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Blog Memória Futebol


Um pouco do Clássico da Saudade

Autor: Adriano Fernandes - 03/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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História do Clássico Palmeiras x Santos

Curiosamente, Palmeiras e Santos estiveram frente a frente na decisão de um título, até hoje, apenas duas vezes. E nas duas vezes deu Verdão: 1927 e 1959. Mas para compensar a ausência de jogos finais, o clássico é repleto de histórias. A começar pelo primeiro encontro: o Palestra Itália disputava apenas sua terceira partida de sua história e levou também maior goleada até hoje: 7 x 0. A vingança veio em 1932: 8 x 0 pelo Paulista. E jogos como o incrível 7 a 6 de 1958, o 6 x 0 para o Palmeiras em plena Vila Belmiro pelo Paulista de 1996, a virada santista nas semi-finais do Paulista de 2000 e o episódio folclórico do gol do árbitro José de Assis Aragão em 1983 ajudam a rechear este grande clássico do futebol brasileiro.

04/03/1928 - PALESTRA ITÁLIA 3 X 2 SANTOS - Ataque dos cem gols fica sem título.

No Paulistão de 1927, o grande ataque santista formado por Osmar, Camarão, Siriri (ou Feitiço), Araken e Evangelista, o primeiro a chegar à marca dos 100 gols marcados na história do campeonato, parou diante do Palestra de Bianco e Heitor, que venceu por 3 x 2 em plena Vila Belmiro. O Palestra conquistava o bicampeonato Paulista.

06/03/1958 - SANTOS 7 X 6 PALMEIRAS - O maior espetáculo do futebol.

Palmeiras e Santos se enfrentavam pelo Torneio Rio-São Paulo naquela noite de 06 de março no Pacaembu. Era apenas mais um jogo do torneio, que não decidiria nada. Mas o que aconteceu naquela noite, era algo inacreditável. Quem começou a festa foi o Palmeiras com um gol do ponta-esquerda Urias. Não tardaria a resposta do Santos e o menino Pelé empatou. E ainda no primeiro tempo, uma seqüência impressionante de gols. Foi só Pagão fazer 2 x 1 para o Santos que, inflamado, o Palmeiras correu à frente para empatar (gol de Nardo) levando, em seguida, três golpes que pareciam mortais - como num deboche, Dorval, Pepe e Pagão estabeleceram 5 x 2. No intervalo, Oswaldo Brandão pediu vergonha aos palmeirenses, trocou o goleiro e colocou em campo o uruguaio Carballo. Com ele ao seu lado, Mazola transformou-se no diabo loiro e o milagre aconteceu: com gols de Mazola, Paulinho, Urias e Ivan, o Palmeiras virava para 6 x 5! "Milagre no Pacaembu!" gritava Édson Leite, testemunhando o que classificava de "o maior espetáculo que já vi no futebol". Só que com a máquina do Santos, o milagre duraria pouco. Pepe empatou o jogo e, logo depois, virou-o para 7 x 6.

10/01/1960 - PALMEIRAS 2 X 1 SANTOS - O Super-Campeonato.

Decisão do Campeonato Paulista de 1959. Terceira e decisiva partida contra o Santos. As duas primeiras tinham terminado empatadas, 1x1 e 2x2. Em campo, os elencos refletiam o equilíbrio do marcador: Dorval, Zito, Pagão, Pelé e Pepe contra Djalma Santos, Zequinha, Chinesinho e Julinho. Um festival de craques: treze dos 22 jogadores em campo já haviam vestido a camisa da Seleção Brasileira. O estádio do Pacaembu, naquele dia, 10 de janeiro de 1960, inchou de tanta gente, e os santistas riram primeiro, quanto Jair da Rosa Pinto - que anos antes jogara no Palmeiras - lançou Pelé que abriu a contagem. Mas o Verdão não se intimidou e o empate veio logo depois, com Julinho. A bola, chutada por Romeiro, espirrou em Formiga e sobrou para o ponta. Julinho vinha sendo a melhor opção de ataque do time palmeirense, que dominava o meio-campo com Zequinha e Chinesinho. A partir daí, o jogo se tornou mais ofensivo. Aldemar marcava Pelé - um duelo que se tornaria famoso e tempos depois faria o Crioulo eleger aquele zagueiro leal seu melhor marcador. O tempo corria e a torcida alviverde, que há nove anos não festejava um título paulista, temia pelo pior: a vitória santista na prorrogação. E então aconteceu, perto do final. Chinesinho aproximou-se da área com a bola dominada e desistiu de passá-la a Julinho, pois o ponta marcado de perto por Dalmo, estava isolado. Então, avançou sozinho e foi derrubado. Falta. Enquanto o goleiro Laércio orientava a barreira, Romeiro ajeitou a bola. Mãos na cintura, mediu a distância. Quase se podia ouvir sua respiração, no Pacaembu em silêncio, e soou forte o impacto violento de sua chuteira na bola, que subiu e desceu numa curva suficientemente ardilosa para tornar inútil o salto de Laércio. Quando a rede tremeu, tudo ficou verde. O invencível Santos não era mais invencível e o Palmeiras renasceu naquele dia. "Foi uma vitória da união", explicou o técnico Oswaldo Brandão, apontando para seus aplicados jogadores. Seus heróis.

19/05/1968 - PALMEIRAS 1 X 3 SANTOS - Exorcizando um fantasma.

O Santos foi quase onipotente na década de 60. Em 10 anos, venceu 8 campeonatos paulistas. Só não foi decacampeão por causa de um time: o Palmeiras. O Verdão foi campeão em 1963 (impedindo o tetra santista) e em 1966 (impedindo o tri santista). Em 1968, os santistas temiam que, naquele jogo decisivo em pleno Palestra Itália, o fantasma voltaria a aparecer. E a grande ameaça daquele time era Ademir da Guia, o maestro da Academia. O primeiro tempo foi morno e terminou em 0 a 0. Na etapa final o Palmeiras saiu na frente com China. O Santos, experiente, não se abalou. Empatou a partida aos 9 minutos com Edu. E a certeza da vitória veio aos 14 com uma jogada genial de Pelé. Com 2 x 1 no placar o Santos estava bem mais seguro. Aos 21 minutos, saiu o terceiro gol com Toninho. Era o fim de um fantasma que atrapalhou uma hegemonia total do Santos na década de 60.

05/07/1970 - SANTOS 2 X 0 PALMEIRAS - A volta dos tricampeões.

Terminada a Copa do Mundo de 1970, os olhos dos torcedores se voltaram para o Campeonato Paulista. E nada melhor que recomeçar com um grande clássico. Palmeiras e Santos se enfrentaram num domingo, 05 de maio no Morumbi, tendo seus jogadores tricampeões de volta. E eles não decepcionaram, principalmente os do Santos. Um gol em cada tempo. Aos 39 minutos, Edu fingiu bater direto uma falta na meia direita, mas abriu para Carlos Alberto. Um centro da linha de fundo, Manuel Maria errou o chute, a bola bateu em Ademir da Guia e entrou. O outro gol, aos 27 minutos do segundo tempo. Lima rolou a bola para Edu, livre pela esquerda. Edu andou e chutou de curva. Leão pensou - como todo mundo - que a bola ia cruzar em frente ao gol e saiu para cortar. A bola fez uma curva, passou por trás de Leão e entrou quase no ângulo. Na saída, a Polícia fez um cordão de isolamento em volta do ônibus do Santos. Todos queriam ver de perto seus jogadores e abraçar Pelé.

20/04/1974 - PALMEIRAS 0 X 4 SANTOS - Pelé comanda a goleada.

Enquanto fora das quatro linhas todos se preocupavam com "quando ele vai parar", dentro delas Pelé ia mostrando que um gênio não pára. Apenas se afasta um pouco, enquanto nos pensamentos dos torcedores ele continuará criando coisas maravilhosas como as deste jogo. Ele, com um passe magistral, se encarregou de romper todo o sistema altamente retrancado armado por Osvaldo Brandão e aos poucos foi destruindo o frágil time do Palmeiras. Um time covarde, no qual o próprio Brandão não acreditava. É bom que se diga: Pelé teve a ajuda dos técnicos Pepe (que se despedia) e Tim (que assumia); de Nelsi, um belíssimo jogador, e de outros. Depois disso, o homem que se "despedia" sentiu-se eufórico, riu muito nos vestiários, brincou com muita gente. Foi aclamado mais uma vez por uma massa incontrolável à saída do Pacaembu.

18/11/1979 - PALMEIRAS 5 X 1 SANTOS - Verdão Maravilha.

Telê Santana fazia ressurgir, em 1979, o futebol-arte no Palmeiras. E mais: fazia a torcida acreditar que os bons tempos da academia estavam de volta. Naquele clássico contra o Santos de 18 de novembro, o que se ouvia nas rampas do Morumbi ao final do jogo eram os gritos de "é campeão!". Era o reflexo do futebol empolgante alviverde. O Palmeiras fez cinco gols - e poderia ter chegado aos sete - assim como o Santos, não fosse a tarde de graça do goleiro Gilmar, também poderia ter feito uns três ou quatro gols. O Palmeiras abriu o placar logo aos 2 minutos com Polozzi, mas o segundo só sairia aos 45 do 1º tempo com Carlos Alberto Seixas. No segundo tempo, Juari descontou para o Santos aos 14. Um minuto depois César aumentou para o Verdão. Jorginho com mais dois gols, deu números finais ao clássico. O Palmeiras não goleou porque o Santos jogou mal. Longe disso. Foi um jogão de bola como um Palmeiras x Santos deve ser.

09/10/1983 - SANTOS 2 X 2 PALMEIRAS - Gol de juíz.

Um dos episódios mais folclóricos do futebol brasileiro. Palmeiras e Santos disputavam uma partida pelo Campeonato Paulista de 1983 e o Peixe vencia por 2 x 1. No final do jogo, Jorginho chuta forte contra o gol adversário, mas a bola, que iria para fora, desvia no árbitro José de Assis Aragão e entra no gol do Santos. Empate de 2 x 2 e muita reclamação por parte dos santistas.

02/06/1996 - PALMEIRAS 2 X 0 SANTOS - 100º gol e 21º título.

Na década de 60 era o Santos de Pelé que proporcionava grandes espetáculos e era campeão com ataques centenários. Mas o tempo passou e, no ano de 1996, o Palmeiras ressuscitou o futebol-arte e fez a melhor campanha de uma equipe na história dos Campeonatos Paulistas. A consagração veio na penúltima rodada num jogo contra o Santos. O time de Wanderley Luxemburgo  chegou ao final da competição ameaçado apenas pelo Santos, que era seu adversário naquela noite de 02 de junho de 1996, no Parque Antártica. Como o ataque já houvera marcado 99 gols, caberia ao autor do primeiro gol  a glória de marcar o centésimo. E o encarregado de ficar com a glória foi Luizão, logo aos 6 minutos do primeiro tempo. A jogada foi toda armada por Rivaldo, que bateu para o gol. No rebote do goleiro Edinho, Luizão completou para as redes: Palmeiras 1 x 0. A partir daí o Santos se comportou como mero coadjuvante na festa alviverde.  O Palmeiras ia tocando a bola e cozinhando o time da Baixada, a torcida alviverde ia fazendo a festa e os santistas já iam embora do estádio. Eles não viram o gol de Cléber, aos 37 do segundo tempo que fechou com chave de ouro uma campanha com 27 vitórias em 30 jogos, sendo a melhor do século no Paulistão.

23/05/1998 - SANTOS 2 X 2 PALMEIRAS - Virada e vaga na final da Copa do Brasil.

Em 1998 a parceira do Palmeiras, a Parmalat, novamente montou um grande time para retomar o objetivo de conquistar a Libertadores. O Verdão, comandado por Luiz Felipe Scolari (contratado um ano antes), chegava no segundo jogo da semi-final contra o Santos na Vila Belmiro, precisando reverter a situação. Afinal, o empate no primeiro jogo no Parque Antártica deixou a torcida receosa. O Santos saiu na frente com Viola logo aos 2 minutos de jogo. Oséas empatou aos 9 e Darci, já aos 7 do segundo tempo, virou para o Verdão. Argel ainda empataria no finalzinho do jogo, aos 47, mas não diminuiria a festa da torcida alviverde. Como o Palmeiras fez dois gols fora de casa, classificou-se para a final da Copa do Brasil contra o Cruzeiro.

04/06/2000 - SANTOS 3 X 2 PALMEIRAS - Uma virada que valeu como título.

O Santos já estava há 16 anos longe de uma decisão de Campeonato Paulista. Mas, em 2000, o Peixe conseguiu chegar a uma decisão em uma disputa emocionante com o Palmeiras de Felipão. O primeiro jogo da semi-final havia terminado empatado em 0 x 0. O Palmeiras tinha a vantagem do empate pela melhor campanha na primeira fase. Como o Palmeiras estava na disputa da Libertadores contra o Corinthians, a expectativa de todos era que Felipão entrasse com o time misto, como fizera no primeiro jogo. Mas ele surpreendeu e escalou o time principal. O Palmeiras teve o domínio em quase toda a partida e fez 2 x 0 com uma facilidade impressionante, com Argel e Euller. Restava ao Santos marcar 3 gols. E foi neste momento que, a torcida santista em maioria no Morumbi, começou a incentivar a equipe. Aos 23 do segundo tempo, o volante Eduardo Marques acertou uma bomba de fora da área e diminuiu para o Santos. A pressão continuou e o time de Felipão dava sinais de cansaço quando, aos 32, Ânderson Luiz empatou a partida. Eis que, com o tempo regulamentar já esgotado, um cruzamento na área do Palmeiras, Marcos se atrapalha com os zagueiros e Dodô, que vinha acompanhando a jogada, completou para o fundo do gol mesmo caído. A torcida alviverde não acreditava no que via. A do Santos, era só festa. O título depois não veio (perdeu a final para o São Paulo) mas aquela virada ficou na memória dos santistas.

Fonte da Imagem: Gazeta Press/Gazeta Esportiva

Fonte: Clássico é Clássico


 

 

Gol Olímpico, a origem

Autor: Adriano Fernandes - 02/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Cesário Onzari - Gol Olímpico

No dia 2 de outubro de 1924, mais de 30.000 pessoas testemunharam um feito que se transformou num marco do futebol argentino e mundial. Cesáreo Onzari, um ”interior” esquerdo que jogava no Huracán, marcou um gol diretamente da cobrança de um escanteio. Foi num amistoso entre Argentina e Uruguai, o então campeão olímpico. O gol inédito ficou marcado e, desde então, cada gol feito como “Onzari nos olímpicos” passou a ser denominado “gol olímpico” em toda a América e em alguns países da Europa.

O clássico do Rio da Prata teve sua importância ainda mais aumentada depois que o Uruguai conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris. Logo após a chegada dos uruguaios em sua terra natal, a Associação Uruguaia de Futebol organizou dois amistosos com a Argentina. O primeiro jogo foi realizado no dia 21 de setembro em Montevidéu e terminou empatado por 1 a 1. Uma semana depois, o segundo jogo foi disputado em Buenos Aires. O estádio do à época poderoso Sportivo Barracas tinha capacidade para 40.000 pessoas. No entanto, a expectativa gerada pela partida superou as expectativas e foram vendidos 42.000 ingressos. Com os convidados, sócios e afins, o número de presentes no estádio chegou a quase 60.000. Assim, o jogo começou com muita gente na beira da linha lateral. Com apenas quatro minutos de jogo, o árbitro da partida decidiu suspender a partida. Houve incidentes de violência e alguns feridos.

Uma nova partida foi marcada para o dia 2 de outubro, com algumas medidas de segurança. Entre elas, cercar o campo com um alambrado de um metro e meio de altura, diminuir a quantidade de ingressos à venda e aumentar o preço das entradas. Com isso, o público estimado ficou em 30.000 pessoas.

Onzari anotou o mítico gol aos 15 minutos do primeiro tempo. Cea empatou para os uruguaios aos 29 e Tarasconi fez o segundo para os argentinos aos oito minutos do segundo tempo. A Argentina ganhou por 2 a 1, mas o jogo não acabou porque a equipe uruguaia se retirou do campo faltando quatro minutos para o término da partida. Os argentinos acusaram os uruguaios de jogo violento, do qual foi vítima Adolfo Celli, que sofreu uma fratura na tíbia e na fíbula. Os uruguaios também reclamaram, mas da falta de educação do público presente no estádio, que atirou pedras e garrafas nos jogadores. O uruguaio Héctor Scarone deu um chute num policial e foi parar na delegacia.

O curioso nessa história é que até junho daquele ano não eram permitidos gols marcados diretamente da cobrança de escanteio. A regra foi modificada pela International Board, órgão que define as regras do futebol, no dia 14 de junho de 1924. E segundo relatado pelo árbitro da partida, a mudança na regra ainda não chegara ao conhecimento da Associação Uruguaia. No entanto, um jornal da época assinalou que a mudança já era conhecida há 15 dias pelos dirigentes do futebol argentino. Portanto, o gol foi validado sem que o árbitro conhecesse a mudança na regra.

Por Alexandre Anibal

Fonte da Imagem: Ferozes FC 

Fonte: Ferozes FC



 

 

Estádio Cícero Pompeu de Toledo

Autor: Adriano Fernandes - 02/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Peixinho - primeiro gol do Morumbi

As festividades inaugurais do estádio alcançaram brilhantismo invulgar para esta obra monumental que o São Paulo F.C. entregou ao Desporto Nacional. Viveu a 2 de outubro de 1960 o esporte brasileiro um dos seus dias mais notável e histórico. Prestigiando a festa máxima dos tricolores, além do numeroso público que lotava completamente suas dependências, estavam presente altas autoridades do país, do Estado, Município e inúmeros próceres dos esportes nacional e internacional.

Antecedendo ao embate futebolístico programado entre o São Paulo Futebol Clube e o Sporting Clube de Portugal para a comemoração do evento, foi precedida pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta a benção do estádio, após o que hastearam-se as bandeiras do Brasil e de Portugal sob os acordes dos respectivos hinos nacionais.

Em seqüência às solenidades, soaram os clarins da Banda da Força Pública, dando "toque de silêncio" como homenagem póstuma a Cícero Pompeu de Toledo, que foi o pioneiro da monumental concepção. Foi o ponto comovente das solenidades. Um ato emocionante. Os são-paulinos evocaram naquele momento a figura notável de seu saudoso presidente, o iniciador da magnífica realização que o São Paulo F.C. entregou a cidade de São Paulo e ao Brasil. Seguindo-se ao momento altamente emotivo, ouviu-se o apito do árbitro, Sr. Olten Ayres de Abreu, dando por iniciada a peleja internacional.

As duas equipes jogaram assim constituídas:

São Paulo F.C. - Poy; Ademar, Gildésio e Riberto, Fernando Sátiro e Victor; Peixinho, Jonas (Paulo e Cláudio), Gino, Gonçalo e Canhoteiro. Técnico: Flávio Costa.

Sporting C.P. - Aníbal; Lino, Morato e Hilário, Mendes e Júlio; Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diogo (Geo) e Seminário.

Árbitro: Olten Ayres de Abreu.

Renda: Cr$ 7.868.400,00.

Gol: Arnaldo Poffo Garcia (Peixinho).

Borderô da Inauguração:

Numeradas (Cr$ 500,00 a entrada).

4.468 - vendidas antecipadamente (Cr$ 2.234.000,00).

1.091 - vendidas no estádio (Cr$ 545.500,00).

Total arrecadado nas numeradas: Cr$ 2.779.500,00.

Gerais (Cr$ 100,00 a entrada).

31.878 - vendidas antecipadamente (Cr$ 3.187.600,00).

10.013 - vendidas no estádio (Cr$ 1.901.300,00).

Total arrecadado nas gerais: Cr$ 5.088.900,00.

Renda Total: Cr$ 7.868.400,00.

Total de público pagante: 56.448.

Convidados: 1.000.

Ingressos distribuídos gratuitamente: 800.

Número (previsão aproximada) dos torcedores que invadiram o estádio sem pagamento: 6.500.

Público Total: 64.748.

Por Agnelo di Lorenzo (Revista Oficial do São Paulo F.C., nº 106)

Fonte da Imagem: SPFCpédia 

Fonte: SPFCpédia 



 

 

A despedida do Rei Pelé do Santos e do futebol brasileiro

Autor: Adriano Fernandes - 02/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

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Hoje é 2 de outubro. O  último jogo oficial de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, em gramados brasileiros, o último jogo disputado pelo Santos. Em 2 de outubro de 1974, quando tinha 34 anos, ele fez aquela que parecia ser sua despedida oficial dos gramados (no ano seguinte, jogaria nos Estados Unidos com feras como Franz Beckenbauer no Cosmos).

Pelé, que doava seu salário a entidades carentes e começava a administrar negócios próprios, demonstrava que queria encerrar sua carreira ao final de seu contrato com o Peixe, em outubro daquele ano. Naquele período, sua média de gols era de 0,45 por partida, algo fraco, em se tratando do maior jogador de todos os tempos. Eram as últimas rodadas do primeiro turno do Campeonato Paulista, e o alvinegro da Vila Belmiro fazia uma campanha mediana. Pelé fizera somente dois gols em dez partidas do certame. E aquela quarta-feira, 2 de outubro, parecia perfeita para uma despedida do tamanho devido para tamanha sumidade futebolística. No domingo anterior, aconteceu seu último jogo no Pacaembu. Estádio abarrotado, mas ele deixou o campo aos 32 minutos de jogo, por sentir uma contusão. Ficava, então, a preocupação: conseguiria Pelé fazer sua despedida três dias depois? "Jogo nem que seja de muleta", garantiu o Rei. O que se viu, então, foi uma comoção nacional para a partida Santos x Ponte Preta - quer dizer, para a despedida dele.

Os ingressos esgotaram no mesmo dia em que foram postos à venda. Ônibus e carros saíam de todas as partes do país rumo à Baixada Santista. Vendedores ambulantes vendiam feito água. Mais de 250 jornalistas de todo o Brasil e do mundo deslocaram-se para cobrir este momento histórico. Ficava no ar um temor de um incidente igual ao de meses antes, quando um alambrado da Vila Belmiro cedera por superlotação. Mas a vontade de acompanhar a despedida de Pelé dos gramados brasileiros era maior que tudo. Da Torcida Jovem até seu companheiro de Seleção Brasileira, Nílton Santos, todos foram homenageá-lo. A movimentação era tanta, mas tanta, que o Rei se esquivou dos jornalistas até a hora fatal. Milhares já se colocavam em frente ao portão de sua casa, forçando-o a pular o muro lateral para despistá-los e conseguir ir na casa da sogra, indo dali para a concentração com a equipe santista. Com tudo isso acontecendo, ele até se esqueceu de comparecer a uma entrevista para uma revista ao lado do cantor e compositor Chico Buarque, que saíra do Rio de Janeiro de manhã cedo rumo a Santos. Mas Chico nem deu bola, como dissera: "o momento era dele".

Às 18 horas e 20 minutos, foram abertos os portões da Vila Belmiro. Num piscar de olhos, não restava lugar mais nem para minúsculas moscas, tamanha era a lotação do estádio, gerada pela importância do fato. Duas horas depois, Pelé subia pela última vez o corredor do vestiário para defender o alvinegro da Baixada pela derradeira oportunidade. Um sorriso tímido para as câmeras, nenhuma declaração na entrada em campo. O agradecimento à torcida, o recebimento das homenagens e deu. A bola ia rolar. E a bola rolou. Mas ninguém dava muita importância pro jogo em si. Santos e Ponte Preta não era o que importava. Pelé era o que importava. E ele jogava visivelmente no sacrifício. Porém, por vontade própria, pois este momento era impossível de ser perdido. Aos 15 minutos, a bola é cruzada. Ele cabeceia e Carlos, à época com 18 anos, pratica grande defesa. Mais um pouco e o arqueiro brasileiro na Copa de 1986 entraria para a história por tomar o último gol do Rei, da mesma forma que Andrada, do Vasco, que levou o milésimo gol em 1969, no Maracanã.

Mas oito minutos mais tarde, não dava mais. Pelé estava totalmente sem condições de seguir jogando. Então, dirige-se ao centro do campo, pega a bola, ajoelha-se no gramado e levanta os braços dizendo "obrigado, Deus". Chegava, então, ao fim a trajetória do maior jogador de futebol da história da humanidade nos campos do país para o qual dera três títulos mundiais e um sem número de alegrias. Jornalistas e torcedores invadiram o campo. Ele tira a camisa molhada, ergue-a e inicia uma volta olímpica, livrando-se dos microfones e de tapinhas nas costas. A apoteótica despedida do Rei na casa onde fez seu nome e sua história. Na seqüência, ele voltou ao vestiário, se arrumou e deixou o estádio Urbano Caldeira num carro do Corpo de Bombeiros escoltado pela Polícia Militar. Junto, milhares e milhares de fãs apaixonados gritando "Pelé! Pelé! Pelé!".

Em entrevista à Rádio Gazeta de São Paulo, ao final do cortejo, o Rei abriu o coração: "Acho que não há mérito nenhum a gente procurar fazer o melhor. Dar o melhor de si em qualquer que seja a sua afinidade. Foi isso que eu procurei fazer durante minha carreira". Seus números não deixam dúvidas sobre o incontestável título de Atleta do Século que recebeu. Nos 18 anos em que defendeu o Santos, foram 1088 gols em 1114 partidas, média de 0,97 gol por jogo - ou seja, ele marcava praticamente um gol a cada partida. Contando apenas os títulos importantes, foram 25 no clube paulista: 10 campeonatos estaduais, quatro torneios RJ/SP, cinco Taças Brasil, uma Taça de Prata (Robertão), uma Recopa Mundial, duas Libertadores e dois Mundiais Interclubes.

A propósito: a partida do Santos contra a Ponte Preta, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista de 1974, seguiu em frente. Gilson substituiu o Rei. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Cláudio Adão marcou Peixe 1 a 0. Aos 11 minutos da segunda etapa, a Macaca fez gol contra, com Geraldo, o segundo dos mandantes. Na seqüência, um apagão interrompe o jogo por meia hora. Reiniciado, termina com vitória do Santos por 2 a 0. Mas não importava mais quanto acabara a partida. O que ficara mesmo, para sempre, era a despedida de Pelé dos gramados brasileiros. Nunca mais eles receberam uma expressão individual sequer semelhante.

A ficha técnica do jogo histórico é esta:

Santos (2): Cejas; Wilson, Vicente, Bianque e Zé Carlos; Léo e Brecha; Cláudio Adão, Da Silva, Pelé (Gílson) e Edu.

Ponte Preta (0): Carlos; Geraldo, Oscar, Zé Luiz e Walter; Serelepe e Serginho; Adílson, Waldomiro, Waltinho (Brasília) e Tuta.

Árbitro: Emídio Marquez Mesquita

Fonten da Imagem: aboutbreja.blogspot.com

Fonte: Papo de Bola em 2/10/2004



 

 

101 anos do Vitória Capixaba

Autor: Adriano Fernandes - 01/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Vitória FC

Dentre os jogadores mais assíduos das peladas iniciais (em campinhos improvisados na Rua Sete de Setembro e no Alto do São Francisco, ambos no Centro da cidade de Vitória), dois viviam entre o Rio de Janeiro e Vitória pelo fato de estudarem na primeira cidade, e tiveram participação decisiva na fundação do Vitória, que acabou sendo a primeira agremiação de futebol do Estado.

Eles vinham passar as férias estudantis no Espírito Santo, e conversavam demoradamente com o restante da turma das partidas, falando sobretudo do Fluminense, na época considerado como um padrão de organização. Como na década de 10 era considerado coisa de elite ser jogador do Flu, Jair Tovar e Nelson Monteiro, os dois estudantes capixabas, conseguiam ampla audiência.

E as suas conversas sempre terminavam enfocando a necessidade que havia de se fundar um clube como o carioca. O assunto evoluiu de tal maneira, que um belo dia decidiu-se realmente criar a agremiação e iniciar, na Capital capixaba, a prática organizada do futebol.

Tudo foi previsto. Como a data seria solene, pensou-se num certo formalismo cercando o fato. Marcou-se uma reunião para um sobrado existente na rua São Francisco, esquina com a Ladeira do Carmo, pertencente à viúva Constança Espíndula, mãe de Constâncio e Taciano Espíndula, dois cobras das peladas da rua Sete e fundadores do novo clube.

Desta reunião participaram, dentre outros, João Pereira Neto, João Nascimento, Armando Ayres, Graciano e Edgar dos Santos Neves, Edgard e Pedro O’Reilly de Souza, além, é claro, dos donos da casa (casa que, por sinal, não existe mais). João Pereira Neto foi escolhido presidente dos trabalhos e, logo de início, concordou em que seria fundado um clube de futebol. Faltava o nome.

A discussão em torno desse nome não durou muito. Logo alguém sugeriu que o clube tivesse o nome da cidade-sede e, em pouco tempo, estava criado o Foot-ball Club Victoria. A primeira diretoria foi também logo escolhida: presidente, João Pereira Neto; tesoureiros, João Nascimento e Névio Costa; diretor de esportes, Edgard O’Reilly de Souza.

Em seguida, os homens reunidos no sobrado redigiram a ata de fundação, e todos a assinaram. Este documento foi posteriormente perdido. Deste período de início de atividades ficou apenas a documentação que se seguiu, justamente a inscrição dos primeiros sócios fundadores, e que foram Oscar Guimarães, Sílvio Veredino de Aguiar, Benvindo de Novais, Mário Espíndula e Sidney Pereira de Souza.

Os dirigentes do primeiro clube de futebol do Estado haviam, entretanto, esquecido um ponto muito importante na reunião: ele ainda não tinha cores oficiais. Armando Ayres, que era saldanhista, chegou a pedir que fossem adotados o vermelho e o branco, mas, como na diretoria havia torcedores do Álvares, a proposta terminou derrotada. A que prevaleceu foi outra, determinando o azul e o branco. O azul, diziam os dirigentes, iria representar o céu de Vitória.

O futebol capixaba nascia oficialmente nesta reunião. Daí para a frente surgiriam os outros clubes. Os jovens reunidos no sobrado da rua São Francisco no dia 1º de outubro de 1912 não poderiam imaginar que, naquele dia, estavam organizando o esporte mais popular do Brasil no Espírito Santo.

O ex-presidente do Vitória, Odilon Santos, contou certa vez que uma das primeiras providências adotadas pelos fundadores do clube, ainda em 1912, foi mandar comprar na Inglaterra uma bola de futebol de couro com costuras (custou 5.000 réis) para os jogadores utilizarem. Na época, era comum jogar até mesmo com as hoje ainda usadas bolas de meia.

Inicialmente o clube não tinha sede. Amparou-se em Antenor Guimarães, que cedia um galpão de sua propriedade para os jogadores se reunirem. No mais, tudo se decidia em conversas na rua ou durante os jogos, sempre disputados em terrenos ou na praia. Campo de futebol, só mesmo quando o Moscoso Futebol Clube (já extinto) fez o primeiro, ao lado da igreja de Jucutuquara.

Como o Vitória não tinha sede nem patrimônio algum, todos os seus pertences eram guardados de favor nas casas dos dirigentes ou dos jogadores (inicialmente, todos amadores). Nas residências particulares ficavam jogos de camisa, bolas, material de treinamento, documentos e tudo o mais que o clube necessitava e tinha.

Isso durou até 1951, quando o presidente Arnaldo Andrade comprou de Hugo Viola uma área onde hoje se localiza o Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. A área, toda formada por alagados, foi adquirida por 80 contos, pagáveis à ordem de dez contos por mês. Como não havia dinheiro para mandar aterrar o local, o terreno jamais foi usado pelo Vitória. O clube, anos depois, terminou se desfazendo dele.

Posteriormente, os dirigentes adquiriram um terreno onde depois chegou a estar a loja Empório Capixaba. Esse terreno foi tomado pelo Governo sob promessa de, posteriormente, ceder outro. Isso efetivamente foi feito. O Vitória recebeu, em doação por escritura pública, a área ocupada até hoje em Bento Ferreira.

Mas somente em 1962 o Estádio Salvador Venâncio da Costa começaria a ser construído. Isso, depois que os torcedores Ailson Lima Cabral e Aprígio Vieira Gomes conseguiram que uma draga a serviço de aterro nas proximidades despejasse sobre o terreno a areia que possibilitou torná-la utilizável.

O presidente Salvador Venâncio da Costa lançou mão de todos os recursos possíveis para levantar o estádio. O clube usou carnês, rifas e vendeu títulos, mas mesmo esses esforços resultaram insuficientes. A obra foi terminada, mas Salvador Costa sofreu um abalo financeiro dos mais sérios.

O Vitória chegou a registrar, ao longo de sua vida, um fato hoje lamentado por todos os dirigentes. Quando o Brasil se uniu aos Aliados, passando a lutar na II Guerra Mundial, foi feita a Campanha do Metal porque o país precisava de recursos para enfrentar o conflito. Os dirigentes terminaram doando, em uma das campanhas, nada menos que todos os troféus ganhos pelo clube até então. Peças valiosas, praticamente o passado inteiro do Vitória foi entregue para que o metal, derretido nos fornos, virasse bocas de canhões.

Fonte da Imagem: Clube Design Gráfico

Fonte: Vitória FC - Site Oficial



 

 

O Maravilha Negra

Autor: Adriano Fernandes - 01/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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José Leandro Andrade nasceu a 1 de Outubro de 1901 em Salto, começando a dar os primeiros pontapés na bola no bairro de Palermo. Atuava tanto como médio defensivo como defesa (direito ou esquerdo) e cativou o mundo com a sua eficácia, elegância, inteligência e técnica de jogar futebol, o que o tornou num dos futebolistas mais brilhantes da história.

Iniciou a sua carreira no Misiones, passando depois pelo Bella Vista, Nacional, Penharol e Wanderers, todos emblemas uruguaios. Seria no Nacional que viveria alguns dos anos mais felizes da sua carreira, vencendo os campeonatos do seu país de 1922 e 1924. Pelo Nacional participou em várias digressões pela Europa e pelos Estados Unidos da América, e reza a lenda que o famoso intérprete de jazz norte-americano Louis Armstrong ter-se-á inspirado no “Pelé dos anos 20” (como Andrade foi um dia apelidado) para criar o seu estilo artístico.

Além de um fabuloso futebolista Andrade era um não menos fabuloso bailarino, sendo que por diversas vezes integrou cortejos carnavalescos no seu país. Após a sua retirada dos relvados partiu para Paris, onde se tornou um célebre bailarino de cabarets. Adorava a folia e a vida boémia.

O nascimento do mito Maravilha Negra

Seria no entanto ao serviço da selecção do Uruguai que Andrade atingiu a fama planetária que fizeram dele um dos maiores jogadores de futebol da história.

Numa altura (anos 20) em que o Campeonato do Mundo ainda não havia surgido cabia aos jogos olímpicos a tarefa de reunir as melhores selecções do Mundo de quatro em quatro anos para apurar... o campeão do Mundo. É verdade! Naquela época os torneios olímpicos de futebol tinham a dimensão e importância daquilo que é hoje em dia o Campeonato do Mundo da FIFA.

Em 1924 coube à cidade de Paris organizar as olimpíadas de Verão desse ano. O torneio de futebol viria a ser amplamente dominado pela selecção do Uruguai, uma equipa que com a sua beleza e arte futebolística encantou os europeus. Dúvidas não existiam: o Uruguai era a melhor e mais poderosa equipa do Mundo da altura.

Na final do torneio olímpico os sul-americanos venceram no Stade des Colombes a Suíça por 3-0. O maestro, o craque, dessa equipa era um negro (o primeiro negro a pisar um relvado da Europa) com movimentos felinos de encantar, de seu nome José Leandro Andrade. Cedo, os jornalistas e adeptos franceses trataram de o rebaptizar, chamado-o de A Maravilha Negra. E assim nascia um mito do futebol.

Quatro anos mais tarde seria novamente peça fundamental na revalidação do título olímpico (ou Mundial, como era considerado na altura) da celeste (nome pelo qual é conhecida mundialmente a selecção do Uruguai), desta feita nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, tendo na final derrotado a Argentina por 2-1. Andrade era na altura o melhor jogador do Mundo.

Fonte da Imagem: Museu Virtual do Futebol

Fonte: Museu Virtual do Futebol em 6/10/2007



 

 

Frank Rijkaard, a calma e o furacão

Autor: Adriano Fernandes - 30/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Numa analogia com o mundo da música, poderíamos dizer que no futebol existem dois tipos de jogadores: os chamados "carregadores de piano", incansáveis no trabalho de marcação e recuperação da bola, e os "maestros" que ditam o ritmo dos seus times e garantem o espetáculo para o torcedor. Franklin Edmundo Rijkaard, porém, demonstrou durante toda a sua exemplar carreira nos gramados que um futebolista pode ser igualmente eficaz nas duas funções.

Defensor implacável e autor de muitos gols como meia de ligação, o jogador revelado pelo Ajax se tornou a grande referência do Milan de Arrigo Sacchi e da seleção holandesa que voltou à Copa do Mundo da FIFA nas edições de 1990 e 1994. Trabalhando agora como técnico, Rijkaard conserva a esperança inconfessa de retornar à festa máxima do futebol mundial, que não lhe sorriu em duas participações como atleta.  

Das ruas para o Ajax

Rijkaard nasceu no dia 30 de setembro de 1962 em Amsterdã, menos de um mês depois que um certo Ruud Gullit veio ao mundo no mesmo bairro de Jordan. Coincidência ou não, ambos viriam a alcançar muitas glórias jogando lado a lado com a camisa de clubes e da Laranja Mecânica. Outro ponto em comum é que os pais dos dois jogadores são originários do Suriname. O de Rijkaard chegou à Holanda na década de 1950. 

Os dois garotos se conheceram por acaso jogando bola nas ruas da capital e chegaram a atuar juntos no modesto DWS, time do bairro. Impondo respeito no setor defensivo pelo porte físico avantajado e pelo talento nas divididas, Rijkaard acabou chamando a atenção do então técnico do Ajax, Leo Beenhakker, que o levou para o clube. Ele estreou na equipe principal aos 17 anos em 1980, na vitória contra o Go Ahead Eagles por 4 a 2, partida em que marcou o seu primeiro gol no Campeonato Holandês.

Instalado no miolo de zaga por Beenhakker, Rijkaard conservou a posição sob o comando de Kurt Linder, Aad de Mos e na primeira temporada de Johan Cruyff à frente do time. Verdadeiro xerife da defesa, ele teve um papel preponderante na conquista de sete títulos entre 1980 e 1987, sagrando-se campeão nacional em três oportunidades e vencendo uma Recopa Europeia.

Trio mágico

No entanto, a chegada de Cruyff ao banco do Ajax acabaria provocando desavenças entre os dois ídolos de personalidade igualmente forte. Decidido a deixar o clube, Rijkaard se transferiu para o Sporting português e foi emprestado ao Zaragoza antes de ser contratado pelo Milan, onde reencontrou o amigo Gullit e o também holandês Marco van Basten. Sob a batuta de Sacchi, passou a jogar no meio-campo ao lado de Gullit, Carlo Ancelotti e Demetrio Albertini.

Para executar o projeto, porém, o técnico precisou batalhar firme com a diretoria a fim de impor a escolha de Rijkaard como terceiro atleta estrangeiro do clube. À época, o presidente Silvio Berlusconi estava mais interessado no argentino Claudio Borghi.

Mas o dirigente não se arrependeria por dar ouvidos ao treinador. A bagagem técnica, a inteligência tática, a força física e, principalmente, a surpreendente elegância de Rijkaard para um jogador de 1,90 m de altura logo sacudiram o Estádio San Siro, em cujos bastidores recebeu o apelido de "furacão". Ao futebol ofensivo e vistoso da escola holandesa, Rijkaard acrescentava o rigor defensivo e a objetividade italiana.

Além disso, ele costumava subir para apoiar o ataque — e não somente nas cobranças de falta, com as quais causava sérios problemas às defesas adversárias. Foi numa dessas subidas que ele marcou o gol do título milanista na Copa dos Campeões da Europa de 1990, contra o Benfica. E enquanto os Rossoneri à holandesa dominavam o Velho Continente, o trio batavo monopolizou a votação da Bola de Ouro em 1988 e quase repetiu o desempenho no ano seguinte, com o capitão Franco Baresi interpondo-se entre Van Basten e Rijkaard.

Um final feliz

Mas a decisão continental de 1993, perdida diante do Olympique de Marselha pelo placar mínimo, selaria o término daquela era gloriosa. Gullit deixou o Milan, Van Basten foi obrigado a pendurar as chuteiras em função de repetidas lesões e Rijkaard voltou ao Ajax como zagueiro, desta vez a serviço do técnico Louis van Gaal. Em 1995, para coroar a carreira, foi campeão europeu pela terceira vez dando o passe para o gol de Patrick Kluivert na final contra o Milan — difícil imaginar um final mais feliz para a sua carreira dentro das quatro linhas.

Com a seleção da Holanda, porém, apesar do grande elenco, Rijkaard faturou menos troféus. Ainda assim, foi titular da esquadra laranja na campanha do título europeu de 1988 — o único triunfo internacional da história do país, conquistado diante da União Soviética. À época, Rijkaard formava a dupla de zaga ao lado de Ronald Koeman. Por ironia do destino, a estreia dele com o uniforme holandês havia acontecido no dia 1º de setembro de 1981, entrando no lugar de Gullit no segundo tempo contra a Suíça em Roterdã.

Em 73 partidas pelo país entre 1981 e 1994, ele marcou dez gols, disputou a Copa do Mundo da FIFA duas vezes e uma segunda Eurocopa em 1992. Nas três ocasiões, a Holanda acabou sendo eliminada pelo futuro campeão do torneio. Rijkaard se despediu do selecionado após a derrota por 3 a 2 para o Brasil nas quartas de final dos EUA 1994.

A carreira como treinador só veio confirmar aquilo que Rijkaard foi dentro de campo: uma bem-sucedida mistura entre objetividade e elegância. "O Frank encontrou o equilíbrio entre a plasticidade e a eficiência", afirmou Cruyff, que lhe abriu as portas do Barcelona. "Assim como eu, ele sabe que a soma de talentos individuais não serve para nada se os jogadores alinhados em campo não pensam no coletivo. É um homem por quem tenho enorme estima." Depois de se sagrar bicampeão espanhol e de vencer a Liga dos Campeões, Rijkaard deixou o clube catalão ao final da temporada 2007/08 para dar lugar a Pep Guardiola — outro especialista em carregar piano e jogar por música.

Fonte da Imagem:

Fonte: FIFA.com



 

 

Bill Shankly*, o ídolo imortal

Autor: Adriano Fernandes - 29/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Desde meados da década de 50, cada vez mais treinadores de futebol de outros países aparecem para o mundo, treinando os clubes da Inglaterra. Nomes como Alex Ferguson, David Moyes e Kenny Dalglish. , por algum motivo sempre se destacam, ganhando títulos e dando-se como heróis pelas torcidas dos clubes. No Liverpool, o maior treinador na história, e talvez, o maior técnico estrangeiro do campeonato inglês, é escocês. William Shankly é, sem dúvida, um ícone maior na história do clube. Memoriais, homenagens são constantes no estádio do Liverpool. Bill tirou o time da segunda divisão e o levou ao título da copa dos campeões.

Nasceu em Glenbuck, na escócia em 2 de setembro de 1913, e faleceu em 29 de setembro, em Liverpool, com 63 anos. Shankly é sempre lembrado pelos fãs por sua passagem vitoriosa no Liverpool, que durou 15 anos, de glória. E também, por suas frases únicas, sempre visando o lado bom de algo ruim. Alguns consideram Shankly um sábio no futebol por seus pensamentos e versos. Com o passar do tempo, foi amando cada vez mais a equipe vermelha e disse que tinha o desejo de morrer aos redores de Anfield Road, e, foi assim que aconteceu. Faleceu devido um ataque cardíaco, na noite após sua morte, o Liverpool derrotou o Oulun Palloseura por 7 a 0, ao fim da partida, uma bandeira foi estendida com os dizeres "shankly lives forever".

O mais interessante das declarações de Shankly é a temática: quase sempre tentando encontrar um ponto de vista positivo no que ocorria. A atitude permanecia intacta mesmo após derrotas contundentes, o que alimentava a aura folclórica em torno do técnico. Essa mentalidade o ajudou a se aproximar dos torcedores, que o consideram o maior treinador da história dos reds.

Como comandante Shankly valorizava a motivação do grupo e a construção de um ambiente de trabalho coeso. Com bom olho para identificar jogadores de talento, ele conseguiu tirar o Liverpool da segunda divisão para fazer do time um dos maiores e mais vitoriosos do mundo.

Veja algumas frases do treinador lendário.

“Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Eu posso assegurar que futebol é muito, muito mais importante.”

“Quando eu estava em Anfield, sempre dizíamos que tínhamos os dois melhores times de Merseyside: o Liverpool e os reservas do Liverpool.”

“Brian Clough é pior que a chuva de Manchester. A chuva, pelo menos, Deus pára ocasionalmente.”

“O problema com os árbitros é que eles conhecem as regras, mas não o jogo em si.”

“Se um jogador não está interferindo na jogada ou tentando ganhar alguma vantagem, ele deveria.”

“Eu sei que é uma ocasião triste, mas acho que Dixie ficaria feliz em saber que mesmo morto ele conseguiu trazer mais gente para o Goodison Park que o Everton em um sábado à tarde.” (no funeral de Dixie Dean, ex-jogador do rival Everton)

“Se você não sabe o que fazer com a bola, mande-a para as redes e depois conversamos sobre suas opções.” (ao atacante Ian Saint John)

“O melhor time empatou.” (depois de um empate em 1 x 1)

“Eu só queria ele para o time reserva, mesmo.” (depois de não conseguir contratar um jogador)

“Claro que eu não levei minha mulher para ver o Rochdale no nosso aniversário de casamento. Era o aniversário dela. Você acha que eu casaria durante a temporada? A propósito, era o Rochdale reserva.”

“Eu disse ao jogador: ‘você não quebrou a sua perna. Está tudo em sua mente’.”

* Bill Shankly faleceu neste dia no ano de 1981

Postado por Liverpool Best Fans no site Futemoney em 21/6/2010

Fonte da Imagem: guardian.co.uk



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