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Blog Memória Futebol


Entre os melhores do Brasil no passado, futebol cearense viveu um ano de recuperação em 2018

Autor: José Renato - 30/11/2018   Comentários Nenhum comentário

8 de janeiro de 1963, estádio Presidente Vargas. Com um gol de Charuto, a seleção cearense de futebol venceu por 1 a 0 o selecionado pernambucano e chegou às semifinais do campeonato brasileiro de seleções de 1962, a principal competição do futebol brasileiro naquele momento. A equipe do técnico János Tratay contava com Aloísio, William, Alexandre, Evandro e Carneiro; Haroldo e Charuto; Carlito, Gildo, Mozart e Baíbe.

No dia 20 de janeiro, o futebol cearense pisou pela primeira vez no gramado do maior palco do futebol mundial, o Maracanã. O feito foi considerado como o grande feito do esporte alencarino até então. E não era pouca coisa mesmo. À frente, apenas os cariocas, paulistas e mineiros.

Poucos anos antes, o Tricolor de Aço, o Fortaleza, já assombrara o país ao chegar às finais da Taça Brasil em 1960 contra o Palmeiras, equipe que impedira o Santos de Pelé da disputa da competição. Feito que seria repetido anos depois em 1968, quando o mesmo Leão voltou a disputar o título máximo contra o Botafogo do Rio de Janeiro, então bicampeão carioca e com grandes nomes que comporiam a Seleção Brasileira que viria a conquistar a Copa do Mundo de 1970.

Engana-se, no entanto, quem acha que estes feitos alencarinos eram exceções. O futebol do Ceará sempre foi respeitado nacionalmente e considerado um dos maiores do país. Em 1964, o Vozão, Ceará, chegou às semifinais da Taça Brasil, perdendo para o Flamengo. Até mesmo o querido América chegou às quartas de final dessa competição, em 1967, eliminado apenas pelo Náutico, que vivia a época do único hexacampeonato de Pernambuco.

Para fechar a década de 1960, uma conquista importante: o do campeonato do Norte-Nordeste de 1969, pelo Ceará, em finais emocionantes contra o Clube do Remo. Esta conquista voltaria a ser alvinegra em 2015, diante do Bahia.

Os anos de 1970 continuaram marcantes para o futebol cearense. Sua qualidade fez garantir uma vaga na primeira edição do Campeonato Brasileiro, em 1971, através do Ceará. No ano seguinte, uma honrosa 13ª colocação em uma competição que reunia as 26 melhores equipes de todo o país. Em 1982, após eliminar a então vice-campeã paulista, a Ponte Preta, em pleno estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, o alvinegro chegou às quartas de final da competição que reunia 44 times. Três anos depois, em 1985, a melhor colocação do estado, a 7ª colocação entre 44 equipes.

Então veio a Copa União de 1987, e com ela o futebol nordestino foi praticamente excluído da principal divisão do campeonato nacional, um “crime” que fez com que o Brasileirão passasse a ser uma competição de poucos estados da Federação, em sua maioria do sul e sudeste. Ainda assim, em 2010, o Vozão seria a 12ª melhor equipe do nosso futebol.

Ah, mas o Vozão não foi forte apenas em campeonatos brasileiros. Quem pode esquecer do vice-campeonato da Copa do Brasil em 1994, quando a derrota na final frente ao Grêmio veio acompanhada de um erro crasso da arbitragem que deixou de marcar um pênalti claríssimo em Sérgio Alves? Oscar Roberto Godói foi o herói gaúcho naquele dia.

Em 2005, mais uma vez, semifinalista.

E o Leão? Duas vezes vice-campeão da Taça Brasil em 1960 e 1968, logo em sua primeira participação no Campeonato Brasileiro, em 1973, o Fortaleza, com um timaço, ficou com a 18ª colocação, e no ano seguinte a 16ª, ambas competições que reuniram as 40 maiores equipes do futebol brasileiro. Em 1984, após eliminar o Palmeiras, com direito a vitória em São Paulo, o Leão foi a 15ª melhor equipe do país, feito que viria a ser superado em 2005, já em tempos de pontos corridos, quando ficou com a 13ª posição entre os 22 participantes.

Mas e o Ferrão? Participante frequente da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, em duas oportunidades -1980 e 1981- ficou entre as 30 melhores equipes do futebol nacional, o que não é pouco.

Fortaleza é um das poucas cidades brasileiras com 3 equipes grandes.

Em 2018, as três maiores equipes cearenses fizeram bonito. O Ferroviário, com uma campanha épica, chegou à quarta fase da Copa do Brasil e também conquistou um título inédito, o de campeão da série D do Campeonato Brasileiro, assim como a Taça Fares Lopes, o que lhe rendeu nova vaga para a Copa do Brasil. O Fortaleza, então, foi ainda mais maravilhoso, ao vencer a série B, um feito único no estado alencarino. Já o Vozão, após um começo pífio, muito graças ao técnico Lisca fez uma campanha de recuperação espetacular e se manteve na série A.

Ano que vem, pela primeira vez na história dos pontos corridos, Vozão e Leão irão disputar a séria A do Campeonato Brasileiro, o que não é pouco. Não é difícil prever que o Clássico Rei proporcionará os maiores públicos da competição.

A recuperação vivida pelo futebol alencarino é algo inegável. Cabe lembrar que apenas 2 anos atrás, o futebol local tinha um representante na série B, outro na série C e um, compulsório, na série D. Ano que vem, serão 2 na série A, um na C e outro na D. O progresso é evidente.

Que 2019 possa ser o melhor ano da história do futebol cearense em todos os tempos. Com seus representantes galgando colocações inéditas entre as maiores equipes do futebol brasileiro, na série A e na Copa do Brasil. Que possam vencer também a Copa do Nordeste. Que o Ferrão continue seu caminho em busca de um lugar onde já esteve várias vezes.

Nós, cearenses, não nos contentamos com pouco. Sabemos que nosso lugar é entre os melhores, onde já estivemos várias vezes. Jamais podemos nos conformar em condições intermediárias. Seremos do tamanho que queremos ser. Sonhar também é reviver nossas maiores glórias já vividas. E -por que não?- muito mais.


 

 

NÃO à nova partida para decidir a Libertadores 2018

Autor: José Renato - 26/11/2018   Comentários Nenhum comentário

Durante transmissões esportivas nos anos 1970, tão logo a bola estufava as redes a voz forte do narrador, o maior de todos os tempos, Luiz Noriega, destacava: “Esporte é Cultura”.

Muito mais que um mero bordão da equipe de esportes da TV Cultura do qual fora criador e condutor, a mensagem inserida pautou a consciência coletiva de tantos admiradores do esporte bretão.

Não apenas por conta da minha memória afetiva, mas principalmente devido aos muitos que afirmaram ser os defensores da pátria durante os tempos de regime militar, o esporte, principalmente o futebol, foi alojado na categoria de droga, certo ópio do povo. O motivo deste entendimento muito se deveu ao seu uso como maneira de suavizar as relações entre a ditadura instaurada e a população de uma forma geral.

Como se isto acontecesse apenas durante aquele período. Sabemos que mesmo antes de Cristo, o esporte sempre foi utilizado com este fim. Mas justiça seja feita, não apenas este. Em nosso país, coube ao tempo comprovar isso. Muitos daqueles que contribuíram para definir o esporte como distração para o povo, não emitiram a mesma grita quando um presidente eleito democraticamente promoveu a realização de edições de Copa do Mundo e Jogos Olímpicos em nosso país, proporcionando os maiores gastos já feitos pela humanidade em prol da organização de atividades esportivas. Tendo como legado uma quantidade quase inesgotável de construções que, em sua maioria, permanecem sem uso e se deterioram a cada dia. Um crime ainda maior se considerarmos o fato de vivermos em um país com tanta miséria.

Ainda assim, creio piamente que acusar o esporte por muitas das mazelas que vivemos ao longo dos tempos seja criminoso.

Discurso fácil entre boa parte dos ditos homens públicos, costuma ser destacado outro mantra que diz “ser o esporte um importante meio para formação de cidadãos”. Sabemos, no entanto, que a verdade nela incluída, poucas vezes se faz presente. Em sua maioria, os políticos resumem a utilizá-lo como mero bordão para justificar, diante dos órgãos que controlam suas próprias contas, o gasto de verbas milionárias em iniciativas esportivas geridas por entes e amigos próximos, cujos objetivos, quando não se resumem a apenas acariciar seus caprichos, permeiam-se aos interesses de gerar lucros privados.

A população em geral, sem acesso às benesses proporcionadas, invariavelmente é presenteada com esmolas que estão longe de agir como fontes geradoras das riquezas que o esporte pode realmente proporcionar. Muito por conta disso, nós, pessoas comuns, costumamos vê-lo apenas como um meio para descarregar as angústias vivenciadas em nosso dia a dia tão apurado. Muitos fazemos nossas análises durante um grito de gol, comemorado ou sofrido. Assim é que se vive.

Os registros dos fatos e acontecimentos vividos ao longo de tantas experiências que a vida nos proporciona terão pouca valia se não embasarem nossas decisões futuras. A partir do momento em que os utilizamos na construção de uma nova realidade, estamos falando de aprendizado. Mais do que isso: lições aprendidas. O mero registro não é lição, mas sua existência é um grande facilitador. Apenas ao aprendermos, podemos falar em crescimento.

Convencionalmente, qualquer processo de aprendizagem se utiliza de métodos educativos consagrados. Isto explica, por exemplo, que a alfabetização de crianças, e até mesmo de adultos, seja algo tão básico. Estamos falando de humanos. E para aqueles que não os são?

Dono de uma sapiência sertaneja, Seo Demétrio, uma espécie de ‘faz tudo’ no sítio de meu avô Felipe, costumava ser duro com os animais que cuidava: “Se um animal ‘teimava’ em obedecer minhas ordens, às vezes ‘deixava ele sem cumê’. Só de lembrar da fome que isto causava, no dia seguinte, ‘tava todo mansim’”, confidenciava sobre o assunto.

Diante disso, tendo também como guia o mantra de Luiz Noriega, o River Plate deve ser punido severamente pelas atitudes de sua torcida nos momentos que anteciparam a realização da segunda partida da partida final da Taça Libertadores da América contra o Boca Juniors, inclusive com a eliminação de futuras participações em competições promovidas pela entidade organizadora, a Conmebol.

Assim como deveriam ter sido todas as equipes cujas torcidas proporcionaram situações similares. Esta decisão viria ao encontro do que os próprios argentinos defenderam após sofrerem, juntamente com policiais e atletas alvinegros, violência da torcida do Corinthians após a equipe paulista ser eliminada em partida válida pelas oitavas de final da Taça Libertadores em 4 de maio de 2006. Naquela oportunidade, alguns muitos raivosos torcedores alvinegros, inconformados pela derrota, por 3 a 1, em pleno estádio do Pacaembu, decidiram invadir o gramado.

A tragédia só não foi maior por conta de poucos policiais, heróis, que milagrosamente conseguiram conter a zanga apedeuta dos ditos ‘torcedores’. Em tempo, cabe lembrar que o Corinthians foi punido de forma cândida. Como tantos outros e como, infelizmente, deveria ser o caso do River Plate neste episódio.

Os maiores algozes do futebol são os seus próprios atores. Para o seu próprio bem, que não seja mais realizada partida alguma por esta competição.



 

 

Sobre o “caso Fabiola Andrade”

Autor: José Renato - 20/11/2018   Comentários Nenhum comentário

Apenas uma grave precipitação? Não, uma vergonha na Arena Corinthians.

O esporte, de uma forma geral, sobretudo o futebol, é reconhecido historicamente por ter um dos ambientes mais machistas. Dentro ou fora das áreas de competição e arredores, os exemplos são inúmeros e se somam a cada dia. Os casos de assédio, infelizmente, também continuam presentes. Lutar contra atos misóginos é uma obrigação daqueles que têm caráter. Também tem a ver com educação. Uma missão diária que deve estar presente em todos os nossos atos.

Desde os pequenos aos maiores. Sobre as mulheres em especial, cabe sempre lembrar afirmação feita por Victoria Woodhull, uma das maiores lutadoras em prol dos direitos civis para as mulheres: “Tudo que se fala sobre os direitos da mulher é tolice. Mulheres têm todos os direitos. Só precisam exercê-los”. Esta mera afirmação, no entanto, não os garantem. Por conta disso tantas ações feministas precisam ser desenvolvidas. Ainda assim, cabe entender, de forma efetiva, que o feminismo é a luta em busca da igualdade plena de direitos entre as pessoas independente do seu gênero e/ou de qualquer outro requisito utilizado para diferenciar pessoas. Atuar em prol do empoderamento feminino não tem relação com sobrepor os direitos das mulheres sobre os dos homens. Tem a ver com não apenas acreditar, mas agir em prol da plena igualdade de direitos entre todos os seres humanos.

Baseados em imagens realizadas ao final da partida entre Corinthians e Vasco no último sábado, dia 17 de novembro, válida pelo Campeonato Brasileiro da Série A, a instituição Sport Club Corinthians Paulista, inúmeros movimentos de apoio a mulheres esportivas e uma série de profissionais da área emitiram notas de repúdio ao suposto assédio que a jornalista Fabiola Andrade, repórter do Sportv/Rede Globo, teria sofrido de um colega seu de trabalho, mais especificamente do caboman. Nas imagens em movimento se nota algum manuseio dele junto ao cabo de áudio que fica preso à sua roupa.

Sugestionada por tudo isso, até mesmo a própria jornalista chegou a sinalizar estar arrasada com o fato. Posteriormente, ao rever as imagens e conversar com o próprio colega, que segundo ela, a procurara para explicar o que realmente acontecera, ela própria afirmou que o assédio não ocorreu. A partir de seu relato, em seguida, uma onda de pedido de desculpas pelo equívoco. “Que bom que tudo ficou esclarecido” foi meio que a frase padrão ao final desse lamentável episódio. Creio que não. Cabem ainda algumas perguntas ainda sem respostas: Quem irá resgatar a imagem do profissional que foi associada com a de um assediador? Meros pedidos de desculpas são suficientes para arrumar todo este estrago? Segue o jogo?

Todas as ações que possam, potencialmente, promover a geração de injustiças devem ser condenadas com veemência. Pessoas que agem em prol delas são cúmplices. Ao ver brevemente as imagens sob olhos minimamente justos, impossível não dar, ao menos, o benefício da dúvida. Infelizmente o clube paulista e tantos outros preferiram condenar. Mais que isso, jogaram querosene onde havia apenas uma leve faísca e, muito possivelmente, marcaram definitivamente a vida deste profissional. Mas o dano feito foi ainda maior. Alguém duvida que a partir deste fato todos os atos deste rapaz passarão a ser analisados sob outros olhos? Como foi para ele enfrentar seus entes, amigos e colegas de trabalho? Será que futuros verdadeiros atos de assédio serão vistos com a devida importância que cabe, por conta desse constrangedor comportamento? Quantos mais casos de “Escola Base” serão precisos acontecer até que muitos possam aprender como se portar? Agir de forma injusta é contribuir para que o mal se perpetue. As ações em prol do fim do assédio às mulheres no ambiente de trabalho, as maiores derrotadas com tudo isso.

Constrangimento é dor.



 

 

Fortaleza errou no episódio “La Casa de Papel”

Autor: José Renato - 18/11/2018   Comentários Nenhum comentário

Desenvolver atividades em prol da geração de riqueza, tendo em vista atender as necessidades atuais e futuras do mercado, este é um dos conceitos que fundamentam o marketing. Há muitos outros similares. Cabe uma importante ressalva: o uso do termo riqueza permite ampla e especial abrangência. Nem sempre expectativas financeiras imediatas devem guiar as decisões da área de marketing. Ainda assim, elas precisam estar sempre em pauta. Isto é, uma ação estratégica pode ser planejada de forma a gerar potencial resultado futuro. Cabe grifar, planejada. Ao seguirmos o mantra de que ‘não há almoço grátis’, muitos cuidados devem ser considerados e o mero esquecimento ou amadorismo costuma ser presenteado pelo que há de pior, sobretudo em um mercado tão competitivo: a perda da oportunidade.

Clube fundado em 18 de outubro de 1918 por Alcides Santos, meu tio-bisavô, o Fortaleza Esporte Clube ganhou como cores as mesmas da bandeira francesa, uma homenagem de seu fundador que lá estudara. Um clube aristocrático, cuja torcida, sobretudo durante as primeiras décadas de vida, era formada em sua maioria por membros das mais elevadas castas da sociedade alencarina. As conquistas dentro das quatro linhas não demoraram e sua colorida torcida logo veio a crescer. O grande salto no número de seus seguidores aconteceu a partir dos anos 1940, quando o Maguary, outro tradicional clube da capital cearense, abandonou os campos. O motivo foi óbvio: muitos de seus torcedores se recusaram a passar a torcer pelo seu então grande rival do estado, o Ceará, e por conta disso, abraçar as cores do Tricolor de Aço passou a ser uma escolha inevitável. O tempo veio comprovar a felicidade da opção feita.

As décadas passaram e com elas muitas conquistas ajudaram ainda mais a fortalecer a marca do Leão, seu mascote, fazendo de sua torcida seu maior patrimônio. E que torcida é essa? Uma das maiores da região nordeste, dona de uma fidelidade ímpar comprovada sobretudo nos momentos mais difíceis. Em que pese as conquistas de dois vice-campeonatos da Taça Brasil, nos anos de 1960 e 1968, motivos de orgulho eterno, os sete anos de permanência na famigerada Série C do Campeonato Brasileiro, entre os anos de 2010 e 2017, só serviram para elevar o valor de sua torcida a patamares imensuráveis. Que orgulho é ser Leão, ainda mais Tricolor de Aço. Não por acaso que o corrente ano de 2018, o do seu centenário, seja ainda mais um momento de êxtase ao time que conquistou de forma magnífica a Série B do Brasileirão, título inédito em seu estado. Exalta-se também o formidável trabalho de sua diretoria que, mesmo em momentos delicados da competição, bancou a manutenção do técnico Rogério Ceni, ainda que com um começo de trabalho apenas discreto com o vice-campeonato estadual. Já a campanha no campeonato nacional foi perfeita, mantendo-se líder ao longo de toda a competição. Todos estão de parabéns.

No último dia 15 de novembro, o Fortaleza se reencontrou com sua torcida pela primeira vez depois do título conquistado na partida diante do já rebaixado Juventude, de Caxias do Sul. O ônibus que levou os atletas à Arena Castelão praticamente foi carregado nos colos de seus torcedores. Um espetáculo lindo e emocionante que levou às lágrimas muitos de seus apaixonados, ansiosos por verem seus ídolos. Enfim o ônibus parou e sua porta foi aberta: eis que os atletas, um a um, saíram do ônibus fantasiados como personagens de uma série do Netflix, La Casa de Papel. Os momentos de euforia eram tão intensos que impossível não imaginar que a competente diretoria tricolor tivesse trabalhado de forma estratégica e feito uma parceria com a gigante norte americana. Enfim, uma espetacular ação de marketing. Afinal, um clube com uma marca tão forte e com milhões de seguidores apaixonados, dono de uma riquíssima história, vivendo o momento único de seu centenário, de retorno à principal divisão do Campeonato Brasileiro após 12 anos e de conquista de um título nacional inédito para si e seu estado, as práticas mais básicas de marketing afirmariam isso. Correto? Não, infelizmente tratou-se apenas de uma brincadeira de seus atletas. Uma pena…

Não demorou para que o nome do autor da ação fosse divulgado. Coube ao volante Nenê Bonilha, titular da equipe e fã da citada série, ser apontado como o agente motivador da ação gratuita em prol da Netflix. Segundo o que foi apurado, um troco à brincadeira feita pelo rival Ceará ao final do Estadual desse ano (La Casa Sem Troféu), quando o Tricolor foi derrotado. A Netflix, educada, ao menos, agradeceu pelo afago recebido através de seu twitter oficial e certamente levantou as mãos aos céus pela propaganda gratuita. Ao gigante Fortaleza, um lamento pela oportunidade perdida, que certamente não diminui em nada todo o brilhantismo de sua campanha. A gratuidade do uso de sua marca em prol do crescimento comercial de outrem é um equívoco não condizente ao clube e sua belíssima história. O clube, no entanto, é maior do que tudo isso e certamente aprenderá com o fato.




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