no Brasil. Os jogadores, cada um a seu modo, estavam marcados pelo desastre. O lateral Nilton Santos, único remanescente do time de 1950, viu tudo de perto, do banco de reservas do Maracanã. O atleta mais velho da equipe (33 anos) chegou à Suécia sabendo que era sua última chance de superar o trauma. Se voltasse derrotado, possivelmente não retornaria à seleção. O ponta Zagalo também presenciara o Maracanazo no estádio – naquele tempo, era o praça Mário Jorge, de 18 anos, escalado pela Polícia do Exército para tomar conta da euforia dos 200.000 torcedores espremidos nas arquibancadas quando o Brasil ganhasse a taça. Zagalo não teve trabalho algum. A multidão esvaziou o gigante de concreto em meio a um silêncio sepulcral.

Longe dali, em Minas Gerais, o fatídico 16 de julho de 1950 também foi de tristeza para o menino Edson, então com 9 anos de idade. O guri mal sabia o que era Copa do Mundo, já que no torneio anterior, em 1938, nem era nascido. Mas ficou amargurado ao ver o pai, seu Dondinho, empapado de lágrimas depois do triunfo uruguaio. Edson, que naquele tempo era chamado de Dico, foi consolar Dondinho com a promessa de que um dia ganharia uma Copa do Mundo para alegrar o pai. Na final contra a Suécia, Dico, agora Pelé, fechou o marcador no último lance do jogo, fazendo seu sexto gol no Mundial. Entre todos os novos campeões, apenas um parecia imune ao trauma de 50. O ponteiro-direito Mané Garrincha, um rapagote de 16 anos no Mundial do Brasil, nem sequer ouviu a transmissão radiofônica da final contra o Uruguai. Preferiu uma pescaria em sua cidade, a minúscula Pau Grande, no interior do Rio de Janeiro. Só quando voltou do riacho é que soube da derrota. A vizinhança toda chorava, mas Mané deu de ombros – para ele, o luto pela perda da Copa era uma grande besteira.

No embarque para a Suécia, contudo, até mesmo o desligado e zombeteiro Garrincha notou que as memórias de 1950 (somadas à decepção do Mundial de 1954, na Suíça) seriam um obstáculo a mais no caminho do escrete. A equipe comandada pelo técnico Vicente Feola ainda não arrancava suspiros da torcida: passou apertado pelas Eliminatórias (contra o Peru, empate de 1 a 1 em Lima e vitória magra de 1 a 0 no Rio de Janeiro) e decepcionou no Sul-Americano de 1957 (levou duas sapatadas, de uruguaios e argentinos). Ainda assim, havia fartura de talento no elenco brasileiro, que reunia a categoria de um Didi, a experiência de um Nilton Santos, a segurança de um Bellini – além, é claro, do toque mágico dos novatos Garrincha e Pelé. Não adiantava: para cronistas e torcedores, a seleção embarcaria (em 25 de maio, num DC-7 da Panair), só para fazer turismo na Escandinávia. A crítica mais comum era de que o jogador brasileiro tinha espírito perdedor – não tinha fibra, era exageradamente humilde, se intimidava de forma vexaminosa diante de rivais estrangeiros. E quando tentava exibir alguma coragem, perdia a cabeça, se esquecia da bola e saía distribuindo caneladas e pontapés nos adversários (como na eliminação contra a Hungria de Puskas, na última Copa).

Garrincha contra a KGB - A seleção que pousará em solo brasileiro na próxima quarta-feira, 2 de julho (chegada prevista para Recife, depois de escalas e homenagens em Londres, Paris e Lisboa) não podia ser mais diferente das equipes que fracassaram no passado. Em 21 dias de participação na Copa (leia mais sobre a campanha nesta edição), o escrete não só venceu e convenceu como também encantou e fascinou os mais temíveis inimigos. Ingleses, russos e franceses ficaram pelo caminho – e aplaudiram a coroação dos novos reis da bola. O Brasil amargava a reputação de tremer frente à simples visão dos selecionados da Inglaterra ou da União Soviética, com seus esquadrões de atletas fortes, altos, loiros e destemidos. Temiam especialmente o pega com os soviéticos, logo na primeira fase. Antes da Copa, os camaradas vermelhos ganharam a fama de bichos-papões. Levaram o ouro na Olimpíada de Melbourne, em 1956, e foram à Suécia cobertos de lendas – treinavam quatro horas nas manhãs antes de cada partida; eram capazes de correr 180 minutos sem parar; tinham espiões da KGB de olho nos rivais e táticas científicas capazes de assegurar o triunfo contra qualquer oponente. Os brasileiros acreditavam que encontrariam super-homens no gramado – afinal, os russos já tinham até mandado um satélite artificial ao espaço, o Sputnik, em outubro do ano passado. Para um povo assim, derrotar onze brasileiros mirrados seria mais fácil que subir no bonde.

Pois foi justamente na partida contra a URSS, a terceira da seleção no Mundial, que o Brasil apresentou seu novo futebol ao planeta. Depois de uma vitória suada contra a competente seleção austríaca e de um empate sem gols contra os fortíssimos ingleses, o escrete nacional foi a campo com uma formação diferente: Zito, Pelé e Garrincha entraram nos lugares de Dino, Mazzola e Joel. O técnico Feola encontrara uma fórmula miraculosa. Junto do cerebral Didi, do astuto Zagalo e do vigoroso Vavá, os infernais Pelé e Garrincha formavam um ataque irresistível. E os soviéticos foram as primeiras vítimas. Os três minutos iniciais de jogo já entraram para a história do futebol. Com os russos pegos de calças curtas, o Brasil lançou um bombardeio sem precedentes contra a meta defendida pelo arqueiro Lev Yashin, o "aranha-negra". Aos 40 segundos, Garrincha já acertava a trave, depois de entortar três defensores soviéticos. Antes do primeiro minuto, Pelé já fuzilava o poste outra vez. Os suecos davam gargalhadas com os dribles dos brasileiros. O primeiro gol, de Vavá, aos 3 minutos, foi uma espécie de golpe de misericórdia – sufocados pela avalanche ofensiva dos rivais, os soviéticos pediam água. O Brasil marcaria só mais um gol, novamente com Vavá, aos 31 minutos da segunda etapa. Mas o placar não contava a história toda: os russos saíram de campo desorientados. Garrincha driblou os defensores de todas as maneiras imagináveis. O menino Pelé fez gato e sapato dos enviados do Kremlin. Só o acrobático Yashin evitou uma goleada antológica.

Fontaine e o "já ganhou' - O baile contra os russos foi o que faltava para despertar a esperança da torcida brasileira. Milhares de pessoas saíram às ruas para festejar, do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, à orla do Rio de Janeiro, tomada pelas escolas de samba em pleno mês de junho. Era a primeira vez desde 1950 que o brasileiro voltava a acreditar que a taça Jules Rimet poderia ser nossa. Nos três jogos que faltavam, porém, os craques brasileiros ainda teriam de enfrentar novamente seus velhos demônios. Apesar da vitória incontestável do talento do escrete contra os gelados soviéticos, ainda havia desconfianças a respeito do comportamento dos atletas diante das situações adversas. Na partida de quartas-de-final, o time teve paciência diante da retranca ferrenha do País de Gales. Manteve a calma, insistiu até o fim e arrancou um gol aos 28 minutos do segundo tempo, em jogada extraordinária de Pelé. Estávamos nas semifinais, entre as quatro maiores equipes do mundo. Mas a própria comissão técnica guardava uma preocupação: e quando o goleiro Gilmar, intacto durante a competição inteira, levasse seu primeiro tento? O time sucumbiria ao nervosismo ou seria capaz de absorver o golpe do primeiro gol no Mundial?

A resposta seria conhecida no duelo contra a França, dona de um arsenal poderosíssimo – era o melhor ataque do torneio (fantásticos quinze gols em quatro jogos) e tinha seu maior artilheiro, Just Fontaine (oito tentos, dois a mais que toda a seleção do Brasil). Feola e sua comissão também estavam de olho em outro adversário, que batia à porta da concentração depois de um sumiço de oito anos: o indesejável clima de já ganhou, que ameaçava roubar a atenção dos craques e sabotar as chances brasileiras justamente na fase mais aguda da Copa. Mas o escrete não vacilou: repetiu o início arrasador das partidas anteriores e marcou seu primeiro gol no segundo minuto de jogo. Aos oito, o implacável Fontaine igualou o placar. A seleção balançou, é verdade - passou os quinze minutos seguintes perdida no gramado, com a França apertando o nó. Empurrada ao ataque por Garrincha, a equipe logo acalmou os nervos, reencontrou seu jogo e saltou à frente, aos 39 minutos, numa "folha-seca" de Didi. No segundo tempo, Pelé desequilibrou a parada e anotou três tentos. Os suecos aplaudiam e riam. Para os anfitriões e para o resto do mundo, o Brasil já era o melhor da Copa. Faltava a final, justamente contra os suecos.

Sob o manto da padroeira - Como não podia deixar de ser, o último capítulo da epopéia brasileira rumo ao seu primeiro título também evocou as memórias de 1950. Primeiro foi na escolha do uniforme. Como os suecos também jogam de camisa amarela, um sorteio definiu quem disputaria a finalíssima com seu fardamento principal. Os donos da casa venceram. O Brasil teria de escolher entre o branco, o verde e o azul. O branco foi descartado logo de cara - era a camisa número um do Brasil até o drama do Maracanã. O chefe da delegação, doutor Paulo Machado de Carvalho, deixou de lado o verde da esperança e escolheu o azul, cor do manto de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira da seleção. Na véspera do jogo, a comissão técnica adquiriu o novo fardamento no comércio de Estocolmo e costurou os números e os escudos da CBD, arrancados das malhas amarelas. Tudo pronto para a consagração. Ninguém pensava na repetição de 1950. Não até os quatro minutos de jogo, quando Liedholm marcou Suécia 1 a 0.

Esse Brasil, entretanto, era outro. As feridas do passado estavam cicatrizadas, e nenhuma assombração perturbaria a festa. Didi apanhou a bola, ergueu a cabeça e carregou o esférico com serenidade de monge até o círculo central. Quatro minutos depois, o Brasil empatava, com Vavá. A virada veio aos 32, com outro tento do inspirado avante. A torcida local trocou de lado: sabia que a derrota era inevitável e que estavam diante dos melhores. O restante do embate foi um espetáculo brasileiro, com gols de Pelé, Zagallo e outro de Pelé, no último lance da partida. Depois de marcar de cabeça, o menino caiu desmaiado e o árbitro Maurice Guigue apitou o final de jogo. Quando recobrou os sentidos, Pelé era campeão do mundo, assim como seus 63 milhões de compatriotas. O país explodiu em lágrimas – desta vez, de alegria. Enquanto centenas de milhares de pessoas saíam às ruas num carnaval improvisado, o rei da Suécia, Gustavo VI, entregava a taça Jules Rimet a Bellini, na tribuna de honra do estádio Rasunda. O capitão segurou o troféu de ouro com as duas mãos e o ergueu acima da cabeça, em direção ao céu.

Fonte da Imagem: Veja.com

Fonte: Veja.com



 

 

Glória em Vermelho e Branco

Autor: Adriano Fernandes - 28/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Villa Nova Atlético Clube

Fundado em 28 de junho de 1908 por trabalhadores da Saint John Del Rey Mining Company Limited, o Villa Nova Atlético Clube é o segundo clube mais antigo de Minas Gerais em atividade, sendo superado apenas pelo Atlético que nasceu em 25 de março de 1908. Uma diferença de apenas três meses, portanto, separa o Leão do Bonfim do mais antigo.

Nos primórdios da sua história, o município de Nova Lima chamava-se Villa Nova de Lima e os fundadores resolveram homenagear o antigo topônimo e mantiveram, inclusive, a grafia de Villa com dois "l". Logo no início da sua bela trajetória, o Villa Nova consolidou-se como um dos mais tradicionais e aguerridos times de Minas Gerais e os títulos não demoraram a ser conquistados.

Na década de 1930, época que marcou o fim do amadorismo e o início do profissionalismo, o Leão do Bonfim começou a rugir alto e em 1932 a equipe ganhou o Campeonato Mineiro promovido pela Associação Mineira de Esportes Geraes (AMEG) e fez o artilheiro do certame, Canhoto, com 12 gols. Havia uma cisão no futebol mineiro e dois torneios foram organizados por duas entidades distintas, sendo que a Liga Mineira de Desportos Terrestres (LMDT) também promoveu uma disputa. Em 1933, aconteceu a unificação do futebol em Minas e, sob o manto do profissionalismo, o Villa Nova (foto) arrancou para a conquista do seu tricampeonato.

Supercampeão em 1951

Os títulos de 1933/34/35 se inscreveram como um marco histórico, pois foi o primeiro tricampeonato da era profissional conquistado por um time mineiro. O Villa Nova voltaria a ser campeão em 1951 (foto), numa célebre Final disputada contra o Atlético em três emocionantes jogos. Os dois primeiros terminaram empatados e no terceiro o Villa venceu por 1 x 0, no Estádio Independência, gol marcado por Vaduca, tornando-se Supercampeão Mineiro. Além de ser o quinto Campeonato Mineiro do time, a conquista de 1951, cuja partida final aconteceu em janeiro de 1952, impediu que o Atlético se sagrasse tricampeão mineiro, sequência que o alvinegro perseguia desde a sua fundação.

A conquista do Brasil

Depois de muitas decisões no âmbito de Minas Gerais, além dos títulos de 1932, 33, 34, 35 e 51, o Villa Nova foi vice-campeão mineiro em 1937, 45, 46, 47, 53 e 97, o time partiu para conquistas regionais e nacionais. Em 1968, o Leão foi campeão da Zona Centro do Torneio Centro-Sul promovido pela Confederação Brasileira de futebol, CBD. Em 1974, sagrou-se campeão da Copa Centro, torneio da Federação Mineira de Futebol.

Mas, a maior proeza do Villa Nova foi ter sido o primeiro campeão do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão em 1971, competição que equivale hoje à  Série B. Note-se que o futebol mineiro venceu as duas primeiras edições do Campeonato Brasileiro com o Villa Nova levando a Primeira Divisão (Série B) e o Atlético ficando com a Divisão Extra (Série A).

O Leão do Bonfim enfrentou na Final o Remo de Belém do Pará. Perdeu a primeira partida na capital do Pará e venceu os dois jogos (3 x 0 e 2 x 1) realizados no Estádio Independência, em Belo Horizonte, já que o Estádio Castor Cifuentes não havia sido reformado e não foi liberado pela antiga CBD para a realização de jogos da competição. O detalhe curioso é que na última partida os dois gols do Villa foram marcados pelo lateral esquerdo Mário Lourenço em cobranças de pênaltis. Em outras etapas do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, o Villa Nova eliminou equipes tradicionais do futebol brasileiro como a Ponte Preta, por exemplo. Anos depois da conquista do Campeonato Brasileiro, o Leão acrescentou duas estrelas sobre o distintivo para simbolizar os seus feitos. As estrelas, uma verde e outra amarela, têm as cores da bandeira do Brasil e simbolizam o Campeonato Brasileiro e o tricampeonato mineiro nos anos 1930, respectivamente.

Novas conquistas em Minas Gerais

Em 1976 e 1987, o Villa Nova conquistou o Torneio Incentivo, promovido pela Federação Mineira de Futebol, FMF. Em 1977, numa decisão memorável contra o América, o Leão do Bonfim ganhou a Taça Minas Gerais jogando no Mineirão e vencendo por 1x0, com o gol marcado por Jurandi, na prorrogação. Em 2006, voltou a repetir a façanha e ganhou a Taça Minas Gerais novamente, vencendo o Uberaba por 3x1 na decisão em Nova Lima (foto).

O Villa Nova voltou a brilhar na década de 1990 e sagrou-se Tetracampeão Mineiro do Interior em 1996, 1997, 1998 e 1999. Antes, havia conquistado o Campeonato Mineiro do Módulo II em 1995 (foto). No jogo derradeiro desse certame, o Villa Nova goleou o Araxá em Nova Lima por 4 x 0, partida que marcou a despedida do zagueiro Luizinho dos gramados. Ele foi o autor do quarto gol do Villa nessa partida, cobrando penalidade máxima. Em 1997 e 1998, o Villa foi bicampeão mineiro de juniores.

Depois de eliminar o Atlético nas Quartas-de-Final e o Social de Cel. Fabriciano nas Semifinais, o Villa Nova decidiu o Campeonato Mineiro de 1997 contra o Cruzeiro. Venceu em Nova Lima por 2x1 e perdeu no Mineirão por 1x0, tornando-se Vice-Campeão. Nesse jogo, o Mineirão registrou o maior público da sua história: 135 mil espectadores foram ver o Leão do Bonfim brilhar e resgatar sua tradição e glória gestadas em 28 de junho de 1908.

Fonte de texto e Imagem: Villa Nova Atlético Clube



 

 

Roberto Belangero, o Professor

Autor: Adriano Fernandes - 28/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Roberto

Roberto Belangero, chamado de "professor" pelos torcedores e companheiros de time, era a alma do meio de campo do Corinthians campeão do IV centenário.

Vindo dos aspirantes do Corinthians, Roberto Belangero se firmou entre os titulares do Corinthians em 1949.

Centro-Médio (volante) que tratava bola como poucos era a categoria no meio de campo do Corinthians. Sempre jogando com a camisa 6, formou ao lado de Goiano e Idário o meio de campo legendário que ganhou o paulista de 1954, o do IV centenário.

Jogador elegante, de cabeça erguida e incapaz de dar chutões, Roberto Belangero era o articulador principal de todas as jogadas de ataque do Corinthians.

Mesmo sendo extremamente técnico e tratando a bola como poucos, Roberto Belangero incorporou - acatando os gritos das arquibancadas - o estilo corinthiano de jogar, sempre com muita raça, vontade e determinação e com isso fez seu futebol chegar quase a perfeição e entrando de vez na lista dos maiores ídolos da torcida do Corinthians.

Foi titular da seleção nas eliminatórias de 1957 e só não foi à copa do mundo de 1958 devido a uma contusão que insistia em persegui-lo.

Nílton Santos (A Enciclopédia do Futebol) disse certa vez que Roberto Belangero “foi um dos jogadores que eu vi bater mais bonito na bola”. Fato que todos que o viram em campo concordam.

Após sua passagem pelo Corinthians foi encerrar a carreira no Newell's Old Boys (Arg), regressando ao Corinthians para ser técnico em 1964.

Fonte da Imagem: SCCP

Fonte: Site Meu Timão



 

 

Para Djalma Santos, a seleção de 54 tinha atletas, mas não dirigentes

Autor: Adriano Fernandes - 27/06/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 1 comentários

A Batalha de Berna

O Brasil jogou apenas três vezes na Copa de 1954, e duas entraram para a história pelo que aconteceu depois dos jogos. Depois de enfrentar a Iugoslávia, os brasileiros choraram a eliminação - mas estavam classificados. E a partida contra os húngaros terminou em uma pancadaria que ficou conhecida como a "Batalha de Berna". Para o lateral-direito Djalma Santos, que disputaria ainda os torneios de 1958, 1962 e 1966, o que aconteceu foi simples: faltou comando extra-campo.

A Copa de 1954 foi curta para o Brasil, durou apenas três jogos. Por que isso aconteceu?

Sim, por causa dos maus dirigentes. Na véspera do jogo contra a Hungria, o jantar terminou às 19h e ficamos ouvindo os dirigentes falarem até as 23h. Eles fizeram do Puskas um monstro, um deles. E ele nem jogou aquela partida! Ficaram falando que nós tínhamos que honrar a nossa bandeira, que isso, que aquilo... Teve jogador que nem dormiu depois de tudo que eles falaram.

Naquela época não tinha aquecimento dentro do próprio campo antes dos jogos. Antes de entrar em campo contra a gente, os húngaros foram bater bola de manhã em um campinho ao lado do estádio. Já os brasileiros não: nós voltamos a ouvir aquela mesmo conversa, que o Puskas era isso, que o time deles era aquilo. O resultado veio no jogo. Quando teve o pênalti pra gente (o Brasil já perdia por 2 a 0), eu não tinha nada que ter cobrado. O que aconteceu é que ninguém queria bater.

Os digirentes atrapalharam também durante a Copa ou somente antes do jogo contra a Hungria?

O Brasil perdeu para o Brasil mesmo. Logicamente a Hungria tinha uma grande seleção, mas não era para perdemos do jeito que aconteceu. Faltou liderança não dentro de campo, mas fora. Assim como falta hoje. No jogo contra a Iugoslávia (pela primeira fase), nós não sabíamos que o empate classificava tanto nós quanto os iugoslavos. Quando terminou o primeiro tempo, os próprios iugoslavos tentaram nos avisar, mas não entendíamos. Aí o segundo tempo foi aquela correria. O Brandãozinho e o Bauer perderam uns cinco quilos cada um naquela partida. O jogo acabou, nós fomos pro vestiários chorando e só lá soubemos que havíamos passado de fase. Nenhum dos dirigentes avisou antes.

E qual era o maior mérito da equipe?

Nós tínhamos uma equipe muito boa: Nilton Santos, Zito, Didi, Brandãozinho, Bauer... Faltou um comando, como o que nós tivemos em 1958. Os dirigentes foram mais a passeio. Tinha só essa conversa fiada, que não resolvia nada.

Como era o clima entre os jogadores?

Era bom. Mas, depois de tudo o que nós ouvimos, tudo ficou tenso. Os dirigentes foram mais maléficos do que benéficos. O Bauer e o Brandãozinho eram os líderes da equipe, mas eles não tinham forças. O time entrou em campo contra a Hungria já de cabeça baixa.

A Hungria era a grande seleção do momento. Enquanto se preparava para a Copa, venceu a Inglaterra em Wembley por 6 a 3. Nos dois jogos da primeira fase, aplicou duas goleadas históricas: 9 a 0 na Coréia do Sul e 8 a 3 na Alemanha Ocidental. Houve alguma preparação especial para esse jogo, alguma orientação de como frear o ataque húngaro?

Houve uma preleção sim, mas foi sucedida de tanta conversa que não adiantou nada. A cabeça agüenta conversa por 15, 20 minutos. Depois disso o cara esquece. E conversaram com a gente por mais de 40 minutos antes de enfrentarmos os húngaros.

Esse jogo ficou conhecido como a "Batalha de Berna" por causa da briga que aconteceu entre os brasileiros e os húngaros após a partida. Você se lembra disso?

Foi um mal entendido. As entradas pros dois vestiários ficavam uma do lado da outra. Os dois times estavam deixando o campo após o jogo e o Newton Paes, médico do Brasil, pegou uma garrafa de água. Naquele tempo era garrafa de vidro, não de plástico, como as de hoje. Aí ele pegou a garrafa e jogou no Puskas. Só que ele errou e acertou o (zagueiro) Pinheiro. Pegou na testa dele e, quando o Pinheiro se virou para ver quem havia arremessado, alguém gritou: "foi o Puskas!". Aí começou a confusão.

O clima já estava tenso antes de tudo isso?

Sim. Antes disso tudo, o Maurinho (zagueiro) foi dar a mão para um húngaro e tomou uma cusparada. Mas foi uma briguinha sem-vergonha a tal "Batalha de Berna", ninguém se machucou. A única coisa mais séria que aconteceu foi a garrafada mesmo.

A Hungria era mesmo a melhor equipe da Copa, que acabou sendo injustiçada na final?

Tanto eram melhores que eles menosprezaram um pouco a Alemanha. Eles fizeram a festa antes do jogo. A família dos húngaros até foram lá pra Suíça pra ver a final, já que eles tinham vencida por um placar tão elástico na primeira fase. Mas a Alemanha surpreendeu. Tem gente que fala do juiz e até que os alemães jogaram dopados, mas no final nada ficou provado.

Por Pedro Cirne

Fonte de texto e Imagem: UOL Esportes



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