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Blog Memória Futebol


O dia da Final da Copa de 70

Autor: Adriano Fernandes - 18/11/2011 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Foi no dia 21 de junho de 1970.

Dia da final da Copa de 1970.

8 horas da manhã.

O restaurante do hotel na cidade do México, praticamente vazio.

José Maria de Aquino, Hedyl Valle Jr. e eu tomando café da manhã.

Calados. Preocupados.

Aimoré Moreira, técnico campeão do mundo em 62, e consultor da revista Placar na Copa de 70, chega alegre:

- E aí, moçada, tudo em cima?

Alguém resmunga alguma coisa, ninguém com vontade de responder.

- O que é? Aconteceu alguma coisa? – pergunta Aimoré.

Hedyl acha força para dizer:

- Claro, Aimoré, hoje é a final!

- Sim, e daí? Vocês estão preocupados?

Dessa vez foi eu:

- Ora, o jogo é contra a Itália e não é uma barbada!

Aimoré sorriu:

- Voces não precisam ficar preocupados. Vamos ganhar fácil!

Os três olharam para aquele homem de rosto magro, marcado por profundas rugas, sorridente.

- Ganhar fácil como? Aimoré, os caras enfiaram 4 na Alemanha!

- Isso é entre eles, conosco vai ser diferente!

- Diferente como? – perguntei já meio irritado com aquela confiança toda.

Aimoré Moreira puxou um guardanapo, sacou de uma caneta e começou a desenhar no guardanapo:

- Olha, voces sabem que a Itália marca homem a homem e o primeiro gol vai sair por causa disso. Tostão marcado pelo Burgnich, o líbero deles, cruzando da direita ou da esquerda, Pelé do outro lado, sobe com apenas um colado nele. Como sempre o Negão vai colocar meio corpo acima do Cera e cabecear forte, para baixo, sem defesa para Albertosi.

E desenhando Aimoré foi contando como seria outro gol.

- Gérson vai lançar do meio de campo, de novo Pelé marcado por apenas um, sobe e toca de cabeça para Jairzinho que vai entrar pelo lado esquerdo do nosso ataque. O lateral deles, Facchetti, vai ficar perdido.

Nesse momento Aimoré fez uma pausa. A gente olhava para ele quase não acreditando mas recuperando aos poucos a confiança.

Aimoré  olhou bem na cara de cada um de nós e continuou desenhando e explicando.

- Um gol vai sair com Jairzinho puxando o capitão deles, o Facchetti, que dessa vez vai o acompanhar, para o lado esquerdo do ataque do Brasil e abrindo caminho para a entrada de Carlos Alberto sòzinho, pela direita.

Sorridente, Aimoré parou por aí, parecendo estar vendo o Carlos Alberto erguendo a taça Jules Rimet. Só não desenhou e explicou como seria o segundo gol do Brasil marcado por Gérson, com um chute com a famosa canhote. de fora da área. Talvez porque esse gol dependeu sòmente do talento e da coragem de um dos maiores jogadores que vi em minha carreira.

No estádio Azteca a tarde, quando Carlos Alberto acertou aquela bomba no passe de Pelé, garantindo a vitória, tonto pela alegria, eu não sabia direito o que fazer e virei para trás.

Algumas fileiras acima da minha vi Aimoré olhando para mim, apontando para dentro do campo, como que dizendo, “tá vendo, tá vendo”.

O velho senhor chorava feito criança.

 PS – O diabo é que ninguém se lembrou de ficar com o guardanapo. Acho que o Zé Maria na volta ao hotel até procurou. E só por isso algumas vezes dizem que inventamos esse “causo”. Posso garantir, mas não posso provar, que o “causo” é verdadeiro.

Por Michel Laurence em 15/11/2011

Fonte: Jogo Quase Perfeito


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