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Blog Memória Futebol


O anjo negro, Eneas

Autor: José Renato - 30/11/2015   Comentários Nenhum comentário

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Eneas de Camargo nasceu no bairro do Jaçanã, na cidade de São Paulo, em 18 de março de 1954. Filho de Arnaldo de Camargo e Enedina Gomes de Camargo, assim como os irmãos, Edir, Ednilson, Elias e Edméia, recebeu um nome bíblico, no caso de um paralítico que houvera sido curado pelo apostolo Pedro, São Pedro. Quando a família se mudou para morar no Canindé, o menino de ainda 11 anos passou a frequentar a Portuguesa, onde logo começou a fazer parte da equipe de futebol de salão. Atuando como pivô, ao ser vice-campeão metropolitano em 1966, chamou a atenção do técnico da equipe juvenil e ex-atleta da Lusa, Nena, e passou para o futebol de campo. Aos 16 anos, em jogo treino contra a equipe titular, marcou dois gols, na vitória de 3 a 1 dos juvenis, passando a ser tratado como o “Pelezinho do Canindé”. Ainda amador, estreou na seleção brasileira olímpica em 1971, durante o Torneio Pré-Olímpico de Cali, na Colômbia, juntamente com outros dois estreantes que fizeram história no futebol brasileiro, Zico e Falcão. O título foi conquistado de forma invicta, com Éneas marcando gol na partida final frente o Peru, no dia 11 de dezembro. No ano seguinte, em 1972, assinaria seu primeiro contrato como profissional para atuar na Portuguesa do técnico Cilinho. Muito habilidoso e com o dom de dar dribles curtos, começou atuando no meio campo, com a função de armar e ajudar na marcação, o que para o técnico Oto Glória, recém-chegado a Portuguesa em 1973, era um grande desperdício, tamanha sua facilidade de chegar à área adversária. Acabou deslocado para atuar mais próximo ao ataque, e como ponta de lança, passou a ser o grande nome da equipe do Canindé, se tornando um dos grandes artilheiros do time. Após ser campeão da Taça São Paulo de 1973, competição promovida pela Federação Paulista de Futebol durante os 45 dias da excursão da seleção brasileira pela África e Europa, marcando gol na goleada por 3 a 0 frente o Palmeiras no dia 1° de julho, foi a grande revelação do campeonato paulista daquele ano, quando a sua Lusa dividiu o título estadual com o Santos de seu ídolo Pelé, em controversa final realizada em 26 de agosto. Servindo o Exército no 2° Batalhão de Guardas, no bairro do Cambuci, precisava ficar no quartel todos os dias entre às 6:00 e 14:00, o que fez com que desfalcasse a Portuguesa durante algumas partidas do campeonato brasileiro daquele ano. Nos tempos de quartel, brincava que vivia alguns “apuros” por conta das vitórias da Portuguesa frente o Corinthians. Enquanto recebia elogios do Tenente Fernandes, palmeirense, era colocado na cadeia pelo Tenente Landini, alvinegro. Se algumas equipes já tinham demonstrado interesse em sua contratação, sua primeira convocação para a seleção brasileira principal serviu para aumentar ainda mais este desejo por contar com seu futebol. Sua estreia com a camisa canarinha aconteceu no empate por 1 gol frente a seleção mexicana, em partida amistosa realizada no estádio do Maracanã, no dia 31 de março de 1974. Entrou durante a segunda etapa, no lugar de Mirandinha, mas não convenceu o técnico Zagallo que não o levou para a Copa Mundo da Alemanha. Suas atuações primorosas se revezavam com momentos de certa displicência, o que chegou a passar uma imagem de lento, em acusação injusta, similar a feita a outro fantástico jogador, Ademir da Guia. Ainda assim, o assédio continuava grande e os dirigentes da Lusa se mantinham irredutíveis na decisão de não vender seu principal jogador. No ano seguinte, em 1975, novamente levaria a Portuguesa as finais do campeonato paulista, desta vez frente ao São Paulo, que levou a melhor na decisão por pênaltis em partida realizada em 17 de agosto, após ser derrotado no tempo normal, por 1 a 0 com gol do próprio Enéas. Em 19 de fevereiro de 1976 comandou a Lusa em mais uma conquista, da Taça Governador do Estado de São Paulo, na goleada frente ao Guarani de Campinas por 4 a 0. Novamente convocado para a seleção, desta vez pelo técnico Osvaldo Brandão, foi titular nas partidas frente ao Paraguai, em 7 de abril de 1976, quando marcou o gol do empate de 1 a 1, e contra o Uruguai, no dia 28, na vitória por 2 a 1. Suas atuações, no entanto, não convenceram o experiente técnico, e Éneas não foi mais convocado. Continuou na Portuguesa, sempre sendo o principal nome da equipe enquanto esteve por lá, e mantido por dirigentes que não abriam mão de sua permanência no Canindé, o que sem duvida alguma prejudicou muito a sua carreira. Novamente destaque da equipe da Portuguesa que liderou todo o primeiro turno do campeonato paulista de 1980, acabou sendo contratado pela equipe italiana do Bologna, desfalcando a Lusa justamente nas finais do turno. Sua ultima partida com a camisa rubro verde aconteceu em 13 de julho de 1980 no empate por 1 a 1 frente a Internacional de Limeira. Ao todo atuou 376 vezes pela Portuguesa e marcou 179 gols, sendo o segundo maior artilheiro da historia do clube atrás apenas de Pinga, com 190 gols. Na Europa, o frio e a forte marcação do futebol italiano foram os grandes obstáculos para Éneas, que teve apenas lampejos de craque. Em 5 de outubro de 1980 teve uma atuação primorosa na vitória da equipe por 1 a 0 frente a grande Juventus, em plena cidade de Turim, que seria a campeã italiana da temporada de 1980/81, chegando a sofrer o pênalti que deu origem ao gol de seu time. Ainda assim, muito pouco diante de toda a expectativa gerada. Logo após sua primeira temporada, com 20 jogos disputados e 3 gols marcados, foi negociado com o Palmeiras. Seu retorno ao futebol brasileiro ganhou grande destaque, e foi considerada uma das maiores já realizadas até então. Sua estreia em 19 de agosto de 1981, na derrota por 2 a 1 frente ao Comercial de Ribeirão Preto em partida valida pelo campeonato paulista, no entanto, foi um sinal do que seria sua trajetória no alviverde. Atuando em uma equipe que sequer conseguiu uma vaga para o campeonato brasileiro de 1981 e 1982, uma vez que o campeonato estadual servia de classificação para a competição, e sofrendo com muitas contusões, sobretudo em seu joelho direito, Éneas foi apenas uma sombra do craque que despontara na Lusa. Ao final de 1983, após atritos com os técnicos Rubens Minelli e posteriormente com Carlos Alberto Silva, que assumira a equipe em 1984, acabou afastado da equipe por quase 8 meses. Deixou definitivamente o alviverde, após 93 partidas e 28 gols marcados, emprestado gratuitamente para atuar pelo XV de Piracicaba. Sua estreia na equipe do interior paulista foi promissora, na vitória por 2 a 1 frente o América de São José do Rio Preto, em 26 de agosto de 1984. Ledo engano. Em claro declínio técnico logo mudaria de ares. Passaria por Atlético Goianiense, Operário de Ponta Grossa e Juventude de Caxias do Sul, até, aos 32 anos, ser contratado pela Desportiva Ferroviária do Espirito Santo, para atuar nas partidas finais do campeonato capixaba de 1986. Em 6 jogos, marcou 6 gols, incluindo o decisivo da vitória por 2 a 1 frente ao Rio Branco, que valeu pelo titulo estadual em 25 de maio. Sua ultima equipe foi o Central Brasileira de Cotia em 1988. Éneas foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, dono de um talento raro e uma vítima de dirigentes que impediram seu crescimento profissional, em seu maior momento, sob a alegação do amor ao clube. Em outros tempos, sem a legislação vigente, em sua época, referente ao passe dos atletas junto aos clubes, teria sido, como atleta, muito mais do que foi.

 

 

O Indomável Serginho Chulapa.

Autor: José Renato - 23/11/2015   Comentários Nenhum comentário

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Sergio Bernardino nasceu no bairro da Casa Verde, na cidade de São Paulo em 23 de dezembro de 1953. Filho do meio do casal Otávio Bernardino e Laura. Juntamente com os irmãos Zé Carlos e Sônia, Serginho começou a trabalhar cedo para ajudar com as despesas de casa. Inicialmente como entregador de leite, posteriormente, ajudando a mãe em uma confecção. Palmeirense durante a infância, o menino adorava bater uma bola, e chegou a atuar em várias equipes de várzea da zona norte paulistana. Negro, magro e alto, só chutava com o pé esquerdo, por conta disso passou a ser conhecido como Esquerdinha. Após ter dois de seus amigos inseparáveis mortos em confronto com a polícia, passou a enxergar o futebol como uma forma de seguir outro caminho. Ainda assim, após ser reprovado em testes no Palmeiras e Portuguesa, resolveu que iria trabalhar na Telesp, atual Telefonica. Poucos dias antes, no entanto, ainda com 16 anos, juntamente com um amigo, Mauro Madureira, resolveu fazer uma peneira no São Paulo, no bairro do Bom Retiro. Naquele dia, chamou a atenção do treinador da categoria de base tricolor e ex-goleiro, José Poy. Foi convidado a treinar no clube. Seu começo no São Paulo não foi fácil. Sob o comando do técnico Telê Santana chegou a realizar algumas partidas na equipe profissional. Sua estreia aconteceu em 6 de junho de 1973, como Sergio II, por conta do goleiro tricolor se chamar Sergio, na verdade, Sergio Valentim, no empate sem gols frente ao Bahia, em partida amistosa realizada em Salvador. Jogando como ponta, não convencia e por mais que tenha feito um gol, no empate frente ao Corinthians por 1 a 1, logo em sua segunda partida, em 10 de junho, acabou sendo emprestado para o Marilia. Na “capital brasileira do alimento”, jogou pouco, mas foi lá que aconteceu um fato que chegou a ter influencia em sua carreira, a gravidez de uma namorada. Ameaçado de morte pelo pai da moça, um delegado de polícia, o jeito foi voltar ao Tricolor e desde então evitar, ao máximo, voltar para Marília, nem que para isso fosse necessário simular contusões ou provocar expulsões. Certa vez ao notar que Serginho estava reclamando demais de suas marcações, o arbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, logo se ligou que o atacante estava tentando forçar sua exclusão da próxima partida do São Paulo. Dulcídio o chamou de lado e falou: “....negão, você pode até matar alguém aqui hoje, que eu não te expulso.” Preocupado, restou a Serginho simular uma contusão no finalzinho da partida. De volta ao São Paulo em 1974, desta vez tendo Poy, seu descobridor, como técnico, logo em sua segunda partida após o retorno, marcou três gols, na goleada frente ao Rio Negro por 4 a 2, no dia 13 de março, em partida válida pelo campeonato brasileiro. Serginho foi bem naquela competição, marcando 9 gols em 11 partidas disputadas, ainda assim era reserva de outra grande atacante, Mirandinha. Em 24 de novembro daquele ano, no entanto, uma tragédia mudaria esta realidade. Em partida frente ao América de São José do Rio Preto, válida pelo campeonato paulista, após uma dividida com o zagueiro Baldini, Mirandinha fraturou a tíbia e o perônio de sua perna esquerda. A partida estava 1 a 0 para o tricolor, quando Serginho entrou no seu lugar e marcou mais dois gols da vitória por 3 a 0. Não saiu mais do time Passou a marcar gol de todo jeito, sobretudo por conta de uma rara habilidade, seu ponto forte, de jogar junto aos seus marcadores e usar o seu corpo para levar a melhor. Logo deixou o Sérgio II de lado e virou, definitivamente, Serginho. Pouco tempo depois, por conta do tamanho dos pés grandes, calçava 45, ganhou do atacante Terto, o apelido de Chulapa. Campeão paulista de 1975 e artilheiro da competição com 22 gols, Serginho passou a ser a grande referência da equipe tricolor, responsável pela maioria dos gols da equipe, o que acabou lhe rendendo o titulo de maior artilheiro da história do São Paulo, com 239 gols em 396 partidas oficiais. Novamente artilheiro do campeonato paulista em 1977, com 32 gols, era considerado, juntamente com Reinaldo, do Atlético Mineiro, um dos principais centroavantes do campeonato brasileiro de 1977. Até que em 12 de fevereiro de 1978 em partida frente ao Botafogo de Ribeirão, após ter um gol anulado, o que seria o de empate, aos 45 minutos do segundo tempo, partiu para cima do bandeirinha, Vandevaldo Rangel, o agredindo com um chute na canela. Expulso, acabou sendo punido com uma suspensão de 14 meses, da qual cumpriu 11 deles, a maior de um jogador na história do futebol brasileiro. O período fora dos campos acabou impedindo a sua convocação para a Copa do Mundo de 1978, segundo jornalistas da época por orientação do dirigente da CBD, atual CBF, o vascaíno Almirante Heleno Nunes, que queria Roberto Dinamite no selecionado. O fato é que Serginho vivia a sua melhor fase naquele ano. Suspenso, ficou ausente da partida final contra o invicto Atlético no Mineirão. Ainda assim, a pedido de dirigentes do tricolor, atendeu o chamado do amigo Muricy e chegou ao estádio mineiro de helicóptero momentos antes do inicio da partida. Aqueceu com os colegas e passou a nítida impressão que entraria em campo, passando aos mineiros certa preocupação que acabou contribuindo com a tarde pouco inspirada daquela que era considerada a melhor equipe da competição, mas que acabou sem o titulo, que ficou com o São Paulo. Voltou aos campos apenas em janeiro de 1979 para a disputa do campeonato paulista de 1978. Poucos meses depois, em 17 de junho daquele ano, coube a ele marcar um espetacular gol de cabeça, aos 14 minutos do segundo tempo da prorrogação frente ao Palmeiras, na vitória tricolor por 1 a 0 e que valeu a vaga para a final do Paulistão, que acabou sendo conquistado pelo Santos. A vingança, no entanto, viria no ano seguinte, quando Serginho marcou os dois gols das duas vitorias do tricolor por 1 a 0 nas partidas finais, em 16 e 19 de novembro, válidas pelo campeonato paulista de 1980, frente ao mesmo Alvinegro Praiano. No ano seguinte, em 1981, mais um titulo paulista, desta vez após vitória por 2 a 0 frente a Ponte Preta, em 29 de novembro, com direito a um gol após dar um chapéu no goleiro Carlos. Ainda naquele ano, poucos meses antes, voltou a se envolver em confusão. Sofrendo com hemorroidas, por orientação dos médicos do São Paulo, quando em crise, passou a utilizar absorvente intimo. Em 3 de maio de 1981, na final do campeonato brasileiro frente ao Grêmio, no estádio do Morumbi, o goleiro do tricolor gaúcho, Leão, ficou sabendo e passou a provocá-lo. Perdendo por 1 a 0 e vendo a conquista nacional escapando, aos 43 minutos do segundo tempo, Serginho não perdeu a oportunidade de dar um violento encontrão no goleiro e posteriormente dar um leve chute em seu rosto. Expulso, embora em grande fase, novamente passou a ser questionado quanto a eventual convocação para a Copa do Mundo de 1982. Do seu lado havia o fato do técnico da seleção brasileira ser Telê Santana, que houvera o lançado no tricolor em 1973. O Mestre Telê acabou o convencendo a mudar seu comportamento, era isso ou perderia mais uma Copa. Sob controle, Chulapa, foi apenas, Serginho, uma sombra do artilheiro do campeonato brasileiro daquele ano, com 20 gols, e teve uma atuação apagada na Copa do Mundo de 1982. Seus números com a camisa canarinho se resumiram a 22 partidas, desde sua estreia em 12 de outubro de 1977, na vitória por 3 a 0 frente ao Milan, até a fatídica derrota para a Seleção Italiana, por 3 a 2, em 5 de julho de 1982, e 10 gols marcados. Após ser vice-campeão paulista pelo São Paulo em 1982, foi contratado pelo Santos que buscava montar uma equipe competitiva para o campeonato brasileiro de 1983, condição imposta pelo presidente da CBF, Giulite Coutinho, para resgatar a equipe, “bionicamente”, da disputa da Taça de Prata, segunda divisão da competição, presente extensível ao Vasco da Gama, por conta da fraca campanha no campeonato estadual cuja classificação servia de critério para a disputa da competição nacional. No alvinegro da Vila Belmiro teve um grande ano de 1983, sendo vice-campeão brasileiro, e artilheiro da competição com 22 gols, assim como do campeonato paulista, com o mesmo número de gols. As confusões, no entanto, também continuaram. Em 31 de julho daquele ano, no clássico, que acabou empatado sem gols, frente ao Corinthians, após entrar em campo com fraque e cartola, acabou trocando socos e pontapés com o amigo Mauro, zagueiro adversário. Já no ano seguinte, novamente frente ao Corinthians, foi dele o gol da vitória por 1 a 0, em 2 de dezembro de 1984, e que acabou dando fim ao incomodo tabu de 6 anos sem títulos do Santos. Além de campeão paulista, também foi o artilheiro da competição, com 16 gols. Poucos dias depois, já em 1985, se apresentou justamente no adversário da final, como reforço de uma equipe repleta de grandes nomes, como Carlos, De Leon, Dunga, Arturzinho e Casagrande que retornava de um empréstimo ao São Paulo. Aquele time passou a ser conhecida, no papel, e apenas nele, como a Seleção Corintiana. Ao que parece, a presença de muitas estrelas não ajudou a criar um bom clima entre os atletas, a campanha da equipe foi pífia e a trajetória de Serginho no Corinthians durou apenas 11 meses, período em que atuou 38 vezes e marcou 14 gols. Voltou ao Santos em 1986, onde, após disputar um bom campeonato paulista, passou quase todo o segundo semestre sem jogar. Contusões crônicas impediam que permanecesse na ativa, ainda assim no começo de 1987 foi contratado pela equipe portuguesa do Marítimo, onde atuou apenas em 5 partidas e marcou 4 gols. Em 1988, retornou ao Santos, onde ficou até 1990, após uma curta passagem na equipe turca do Malatyaspor. Vestiu a camisa do Santos em 165 jogos, marcando 104 gols, sendo o terceiro maior artilheiro da história do Santos, após a era Pelé, atrás apenas de Neymar e Robinho. Saiu do Santos para atuar em 1991 na equipe vizinha, a Briosa, Portuguesa Santista e logo a seguir no São Caetano, onde marcou, de pênalti, o gol do empate em 2 a 2 frente ao Taquaritinga, em 13 de dezembro de 1992, que garantiu o vice-campeão da divisão intermediária do campeonato paulista daquele ano e o acesso da equipe do ABC paulista para a divisão principal do ano seguinte. Encerrou a carreira em 1993 no Atlético Sorocaba aos 39 anos de idade. Serginho foi um goleador com faro de gol, uma garantia ao torcedor que certamente o placar não acabaria em branco, um irreverente, folclórico e destemperado jogador, um retrato fiel do verdadeiro boleiro, para quem o que importa, sempre, é “bola na rede” e a palavra “perder” não faz parte do vocabulário.



 

 

Zico, o goleiro artilheiro, polêmico e lendário

Autor: José Renato - 16/11/2015   Comentários Nenhum comentário

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José Aparecido Rodrigues nasceu na cidade paranaense de Andirá em 09 de novembro de 1954. Membro de uma família de lavradores trabalhou até os 18 anos nas plantações da família Matsubara, mais especificamente dirigindo um trator. Ainda criança ganhou o apelido pelo qual passou a ser conhecido no futebol, Zico. Tinha como diversão aos finais de semana, bater bola com seus colegas de trabalho e tentar marcar um gol em seu pai, José, que era considerado um dos grandes goleiros da região. Em 1974, a família Matsubara fundou a equipe de futebol, Sociedade Esportiva Matsubara, cujo principal objetivo era revelar jovens talentos. Por orientação do pai, foi fazer testes na equipe para a posição de goleiro. Embora tivesse apenas 1,74 m de altura, era muito ágil e foi aprovado. Pelo fato da equipe do Matsubara, naquele tempo, atuar apenas em competições amadoras, Zico acabou se transferindo para o Nove de Julho da cidade de Cornélio Procópio e logo em seu primeiro ano como profissional, fez parte do elenco que conquistou a divisão de acesso do campeonato paranaense de 1975. Lá ficou até 1977, quando foi para equipe catarinense do Marcílio Dias, retornando em seguida para o futebol paranaense, desta vez para atuar no Toledo. Em meados de 1979 foi contratado pelo Cascavel, onde voltou a ser campeão da divisão de acesso do estadual. O ano de 1980 foi marcante. A equipe caçula na primeira divisão fez uma grande campanha e deve isso muito as atuações de Zico. No quadrangular final da competição, em 16 de novembro, no estádio Theodoro Colombelli, o popular Ninho da Cobra, ao repor a bola em campo com um chutão para frente, acabou surpreendendo o arqueiro rival, Joel Mendes, marcando o segundo gol da vitória por 3 a 0 frente ao Colorado. Duas semanas depois, o Colorado precisava golear o Cascavel por 5 gols de diferença para ser campeão estadual. Chegou a abrir 2 gols de vantagem ainda no primeiro tempo. Com dois jogadores expulso, outros dois atletas do Cascavel não voltaram para a partida após o intervalo. No primeiro lance do segundo tempo, Zico chutou a bola para fora e caiu ao chão sentindo uma duvidosa contusão. Com apenas 6 atletas em campo, abaixo do numero mínimo, o arbitro Tito Rodrigues encerrou a partida. A decisão do titulo paranaense foi para os tribunais e o titulo acabou sendo dividido pelas duas equipes. Zico voltaria aos holofotes em 25 de novembro de 1981, novamente em uma partida decisiva frente o Colorado. As equipes se enfrentavam por uma vaga na Taça de Prata de 1982. Durante a partida, que acabou 2 a 2, após um choque com o atacante Freitas, fraturou o braço. Uma vez que as substituições já tinham sido feitas, Zico permaneceu em campo e foi para a decisão por pênaltis. Após defender a cobrança batida pelo atacante Popéia, a disputa continuava empatada. Nas cobranças alternadas, Zico marcou a sua penalidade e em seguida defendeu, de cabeça, a bola chutada pelo goleiro Joel Mendes. O arbitro mandou voltar, alegando atitude antidesportiva. Na nova cobrança, a bola foi batida para fora. A vaga era do Cascavel. Em 22 de setembro de 1982, inconformado pelo gol impedido do União Bandeirante, na derrota do Cascavel por 2 a 1,em partida válida pelo campeonato paranaense, resolveu protestar com a arbitragem. Ao receber uma bola recuada, sentou sobre ela. A confusão foi generalizada e acabou com invasão da torcida rival. Ao final da temporada foi contratado para atuar pelo Colorado que disputaria a Taça de Ouro, a primeira divisão do campeonato brasileiro de 1983. Em sua primeira partida no estádio do Maracanã, em 2 de fevereiro de 1983, frente ao Botafogo, após o intervalo da partida, o arbitro, Gílson Ramos Cordeiro, apitou o reinicio da partida sem notar que Zico ainda não voltara do vestiário. Ao notarem isso, os atletas do alvinegro tentaram, em vão, desesperadamente chutar em direção do gol vazio. A cena do goleiro correndo em direção do gol com a bola já rolando, e gritando “olha eu aqui, olha eu aqui...”é, sem dúvida alguma, uma das mais engraçadas da história do maior estádio do mundo. O árbitro parou o jogo e deu bola ao chão. A partida acabou sem gols e ao final dela, Zico se dirigiu ao juiz para pedir desculpas pela trapalhada dizendo: “o estádio é muito grande, por isso é preciso prestar atenção a tudo o que acontece”. Embora tenha feito um bom campeonato com o Colorado, ainda naquele ano foi vendido ao Pinheiros. Após uma breve passagem no Comercial do Mato Grosso do Sul, durante o ano de 1984, retornou ao Pinheiros, onde ficou até 1985, saindo de volta ao Cascavel, onde era considerado um herói. Com 31 anos, por conta da demissão do técnico Mosquito, e pelo fato de estar contundido, chegou a atuar como técnico, com a condição de ficar no banco com o uniforme de goleiro. Não queria passar a imagem que teria aposentado. Saiu do Cascavel em 1987, contratado pelo CSA de Alagoas. No ano seguinte defendeu o ASA de Arapiraca. Em 1989 retornou ao Paraná, para atuar no Grêmio Maringá e encerrar a carreira no Sport de Campo Mourão em 1990. Zico foi um goleiro de momentos únicos, um protagonista em ocasiões inusitadas, um personagem real que certamente poderia fazer parte de qualquer lenda que tenha o futebol como plano de fundo.



 

 

O Deus Negro da Zaga, Lula Pereira

Autor: José Renato - 09/11/2015   Comentários 1 comentários

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O menino Luiz Carlos Bezerra Pereira nasceu na cidade pernambucana de Olinda em 6 de junho de 1956. Passou sua infância no pequeno município de Salgadinho, morando com sua mãe e irmã na casa do tio, Zé Paulo, e seus nove filhos. A vida era muito dura e as brincadeiras logo foram substituídas por atividades que ajudassem a reforçar a mesa da família. Durante a semana, catava mariscos, que costumam viver no meio da lama. Já aos finais de semana, tomava rumo dos estádios de Recife para vender picolés e laranjas aos torcedores que assistiam as grandes equipes da cidade. A necessidade fez com que os estudos fossem deixados de lado naquele momento. O futebol era sua grande paixão e incentivado pelo tio Zé, sua grande referência de vida, que fora jogador do América de Recife e do Fluminense do Rio de Janeiro, logo as peladas se tornaram uma rotina diária. Seu inicio como atleta aconteceu defendendo a equipe amadora da sua cidade, o Jet. Em 1971, por conta de sua grande estatura, não aparentava ter apenas 15 anos, chamou a atenção de um olheiro do Sport, que logo o convidou para fazer testes na Ilha do Retiro. Aliás, foi nesta época que, enquanto batia uma pelada, uma das pessoas com quem jogava levou uma edição da revista Placar e mostrou seu pai, Geraldo Pereira, em uma foto da equipe baiana do Jequié. Surpreso, pegou a revista e levou a sua mãe para que confirmasse. Foi desta forma que conheceu seu pai. Preparou uma carta e mandou ao pai. Ao final daquele ano, 1971, pegou um ônibus e foi até Feira de Santana para conhecê-lo. Algo marcante. Já sob a alcunha de Lula, foi aprovado para atuar no Leão. Enfim o futebol passou a ser uma possibilidade real de crescer na vida, deixando, de vez, a lama dos mariscos para trás. Sua estreia como titular na equipe principal aconteceria em 26 de janeiro de 1973, com 16 anos, no empate por 1 a 1 frente o Botafogo da Paraíba, em partida amistosa. Lançado pelo ex-goleiro paraguaio Juan Perez, que assumira o cargo de técnico da equipe, Lula passou a ganhar destaque na equipe com a chegada do técnico Otacílio Pires de Camargo, o Cilinho. Embora não tenha sido campeão naquele ano, Lula fez um ótimo campeonato pernambucano, sendo indicado com uma das grandes revelações da competição. O ano de 1975 foi marcante para a sua carreira. No primeiro semestre foi campeão pernambucano pelo Sport, tendo um importante papel para o fim de um incomodo tabu de quase 13 anos sem títulos da equipe rubro-negra. Campeão, diante das dificuldades em renovar seu contrato, teve seu passe estipulado na Federação Pernambucana de Futebol. Coube ao rival Santa Cruz fazer uma campanha junto à torcida para adquirir recursos para contratá-lo. A estreia de Lula, no entanto, aconteceu em uma partida que ainda é uma mancha na historia da equipe tricolor. Em 10 de setembro de 1975, na derrota por 1 a 0 frente ao Internacional, em partida válida pelo Brasileirão, a equipe pernambucana ficou com número insuficiente de atletas, menos de 7 jogadores, por conta de expulsões e simulações de contusão. O próprio Lula foi expulso naquele dia. A chegada do técnico Paulo Emílio, no entanto, mudou o astral da equipe que fez a mais bela campanha de um time nordestino, até então, em campeonatos brasileiros, ao chegar as semifinais da competição. Juntamente com Levir Culpi, Lula formou uma dupla de zaga que se destacou naquele ano, em uma equipe que também contou com outros importantes nomes, tais como os de Carlos Alberto Barbosa, Givanildo, Ramon, Nunes e Luís Fumanchu. Zagueiro que jogava duro, muito aplicado na marcação e que tinha um ótimo cabeceio, Lula também costumava se aventurar ao ataque, o que possibilitou que marcasse gols importantes. Em 26 de outubro de 1975, por exemplo, o Santinha perdia de 1 a 0 para o Palmeiras, no Parque Antarctica, quando Lula empatou o jogo que acabaria com a vitória pernambucana por 3 a 2. Aquele jogo foi considerado o grande divisor de águas da grande campanha da equipe da Cobra Coral. Conquistou três títulos pernambucanos com o Santa Cruz, em 1976, 1978 e 1979. Após o campeonato brasileiro de 1980, foi negociado junto ao Ceará Sporting Clube, onde passou a fazer dupla de zaga com seu ex-companheiro de Sport, Pedro Basílio. Sua estreia com a camisa alvinegra aconteceu em 22 de junho de 1980, em partida válida pelo campeonato cearense, na derrota por 1 a 0 frente ao Ferroviário. Embora já tivesse muitos títulos em seu currículo, Lula tinha apenas 23 anos e muita lenha para queimar. Não por acaso se transformou em um dos líderes do Vozão durante os quase 7 anos em que defendeu suas cores, período em que conquistou 4 títulos cearenses, em 1980, 1981, 1984 e 1986. Segundo muitos torcedores alvinegros, é um dos maiores nomes da história do clube. Não são poucos os fatos que marcaram a sua importância junto ao “Alvinegro de Porangabucu”. Em 2 de julho de 1986, por exemplo, em jogo válida pelo campeonato cearense, no estádio Presidente Vargas, frente o Guarany de Sobral, a partida estava dura, e após muito pressionar o Ceará abriu o placar, 1 a 0. Os jogadores foram em bloco comemorar com a torcida. Aproveitando o momento de distração, os atletas sobralenses reiniciaram a partida rapidamente, antes que os alvinegros voltassem para seu campo. O resultado foi o gol de empate, 1 a 1. Logo a seguir, o Ceará voltou ao ataque e marcou 2 a 1. Desta vez, apenas um jogador alvinegro não foi comemorar, Lula. Ele ficou em pé no circulo central, segurando a bola, enfrentando toda a equipe do Guarany que tentava, novamente, antecipar o reinicio da partida. A nova saída só foi dada, quando todos os atletas do Ceará já tinham retornado da comemoração e Lula resolveu entregar a bola aos adversários. Ao final, a vitória por 3 a 2 foi um importante passo para aquela equipe que conquistaria o título cearense em 24 de agosto, ao vencer o Fortaleza, por 2 a 1. Por conta do rompimento do tendão de Aquiles, Lula encerrou sua carreira ao final daquele ano, ainda com 30 anos. Lula foi um vencedor no futebol. Um digno e, infelizmente, raro exemplo de alguém que soube fazer do futebol, um legítimo meio para crescer e mudar seu futuro e de sua família. Um homem valoroso que é sempre lembrado com sorriso pelos torcedores dos clubes que defendeu.



 

 

O Xerife Moisés

Autor: José Renato - 02/11/2015   Comentários Nenhum comentário

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Moisés Matias de Andrade nasceu em 30 de novembro de 1948, na cidade de Resende no Rio de Janeiro. O começo no futebol aconteceu com apenas 17 anos de idade já como titular no Bonsucesso, equipe do subúrbio carioca, que disputou o campeonato carioca de 1966. Embora ainda fosse muito jovem, Moisés se destacou, por exercer um papel de liderança junto aos demais jogadores. Após três temporadas defendendo as cores do”Bonsuça”, Moisés chamou a atenção do Flamengo, sobretudo após o dia 11 de setembro de 1968, quando a surpreendente vitória por 2 a 0 frente aos rubro negros, em pleno Maracanã, acabou por provocar uma partida extra contra o Botafogo, para decidir o título da Taça Guanabara daquele ano. Os alvinegros aproveitaram bem a chance e golearam por 4 a 1. Contratado por empréstimo, sua estreia no Flamengo aconteceu, pouco mais de duas semanas depois, em 28 de setembro, no empate por 1 gol frente ao Bangu em partida válida pelo Roberto Gomes Pedrosa, competição que foi o embrião do campeonato brasileiro, que começaria a ser disputado em 1971. A má campanha da equipe, no entanto, fez com Moisés voltasse ao Bonsucesso para disputar o carioca de 1969 Ao final do campeonato, foi contratado, desta vez, pelo Botafogo. Participou da campanha da equipe que conquistou a Taça Brasil de 1968, sendo titular na vitória por 4 a 0 frente o Fortaleza, na final disputada já em 4 de outubro de 1969. Também teve boas atuações no time da Estrela Solitária, que chegou ao quadrangular final do torneio Roberto Gomes Pedrosa daquele ano. Zagueiro conhecido por sua virilidade, Moisés era temido pelos atacantes, sobretudo por acreditar que, a bola poderia passar por ele, já o adversário, não. Aliás, esta imagem fez com que passasse a ser chamado de Xerife. Já fora de campo, seus amigos sempre foram unanimes em afirmar que Moisés era totalmente diferente, um grande “boa praça”, que também costumava passar seu tempo livre praticando a pesca submarina, outra paixão. Moises passou a temporada de 1970 atuando pelo Botafogo. Em 1971, foi emprestado ao Vasco da Gama, atual campeão carioca. Foi vestindo a camisa da cruz de malta que passou a ser conhecido como um zagueiro violento. Em 23 de maio daquele ano, na derrota por 2 a 1 frente ao Botafogo, entrou duro em uma dividida com seu ex-colega de clube, Jairzinho, quebrando lhe a perna. A ausência de Jair foi decisiva para a queda de rendimento da equipe da Estrela Solitária que liderava a competição com certa folga, e que acabou perdendo o titulo para o Fluminense. Por conta disso o seu retorno ao Botafogo ficou inviável, e acabou sendo contratado em definitivo pelo Vasco da Gama, onde fez história, sendo campeão brasileiro em 1974. Suas atuações firmes fizeram com que fosse convocado para a seleção brasileira que venceu a seleção da União Soviética, por 1 a 0 em 21 de junho de 1973, em partida amistosa realizada em Moscou, quando atuou juntamente com o seu até então desafeto, Jairzinho. É desta época uma frase polêmica de sua autoria: “....zagueiro que se preze não ganha o Belfort Duarte...” uma alusão a premiação atribuído aos jogadores que jamais tivessem sido expulso ao longo de suas carreiras. Além dessa, também lhe é atribuída a afirmação que “...arbitro nenhum tem coragem de expulsar um zagueiro antes dos 15 minutos do primeiro tempo.” Em 1976, acabou sendo contratado pelo Corinthians, cujos dirigentes acreditavam ser ele, aquele que poderia dar experiência ao time alvinegro que não conquistava um título importante desde 1954. Com a camisa da equipe paulista, o zagueiro voltou a fazer história, ao ser vice-campeão brasileiro em 1976, marcando gol na vitória por 4 a 1 na decisão por pênaltis frente ao Fluminense, no Maracanã, em 5 de dezembro daquele ano, em partida válida pelas semifinais da competição, e que passou a ser conhecida como a “Invasão do Maracanã”. Titular absoluto e “Xerife” da defesa, foi campeão paulista em 1977, na conquista mais representativa da história do clube, e que deu fim ao incomodo tabu de 23 anos sem títulos. A saudade da pesca submarina, sua grande paixão, fez com que pedisse ao presidente do Corinthians, Vicente Matheus, para que fosse vendido ao Flamengo, o que acabou acontecendo no segundo semestre de 1978, a tempo de atuar em uma partida, em 11 de novembro, na vitória por 9 a 0 frente a Portuguesa, e por conta disso poder ser considerado campeão carioca daquele ano com a equipe rubro negra, sua única conquista de campeonato carioca. Sem muito espaço do Flamengo, que tinha uma dupla de zaga ríspida, formada por Rondinelli e Manguito, Moisés acabou sendo contratado pelo Fluminense, onde ficou durante o ano de 1979. No começo de 1980, com 31 anos, foi levado por Castor de Andrade que começara a investir na formação de uma forte e jovem equipe do Bangu. Ajudou a equipe alvirrubra a chegar a primeira divisão do brasileiro, a Taça de Ouro de 1980, quando chegou a pregar peças como a vitória por 3 a 2 frente ao Palmeiras, em 6 de abril, em pleno Parque Antarctica. Em 1981, surpreendeu a todos ao conquistar a Bola de Prata, prêmio atribuído pela revista Placar aos melhores jogadores do campeonato brasileiro. Encerrou a carreira no ano seguinte, em 1982, aos 34 anos de idade. Moisés foi uma dos maiores representantes do biótipo do zagueiro durão, ríspido que precisava sempre manter a cara feia para assustar seus adversários, e que não se furtava a usar da força física para pará-los.




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