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Blog Memória Futebol


Canhoteiro, o homem que entortava o mundo

Autor: Adriano Fernandes - 24/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 4 comentários

Canhoteiro deixando Idário (Corinthians) de joelhos

Um Garrincha pela esquerda

O que Garrincha fazia na ponta direita, Canhoteiro fazia na esquerda, apesar de nunca terem jogados juntos, ainda que tenham servido à Seleção Brasileira na mesma época.Canhoteiro tinha o mesmo espírito brincalhão e galhofeiro de Garrincha, fazia do futebol uma arte para assombrar os adversários. Ante a impossibilidade de marcá-lo, os adversários, muitas vezes, se contentavam em admirá-lo, como se fossem também espectadores e não participantes.

O único grande time do Brasil a fazer do ponta-esquerda um ídolo foi o São Paulo, clube no qual Canhoteiro vestia a camisa 11. E onde, a partir de 1954, ocupou a vaga de Teixeirinha, que há 15 anos era titular absoluto. Afora isso, o novato Canhoteiro ainda teve o afago unânime da galera são-paulina. E tal carinho se afirmaria em um fã-clube exclusivo – conjunto de admiradores até então inédito no âmbito do futebol brasileiro.

Quando esteve no São Paulo, em 1957, o meia carioca Zizinho não se conformava que, a apenas 400 quilômetros de distância do Rio de Janeiro, pudesse existir um fenômeno desconhecido como o ponta-esquerda Canhoteiro. Nas palavras do próprio Zizinho, Canhoteiro foi "melhor que o próprio Garrincha". Dono de uma habilidade fantástica, ele era capaz de ganhar apostas controlando uma moeda na ponta do pé e colocando-a no bolso da camisa sem usar as mãos. Em campo, conseguia repetir essas proezas, levando à loucura os marcadores da época, como o corintiano Idário ou o palmeirense Djalma Santos.

"Então, você já sabe: uma jogada ganho eu, a outra ganha você", costumava dizer a eles, brincalhão, toda vez que entrava em campo.


Só que essa torcida não sabia que o extrema-esquerda mulato, de 1,68 m de altura e 61 quilos, fora batizado José Ribamar de Oliveira. E que nasceu no Maranhão, na cidade de Coroatá, em 24 de setembro de 1932. Nem que, antes de surgir no Paissandu de São Luís, a capital, ele foi caminhoneiro e, desde a adolescência, bebia e varava noites tangendo com habilidade as cordas de um violão. Tampouco ninguém atinava que sua terra natal é próxima de Codó, sítio que no início do século passado pariu Fausto Maravilha Negra.

Sobre Canhoteiro, a torcida paulista sabia só que ele fora adquirido pelo alvirrubro cearense América, de Fortaleza, ao ser visto jogando no escrete maranhense, em 53. E que do time do Ceará se transferiu, em 13 de abril de 54, para o São Paulo Futebol Clube, onde chegou a ser chamado de o mágico tricolor, Madrake ou Cantinflas.

Nele, todos amariam o drible moleque, o passe criativo, o chute raso sem chance para o arqueiro, o cabeceio preciso, o afã do gol e o proverbial jeito brincalhão nordestino. Tudo isso divertia a massa. E os colegas de equipe lhe aplaudiam as embaixadas com moeda, laranja, xícara de cafezinho ou tampa de garrafa. A intimidade dele com objetos redondos – diziam em Coroatá – vinha do hábito de ser preso pelo pai a uma mesa, para não ir às peladas. Mas Canhoteiro, embora amarrado ao móvel, valia-se de bolinhas de papel para fazer malabarismo.

Certa vez, contra o Corinthians, em uma só jogada ele fintou o marcador Idário 14 vezes, para delírio da massa. Um desses dribles era o “solavanco": com a bola no pé e na linha lateral do campo, ele atraía os marcadores, girava a cintura para a direita, dava um corte seco e – pimba! – impunha o pique arrasador pela esquerda, levando perigo à meta adversária.

Já em 1955, malgrado a má fase do clube, a arte de Canhoteiro levou-o à seleção nacional, estreando, com Zito, em 17 de novembro, contra o Paraguai, no Pacaembu. E marcando o seu único gol no escrete, que venceu a Copa Oswaldo Cruz. Pelo São Paulo, ele foi ao México ganhar o torneio Jarrito. A viagem serviu para revelar a sua ojeriza por avião. E que, pretextando isso, levava Canhoteiro a beber em escala industrial.

Ano seguinte, no sul-americano do Uruguai, o ponta fez quatro dos 5 jogos do Brasil. E ainda atuou mais cinco vezes pela seleção em amistosos na Europa e no Recife, onde o escrete pernambucano se escalava com Barbosa no gol, mais Zequinha e Aldemar na linha média – estes, adiante, iriam para o Palmeiras.

Em 1957, quando fez tão-só um jogo pelo selecionado, Canhoteiro ganhara pelo São Paulo a Pequena Taça do Mundo, na Venezuela. Nesse ano, Zizinho esteve no tricolor e deu ao time o título estadual. Mais adiante, o Mestre Ziza diria: “No São Paulo, encontrei um punhado de craques. Um deles, Canhoteiro, jamais o esquecerei. Foi o maior ponta-esquerda que vi na minha vida. Em um metro quadrado, ele conseguia passar por três adversários, como manteiga que se aperta nas mãos”.

Pelé – nessa época, iniciando a carreira – viria a ter sobre o ponta tricolor opinião parecida. E o Rei sempre teve por Zizinho idolatria, nunca escondendo que o Mestre era o seu craque predileto.

Outro fã do maranhense, Chico Buarque de Holanda, compôs na música O futebol este ataque: Mané, Didi, Pagão, Pelé e Canhoteiro. Pois bem, em 11 de junho de 57, o são-paulino juntou-se a Garrincha e Pagão no time do Brasil. E na tarde de 13 de maio de 1959, quando Julinho foi vaiado, Canhoteiro jogava com Didi e Pelé. Assim, esse quinteto imaginário da canção se compôs em duas datas. E, com boa vontade, a linha de frente dos sonhos de Chico Buarque existiu, sim.

Em maio de 58, nos preparativos para a Copa do Mundo, Canhoteiro venceu outra Oswaldo Cruz. Nesse mês, após o ponta realizar outro jogo, Vicente Feola o excluiu do grupo por conta de um porre que ele tomara com o Half Jadir. (Anos depois, tal exclusão ganhou de Chico Buarque de Holanda este desabafo: “Canhoteiro, cuja camisa Zagallo usurpou na Copa de 58, privando o Planeta de ver o que só eu via”).

Mas, em matéria de escapada noturna, Feola o conhecia bem, pois quando treinou o São Paulo, em 1956, o pau-de-arara fugiu da concentração e se meteu em boate. O técnico foi buscá-lo. Mas, subornando um porteiro, o mágico atacante tricolor vestiu-se de boné e túnica, pôs óculos escuros e plantou-se na frente da boate. Há quem diga que Vicente Ítalo Feola quis saber desse “guarda-portão": – Você viu o Canhoteiro por aí?

Todavia, dando adeus à equipe nacional, o gênio são-paulino ainda fez os dois jogos contra o Chile na Taça O'Higgins – ganha pelo Brasil em 1959. Dessa forma, ele completara 16 pelejas pelo escrete – das quais dez são vitórias, sendo quatro empates.
Na inauguração do estádio do Morumbi, em 60, Canhoteiro dera show na vitória sobre o Sporting Lisboa. Mas foi seu canto do cisne, já que, adiante, em um choque casual com o corintiano Homero, ele sofreu sérias contusões, que lhe valeram duas cirurgias. E jamais voltou a ser o mesmo.

Em outubro de 1963, venderam-no ao Guadalajara mexicano, onde jogou um ano. Lá, integrava grupo musical mariachi, e haja farra. Em 65, foi para o Toluca, também do México, onde esteve por seis meses, voltando ao Brasil para ter passagens meteóricas no Toledo paranaense, e pelo Nacional e Saad de São Paulo. Até que, em 1967, fora de forma, encerrou a carreira, trocando de vez a bola pelo copo e o violão.

Entregue ao vício, o pacato José Ribamar de Oliveira – quiçá na amnésia alcoólica – se olvidara que pelo São Paulo havia feito 415 jogos e 102 gols. E que seria por tudo dos mais cultuados ídolos tricolores. Tanto que, até hoje, é o quinto craque na preferência da torcida. E à frente de Friedenreich e Zizinho.

Porém, alheio a isso, esquecido, pobre e bêbado na capital paulista, em 16 de agosto de 1974, Canhoteiro foi vítima de derrame cerebral e se fez minuto de silêncio. Viveu 42 anos e na sua galhofa alegrou o povo de uma geração. Deixaria a viúva e, órfãs, uma filha e a bola. Além do vazio nos bares e noites de viola, em tudo que seja Canhoteiro. Inclusive na personificação do drible.

Em 2003, ainda reconhecido, o maranhense foi relembrado em disco pelos compositores Zeca Baleiro e Fagner e em livro (Ediouro) comemorativo dos 450 anos da capital de São Paulo, Canhoteiro – O homem que driblou a glória, do jornalista Renato Pompeu.

 

Fonte da Imagem: SPFCpedia.blogspot.com

Fontes: São Paulo Futebol Clube / UOL Esportes / Blog do Professor Antunes


 

 

Paolo Rossi - Eu fiz o Brasil chorar

Autor: Adriano Fernandes - 23/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Paolo Rossi levou a torcida brasileira às lágrimas ao ser o responsável direto pela eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Foi ele quem marcou os três gols na vitória italiana por 3 a 2, tirando o Brasil do Mundial nas quartas-de-final. 

Mas por pouco Rossi não foi ao Mundial da Espanha. O atacante foi um dos envolvidos em um escândalo de manipulação de resultados para a loteria esportiva de seu país e passou dois anos suspenso. A sorte (ou azar, para os brasileiros) é que sua pena terminou um mês antes da Copa.

Paolo Rossi demorou para "estourar" no futebol. Revelado como mais um atacante na Juventus de Turim, só começou a se destacar no Vicenza, que disputava a segunda divisão. Foi aí que começou a despertar o espírito heróico do goleador. Na temporada 1976/1977, levou seu time ao título da segundona na Itália, quando marcou 21 gols.

Na temporada seguinte, foi artilheiro do Campeonato Italiano com 24 gols - o então pequeno Vicenza ficou com o vice-campeonato. O passaporte de Paolo Rossi para a Copa do Mundo da Argentina estava conquistado.

No total, Rossi disputou duas Copas do Mundo (1978, 1982 e 1986), mas foi no torneio da Espanha que se consagrou. A Itália foi campeã e ele, o artilheiro, com seis gols.

1980 foi suspenso por duas temporadas por ter participado de apostas clandestinas na loteria esportiva italiana. Em 1987, com problemas no joelho, abandonou o futebol, aos 31 anos, depois de defender somente clubes italianos na carreira, tais como o Vicenza, o Perugia, o Juventus, o Milan e o Chievo Verona. Em 2002, lançou uma autobiografia intitulada "Eu fiz o Brasil chorar", mostrando que Paolo Rossi sabe o peso de seus gols naquele jogo de 1982. Agora, trabalha como comentarista no canal Sky na Itália.

A grande inimiga de Paolo Rossi foi a seqüência de lesões nos joelhos que acabou com a sua carreira. Ele chegou a ir à Copa de 1986, mas nem entrou em campo. Aposentou-se um ano depois.

Fonte da Imagem: footballegend.blogspot.com

Fonte: UOL Esportes



 

 

Sandor Kocsis, número um no jogo aéreo

Autor: Adriano Fernandes - 21/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Sandor Kocsis

Zoltán Czibor entrou calmamente no vestiário, feliz com a sua atuação no primeiro tempo. A Hungria vencia a Suécia por 3 a 0 na semifinal do Torneio Olímpico de Futebol Masculino de Helsinki 1952. O lateral-esquerdo havia dado um passe açucarado para Ferenc Puskás abrir o marcador logo no primeiro minuto de jogo, além de ter visto uma bomba do companheiro explodir no travessão em cruzamento seu. Ainda na primeira etapa, outra bola que ele havia alçado na área — e que estava a caminho da infalível perna esquerda do "Major Galopante" — acabou desviando no meia sueco Gosta Lindh antes de morrer no fundo da rede.

Motivos para ser parabenizado no intervalo não faltavam, portanto. Mas o que veio de um companheiro foi reclamação. "Ele me disse para parar de cruzar baixo para o Puskás, que se eu tivesse feito mais cruzamentos no alto teríamos marcado ainda mais gols", explicou Czibor. "O Puskás era o melhor jogador do mundo. Acho que ninguém ousaria discordar."

O jogador que reclamou, porém, era alguém que merecia atenção. Czibor tomou nota e passou a alternar a altura dos cruzamentos no segundo tempo. Já o companheiro mostrou que a bronca era justificada marcando duas vezes na vitória por 6 a 0. O feito contribuiu para que ele pendurasse as chuteiras com incríveis 75 tentos em 68 partidas pela seleção húngara e quase cem gols de cabeça a mais que Dario, o brasileiro que aparece em segundo lugar na lista dos maiores reis do jogo aéreo. Esses números impressionantes provam que o atacante Sándor Kocsis tinha moral para desafiar até mesmo o gênio Puskás.

"O Puskás tinha a melhor canhota e o Kocsis era o melhor cabeceador que já vi", recordou mais tarde outro jogador daquela irresistível Hungria, Lazlo Budai, igualmente encarregado dos cruzamentos. "O ruim era que sempre acabávamos decepcionando um deles, porque um queria a bola no chão e o outro no alto. O bom era que, quando cruzávamos certo, nove de cada dez terminavam em gol."

A rivalidade entre Puskás e Kocsis começou muito antes que o segundo estreasse com a camisa húngara e continuou até que ambos a vestissem pela última vez. Kocsis, que além de exímio cabeceador também era capaz de finalizar com força e precisão de esquerda ou direita, iniciou a sua carreira no Kobanyai aos 17 anos, em 1946, mas não demorou a se transferir para o todo-poderoso Ferencváros. Quando se firmou como primeiro atacante do clube, em 1949, teve início uma verdadeira guerra de gols entre ele e o "Major Galopante", que jogava no Honved. Dois anos e meio mais velho, Puskás fez 46 contra 33 do rival naquela temporada e 31 contra 30 na campanha seguinte.

O técnico do selecionado, Gusztáv Sebes, acompanhava o duelo de perto. Mas o húngaro acreditava que a receita do sucesso havia sido dada pelo Wunderteam austríaco dos anos 1930 e pela Itália bicampeã mundial no mesmo período. Assim como a base da Azzurra nos triunfos de 1934 e 38 vinha da Juventus, a equipe titular de Sebes era formada por jogadores oriundos de poucos clubes.

Superpotência

O treinador ansiava que os seus homens de referência jogassem juntos semana após semana. A oportunidade surgiu quando a Hungria adotou o regime comunista, em janeiro de 1949. O Ministério da Defesa do país assumiu o controle do Kispest, que passou a se chamar Honved, e a pedido de Sebes trouxe Kocsis, Gyula Grosics, Gyula Lorant, Budai e Czibor para um time que já tinha József Bozsik e Puskás. Os resultados foram excepcionais tanto para o clube quanto para o país. O Honved foi pentacampeão nacional entre 1949 e 1955 e os atletas da equipe constituíam a espinha dorsal do que viria a ser uma seleção húngara praticamente imbatível.

Os "magiares mágicos" acabaram conquistando aquele ouro olímpico na Finlândia. Um ano mais tarde, ergueram a taça da Copa Internacional da Europa Central e também surpreenderam a aclamada seleção inglesa por 6 a 3, fazendo da Hungria a primeira nação não-britânica a vencer em Wembley. Seis meses depois, repetiram a aula com um humilhante 7 a 1 em Budapeste.

Em 1954, o selecionado húngaro chegou à Copa do Mundo da FIFA como franco favorito. O status foi reforçado por uma campanha arrasadora no Grupo 2, com vitórias de 9 a 0 sobre a Coreia do Sul e 8 a 3 sobre a Alemanha Ocidental — partidas em que Kocsis marcou três e quatro gols, respectivamente. Em seguida, os comandados de Sebes derrotaram Brasil e Uruguai por 4 a 2 no caminho até a final, com dois tentos do "Cabeça de Ouro" em cada jogo. Na decisão, porém, foram vítimas de uma das maiores zebras da história do futebol. Com Puskás atuando lesionado, a Hungria perdeu para a Alemanha Ocidental por 3 a 2 de virada no Wankdorfstadion.

Esta foi a única derrota dos magiares em 49 partidas disputadas entre 1950 e 1956, ano em que a Revolução Húngara provocou a abrupta dissolução de uma das equipes mais espetaculares de todos os tempos. Kocsis, depois de uma breve passagem pelo Young Fellows na Suíça, desertou rumo à Espanha junto com muitos dos companheiros de seleção.

Na Catalunha

Lá, foi o ponta de lança do grande Barcelona de Ladislao Kubala, Czibor, Luis Suárez e Evaristo de Macedo. Infelizmente para o jogador nascido em Budapeste, porém, o seu antigo companheiro de ataque fazia parte de um Real Madrid ainda mais grandioso na mesma época, com José Santamaría, Luis Del Sol, Francisco Gento, Raymond Kopa e Alfredo Di Stéfano. Na verdade, enquanto os muitos gols de Kocsis ajudaram o Barça a conquistar dois campeonatos espanhóis seguidos e o título da Copa de Feiras (precursora da Copa da UEFA e da atual Liga Europa) em sete anos de Camp Nou, Puskás contribuiu para as cinco Copas dos Campeões da Europa consecutivas dos merengues.

Troféu que Kocsis quase levantou em 1960/61. O Barcelona foi o primeiro time a derrotar o Real Madrid na competição na primeira fase. Na semifinal, porém, os catalães escaparam da eliminação por uma questão de segundos, até que o camisa 8 surgisse entre dois zagueiros do Hamburgo e cabeceasse com uma força improvável, mandando a bola no canto inferior do gol e forçando a realização de um jogo-desempate, vencido pelo Barça. Na decisão, Kocsis colocou o clube espanhol na frente contra o Benfica — de cabeça, claro —, mas o gigante lisboeta deu a volta por cima e saiu com a vitória por 3 a 2.

Kocsis deixava o gramado do Wankdorfstadion mais uma vez como vice-campeão. E vice é o lugar que, devido à ilustre existência de Puskás, continuará pertencendo ao "Cabeça de Ouro" entre os maiores craques do futebol húngaro.

"Nunca existiu ninguém melhor com a cabeça", afirmaria Sebes anos mais tarde. "Ele tinha ótima impulsão e combinava uma força feroz com precisão cirúrgica. Mas era também um atacante completo, que conduzia a bola e chutava com os dois pés. Ele nunca jogava a toalha e fazia muitos gols, gols decisivos, bem no final das partidas. Era um jogador extraordinário, um dos melhores que já houve. As atuações dele em 1954 mereciam a taça."

A história de Kocsis desmente a teoria de que ninguém se lembra dos segundos colocados. A média de 1,1 gol por partida na seleção húngara — marca sem precedente entre atletas com mais de 43 jogos pelos seus países — e os mais de 400 gols de cabeça na carreira certamente garantem a sua presença na galeria dos melhores atacantes da história do esporte.

Fonte da Imagem: My Football Facts.com

Fonte: FIFA.com



 

 

Clube de Regatas Brasil

Autor: Adriano Fernandes - 20/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

CRB

É mais conhecido por CRB e carinhosamente chamado de Galo por sua vibrante e apaixonada torcida.

É o maior clube esportivo de Alagoas, sua sede encravada no belíssimo bairro da Pajuçara, que é um dos cartões postais da capital dos alagoanos.

O Futebol é a sua principal atividade. O seu maior patrimônio é a sua imensa e fiel torcida. Destaca-se também no Vôlei brasileiro, com hegemonia absoluta nos cenários feminino e masculino locais, tendo conquistado o maior feito em 1969, ao sagrar-se campeão sul-americano feminino em Santiago do Chile. O clube ainda possui títulos de basquete, futsal, handebol, entre outras modalidades esportivas.

O início de tudo

Sua história teve início no ano de 1911, com a fundação em Maceió, do Clube Alagoano de Regatas. A jóia para sócios era de mil réis e a mensalidade de quinhentos mil réis. Sua sede ficava situada na Rua do Comércio, 138. Apesar de se chamar Clube Alagoano de Regatas, não havia yoles, nem baleeiras, nem remadores. Possuía um punhado de bravos rapazes que desejavam criar um clube esportivo em Alagoas.

Entretanto, a pequena receita com jóias e mensalidades impedia o progresso do clube. Entre os seus fundadores estavam os jovens Lafaiete Pacheco, Antônio Bessa, Celso Coelho e Alexandre Nobre. Na tentativa de elevar a receita do clube, Lafaiete Pacheco tentou junto aos companheiros um aumento nas mensalidades, mas a idéia não foi aceita pela maioria. Dessa falta de entendimento, nasceu o CLUBE DE REGATAS BRASIL.

Como foi

Lafaiete Pacheco procurou Antônio Vianna e explicou sua idéia de criar um clube de regatas na praia de Pajuçara. Juntos convidaram outros sete rapazes e assim no dia 20 de setembro de 1912, na rua Jasmim, foi fundado o Clube de Regatas Brasil.

Ata de Fundação

Além de Lafaiete Pacheco e Antônio Vianna, assinaram a ata de fundação os seguintes desportistas: João Luiz Albuquerque, Waldomiro, Pedro Cláudio Duarte, Tenente Julião, Agostinho Monteiro, Francisco Azevedo Bahia e João Viana de Souza.

Ao remo

Os primeiros passos do clube foram dados na regata. Assim, através de Lafaiete Pacheco o CRB comprou, em Santos, por 200 mil réis sua primeira yole. Os sócios contribuíram com 100 mil réis e os outros 100 mil foram tomados emprestados. O dinheirofoi remetido através do Banco de Pernambuco e a yole chegou no navio Itapetinga. A primeira garagem foi no quintal da casa de Antônio Vianna.

Os treinamentos eram realizados no trajeto marítimo da Ponta Verde para Pajuçara. A compra do oito com patrão sensibilizou os desportistas maceioenses e logo conseguiram novos associados como Domingos Souza, Francisco Quintela, Pedro Lima, Homero Viegas, Eduardo Silveira e mais alguns, que aos poucos, foram formando a grandeza do clube.

O futebol

Foi introduzido no clube de maneira totalmente natural. Antes e depois dos treinamentos para as regatas um grupo de atletas ficava batendo bola, os conhecidos ?rachas?. Essa brincadeira foi tomando vulto e a partir daí surgiu a necessidade de um espaço próprio para a prática do futebol.

O Estádio

O local escolhido foi o mesmo onde hoje se encontra o Estádio Severiano Gomes Filho, o Estádio da Pajuçara. O terreno pertencia à Dona Maria Torres, que arrendou o terreno para o clube por 300 mil réis. Em 1917 começam as obras de construção do estádio. No dia 2 de maio, realiza em Maceió, seu primeiro jogo interestadual, contra o Flamengo de Recife. Em 1921 é inaugurado o primeiro lance de arquibancadas do estádio da Pajuçara, contra o Centro Sportivo de Peres, de Recife.

As Glórias

Foi o primeiro campeão de Alagoas em 1927, a partir daí começa uma trajetória de grandes conquistas e vitórias do Clube de Regatas Brasil. São 25 títulos estaduais. Em 1993 foi campeão do Torneio de Acesso a Série B e em 1994 é vice-campeão da Copa Nordeste.

Os ídolos

Estão entre seus maiores ídolos: Haroldo Zagallo (pai do jogador e técnico Zagallo), Miguel Rosas, Mourão, Canhoto, Pompéia, Silva, Joãozinho Paulista, César, Roberval Davino, Roberto Menezes, Arnaldo Lyra, Marquinhos Paraná, Kazú, Toni, Aloisio e Jadilson.

Fonte da Imagem: Fotolog / Art Galo  

Fonte: CRB Oficial



 

 

Obdulio Varela - Um monstro de alma e garra

Autor: Adriano Fernandes - 20/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Diz a lenda que na noite de 16 de julho de 1950, Obdulio Varela saiu sozinho para tomar uma cerveja no Rio de Janeiro. Por si só, esse fato já é um testemunho da diferença entre o futebol de então e o de hoje. Varela, o capitão da Seleção Uruguaia, acabara de protagonizar o mais chocante feito da história das Copas do Mundo: a vitória de virada sobre a favorita Seleção de Zizinho e Ademir, proclamada campeã por antecipação pelos jornais brasileiros.

Depois de algumas cervejas, El Negro Jefe é chamado pelo dono do bar. Havia um torcedor brasileiro que queria falar com ele. Varela se levanta preparado para o pior: um xingamento, uma agressão. O torcedor se aproxima, encara-o olho a olho, abraça-o e desaba num choro desesperado e convulsivo. Conta a lenda, ainda, que o capitão uruguaio consolou esse torcedor durante mais de meia hora.

Muito tempo depois, numa entrevista, Varela diria que nesse momento, com o torcedor brasileiro chorando em seu peito, ele se havia dado conta da dimensão daquela derrota para o Brasil. Também afirmaria que se soubesse que aconteceria tal tragédia nacional, ele não teria se esforçado tanto para ganhar, pois, afinal de contas, só os cartolas uruguaios lucraram com aquela vitória.

Eu lamentei muito não ter tido a oportunidade de entrevistar El Negro Jefe antes de sua morte, em 1996. Estive no Uruguai em 1995. Por uma fatalidade, o encontro não rolou. Varela é o autor da inesquecível frase: Los de afuera son de palo.

Por: Idelber Avelar em seu site no dia 29/5/2008

Fonte da Imagem: Relíquias do Futebol



 

 

A Arrancada Heróica

Autor: Adriano Fernandes - 20/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Arrancada Heróica, ocorreu no dia 20 de setembro de 1942 no estádio do Pacaembu, diante do São Paulo. A vitória por 3x1 garantiu o título estadual ao Verdão.

Durante a Segunda Guerra Mundial, com o Brasil combatendo ao lado das forças Aliadas, um decreto do governo Getúlio Vargas proibiu qualquer entidade nacional de usar nomenclatura relacionada aos países rivais do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

O Palestra Italia, assim, foi obrigado a mudar de nome, passando a chamar-se Palestra de São Paulo. A mudança, porém, não aplacou as pressões políticas e até desportivas. E sob pena de perder o patrimônio e ser retirado do campeonato o qual liderava invicto, o Palestra teve de mudar o nome novamente. Nas vésperas da partida contra o São Paulo, válida pela antepenúltima rodada do Paulistão e que poderia definir o campeão por pontos corridos, a diretoria palestrina se reuniu para alterar a denominação do clube. Quando as discussões estavam no auge, o Dr. Mario Minervino pediu a palavra e solicitou ao secretário, Dr. Pascoal W. Byron Giuliano, que anotasse na ata: “Não nos querem Palestra, pois seremos Palmeiras e nascemos para ser campeões”. E assim foi. 

O Palmeiras entrou em campo naquele dia 20 de setembro de 1942 com um novo nome, um novo símbolo (desta vez só com um “P” e não mais com o “PI”) e conduzindo a bandeira brasileira sob o comando do cpitão do Exército Adalberto Mendes. Os supostos “inimigos da pátria”, desta forma, surpreendiam o público presente no Pacaembu.

Com a bola rolando, o orgulho e a técnica falaram mais alto. A equipe vencia por 3x1 quando o São Paulo, descontente com a marcação de um pênalti para o adversário, retirou-se de campo. O título estava garantido. Assim, como previsto, “o Palestra morreu invicto, e o Palmeiras nasceu campeão”

Houve silêncio por alguns momentos e, em seguida, começaram as palmas. Era a paz.

O São Paulo, com Leônidas, recém-contratado ao Flamengo, Noronha, Luizinho, Remo e Pardal, era um adversário respeitável para o Palmeiras. Este tinha no gol o jovem Oberdan; Junqueira e Begliomini na zaga; e Villadoniga e Etchevarrieta no ataque. Jogo difícil e pesado, entradas violentas e provocações. Mas o Verdão, naquele dia, estava impossível. Quando o árbitro Jaime Janeiro expulsou o zagueiro são-paulino Virgílio e os tricolores abandonaram o campo em protesto, o marcador mostrava 3 x 1. Foi o primeiro título com o novo nome e uma faixa estendida pela torcida nas arquibancadas do Pacaembu dizia tudo: "Morreu o líder e nasceu o campeão".

Palmeiras 3 x 1 São Paulo

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP) 

Data: 20 de setembro de 1942

Árbitro: Jaime Janeiro Rodrigues 

Público: 55.913 pagantes  

Cartão vermelho: Virgílio

Gols: Cláudio, aos 19min, Waldemar de Brito (SP), aos 23min, e Virgílio (contra), aos 43min do primeiro tempo; Echevarrieta, aos 14min da segunda etapa

Palmeiras: Oberdan, Junqueira, Begliomini, Zezé Procópio, Og, Del Nero, Cláudio, Valdemar, Villadoniga, Lima e Etchevarrieta. Técnico: Del Debbio

São Paulo: Doutor, Piolim, Virgilio, Lola, Noronha, Silva, Luizinho, Valdemar de Brito, Leônidas, Remo e Pardal.Técnico: Vicente Feola 

Fonte da Imagem: Gazeta Esportiva / Gazeta Press

Fonte: Memória Alviverde / Site 3VV



 

 

Copa Intercontinental 1961: Peñarol Campeão

Autor: Adriano Fernandes - 19/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

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Em 1961 os uruguaios do Peñarol estavam de volta à disputa da Copa Intercontinental (Mundial de Clubes), mas, desta vez, o “reinado” do Real Madrid no futebol europeu havia temporariamente terminado. Os campeões do velho continente naquele ano haviam sido os “encarnados” portugueses do Benfica, liderados por Eusébio. A primeira partida entre os campeões europeu e sul-americano ocorreu em Lisboa, diante de 40.000 espectadores, no Estádio da Luz. Coluna marcou o que seria o gol da vitória por 1x0, dando pequena vantagem ao Benfica para o segundo jogo.
Mas a história seria bem diferente em território uruguaio. Com extrema facilidade, a equipe liderada Alberto Spencer, marcador de dois gols, goleou o Benfica por 5x0. Como o saldo de gols, naquela época, não servia como critério de desempate, foi necessária uma terceira partida para definir o campeão. Em novo jogo, marcado para o Estádio Centenário dois dias depois, o Peñarol confirmou sua superioridade e venceu pelo placar de 2x1, com dois gols de Sasía, descontando Eusébio para o Benfica. Em sua segunda disputa intercontinental, o Peñarol conquistava, portanto, o seu segundo título.
Jogo de Ida: Benfica (POR) 1x0 Peñarol (URU) Estádio: Estádio da Luz (Lisboa, Portugal) Data: 4 de setembro de 1961 Público: 40.000 Gol: 60’ - BEN 1x0 PEN (Coluna)
Benfica: Costa Pereira, Angelo, Saraiva, Mario João, Neto, F.Cruz, José Augusto, Santana, Aguas, Coluna, Cavem – Técnico: Bela Guttman
Peñarol: Luis María Maidana, William Martínez, Núber Cano, Edgardo González, Néstor Gonçalves, Walter Aguerre, Luis Alberto Cubilla, José Francisco Sasía, Angel Ruben Cabrera, Alberto Pedro Spencer, Juan Víctor Joya – Técnico: Roberto Scarone

Jogo de Volta: Peñarol (URU) 5x0 Benfica (POR) Estádio: Centenário (Montevidéu, Uruguai) Data: 17 de setembro de 1961 Público: 56.358 Gols:10’- PEN 1x0 BEN (Sasía)  18’- PEN 2x0 BEN (Joya)  28’- PEN 3x0 BEN (Joya)  42’- PEN 4x0 BEN (Spencer)  58’- PEN 5x0 BEN (Spencer)
Peñarol: Luis María Maidana, William Martínez, Núber Cano, Edgardo González, Néstor Gonçalves, Walter Aguerre, Luis Alberto Cubilla, Ernesto Ledesma, Alberto Pedro Spencer, José Francisco Sasía, Juan Víctor Joya – Técnico: Roberto Scarone
Benfica: Costa Pereira, Angelo, Saraiva, Mario João, Neto, F.Cruz, José Augusto, Santana, Mendes, Coluna, Cavem – Técnico: Bela Guttman

Jogo Desempate: Peñarol (URU) 2x1 Benfica (POR) Estádio: Centenário (Montevidéu, Uruguai) Data: 19 de setembro de 1961 Público: 60.241 Gols:5’- PEN 1x0 BEN (Sasía)  35’- PEN 1x1 BEN (Eusébio)  40’- PEN 2x1 BEN (Sasía)
Peñarol: Luis María Maidana, William Martínez, Núber Cano, Edgardo González, Néstor Gonçalves, Walter Aguerre, Luis Alberto Cubilla, Alberto Pedro Spencer, Ernesto Ledesma, José Francisco Sasía, Juan Víctor Joya – Técnico: Roberto Scarone
Benfica: Costa Pereira, Angelo, Humberto, F.Cruz, Neto, Cavem, José Augusto, Eusébio Ferreira, Aguas, Coluna, Simões – Técnico: Bela Guttman

Fonte da Imagem: Museu Virtual do Futebol
Fonte: Canal Sports



 

 

O “Pai” da Medicina Esportiva no Brasil

Autor: Adriano Fernandes - 19/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 4 comentários

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Álvaro Lopes Cançado, o "Nariz", um dos principais zagueiros do futebol brasileiro, sério e as vezes violento nasceu em Campo Florido (MG), na época distrito de Uberaba, no dia 8 de dezembro de 1912. Começou a carreira em 1928, no Instituto Grambery, de Juiz de Fora, onde também ganhou o apelido devido ao tamanho de seu nariz. Em 1929 foi para o Tupy, também de Juiz de Fora. Em 1930, aos 18 anos de idade transferiu-se para o Clube Atlético Mineiro, onde permaneceu até 1932.

 

Seu primeiro jogo pelo time titular do “Galo” aconteceu no dia 22 de março de 1931, um amistoso contra o Palestra Itália (hoje Cruzeiro), com vitória atleticana por 3 x 0. Vestiu a camisa alvinegra mineira pela última vez, em 20 de novembro de 1932 no empate em 0 X 0 contra o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, em partida amistosa. “Nariz” jogou 32 vezes pelo Atlético, sem marcar gol. Foi campeão mineiro em 1931 e 1932.

Em 1932 o "Jornal dos Sports", do Rio de janeiro patrocinou um Campeonato Acadêmico, que foi realizado na Argentina e no Uruguai. Para representar o Brasil foi formada uma seleção formada por jogadores do Rio, São Paulo e Minas Gerais. Entre eles: "Nariz" (Atlético Mineiro),Luizinho (São Paulo), Ivan (Fluminense), Paulinho (Botafogo), Victor (goleiro Botafogo), Fernandinho, Elói, Cássio e Vicentino (todos do Flamengo), De Mori (Fluminense), etc. 

Foram disputados vários amistosos preparatórios contra grandes clubes como Fluminense, Flamengo, Combinado Fla-Flu, Vasco, Palestra Itália (MG), Nova Lima (MG), Santos, Corinthians e São Paulo. Contra o São Paulo, vice-campeão paulista o famoso Friedenreich saiu de campo com uma fratura no nariz, após uma trombada com o zagueiro "Nariz".

No jogo contra o Corinthians, campeão paulista, a atriz Lia Torá, esposa do diretor de futebol do Fluminense foi convidada para ir ao hotel em que os Acadêmicos estavam hospedados e também para assistir ao último jogo. O diretor dos Acadêmicos, Duval Ernani de Paula disse a "Nariz" que Lia Torá iria ao estádio somente para vê-lo jogar, pois o considerava um dos melhores zagueiros do Brasil. 

Resultado, Acadêmicos 4 X 1 Corínthians, com atuações soberbas de "Nariz" e Vicentino do Flamengo, que fez os quatro gols de seu time. No outro dia os jornais estampataram em machetes: "Nariz venceu o Corinthians". Lia Torá e o marido convidaram os jogadores do Acadêmicos para jantar no hotel em que a atriz se encontrava hospedada.

Em 1933 foi para o Rio de Janeiro defender o Fluminense. Em 1934 estava no Botafogo, onde fez parte da famosa defesa conhecida como “Esquadrão de Cavalaria”, jogando ao lado de Octacilio, Affonso e Canalli. Ficou no alvi-negro até 1941, quando encerrou a carreira futebolistica. No Botafogo, "Nariz" participou de 165 jogos, tendo sido campeão carioca em 1934 e 1935 e vencedor da Copa Burgos, em 1941 no México.

Seu primeiro jogo pelo Botafogo aconteceu no dia 9 de dezembro de 1934, um amistoso contra o Vasco da Gama, em São Januário, que terminou empatado em 1 x 1. O Botafogo jogou naquela oportunidade com Victor - Sílvio Hoffmann e Nariz – Ariel - Martim (Fernando Giudicelli) e Canalli – Álvaro - Waldemar de Britto - Carvalho Leite - Nilo e Patesko.

Em 1934 foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, mas não chegou a jogar. Com a camisa da Seleção participou de quatro partidas, três no Sul-Americano de 1937 e uma na Copa de 1938, quando também foi o médico da Seleção, tendo se formado dois anos antes. Teve a oportunidade de acompanhar o tratamento de Leônidas da Silva, o craque brasileiro, que à beira de uma distensão não teve condições de enfrentar a Itália na partida semi-final.

O técnico da Seleção na Copa de 1938, Ademar Pimenta contou que “Nariz”, aproveitando sua condição de médico da delegação brasileira, dispensava jogadores dos treinamentos, principalmente o seu companheiro Luizinho e a dupla Tim e Patesko. Ele e Luizinho tiveram privilégios. Embora a proibição de mulheres na delegação, os dois tiveram permissão para levarem suas esposas, o que causou mal estar geral entre os demais jogadores.

Os jogos da Seleção em que “Nariz” esteve presente: pelo Sul-Americano da Argentina, em 1937, no estádio da Bombonera, Brasil 6 X 4 Chile; em 13 de janeiro, no Estádio Gasômetro de Boedo, Buenos Aires, Brasil 5 X 0 Paraguai; em 30 de janeiro, no Gasômetro de Boedo, Argentina 1 x 0 Brasil. Pelo Mundial de 1938, em 14 de junho, em Bordeaux, Brasil 2 X 1 Tchecoslováquia. Nesse jogo o técnico Ademar Pimenta escalou dez reservas, permanecendo no time apenas Leônidas da Silva. “Nariz” entrou no lugar do zagueiro titular Machado.

Da seleção de 1938 muitos jogadores seguiram destinos diferentes: Jaú, companheiro de zaga de “Nariz”, se tornou "pai de santo", tendo inspirando o personagem “Pai Jaú”, do programa humorístico “Show do Rádio”. O médio Afonsinho aposentou-se como policial. O também médio Brito trabalhou como servente, e Argemiro, carcereiro. O craque Leônidas da Silva tornou-se comentarista de rádio e o ponta-direita Luizinho, advogado, tendo exercido o cargo de juiz do Tribunal de Justiça Desportiva.

Em 1940, “Nariz” fundou no Botafogo o primeiro Departamento Médico de um clube de futebol no Brasil e, por isto, é considerado o pai da Medicina Esportiva brasileira. Para ser médico do Botafogo tinha um contrato simbólico, pelo qual recebia um cruzeiro por ano. Após deixar o futebol, tornou-se um Ortopedista conceituado. Em 1954 foi um dos fundadores e primeiro professor da Escola de Medicina de Uberaba, que deu origem a atual Universidade Federal do Triângulo Mineiro.

No dia 10 de junho de 1972, o doutor Álvaro Lopes Cançado foi um dos convidados especiais para os festejos inaugurais do Estádio “Uberabão”. Ele deu a volta olímpica no gramado, conduzindo a bola do jogo entre as Seleções Brasileiras, a principal e olímpica, que teve o pontapé inicial desferido por Tostão.

Foi uma festa inesquecível, que teve show da Esquadrilha da Fumaça, homenagem aos três clubes de futebol existentes na cidade, Uberaba, Nacional e Independente. Várias autoridades estiveram presentes, o governador Rondon Pacheco, o prefeito Arnaldo Rosa Prata, o então presidente da CBD, João Havelange e o idealizador do estádio e doador do terreno, Edgard Rodrigues da Cunha.

No dia 19 de setembro de 1984 aos 72 anos de idade faceleu o ex-craque “Nariz”, em sua fazenda em Campo Florido, no chamado “Sertão da Farinha Podre”.

 

Por Nilo Dias em 16/8/2010

Fonte da Imagem: Terceiro Tempo

Fonte: Blog Nilo Dias Repórter 



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