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Blog Memória Futebol


Iranduba, o Hulk da Amazônia, o maior alento do nosso futebol

Autor: José Renato - 06/08/2017   Comentários Nenhum comentário

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Violência, condições precárias, comida e lanche de má qualidade e/ou com alto preço, transporte falho, problemas para estacionar o veículo. Estes são apenas alguns dos motivos que contribuíram para que tantos torcedores frequentadores assíduos de estádios passsassem a ser adeptos do sofá.

deixassem de serem.

Quem frequenta jogos de futebol bem sabe do que estou falando.

Assícu estádiosSão estes apenas alguns dos motivos de deixar de ter sido um frequentador assíduo dos estádios de futebol. Quem 

Ausente dos estádios, nã

Durante muitos anos de minha vida fui um assíduo frequentador de estádio.

Envolvido no lançamento do livro sobre heráldica futebolística, os distintivos dos clubes, que escrevera com o saudoso amigo Luiz Fernando Bindi, eram meados de 2011 quando me encontrei com aquele rapaz, de nome Amarildo, em um pequeno shopping na capital amazonense. 

Carregava consigo uma sacola meio amarrotada, com uma bela camisa esmeraldina, e tão logo sentou se à mesa já antecipou “desculpe-me pelo atraso, mas estou no meio do horário de almoço do meu trabalho e não podia deixar de ve-lo”. Lisonjeado por certo reconhecimento do qual não sou merecedor, sua fala era empolgada e tinha motivos para tal, acabara de fundar o Esporte Clube Iranduba da Amazônia.

Cidade localizada ao lado da capital baré, ainda que do outro lado do Rio Negro, Iranduba, cujo nome em tupi-guarani significa “lugar com muitas abelhas”, talvez tenha sido a grande beneficiada pela construção da ponte estaiada, de quase 4 quilômetros de extensão, que a ligou à Manaus. Em meio de muitas polêmicas, sobretudo por conta do alto custo, a ponte Rio Negro mudou a paissagem da região.

Com voz grave e forte, Amarildo, que atuara anos antes em um clube local, o São Raimundo, tricampeão da região norte nos anos 1990, não conseguia se conter ao falar de seus planos para a equipe alviverde que dentro de alguns dias iria estrear no campeonato amazonense da segunda divisão: “Vamos subir e ano que vem estaremos no Barezão (como é chamada a competição local)”, dizia ele. Entre tantos assuntos, logo veio à tona, aquele que fazia brilhar, ainda mais, seus olhos, o time feminino que também faria sua estreia no campeonato estadual naquele ano.

Diante de tantos sonhos, não pude me furtar a, dentro da minha reduzida rede de contatos, tentar algum tipo de divulgação em terras bandeirantes. Indiquei o nome de um jornalista que atuava na época em uma rádio na capital paulista. Ao contata-lo, Amarildo logo levou uma ‘flechada’: “...a  simples criação de um clube não é uma pauta tão interessante, lamento”. Antes que o jornalista concluísse, antecipou “... mas pretendo plantar uma muda, em meio da floresta amazônica, alusivo a cada espectador dos jogos da equipe...”. Pois é, a flechada fora devolvida e, pela primeira vez o nome do Esporte Clube Iranduba era falado em uma rádio de expressão nacional. Em meio de uma competição cujo público não passara de dezenas de curiosos, não foi dificil cumprir a promessa das mudas. 

Em campo, as coisas pareciam mais faceis, ainda que não fossem. Apesar disso e diante tantas dificuldades, o time masculino conquistou o acesso para a primeira divisão do estadual e o feminino levantou a taça, a primeira do futebol profissional do clube. No ano seguinte, 2012, os feitos foram ainda maiores, o vice-campeonato do segundo turno do estadual no masculino e o bicampeonato feminino. E aí não parou mais. Ainda que distante foi impressionante acompanhar o progresso do clube amazonense. Tantos abnegados, apaixonados, profissionais e atletas que estão transformando, tomara que para sempre, a história do futebol feminino e amazonense. Certamente o esporte local jamais será o mesmo a partir dos feitos do Iranduba. 

Quase 6 anos depois, em nosso mais recente encontro, também em um shopping, desta vez na capital paulista, dividi a mesa com o mesmo Amarildo, presidente, agora, de um clube hexacampeão estadual, semifinalista do campeonato brasileiro de futebol feminino, que eliminara o, até então, atual campeão da competição, o Flamengo, e que levara mais de 25 mil pessoas para uma partida de futebol feminino, três vezes o maior público do campeonato estadual masculino, e novo recorde brasileiro na categoria, na Arena da Amazônia, um dos palcos da Copa do Mundo de 2014, e já figurinha carimbada da grande mídia nacional sob a alcunha de ‘Hulk da Amazônia’. No futsal, a equipe feminina já fora bicampeã amazonense sub-20 e campeã adulta. O mundo realmente nos presenteia com oportunidades únicas para sermos testemunhas de fatos épicos.

Parabéns Iranduba e todos seus atletas, profissionais e torcedores que têm contribuído com esta história de sucesso.


 

 

Relato sobre visitas ao Museu do Futebol e aos três maiores times de futebol paulistano

Autor: José Renato - 28/07/2017   Comentários Nenhum comentário

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“Ao respeitarmos a história, aprendemos e evoluímos” esta era uma crença do meu avô Felipe, um sertanejo de Russas, cerca de 180 km da capital cearense, Fortaleza, que desde sempre manteve o hábito de registrar a história do esporte que mais amava, o futebol. Muito por conta dele, comecei a estruturar meu acervo de publicações sobre o esporte bretão, bem como escrever sobre ele.

Durante esta semana, mais especialmente entre os dias 25 e 26 de julho, acompanhei um amigo cearense em visitas a alguns locais importantes que contribuem para o registro e perpetução da história do nosso futebol. Por conta do tempo escasso, preparamos um roteiro enxuto que contemplou o Museu do Futebol e os três maiores clubes da capital, São Paulo, Palmeiras e Corinthians. 

Quero compartilhar um pouco de minhas impressões, como visitante, sobre estes locais.

Museu do Futebol: Ainda que no site estivesse registrado 10:00 como o horário de abertura, ao chegarmos havia um informe que durante as férias abriria às 9:00. Pagamos R$ 10,00 pela entrada, a mais barata de todos os locais. Por já ter o visitado antes e saber que algumas das imagens expostas foram fotografadas a partir do meu acervo, disponibilizado gratuitamente, me preocupa o fato de não ter notado qualquer atualização na exposição, algo que talvez contribua para que o público fosse tão baixo, ainda que tenha ouvido falar que ele seja um dos mais visitados da cidade. Havia um grupo de crianças em visita, sendo acompanhado por uma monitora divertida. Achei isto muito legal. Pena que ela tenha sido a única, entre as que ali trabalhavam, que parecia feliz. As atividades de interação atraíam pouco interesse, talvez por haver apenas uma bolinha para as três ou quatro mesas de ‘pebolim’. Mais sucesso fazia o ‘Chute ao Gol’, atividade que, diante as possibilidade tecnológicas presentes atualmente, parece meio ‘empoeirada’. Mais renovada, a biblioteca, dentro do que é chamado o centro de referência, recebe erroneamente no site o título de “A maior biblioteca sobre futebol”. Talvez fosse interessante, ainda mais por ser um espaço público, uma rápida pesquisa que permitisse esta correção. Esta biblioteca não é a maior sobre futebol, e bem sei do que estou falando. De qualquer forma, foi um passeio legal, mas que parece ter parado no tempo. Definitivamente o museu do futebol pode ser muito mais do que é.

São Paulo Futebol Clube: Marcado para às 12:00, o tour pelo estádio que custa R$ 40,00, começou rigorosamente no horário. O guia foi muito simpático e tinha a preocupação de passar os principais fatos da história do tricolor. Não poupou, no entanto, a fazer alguns comentários provocando os rivais, ainda que tenha tido o cuidado de não citar seus nomes. Deixou claro que todos os presentes, ainda que não torcessem para o São Paulo, poderiam se sentir à vontade, a única ressalva foi no vestiário, quando destacou que não fossem batidas fotos pejorativas ao clube. Quando perguntou ao público quem marcou mais gols na história do futebol, na tentativa de exaltar um ex jogador tricolor, citou Friedenreich em vez de Pelé. Um erro crasso e muito básico. Seja qual for o motivo, imperdoável. Mudar a história de acordo com a própria conveniência é um absurdo, algo que se repetiria no Palmeiras. O passeio é interessante muito mais pelo fato da possibilidade de entrar em locais exclusivos aos atletas em dias de jogos do que por qualquer outro motivo, uma vez que sequer existe uma loja oficial do clube no estádio, que possui alguns locais interessantes para almoçar, algo legal, repito, mais pela atmosfera. O ponto forte da visita é a entrada ao campo, sob o som da torcida, o trajeto realmente é emocionante, até mesmo para quem não é tricolor, como alguns confessaram posteriormente. Por fim, o vestiário parece decadente, carecendo reforma, o que pode ser comprovado pelo fato das fotos de alguns jogadores estarem fixados por fita crepe, sem muito cuidado.

Sociedade Esportiva Palmeiras: Era uma terça-feira e ao passar a frente do Allianz Parque havia a indicação que o tour pelo estádio, que custa R$ 55,00, acontece a partir das quartas-feiras, o que contrariava o site. Ainda assim fomos em frente e a moça da recepção nos passou que a informação pintada na parede do estádio estava errada, o tour poderia ser feito. Tivemos a sorte de contar com presenças ilustres em nosso tour, três craques palestrinos, Ademir da Guia, César Maluco e Dudu, que poucas emoções provocaram aos demais presentes. Neste sentido, o guia, ainda que simpático poderia ter explorado mais as presenças deles, em vez de gastar seu tempo explicando sobre a conquista de um torneio como se o mesmo fosse mundial, no caso a Copa Rio de 1951. Como já dito, mudar a história de acordo com a própria conveniência é um absurdo, o Palmeiras é maior que isso, e certamente um dia vai conquistar seu primeiro mundial. Me identifiquei como torcedor de outro time, um rival, e fui muito respeitado. Não houve qualquer tiração de sarro, a não ser pela afirmação do guia quanto ao fato de “certo estádio na zona leste não ter escada rolante”. O vestiário talvez seja a parte mais legal do tour, grande, claro e cheio de imagens de conquistas alviverdes. Já o gramado nos pareceu bem prejudicado, ainda que o guia tenha justificado que a grama é que estava alta. A verdade, no entanto é inegável, o gramado está ruim. Diferente do tour no Morumbi, na arena gerida pela W Torre há certo destaque aos artistas que já realizaram shows no local, com indicação dos locais utilizados por eles, ainda que, por conta do horário, a escuridão dominasse e as luzes internas não tivessem sido ligadas, sem que houvesse qualquer explicação para isso.

Sport Club Corinthians Paulista: Diferentemente do que foi feito nos outros clubes paulistas, a visita no time alvinegro foi em seu memorial, localizado em sua sede, e não no estádio em Itaquera. Chegamos por volta das 9:30 e esperamos ao lado da catraca a abertura do local, junto a uma senhora que controlava a catraca do memorial. A conversa estava boa até que revelamos não sermos torcedores corinthianos, mas sim de outro alvinegro, o Ceará. O que vimos desde então foi desolador. Ela fechou a cara e passou a nos tratar de forma ríspida. Para tentar melhorar o clima, por conhecer a história alvinegra, comecei a destacar o quanto foram épicos os feitos corinthianos em 1976 no Maracanã e 1977, no fim do tabu e apoiei gentilmente minha mão em seu ombro. Foi quando ouvi “tire a mão de mim rapazinho”. Fiz de conta que não tinha entendido e me afastei. Aguardamos a abertura às 10:00, que começou com as luzes desligadas. Ainda que se trate de uma senhora, este tipo de comportamento é tudo o que não devemos estimular. Tratar com o publico demanda respeito e isto faltou, e muito, no memorial que é, inegavelmente o mais completo, interessante, espaçoso e atraente para o público. Até mesmo o custo de R$ 18,00 é o que tem a melhor relação custo benefício dentre os locais visitados. Um espetáculo, ainda que o quadro de fotos das equipes não esteja atualizado, a última foto é de 2014, mesmo que haja um espaço de destaque para a conquista do campeonato paulista desse ano. Outra coisa bem legal é a calçada da fama e a exposição de fotos sobre os 100 anos do Derby. Uma pena que a visita que tinha tudo para ser a melhor de todas tenha sido estragada por conta da senhora da catraca, filha, segundo ela, de um histórico torcedor corinthiano. Por fim, mais um destaque negativo, o fato da loja oficial do clube não ter camisas oficiais do clube para vender, informação compatilhadas nas inúmeras faixas expostas logo na sua entrada.

A razão de compartilhar estas experiências tem como único objetivo contribuir, de alguma forma, para que todas elas se perpetuem naquilo que têm de bom e melhorem naquilo que for necessário. Por conta disso, de qualquer forma, o simples fato dos clubes terem estes espaços, bem como haver o Museu do Futebol, é algo extremamente positivo que deve ser destacado e elogiado.




 

 

90 anos da lenda, Airton Fontenele

Autor: José Renato - 27/01/2017   Comentários Nenhum comentário

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Janeiro de 1986, estava com a minha mãe no Center Um, pequeno shopping center localizado no bairro da Aldeota na capital alencarina, quando me encontrei com meu tio avô, Walter Sátiro. Dono de um sorriso encantador e um conquistador inveterado, ele se dirigiu a mim, um mirrado adolescente, e falou: “estava te procurando, ia até ligar para sua mãe. Tenho o livro de um amigo meu que quero lhe dar.” Confesso que não consegui acreditar que alguém poderia me presentear com um livro, mas ele logo completou de forma ainda mais entusiasmada: “este meu amigo sabe tudo sobre futebol e o livro dele fala sobre todas as Copas do Mundo.” Pois é, ao falar futebol, ele ligou os meus olhos.

Saímos de lá e fomos até a sua casa pegar o livro “Seleção das Seleções” de Aírton Silveira Fontenele. Uma obra que consumiu boa parte da minhas férias e que me fez fã daquele senhor, que jamais ousara a conhecer. Sabia, por exemplo, que anos antes, coubera a ele corrigir a CBF sobre o número de jogos do campeão mundial Jairzinho. Sob o argumento de promover sua centésima partida com a camisa canarinha, o atacante foi convocado por Telê Santana para o amistoso da seleção brasileira diante a Tchecoslováquia, em 3 de março de 1982, no estádio do Morumdi, empatado em 1 a 1. Não demorou muito para que, de forma cirúrgica, Seo Airton identificasse o equívoco nos cálculos oficiais. Virou notícia em vários jornais pelo Brasil, destaque na revista Placar e ganhou, desde então, a amizade de João Havelange, o manda chuva da FIFA. Por conta disso, sempre o tive em meus sonhos. O quão genial seria aquele homem?

Anos depois, já em 2002, fui presenteado com uma ligação sua, me convidando para visitar a sala João Saldanha, um verdadeiro tesouro para qualquer fã do esporte bretão. Fui ao seu encontro. O tamanho daquele sorriso me tornou ainda mais seu fã. A atenção com que me apresentou todo seu acervo e a forma cuidadosa com que fazia questão com que me sentisse como se estivesse em minha própria casa, me remeteu ao longo sorriso do meu tio avô, já falecido, e todo o seu entusiasmo. Ao final da visita, fez questão que eu autografasse uma tela ao lado de grandes astros do futebol mundial que já visitaram aquele espaço. Me assustei com este pedido e perguntei para ele: “Seo Airton, quem sou para assinar junto com tantos astros”. De imediato, ele me desarmou respondendo “Você é meu amigo”. Não poderia ser mais doce.

Sempre atento, sua dedicação a história da seleção brasileira é algo único jamais encontrado em quaisquer dos maiores apaixonados pelo nosso futebol. Certa vez, me confidenciou a forma artesanal como mantém seus dados sempre atualizados e corretos. Algo incrível. Tenho a felicidade de ter todos os seus livros em meu acervo, alguns deles valiosos por seu autográfo, mas o mais importante dele está em meu coração, a certeza de poder contar com sua amizade, apesar da distância e de tantos obstáculos que ela acabe por provocar.

Como diria nosso amigo saudoso, em comum, Cristiano Santos, “Parabéns Airton Fontenele do Brasil”.  



 

 

Do Céu ao Inferno ao Céu, as trajetórias de grandes equipes brasileiras

Autor: José Renato - 20/12/2016   Comentários Nenhum comentário

Considerando as 12 maiores equipes do futebol brasileiro, apenas 4 delas, jamais foram rebaixadas, são elas, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo. Bem, mas isso tudo mundo já deve saber.

A queda do Internacional, este ano, justamente cerca de 10 anos depois de conquistar o Mundial de Clubes da FIFA, em 2006, marcou uma trajetória rápida do Céu ao suposto Inferno.

Ainda assim se formos considerar as maiores ‘ladeiras’ futebolísticas, a do Colorado é menos increme daquelas caminhadas pelo Corinthians, que foi rebaixado, em 2007, cerca de 8 anos depois de conquistar seu primeiro mundial, em 2000, e a do seu maior rival, o Grêmio, que após levantar seu mundial, em 1983, caiu para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro em 1991, por volta de 7 anos e meio depois, o que rende ao Imortal Tricolor, a queda mais vertiginosa.

As quedas, no entanto, dependem também, do ápice vivido por cada clube. Neste caso, a mais vertiginosa delas pertence ao Palmeiras, cuja maior conquista, a Taça Libertadores, aconteceu em 1999, por volta de 3 anos e meio antes de seu primeiro rebaixamento em 2002. Outra equipe que conquistou a Libertadores, em 1998, o Vasco da Gama, caiu pouco mais de uma década depois.

Abaixo a tabela das 8 equipes, considerando, como critério para contagem do intervalo entre “o céu e o inferno”, as  datas de conquista de seus maiores títulos e as datas da última partida disputada na edição de seus primeiros rebaixamentos da Série A do Campeonato Brasileiro.

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Mas há sempre o outro lado.

Uma vez que o que é abraçado como algo temerário, pode, realmente significar novos tempos.

Para isso basta lembrarmos que Corinthians e Atlético conquistaram, pela primeira vez, a Taça Libertadores, em 2012  e 2013,  justamente, depois de passaram pela Série B do Brasileiro.

No caso do alvinegro paulista em um período de 5 anos, a equipe chegou ao topo do mundo, o que significa a maior ascenção. Outro crescimento de destaque coube ao Grêmio, que em um período de apenas 4 anos, viveu seu primeiro rebaixamento para depois conquistar a sua segunda Taça Libertadores, em 1995. Já o Galo mineiro caminhou a mesma trajetória em pouco mais de 7 anos.

Abaixo, a tabela das caminhadas “Do Inferno ao Céu”.

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A queda do ‘Imortal’ Colorado

Autor: José Renato - 12/12/2016   Comentários 1 comentários

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.

Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno.

Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11.

Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols).

Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar.

Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

O Internacional jogava demais.

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

A vitória colorado no entanto significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

Creio que, até mesmo, para muitos colorados, nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

Também por conta disso, que entre as 5 equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também, sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, as quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

Uma pena.



 

 

Fala Galvão Bueno, fale muito e muito mais.

05/12/2016   Comentários 1 comentários

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Sim, ele fala muito.

Mas o que poderíamos esperar de uma pessoa que trabalha com comunicação?

Pois é.

Desde muito tempo costumeiramente fazia parte de uma maioria silenciosa que sempre entendeu ser ele o melhor de todos os narradores.

Isto mesmo, maioria.

Inegável que o fato de um profissional se manter, por mais de três décadas, como a grande voz de uma das maiores emissoras do mundo, já seria o suficiente para se comprovar sua excelência.

Ainda que uma insignificante minoria, mas muito ruidosa, costume propagar pontos de vista contrários, dos quais respeito, ainda que para isso use frases mal educadas, tais como “CalaBocaGalvão”, jamais entendi minimamente a razão por tal postura, por uma única questão, para mim, Galvão sempre foi muito f...

Particularmente, foi com a sua voz que meu time coquistou o primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em um raro momento quando esteve fora da Rede Globo.

Antes disso, foi com ele, que a Formula 1 nacional viveu seu melhor momento, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. “Como assim?” podem perguntar alguns, usando como argumento o fato dele não estar dirigindo os carros de nossos campeões mundiais. Pois é, com Galvão narrando, “na ponta dos dedos”, sempre me senti pilotando cada um deles. Certamente por isso, todos fomos tão campeões nestas conquistas.

Na verdade, serão quase infinitos os exemplos de eventos esportivos que se tornaram maiores por conta de sua narração. Ou alguém realmente acha emocionante quando dois lutadores ensanguentados ficam trocando sopapos em uma briga de rua chamada de forma rebuscada por MMA? Pois até mesmo estas lutas se tornam um show sob sua narração.

Cabe aqui o mais singelo respeito a todos os demais narradores brasileiros, uma área em que o nosso país tem um dos terrenos mais ferteis, o que torna descabível a citação de nomes, uma vez que certamente haveria a injustiça na falta de algum, no entanto, entendo que Galvão esteja em um outro patamar, algo parecido quando fazemos comparações entre Pelé e os demais grandes jogadores da história do futebol mundial.

Desde as primeiras horas do fatídico acidente do avião da Chapecoense, na madrugada de segunda para terça feira da semana passada, passando por sua presença no jornal matutino da Rede Globo, bem como ao longo de toda programação, culminando na narração de um velório, algo por mais de inacreditável, tamanha foi a emoção que claramente o invadia, assim como a todos, e finalizando em uma narração do suposto título da Copa Sul Americana ao final do programa Fantástico, no último domingo, o que se viu foi o ápice da performance de um narrador, tamanho foi seu envolvimento pessoal apenas menor que a excelência demonstrada.

Sem medo de errar, assim como o mundo costuma usar a ‘palavra’ Pelé, como forma de elogiar um profissional que se sobressai em sua profissão, creio que seja factível que mais que nunca a ‘palavra’ Galvão Bueno tenha o mesmo significado.

Fala, para sempre, Galvão, que orgulho ser seu contemporâneo.



 

 

O maravilhoso Cisco Kid, Mário Sérgio

Autor: José Renato - 30/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu em 7 de setembro de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. De família muito humilde foi criado no bairro das Laranjeiras, próximo ao Fluminense, clube do qual seu pai era sócio, e onde jogou futebol de salão por cerca de sete anos. Eram tempos dificeis e embora tenha se destacado, a necessidade de colocar dinheiro em casa o fez largar as quadras em troca do trabalho em uma empresa de processamento de dados.

O amor pelo futebol, no entanto, era maior, e em 1969, foi levado para fazer testes no Flamengo, que logo o contratou. Sua grande habilidade de driblar chegou a ser motivo de preocupação para a comissão técnica rubro negra, sobretudo do técnico Yustrich, que achava que ele segurava muito a bola, em outras palavras, ‘um fominha’. Dono de uma personalidade forte, Mário Sérgio também não perdia a oportunidade de mostrar, fora de campo, como ele era. Aproveitava, como poucos, a vida, sempre com seus cabelos longos e roupas muito coloridas. Isso não passou em vão para Yustrich. Autoritário, o técnico não demorou a bater de frente com ele, e não perdia a chance de chamá-lo de boneca. Mário Sérgio também não deixava por menos e costumava aprontar das suas com o técnico. Depois de muitas brigas, no entanto, Yustrich levou a melhor, ao convencer a diretoria da equipe carioca para que cedesse Mário Sérgio ao Vitória da Bahia.

Em um tempo quando o futebol brasileiro era, mais que nunca, concentrado no eixo Rio-São Paulo, Mário Sérgio surpreendeu a todos ganhando destaque nacional ao defender as cores do rubro negro baiano. Campeão estadual em 1972, ganhou a Bola de Prata, premiação promovida pela Revista Placar, como melhor de sua posição nos campeonatos brasileiros de 1973 e 1974. Suas grandes atuações levaram Francisco Horta, presidente do Fluminense, a trazê-lo de volta ao Rio, mais precisamente para atuar na “ A Máquina”, como ficou conhecida uma das maiores equipes da história do clube. De volta onde tudo começou para ele, ganhou um novo apelido, Vesgo, por conta do hábito de “olhar para um lado e tocar a bola para o outro”. Ainda que tenha sido campeão carioca em 1975, em um time cheio de craques, não costumava aceitar ser sacado do clube, o que sempre foi um grande problema. Acabou sendo cedido ao Botafogo.

Entre os anos de 1976 e 1979 fez parte do time do camburão, apelido dado pelo jornalista botafoguense Roberto Porto, por conta da presença de jogadores polêmicos, todos com a ‘chave da cadeia’, como o próprio Mário Sérgio, Dé, Paulo César Lima, Renê, Perivaldo e tantos outros. No meio de tantos amigos, sobrou pouco tempo para jogar bola e não brilhou de forma tão intensa com a camisa do alvinegro da Estrela Solitária. Foi para o Rosário Central da Argentina, onde foi sozinho, sem a esposa, que acabara de começar seus estudos na faculdade, o que fez sua estadia em terras portenhas ser muito breve, apesar de cheia de atos de indisciplina. Ficou por muito pouco tempo, apenas 4 meses, e logo voltou ao Brasil, a pedido de Paulo Roberto Falcão, para atuar no Internacional. Aliás, para o Rei de Roma, Mário Sérgio foi o jogador mais técnico com quem jogou.

No Colorado, comandado pelo técnico Enio Andrade, Mário Sérgio renasceu. Foi um dos grandes responsáveis pela conquista do único título brasileiro invicto, em 1979. Atacante inteligente, com habilidade única para atuar no meio campo e colocar o bola onde queria, voltou a ganhar a Bola de Prata em 1980 e 1981, o que proporcionou sua contratação pelo São Paulo, outra equipe que tinha como apelido, “A Máquina”. Chegou no Morumbi e conseguiu o que seria improvável, ganhar a posição de um dos maiores atacantes do clube, Zé Sérgio, até então titular da seleção brasileira do técnico Telê Santana.

No tricolor paulista, foi um do grandes nomes da equipe campeã paulista daquele ano. Cracaço de bola em campo, temperamental fora dele. Na final do segundo turno do campeonato paulista, na partida frente ao São José, no Vale do Paraíba, após a torcida local cercar o onibus da equipe, ele abriu a janela e sacou alguns tiros para cima. Dispersão desfeita, a delegação tricolor pode sair das cercanias do estádio Martins Pereira. O episódio fez com que o jornalista Silvio Luiz o desse o apelido de ‘Cisco Kid’. Seu bom futebol o levou a vestir a camisa canarinha. No entanto, sua fama de indisciplinado, fez com que Telê não o levasse para a Copa do Mundo de 1982. No Morumbi também teve atritos com José Poy e foi cedido a Ponte Preta.

Após um curto período na equipe campineira, a pedido do técnico Valdir Espinosa foi contratado pelo Grêmio para atuar na final do Mundial Interclubes de 1983. Foi o cérebro daquela equipe que conquistou o título mundial diante a equipe alemã do Hamburgo, com uma épica vitória por 2 a 1, com gols de Renato Gaúcho. Logo no ano seguinte estaria de volta ao Beira Rio para defender o Internacional. Desta vez ficou por pouco tempo e ainda naquele ano foi contratado pelo Palmeiras, onde viveu uma grande fase. Jogou demais com a camisa alviverde e foi o grande comandante da equipe que liderou boa parte do campeonato paulista daquele ano. Voltou, até mesmo, a ser, novamente, convocado para a seleção brasileira. Tudo ia muito bem, até que acabou sendo pego no exame anti-doping no clássico diante o São Paulo em 9 de setembro de 1984. Suspenso, o fato também afetou a performance do Palmeiras, que perdeu fôlego na competição. Deixou o Parque Antarctica em 1985.

Passou pelo Botafogo de Ribeirão Preto e pela equipe suíça do Bellinzona, até chegar ao tricolor da Boa Terra, o Bahia, em 1987. Se despediu do futebol no meio de muita polêmica, algo tão natural para ele. No dia 4 de outubro, no intervalo da partida diante o Goiás, válida pelo campeonato brasileiro, entrou no vestiário, trocou de roupa e disse que encerraria ali sua carreira. Anos depois, já com a camisa da seleção brasileira de Master, mostrou que poderia ter desfilado seu talento pelos gramados ainda por muito tempo.

Mário Sérgio foi um jogador brilhante, um dos maiores do seu tempo. Espetacular como atacante e meio campista. Dono de seus pensamentos e de suas palavras, o que, certamente impediu que muitos técnicos soubessem utilizar o seu melhor.   



 

 

O Tiziu, Paulo Isidoro

22/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Paulo Isidoro de Jesus nasceu em 3 de julho de 1953 na cidade mineira de Matosinhos. O menino de origem humilde começou no futebol com apenas 9 anos na equipe infantil do Cruzeirinho. Ao se mudar com a família para Belo Horizonte passou a atuar no Ideal, clube amador do Bairro das Graças. Atuando no meio campo, acabou chamando a atenção do massagista do Atlético Mineiro, Irineu, que o convidou para fazer um teste no clube que tinha como técnico da equipe principal Barbatana.

Dono de um preparo físico invejável, com muita disciplina tática e com perfeição no passe, Paulo Isidoro se destacou, por ser um ótimo “garçom”, pois servia bem aos atacantes, e acabou ganhando uma vaga nos juvenis do Galo. Foi neste tempo que ganhou o apelido de “tiziu”, nome de um pássaro preto e arredio.

Em 1974, com 21 anos, sem chances na equipe titular, passou a ser considerado como “moeda de troca” para ser utilizada em outras contratações no clube. Naquele tempo, o Atlético mantinha uma parceria com o Nacional de Manaus, para onde mandava atletas que não costumavam ser utilizados na equipe principal em troca de colocá-los para atuar. Desta forma, poderia chamar atenção de prováveis interessados em contratá-los. Sua estreia no clube amazonense aconteceu em 29 de setembro de 1974 na goleada por 3 a 0 frente ao Fast em partida válida pelo campeonato amazonense. Embora tenha começado na reserva, entrou no lugar de Bibi, filho do campeão mundial Didi, e marcou um dos gols da vitória nacionalina. Campeão amazonense daquele ano, suas atuações, ainda que boas, não chegaram a empolgar e tão logo o campeonato acabou, ele voltou ao Atlético.

Ainda reserva precisou esperar mais algum tempo para ter uma chance na equipe principal. Ela veio com a convocação do titular, Marcelo Oliveira, para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Pan-americanos da Cidade do México, por decisão do técnico Telê Santana que identificou qualidades únicas naquele incansável meio campista que segundo ele, sabia, como poucos, sair com a bola dominada de forma rápida. Seu estilo de jogo se adaptou com perfeição ao do centroavante Reinaldo e não saiu mais do time. O bicampeonato mineiro em 1975 e 1976 acabou por lhe render a primeira convocação para a seleção brasileira pelas mãos do técnico Osvaldo Brandão, para disputar partida amistosa frente um combinado formado por atletas do Flamengo e Fluminense, em 31 de janeiro de 1977 e que acabou empatado por 1 a 1.

As expectativas eram muito boas para aquele ano, uma vez que passou a ser figura constante na seleção que se preparava para a Copa do Mundo de 1978 e, além disso, era um dos destaques do Atlético Mineiro que fazia uma campanha impecável no campeonato brasileiro daquele ano. Tudo ia muito bem, até que acabou barrado, pelo técnico Barbatana, que voltara ao Galo, da equipe titular justamente nas partidas decisivas da competição nacional, realizadas já no começo de 1978. Para Barbatana, Marcelo era o titular e ele, o reserva. A perda do titulo para o São Paulo foi surpreendente assim como o esquecimento do técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, que não o levou para a Copa da Argentina.

Novamente campeão mineiro em 1978, foi negociado com o Grêmio em 1979, em uma troca pelo ponta-esquerda Eder. Atuando no tricolor gaúcho, Paulo Isidoro se tornou em um elemento indispensável para a equipe, uma referência que acabou por provocar seu retorno a seleção brasileira, comandada por um velho conhecido Telê Santana.  Bicampeonato gaúcho de 1979 e 1980, Paulo Isidoro teve participação decisiva na conquista do primeiro titulo nacional dos gremistas, o campeonato brasileiro de 1981, ao marcar os dois gols da vitória de virada, por 2 a 1, frente ao São Paulo na primeira partidas das finais, realizada no estádio Olímpico em 30 de abril de 1981. Além disso, ganhou a Bola de Ouro, prêmio promovido pela revista Placar, como o melhor jogador da competição.

Presença obrigatória em todas as convocações da seleção de Telê passou a ser o décimo segundo jogador, aquele que entrava em todas as partidas. Com a expulsão de Toninho Cerezo, na partida, válida pelas eliminatórias, frente à Bolívia, em 22 de fevereiro de 1981, e sua suspensão para a partida de estreia na Copa do Mundo de 1982, contra a União Soviética, tudo indicava que ele seria o titular. Apesar de contar com sua confiança, Telê preferiu improvisar Dirceu numa posição em que jamais o escalara antes. Ao final do primeiro tempo, Paulo Isidoro entrou no lugar de Dirceu, que a partir daquele momento não voltou mais a equipe, e foi um dos responsaveis pela vitória brasileira de virada por 2 a 1. O meio campista continuou como reserva na competição, mas sempre entrando no decorrer das partidas, o que só não aconteceu na vitória frente a Argentina por 3 a 1. Foi um dos poucos atletas poupados de críticas por conta da prematura e trágica eliminação frente a Itália. Também foi um dos poucos a continuar a ser convocado imediatamente depois dela, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira em 1983. Ao todo atuou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, sofrendo apenas duas derrotas.

Nesta época foi contratado pelo Santos, onde continuou a surpreender a todos sobretudo por demonstrar uma incrível vitalidade para um atleta que já chegara aos 30 anos, algo considerado muito raro naquela época. Sempre atuando de forma cerebral e praticamente sem errar passe, foi o escolhido o melhor meio-campista do campeonato brasileiro de 1983, e peça importante para o vice-campeonato brasileiro conquistado pela equipe alvinegra, bem como pelo titulo paulista de 1984, que deu fim a um incomodo tabu de 6 anos, em uma momento inesquecível para a sua carreira, por conta da morte do pai, na véspera da partida vencida por 1 a 0 frente o Corinthians em 2 de dezembro de 1984. É de arrepiar a cena da comemoração do gol de Serginho, com Paulo Isidoro desabando em campo com as mãos erguidas para o céu.

Ainda voltaria ao Galo no ano seguinte, para ser bicampeão mineiro em 1985 e 1986. Ao final da temporada de 1987, se despediria de vez do clube onde tudo começou, para atuar no Guarani de Campinas, onde continuaria com os holofotes virados em sua direção. Aos 35 anos de idade foi um dos destaques da equipe bugrina que chegou ao vice-campeonato paulista de 1988. Quase que interminável ainda atuaria no XV de Jaú, Cruzeiro e Internacional de Limeira, onde encerrou a carreira já com 39 anos.

Paulo Isidoro foi um profissional exemplar cuja longevidade de uma carreira vitoriosa serve para comprovar o atleta único que foi, um trabalhador incansável em campo e um dos grandes nomes da historia do futebol brasileiro. 



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