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Blog Memória Futebol


O Polêmico Rui Rei

Autor: José Renato - 26/10/2015   Comentários Nenhum comentário

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O filho da empregada doméstica, dona Deusedina, nasceu na zona sul do Rio de Janeiro, em 17 de janeiro de 1953. O menino Rui Rei de Araújo passava boa parte do seu tempo caçando passarinhos, jogando bolinha de gude e futebol de botão. Também adorava bater bola na praia do Leblon. Tinha pouco mais de 15 anos quando resolveu fazer teste no Flamengo, graças a um amigo que o emprestou um par de chuteiras. Poucos minutos foram suficientes para impressionar a comissão técnica rubro-negra e logo foi convidado a fazer parte da equipe juvenil, onde fez parceria com Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Bicampeão juvenil nos anos de 1972 e 1973 passou ao time profissional em 1974, sendo campeão estadual logo no seu ano de estreia. Apesar disso, não conseguiu repetir as atuações que teve na base. Após 19 jogos e 7 gols marcados, foi emprestado para a Ponte Preta no começo de 1975. Sua estreia na equipe campineira, em 16 de fevereiro, no amistoso frente o Londrina, vitória por 3 a 0, foi o sinal do que seria a sua marca na Macaca, gols. Naquele dia fez um gol e não deixou mais a titularidade. Destaque na Ponte Preta, foi vice artilheiro do campeonato paulista de 1975 com 16 gols. Ao final da competição, o Flamengo pediu seu retorno, no entanto os dirigentes campineiros pagaram o valor estipulado pelo passe e o manteve no clube. Por conta da ausência da equipe campineira no campeonato brasileiro, foi novamente emprestado, agora para a Portuguesa. Na Lusa passou a atuar com outro genial jogador, Enéas, com quem dividiu a artilharia da equipe em 1976. No começo de 1977, a Ponte Preta o trouxe de volta para fazer parte de uma das maiores equipes da história do clube. Foi o grande artilheiro de um time fantástico que contou com craques do nível de Dicá, Oscar, Carlos e tantos outros. As três partidas finais válidas pelo campeonato paulista, contra o Corinthians, que buscava dar o fim a um incomodo tabu de 23 anos sem conquistar o título, marcaram para sempre a sua carreira. Após a vitória corintiana por 1 a 0 na primeira partida, em 5 de outubro, foi ele um dos responsáveis a silenciar mais de 145 mil torcedores que bateram, para sempre, o recorde de publico do estádio do Morumbi, ao marcar o gol da vitória da Ponte Preta, por 2 a 1, na segunda partida, realizada em 9 de outubro. Rui Rei passou a ser a grande esperança do titulo da Macaca. O dia 13 de outubro de 1977, mais especificamente foi definitivo para o artilheiro. Logo aos 17 minutos de jogo, após reclamar de forma insistente com o arbitro Dulcídio Vanderlei Boschilia, por uma falta sofrida, não marcada, foi expulso. Sua ausência comprometeu, e muito, a equipe ponte-pretana, que acabou perdendo a partida por 1 a 0, e o titulo paulista. De imediato foi acusado de ter sido “comprado” para facilitar a conquista corintiana. Jamais voltaria a vestir a camisa da Ponte Preta. Embora tenha recebido propostas para atuar na equipe mexicana, do Universidad de Guadalajara e do Sport Recife, preferiu ficar em seu “exilio” particular no Rio de Janeiro. Chegou a ser contatado pelo Fluminense, mas teve sua contratação negada por conta da polemica das finais do campeonato paulista. O ano de 1978 começou com um surpreendente convite para atuar justamente pelo Corinthians. Chegou ao aeroporto de Congonhas, na capital paulista, e foi direto a casa do presidente da equipe paulistana, Vicente Matheus, onde acertou as bases de seu contrato. As desconfianças passaram a ser ainda maiores. Estreou com a camisa corintiana em 12 de março de 1978 em um amistoso frente a equipe mineira do Uberlândia. Logo aos 18 minutos, marcou o único gol alvinegro no empate por 1 gol. Pouco mais de um mês, em 23 de abril voltou a ganhar destaque da imprensa, ao entrar em campo vestido com duas camisas, e jogar uma delas para a torcida, após marcar o primeiro dos 2 gols, na vitória por 4 a 0 frente a equipe mato-grossense do Dom Bosco. Sua passagem no Corinthians, no entanto, foi apagada e não demorou muito para ser emprestado, no meio do campeonato paulista de 1979 (sua ultima partida aconteceu em 20 de maio), para o América do Rio de Janeiro. Em seguida foi defender as cores do Fortaleza, onde foi vice-campeão cearense em 1980. Ainda passou pelo Botafogo do Rio de Janeiro, mas se machucou na estreia e logo voltou ao Corinthians, dono do seu passe. Em 15 de março de 1981 fez sua reestreia com a camisa corintiana, marcando o único gol da equipe na derrota por 2 a 1 frente a Ponte Preta. Sua ultima partida pelo Corinthians aconteceu em 15 de novembro daquele ano, em partida valida pelo campeonato paulista. Aquela equipe fez uma campanha muita fraca naquela competição, o que acabou provocando sua participação na Taça de Prata, segunda divisão do Brasileiro, do ano seguinte. O resultado disso é que muitos jogadores foram vendidos ao final da temporada, dentre eles, Rui Rei. Sua carreira no Corinthians contou com 21 gols em 77 partidas Foi contratado pela equipe colombiana do Deportes Tolima, que se classificou para as semifinais da Taça Libertadores de 1982. Logo estaria de volta ao futebol brasileiro, onde ainda atuou pelo Taubaté, Portuguesa do Rio de Janeiro, Rio Negro de Manaus, Nova Cidade do Rio de Janeiro. Encerrou a carreira em 1987, aos 34 anos jogando pela equipe espanhola do Sestao. Rui Rei foi um grande goleador, um destes jogadores que acabaram colocando muito a perder por conta de uma ação de certo desequilíbrio, em um momento histórico que, caso evitado, poderia ter o levado a um patamar excepcional da sua carreira.

 

 

O Detonador de Invencibilidades, Renato Sá

Autor: José Renato - 19/10/2015   Comentários Nenhum comentário

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Renato Luís de Sá Filho nasceu na cidade catarinense de Tubarão em 15 de junho de 1955. Seu pai tinha jogado futebol na equipe catarinense do Avaí, durante a década de 1940, o que contribuiu muito para que, ainda menino, gostasse tanto de futebol. Apesar disso, naquele tempo, seus pais acreditavam que o futebol não era uma boa alternativa para o filho, que passou a praticar futsal apenas como um hobby. Partiu para a capital do estado, Florianópolis, para trabalhar no BESC, Banco do Estado de Santa Catarina, e logo foi convidado para atuar no time de futsal do banco. Jogador extremamente técnico, dono de um passe refinado e goleador, Renato se destacou na equipe, que em 27 de dezembro de 1975 disputaria a final do campeonato estadual de futsal frente ao IEE, Instituto Estadual de Educação. Naquele dia, no entanto, Renato recebeu uma violenta cabeçada que o deixou desacordado. Levado para o hospital Celso Ramos foi internado na UTI, Unidade de Terapia Intensiva, onde permaneceu por 48 horas. Após este período, foi para o quarto, onde recebeu dois mimos de seu técnico, Rozendo Lima, o troféu de artilheiro da competição e a medalha de vice-campeão. Sua alta hospitalar foi autorizada apenas em 3 de janeiro de 1976. O susto havia sido grande o que poderia servir para reforçar ainda mais os desejos dos pais em não ver o filho como jogador de futebol. No entanto, não foi o que aconteceu. Procurado pelos dirigentes do Avaí, já aos 20 anos, Renato Sá assinou seu primeiro contrato como jogador de futebol de campo. O tempo serviu para comprovar o sucesso nesta troca do salão pelo campo. Reserva da equipe, estreou no Avaí em 11 de abril de 1976, marcando um dos gols da vitória por 2 a 0 frente o Guarani, em partida valida pelo campeonato estadual. Atuando no meio campo, centroavante ou ponta esquerda, Renato Sá logo ganhou destaque, não apenas por sua polivalência, mas principalmente por sua categoria e um chute certeiro. Ganhou a titularidade durante o campeonato brasileiro daquele ano. Fez uma ótima temporada no Avaí em 1977, sendo vice-campeão estadual. Em 13 de novembro daquele ano teve decisiva atuação, com direito a um gol de sua autoria na vitória por 2 a 1 frente o Grêmio e que deu fim a uma invencibilidade de 26 anos da equipe tricolor em partidas contra o Avaí. No começo de 1978, acabou contratado pelo próprio Grêmio. Logo em seu primeiro campeonato brasileiro, defendendo as cores gremistas, Renato Sá fez história ao marcar 2 gols, da goleada de 3 a 0 frente ao Botafogo do Rio de Janeiro, em pleno estádio do Maracanã no dia 20 de julho de 1978. O resultado não apenas eliminou os cariocas, mas também deu fim a uma incrível invencibilidade de 52 jogos da equipe da Estrela Solitária. Ao final da temporada foi contratado justamente pelo Botafogo para a disputa do campeonato estadual de 1979. Com a camisa do Botafogo, coube ao destino atribuir, novamente, a Renato Sá o papel de protagonista no fim outra invencibilidade. Em 2 de junho de 1979, mais uma vez, no estádio do Maracanã, um publico de 139 mil pessoas assistiu a vitória alvinegra frente ao Flamengo, por 1 a 0, com um gol dele. Com esta derrota o Flamengo não conseguiu ultrapassar a marca de 52 jogos invictos, que o próprio Renato interromperá menos de um ano antes. Ficou no Botafogo até o campeonato brasileiro de 1980. De volta ao Grêmio, viveu um período vitorioso, sendo campeão gaúcho de 1980 e campeão brasileiro em 1981, a primeira conquista nacional do Imortal Tricolor. Retornou ao futebol carioca em 1982, desta vez para defender o Vasco da Gama. Não conseguiu se destacar na equipe da cruz de malta, e após ter feito um razoável campeonato brasileiro e atuar em 4 partidas pelo campeonato carioca, foi contratado pelo Atlético Mineiro, onde também não conseguiu a titularidade. Ainda assim, pode incluir em seu currículo, os títulos de campeão carioca e mineiro de 1982. Após ser semifinalista do campeonato brasileiro pelo Galo em 1983, foi cedido ao Atlético Paranaense. Com 28 anos de idade, Renato Sá viveu grandes momentos no Furacão, onde voltou a ser titular e campeão estadual de 1983 e 1985. Entre as duas conquistas, teve uma breve passagem pelo Pinheiros, equipe que defendeu durante o campeonato brasileiro de 1985. Aos 32 anos, encerrou a carreira no Atlético Paranaense, de quem ganhou o passe livre como presente de casamento com a filha do ex-senador e governador de Santa Catarina, Jorge Bornhausen. Tinha a intenção de voltar a vestir a camisa do Avaí, mas acabou não concretizando este desejo. Renato Sá foi um jogador marcado pelo destino para fazer história, impossível não associar seu nome com o de quebra de invencibilidades, algo presente em sua carreira, curiosamente, sempre tendo como palco, o maior estádio do mundo, o Maracanã.



 

 

O Cigano Claudio Adão

Autor: José Renato - 12/10/2015   Comentários Nenhum comentário

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Claudio Adalberto Adão nasceu em 2 de julho de 1955 na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Nunca teve gosto pelos estudos e, aos 13 anos, os abandonou de vez para ir morar com a tia na cidade de Santos. O inicio no futebol aconteceu em Cubatão, cidade vizinha, ainda com 15 anos, jogando pela equipe amadora do Unidos do Parque Fernando Jorge. De lá saiu para atuar pelos juvenis da Portuguesa Santista. Em partida contra o Santos, marcou 2 gols e foi levado para a Vila Belmiro em 1972. Inicialmente como meio campista, por sugestão de Pelé, seu companheiro de time, passou a ser atacante, chegando a marcar por volta de 80 gols pelas equipes de base. Campeão paulista em 1973 foi imediato o surgimento de comparações com o Rei, sobretudo após o maior de todos os tempos se despedir da equipe alvinegra em 1974. Adão passou a ser um dos grandes nomes de uma equipe que ainda sofria da ausência Dele. Com 20 anos foi convocado para a seleção olímpica que conquistou os Jogos Pan Americanos de 1975 e o Torneio Pré-Olímpico de 1976. Possui uma media incrível de 14 gols marcados em 12 jogos disputados com a camisa amarelinha. Sua história no Santos e na Seleção, no entanto, acabaria em 2 de maio de 1976, em partida válida pelo campeonato paulista em São José do Rio Preto frente o América. Após uma dividida com o goleiro Luís Antonio, fraturou a tíbia e o perônio. A recuperação foi demorada e já em 1977 quando estava em tratamento na Escola de Educação Física do Exército no Rio de Janeiro, surgiu o interesse do Flamengo, cujo técnico era o militar Claudio Coutinho, em contratá-lo. Sua estreia no rubro negro aconteceu em um clássico frente o Fluminense, derrota por 2 a 1, em partida amistosa, quando entrou no lugar do meio campista Tita. Na verdade, talvez seja possível considerar que sua verdadeira estreia tenha acontecido, poucos dias depois, em 31 de julho, quando formou com Zico a dupla de ataque na partida, válida pelo campeonato carioca, frente a Portuguesa Carioca. Juntos, a dupla marcou 2 gols, um cada, da vitória por 4 a 0. Era apenas o começo de uma parceria que fez história do Flamengo. Foi tricampeão carioca com o Mengo nos anos de 1978 e 1979, quando houve dois campeonatos, sendo artilheiro da competição em 1978, com 19 gols ao lado de Zico e Roberto Dinamite e vice-artilheiro da edição especial de 1979 com 19 gols novamente. Problemas com a diretoria rubro-negra acabaram o levando, em 1980, a defender o Botafogo do Rio, durante o campeonato brasileiro daquele ano. Logo surgiu o interesse do futebol europeu e Adão se mandou para jogar no Áustria Viena. Ainda naquele ano, voltou ao futebol brasileiro, para atuar no Fluminense, onde foi campeão carioca, aliás, tetracampeão consecutivo e artilheiro da competição, com 20 gols. Após um ano de 1981 no tricolor, ao final da temporada, seguiu para defender o ultimo grande carioca que ainda faltava, o Vasco da Gama. Após um bom campeonato brasileiro e atuar nas duas primeiras partidas do campeonato carioca de 1982, podendo ser considerado, campeão carioca, Adão foi contratado pelo Al Ainn, equipe dos Emirados Árabes, onde foi artilheiro, campeão e ficou até 1983. Contratado pelo presidente do Benfica, Fernando Martins, para atuar na equipe portuguesa, após apenas 2 meses disputando amistosos, foi reprovado pelo técnico sueco Sven-Goran Eriksson e acabou indo direto para o Flamengo. De volta ao rubro negro, Adão não conseguiu conquistar a titularidade da equipe, que ficou com Edmar. Já em 1984 faria a sua segunda passagem pelo Botafogo. Atuou pela equipe da estrela solitária durante o campeonato brasileiro e posteriormente vestiu a camisa alvirrubra do Bangu no campeonato carioca daquele ano. Tinha 29 anos quando chegou em Moça Bonita para atuar em uma equipe badalada por conta dos altos investimentos de seu patrono, Castor de Andrade. Claudio Adão fez um ótimo campeonato, sendo o artilheiro da competição, ao lado de Baltazar do Botafogo, com 12 gols. Começou 1985, atuando pelo Vasco da Gama durante o campeonato brasileiro. Já no segundo semestre voltou ao Bangu. Embora não fosse titular da equipe, Adão teve uma participação decisiva naquele time. O Bangu precisava apenas empatar a partida final frente o Fluminense, em 18 de dezembro de 1985, para conquistar o titulo estadual. Após sair vencendo e sofrer a virada no segundo tempo, o Bangu partiu para o ataque, e aos 46 minutos, após um belo lançamento de Marinho, Claudio Adão teve a chance de empatar o jogo, quando recebeu uma “gravata” do zagueiro tricolor, Vica. Todos viram aquele pênalti, exceto o arbitro José Roberto Wright, que deu continuidade a jogada. Resultado, Fluminense campeão carioca. O futebol nordestino foi seu destino em 1986, mais especificamente, o Bahia. Foi campeão baiano e artilheiro da competição com 27 gols, e um dos destaques da equipe tricolor que chegou as quartas de finais do campeonato brasileiro daquele ano. Novamente em alta, foi contratado pela Portuguesa em 1987. Para quem ainda duvidava da eficiência do atacante de 31 anos, em 22 de março, marcou os três gols da vitória lusa por 3 a 1 sobre o Corinthians. Seu próximo destino foi o Cruzeiro, por quem atuou na I Copa União, o campeonato brasileiro daquele ano, chegando as semifinais da competição. Em 1988, estava de volta pela terceira vez ao Botafogo e novamente teve uma passagem discreta no alvinegro. O regulamento do campeonato brasileiro daquele ano definia que após toda partida terminada empatada, teria que haver uma disputa por penalidades, com o vencedor ganhando mais um ponto. Embora já fosse cobrador de pênaltis nas equipes por quais passou, a frequência de suas cobranças passou a chamar atenção pelo fato dele não tomar distancia. Adão movia quase todo o seu corpo, próximo a bola, e chutava forte. Chegou ao Corinthians em 1989, onde teve uma passagem discreta, mas ainda assim marcante por conta de um gol de calcanhar em sua ultima partida, no clássico contra o Palmeiras, em 10 de dezembro, resultado que eliminou o rival da classificação para a final do campeonato brasileiro daquele ano. Contratado pela equipe peruana do Sport Boys em 1990, Claudia Adão foi vice-campeão nacional e, aos 35 anos de idade, artilheiro da competição com 31 gols. Em 1991, de volta ao Bahia, foi novamente campeão estadual. Já com 37 anos, o folego parecia estar próximo do fim, quando passou pelo Campo Grande e em seguida, no Ceará, onde foi campeão estadual de 1992, junto com mais três equipes, o Fortaleza, Icasa e Tiradentes. Em 1993 voltou ao futebol peruano para atuar no Deportivo Sipesa, que tinha conquistado o acesso para a primeira divisão. O fraco desempenho de sua equipe e uma trágica morte de um amigo, em um acidente aéreo, o fizeram voltar ao Brasil, para jogar pelo Volta Redonda. Logo a seguir, no mesmo ano, defendeu o Santa Cruz durante o campeonato brasileiro. Em 1994, o futebol capixaba foi seu destino, outro alvinegro, o Rio Branco. Já no ano seguinte, prestes a completar 40 anos, retornou ao futebol carioca, novamente no Volta Redonda, Foi titular na vitória da equipe do interior sobre o Fluminense, que viria a ser o campeão da competição, por 2 a 1, em 9 de março de 1995. Ainda naquele ano voltou para o Espirito Santo, para jogar na Desportiva Ferroviária. Encerrou a carreira em 1996, em sua terceira passagem no Volta Redonda. Claudio Adão foi um cigano do futebol, um artilheiro nato em todas as 21 equipes, e mais seleção olímpica, em que atuou ao longo de 24 anos como profissional. Segundo seus próprios cálculos, 862 gols marcados, para outras fontes, 591 tentos, o que certamente o garante como um digno representante de qualquer lista dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro.



 

 

Valdir Appel, o Goleiro maior que o Gol.

Autor: José Renato - 05/10/2015   Comentários 2 comentários

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Nascido em 1° de maio de 1946, na cidade catarinense de Brusque, filho de Rosa e Herbert Appel, o menino Valdir vivia intensamente o esporte, sobretudo, por conta de seu pai e de seu tio, Oswaldo, que praticavam várias modalidades esportivas. Arqueiro, seu pai impressionava pelos voos espetaculares. Já seu tio que se destacava por sua discrição e segurança, virou Santo Oswaldo, como goleiro titular do time local, o Clube Esportivo Paysandú. Valdir tinha 11 anos, quando testemunhou um fato histórico em sua cidade. Em 30 de março de 1958, seu clube do coração, o Botafogo do Rio de Janeiro teria como adversário o Carlos Renaux, grande rival do seu Paysandú. Por estas coisas que apenas o futebol pode explicar, o “carrenô” abriu uma vantagem, ainda no começo do segundo tempo, de 5 a 1 frente ao esquadrão da Estrela Solitária que contava com craques como Didi, Nilton Santos, Garrincha e Quarentinha. Aborrecido, Valdir resolveu voltar para casa e acabou não testemunhando os 4 gols alvinegros, em pouco mais de 20 minutos, que empataram aquela partida em 5 a 5. Não demorou muito que, já como Chiquinho, apelido dado por sua mãe, assumisse a posição de goleiro dos infantis do Paysandú. Em 1960, aos 14 anos, uma nova experiência que parecia ser um indicativo de seu futuro. O goleiro Barbosa, aquele da Copa do Mundo de 1950, foi convidado para ir até Brusque realizar um treino aberto aos torcedores. Valdir passou a tarde toda atrás dele, “defendendo” as bolas em sua direção. Se ainda pairava alguma duvida em sua cabeça, ali passou a ter uma certeza, queria ser goleiro profissional. Em 1962, com apenas 16 anos assumiu a titularidade do time principal do Paysandú. Após duas boas temporadas, foi natural chamar atenção do rival Carlos Renaux que disputaria a fase final do campeonato catarinense de 1962, já no ano seguinte. Sua estreia no tricolor aconteceu em 17 de março de 1963, em uma histórica vitória de 4 a 1 frente o atual bicampeão catarinense, e que acabou sendo tricampeão aquele ano, o Metropol. Com o termino da competição voltou ao Paysandú, onde ficou até o final 1964. No ano seguinte, seguiu uma tradição de seus conterrâneos e foi ao Rio de Janeiro prestar serviço militar na Polícia do Exercito, já com o claro interesse de se tornar profissional no futebol carioca. Durante o serviço militar, fez testes no América do Rio de Janeiro, do técnico Gentil Cardoso, por indicação de um capitão. Aprovado, o clube de Campos Sales adquiriu seu passo por empréstimo Em função da ditadura militar, mal conseguia treinar e por conta disso atuou em apenas duas partidas do time de aspirantes. Uma delas, justamente contra o Vasco da Gama, onde realizaria testes em abril de 1966. Acabou contratado em definitivo pelo clube de São Januário Embora fosse ainda muito jovem, com 19 anos, já conseguia reunir características normalmente presentes em goleiro mais experientes, a frieza, o bom posicionamento e muita elasticidade. Logo em seu primeiro ano na equipe da Cruz de Malta, foi campeão carioca de aspirantes em 1966. Promovido para a equipe principal, que fazia campanha irregular no estadual, passou a ser titular até que, por conta de uma surpreendente derrota para o Campo Grande no estádio do Maracanã, em 14 de outubro de 1967, no dia em que Dadá Maravilha surgiu para o futebol ao marcar o gol, irregular, da vitória do Campo Grande, foi afastado junto com outros grandes nomes, dentre os quais Brito e Fontana, pelo técnico Ademir Menezes, o Queixada. De volta a equipe aspirante, acabou sendo bicampeão carioca da categoria e ganhando de vez sua posição de titular da equipe para o ano seguinte. Naquele tempo, o futebol brasileiro vivia uma safra de grandes goleiros, e embora Valdir mostrasse muita segurança no gol vascaíno, logo passou a viver grande concorrência. Em um pequeno intervalo de tempo, dois goleiros passaram por São Januário pleiteando seu lugar, Ado e Leão, futuros goleiros da seleção na Copa do Mundo de 1970, que acabaram sendo devidamente dispensados em seus testes e foram procurar abrigo na Corinthians e Palmeiras, respectivamente. O Vasco, comandado por Paulinho de Almeida, tinha um goleiro, Valdir. O ano de 1969 marcaria definitivamente a sua história. Eram reais as suas chances de convocação para a Seleção Brasileira que disputaria as eliminatórias para a Copa do Mundo do México. Em 16 de março de 1969, o Vasco vencia o clássico frente o Bangu, no estádio do Maracanã, por 1 a 0. O primeiro tempo chegava ao seu final, quando após fazer uma defesa milagrosa de um chute do atacante Dé, Valdir foi repor a bola em jogo. Um acidente de trabalho o fez arremessar a bola em direção de suas próprias redes. O arbitro, Arnaldo César Coelho deu o apito final ali mesmo. O arqueiro de apenas 22 anos atravessou em silencio toda a distancia de seu gol até o vestiário do Vasco, justamente no lado oposto do campo. Orientado pelo preparador físico, Carlos Alberto Parreira, se manteve focado na partida, batendo bola durante todo o intervalo. Ao retornar em campo, ainda foi colocado para falar com seu ídolo, Barbosa, que houvera sido marcado pelo gol sofrido na final da Copa do Mundo de 1950. Questionado por um repórter, se ele continuaria no jogo, sugeriu que sua mãe tomasse o seu lugar de goleiro. A partida acabou 1 a 1, mas as discussões sobre o gol prosseguiu por semanas. De nada adiantaram suas boas atuações nas partidas seguintes, após a primeira derrota do time no campeonato carioca, foi para o banco, e pouco depois emprestado, por três meses, ao Sport Recife, onde foi vice-campeão estadual. De volta ao Vasco da Gama para disputar o Roberto Gomes Pedrosa, Valdir era o reserva de Andrada, na partida frente ao Santos, vencida pelos paulistas por 2 a 1, realizada em 19 de novembro de 1969, quando Pelé marcou o seu milésimo gol. Por muito pouco não foi ele o goleiro vascaíno naquele dia, uma vez que o argentino Andrada chegou a ser duvida na partida, tamanho era seu nervosismo em se tornar o goleiro a sofrer este marca do Rei, o que acabou acontecendo mesmo. Em 1970, fez parte do plantel que conquistou o título de campeão estadual daquele ano, dando fim a um incomodo tabu de 11 anos de jejum sem titulo da equipe da colina. Com a contusão de Andrada em 1971, Valdir foi titular da equipe durante boa parte do campeonato carioca daquele ano, se consolidando de vez no elenco crumaltino. No começo de 1972, no entanto, precisou se submeter a uma, na época, complexa cirurgia no joelho esquerdo. Sua recuperação foi demorada. Ficou sem jogar o ano inteiro e foi, literalmente, afastado do clube. Um ano para se esquecer. Com passe livre na mão, seu retorno aconteceria apenas no ano seguinte, defendendo as cores do Campo Grande, durante a disputa do campeonato estadual. Ao seu final, emprestou seu passe ao CEUB, primeira equipe do Distrito Federal a disputar um campeonato brasileiro. Ainda que não estive em plena forma, por conta de seu joelho, Valdir foi um dos destaques da equipe que participou das edições de 1973 e 1974 da competição nacional. Logo estaria respirando novos ares, desta vez em Natal, para defender o Alecrim, no estadual de 1974. Teve bons momentos na equipe esmeraldina durante o campeonato potiguar, mas certamente o maior deles, foi quando resolveu entrar com a camisa do América, justamente no clássico frente ao ABC, provocando a ira da torcida rival, o que aumentou ao defender uma penalidade máxima batida pelo ídolo local, Alberi, e a simpatia de outra equipe que viria a contratá-lo no ano seguinte. 1975 foi o ano das vitórias frente ao seu antigo clube, o Vasco da Gama. Defendendo o Bonsucesso, em 5 de março, teve uma atuação memorável na vitória da equipe do subúrbio carioca por 1 a 0 em pleno estádio de São Januário, em partida válida pelo campeonato carioca. Poucos meses depois, em 27 de setembro, desta vez defendendo o América de Natal, lá estava Valdir, novamente ganhando todos os prêmios de melhor em campo, em nova vitória por 1 a 0 no campo cruzmaltino, em partida válida pelo campeonato brasileiro. Aquela vitória foi a maior zebra da Loteria Esportiva naquele final de semana, que contou com apenas um vencedor, o humilde lavrador Miron, que marcara vitória do América, por acredita que fosse o carioca e não o potiguar. No ano seguinte, foi o goleiro titular da primeira equipe do Volta Redonda que estreou no campeonato estadual e brasileiro de 1976. Valdir viveu grandes momentos no Voltaço e ao final de seu contrato recebeu seu passe. De férias em Brusque no começo de 1977, aceitou o desafio de atuar pelo Palmeiras de Blumenau, mas logo estava de volta ao futebol potiguar, mais precisamente no América. Após um bom campeonato brasileiro, com a eminente saída de Raul, do Cruzeiro para o Flamengo, Valdir acertou todas as clausulas de seu contrato com a equipe mineira. Saiu de Natal em direção a Belo Horizonte, e lá chegando foi informado que o novo técnico cruzeirense, Zé Duarte, o tinha preterido. A decepção foi gigantesca, ainda mais que tinha a intenção de encerrar sua carreira em Natal. Acabou indo ao futebol goiano, primeiramente no Goiânia entre os anos de 1978 e 1980. Posteriormente, o Atlético Goianiense, novamente o Goiânia, até encerrar a carreira no Rio Verde em 1982. Valdir foi uma marca de goleiro, um digno nome da escola Appel de grandes arqueiros, dos quais fizeram parte seu pai, Herbert e tio, Oswaldo. Um homem que suportou, como raríssimos fariam, momento de total isolamento e desconfiança de forma única, o que o fez maior que todos as suas defesas ao longo de seus mais de 20 anos de carreira.




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