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Blog Memória Futebol


Paulo Cézar, o genial polêmico craque Caju

Autor: José Renato - 14/12/2015   Comentários 2 comentários

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Paulo Cézar Lima nasceu em 16 de junho de 1949 na favela da Cachoeira, em frente ao cemitério São João Batista no tradicional bairro carioca de Botafogo. Sua roda familiar incluía sua mãe, Dona Esmeralda, conterrânea do Rei Pelé, empregada doméstica, e sua irmã, mais velha, Célia Maria. Seu pai, marceneiro, morreu quando ele ainda tinha apenas um mês de nascido. O futebol surgiu em sua vida por meio dos jogos que costumava participar nas quadras do quartel da polícia militar e no campo do Botafogo, onde passou a atuar na equipe infantil, que ficavam perto da sua casa. Aos 11 anos foi convidado para jogar futebol de salão no Flamengo, onde ganhou o apelido de Pelezinho. No rubro negro, fez uma grande amizade com Fred, filho de Marinho Rodrigues de Oliveira, ex-jogador e técnico do Botafogo, o que mudaria de forma marcante seu futuro. A família de Fred praticamente o adotou, e tão logo Marinho foi convidado para treinar a seleção de Honduras, Paulo Cézar, com o consentimento da mãe, se mudou com a nova família para Tegucigalpa. Marinho logo assumiu o papel de pai adotivo e passou a exercer forte influencia em sua educação. Em meados de 1966, após passar por Colômbia e Peru, onde juntamente com Fred, foi convidado para se naturalizar, Paulo César voltou com a família para o Brasil. Levado por Marinho ao Flamengo, foi dispensado pelo técnico Flávio Costa. Na semana seguinte, no entanto, ganhou uma oportunidade no Botafogo do técnico Admildo Chirol. Logo no primeiro coletivo, em janeiro de 1967, teve atuação soberba, atuando pela equipe titular, deixando boquiaberta toda comissão técnica do time principal, e muito aborrecido o técnico do juvenil, Zagallo, que preferia contar com sua participação na equipe alvinegra que buscava o hexacampeonato da categoria. Foi necessária a intervenção de Gerson junto à diretoria para que Paulo Cézar fosse mantido na equipe principal. Jogando como ponta esquerda em um ataque formado também por Rogério, Roberto e Jairzinho, sua habilidade e rara visão de jogo, logo se tornaram imprescindíveis para o Botafogo. Em sua primeira competição oficial, a Taça Guanabara daquele ano, na partida final frente ao América, em 20 de agosto, marcou três gols, na vitória por 3 a 2, conquistada na prorrogação, após empate em 2 gols durante o tempo regulamentar. Em seguida voltou a ser campeão, desta vez do campeonato carioca, com o Botafogo que venceu 15 das 18 partidas que disputou. Ainda naquele ano estreou na seleção brasileira, em 19 de setembro, na vitória por 1 a 0 frente ao Chile, em partida amistosa, realizada em Santiago, que também marcou a estreia do Zagallo como técnico da seleção. Já o ano seguinte, de 1968, foi de afirmação para Paulo Cézar, que conquistou o bicampeonato da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, bem como a Taça Brasil, cujas finais aconteceram apenas em 4 de outubro de 1969. Sua presença passou a ser constante na seleção brasileira. Com apenas 20 anos de idade, foi convocado para a seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1970. Era o décimo segundo jogador daquela equipe espetacular. Logo na estreia, em 3 de junho, na vitória por 4 a 1 frente a Tchecoslováquia, entrou no lugar de Gerson, que houvera se contundido. Titular nas vitórias frente a Inglaterra, 1 a 0, e Romênia, 3 a 2, também atuou na partida contra o Peru, 4 a 2. Campeão mundial continuou brilhando na equipe alvinegra, até que em 1971, se deixou fotografar com a faixa de campeão carioca antes do final da competição. A surpreendente queda de rendimento da equipe da Estrela Solitária e a ascensão do Fluminense, fez com que o titulo ficasse com a equipe das Laranjeiras e Paulo Cézar, embora tivesse sido artilheiro da competição com 11 gols, passasse a ser criticado pelos dirigentes alvinegros, sobretudo pelo presidente do clube, Altemar Dutra de Castilho que o culpou pela perda do titulo. Ainda disputou pelo Botafogo a primeira edição do campeonato brasileiro em 1971, quando a equipe chegou ao triangular final com o Atlético Mineiro, que foi o campeão, e o São Paulo, o vice. O clima pesado no Botafogo, o levou a mudar de ares e no começo de 1972 estava de volta ao Flamengo, desta vez como atleta profissional. Sua estreia com a camisa rubro negra aconteceu em 8 de janeiro, justamente frente ao antigo clube, seu time do coração, o Botafogo no empate por 1 a 1 em partida amistosa. Viveu um grande ano na Gávea, conquistando a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca, no ano do Sesquicentenário da Independência. Além do sucesso em campo, Paulo Cézar costumava chamar a atenção por seu estilo de vida. Gostava de sair à noite, embora não bebesse e fumasse, e costumeiramente se apresentava com carros luxuosos e roupas bem extravagantes. Também não fugia de uma boa polemica, cobrando dirigentes e se posicionando sobre quaisquer assuntos. Além disso, passou a pintar o cabelo de caju, segundo ele apenas um efeito do sol carioca, o que fez com que passasse a ser conhecido como Paulo Cézar Caju. Já em 1973, conquistou novamente a Taça Guanabara e foi vice-campeão carioca, perdendo a final para o Fluminense em 22 de agosto por 4 a 2. Durante o campeonato brasileiro, no entanto, sofreu com a má campanha da equipe rubro negra, até que na derrota por 2 a 1 para o Grêmio, em 28 de outubro, no estádio do Maracanã, quase foi agredido pela torcida, que destruiu seu carro. Aborrecido, deixou acertada sua contratação pela equipe francesa do Olympique de Marseille, antes da Copa do Mundo de 1974, deixando sua apresentação oficial apenas após o termino da competição. Por conta disso, a imprensa alegou que Paulo Cézar tivesse evitado entrar em bolas divididas durante a Copa do Mundo disputada na Alemanha. O fato é que Paulo Cézar, com 25 anos, titularíssimo daquela seleção, atuou muito mal nos dois empates sem gols, contra Iugoslávia e Escócia, e perdeu a posição de titular. Deslocado para o meio campo, voltou à equipe na segunda fase, no entanto, ficou muito aquém daquilo que se esperava dele. Atuou no futebol francês, juntamente com Jairzinho, por pouco mais de um ano, sendo vice-campeão francês da temporada 1974/1975 e campeão da Copa do França em 1975. Ainda na França foi assistir a uma partida do Fluminense que disputava um torneio em Nice, quando acabou conhecendo o presidente tricolor Francisco Horta, que não perdeu a chance de convidá-lo para voltar ao Brasil e fazer parte da Máquina Tricolor, uma das maiores equipes da historia do clube, liderada por Rivellino. Com a camisa tricolor, foi bicampeão carioca, duas vezes semifinalista do campeonato brasileiro e voltou a ser convocado para a seleção brasileira que se preparava para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1978. As confusões, no entanto, não foram deixadas de lado. Em 17 de setembro de 1976, a delegação carioca que estava na Paraíba para enfrentar o Treze, em partida válida pelo campeonato brasileiro, acabou se envolvendo em uma confusão com os torcedores paraibanos e no meio do tumulto, Paulo Cézar aplicou uma rasteira em um jovem. O atacante acabou sendo preso e passando a noite no II Batalhão de Polícia Militar, sendo posto em liberdade na manhã seguinte, após o pagamento de fiança. Embora estivesse muito bem nas Laranjeiras, no começo de 1977, Caju acabou sendo envolvido juntamente com Gil e Rodrigues Neto em uma troca pelo lateral esquerdo botafoguense Marinho Chagas. De volta ao time de seu coração, Paulo Cézar fez parte da equipe que alcançou a incrível marca de 52 jogos sem perder, uma das maiores invencibilidades da história do futebol brasileiro. Apesar disso, as conquistas não vieram e após brigar com o presidente Charles Borer, preferiu permanecer os últimos três meses de seu contrato sem atuar, nem receber, do que voltar a vestir a camisa alvinegra. Já seu sonho de disputar sua terceira Copa do Mundo acabou ainda nos vestiários da vitória brasileira por 1 a 0 frente a seleção peruana em 10 de julho de 1977, em partida realizada na cidade colombiana de Cali, que praticamente garantiu a vaga brasileira para a Copa da Argentina. Aproveitando a presença do presidente da CBD, atual CBF, o almirante Heleno Nunes, Paulo Cézar passou a reivindicar uma premiação maior aos jogadores. Ao ser ignorado pelo dirigente, se dirigiu a ele afirmando que ele deveria estar cuidando de seus navios e armas, pois de futebol não entendia nada. Oficialmente foi afastado por problema no joelho direito, mas de fato, jamais voltou a vestir a camisa da seleção brasileira. O ano de 1979 começou em um novo clube, o Grêmio de Porto Alegre, onde foi recepcionado de forma calorosa pelos torcedores gaúchos que lotaram o aeroporto em sua chegada as terras gaúchas. Em campo correspondeu com as expectativas, sendo campeão gaúcho com uma campanha espetacular, com 10 pontos a frente do rival Internacional que acabou na terceira colocação, atrás ainda do Esportivo de Bento Gonçalves. Aos 30 anos, embora os torcedores e dirigentes quisessem mantê-lo por lá, a saudade das praias cariocas acabou sendo maior, e ele acabou sendo envolvido em uma troca com o goleiro Leão, indo para o Vasco da Gama, o único grande carioca onde ainda não tinha atuado. Não foi bem na equipe da Cruz de Malta, muito embora tenha sido vice-campeão carioca de 1980. Durante sua estadia em São Januário, chegou a ser negociado como o Barcelona de Guayaquil, mas não aguentou mais de dois dias na Colômbia. Cansado de jogar futebol, resolveu passar férias, longe da bola, na França. No segundo semestre de 1981, aceitou o desafio de atuar no futebol paulista, cuja imprensa costumava criticá-lo de forma impiedosa. Contratado pelo Corinthians, estreou no clássico frente ao São Paulo em 25 de outubro, na derrota por 2 a 0. Atuaria apenas mais três vezes pela equipe paulista, sem grande destaque. No começo de 1982, recebeu a ligação de seu amigo Carlos Alberto Torres para atuar na equipe norte- americana do California Surf. Apenas passeou pelas terras de Tio Sam e logo estaria de volta à França, onde passou a atuar, a pedido de um amigo, em uma equipe da terceira divisão, o AS Aix. Tinha a certeza de que tinha parado de jogar futebol e seguiu por novos caminhos, não tão promissores, o das bebidas e das drogas, mais especificamente cocaína. Em julho de 1983, no entanto, recebeu a ligação de Antônio Verardi, supervisor do Grêmio, o convidando para disputar a final do Mundial Interclubes no final do ano frente à equipe alemã do Hamburgo. Ciente de seus problemas, os dirigentes gremistas prepararam Paulo Cézar para esta partida. Deu certo, em 11 de dezembro de 1983, a equipe gaúcha conquistou o Mundial ao vencer os alemães por 2 a 1, com dois gols de Renato Gaúcho. Esta foi sua ultima partida como profissional. Paulo Cézar Caju foi um jogador genial, um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro e que não deixou de aproveitar a vida da forma que quis, ignorando as criticas e sempre deixando claro suas posições frente a dirigentes e jornalistas. O futebol de hoje sente muito a falta de jogadores como ele.

 

 

O recordista Marinho Macapá

Autor: José Renato - 07/12/2015   Comentários Nenhum comentário

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Marinho Carlos da Silva Santos nasceu na cidade da Macapá, capital do Amapá, em 16 de janeiro de 1955. Vivia com sua família, próximo a Curiaú, onde desde muito jovem passou a trabalhar em uma roça de mandioca, onde ao que tudo indica ganhou o preparo físico que sempre foi seu ponto forte. Tinha como lazer, participar das peladas nas praças do Laguinho, que eram organizadas pelos padres das paroquias locais. Nos campeonatos internos entre as equipes paroquiais, muitos jogadores locais eram revelados, dentre eles Marinho que logo foi convidado para fazer parte do Ameriquinha.

Aos 17 anos foi jogar nos juvenis do maior clube da cidade, o Esporte Clube Macapá, onde sonhara fazer parte da equipe principal. Sem muitas oportunidades, acabou indo para o América Manganês de Serra do Navio e em seguida já estava no Independente. Contratado pelo Santana Esporte Clube, para disputar o campeonato amapaense de 1976. Marinho foi um dos destaques da equipe que foi vice-campeã do Amapá ao empatar sem gols com o Ypiranga em 8 de dezembro daquele ano. Jogando como volante e considerado um marcador implacável, a imprensa passou a afirmar que “ele não cansava nunca”.

Passou pelo Fluminense de Santarém, onde ficou pouco tempo, e de onde saiu para defender o Guarani Atlético Clube, ajudando a equipe a conquistar seu primeiro título do campeonato amapaense em 1977. No ano seguinte, em 1978, de passagem por Manaus, o Guarani disputou uma partida amistosa com o Nacional, então campeão amazonense, que se preparava para disputar o campeonato brasileiro. Embora estivesse recheado de “medalhões” o Nacional não conseguiu sair de um empate por 1 gol, muito por conta da grande atuação de Marinho. Embora não tivesse muita habilidade, o que chamou a atenção do técnico amazonense Laerte Dória, foi a disposição demonstrada por Marinho, para quem não havia bola perdida.

Contratado juntamente com o seu companheiro Bolinha, Marinho chegou ao Nacional para disputar o campeonato amazonense de 1979, onde agregou ao seu nome, o do seu estado de origem, Macapá. A princípio viria apenas para ser reserva, no entanto, sua estreia na equipe aconteceu logo na primeira rodada da competição em 14 de abril substituindo o lateral titular, Soló, na goleada por 6 a 0 frente ao Sul América. De volta ao banco de reservas, conquistaria seu primeiro título amazonense naquele ano.

Já como titular, a partir de 1980, Marinho Macapá passou a impor uma rotina de títulos, inédita e jamais alcançada por qualquer jogador que atuou no futebol amazonense. Campeão pelo Nacional em 1980 e 1981 perdeu a chance de conquistar seu quarto titulo em 1982, por conta dos dirigentes nacionalinos terem impedido a equipe de ir enfrentar o rival Rio Negro, na partida decisiva marcada para o dia 25 de novembro. Seu bom futebol acabou chamando a atenção de equipes do nordeste, no caso de dois Américas, o de Natal e o do Ceará, onde atuou durante 1983. De volta ao Amazonas, em 19 de julho de 1984 teve a incrível experiência de atuar ao lado de Rivelino, convidado especial, Dario, em sua estreia na equipe, e Edu, no empate por 1 a 1, em partida amistosa disputada entre Nacional e Remo. Voltaria a ser campeão estadual em 1984, 1985 e 1986, neste ultimo, segundo palavras do próprio Marinho, na final mais emocionante que disputou na vitória por 1 a 0 frente ao rival Rio Negro, em 27 de agosto, com o estádio Vivaldo Lima completamente lotado.

Em 1987, foi surpreendido com o convite para atuar justamente no Rio Negro, onde embora não tenha conseguido se firmar como titular foi campeão estadual em 1987 e 1988, na verdade pentacampeão de forma consecutiva. De volta ao Nacional e novamente como titular seria vice-campeão estadual em 1989 e 1990 e as vésperas de completar 37 anos, foi campeão em 1991. Continuou como titular do Nacional até 1994, conquistando seu ultimo titulo amazonense, em 1995, com mais de 40 anos de idade. Ao longo de sua carreira, foram 11 títulos estaduais, 1 no Amapá e 10 no Amazonas, sendo o jogador com o maior número de conquistas na história do futebol amazonense.

Marinho Macapá foi um jogador de exceção, vindo de um estado com pouquíssima representatividade no futebol brasileiro, que se tornou quase que um selo de garantia para as equipes que almejavam o título no estado em que escolheu para fazer sua carreira.




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