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Blog Memória Futebol


A “Bruxa” Marinho Chagas

Autor: José Renato - 28/09/2015   Comentários Nenhum comentário

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Em 8 de fevereiro de 1952, no bairro de Alecrim em Natal, nasceu Francisco das Chagas Marinho. O menino bonito, galego e saudável logo ganhou as graças de toda a família. Caçula dos seis filhos do casal Pedro e Maria, Chiquinho, como era chamado, passava os dias jogando bola na rua. Tinha em seu irmão mais velho, Dedeca, um ídolo, principalmente por conta de suas tentativas de ser jogador profissional. Certa vez, ao acompanhar o irmão em um treino do pequeno Riachuelo Atlético Clube, que costumava treinar na Base Aérea, perto de sua casa, acabou ganhando a simpatia de um tenente, e por conta disso, a vaga de gandula do time. Um dia, a falta de um lateral esquerdo, fez com que Chiquinho fosse chamado para completar a equipe. Ganhou a posição no lado esquerdo, embora fosse destro, o que sempre intrigou a muitos. Era apenas o começo. Em outubro de 1969, com 17 anos, atuando pelo Riachuelo, Chiquinho “acabou” com o jogo e ganhou todos os prêmios de melhor em campo, no surpreendente empate de sua equipe frente ao grande ABC, por 1 a 1. Sua ousadia em campo aliada a uma rara habilidade técnica, muita disposição para avançar ao ataque em direção do gol, algo incomum para os laterais daquela época, e um chute fortíssimo acabaram por convencê-lo até mesmo a trocar seu nome. Precisava de algo mais vistoso, daí veio Marinho. Poucos dias depois, dirigentes do ABC o contrataram em troca de 20 pares de chuteiras e 20 bolas. Ajudou a equipe abecedista a sair do incomodo jejum de título de três anos sem títulos, ao ser campeão potiguar em 1970. O galego, como também era conhecido, passou a ser um ídolo na cidade de Natal, sendo também um sucesso com as mulheres, que solteiras ou casadas, eram sempre alvos das suas investidas. No ano seguinte, dirigentes do Náutico chegaram a Natal para contratar o atacante Petinha e acabam resolvendo levar também Marinho. Logo em seu primeiro treino, ganhou a posição de titular da equipe alvirrubra que buscava reaver a hegemonia no estado. Em 1972, após assistir partida da equipe pernambucana, o cantor Agnaldo Timóteo, torcedor ilustre do Botafogo do Rio de Janeiro, ligou de imediato aos dirigentes alvinegros, quase que os obrigando a contratá-lo. Marinho atuou pela ultima vez com a camisa alvirrubra em 20 de agosto de 1972 e já no dia 9 de setembro estreava como titular do Botafogo frente ao Santos de Pelé, no estádio do Maracanã, em partida válida pelo campeonato brasileiro daquele ano. Aos 13 minutos do segundo tempo, falta a favor dos cariocas. Jairzinho, o Furação da Copa, maior nome daquela equipe, ajeitou a bola e tomou distância. Marinho aproveitou, correu, ultrapassou Jairzinho e deu um chutaço sem chances para o goleiro Cláudio. Gol do Botafogo. Em meio de um aborrecido Jairzinho, ganhou de vez as graças da torcida, que foi ao delírio ao vê-lo aplicar um chapéu no Rei Pelé e sair com a bola dominada. No dia seguinte, os jornais estampavam Marinho em suas manchetes, sem dar grandes destaques ao empate por 1 gol. Marinha com apenas 20 anos, embora casado, estava no Rio de Janeiro, sem a esposa, Marijara, então com 16 anos, que ficara em Natal. Passou a repetir o sucesso em campo fora dele também, principalmente junto as mulheres, algumas delas famosas do meio televisivo. Ganhou o apelido de Bruxa Loura, para os mais próximos, apenas Bruxa. Jogando pelo Botafogo ganhou dois troféus Bola de Prata, premio promovido pela revista Placar aos melhores jogadores de cada posição no campeonato brasileiro. Sua primeira convocação para a seleção brasileira foi para enfrentar a Suécia em 25 de junho de 1973, em partida amistosa, na derrota por 1 a 0. Ganhou a titularidade em 1974 e assim como outro botafoguense ilustre, Nilton Santos, se tornou titular absoluto da seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo daquele ano. Considerado o melhor lateral esquerda da competição, acabou envolvido em polemica com o goleiro Leão, que o teria agredido após a derrota por 1 a 0 frente a Polônia em partida que decidia a terceira colocação, em 6 de julho. Segundo o arqueiro, o gol marcado pelo polonês Lato, aconteceu por conta da avançada de Marinho ao ataque brasileiro. Ainda assim foi escolhido o segundo melhor jogador da América do Sul, em pesquisa promovida pelo jornal El Mundo, atrás apenas do zagueiro chileno Elias Figueroa. De volta ao Botafogo ganhou status de líder da equipe da Estrela Solitária. Para desespero da torcida alvinegra, em 1977 acabou incluído no troca-troca promovido pelo presidente do Fluminense, Francisco Horta, que também envolveu craques do nível de Paulo César Caju, Rodrigues Neto e Gil, todos da seleção brasileira. Juntamente com Rivelino passou a ser um dos grandes nomes da “Máquina Tricolor”. Nunca, no entanto, deixou de lado o seu estilo gozador. Depois de se tornar batedor oficial de pênaltis da equipe tricolor, passou a inovar em suas cobranças. Em 7 de agosto de 1977 na final do torneio Teresa Herrera, frente ao Dukla Praga, que eliminara o Real Madrid, resolveu fazer algo diferente. Ao correr em direção da bola, parou, deu um giro de 360° e chutou sem chance para o goleiro, que parado, não acreditava no que tinha presenciado. O tricolor conquistou o titulo daquele torneio com uma convincente goleada de 4 a 1 e Marinho, a fama de “louco”. Foi nesta época também, que chegou a lançar um disco, na verdade um compacto, chamado “Eu sou assim”. Este seu comportamento acabou sendo decisivo para que o técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, o tenha preterido em favor de Rodrigues Neto, seu substituto no Botafogo, e posteriormente, Edinho, colega tricolor, que, na seleção, foi deslocado para a lateral esquerda. Ao longo de sua carreira, Marinho atuou 36 vezes com a camisa canarinha e marcou 4 gols. Magoado por não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1978, acabou aceitando o convite de Pelé e foi atuar no New York Cosmos, time norte americano que contava com craques do quilate de Carlos Alberto Torres e Franz Beckenbauer. Desta forma, Marinho passou a ser visto junto aos grandes nomes de Show Business, tais como Frank Sinatra, Sammy Davis Junior e Dean Martin. No ano seguinte ainda atuou na equipe do Fort Lauderdale Strikers, com quem foi vice-campeão da Liga Norte Americana em 1980. Em 1981, vislumbrando participar da Copa do Mundo de 1982, quando estaria com 30 anos, resolveu voltar ao Brasil, e foi contratado pelo São Paulo. Com a camisa do tricolor paulista foi vice-campeão brasileiro, com direito a ganhar nova Bola de Prata, como melhor lateral esquerdo da competição, e campeão paulista. Ainda assim, não foi o suficiente para chamar a atenção do técnico da seleção, Telê Santana, que passou a contar com o esplendido Junior, lateral do Flamengo. Ficou na equipe paulista até meados de 1983, de onde saiu para atuar novamente em uma equipe alvirrubra, o Bangu, que sob a gestão de Castor de Andrade, voltara a montar grandes equipes. Machucado e em claro declínio técnico, Marinho não teve chances e em 1984 foi contratado pelo Fortaleza do Ceará, um negocio considerado audacioso na época. Suas atuações no Tricolor de Aço foram apenas discretas e no ano seguinte, acabou aceitando o convite de voltar a jogar na sua terra natal, desta vez para defender o América, onde ficou até 1986. Sofrendo com muitas contusões e graves problemas com a bebida, atuou em apenas duas partidas amistosas. Ainda atuaria no Los Angeles Heats e na equipe alemã do Augsburg, antes de encerrar a carreira em 1988. Marinho foi um genial jogador. Um raro talento. Um pobre menino que ganhou o mundo, e aproveitou de tudo o que o sucesso no futebol pode proporcionar aos seus grandes nomes. Infelizmente também acabou sendo vitima deste sucesso como tantos outros.

 

 

Juary, o menino da vila.

Autor: José Renato - 21/09/2015   Comentários 2 comentários

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Juary Jorge dos Santos Filho nasceu em 16 de junho de 1959 na cidade fluminense de São João de Meriti. Quando moleque dividia seu tempo entre bater bola na equipe amadora do Pavunense e trabalhar como auxiliar administrativo no escritório do cunhado. Eram tempos difíceis, quando chegou, até mesmo, a presenciar a morte do tio em sua própria casa, executado por policiais que buscavam capturar uma quadrilha de bandidos. Por conta disso, embora tivesse apenas 16 anos, aceitou de imediato o convite feito para fazer testes no Santos Futebol Clube. A viagem de ônibus, já tinha data marcada para retorno, no entanto, Juary tinha outros planos. Após o fim da carreira do Rei Pelé, ao menos com a camisa do Santos, em 1974, os dirigentes do clube passaram a identificar que o futuro da equipe estaria no uso dos jogadores mais novos, pertencentes da base do clube, uma decisão que reina até os dias atuais. Foi esta estratégia que permitiu que atletas, como Juary, fossem “recrutados” de várias cidades brasileiras, para formar uma geração de jogadores santistas que ficou conhecida como a dos “Meninos da Vila”. Ainda em 1976, vestiu pela primeira vez a camisa de titular da equipe, inicialmente como ponta direita e posteriormente como centroavante, após a chegada de Nilton Batata, vindo do Atlético Paranaense. Embora contasse com o apoio da diretoria, a jovem equipe santista liderada por nomes como Clodoaldo e Ailton Lira não conquistava títulos, o que começou a criar apreensão junto aos seus torcedores. Tudo mudou, no entanto, com a chegada do técnico Chico Formiga, que no começo de 1978, não apenas confirmou a titularidade de Juary, bem como trouxe para a equipe principal, outros jovens talentos, tais como Pita e João Paulo. Embora fosse franzino para ser centroavante, Juary era muito rápido e um finalizador implacável, o que aliado a um ótimo senso de posicionamento, fez dele um dos grandes atacantes de sua época. Os Meninos da Vila fizeram história ao conquistar, de forma brilhante, o título paulista de 1978, ao levar a melhor frente ao São Paulo nas finais. Aliás, o tricolor, em especial o seu goleiro Valdir Peres, era a vitima favorita de Juary, que costumava fazer muitos gols nos clássicos San-São (Santos x São Paulo), o que sempre era acompanhado de uma inusitada, que virou tradicional, comemoração que consistia em uma corridinha ao redor da bandeirinha de escanteio. Juary foi artilheiro desta competição com 29 gols marcados, o que lhe valeu a convocação para a seleção brasileira, onde estreou, marcando gol, no empate por 1 a 1 frente a seleção baiana em 5 de julho de 1979. Também atuaria na Copa América daquele ano. A mesma sorte e competência que Juary costumava ter frente ao São Paulo, não se repetia frente ao outro rival, o Corinthians, equipe contra a qual jamais levou a melhor, enquanto vestiu a camisa santista. A verdade é que o Santos ficou sem vencer o clássico alvinegro entre 13 de junho de 1976 e 23 de outubro de 1983. O pretexto da falta de gols nestes confrontos acabou sendo um dos fatores que provocaram a sua venda para a equipe da Universidad Autonoma de Guadalajara já no final de 1979. Ficou pouco tempo no futebol mexicano, uma vez que foi contratado pela equipe italiana do Avellino, onde atuou ao longo de duas temporadas entre 1980 e 1982. Ainda muito jovem e sofrendo em um futebol duro e de muita marcação, ainda defendeu a Internazionale, Ascoli e Cremonese, até ser contratado pelo Porto em 1985. Fez sucesso no futebol português onde conquistou dois campeonatos nacionais, em 1986 e 1988 e uma taça de Portugal em 1988. Além disso, teve participação decisiva para a conquista da Liga dos Campeões da Europa em 27 de maio de 1987 na vitória de 2 a 1 frente ao Bayern de Munique em Viena. Após estar perdendo a primeira etapa por 1 a 0, o técnico Artur Jorge, que não pudera contar com o atacante Casagrande, que estava lesionado, resolveu colocar Juary na equipe no segundo tempo. Aos 33 minutos, foi dele o passe para que o argelino Madjer marcasse, de calcanhar, o gol de empate. Dois minutos depois, Madjer devolveu a gentileza ao brasileiro que marcou o gol do título dos portugueses. Desde esse dia, Juary se tornou para sempre um dos grandes nomes da história do Clube do Porto e ídolo de sua torcida. Após uma breve passagem por outra equipe portuguesa, o Boavista, voltaria ao Brasil para defender a Portuguesa em 1988. No ano seguinte, defenderia novamente a camisa onde tudo começou, a do Santos. Infelizmente, apesar de ainda ter apenas 30 anos, e a principio, muita lenha para queimar, Juary não foi nem a sombra daquele virtuoso jogador de outrora. Ainda atuaria na equipe maranhense do Moto Club e no Vitória do Espirito Santo, onde encerrou a carreira em 1992. Juary foi um atacante prodigioso, cheio de virtudes e que ao sair para o futebol estrangeiro ainda muito jovem, em um tempo em que os nossos selecionáveis atuavam dentro do país, fez com que deixasse de ser lembrado da forma devida. Certamente poderia ter tido uma carreira de muitas conquistas em nosso futebol.



 

 

O multihomem Jorge Mendonça

Autor: José Renato - 14/09/2015   Comentários 2 comentários

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Jorge Pinto Mendonça nasceu na pequena cidade carioca de Silva Jardim em 6 de junho de 1954. Filho mais velho de uma família muito humilde, por ordem de seu pai, um funcionário da companhia ferroviária, passou a estudar contabilidade. Para ele, no entanto, o que importava era jogar futebol, sobretudo defender as cores do União, equipe amadora da sua cidade. Em um destes jogos chamou a atenção de Eusébio de Andrade, pai de Castor de Andrade, que era dono de um sítio próximo daquela região e presidente do Bangu Atlético Clube, que o convidou para atuar na equipe juvenil. Embora fosse amador, Jorge Mendonça passaria a ganhar uma pequena ajuda de custo, comida e moradia, o que fez com que abandonasse de vez os estudos. Em 1971, apenas com 16 anos chamou a atenção nos juvenis e foi convidado para se profissionalizar. No começo de 1972, foi o destaque da equipe campeã do torneio Romeu Dias Pinto, que contou com a participação de times do subúrbio carioca, ao marcar 5 dos 6 gols anotados pelo Bangu. Passou a ser titular absoluto naquela equipe que contava com Coutinho, ex-companheiro de Pelé e Jorginho Carvoeiro, que em 1974 faria o gol do primeiro titulo brasileiro conquistado pelo Vasco da Gama. Jogador muito habilidoso, com grande inteligência na armação de jogadas e raro poder de finalização, Jorge Mendonça passou a ganhar maior destaque junta a imprensa em 1973, quando ainda defendendo o Bangu, marcou 11 gols nas 11 partidas disputadas pela Taça Guanabara. No inicio de 1974, no entanto, as dificuldades financeiras da equipe carioca acabaram tornando necessária a sua venda a outro time alvirrubro, o Náutico de Recife. Logo passou a ser a grande esperança da equipe que tinha como grande objetivo interromper que o rival Santa Cruz igualasse a sua marca de hexacampeão, sequência de título que apenas o Náutico tinha e tem até hoje. Jorge Mendonça não decepcionou, sendo campeão e artilheiro, com 24 gols, do campeonato pernambucano daquele ano. Em 11 de agosto, chegou a marcar todos os gols da vitória do Náutico por 8 a 0 frente o Santo Amaro. Ficou no Náutico até 1975, de onde saiu juntamente com o meia Vasconcelos, para atuar no Palmeiras. Apesar de ter atuado na equipe alvirrubra por apenas 2 anos, é o décimo maior artilheiro da história da equipe, com 95 gols marcados. Em 1976 formou com o centroavante Toninho uma dupla de ataque genial do Palmeiras que, liderado pelo meio campista Ademir da Guia, o Divino, conquistou o campeonato paulista daquele ano. Aliás, foi dele o gol do título na vitória por 1 a 0 frente o XV de Piracicaba em 18 de agosto. Após a aposentadoria do Divino, passou a ser o grande nome da equipe paulista. Suas grandes atuações acabaram fazendo com que fosse convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1978, onde protagonizou um fato curioso. Na segunda partida daquele mundial, frente a Espanha, em 7 de junho, foi chamado pelo técnico Claudio Coutinho para aquecer. Ao que parece Coutinho esqueceu e deixou Jorge Mendonça no aquecimento por mais de 30 minutos. Acabou entrando no lugar de Zico apenas aos 38 minutos do segundo tempo. Ainda assim, ganhou a posição de titular da equipe. Ao todo vestiu a camisa canarinha em 11 oportunidades e marcou 2 gols. De volta ao Palmeiras, após atravessar por uma má fase, passou a ser um dos principais nomes da equipe que encantou o futebol brasileiro em 1979 sob o comando técnico de Telê Santana, participando inclusive da história vitória alviverde por 4 a 1 frente o Flamengo em pleno Maracanã, em 9 de dezembro, na partida que para muitos definiu a ida de Telê para a seleção brasileira. Sua relação com o técnico disciplinador, no entanto, não era boa, principalmente por seu comportamento fora do campo. Jorge Mendonça acabou sendo negociado para o Vasco da Gama em 1980. Ficou pouco tempo na equipe da Cruz de Malta e não demorou muito para voltar ao futebol paulista, ainda naquele ano, desta vez para defender as cores de outro alviverde, o Guarani. Na equipe campineira voltou a brilhar, sendo artilheiro do campeonato paulista de 1981, com 38 gols, campeão da Taça de Prata, segunda divisão do brasileiro, pelo Guarani em 1981, e levando a equipe as semifinais do campeonato brasileiro em 1982, com o ataque mais positivo da competição, 53 gols. Tudo isso, no entanto, não foi o suficiente para que fosse lembrado por Telê para a Copa do Mundo, em seu lugar foram Zico e Renato do São Paulo. Talvez a frustração por não ter sido convocado para a Copa tenha influenciado sua performance em campo e em 1983 mudou de ares novamente, foi justamente para o maior rival do Guarani, a Ponte Preta, onde chegou a atuar com Mário Sérgio e Dicá. Ficou na Macaca até 1985, de onde saiu para atuar no Cruzeiro. Também não demorou na equipe mineira, e já em 1986 foi defender o Rio Branco do Espírito Santo. Ainda atuaria pelo extinto Colorado, novamente pela Ponte Preta e por fim o Paulista de Jundiaí, onde encerrou a carreira em 1991. Jorge Mendonça foi um jogador único, cracaço de bola que tinha uma inteligência rara no meio campo e grande habilidade para marcar gols. Infelizmente não levou toda esta capacidade para sua vida pessoal e assim como tantos outros grandes nomes do futebol passou a impressão de que poderia ser ainda maior do que foi.



 

 

A formiguinha e sua história de amor por Placar.

Autor: José Renato - 10/09/2015   Comentários 2 comentários

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Maior revista de esporte do Brasil, a Placar nasceu em 1970, um pouco antes da Copa do Mundo do México conquistada por nossa seleção de futebol. Digna sucessora de importantes publicações, tais como Globo Sportivo, Esporte Ilustrado, Gazeta Esportiva Ilustrada, Manchete Esportiva, Revista do Esporte e tantas outras, logo passou a ser fonte obrigatória de todos aficionados pelo esporte bretão. Cá entre nós, muito mais que isso. Tornou se também uma importante publicação voltada para alfabetização de tantos meninos que, assim como eu, aprenderam a ler através de suas páginas. Nasci em 1970, diferentemente da revista, um pouco depois da Copa do Mundo. Não demorou muito para que ela passasse a ser minha companheira inseparável. Em qualquer lugar, na sala, no banheiro, embaixo do travesseiro, no meio dos livros de escola, sempre era possível me ver com uma edição da revista nas mãos. Confesso que nem sempre foi fácil, uma vez que não eram raras as reclamações de que eu só queria saber de futebol e que aquilo não me levaria a lugar algum (como se precisasse). Posso afirmar também que não era bem assim, pois, na verdade eu respirava futebol e a Placar era minha bíblia (minha avó que me perdoe). Passaram os anos e o futebol deixou de ser a coisa mais importante da minha vida. Não por coincidência de forma quase que simultânea, a revista Placar também foi perdendo sua relevância junto aos seus leitores. Mas afinal, o que ou quem teria mudado? Eu ou a revista? Certamente os dois. Eu, apenas uma formiguinha, no meio de tantas outras, cresci, entrei na faculdade, me formei, passei a trabalhar, constitui família (não exatamente nesta ordem) e alcancei outras conquistas. Apesar de tantas coisas, permaneci amando o futebol. Após concluir meu mestrado em engenharia, resolvi passar a escrever sobre futebol, mais especificamente, sua história. Em 2002 investi recursos em meu primeiro livro do gênero. Desde então já foram sete, alguns publicados por editoras e outros igualmente bancados por mim. Em todos eles, havia algo em comum, o desejo de conseguir ao menos um espaço de divulgação na Placar. Nem sempre foi possível, e quando foi, o caminho, bem difícil. Demais da conta. Ainda assim prazeroso. Se para divulgar a dificuldade era tão grande, escrever para a revista então era algo inimaginável para esta formiguinha. Ainda assim, ela passou a manter um site, o www.memoriafutebol.com.br (já que você, «nome», chegou até aqui, quem sabe não faz uma visita a ele rs rs) e a escrever semanalmente sobre historias e curiosidades do futebol neste espaço. A Placar também mudou. Não me cabe explicitar os motivos que, segundo minha humilde opinião, levaram a revista a perder esta relação que outrora mantinha com seus leitores fiéis. O mais importante, no entanto, é que, apesar de tudo, a publicação resistiu: não morreu. Durante todo este tempo, me mantive religiosamente, comprando todas as edições. Por conta disso, foi grande a minha alegria ao receber a noticia, em junho passado, que a revista passaria a ser gerida por outra editora, mais especificamente por profissionais que também são apaixonadas por futebol. O presente maior viria poucas semanas depois, quando a formiguinha foi convidada a escrever para a publicação que foi sua companheira de toda vida. A edição deste mês de setembro marca a sua primeira participação na revista, um espaço onde ela escreverá sobre curiosidades do esporte ao longo dos tempos. Uma alegria que não me cabe e que se renovará durante todo o tempo em que for digna deste espaço.



 

 

Terto, o Pelé Nordestino.

Autor: José Renato - 07/09/2015   Comentários 1 comentários

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Tertuliano Severiano dos Santos nasceu na cidade do Recife em 29 de dezembro de 1946. O nome “pouco usual” fez com que logo passasse a ser conhecido como Terto. Começou no futebol em 1965 jogando pelo Santa Cruz. Numa época em que o futebol local era plenamente dominado pelo Náutico, que foi hexacampeão estadual, foi considerado uma das grandes esperanças do tricolor pernambucano. Apesar de possuir pouca habilidade técnica o fato de possuir grande vigor físico o permitia correr o campo todo e atuar em várias posições no meio de campo e ataque. Ganhou status junto à torcida, sobretudo pelo fato de não achar que havia bola perdida. Sempre que a perdia sua posse, continuava junto aos calcanhares dos adversários, para recuperá-la, um verdadeiro “carrapato”. Após grandes atuações pela equipe coral em 1967, foi contratado por outro tricolor, o paulista, no começo de 1968, aonde chegou com status de “Pelé Nordestino”, um exagero que foi evidenciado logo nos primeiros treinos no São Paulo. Sua estreia no tricolor foi em 11 de fevereiro de 1968, na vitória por 3 a 1 frente o XV de Piracicaba, quando entrou no lugar do, até então, titular Ismael. Logo em sua segunda partida, fez o gol da vitória, por 1 a 0, frente o Juventus, aos 40 minutos do segundo tempo, o que o levou a titularidade na equipe. A adaptação no tricolor não foi fácil, sobretudo pela vida solitária que levava na cidade, o que contribuiu muito com sua decisão de passar a frequentar a noite paulistana com certa frequência. Atuações irregulares fizeram com que passasse a atuar em várias posições. Até de volante chegou a atuar. Em um São Paulo que contava com craques do nível de Roberto Dias, Pedro Rocha e Gerson, Terto era exatamente o contraponto, aquele jogador “formiguinha” que corria por todos. O segredo era lançar a bola para ele correr e trombar no meio dos zagueiros. Virou um xodó dos dirigentes e da torcida tricolor, que revezavam em chama-lo entre perna de pau e genial. A imprensa costumava brincar muito com isso. Durante esta época a rádio Jovem Pan tinha um programa de muito sucesso chamado Show de Rádio que começava suas transmissões de futebol, destacando “...o esporte bretão que consagrou Terto”. Bicampeão paulista pelo São Paulo nos anos de 1970 e 1971 entrou na história também por ser o autor do primeiro gol do clube em campeonatos brasileiros, no dia 14 de agosto de 1971, na derrota por 3 a 1 frente o Santos. Naquele ano seria vice-campeão daquela competição. Jogando pelo tricolor, ainda foi campeão paulista em 1975. Ao longo de 10 anos vestindo a camisa do São Paulo, marcou 86 gols em 499 jogos. No final do estadual de 1977 foi contratado por outro tricolor, o da cidade de Ribeirão Preto, o Botafogo, onde atuou com o genial Sócrates. Seguindo a sua carreira, sempre tricolor, em 1979 foi contratado pelo Ferroviário do Ceará, onde foi campeão cearense daquele ano, sua ultima conquista como jogador. No ano seguinte, em 1980, ainda atuaria no “Tricolor de Aço”, o Fortaleza, sendo vice-campeão estadual. Terto foi um sobrevivente do futebol. Um dos muitos exemplos de jogadores que surgiram no nordeste, onde ganharam a fama de craque, e ainda que não o fossem, fizeram sucesso atuando por grandes equipes do futebol brasileiro.




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