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Blog Memória Futebol


Do Céu ao Inferno ao Céu, as trajetórias de grandes equipes brasileiras

Autor: José Renato - 20/12/2016   Comentários Nenhum comentário

Considerando as 12 maiores equipes do futebol brasileiro, apenas 4 delas, jamais foram rebaixadas, são elas, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Bem, mas isso tudo mundo já deve saber.

A queda do Internacional, este ano, justamente cerca de 10 anos depois de conquistar o Mundial de Clubes da FIFA, em 2006, marcou uma trajetória rápida do Céu ao suposto Inferno.

Ainda assim se formos considerar as maiores ‘ladeiras’ futebolísticas, a do Colorado é menos increme daquelas caminhadas pelo Corinthians, que foi rebaixado, em 2007, cerca de 8 anos depois de conquistar seu primeiro mundial, em 2000, e a do seu maior rival, o Grêmio, que após levantar seu mundial, em 1983, caiu para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro em 1991, por volta de 7 anos e meio depois, o que rende ao Imortal Tricolor, a queda mais vertiginosa.

As quedas, no entanto, dependem também, do ápice vivido por cada clube. Neste caso, a mais vertiginosa delas pertence ao Palmeiras, cuja maior conquista, a Taça Libertadores, aconteceu em 1999, por volta de 3 anos e meio antes de seu primeiro rebaixamento em 2002. Outra equipe que conquistou a Libertadores, em 1998, o Vasco da Gama, caiu pouco mais de uma década depois.

Abaixo a tabela das 8 equipes, considerando, como critério para contagem do intervalo entre “o céu e o inferno”, as  datas de conquista de seus maiores títulos e as datas da última partida disputada na edição de seus primeiros rebaixamentos da Série A do Campeonato Brasileiro.

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Mas há sempre o outro lado.

Uma vez que o que é abraçado como algo temerário, pode, realmente significar novos tempos.

Para isso basta lembrarmos que Corinthians e Atlético conquistaram, pela primeira vez, a Taça Libertadores, em 2012  e 2013,  justamente, depois de passaram pela Série B do Brasileiro.

No caso do alvinegro paulista em um período de 5 anos, a equipe chegou ao topo do mundo, o que significa a maior ascenção. Outro crescimento de destaque coube ao Grêmio, que em um período de apenas 4 anos, viveu seu primeiro rebaixamento para depois conquistar a sua segunda Taça Libertadores, em 1995. Já o Galo mineiro caminhou a mesma trajetória em pouco mais de 7 anos.

Abaixo, a tabela das caminhadas “Do Inferno ao Céu”.

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A queda do ‘Imortal’ Colorado

Autor: José Renato - 12/12/2016   Comentários 1 comentários

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.

Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno.

Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11.

Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols).

Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar.

Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

O Internacional jogava demais.

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

A vitória colorado no entanto significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

Creio que, até mesmo, para muitos colorados, nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

Também por conta disso, que entre as 5 equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também, sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, as quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

Uma pena.



 

 

Fala Galvão Bueno, fale muito e muito mais.

05/12/2016   Comentários 1 comentários

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Sim, ele fala muito.

Mas o que poderíamos esperar de uma pessoa que trabalha com comunicação?

Pois é.

Desde muito tempo costumeiramente fazia parte de uma maioria silenciosa que sempre entendeu ser ele o melhor de todos os narradores.

Isto mesmo, maioria.

Inegável que o fato de um profissional se manter, por mais de três décadas, como a grande voz de uma das maiores emissoras do mundo, já seria o suficiente para se comprovar sua excelência.

Ainda que uma insignificante minoria, mas muito ruidosa, costume propagar pontos de vista contrários, dos quais respeito, ainda que para isso use frases mal educadas, tais como “CalaBocaGalvão”, jamais entendi minimamente a razão por tal postura, por uma única questão, para mim, Galvão sempre foi muito f...

Particularmente, foi com a sua voz que meu time coquistou o primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em um raro momento quando esteve fora da Rede Globo.

Antes disso, foi com ele, que a Formula 1 nacional viveu seu melhor momento, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. “Como assim?” podem perguntar alguns, usando como argumento o fato dele não estar dirigindo os carros de nossos campeões mundiais. Pois é, com Galvão narrando, “na ponta dos dedos”, sempre me senti pilotando cada um deles. Certamente por isso, todos fomos tão campeões nestas conquistas.

Na verdade, serão quase infinitos os exemplos de eventos esportivos que se tornaram maiores por conta de sua narração. Ou alguém realmente acha emocionante quando dois lutadores ensanguentados ficam trocando sopapos em uma briga de rua chamada de forma rebuscada por MMA? Pois até mesmo estas lutas se tornam um show sob sua narração.

Cabe aqui o mais singelo respeito a todos os demais narradores brasileiros, uma área em que o nosso país tem um dos terrenos mais ferteis, o que torna descabível a citação de nomes, uma vez que certamente haveria a injustiça na falta de algum, no entanto, entendo que Galvão esteja em um outro patamar, algo parecido quando fazemos comparações entre Pelé e os demais grandes jogadores da história do futebol mundial.

Desde as primeiras horas do fatídico acidente do avião da Chapecoense, na madrugada de segunda para terça feira da semana passada, passando por sua presença no jornal matutino da Rede Globo, bem como ao longo de toda programação, culminando na narração de um velório, algo por mais de inacreditável, tamanha foi a emoção que claramente o invadia, assim como a todos, e finalizando em uma narração do suposto título da Copa Sul Americana ao final do programa Fantástico, no último domingo, o que se viu foi o ápice da performance de um narrador, tamanho foi seu envolvimento pessoal apenas menor que a excelência demonstrada.

Sem medo de errar, assim como o mundo costuma usar a ‘palavra’ Pelé, como forma de elogiar um profissional que se sobressai em sua profissão, creio que seja factível que mais que nunca a ‘palavra’ Galvão Bueno tenha o mesmo significado.

Fala, para sempre, Galvão, que orgulho ser seu contemporâneo.




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