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Blog Memória Futebol


Rei Dada, o Beija Flor com Peito de Aço

Autor: José Renato - 29/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Dario José dos Santos nasceu no bairro de Marechal Hermes, no subúrbio do Rio de Janeiro em 4 de março de 1946. Filho do meio do casal Seo João José e de Dona Metropolitana, ainda aos 5 anos presenciou uma terrível tragédia. Sua mãe, que sofria de alucinações, jogou querosene em seu próprio corpo, ateou fogo e saiu correndo pela rua como se fosse uma tocha humana. Dario correu em sua direção para tentar apagar o fogo, o que poderia ter o levado a morte, quando foi empurrado pela mãe em uma vala a céu aberto. Aquele empurrão salvou sua vida. A visão da morte de sua mãe completamente queimada marcou para sempre a sua vida. Pouco tempo depois, sem condição de mantê-los, o pai acabou por deixar os três filhos no Serviço de Assistência aos Menores. Isolado, Dário passou a viver internado, e pouco pode contar com as visitas de familiares aos finais de semana. O mundo do crime pareceu ser o seu destino, ainda mais pelos inúmeros delitos que começou a cometer. Chegou a tentar o suicídio. Certa vez passando pela rua viu um grupo de meninos jogando bola. Tentou se unir ao grupo, mas depois de pouco tempo, foi impedido. Motivo? Era muito ruim de bola. Ainda assim arrumou uma maneira para poder jogar, roubou uma bola e a levou como sendo o dono dela. Passou a jogar como zagueiro, onde bastaria dar chutões para cima. Tudo estava indo razoavelmente bem até que o time da sua rua passou a enfrentar outro formado pelos irmãos Antunes. Dentre eles o próprio Antunes, Edu e Zico, que posteriormente se transformaria em um dos maiores nomes do futebol mundial. Acabou sendo deslocado ao ataque para fugir das “humilhações” que sofria, sobretudo dos dribles de Antunes. Aos dezoito anos foi para o exército onde passou a atuar na equipe de seu regimento. Não sabia dominar uma bola, mas marcava muitos gols. Animado com uma eventual oportunidade no futebol, passou a tentar uma vaga nas equipes cariocas, quase todas da capital fluminense, e foi recusado em todas elas. Passou a trabalhar na Light, empresa de energia elétrica, cavando buraco para colocar postes de luz. Vida muito dura. Resolveu tentar a sorte na equipe do Campo Grande, onde fez um acordo inusitado. Jogaria em troca de um prato de comida. Seus gols mataram sua fome e logo o fizeram titular da equipe. Em 1967, na sua primeira partida no Maracanã, ganhou as manchetes dos jornais cariocas ao marcar os dois gols da vitória de virada frente o Vasco da Gama. Aquele resultado acabou por causar a queda do técnico cruzmaltino, Gentil Cardoso, o mesmo que anos antes houvera dispensado Dario e sugerido que fosse arrumar algum trabalho braçal. Foi em 1968, no entanto, que surgiu sua primeira chance em uma grande equipe brasileira, o Atlético Mineiro, por conta da vinda de um diretor da equipe mineira, Jorge Ferreira, ao Rio de Janeiro para contratar um jogador do São Cristovão. Acabou levando Dario. Sua chegada ao Atlético, no entanto, sequer foi considerada como reforço a equipe e ficou por quase 2 anos no banco de reservas. Quando entrava em campo, normalmente era vaiado pela torcida e depois de um tempo sequer passou a ser relacionado entre os reservas. Tudo isto mudou em 1969, com a chegada do técnico Yustrich, que resolveu acreditar naquele atacante alto, sem qualquer técnica, mas que corria muito e cabeceava como poucos. Logo virou titular e artilheiro do campeonato estadual daquele ano. Em 3 de setembro de 1969, aconteceria o fato que marcaria de vez sua carreira como jogador de futebol. Naquele dia a seleção mineira, representada inteiramente por jogadores do Atlético venceu por 2 a 1 a seleção brasileira que houvera acabado de conseguir classificação para a Copa do Mundo de 1970. O gol da vitória foi marcado, justamente, por Dario e acabou por causar certa comoção em torno de uma eventual convocação sua para a seleção brasileira. Enquanto o técnico da seleção, João Saldanha, sequer considerava pensar nesta possibilidade, coube ao presidente da república, Emílio Garrastazu Médici, revelar para a imprensa que era fã do atacante do Galo e que não entendia porque ele não era convocado. Daí surgiu a histórica resposta de Saldanha ao presidente: “Ele escala o ministério, que eu escalo a seleção.” Pouco tempo depois, Saldanha deixou a seleção. Em 12 de abril de 1970, no Maracanã, Dario estreava na seleção, já comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo, ao lado de Pelé, em partida amistosa frente a seleção paraguaia. O episódio com Médici acabou provocando certa dificuldade no relacionamento de Dario com os demais atletas selecionados, ainda assim o fato é que ninguém marcava mais gols que ele naquela época. Campeão mundial em 1970 no México, como reserva, voltou ao Galo para ser campeão mineiro e artilheiro do campeonato estadual em 1970, campeão brasileiro e artilheiro da competição em 1971, com direito a fazer o gol do título na final. Novamente artilheiro do estadual e do brasileiro em 1972, ficou em Minas Gerais até 1973, quando foi contratado pelo Flamengo. Foi lá que ganhou o apelido, Dadá Maravilha, alusão a cidade Maravilhosa e a outro jogador folclórico que atuara na equipe rubro negra, Fio Maravilha. Após breve retorno ao Atlético, em 1975 já estava no Sport Recife, que formara um verdadeiro esquadrão para quebrar o jejum de 13 anos sem títulos. Foi campeão estadual e artilheiro da competição. Em 7 de abril de 1976, mais um grande feito, desta vez mundial, na goleada de 14 a 0 frente ao Santo Amaro, Dario marcou 10 gols. Ainda naquele ano, seus gols acabaram por levá-lo a atuar na maior equipe brasileira da década de 1970, o Internacional, onde foi campeão estadual, campeão brasileiro e artilheiro da competição, com direito, novamente, a gol na final. Ficou no Colorado até 1977, de onde saiu para atuar na Ponte Preta. Logo depois estava de volta ao Galo, para ser campeão mineiro de 1978. A partir daí passou a percorrer o país, sempre marcando gols e firmando sua fama de artilheiro e campeão por onde passou. Em 1979 vestiu a camisa do Paysandu, no ano seguinte, a do Náutico, em 1981, passou pelo Santa Cruz e Bahia, onde foi bicampeão estadual 81/82 e condecorado Rei Dadá. Em 1983, esteve no Goiás, já em 1984 no Coritiba e em 1985 no América Mineiro e Nacional de Manaus, onde novamente foi campeão estadual. Em 1986, no seu ultimo ano como profissional, defendeu as cores do XV de Piracicaba e Douradense de Mato Grosso do Sul. O homem das frases feitas, um exemplo de ser humano que enganou o destino que tinha pela frente, para se tornar um dos maiores nomes do futebol brasileiro. Dario sempre foi e será a alegria da bola, um orgulho para o futebol arte, muito embora sequer dominar uma bola soubesse, cá entre nós, azar dela.

 

 

Marciano, o artilheiro interplanetário

Autor: José Renato - 22/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Em 3 de janeiro de 1950, nasceu na cidade catarinense de Lauro Muller, Marciano José Silveira Filho. Verdade, Marciano era o nome oficial de Marciano, jogador que marcou época no futebol brasileiro durante as décadas de 1970 e 1980. Começou no futebol no Henrique Lage, equipe amadora de sua cidade. De lá saiu contratado pelo Metropol, onde após apenas 4 partidas, acabou sendo levado para o Figueirense, onde ficou por somente 5 meses, até um amistoso frente ao Internacional, quando chamou a atenção do técnico colorado. Com 19 anos seu caminho foi Porto Alegre. Lá chegando enfrentou a concorrência de dois ídolos da torcida colorada, os atacantes Bráulio e Valdomiro. Acabou sendo emprestado ao América Carioca. De volta ao Internacional fez parte do plantel que conquistou os títulos gaúchos de 1970 e 1971. Com poucas chances na equipe titular, comprou seu passe junto a equipe gaúcha. Em 1973 foi contratado pelo Fortaleza, onde viveu seu primeiro grande momento como titular da equipe que foi campeã cearense daquele ano, sendo inclusive o artilheiro do campeonato com 17 gols marcados. No ano seguinte, chegou a participar da campanha do bicampeonato cearense, quando aceitou o desafio de jogar no futebol paulista, no Guarani de Campinas. Ao se contundir, rescindiu o contrato e voltou para se recuperar na cidade de Porto Alegre, onde fixara residência. Em 1975, já recuperado, foi contratado pelo Paysandu de Belém do Pará. Fez sucesso na equipe alviceleste, sendo vice-campeão estadual e vice-artilheiro do campeonato paraense. Em 1976, voltou ao futebol cearense, desta vez para vestir a camisa do Ceará, onde foi campeão estadual de 1976 e artilheiro da competição com uma incrível marca de 34 gols. Sua fama de goleador voltou a correr o Brasil e atraiu o interesse do Flamengo que não acreditava ser Luisinho, futuramente Luisinho das Arábias, o centroavante ideal para a equipe. Entre 1976 e 1977, Marciano jogou 25 partidas com a camisa rubro negra e marcou 12 gols. Nunca se firmou como titular e após o surgimento de Claudio Adão, acabou sendo negociado com o Botafogo de Ribeirão Preto. Após uma tímida passagem no tricolor, continuou sua peregrinação no mundo do futebol, agora pelo estado do Paraná, onde atuou no extinto Colorado, em 1978, e posteriormente no Coritiba, em 1979. Logo estaria de volta ao futebol nordestino defendendo as cores do Bahia, novamente as do Fortaleza, onde foi vice-campeão estadual em 1980, e em seguida as do Ceará, onde voltou a ser campeão estadual em 1981. Segundo alguns historiadores, é o maior artilheiro da história do campeonato cearense, com 98 gols marcados, vestindo as camisas das duas maiores equipes do estado. Em 1982, passou pelo CSA, sendo o artilheiro da equipe que conquistou o vice-campeonato brasileiro da segunda divisão. A seguir foi contratado pelo Náutico. Em 1983 voltaria a vestir as camisas do CSA e do Ceará. Não parou por ali e continuou sua vida peregrina, sempre marcada por muitos gols. Marciano foi daqueles jogadores considerados ciganos do futebol brasileiro, por conta do grande número de camisas que defendeu, mais de 18, ao longo de toda a sua carreira, em vários estados e em todas as regiões do país, feito raríssimo.



 

 

Bezerra e o cabeceio fatal

Autor: José Renato - 15/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Juvenal de Souza nasceu na cidade paulista de Altair em 5 de setembro de 1949. Começou no futebol na equipe homônima de sua cidade natal, de onde saiu para jogar nas pequenas equipes do Guaraçaí e Barretos. Seu futuro se restringiria a equipes de pequeno porte, quando chamou a atenção do Guarani de Campinas em 1971, onde passou a ser conhecido sob o nome de Bezerra. Há registros que o motivo de ter adotado este nome, se deve ao fato dele levar a sua vida no campo, no interior de São Paulo, e gostar muito da vida no pasto, onde costumava pegar o “touro à unha”. Se não touro, bezerra. Primeiramente como lateral esquerda, e depois como zagueiro, se destacou por ter um ótimo senso de posicionamento, ser um bom passador e ter um grande poder de marcação. Na equipe campineira ganhou destaque e teve grandes atuações. Foi contratado pelo São Paulo em 1976, onde acabou se fixando mais na zaga. Sua estreia em 7 de março daquele ano foi em um clássico frente ao Corinthians. Em 5 de março de 1978, coube a Bezerra marcar o terceiro gol, o decisivo, na disputa por pênaltis na final do campeonato brasileiro de 1977, vencida pelo São Paulo frente ao invicto Atlético Mineiro, em pleno estádio Mineirão completamente lotado. Aliás, apenas ele e o meio campista Chicão atuaram em todas as partidas da campanha do primeiro título brasileiro do Tricolor. Bezerra foi titular na dupla de zaga tricolor até 1979. Quando começou a reclamar de constantes dores de cabeça. Acabou sendo diagnosticado, pelos médicos do São Paulo, com cisticercose cerebral, conhecida “como doença do porco”, por conta de uma das formas mais comuns de contágio ser através do consumo de carne de porco contaminada. A cisticercose ocorre quando a larva da tênia do porco infecta o sistema nervoso, e provoca crises convulsivas, cefaléia e distúrbios psiquiátricos, e em casos mais extremos, cabe cirurgia. A falta de maiores informações sobre a doença, na época, levou a criação de um boato que caso Bezerra cabeceasse uma bola, poderia morrer em campo. Por conta disso, foi recomendado a encerrar sua carreira, justamente quando seu nome chegou até mesmo a ser cogitado para a seleção brasileira. A diretoria do São Paulo resolveu promover uma partida para sua despedida, em 26 de janeiro de 1980, um amistoso frente o Flamengo, no estádio do Morumbi, e que acabou 0 a 0. Bezerra vestiu a camisa tricolor em 206 partidas e marcou 11 gols. Após dois anos, no entanto, acabou voltando ao futebol, jogando, primeiro, pelo Fernandópolis e posteriormente no Olímpia, Uberaba e Barretos. Segundo reportagem publicada na época pela revista Placar, não havia qualquer indicio que estivesse curado. A verdade é que ainda havia muito incerteza sobre a evolução da doença. Bezerra encerrou definitivamente a carreira em 1985.



 

 

Dé, o Aranha

Autor: José Renato - 08/06/2015   Comentários 1 comentários

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Domingo Elias Alves Pedra nasceu na cidade carioca de Paraíba do Sul em 16 de abril de 1948. Passou para o mundo do futebol com um sutil apelido formado pelas inicias de seu nome, Dé. Em 1966, jogando pelos juvenis do Olaria, equipe do subúrbio carioca, marcou 3 gols no empate em 4 a 4 frente ao Bangu, em uma preliminar dos profissionais, e logo ao final do ano foi contratado pela equipe de Moça Bonita. A intenção da equipe campeã carioca daquele ano era renovar o plantel em busca do bicampeonato estadual. Logo em suas primeiras partidas com a camisa alvirrubra, em julho de 1967,marcou gols em importantes vitórias frente o Fluminense e Vasco, e passou a ser considerado um dos maiores novos talentos do futebol carioca no final da década de 1960. Jogador muito habilidoso e técnico ganhou a fama de malandro por conta da forma como provocava seus adversários, não apenas em campo, bem como através de suas entrevistas e por suas atitudes, nem sempre muito leais. Em partida válida pela Taça Guanabara de 1970, em 25 de abril daquele ano, aproveitou a entrada do massagista do Bangu e pegou uma pedra de gelo, sob a justificativa de matar sua sede. Logo em seguida, jogou a pedra de gelo em direção da bola, que estava sob controle do zagueiro rubro negro, Reyes. A bola mudou levemente de rumo, o suficiente para que Dé aproveitasse, a dominasse e marcasse o segundo gol, da goleada imposta pelos alvirrubros por 4 a 0. Em outra oportunidade, em partida frente o Vasco, a partida se encaminhava para seu final, empatada por 1 a 1, quando foi marcada uma falta a favor do Bangu. Enquanto Aladim ajeitava a bola, Dé aproveitou para encher a mão com uma porção de terra da área, sem grama, próxima do goleiro Andrada. Logo que Aladim chutou, Dé jogou a terra no meio da cara do arqueiro argentino. Gol do Bangu, 2 a 1. Andrada ficou louco e correu em direção do atacante, proporcionando uma baita confusão no Maracanã. Ficou no Bangu até 1970, quando após chegar a vestir a camisa do Fluminense, acabou sendo contratado pelo Vasco da Gama. Em 22 de junho de 1971, justamente contra seu antigo clube, inconformado pelo “baile” que a equipe cruz maltina levava, na partida que acabou com uma goleada de 4 a 0 a favor do Bangu, acabou expulso, e ao ver o cartão vermelho, o tomou das mãos do arbitro e após tentar rasgá-lo, sem sucesso, por ser de plástico, correu em direção aos vestiários com o cartão em suas mãos. O juiz, Nivaldo dos Santos, tentou pegá-lo de volta e acabou recebendo a seguinte resposta de Dé: “Você me deu o cartão, agora ele é meu”. Em outra oportunidade, em um clássico contra o Flamengo, após ter um gol anulado, que seria o de empate, pegou uma porção da grama e levou para o bandeirinha, gritando: “... burro tem que comer capim...”. Permaneceu no Vasco até 1974, e fez parte do plantel que conquistou o titulo brasileiro daquele ano. Partiu para a Europa, onde foi contratado pelo Sporting de Lisboa. Ficou pouco tempo em Portugal, ainda assim foi campeão nacional da temporada 1974/1975 e da Taça de Portugal de 1975. Logo estava de volta ao Vasco, onde voltou a ser campeão, agora da Taça Guanabara de 1976. Em 1977 foi levado para o Botafogo e embora não tenha conquistado título no alvinegro carioca, fez parte da equipe que ficou invicta por 52 partidas, na maior série invicta do futebol brasileiro. Foi lá que acabou incluindo o "Aranha" ao seu nome, que era uma gíria da época para algo muito ruim ou muito bom. Era desta forma que a torcida da equipe da Estrela Solitária o via. Contratado pela equipe árabe do Al Hilal, em 1980, foi campeão nacional, e logo voltou para atuar no Bangu, onde ficou até 1981. Após breve passagem pelo Bonsucesso, acabou sendo redescoberto pelo futebol capixaba em 1983, onde atuou nas duas grandes equipes do estado, Rio Branco e Desportiva Ferroviária, sendo campeão estadual em 1983 e 1985. Dé foi um dos mais irreverentes jogadores do futebol brasileiro, um exemplo que a malandragem faz parte do esporte e o torna ainda mais divertido.



 

 

Cristiano, diretamente da sua digital, o céu está em festa.

Autor: José Renato - 04/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Amizade, relação de afeto e carinho entre pessoas. Esta é uma das definições que podemos ter em um dicionário. Algumas vezes tendemos a acreditar que o tempo precisa estar presente neste conceito. Como que se apenas ele fosse capaz de garantir que ela exista. Certamente um equívoco. A amizade pode surgir a qualquer momento, sem qualquer aviso prévio. Melhor assim. Junto dela cabem outras coisas, sem as quais, podemos afirmar que ela não existiu. Confiança é uma delas. Querer bem também. Contar com a pessoa, seja qual for a ocasião, também é sinal de amizade. Sorrir sempre que ouvir o nome da pessoa e saber que o mesmo acontecerá com ela, é mais uma prova. Poderia listar mais algumas evidencias, para isso bastaria lembrar de certo amigo. Seu nome, Cristiano. Tive a alegria de conhecê-lo em um bar no bairro da Gentilândia, em Fortaleza. Aquele homem grande, do tamanho do seu sorriso largo e de chapéu. Passou a promover encontros com pessoas que tinham um interesse em comum, o futebol. Mesmo morando em cidades diferentes, sempre me colocava a par de suas ideias. Logo viraram realizações. Corria atrás de seus sonhos, sempre movido por muita alegria. Incansável. Incansável. Incansável. O maior colecionador de amigos. Impossível que não fosse assim. Alguns meses atrás, Deus pediu a sua presença no andar de cima. A este filho querido permitiu que viesse no seu tempo, e da melhor forma, no meio de um sonho. Dormiu para virar uma estrela. Lá de cima ele já deve estar cantando um sambinha, batendo fotos “diretamente da sua digital”, organizando encontros... sorrindo. Hoje, Deus recebeu um presente, o céu está em festa. Obrigado por ter convivido conosco Cristiano.



 

 

O combativo Caçapava

Autor: José Renato - 01/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nasceu na cidade de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, distante cerca de 240 km da capital Porto Alegre, em 26 de dezembro de 1954 , Luís Carlos Melo Lopes. Começou no futebol no time da cidade, o Gaúcho, e em 1972 foi levado para o Internacional, onde passou a ser chamado pelo nome de sua cidade de origem, Caçapava. Meio campista vigoroso, de pouca técnica, mas com muita disciplina tática e poder incansável de marcação, fez parte de uma das maiores equipes da história do Internacional. Foi campeão gaúcho em quatro oportunidades, 1974, 1975, 1976 e 1978 e bicampeão brasileiro em 1975 e 1976. Junto com Carpegiani, Batista e Falcão, contribuiu muito para que a equipe colorada tivesse, durante muitos anos, o melhor meio campo do Brasil. O que sobrava em habilidade nos demais companheiros meio campistas era pouco notado em Caçapava, por outro lado, difícil que alguém fosse mais raçudo que ele. Para muitos, era ele quem fazia o trabalha “sujo” que permitia ao espetacular Falcão, um dos maiores jogadores da história do Colorado, ter a liberdade de avançar para o ataque. Aliás, Falcão sempre foi um grande amigo e costumava dar dicas sobre como marcar alguns jogadores. Certa vez passou horas orientando sobre como ele poderia evitar um espetacular drible, o elástico, que era a marca registrada de Roberto Rivellino. Para executá-lo, o meio campista tricolor, puxava a bola para um lado e saía para o outro. Na primeira oportunidade que teve, Caçapava aplicou um “carrinho” no meio de Rivellino quase que dividindo o adversário em dois. Aborrecido, Falcão foi a sua direção questionando porque não tinha feito o que houvera sido combinado, e ouviu como resposta: “...esqueci para que lado ele ia sair, então resolvi ir no meio...” A única coisa que media medo no volante era a necessidade de fazer qualquer tipo de cirurgia. Certa vez, após ser informado pelo médico do Internacional, que havia aparecido uma lesão em seu joelho direito no exame de artroscopia, e que por conta disso seria necessário uma operação, Caçapava retrucou: “...mas, doutor, não sinto nada, este joelho do exame deve ser do Batista (seu companheiro de equipe)...” Entre os anos de 1976 e 1977 chegou a ser convocado para a seleção brasileira, atuando em 4 partidas. Em 1979, o presidente do Corinthians tentou contratar junto ao Internacional o meio campista Batista, jogador tão combativo quanto Caçapava, mas com maior qualidade técnica, não conseguiu. Como alternativa, fechou junto aos dirigentes colorados outro acordo, a troca do lateral Claudio Mineiro por Caçapava. Seu estilo de jogo caiu no agrado do torcedor alvinegro, sobretudo por sua raça. Logo em seu primeiro ano conquistou o estadual paulista como titular, condição que manteve durante grande parte do período em que vestiu a camisa do Corinthians. Em 1982 foi contratado pelo Palmeiras para disputar o Campeonato Paulista. Atuou em poucas partidas, sobretudo devido as inúmeras contusões que prejudicaram seu condicionamento físico, principalmente o seu controle de seu peso. A saída foi passar a peregrinar por várias equipes brasileiras. No ano seguinte já estava no Vila Nova de Goiás, em 1984, no Ceará, onde, como titular, foi campeão estadual. Em 1985 voltou ao Rio Grande do Sul para atuar no Novo Hamburgo, onde ficou por mais de um ano. De volta ao futebol nordestino, encerrou a carreira atuando pelo Fortaleza em 1987. Caçapava foi um dos precursores, no Brasil, de uma linha de atletas que não precisou demonstrar muito qualidade técnica para ganhar destaque e importância em sua equipe, mas sim atuar com muita vontade, como se a cada jogada um prato de comida estivesse em disputa.




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