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Blog Memória Futebol


Os que vão e os que veem

02/09/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

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Não me parece que Felipão tenha encerrado o seu ciclo de experiências com o grupo que conquistou a Copa das Confederações e que brilhou de verdade somente na final diante da Espanha.

O futebol brasileiro continua apresentando suas revelações, Vitinho, tão jovem e já em saída para o exterior, o exemplo mais em voga, mas o técnico recorreu na sua chamada para os dois próximos amistosos a algumas convocações que não consigo digerir.

Exceção a Ramires, jogador já provado e de capacidade indiscutível julgo que Maicon é tão somente a prova de estarmos vivendo um período de ausência de valores na lateral direita onde apenas Daniel Alves, já demonstrando um início de declínio está à altura do selecionado.

Henrique, o zagueiro central do Palmeiras compete com muitos de qualidade superior para servir o Escrete e de bate-pronto cito 4 jogadores da posição com qualidade superior: Miranda, do Atlético de Madrid (28 anos), Gil, do Corinthians (26 anos), Manoel (23 anos), do Atlético Paranaense e Dória, do Botafogo, talvez considerado ainda jovem demais com seus recém completados 18 anos.

Manoel, a propósito é um dos melhores zagueiros desta e de algumas temporadas anteriores e com sua juventude (nasceu em 26 de fevereiro de 1990) merece a convocação e indiscutivelmente Dória é valor para o futuro.

Notem que nem falei em Dedé, do Cruzeiro.   

 

Fonte da Imagem: Gazeta Esportiva Net


 

 

Vergonha do São Paulo, vexame do Santos

05/08/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

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Hoje, se basear a qualidade de nosso futebol em confrontos internacionais, naquilo que o São Paulo e Santos mostraram esta semana diante do Bayern de Munique e do Milan, o tricolor, e do Barcelona o Peixe dá vontade de chorar.

Não aceito, como muitos, a estreia de Neymar como um feito do futebol brasileiro que já soma um grande número de craques de primeira qualidade no próprio Barcelona.

Ou será que Romário, Rivaldo, Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, e voltando lá no passado distante Evaristo Macedo, melhoraram um tostão que fosse do valor da seleção brasileira por terem jogado no Barcelona?

Ao contrário: foi à fraqueza econômica do nosso país futebolístico diante da situação financeira de países em postos bem abaixo do nosso nesses rankings que se nos colocam lá no alto numa contabilidade fictícia e que não reflete os níveis de bem-estar e de conquistas de uma população no geral está bem consentâneo com a realidade de nosso futebol.

O leste europeu, em nível financeiro muito abaixo do nosso tem sido na atualidade o destino de muitas de nossas poucas estrelas. 

 Essa é uma situação de fragilidade indiscutível, outra são as vergonhosas derrotas de São Paulo e Santos na Alemanha e na Espanha.

No caso do Santos só uma explicação para os vexaminosos 8 a 0 de Barcelona: foram passear e aplaudir a estreia de Neymar.

Aproveitaram o passeio para permitir ao Barça um treino de luxo.   

Alguém poderá perguntar: mas, o Brasil não vem de ganhar de forma brilhante a Copa das Confederações?

Concordo, mas foi uma vitória de uma seleção brasileira e nem tão brilhante assim já que passamos raspando em alguns jogos.

De extraordinário mesmo houve o triunfo diante da Espanha na final onde houve uma jornada de superação por parte dos nossos.

Esperem, por sinal, o próximo jogo dia 14 diante da Suíça lá na Europa e constatemos o verdadeiro nível de nossa seleção fora de nossos domínios.

Estou esperando com muito interesse.

Qualquer estatística mostrará o decréscimo de interesse do futebol europeu por jogadores brasileiros.

Na contrapartida nossas equipes são inundadas ou por brasileiros repatriados ou por estrangeiros aqui da América do Sul.

É claro que isso não tem nada de errado mesmo que alguns, como o Inter gaúcho, tenham estrangeiros em número superior ao estabelecido por lei tendo que manter sempre alguém de fora.

Nada de ilegal, mas se estamos buscando lá fora é porque não estamos produzindo aqui dentro nossa melhor matéria prima.

E formar uma seleção especificamente para uma competição que sediamos, caso da Copa das Confederações ou mesmo da próxima Copa do Mundo, não reflete o valor do todo da atualidade futebolística do país, do dia a dia de nossos cotejos.

Esse nível foi mostrado tanto diante do Bayern e do Milan pelo São Paulo e mais ainda pelo Santos diante do Barcelona.

Há ainda o nível de nossos principais campeonatos para refletir melhor que minhas palavras essa realidade do que estamos vivendo.



 

 

O futebol tem sua vez nestas considerações

Autor: Rafael Porcari - 25/06/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

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Escrevi na coluna anterior que voltaria a falar de futebol se o apetite para tanto me voltasse.

Ainda assim não me considero, mas acredito no despertar do gigante e assim só agrego a esta coluna que o Brasil de Felipão fez em 10 partidas mais do que seus antecessores em dezenas de cotejos.

A vitória contra a Itália foi extraordinária e mostrou força embora ressalte que o próprio técnico esteja dentro da mais pura das realidades.

“Falta muita coisa, mas estamos no caminho certo.”

Foram palavras de Luiz Felipe Scolari depois do triunfo contra a Itália e isso é suficiente para que concorde, compreenda e espere que coisas boas nos aguardem.

Já a partir das semifinais desta semana e de nosso enfrentamento contra o Uruguai, que mesmo vencido em tantas oportunidades continua um espinho em nossa garganta e que temos que ir retirando aos pouquinhos a cada novo triunfo que alcançarmos.

As chaves da Copa das Confederações apontaram para uma semifinal sulamericana entre Brasil e Uruguai e outra europeia entre Espanha e Itália.

Nada mais interessante e não poderia ser mais oportuno o enfrentamento do Brasil com um de seus mais aguerridos adversários e a repetição da final da Copa Europeia de Seleções onde a Espanha triunfou por 4 a 0, mas que acabou sendo o jogo que permitiu que aqui estivesse a flamante seleção italiana.

Acredito que o futebol, ao fim e ao risco, se a política e o nosso comando maior não defraudar o lado honesto do espírito da população caminhará junto com a alma do povo e será o marco iniciador das outras conquistas de que o país se ressente.

Aos baderneiros, justiça com eles e no rigor da lei.

Das reivindicações e esperanças populares, educação em primeiro lugar, depois saúde, segurança, mobilidade urbana e tudo mais que as vozes da rua trouxeram a tona e o governo só não executará se for insensível.

Há quem acredite que sim.

Então, será o caos.             



 

 

O sol há de brilhar mais uma vez

24/06/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

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Em minha ultima coluna, emocionado pelo momento, lamentei não falar em futebol quando o país vive um momento de conflagração, de emoção exacerbada com a participação efetiva de sua população pensante e desejosa de melhorias gerais na vida da nação.

Creio que não foi aleatoriamente que a Copa das Confederações, evento futebolístico, serviu para acionar o gatilho que já estava quase emperrado pela ferrugem dos anos a cobrir os desejos de uma massa pulsante, mas sofrida e aparentemente calada e conformista.

Só aparentemente. 

A perplexidade da FIFA, na figura de seus maiores, Joseph Blatter à frente de todos, só se justifica por um fato: a FIFA está sediada na colina dourada de um recanto suíço de onde observa do alto o que ocorre no mundo de mais 200 filiados que a compõem e sustentam.

Dessas duas centenas de países sai o dinheiro que permite a mesma ter-se transformado num foco de corrupção que distribuiu a mancheias o material sonante para contar com prosélitos em todas as partes e que se enriqueceram com base em seus esquemas.

Não por outro motivo a FIFA está sediada no país que, apesar de tradições tão gloriosas e incrustada nas lendas do mundo que encontrou nos anciãos helvéticos uma forma pura de democracia (li entre outras a história de Guilherme Tell em minha infância e nunca a esqueci) é o país onde se lava o maior percentual de dinheiro sujo do mundo e que é para ali carreado por ditadores e políticos sanguessugas do povo que verdadeiramente trabalha.

O movimento popular no Brasil surgiu num instante em que o povo não respirava mais diante de tanta opressão por uma política financeira escorchante, tributos insuportáveis, e por um sistema de governo que vai entrando em seus estertores.

Porque não é um problema brasileiro e sim mundial, embora o Brasil esteja numa situação peculiar em relação a quase todos os demais.

Tem riquezas mil a serem exploradas, mas não com essa face de país sindicalista em que por nossa culpa se tornou.

Modo geral o estresse atinge a todos os povos do planeta e dele só estão à margem países pequenos que aproveitaram suas épocas de colonialistas ou construíram seu equilíbrio em tempos idos e vivem dessas benesses do passado e não necessitam de ações iguais as que percorrem nosso país e que aqui teve apenas esse mote com a coincidência de um grande evento futebolístico.

Em outros momentos as chamadas “primaveras” já sacudiram o mundo e continuam sacudindo, em paz ou com sangue, com palavras pacíficas de ordem reivindicatórias ou com gritos de guerra.

O mundo tem caminhado através dos anos e vivido momentos de esperanças contrastantes com etapas de desilusão.

No Brasil o que restava de paciência para o povo ordeiro e trabalhador extravasou e não foi por culpa exclusiva disto ou daquilo.

Foi o todo que transforma o melífluo som que sai da boca de mentirosas autoridades no travor do fel que a biologia humana não alcança digerir.

Unido ao movimento ordeiro de uma imensa maioria que quer um país justo, organizado, operativo, aproveitou-se a horda de criminosos que assola a nação de uma forma ou de outra e resolveu agir como agem os marginais.

O lado baderneiro do movimento deve ser combatido com todas as forças, mas na luta do mar contra a montanha é impossível que não sofram também os de boa intenção posicionados no meio do caminho.

Separar o joio do trigo nessa hora torna-se o mais difícil, mas deve ser feito com tudo aquilo de que dispõe a nação para tanto.

A presidente falou e pelo menos serviu para constatação geral de que não está alheia ao que acontece aos seus e aos nossos olhos.

Falou pouco, porém e não chegou ao fundo da verdade quanto à gastança e superfaturamento nas obras faraônicas dos belos estádios que poderiam ser 4 agora ou  6 ou no máximo 8 no ano que vem.

A hora da Presidente tomar as rédeas da nação e superar a maré que pode engolfá-la é agora e se a mesma não tiver forças suficientes para sustentar-se e levar a bom termo a situação esperada pelo povo sua fala de pouca valia será.

Que comece a agir como presidente da nação, que justifique os votos que recebeu, que não seja tutelada por um grupo que ajudou a conduzir a nação a esse estado de coisas.

Precisamos de reformas profundas e não será Dilma Rousseff ou quem quer que seja que as executará nos decênios de atraso em que vivemos.

Pelo menos que comece agora com a reforma política, que limpe a Esplanada de tantos ministérios, que consiga auxílio para instalar o voto distrital, que nossas casas congressuais, câmara e senado deixem de ser o local onde os bem falantes, sustentados por lobbies e marketing produzidos a base de dinheiro bem ou mal ganho adquirem assentos para mais amealhar e sem nenhum constrangimento de não trabalhar por aqueles que um dia neles acreditaram.

Que comece pelo voto distrital, onde o povo saberá de verdade quem está escolhendo, que acabe com essa farra de partidos políticos que só servem para registrar candidatos e receber dinheiro público e paulatinamente outras medidas irão sendo tomadas ao longo dos próximos anos com o Brasil dando um exemplo ao mundo.

Que se acabem os eleitos a custa da inteligência malévola e financista dos marqueteiros, dos ministros indicados para atender compromissos políticos e dos aspones às centenas de milhares.

Que todo servidor público, do mais alto ao mais baixo tenha que passar por um concurso público e seja dado um fim aos nomeados políticos para os chamados cargos de confiança.

Servidor público em qualquer nível só com concurso público, livre e honesto.

Estarei sendo utópico? Acredito que seja possível se a presidente deixar de ser tutelada e mostrar que tem forças suficientes para fazer o que o lado ordeiro da população está preconizando.

Se Dilma Rousseff não se libertar daqueles que ali a colocaram com a única intenção de se manter no poder corrupto e que desejam eternizar tomando a Presidente de imediato as medidas iniciais para grandes reformas, começando pela política, de nada terá valido todo esse esforço.

Ao contrário, se força intrínseca ela tiver à FIFA só restará a certeza de que testemunhou em sua estada no país um movimento que o redimiu.

E também ela terá a aprender com o que aqui poderá acontecer de bom.




 

 

Arena no sentido de Estádio é uma aberração

06/06/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

Arenas

De repente o termo foi surgindo como influência do estrangeirismo que toma conta de nossa imprensa.

Uma menção hoje outra amanhã e no noticiário de jornais, revistas e televisão a denominação incorreta de arena para os estádios de futebol tomou conta.

Ainda mais na época em que vivemos quando das construções das praças esportivas, que na minha interpretação continuam sendo estádios, onde serão jogadas partidas de futebol da Copa das Confederações e depois da Copa do Mundo de 2014, o maior acontecimento dessa modalidade esportiva no planeta.

Já escrevi neste site sobre o tema, mas infelizmente perdi meu tempo.

Não perdi, porém, o ânimo de lutar contra os absurdos que se cometem contra o nosso idioma mesmo que em aspectos apenas de semântica.

Posso até ser obrigado, por exemplo, a escrever dentro das regras da chamada nova ortografia, que por sinal ainda não destronou a usual, mas jamais concordarei com os absurdos que a mesma contém. 

Voltando às arenas no dizer de forma quase absoluta de nossa imprensa faz lembrar com as devidas reservas o período em que, no governo militar brasileiro e fruto de interesses eleitorais foram construídos tantos locais pelo país afora, alguns deles agora reformados para os eventos citados.

As críticas da imprensa estão acertadamente focadas no derramamento de dinheiro público e ainda na escolha de locais onde o futebol não é tão atraente para o público em detrimento de cidades esquecidas.

No capítulo há interesses políticos em jogo em todos os sentidos.

Veja o fato de a seleção brasileira treinar em Goiás nesta semana, depois de ter jogado domingo passado no Rio e ir jogar no próximo em Porto Alegre.

Espécie de compensação política ao governo goiano por não ter sua capital sido escolhida entre aquelas que sediarão os eventos FIFA deste e do ano próximo embora seja praça futebolística de primeira linha.

Isso me remete a 1966 quando o bando de loucos que dirigia a seleção fazia a mesma visitar diversos locais onde um grupo financeiro promovia o lançamento de loteamentos.

É preciso recordar que a atual Copa construiria seus estádios, ou suas arenas, como é instigada a escrever a mídia nacional ou pronunciarem nossos locutores, custeada de forma total pela iniciativa privada e sem “nenhum tostão do dinheiro público” segundo apregoou na época a CBF com o respaldo do governo federal de então.

Acontece exatamente o contrário e nunca houve um derrame tão grande de dinheiro da Nação em construções esportivas como o que se constata na atualidade.

Tudo dentro dos melhores costumes do superfaturamento e lucros extraordinários que vão para destinos os mais variados.

Discute-se atualmente se o Maracanã reinaugurado no último domingo após longa e modernizante reforma que desfigurou quase que completamente sua arquitetura original não deveria ter sido deixada íntegra já que o dinheiro gasto daria para construir um novo em outro local.

As opiniões se divergem entre os chamados saudosistas e os modernizantes e enquanto isso o mundo gira e a bola rola.

Não vou entrar no mérito ou demérito, não me chamo Joaquim nem moro em Niterói.

Sei que o estádio ficou bonito e que na sua inauguração mostrou falhas que, igual aos apartamentos novos e depois de inaugurados, precisam de um tempo para o devido “amaciamento”.

No Brasil gastar o suado dinheiro do povo no supérfluo e deixar de lado o mais necessário já se tornou rotina e o que de melhor a população poderia receber como complemento da gastança, as obras de entorno e principalmente as de transporte ficarão para as calendas gregas.

O que discuto e não posso aceitar mesmo é essa denominação de arena para os estádios de futebol.

O próprio Aurélio, o dicionário mais folheado do país ensina que arena, substantivo feminino, é a área central coberta de areia nos antigos circos romanos onde combatiam gladiadores e feras.

Simplificando: arena é o picadeiro dos circos o que nada tem a ver com futebol até porque neste o palco tem grama e não areia, de onde vem o nome na boca dos locutores.

Um estádio tem sim que possuir uma arena e uma arena, a não ser no futebol de rua ou mesmo de várzea pode possuir um estádio para abrigar a massa espectadora.

Estádio vem da medida de comprimento, de etimologia grega e utilizada para medir a construção do respectivo de Olympia, local em 776 AC das primeiras olimpíadas.

Chamar o Maracanã, o Mineirão, ou seja, lá qual estádio for de arena é uma aberração ao idioma ou como diria em seus tempos o meu saudoso companheiro Mário Moraes “uma ofensa à ortopedia do idioma”. 



 

 

Tostão, o sábio que consola

15/04/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

Tostão - Eduardo Gonçalves de Andrade

Tostão, craque que jamais se separava de um livro é a maior prova que  homem não deve mesmo chorar por fim de glória, como cantou Sérgio Ricardo.

Era comum, quando nos cruzávamos em alguma viagem, geralmente da seleção, cada um com seu livro sob o braço eu ouvisse depois dele tomar conhecimento do que eu estava lendo:

“Quer que conte como acaba?”

Tendo que deixar a bola de lado depois do segundo descolamento de retina aferrou-se aos livros e de doutor em medicina foi ser cronista esportivo.

É no meu entendimento de leitor e de quem passou a vida vendo futebol aquele que melhor escreve sobre o nosso principal esporte.

Não só exibindo conhecimentos técnico/táticos, mas também pela sua capacidade de fazer poesia, filosofia e por que não, literatura no árido terreno da crítica futebolística.

Li, logo no lançamento em 1997 o “Lembranças, Opiniões, Reflexões sobre Futebol”, o primeiro livro do Dr. Eduardo Gonçalves e que mereceu até um prefácio do mestre Armando Nogueira.

Que o encerra com a frase: “Com vocês, mais um belo gol de Tostão.”

Há 15 anos creio que Armando estivesse pensando mesmo nos gols que Tostão fazia e não nas páginas maravilhosas que viria ainda a escrever.

Seu segundo livro foi lançado há pouco e ainda não o li, mas como acompanho todas as suas crônicas (e o livro é um florilégio das mesmas) sei que vou reler coisas boas, muito boas.

Para mim, além disso, serviu de um consolo muito grande ver a foto do Tostão de perfil na revista VEJA de duas semanas atrás no comentário sobre o novo livro e que se chama “Perfeição não existe – Paixão do futebol por um Craque da Crônica”.

Como não vejo o Tostão há muitos anos e sei que jamais escreverei tão bem quanto o mesmo foi um consolo notar que pelo menos num quesito estamos empatados.

Tostão está com uma linda barriga, de não dar inveja a nenhum Ronaldo que seja.

Já é alguma coisa.

 

Fonte da Imagem: Futebol de Todos os Tempos



 

 

Novos Afagos e Lambadas

05/04/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários Nenhum comentário

LEI DA FICHA LIMPA PARA DIRIGENTES ESPORTIVOS soou aos meus ouvidos como uma nova piada a circular entre tantas que correm pelo país.

Considero justa a luta de Ivo Herzog em preservar a integridade da figura de seu pai, o jornalista Vladimir Herzog, morto pelos assassinos que frequentavam os porões da ditadura brasileira e com certidão de óbito que comprova a veracidade do crime já emitida pela Polícia Federal.

A presença de Romário nessa luta, porém, tem finalidades políticas e isso deve ser levado em conta quando o artilheiro/deputado chuta de bico e recomenda o nome de alguém tão implicado quanto o atual presidente da CBF, mesmo que em caminhos diferentes, mas nada recomendáveis, para ocupar a presidência da entidade.

Andrés Sanchez é o nome da figura defendida por Romário para ocupar o posto de Marin aproveitando-se da campanha do filho de Vladimir e pegando uma carona na mesma.

Andrés Sanchez surgiu no Corinthians como homem de Alberto Dualib, fez meia cancha orientando o grupo mafioso russo que tentava se apoderar do Corinthians e seus principais trunfos no clube foram alcançados com o respaldo de um Presidente da República que torce da forma mais desabrida pela agremiação.

O Itaquerão, por exemplo, é obra de Sanchez ou de Lula?

Andrés completa seu perfil com sua ligação com o defenestrado e bem pago Ricardo Teixeira tanto quanto José Maria Marin é ligado ao mesmo.

Marin, por sinal, deveria ter se aproveitado do ostracismo em que se abrigava para ali se manter e ter seu passado esquecido.

Mas ... é a velha estória do escorpião que não consegue ocultar a tentação de estar sempre exercitando sua vocação íntima.

Apoiar Herzog é uma tarefa que enaltece o deputado Romário, agora, misturar as coisas e fazer de Andrés Sanchez escada para uma ascensão política é golpe baixo contra o futebol brasileiro que pior que está ainda mais pode estar.

Por outro lado essa tal de ficha limpa para candidatos a cargos eletivos no futebol só pode ser encarada como piada. 

O JOGO NA BOLÍVIA É PARA QUE MESMO?  Quem souber a resposta exata o colunista agradece.

Foi divulgado que seria para proporcionar uma compensação financeira para a família de Kevin Espada, porém, não é isso o que está no noticiário.

Formar uma seleção brasileira em momento tão extemporâneo e somente com jogadores que atuam no país e atualmente estão envolvidos em tantas competições importantes só teria sentido se fosse para reverter o seu faturamento à família do jovem assassinado, mesmo que se saiba que a morte de um filho não tem preço que pague.

Ninguém informa exatamente quais as bases do acordo e se o dinheiro arrecadado ao fim e ao risco não desaparecerá como tantos acontecimentos afins.

A renda será revertida para a família de Kevin Espada ou servirá para uma mudança de atitude da Justiça Boliviana que se mantém alheia aos 12 corintianos presos em Oruro e sem suporte jurídico penal que a sustente?

O certo é que Felipão convocou até o 4º goleiro do Corinthians, mas mesmo assim poderia formar uma boa seleção se esta treinasse pelo menos uma vez.

Agora estamos falando de futebol e não de manobras que fogem à compreensão e se escondem nos escaninhos escuros dos acordos malcheirosos.  

Sem nenhum treinamento, marcada em cima da perna, mesmo contando com valores de primeira linha esse amistoso não tem nenhum sentido.

Mesmo porque a família do jovem Kevin Estrada, pelo menos até hoje, não foi sequer notificada da realização do jogo ou convidada para o mesmo.

Estranhamente a CBF aceitou a realização da partida, mas também informa que não sabe como será feita a divisão do butim que a mesma produzirá.

ERA A CHANCE DE SENEME: Wilson Luiz Seneme e Leandro Pedro Vuaden são em minha opinião os melhores apitos do futebol brasileiro.

Vuaden surgiu buscando uma maneira diferente de atuar ditando interpretações pessoais para as regras que devem ter interpretações unificadas.

Depois se enquadrou, equilibrou seu trabalho e foi em frente.

Ambos foram reprovados em testes físicos e não estarão na Copa do Mundo, onde pelo menos Seneme demonstrava de há muito condição técnica para ser o principal representante brasileiro.

Sandro Meira Ricci e Héber Roberto Lopes, um inexperiente, o outro experiente demais, serão agora testados para ocupar o lugar a que o Brasil tem direito na próxima Copa do Mundo.

Meira Ricci, que é mineiro de origem, mas apita pela Federação Pernambucana começou distribuindo cartões a quem via pela frente.

Agora está um pouco mais comedido, mas existem outros na fila e com mais méritos para merecer a indicação.

É possível que a FIFA, através de seu setor competente, esteja instruindo os apitadores para exercerem seu trabalho de acordo com o que está no caderninho e deixando de lado interpretações pessoais.

Temos notado isso nas últimas atuações de juízes europeus, notadamente ingleses e alemães, a maioria.

Ainda no recente Brasil e Rússia o inglês Howard Webb, um dos melhores do quadro da FIFA apitou tudo e deixou de lado o princípio de deixar a bola correr relevando o que alguns comentaristas chamam de faltinhas.

Como se houvesse algum grau nas regras do futebol e se o aumentativo no caso não pudesse ser corrigido pelo uso dos cartões.

O certo é que principalmente o bom árbitro Seneme vai encerrar sua carreira sem apitar uma Copa do Mundo.

Não deve estar chateado já que sempre existirá um lugar de comentarista para aqueles que se aposentam ou não correm mais o suficiente para desempenhar suas funções em campo.

A CORREÇÃO DE UMA ESPUPIDEZ poderá acontecer se prevalecer uma das cláusulas do contrato de patrocínio do Corinthians com a Caixa Econômica Federal e que no momento está suspenso por decisão liminar de um juiz gaúcho que atende à propositura de um cidadão daquele Estado que considera ilegal uma empresa pública patrocinar um clube particular.

Considere-se que precedentes são inúmeros dentro dos princípios da propaganda governamental e, sinceramente, não creio que vá adiante essa pretensão de moralidade que vem do sul do país.

Lá mesmo existiram e existem exemplos a reforçar o parágrafo acima.

O que comento é a cláusula que obriga o clube a pagar pesada multa ao seu patrocinador toda vez que um jogador ocultar o logo do mesmo inserido em seu uniforme, seja na comemoração de um gol ou por qualquer outro motivo.

Não tenho certeza se foi ele o criador da besteira explícita, mas sei que foi o primeiro que vi levantar a camisa e correr na comemoração de um gol com a mesma cobrindo a cabeça imitando um assaltante mascarado.

Rivaldo, na minha memória começou a praticar tal ato na Copa do Mundo de 2002 e que depois outros se incumbiram de acrescentar o arrancar da camisa, dar voltas à mesma, deixá-la no chão ou atirá-la para a torcida.

É um ato de pura burrice que só os patrocinadores ou a televisão poderia coibir de maneira veemente e final.

É o momento exato em que todas as câmeras focalizam o atleta e por consequência o uniforme onde as mensagens publicitárias hoje o transformam em verdadeiro camelô ambulante.

Mas, dessas mensagens vêm os salários milionários que recebem e que estão jogando fora quando tiram a camisa e escondem o endereço da galinha dos ovos de ouro.

Como é só no bolso que a sensibilidade de muitos é atingida a medida imposta pela Caixa, se assim se concretizar, será benvinda e deverá ser seguida pelos demais patrocinadores.

Até pelo fato de que comemorar gol sacando a camisa é uma das formas mais estúpidas que os goleadores possam incluir no vasto repertório.

JOÃO ATALA ERA DIRETOR TÉCNICO da Federação Paulista de Futebol e  encarregado de executar a vigilância no tamanho dos anúncios que um jogador de futebol poderia exibir em seu uniforme.

Ordem da FIFA determinava que apenas um anúncio fosse colocado em cada camisola, como dizem os irmãos portugueses.

Esse anúncio único possuía um tamanho máximo, coisa de 8 por 10 centímetros, se a memória não me trai.

Clube que ultrapassasse a orientação poderia até perder pontos nos jogos que disputasse e isso aconteceu ainda em 1986 quando os patrocinadores descobriram que os uniformes futebolísticos eram um excelente caminho para divulgação de suas mensagens.

Foi mais ou menos na época em que a televisão descobriu o futebol como espetáculo mais rentável e menos custoso que programas de auditório e outros que tais.

Leio declaração do novo homem de marketing do Palmeiras sobre a inclusão, além do patrocinador principal, no momento a montadora Kia que insere um logo no peito e outro nas costas acima da numeração, de outros locais no uniforme do clube a serem preenchidos na busca de mais faturamento.

Omoplata da camisa, cantinho do ombro, barra da camisa e da manga.

O que sobrou em matéria de uniforme genuíno dessa verdadeira camiseta Frankenstein e que na hora da onça beber água é sacada do corpo e atirada ao vento?

Quem sabe, com todos os espaços preenchidos os jovens do Palmeiras repitam a mesma vontade demonstrada na vitória contra esse falso Tigre argentino que de animal feroz só tem o nome.

ESTOU COM PLATINI, o competente e conhecedor profundo das coisas do futebol que viveu como craque e que como presidente da UEFA declara ser contra a tecnologia na modalidade já a partir da chamada “bola inteligente” aquela que informará ao árbitro se transpôs ou não a linha de gol.

A mesma, segundo Platini, não será usada nos jogos da Copa dos Campeões da Europa seguindo sua orientação pessoal.

Diz Platini que prefere colocar mais dinheiro na infraestrutura e na base do futebol do que gastá-lo na tentativa de consertar um erro que acontece de quarenta em quarenta anos.

Michel Platini surge no momento como principal candidato a suceder Joseph Blatter na presidência da FIFA e vem de um tempo onde seu próprio país, a França, possuía uma seleção bem melhor que a atual que perdeu semana passada em Paris para a Espanha.

Particularmente vou um pouco mais longe, questão de idade, e venho de um tempo em que futebol era aquilo que jogavam figuras como Pelé, Di Stefano, Garrincha, Puskas, Didi, Bobby Charlton, Maradona ... eram tantos.

Fico nesse pequeno resumo já que a lista de craques de verdade era mesmo muito extensa.

Por que será que nesse período ninguém pensava em tecnologia e o futebol eletrizava com aquilo que produziam esses astros?

 Hoje está tão limitada quanto à necessidade que o jogo tem de usar a tecnologia para tentar melhorar algo que só os futebolistas de alta qualidade podem fazer: atrair a atenção do grande público.  



 

 

A Conquista do Reinado de Pelé

20/02/2013 Categoria: Flávio Araújo   Comentários 1 comentários

Também essas considerações são influenciadas para proporcionar sequência de minha parte por comparações feitas há poucos dias pela revista Veja.

Na verdade não são comparações e sim informações e destas as ilações são as mais claras e objetivas possíveis.

Neymar comemorou 20 anos ainda outro dia, 5 de fevereiro, ocasião em que marcou o seu centésimo gol contra o Palmeiras que acabou vencendo o jogo por 2 a 1.

A risonha promessa brasileira demorou 35 meses desde que se profissionalizou para alcançar tal marca.

Começou bem jovem, pois.

Pelé, o que a publicação americana quer destronar numa espécie de golpe antidemocrático demorou 22 meses para marcar seu centésimo gol já que também começou ainda mais jovem que Neymar.

Mas, este não está em cogitação nessa questão de reino mundial do futebol, entretanto, guarda distância favorável do preferido do Life magazine e Sports Illustrated.

Lionel, de quem não se discute as qualidades, demorou no entanto, exatos 5 anos, ou seja 60 meses, desde que se profissionalizou no Barcelona para chegar a cifra de 100 gols conquistados.

Pelé chegou aos 100 gols com 17 anos e já campeão do mundo; Neymar aos 20 e Messi aos 22 anos.

Creio que essas são comparações possíveis e nos falam profundamente do valor e das conquistas de um craque.

O que não impede, faço questão de insistir, que um dia Messi seja coroado o novo rei do futebol.

Mas, de momento isso é papagaiada, é marketing, é tudo menos realidade.



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