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Blog Memória Futebol


Eram os deuses jogadores?

Autor: José Renato - 31/10/2012   Comentários Nenhum comentário

Por Luiz Guilherme Piva

1.

O semideus Barcos, tresloucado, cegado por uma nuvem negra, foi jogar em Bogotá.

Desperto, percebe depois o ato suicida, que ameaça seu futuro, e tem de cumprir seis missões hercúleas para se redimir.

Tem que domar os touros vermelhos nos pampas. Destruir a hidra alvinegra que bota fogo pelas cabeças. Parar a corça  de ouro velocíssima e incansável. Derrubar a ave mortífera que habita próximo à lagoa. Matar o dragão do planalto. E vencer o cão de três cabeças e três cores que tem guiado todos aos infernos.

Se falhar, receberá o castigo de ser mortal e humano.

Se vencer, será deus, imortal.

E cravará seu nome no Olimpo palmeirense.

2.

As cobras, do Veríssimo, depois de assistir, por uns quatro quadrinhos, a um pôr-do-sol deslumbrante, comentam: “É, tem coisas que só mesmo um profissional pra fazer bem feito!”

É o mesmo que diriam se tivessem visto a atuação do Ronaldinho contra o Fluminense.

3.

Há craques que são comparados aos deuses, arquétipos que servem para engrandecer e classificar. Há também, pouquíssimos, aqueles comparáveis ao Deus das religiões.

Mas houve um que era tão craque quanto esses.

Que poderia estar no Olimpo ou no céu.

Porém, nunca se pôs nesse patamar, e quase nunca é posto lá por alguém.

Que jogou com alguns deuses e com um Deus.

Mas não reverenciava nenhum deles, ou reverenciava a todos do mesmo jeito, ou não estava nem aí para nada disso.

Porque era pagão.

Fonte: Blog do Juca Kfouri em 25/10/2012


 

 

Messi e Gabriel - Futebol é coisa séria

31/10/2012 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Lionel Messi & Gabrie

Durante muito tempo.

Futebol foi coisa de criança;

Quando de adultos.

Era apenas de adultos que não queriam nada com nada.

Noitadas, gols e mulherada.

Será?

Engano.

Futebol é coisa muito séria.

Muito além do finito das pessoas e suas ambliopias.

Porque o futebol faz as crianças sonharem.

A imagem do jovem Gabriel encontrando-se com Lionel Messi.

Gabriel que não possui os pés.

Gabriel que carrega no olhar o sentimento do mundo.

É uma destas imagens que são coisa muito séria.

Em um mundo canhesto e vulgar.

Onde coisa séria é guerra e violência.

Corrupção e miséria.

O poder e o sonho contidos no futebol são extraordinários.

O futebol que já cancelou matanças.

O futebol que já ajudou flagelados de enchentes e secas.

O futebol que une gregos e troianos em tempos de Copa do Mundo

·onde mais um jogo Irã x EUA?

O futebol é coisa muito, muito séria.

Muito além das baladas e funks dessa vida...

Fonte da Imagem: Blog do Juca Kfouri



 

 

A arte do ex-trio do COL

Autor: Adriano Fernandes - 31/10/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Ricardo Trade, Ricardo teixeira & Joana Havelange

Por Juca Kfouri

Em 14 de fevereiro do ano passado, o então presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, Ricardo Teixeira, sua filha Joana Havelange e Ricardo Trade, os dois últimos na condição de mais altos dirigentes do órgão, se reuniram para estabelecer os bônus a que fariam jus todos os 40 funcionários da entidade.

Sob a justificativa de “entrega satisfatória dos eventos” todos ganharam gratificações, num total de R$ 2.339.849.

A maior parte, por coincidência, para os três participantes da reunião.

Teixeira, que recebia R$ 110 mil por mês, amealhou a bagatela de R$ 869 mil.

Sua filha Joana, cujo salário era de R$ 74.600, recebeu a módica quantia de R$ 544.580.

E Trade, mais modesto, com salário de R$ 50 mil, ganhou R$ 170.400.

O total dos bônus dos três atinge R$ 1.583.980.

Os R$ 750.869 restantes foram divididos pelos demais 37 funcionários, numa média de R$ 20.293 para cada um.

Verdade que Fernanda Fortuna Pizzi, íntima de Joana, foi agraciada com R$ 174.191, o que deixou aos demais 36, em média, R$ 16.018.

Larissa Nuzman, por exemplo, filha de Carlos Nuzman, do COB e do CoRio-16, recebeu bônus de R$ 24.768, com salário de R$ 11.258, porque a cartolagem é como a monarquia, passa de pais para filhos, como se por direito divino.

Bem que nossas avós nos ensinavam que “quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte”.

Fonte da Imagem: Blog do Juca Kfouri

Fonte: Blog do Juca Kfouri em 30/10/2012



 

 

Os 11 maiores componentes do folclore do futebol brasileiro

Autor: Adriano Fernandes - 30/10/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

pele-garrincha-01.jpg

O futebol é uma cultura muito rica. Não se trata apenas de um jogo, um esporte, uma diversão. É mais do que apenas resultados, estatísticas e súmulas. Por suas características tão próprias e particulares, o futebol consegue produzir em seu redor uma quantidade enciclopédica de elementos simbólicos e icônicos, representados por histórias, eventos, pessoas e feitos. É isso que eu chamo, aqui, de folclore.

Quando é o futebol brasileiro, então, nem se fala. Temos uma quantidade passada, presente e futura de craques que nenhuma outra nação consegue igualar. Tamos torcidas apaixonadas, dedicadas. Temos times notáveis ao longo de tantos anos de campeonatos. Temos até mesmo um longo histórico de desorganização que, por bem ou por mal, sempre leva a casos intrigantes. Temos, enfim, história, cultura e folclore em nosso futebol.

Esta lista é uma tentativa de reunir os elementos mais importantes, marcantes e influentes desse nosso folclore futebolístico.

11 - AS PERNAS DE GARRINCHA

Quis o destino que o maior driblador do futebol brasileiro, quiçá do futebol mundial, tivesse sido dotado de um par de pernas incrivelmente implausível. A direita arqueava-se para dentro, a esquerda fazia uma curva para fora. Os joelhos, aparentemente fora de lugar sob as coxas, não tinham o menor jeito de serem capazes de sustentar o peso de um corpo, quanto mais suportar acelerações, freadas, fintas, súbitas mudanças de direção. As pernas de Mané Garrincha eram uma absoluta impossibilidade que, em ação, botavam de lado a realidade e dançavam. Dessa forma, eram também uma metáfora de seu dono: o eterno crianção preguiçoso e nada atlético que, com uma bola em sua frente e dois adversários a marcá-lo, transformava-se num extraordinário jogador. Os membros inferiores retorcidos acabaram por se render ao tempo e ao esforço, no turbilhão que foi o fim da carreira do Mané. Mas ficaram imortalizados em seu apelido, Anjo das Pernas Tortas. E nas palavras do poeta brasiliense Nicolas Behr: “Nem tudo que é torto é errado/Veja as pernas do Garrincha e as árvores do cerrado”.

10 - O SAPO DO ARUBINHA

Uma deliciosa lenda carioca. Em dezembro de 1937, o pequeno Andarahy esperava o Vasco em uma noite chuvosa para um jogo pelo campeonato estadual. Nada de os vascaínos aparecerem por várias horas (seu ônibus havia sofrido um acidente), mas o time do subúrbio não quis pedir o W.O., pois achava que seria indelicado com o adversário. Quando o Vasco finalmente chegou, o ponta-esquerda Arubinha pediu para os cruzmaltinos retribuírem a cortesia e não humilharem o Andarahy. Não serviu de nada: o time da colina fez 12-0, sem piedade dos oponentes que haviam aguardado tanto tempo na chuva. Arubinha, enfurecido, ajoelhou-se no campo e praguejou, suplicando aos céus que deixasse o Vasco 12 anos sem um título, como punição pelo ato vil daquele dia. E de fato o Vasco não ganhou nada a partir dali. A cada título perdido vinha a lembrança de Arubinha. De algum lugar, então, veio a sugestão de que o ponta havia enterrado um sapo no gramado de São Januário, para selar a maldição. O campo foi revirado e nada do sapo. O Vasco recorreu ao próprio Arubinha, pedindo que ele revelasse a localização do bicho. O jogador disse que nunca havia enterrado sapo algum, mas retirou a praga. No mesmo ano (1945) o Vasco voltou a ser campeão. O sapo, aliás, nunca foi encontrado.

9 - O JEJUM DE 23 ANOS

A seca do Vasco causada por Arubinha e seu sapo inexistente não foi nada perto do que aconteceu ao Corinthians. Entre 1954 e 1977 o alvinegro não ganhou um titulozinho que fosse. Jogadores e mais jogadores eram contratados como salvadores da pátria e sumariamente execrados quando não conseguiam levar o time do Parque São Jorge à tão esperada consagração. Garrincha, já em fim de carreira, passou por lá, bem como o raçudo zagueiro Ditão, o polêmico Almir Pernambuquinho e o craque Rivellino – que protagonizou cenas de amor e ódio extremos e sai chutado do clube que o aclamou como um de seus maiores ídolos. Esse tenso período de 23 anos teve uma serventia: definir o sentimento de corintianismo, provavelmente a única relação entre time e torcida que ganhou denominação própria. O Corinthians, paradoxalmente, atraiu e fidelizou torcedores durante seu calvário, consolidando a figura do corintiano como um apaixonado sofredor, que encontra alegria na tristeza e nunca, em tempo algum, deixa sua paixão se abalar. Essas emoções cultivadas explodiram em 77, quando Basílio marcou o famoso gol sobre a Ponte Preta que arrancou o grito da garganta da Fiel.

8 - A DUPLA DINÂMICA

O Brasil começou a Copa de 1958 desconfiado de dois jogadores reservas daquela seleção: Garrincha e Pelé, um firuleiro e um moleque. Ambos haviam sido testados na preparação para o mundial e considerados talentosos, porém imaturos. Eram opções aos titulares Joel e Dida. Então, no terceiro jogo da fase de grupos o time passou por algumas mudanças e Garrincha e Pelé ganharam chance. Não decepcionaram, e ficaram com as vagas. Começava de vez a maior parceria da história do futebol mundial. Naquela triunfante Copa, Pelé viria a marcar seis gols em quatro jogos e Garrincha infernizaria defensores de todas as nacionalidades com suas estripulias pela ponta-direita. Era só o começo. Ao todo foram 40 jogos juntos pela seleção, com 35 vitórias e 5 empates – o Brasil nunca perdeu com Pelé e Garrincha lado a lado. Marcaram, juntos, 55 gols e disputaram três Copas, vencendo duas. Números e brilho condizentes com o que representaram para o futebol.

7 - A CONVULSÃO DE RONALDO

Se há coisa que atiça o ser humano é um bom mistério, principalmente se vier acompanhado de teorias conspiratórias. Foi o caso do piripaque sofrido por Ronaldo pouco antes da final da Copa de 1998. O atacante, aos 21 anos, era o melhor jogador do mundo, astro da seleção e do torneio e esperava-se que decidisse o mundial a favor do Brasil. Durante a tarde, ao cochilar, teve uma convulsão que o levou para o hospital e deixou toda a delegação nacional com a pulga atrás da orelha. Seu nome chegou a ser omitido da ficha de escalação pré-jogo, mas ele foi a campo – até hoje não se sabe bem quem autorizou. Ele insistiu? A CBF? A Nike, através de alguma cláusula escusa do contrato de patrocínio? O fato é que Ronaldo jogou (mal) e o que quer que tenha se passado naquelas misteriosas horas foi o que nos custou a Copa, segundo a crença geral. Até hoje o caso não foi esclarecido, e sua obscuridade mantém a história viva na memória brasileira.

6 - OS GOLS QUE PELÉ NÃO FEZ

A cena: um jogador, mais ousado, percebe o goleiro adversário adiantado e dispara um chute do meio-campo, sem pestanejar. A bola descreve uma parábola, a torcida prende a respiração, o infeliz arqueiro não se recupera a tempo. Gol. Acrescenta o narrador: “Foi o gol que o Pelé não fez”. A referência vem da Copa de 1970. No jogo contra a Tchecoslováquia, na fase de grupos, Pelé espiou o goleiro Ivo Viktor fora de posição e mandou da linha central, errando por centímetros. Se tivesse marcado seria um golaço dos mundiais. A ousadia e o susto pregado em Viktor, combinados com o caprichoso desvio da bola, eternizaram a tentativa da mesma forma. Bem como o drible vertiginoso aplicado no uruguaio Ladislao Mazurkiewicz na semifinal, sem tocar na bola – que também gerou um memorável quase-gol. E o que dizer do tiro de primeira rebatendo tiro de meta de Mazurkiewicz? E da cabeçada impecável para defesa impossível de Gordon Banks? Os não-gols de Pelé são quase tão célebres quanto os gols. Só o Rei poderia ser assim.

5 - A DEMOCRACIA CORINTIANA

Veio do clube do povo, evidentemente, uma experiência única de gestão participativa de uma equipe de futebol. Em plena ditadura no Brasil, um regime autoritário foi derrubado no Corinthians por um movimento de jogadores, que, em parceria com a nova diretoria, implementou um sistema inovador de tomada de decisões. Foi a Democracia Corintiana, fruto da união de atletas politizados e de ideologias bem marcadas – Sócrates, Wladimir, Casagrande – com cartolas modernizadores – Waldemar Pires, Adilson Monteiro Alves. No regime da Democracia, os jogadores tinham voz e voto nas resoluções e podiam opinar em temas amplos, como a condução política do clube, ou em detalhes da vida cotidiana, como a necessidade da concentração antes dos jogos. O movimento extrapolou o âmbito esportivo e batalhou pelas eleições diretas no país. Durante o período, o Corinthians exibiu em sua camisa slogans pró-abertura democrática, e Sócrates era figura fácil nos comícios das Diretas Já. Durou pouco – entre 1982 e 1984 -, mas rendeu dois títulos paulistas e subverteu o status quo do futebol, elevando a figura do jogador.

4 - A REDENÇÃO DO FENÔMENO

Ronaldo protagonizou duas histórias mitológicas do futebol brasileiro. A primeira, já abordada, foi sua queda em 1998. Deu a volta por cima em 2002, de forma absolutamente épica. O centroavante chegou à Copa do Mundo entre descrenças. Afinal, acabava de praticamente reaprender a andar depois de uma medonha contusão no joelho direito que o deixou longe dos campos por mais de um ano. Sem ritmo de jogo, temia-se pelo rendimento de Ronaldo no mundial. E dele a seleção dependia muito, já que o técnico Luiz Felipe Scolari resistiu aos apelos do país e não convocou Romário. Pois Ronaldo fez o que já se sabe. Marcou oito gols (mais do que qualquer outro jogador em um mundial desde 1970), incluindo o único da semifinal e os dois da final, e ganhou a Copa para o Brasil. No fim do ano, foi eleito pela terceira vez (recorde histórico) o melhor do mundo. Nada mau para quem havia esfacelado o joelho alguns meses antes.

3 - A BATALHA DOS AFLITOS

A final da Série B de 2005 ainda provoca lágrimas nos gremistas. O Grêmio disputava o quadrangular final contra Náutico, Santa Cruz e Portuguesa. A rodada final, em 26 de novembro, aconteceu toda em Recife: o Santa recebeu a Lusa e o Imortal visitou o Timbu. Com a vitória do Santa Cruz, apenas uma vaga para a elite sobraria para os combatentes no fatídico Estádio dos Aflitos. Quem vencesse levava, e o empate beneficiava o tricolor gaúcho. O Náutico perdeu um pênalti ainda no primeiro tempo, e o Grêmio, de tanto barrar o jogo do adversário, teve o lateral-esquerdo Alejandro Escalona expulso. Faltando 20 minutos, novo pênalti para os donos da casa, e expulsão do volante Nunes. Os jogadores gremistas se revoltaram contra o árbitro Djalma Beltrami, e Domingos e Patrício também acabaram expulsos. Parecia o fim: um pênalti contra e quatro jogadores a menos. Aí deu-se a sucessão de milagres. O goleiro Galatto salvou com as pernas a cobrança de Ademar, e abafou o escanteio subsequente. Anderson ficou com a bola, arrancou e provocou a expulsão do zagueiro adversário Batata. Na sequência, conduziu a bola em linda jogada individual e marcou. O Grêmio se segurou por 10 minutos com três homens de desvantagem e sagrou-se campeão, após tudo indicar que o destino seria mais um ano de segunda divisão. A Batalha dos Aflitos, como foi chamada a partida, virou documentário em 2007 e história para sempre.

2 - O FLA-FLU DA LAGOA

Nelson Rodrigues sacralizou o Fla-Flu, dizendo que ele havia nascido “quarenta minutos antes do nada”. Mas foi seu irmão Mário Filho que a eternizou em sua crônica do maior de todos os Fla-Flus. O nome que ele mesmo deu foi o que ficou: Fla-Flu da Lagoa, o clássico para definir todos os clássicos, o jogo mais mirabolante de que se tem notícia no Brasil. A Lagoa em questão é a Rodrigo de Freitas, que, por muito tempo, antes da criação de vários aterros, teve o campo da Gávea às suas margens. O Fla-Flu em questão foi válido pela última rodada do returno do Campeonato Carioca de 1941. Vitória do Fluminense ou empate resultavam em título tricolor. O Flamengo precisava ganhar para ser campeão. Faltando seis minutos, com o jogo empatado em 2-2, o Flu (que já havia tentado de tudo para embromar o jogo) passou a adotar uma estratégia hilária: sempre que retinha a posse, disparava a bola para dentro da lagoa. Cada reposição exigia que se buscasse a bola na água. Os seis minutos arrastaram-se por toda a tarde e noite adentro. A ideia malandra deu certo e o Flamengo não conseguiu o terceiro gol a tempo. O jogo em si teve muitas outras atribulações, mas o artifício “bola na lagoa” foi mesmo o fato mais marcante, que até hoje permeia essa grande rivalidade que opõe o aristocrático e o popular no futebol do Rio de Janeiro.

1 - O MARACANAZO

A maior tragédia do futebol brasileiro é também o grande evento da nossa mitologia futebolística. Todos conhecem a história. O Brasil organizou a Copa de 1950 como uma festa de auto-consagração e construiu o Maracanã para ser o palco do nosso grande triunfo nacional. As performances do time na segunda fase inflaram a confiança, políticos oportunistas de aproveitaram dos jogadores, jornais estamparam manchetes precoces comemorando a conquista. Os uruguaios foram desconsiderados. Na final, reverteram o placar, calaram o maior estádio do mundo, fizeram 200 mil pessoas chorarem, incrédulas, e sagraram-se campeões do mundo debaixo dos nossos narizes. A derrota abalou não só o futebol nacional como também a auto-estima do povo e a confiança no crescimento anunciado do país. Numa sociedade tão entrelaçada com o futebol, o Maracanazo acabou se consolidando como tragédia nacional, como se fosse a derrota em uma guerra. Até hoje é sadicamente recordado por todos. Os aniversários não passam em branco. Alcides Ghiggia, o uruguaio que passeou pela ponta-direita no jogo, único dos 22 em campo naquele dia que ainda é vivo, é incensado como uma espécia de anti-divindade, ao mesmo tempo odiado e admirado. Histórias sobre a decisão foram contadas e desmentidas, e vidas inteiras de jogadores e torcedores ficaram marcadas por aquele 16 de julho. Em um país que sofre de crônica perda de memória, o Maracanazo é o acontecimento que nunca passou.

Por Guilherme para o site Onze Ideal em  19/7/2011

Fonte da Imagem: CBF.com.br



 

 

As lambanças de Mister Referee

Autor: José Renato - 30/10/2012   Comentários Nenhum comentário

Van Persie

Por Juca Kfouri

O jogo no Stamford Bridge era disputado lealmente a tal ponto que a primeira falta foi assinalada apenas aos 22 minutos de jogo.

E os visitantes do Manchester United mandavam no clássico contra o Chelsea, ao fazer 2 a 0 graças ao holandês Van Persie, que mandou no travessão e a bola bateu no brasileiro David Luiz no primeiro gol, e fez o segundo em jogada do equatoriano Valencia pela direita, tudo isso com 12 minutos de jogo.

Só no fim, em cobrança de falta, aos 44, o Chelsea diminuiu, com o espanhol Juan Mata, depois de, é verdade, ter exigido grandes defesas do também espanhol De Gea.

E os donos da casa vieram para matar no segundo tempo, até que o brasileiro Oscar pôs na cabeça do também brasileiro Ramires, aos 7.

Estava empatado.

Era um jogaço até que o sérvio Ivanovic deixou o time londrino com 10, ao fazer falta digna mesmo de um vermelho, aos 17.

Mesmo assim os azuis não desistiram, mas, aos 23, Fernando Torres foi levemente tocado, o apitador inglês Mister Referee viu simulação onde não foi e deu o segundo amarelo ao espanhol.

Nove contra 11 não dava e o terceiro gol dos diabos vermelhos, que não venciam havia dez anos no campo do rival, do mexicano Chicharito Hernandez, foi feito em impedimento, depois de chute do brasileiro Rafael.

O Chelsea segue líder, com 22 pontos, um a mais que os dois times de Manchester, o United e o City.

Mister Referee, que tinha apitado a final da Olimpíada em Wembley, acabou com o jogo.

Uma lambança digna da arbitragem brasileira.

Que faz escola

Fonte da Imagem: Blog do Juca Kfouri/AFP

Fonte: Blog do Juca Kfouri em 28/10/2012



 

 

Saiu das bancas para ficar só na história.

Autor: José Renato - 30/10/2012   Comentários Nenhum comentário

jt.jpg

Em nota de poucas linhas, diretor administrativo do Grupo

Estado, Francisco Mesquita Neto, o Chiquito, desliga os

aparelhos que mantinham o Jornal da Tarde na falsa vida

dos últimos anos.

Nasceu em 4 de janeiro de 1966 para se tornar um menino

prodígio que, em menos de um ano, saltava da tiragem de

15 para 30 mil exemplares diários.

Ainda menino, imberbe, transformou-se na Bíblia que todo

jornalista precisava ler diariamente, como a água necessária

para quem tem sede.

Ultrapassou a barreira dos cem mil exemplares e teve picos

de 200 mil exemplares vendidos nas bancas.

Lá se vai ele, não para a lata de lixo que tentaram colocá-lo

nos últimos anos, mas sim para o alto do pódio da história.

História que nós construimos, vivemos e sofremos.

E, claro, que nos trouxe também a alegria de vários prêmios.

Na verdade, milhares, pois cada edição, cada dia, cada

chegada às bancas era saudada como um prêmio. Deunos

alegria maior: a família que formamos.

Agora, ele é sacrificado para dar força à vida do irmão mais

velho. “Prova de amor maior não há do que dar a vida pelo

irmão”, diz uma canção religiosa.

Que assim seja.

Mas o JT não descansará em Paz. Simplesmente, não

descansará pois será lembrado, reverenciado e

homenageado no dia a dia por quem teve a alegria de

conhecê-lo.

Abraços,

*04-01-1966

†30-10-2012 



 

 

O ouro de Yane Marques

29/10/2012 Categoria: Roberto Vieira   Comentários Nenhum comentário

Yane Marques (Fonte: AFP Photo & John Macdougall)

Yane Marques começou sertão.

Moça de vidas secas.

Céu azul e chuva graciliana.

Severina de Cabral esquecida dos ricos e poderosos.

Heróina de Euclides e Gonzagas.

Yane que sonhou ser olímpica na sombra do umbuzeiro.

Yane que sonhou-se asa branca.

O assum preto cantou seu mais belo canto.

Cego e apaixonado por Yane.

E lá se foi a gentil sertaneja ser atleta na vida.

Pentatleta.

Apenas o carinho da mãe no coração e bornal.

Pequena ajuda do Exército Brasileiro.

Yane comoveu milhões com seu sorriso.

Com suas corridas e estocadas em Londres.

Yane que ganhou bronze sendo sua alma de ouro.

O mais puro ouro da mais pura alma.

Recebida em Pernambuco com pompa, carro de bombeiros.

Apertos de mão oportunistas.

Gritos de fãs e afagos do Poder.

Yane logo foi sendo esquecida.

Sobrevivendo novamente do sonho e do carinho materno.

Do pequeno patrocínio como estagiária.

Yane que decerto.

Continuará sendo infinita até o Rio de Janeiro.

Triste porém,

é esse esquecimento cruel e secular.

Esquecimento de quem poderia ajudar o sonho de Yane.

Governo, empresas, mídia.

Até mesmo o Clube Náutico Capibaribe.

Clube do coração de Yane.

Todos prontos para a publicidade fácil.

Todos incapazes de sonhar o sonho de Yane...

Fonte da Imagem: Yane Marques - UOL/AFP Photo/John Macdougall 



 

 

Bola de Capotão Cravada no Peito do Goleiro!

Autor: Adriano Fernandes - 29/10/2012 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Vejo meu amigo Alberto Helena Jr desde 1967 (ou será 1968?) no programa Bem, Amigos, do Galvão Bueno, no Sportv, contando uma história sobre o ponta Carreiro, dono de uma bomba no pé esquerdo, e o goleiro Jaguaré, um maravilhoso-maluco que jogava a bola no cocuruto do adversário depois de fazer a defesa. A história que se passa no fim dos anos 30 ou início dos 40, serve de motivo para diversas brincadeiras dos participantes do programa, as mesmas brincadeiras das quais sou vítima por contar “causos” de um passado longíquo que só ouvi falar.

E a pureza volta ao meu coração!

Deixemos falcatruas e o money momentaneamente de lado.

Juntemos o Alberto Helena; a Copa do Mundo e a maravilhosa história (ou será lenda) de Carreiro e o grande Jaguaré – que encantou as francesas nos anos 30 e 40, defendendo o Racing Club de Paris e o Mônaco!

A história do Helena conta que certa vez num Vasco e Fluminense, o juiz marcou pênalti contra o o Vasco.

Carreiro ajeitou a bola na marca do pênalti.

Contam que Jaguaré gritou:

- Vou pegar!

No que Carreiro respondeu:

- Acho melhor você sair da frente!

Carreiro tomou distância e bateu forte na bola. Dizem que ele chutava de olhos fechados, mirava, depois fechava os olhos e enchia o pé.

A torcida de pé… Jaguaré nem se mexeu… aí veio aquele “oh” prolongado, todo mundo procurando a bola no fundo do gol. Jaguaré em pé, Carreiro parado, todos parados dentro do campo.

De repente, Jaguaré começou a cair para trás como nos desenhos animados, dentro do gol, a bola grudada no peito.

Gol e o goleiro desmaiado.

Quando chegou o pessoal do socorro, tiraram a bola do peito de Jaguaré, suspenderam a camisa preta do goleiro e lá estava… marcados para sempre no peito do goleiro os 3 lances do cadarço que fechavam a boca por onde a câmera de ar era enfiada dentro do couro, antes de ser inchada.

História ou lenda do Alberto Helena não importa. A verdade é que a capotão, com a qual cheguei a jogar minhas pelada, quando batia na testa doía demais.

Por: Michel Laurence 

Fonte da Imagem: Net Vasco

Fonte: Jogo Quase Perfieto em 18/10/2011



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