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O Tiziu, Paulo Isidoro

22/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Paulo Isidoro de Jesus nasceu em 3 de julho de 1953 na cidade mineira de Matosinhos. O menino de origem humilde começou no futebol com apenas 9 anos na equipe infantil do Cruzeirinho. Ao se mudar com a família para Belo Horizonte passou a atuar no Ideal, clube amador do Bairro das Graças. Atuando no meio campo, acabou chamando a atenção do massagista do Atlético Mineiro, Irineu, que o convidou para fazer um teste no clube que tinha como técnico da equipe principal Barbatana.

Dono de um preparo físico invejável, com muita disciplina tática e com perfeição no passe, Paulo Isidoro se destacou, por ser um ótimo “garçom”, pois servia bem aos atacantes, e acabou ganhando uma vaga nos juvenis do Galo. Foi neste tempo que ganhou o apelido de “tiziu”, nome de um pássaro preto e arredio.

Em 1974, com 21 anos, sem chances na equipe titular, passou a ser considerado como “moeda de troca” para ser utilizada em outras contratações no clube. Naquele tempo, o Atlético mantinha uma parceria com o Nacional de Manaus, para onde mandava atletas que não costumavam ser utilizados na equipe principal em troca de colocá-los para atuar. Desta forma, poderia chamar atenção de prováveis interessados em contratá-los. Sua estreia no clube amazonense aconteceu em 29 de setembro de 1974 na goleada por 3 a 0 frente ao Fast em partida válida pelo campeonato amazonense. Embora tenha começado na reserva, entrou no lugar de Bibi, filho do campeão mundial Didi, e marcou um dos gols da vitória nacionalina. Campeão amazonense daquele ano, suas atuações, ainda que boas, não chegaram a empolgar e tão logo o campeonato acabou, ele voltou ao Atlético.

Ainda reserva precisou esperar mais algum tempo para ter uma chance na equipe principal. Ela veio com a convocação do titular, Marcelo Oliveira, para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Pan-americanos da Cidade do México, por decisão do técnico Telê Santana que identificou qualidades únicas naquele incansável meio campista que segundo ele, sabia, como poucos, sair com a bola dominada de forma rápida. Seu estilo de jogo se adaptou com perfeição ao do centroavante Reinaldo e não saiu mais do time. O bicampeonato mineiro em 1975 e 1976 acabou por lhe render a primeira convocação para a seleção brasileira pelas mãos do técnico Osvaldo Brandão, para disputar partida amistosa frente um combinado formado por atletas do Flamengo e Fluminense, em 31 de janeiro de 1977 e que acabou empatado por 1 a 1.

As expectativas eram muito boas para aquele ano, uma vez que passou a ser figura constante na seleção que se preparava para a Copa do Mundo de 1978 e, além disso, era um dos destaques do Atlético Mineiro que fazia uma campanha impecável no campeonato brasileiro daquele ano. Tudo ia muito bem, até que acabou barrado, pelo técnico Barbatana, que voltara ao Galo, da equipe titular justamente nas partidas decisivas da competição nacional, realizadas já no começo de 1978. Para Barbatana, Marcelo era o titular e ele, o reserva. A perda do titulo para o São Paulo foi surpreendente assim como o esquecimento do técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, que não o levou para a Copa da Argentina.

Novamente campeão mineiro em 1978, foi negociado com o Grêmio em 1979, em uma troca pelo ponta-esquerda Eder. Atuando no tricolor gaúcho, Paulo Isidoro se tornou em um elemento indispensável para a equipe, uma referência que acabou por provocar seu retorno a seleção brasileira, comandada por um velho conhecido Telê Santana.  Bicampeonato gaúcho de 1979 e 1980, Paulo Isidoro teve participação decisiva na conquista do primeiro titulo nacional dos gremistas, o campeonato brasileiro de 1981, ao marcar os dois gols da vitória de virada, por 2 a 1, frente ao São Paulo na primeira partidas das finais, realizada no estádio Olímpico em 30 de abril de 1981. Além disso, ganhou a Bola de Ouro, prêmio promovido pela revista Placar, como o melhor jogador da competição.

Presença obrigatória em todas as convocações da seleção de Telê passou a ser o décimo segundo jogador, aquele que entrava em todas as partidas. Com a expulsão de Toninho Cerezo, na partida, válida pelas eliminatórias, frente à Bolívia, em 22 de fevereiro de 1981, e sua suspensão para a partida de estreia na Copa do Mundo de 1982, contra a União Soviética, tudo indicava que ele seria o titular. Apesar de contar com sua confiança, Telê preferiu improvisar Dirceu numa posição em que jamais o escalara antes. Ao final do primeiro tempo, Paulo Isidoro entrou no lugar de Dirceu, que a partir daquele momento não voltou mais a equipe, e foi um dos responsaveis pela vitória brasileira de virada por 2 a 1. O meio campista continuou como reserva na competição, mas sempre entrando no decorrer das partidas, o que só não aconteceu na vitória frente a Argentina por 3 a 1. Foi um dos poucos atletas poupados de críticas por conta da prematura e trágica eliminação frente a Itália. Também foi um dos poucos a continuar a ser convocado imediatamente depois dela, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira em 1983. Ao todo atuou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, sofrendo apenas duas derrotas.

Nesta época foi contratado pelo Santos, onde continuou a surpreender a todos sobretudo por demonstrar uma incrível vitalidade para um atleta que já chegara aos 30 anos, algo considerado muito raro naquela época. Sempre atuando de forma cerebral e praticamente sem errar passe, foi o escolhido o melhor meio-campista do campeonato brasileiro de 1983, e peça importante para o vice-campeonato brasileiro conquistado pela equipe alvinegra, bem como pelo titulo paulista de 1984, que deu fim a um incomodo tabu de 6 anos, em uma momento inesquecível para a sua carreira, por conta da morte do pai, na véspera da partida vencida por 1 a 0 frente o Corinthians em 2 de dezembro de 1984. É de arrepiar a cena da comemoração do gol de Serginho, com Paulo Isidoro desabando em campo com as mãos erguidas para o céu.

Ainda voltaria ao Galo no ano seguinte, para ser bicampeão mineiro em 1985 e 1986. Ao final da temporada de 1987, se despediria de vez do clube onde tudo começou, para atuar no Guarani de Campinas, onde continuaria com os holofotes virados em sua direção. Aos 35 anos de idade foi um dos destaques da equipe bugrina que chegou ao vice-campeonato paulista de 1988. Quase que interminável ainda atuaria no XV de Jaú, Cruzeiro e Internacional de Limeira, onde encerrou a carreira já com 39 anos.

Paulo Isidoro foi um profissional exemplar cuja longevidade de uma carreira vitoriosa serve para comprovar o atleta único que foi, um trabalhador incansável em campo e um dos grandes nomes da historia do futebol brasileiro. 


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