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Blog Memória Futebol


O Super Zé

Autor: José Renato - 31/08/2015   Comentários Nenhum comentário

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José Maria Rodrigues Alves nasceu em 18 de maio de 1949 na cidade paulista de Botucatu. Começou no futebol atuando como atacante na equipe amadora, de sua cidade natal, o Atlético Clube Lageado, time de uma fazenda de café, ainda nos meados da década de 1960. Ainda com pouco mais de 15 anos, passou a atuar na equipe amadora mais popular de sua Botucatu, a Associação Atlética Ferroviária. Chamou a atenção da comissão técnica da equipe tricolor, por conta de seu grande vigor físico. Por conta disso, acabou deslocado para a lateral direita, onde teria a possibilidade de avançar em direção ao ataque, algo quase que inédito no futebol daqueles tempos. Em 1966 foi um dos destaques da Ferroviária de Botucatu que chegou até a fase final do campeonato paulista da Divisão Intermediária, algo similar a Série B, o que fez com que chamasse atenção de olheiros da Portuguesa de Desportos, que o contratou no ano seguinte. Chegou à equipe de Canindé para ser reserva de Augusto, no entanto, já na estreia do campeonato paulista daquele ano, em 4 de julho, na vitória por 2 a 1 frente a Prudentina, era o titular da boa equipe Lusa que contava com jogadores do nível de Felix, Lorico, Basilio e Leivinha. Após um campeonato promissor em 1967, foi contratado pelo Vasco da Gama no começo de 1968, onde acabou ficando apenas por 3 meses. Este retorno, inesperado, a Portuguesa acabou servindo de motivação para Zé Maria. Não demorou muito e ele foi convocado para atuar na seleção brasileira que venceu a seleção polonesa, por 6 a 3, em partida amistosa realizada na cidade de Varsóvia, em 20 de junho em 1968. Foi ali que começou o seu namoro com a camisa canarinho o que acabou rendendo sua convocação, como reserva de Carlos Alberto Torres, para a seleção brasileira que acabaria por conquistar o tricampeonato mundial na Copa do Mundo de 1970, Já campeão mundial viria a ser contratado pelo Corinthians, um namoro antigo que começara ainda no ano anterior, após a morte em acidente automobilístico do lateral direito alvinegro Lidu, juntamente com o ponta esquerda Eduardo, em 28 de abril de 1969. A contratação junto a Lusa foi uma das mais difíceis, sendo necessário até mesmo a influencia do seu pai, Durvalino, a quem prometeu conquistar um título para dar fim a fila de 22 anos sem conquistas da equipe do Parque São Jorge. Sua estreia no Corinthians aconteceu em 11 de novembro de 1970, na derrota por 1 a 0 frente o Grêmio no estádio Olímpico, e marcou o inicio de um casamento que durou quase 14 anos, 599 jogos, 4 títulos paulistas (1977, 1979, 1982 e 1983) e 17 gols. No seu ultimo ano de Timão, em 1983, após a demissão do técnico Mario Travaglini no meio do campeonato brasileiro, Zé Maria foi escolhido pelos jogadores para assumir o cargo de técnico até o final da competição, o que o fez ao longo de 10 partidas. Seu apelido Super Zé se devia ao seu folego quase interminável e principalmente por não fugir de divididas. Nas partidas finais do campeonato paulista de 1977, caberia a ele marcar o seu irmão Tuta, ponta esquerda da Ponte Preta e que vinha sendo um dos destaques da equipe campineira. Ainda no vestiário, membros da comissão técnica, José Teixeira e Oswaldo Brandão se mostravam meio temerosos, com relação ao vigor que ele daria nas divididas com o irmão mais novo. Meio de lado, ao ouvir a conversa, Zé Maria direcionou aos dois e disse: Do meu irmão, cuido eu. Na primeira jogada entre os dois, Tuta foi parar no meio da pista que cercava o campo do estádio do Morumbi. Acabara ali o confronto entre os irmãos, uma vez que o ponta esquerda da Ponte sumiu nas partidas finais. Em 13 de outubro, na partida decisiva, caberia a Zé Maria bater a falta que deu início a jogada do gol libertador de Basilio, na vitória por 1 a 0. A promessa feita ao pai estava cumprida. Mais um fato marcante propiciado pelo Super Zé aconteceu na primeira partida da final do campeonato paulista de 1979, novamente contra a Ponte Preta, em 3 de fevereiro de 1980. Após sofrer um corte do supercilio, com a camisa toda ensanguentada resolveu continuar na partida, levando a fiel ao delírio. Esta identidade com a torcida do Corinthians acabou contribuindo para sua eleição a vereador na cidade de São Paulo em 1982. Em 1984, encerrou sua carreira após atuar algumas partidas pela Internacional de Limeira. Pela Seleção Brasileira, além da Copa de 1970, disputou a Copa de 1974, na Alemanha, quando se tomou a posição de titular de Nelinho, após as três primeiras partidas daquela competição. Chegou a ser convocado para Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas contusões acabaram o afastando do seu terceiro mundial. Vestiu a camisa amarela em 66 oportunidades.

 

 

Nunes João Danado, o Artilheiro das Decisões.

Autor: José Renato - 24/08/2015   Comentários 2 comentários

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João Batista Nunes de Oliveira nasceu em 20 de maio de 1954 na cidade baiana de Feira de Santana. Ainda com 13 anos se mudou para o Rio de Janeiro, onde ingressou nas categorias de base do Flamengo e passou a ser conhecido como Nunes. Após 5 anos na equipe carioca foi dispensado e voltou para a Bahia. Desiludido com o futebol passou a atuar pelo Internacional da Serra da Carnaíba, equipe amadora do interior do estado. Teria dado termino a sua carreira, se não aparecesse, em 1974, a proposta para atuar na equipe sergipana do Confiança. Aquela oportunidade mudou sua vida e embora não tenha conquistado o titulo sergipano daquele ano, seus gols atraíram a atenção do Santa Cruz, equipe que o contratou em 1975, e com quem foi semifinalista do campeonato brasileiro daquele ano, em um feito até então inédito e único para o futebol nordestino. Conhecido como “Cabelo de Fogo”, conquistou seu primeiro título estadual jogando pelo Tricolor em 1976, quando começou a assumir uma característica que marcaria a sua carreira, desde então, o de marcar gols em decisões. Naquele ano, na final do campeonato pernambucano frente o Náutico, foi dele o primeiro gol da vitória por 2 a 0. Passou a ser um dos grandes nomes da equipe pernambucana que fez ótimos campeonatos brasileiros, o que acabou lhe rendendo sua primeira convocação para a seleção brasileira, onde fez sua estreia em 12 de março de 1978, marcando um dos gols da vitória por 7 a 0 sobre um Combinado de jogadores do interior carioca. Chegou a ser convocado para as partidas de preparatórias para a Copa do Mundo daquele ano. Seriam duas vagas, para quatro atacantes. Além de Nunes, havia Reinaldo, que seria o titular, Serginho e Roberto Dinamite. Com a suspensão de Serginho, após agressão a um bandeirinha em partida do São Paulo, aumentaram as chances de Nunes, que acabou sendo preterido pelo atacante vascaína. Sua carreira na seleção foi marcada por 8 gols em 13 jogos. Após a Copa, acabou sendo contratado, junto com o companheiro de ataque Luis Fumanchu para atuar no Fluminense. No tricolor carioca teve uma mensagem meteórica com muitos gols, mas sem títulos, o que acabou causando a sua saída para a equipe mexicana do Monterrey em 1979. Já em 1980, estaria de volta ao Brasil, mais especificamente na equipe onde começara, e que tinha o dispensado, o Flamengo. No rubro negro viveu seus maiores momentos e formou com Zico, uma dupla de ataque que marcou a história do futebol brasileiro. Artilheiro implacável, costumeiramente marcava gols importantes, sobretudo, nas decisões, foi assim na final do estadual de 1981 contra o Vasco, nas finais dos campeonatos brasileiros de 1980 e 1982, frente o Atlético e Grêmio respectivamente, e no Mundial Interclubes contra o Liverpool. Em 1983, após desentendimentos com a diretoria rubro-negra acabou sendo emprestado para o Botafogo. Logo estaria de volta ao Flamengo, onde continuou marcando seus gols, durante o ano de 1984. Ao final do ano foi contratado pelo Náutico, onde participou da campanha do título estadual em 1985, embora tenha sido contratado, ainda no meio da temporada, pelo Boavista de Portugal, e posteriormente, pelo Santos. Após passar pouco tempo na equipe santista, voltou a ter certo destaque jogando na equipe do Atlético Mineiro, campeão mineiro e semifinalista do campeonato brasileiro de 1986. Suas atuações acabaram o levando novamente ao Flamengo, onde havia a expectativa de voltar a fazer a infernal dupla de ataque com Zico, o que acabou não acontecendo. Ainda chegou a ser campeão carioca da série B, jogando pelo Volta Redonda em 1987. Artilheiro das Decisões, Nunes foi aquilo que todo torcedor sempre quis para o seu time, um matador que gostava de jogo importante, quase que uma garantia de conquista.



 

 

A muralha, Edson Cimento

Autor: José Renato - 17/08/2015   Comentários Nenhum comentário

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Carlos Édson Paiva Damasceno nasceu em 8 de outubro de 1954 na cidade paraense de Capanema. Após começar no futebol jogando como ponta esquerda, aos 13 anos de idade, acabou descobrindo sua verdadeira vocação, ser goleiro. Sua primeira oportunidade surgiu justamente em uma das maiores equipes de sua cidade, o Brasil Esporte Clube. No ano seguinte já passou a fazer parte da seleção da cidade que viria a conquistar, de forma invicta, o campeonato intermunicipal de 1970. Por conta da cidade de Capanema, ser conhecida como a “Terra do Cimento”, pelo fato da instalação da primeira e maior fabrica de cimento do estado, seu goleiro passou a ser conhecido como Édson Cimento. O começo no futebol profissional aconteceu no pequeno Sporting Club, onde logo mostrou seu talento, sendo contratado pela Tuna Luso Brasileiro, onde passou a ser considerado como um dos grandes nomes da história. Capaz de fazer defesas inacreditáveis era conhecido por falhar em bolas, consideradas, mais fáceis, o que dificultou sua trajetória para ser firmar como titular da equipe, o que viria a acontecer apenas a partir de 1973. Permaneceu na Tuna até 1977, quando foi emprestado para atuar no Remo, que iria disputar o campeonato brasileiro daquele ano. A intenção era que ele revezasse a titularidade com Dico, no entanto, naquela oportunidade Édson vivia seu maior momento, com atuações impressionantes e mantendo uma boa regularidade, ganhou a titularidade absoluta da equipe azulina. Recebeu a Bola de Prata, tradicional prêmio da revista esportiva, Placar, como o melhor goleiro daquela competição, algo inédito para o futebol paraense. Por conta disso, acabou continuando com o Remo, para o Brasileirão do ano seguinte. No segundo semestre de 1978, já estaria de volta a Tuna Luso, onde ficou até 1982. Este ano foi marcante para sua vida profissional, uma vez que uma edição da revista Placar chegou a inclui-lo na lista de jogadores envolvidos no escândalo da Máfia da Loteria Esportiva, um esquema criminoso que, supostamente, envolvia atletas e dirigentes para combinar os resultados das partidas que faziam parte dos concursos semanais da loteria. As acusações, no entanto, não se confirmaram, mas, ainda assim, acabaram prejudicando sua carreira. Curiosamente, não fez parte da equipe tunense que conquistou os títulos paraenses de 1970 e 1983. Edson acabou atuando na equipe justamente durante o tabu sem títulos. Neste período foi emprestado em várias oportunidades para disputar campeonatos brasileiros, sobretudo quando a Tuna Luso não estava presente. Por conta disso chegou a atuar no Paysandu, Mixto de Cuiabá, Comercial de Campo Grande, Náutico do Recife, Fluminense do Rio de Janeiro, Guarani de Campinas, ASA de Arapiraca e Nacional de Manaus e Princesa do Solimões do Amazonas. Na equipe tricolor carioca, chegou a disputar posição com dois grandes goleiros de renome nacional, Paulo Vitor e Paulo Goulart. Teve uma carreira vitoriosa e cigana, fazendo parte de grandes equipes, no entanto, paradoxalmente, conquistou apenas um título profissional ao longo de sua carreira, o campeonato amazonense de 1986, atuando pelo Nacional de Manaus. Edson Cimento foi um dos maiores goleiros da história do futebol paraense, um feito incrível se considerarmos que durante a maior parte de sua carreira não atuou pelas duas equipes que se revezavam na hegemonia do futebol no estado, o Remo e o Paysandu.



 

 

Um novo caminho, o time do meu avô, agora, está no Campeonato Estadual

Autor: José Renato - 10/08/2015   Comentários Nenhum comentário

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“Floresta, time querido, amado e preferido...” Eis um pequeno verso do hino do Floresta Esporte Clube, na verdade o único pedaço que sei, equipe do subúrbio de Fortaleza, mais especificamente do bairro Vila Manoel Sátiro. Manoel Sátiro, pai da minha avó Noelzinda Sátiro Santiago, a Dona Noel. Noel que foi presenteada com o Santiago de meu avô Felipe de Lima Santiago. Em 1950, durante a primeira Copa do Mundo realizada no país, o casal e seus três filhos, Roberto, José Renato e Silvio, foram passar um final de semana em uma casa no, até então, afastado bairro chamado Vila Brasil. O motivo? O filho do meio, José Renato, então com 8 anos, sofria de asma, e o casal acreditava que passar um tempo no meio de um terreno cheio de árvores, poderia fazer bem a ele. O final de semana acabou se transformando em finais de semana, semanas, meses e anos. Por fim a família passou a morar naquela grande casa, já antiga, e cercada de mato por todos os lados, que parecia uma floresta. Logo o local ganharia o nome de sitio, no caso, Sitio Floresta. Mais alguns anos, a Vila Brasil se tornaria Vila Manoel Sátiro. Meu avô, Felipe, era um apaixonado por futebol, sobretudo pelo Ceará Sporting Club, o Vozão. Também ajudará a manter o Sport Club Maguary. Minha avó, Noel, filha de Manoel Sátiro, também tinha suas ligações com o esporte. Seu tio, por parte da mãe, Alcides Santos, fundara o Fortaleza Esporte Clube. Já seu irmão, Walter Sátiro, fora campeão cearense jogando pelo Sport Club Maguary em 1936. Por fim seu sobrinho, Fernando Sátiro, chegou a atuar no São Paulo Futebol Clube, onde jogou na partida de inauguração do estádio do Morumbi. Enfim, o futebol sempre foi muito vivo na família. Mas nem tudo eram flores e bolas. Meus avos passaram os últimos 40 anos da vida deles sem trocar uma única palavra com o outro, ainda que tivessem passado este tempo todo morando na mesma casa. O silencio se tornou definitivo em 1° de junho de 1987, quando meu avô foi chamado para o andar de cima. Uma forma estranha de amor. Amor? Ainda assim tinham muito em comum, além de seus três filhos. Ambos acreditavam que o futebol era um meio através do qual os meninos poderiam se transformar em homens, cidadãos. O futebol acabou os unindo, algo que as palavras não conseguiram. Em 9 de novembro de 1954, meu avô fundou uma equipe de futebol amador, chamada Ás de Ouro. Ao passar a morar no Sitio Floresta, surgiu em sua cabeça a ideia de fazer um campo de futebol atrás da casa para que os filhos pudessem praticar o esporte, e onde, o Ás de Ouro também poderia jogar. Tudo certo, se não fosse a restrição da minha avó por conta do nome ter uma estreita ligação com jogo, no caso o carteado, algo inadmissível para uma família tão católica como a dela. A solução foi adotar o nome do sitio, por orientação da minha avó, como o nome do time, Floresta. Mais uma mudança, as cores seriam as da seleção brasileira. Daí surgiu o Floresta Esporte Clube. Sempre com a vocação de formar homens. Meu pai e tios lá jogaram. Meus pais se conheceram, por conta do irmão da minha mãe, Everton, ser o goleiro do time. Milhares de meninos do subúrbio de Fortaleza cresceram jogando pelo Floresta. Muitos deles, antes das partidas, tinham aula de alfabetização com a minha avó no alpendre da casa. Tão logo as tarefas estavam feitas, eles eram liberados para jogar futebol. Meu avô, sempre atento, era o investidor, presidente, técnico, auxiliar e tudo o mais que era necessário para que o time se mantivesse vivo. Foram dele os recursos que propiciaram murar o campo e torna-lo em um estádio, algo inusitado e que durante décadas foi uma verdade “absurda” na capital cearense, o Floresta era a única equipe da cidade que tinha um estádio próprio e mais, se tratava de um time amador. Durante muitos anos foi a mais vencedora equipe de futebol amador do estado do Ceará. Chegou a vir a São Paulo para disputar a Copa Arizona, tipo de campeonato brasileiro amador. Posteriormente, passou a disputar os campeonatos estaduais de juniores. Quando surgia algum atleta promissor, a “venda” do passe se dava em troca de chuteiras, bolas e uniformes. Isto garantia a sobrevivência do clube e a manutenção do estádio, homônimo do bairro, Manoel Sátiro, posteriormente, Felipe de Lima Santiago. Ainda assim as dificuldades para manter o time sempre foram enormes e se intensificaram com o passar dos anos. O tempo e a ausência física do casal Felipe e Noel também fizeram com que a família se afastasse do futebol do Floresta. Em 2014, coincidentemente, com o retorno da Copa do Mundo ao Brasil, o controle da equipe saiu definitivamente da família Santiago. Um novo caminho. Neste ultimo sábado, dia 8 de agosto de 2015, o Floresta estreou no campeonato cearense da terceira divisão, com uma vitória de 3 a 0 frente ao Pacatuba. Um novo passo. Parabéns a todos que fizeram, fazem e ainda farão parte do Floresta Esporte Clube.



 

 

O cabra macho, Pedro Basílio.

Autor: José Renato - 03/08/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nasceu em 2 de março de 1951 na cidade cearense de Crateús, Pedro Basílio Filho. Começou no futebol atuando pelo Fortalezinha e, posteriormente, o Comercial, equipes amadoras de sua cidade. Em 1967, ainda com 16 anos, foi chamado para defender a Seleção de Crateús que iria enfrentar o Fortaleza em um amistoso. Jogou muito naquele dia e chamou a atenção dos técnicos do Leão, Moésio Gomes e Luís Veras. Logo foi contratado pelo tricolor, fazendo parte do elenco que fez excelente campanha e conquistou o vice-campeonato da Taça Brasil de 1968. Inicialmente como lateral e posteriormente como zagueiro, passou a ser conhecido como “Maravilha Negra”, e não demorou muito para assumir a titularidade absoluta do Fortaleza, sendo vice-campeão estadual em 1971, e a chamar atenção de grandes equipes brasileiras. Durante 1972, chegou a atuar pelo Internacional de Porto Alegre e Botafogo do Rio de Janeiro, ficando por pouco tempo em ambas as equipes. Ainda no mesmo ano, já estaria de volta ao Pici, onde novamente foi vice-campeão estadual. A partir daí, passou a ser um dos grandes nomes do futebol cearense. Foi um dos lideres da equipe que conquistou o bicampeonato estadual de 1973 e 1974. Em 1975, foi contratado pelo Sport, que buscava dar o fim a um incomodo tabu sem títulos, que poderia chegar a 13 anos. Naquele ano, foi campeão com o Rubro Negro. No ano seguinte já estava de volta ao futebol alencarino, desta vez para atuar no grande rival do Fortaleza, o Ceará. Foi cinco vezes campeão pelo alvinegro, em 1976, 1977, 1978, 1980 e 1981. No ano seguinte voltou a defender a camisa do Leão, sendo campeão estadual em mais quatro oportunidades, 1982, 1983, 1985 e 1987. Sempre foi líder em todas as equipes da qual fez parte, muito embora, ao longo de toda a sua carreira sempre tenha enfrentado grandes problemas com a bebida. Não eram raras suas fugas das concentrações para passar a noite bebendo, e ainda assim, no dia seguinte estar pronto para defender as cores de sua equipe com a mesma disposição de todos os demais atletas. Em campo, costumava ser muito duro com os atacantes, assim como com os árbitros, o que acabou provocando muitas expulsões. Em 1978, as vésperas da final do campeonato estadual, quando atuava pelo Ceará, juntamente com Artur, com quem formou uma das melhores zagas da história do futebol cearense, procurou o técnico alvinegro e um de seus descobridores, Moésio Gomes, pedindo que os liberassem de tomar ao menos 5 garrafas de cerveja. Moésio, obviamente, recusou o pedido e passou a argumentar o quanto era absurdo aquele pedido. Pedro Basilio insistiu, falando que suas mãos estavam tremulas, e sem cerveja, não conseguiria, sequer dormir. Preocupado que isso pudesse prejudicar a atuação de sua dupla de zaga, permitiu que os dois saíssem, mas sob a condição, que mantivessem total descrição e evitassem que fossem vistos. Chegando a um bar próximo, procuraram uma mesa isolada, sem sucesso, uma vez que não havia sequer uma mesa vazia. Pedro se dirigiu ao dono do bar, torcedor do Vozão, e falou: “Se não bebermos, o Ceará vai perder o título amanhã.” Assustado, o jeito foi arrumar um inusitado lugar, um velho guarda roupa, que acabou servindo para acomodar a dupla de zaga. Pedro Basílio e Artur entraram no armário, beberam as cinco cervejas, voltaram para a concentração e no dia seguinte foram campeões. Foi com sacadas como esta, que Pedro Basílio conseguiu manter sua gana por jogar futebol e beber suas cervejas ao longo de sua vitoriosa carreira. Nota-se que entre os anos de 1973 e 1983, 11 anos, conquistou 10 títulos, sendo vice-campeão uma vez. Um feito inédito e jamais igualado. Ao longo de sua carreira foram 12 títulos estaduais. Pedro Basílio foi um grande boleiro, o maior campeão da história do futebol cearense, vigoroso, raçudo, destemido e que teve uma vida intensa com dois de seus maiores amores, o futebol e a cerveja.




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