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Blog Memória Futebol


O Campeão Mundial Tiquinho.

Autor: José Renato - 18/02/2016   Comentários Nenhum comentário

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Onofre Aluísio Batista nasceu no dia 7 de janeiro de 1959 na cidade do Rio de Janeiro. O pequeno menino que corria pelas ruas próximas a sua casa tinha cerca de 10 anos quando ingressou na categoria dente-de-leite do Botafogo. Com um pouco mais de um metro e meio e apenas trinta e seis quilos, era considerado por muitos, um “tiquinho de gente”, daí surgiu seu apelido Tiquinho. Atacante com pouca intimidade com a bola, que jogava pelo lado esquerdo, Tiquinho chamou atenção por ser muito rápido, o que fazia dele quase imbatível na corrida. Não era incomum que aparecesse sozinho tendo apenas o goleiro a sua frente. Com apenas 14 anos, em 11 de junho de 1973, marcou os dois gols da vitória do Botafogo, por 2 a 0 frente ao Dínamo de Kiev, na final do torneio mundial juvenil, realizada na cidade francesa de Croix. Ainda que não fosse uma competição oficial, por conta da participação de grandes equipes, dentre as quais Ajax, Benfica e Milan, sua conquista deu ares de ser um título mundial juvenil. Tiquinho passou a ser considerado como uma grande joia da equipe da estrela solitária. Em 1975, aos 16 anos, se profissionalizou. Ainda que não fosse titular do Botafogo, costumava atuar em partidas amistosas. No dia 9 de março, marcou o primeiro gol do estádio José Américo de Almeida Filho, o Almeidão, na capital paraibana, João Pessoa, na vitória por 2 a 0 frente ao Botafogo local. Em outubro foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira olímpica, comandada pelo genial Zizinho, que viria a conquistar a medalha de ouro nos jogos pan-americanos da cidade do México. Seu começo foi devastador, marcando gol logo na estreia, frente à seleção da Costa Rica, na vitória brasileira por 3 a 1, no dia 14. De volta ao Botafogo, estreou no campeonato brasileiro, com a equipe já eliminada, marcando um gol na vitória por 2 a 1 frente ao Guarani de Campinas, em 29 de novembro, e mais dois, no triunfo alvinegro por 2 a 0 contra o Nacional de Manaus no dia 4 de dezembro. O ano de 1976 começou de forma ainda mais promissora para o atacante que logo em janeiro voltou a ser convocado para a seleção olímpica que disputaria o Torneio Pré-Olímpico realizado em Recife. Tiquinho atuou em duas partidas, frente o Uruguai e Argentina, e foi, novamente, campeão. Ainda muito jovem chegou a ser testado na equipe titular, no entanto, a camisa alvinegra parecia pesar muito e por conta disso os dirigentes botafoguenses resolveram emprestá-lo ao Treze da Paraíba que iria disputar seu primeiro campeonato brasileiro naquele ano. Acreditava-se que aqueles poucos meses seriam o suficiente para que o futebol promissor do atacante voltasse a brilhar e ele pudesse assumir a posição de titular no ataque carioca. Ledo engano. Tiquinho chegou a ter dificuldades até mesmo para conseguir a titularidade na fraca equipe paraibana que, sob o comando do técnico Laerte Dória, fez uma campanha pífia, abaixo das expectativas, com sete derrotas consecutivas e a penúltima colocação na classificação geral de uma competição que contou com 54 equipes. De volta ao Botafogo, dono do seu passe, Tiquinho trazia consigo algo ainda pior que seu mau desempenho em campo. Havia muitas histórias de suas aventuras fora dele, que costumeiramente envolvia farras com mulheres e muita bebida. Os dirigentes botafoguenses acreditavam que o jovem atacante de 18 anos ainda poderia “voltar aos trilhos” e fazer um grande ano em 1977. Infelizmente não foi o que aconteceu, aliás, muito pelo contrário. Enquanto o Botafogo formou uma grande equipe que permaneceu invicta por 52 partidas, o futebol de Tiquinho parecia minguar. Para piorar, os problemas extracampo se intensificaram e tornaram quase que rotineiros. Quando não faltava aos treinos, chegava à sede do Botafogo em condições precárias, muito por conta da bebida. Após um ano de clara e surpreendente decadência, período em que vestiu a camisa alvinegra carioca em apenas 4 oportunidades, a diretoria do clube perdeu a paciência com o atleta, que acabou sendo transferido para o Ceará em 1978. Era muito difícil imaginar como um atleta tão jovem e vencedor já parecia estar em evidente decadência. Ainda que não tenha mostrado um futebol primoroso no Vozão, Tiquinho foi o protagonista de um fato que fez dele um dos maiores nomes da história do clube. No dia 20 de dezembro de 1978, no estádio do Castelão, foi dele o gol da vitória por 1 a 0 do Ceará frente ao arquirrival, Fortaleza, aos 45 minutos do segundo tempo e que garantiu, à equipe alvinegra, o tetracampeonato estadual. Até os dias atuais, a narração do gol, em que pese o bom posicionamento de Tiquinho na área, que se limitou a ser um chute fraco em direção do gol já vazio, costuma ser repetida a exaustão nos momentos que antecedem as partidas do Ceará. Inegável afirmar que Tiquinho seja um dos grandes ídolos da torcida alvinegra. Inconsequente em suas atitudes e sendo “goleado” pela bebida, este foi o seu grande e derradeiro momento na equipe cearense onde ficou até 1980. A partir daí começaria uma vida cigana, praticamente nômade, ficando pouco tempo nas equipes por onde passou, dentre elas, Remo, Fortaleza, novamente Ceará, até chegar ao futebol amazonense, onde voltou a ser campeão, em 1982, ao defender, novamente, as cores de uma equipe alvinegra, no caso o Rio Negro, em uma conquista importante que deu fim a uma sequência de seis títulos consecutivos do rival, o Nacional, onde também atuaria em 1985, após passar pouco tempo no Marília. Ao que parecia sua carreira encerrara no interior paulista. Em 1988, com 27 anos de idade, Tiquinho foi flagrado bêbado nas arquibancadas do estádio Carlos de Alencar Pinto, em Fortaleza, durante amistoso do Ceará. Exalando cheiro forte, repetia em alto e bom som para centenas de torcedores que tinha sido campeão mundial com 14 anos, algo que ninguém acreditava. No ano seguinte, voltou a ter uma chance no futebol defendendo o River do Piauí. Sua estreia aconteceu no clássico contra o Flamengo, o chamado Rivengo, no dia 14 de maio de 1989. Aos 30 minutos do primeiro tempo, mostrou que sua contratação tinha valido a pena, ao marcar o gol de empate de sua equipe. No intervalo da partida, no entanto, quando o técnico do River, o ex-meio-campista Caçapava o procurou para dar orientações, o encontrou já com roupa de passeio e o questionou: “Quem mandou você trocar de roupa?”. Tiquinho, sem titubear, respondeu: “Entrei e já marquei meu gol, o que o senhor quer mais?” e deixou o vestiário. O River acabou vencendo a partida por 2 a 1 e, posteriormente, conquistaria o titulo piauiense daquele ano, o terceiro título estadual de Tiquinho, que atuou apenas esta partida. Tiquinho é um triste exemplo de um talento que foi jogado fora por clara falta de acompanhamento de alguém que pudesse orientá-lo. Infelizmente acabou vencido por uma companheira que esteve ao seu lado durante toda a sua vida, a bebida.

 

 

Craque “di lá” ou Dicá.

Autor: José Renato - 01/02/2016   Comentários Nenhum comentário

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Oscar Sales Bueno Filho nasceu no dia 13 de julho de 1947 na cidade de Campinas. O filho mais velho de “Seo” Oscar, que “tocava” algumas pequenas obras da prefeitura da cidade, e da dona de casa Elvira passou toda a sua infância batendo bola na rua. Foi neste tempo que ganhou o apelido pelo qual passaria a ser conhecido no futebol. Certo dia, ele e um de seus irmãos, Walter, jogavam uma partida, quando um rapaz perguntou ao outro, qual deles era o Oscar, o “di lá” ou o “di cá”? Daí surgiu, Dicá. Há outra versão que ele seria sempre o escolhido para jogar no time “di cá” e não no “di lá”. Que possamos ficar com a versão que mais gostarmos. O começo no futebol foi defendendo as cores azul e branca do clube do bairro onde morava, o Santa Odila Futebol Clube, que tinha o pai, Oscar, como técnico, fato que acabaria por lhe causar problemas. Sua habilidade em dar dribles e fazer jogadas de efeito logo chamou a atenção de muitos que costumavam se acotovelar para vê-lo atuar, ainda que ele tivesse apenas 14 anos. Apesar disso, alguns dos meninos, com quem atuava, e, sobretudo, seus pais passaram a reclamar com “Seo” Oscar, pai de Dicá, que ele driblava demais. Preocupado em não passar a impressão de estar, indevidamente, o protegendo, não foram raras as vezes que o pai resolveu colocá-lo no banco de reservas. Retraído, o menino Dicá sempre acatava, sem reclamar, ainda que todos soubessem que ele era o melhor do time. Este tipo de comportamento acabaria por marcar a sua carreira. Certo dia, quando ainda dividia o seu tempo de bola, com os estudos e o trabalho em uma tapeçaria, ao saber que um dos olheiros da Ponte Preta fora observá-lo, atuou bem abaixo de sua capacidade, o que acabaria por atrasar um caminho que já estava traçado, o de ser jogador de futebol. Passaram pouco mais de dois anos e desta vez, além da Ponte Preta, seu maior rival, o Guarani também demonstrou interesse em contar com Dicá. A dúvida sobre o que seria melhor para ele foi resolvida por uma questão simples, o amor de seu pai à Ponte Preta. Desta forma, em 1965, com 17 anos, passou a fazer parte da equipe juvenil da Macaca. Sua estreia na equipe principal, comandada pelo técnico Sidney Cotrin, aconteceria em 27 de agosto de 1966, no empate em 2 gols frente ao Nacional, em partida realizada no estádio Nicolau Alayon, válida pelo campeonato paulista da primeira divisão, equivalente a atual A2 da competição e em muitos outros estados a segunda divisão. Seu primeiro gol como profissional aconteceu em 16 de outubro daquele ano, na goleada por 6 a 1 frente a Esportiva de Guaratinguetá, no estádio Moisés Lucarelli. Aliás, naquele dia, marcou duas vezes. Um pouco antes disso, no dia 27 de setembro, ainda como juvenil, foi campeão da Liga Campineira de Futebol, marcando 2 gols na goleada pontepretana de 6 a 1 frente a Mogiana. Com a chegada do técnico Cilinho em 1967, Dicá passou de vez a equipe principal e chegou a ser vice-artilheiro na temporada, por conta de outra qualidade onde era quase insuperável, a sua precisão nas cobranças de falta. Seu chute era sempre certeiro, exigindo muita atenção dos arqueiros adversários. Ainda que já fosse considerado um dos melhores meio-campistas do estado, foi em 1969, que Dicá teve seu primeiro grande ano, com a conquista do título paulista da divisão intermediária, o que valeu a Ponte Preta uma vaga para a divisão especial, com uma equipe que fez história com jogadores de grande qualidade, como os meio-campistas Roberto Pinto, sobrinho de Jair da Rosa Pinto e Teodoro, que depois se destacaria no São Paulo e do lateral esquerdo Nelsinho Baptista. O ano de 1970 seria ainda mais promissor. Inicialmente com o técnico Zé Duarte, com quem subirá de divisão, e posteriormente com Cilinho, que o substituiu após uma derrota para a Ferroviária por 5 a 0, sem a presença de Dicá, a Ponte Preta conquistou um incrível e surpreendente vice-campeonato, tendo o meio campista sido escolhido como a grande revelação da competição. Após quase ter sido negociado com o Corinthians, Dicá permaneceu na Ponte Preta, que ainda naquele ano se tornou a primeira equipe do interior do país a participar de uma competição de âmbito nacional, o Roberto Gomes Pedrosa, conhecido como Taça de Prata, que foi vencida pelo Fluminense. Após a disputa do campeonato paulista de 1971, Dicá foi emprestado ao Santos de Pelé, comandado pelo técnico Mauro Ramos de Oliveira, o capitão campeão mundial em 1962. Sua estreia, ao lado do Rei, aconteceu durante excursão a América do Norte, em 24 de julho, no empate por 1 gol frente a equipe mexicana do Monterrey. Participou de boa parte das partidas santistas no campeonato brasileiro, em sua primeira edição, ainda assim, sem ter empolgado tanto, os dirigentes santistas acabaram achando alto o valor do passe estipulado, na época Cr$ 500 mil (quinhentos mil cruzeiros). Seu caminho de volta para Campinas estava aberto e era o que ele mais desejava. De volta a Ponte Preta, onde continuou sendo o principal jogador da equipe, depois do campeonato paulista de 1972 Dicá foi novamente negociado, desta vez em definitivo, para a Portuguesa, clube que participaria do campeonato brasileiro e que vivia um grande momento, ainda mais pela inauguração oficial de seu estádio no Canindé, em 9 de janeiro daquele ano, em amistoso frente ao Benfica. Dicá chegou a equipe para ser titular e sua estreia aconteceu no dia 13 de setembro, na derrota por 1 a 0 para o Santa Cruz em partida realizada no Parque Antarctica. A derrota logo na estreia, ainda mais em São Paulo, caiu feito uma bomba no clube, cujo presidente, Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, reunido com a diretoria, depois do jogo, decidiu dispensar vários de seus titulares em um episódio que entrou na história do clube como a Noite do Galo Bravo. Com uma equipe bem mais enfraquecida, a campanha da lusa foi pífia naquela competição e Dicá que fora contratado como a grande esperança da equipe, acabou sendo marcado por isso. Em 1973, o surgimento de Eneias na equipe do Canindé trouxe ótimos ventos para a Portuguesa, que comandada pelo técnico Oto Gloria, chegou a conquista, dividida com o Santos, do título paulista daquele ano. Ainda que tivesse atuado em algumas partidas, Dicá foi preterido por Oto Glória que sempre deixou clara a sua preferência pelo combativo Basílio ao cerebral Dicá que passou a ser figura frequente do banco de reservas. Não foram poucas as vezes que era chamado para entrar em campo apenas nos minutos finais. Ao que parecia o menino que aceitava de forma passiva o pai colocá-lo no banco de reservas no pequeno Santa Odila, continuava a acatar as ordens do técnico sem reclamar. Mesmo depois da saída de Oto Glória do clube, Dicá jamais voltou a ser aquele jogador que fora na Ponte Preta, ainda que em 1975, tenha recuperado a condição de titular e tenha sido importante para a equipe que chegou ao vice-campeonato estadual, ao perder o título na decisão por pênaltis frente ao São Paulo (naquele dia, Dicá perdeu a sua cobrança). Por conta disso, foi com uma alegria sem fim, que recebeu a notícia de seu pai, sobre o interesse da Ponte Preta em contratá-lo para a disputa do campeonato brasileiro de 1976, o seu primeiro defendendo a camisa da equipe campineira. Aos 29 anos, Dicá estava em casa novamente e com ela a alegria de voltar a jogar em alto nível. Em 1° de setembro de 1976, na primeira rodada da competição, lá estava ele como titular da Ponte Preta no empate por 1 a 1 frente ao Corinthians. A equipe de Campinas fez uma boa campanha e teve Dicá como um de seus grandes nomes. Mal sabia que 1977 seria ainda melhor. Com uma equipe fantástica, talvez a melhor de sua história, e novamente com um velho conhecido como técnico, Zé Duarte, a Macaca que contava com os promissores e futuros atletas titulares da seleção brasileira em Copa do Mundo, Carlos e Oscar, fez uma campanha maravilhosa, chegando ao seu segundo vice-campeonato estadual e tendo como melhor jogador, o mesmo que se destacara em seu primeiro vice, em 1970, Dicá. Coube a ele, na segunda partida das finais frente ao Corinthians, em 9 de outubro de 1977, no estádio do Morumbi, marcar o primeiro gol, uma falta batida com perfeição, da épica vitória pontepretana por 2 a 1, que levou a decisão do título para uma terceira partida, que viria a ser vencida pelo Corinthians, por 1 a 0, com o gol de Basilio, aquele mesmo que ganhara a posição de Dicá na Portuguesa. Não sairia mais da Ponte Preta onde sempre foi titular e principal atleta da equipe, enquanto atuou, que sob sua liderança voltaria a ser vice-campeonato paulista de 1979 e 1981, quando perdeu para o Corinthians e São Paulo, respectivamente e semifinalista do campeonato brasileiro de 1981, na melhor colocação da equipe campineira na competição. Sua despedida oficial aconteceu em 26 de janeiro de 1986, em partida amistosa realizada no estádio Moises Lucarelli frente à equipe suíça do Grasshoper. Naquele dia, a Ponte venceu a partida por 2 a 0, com um dos gols sendo marcado por Rivellino. Dicá, talvez tenha sido o maior batedor de cobranças de falta no seu tempo, também um dos jogadores mais habilidosos e que por um capricho do futebol conseguia mostrar o melhor do seu futebol sempre que atuava no time de seu coração, a Ponte Preta, onde é considerado o maior jogador de sua história e o maior artilheiro, com 154 gols marcados em 581 jogos oficiais. Se a Seleção Brasileira não teve Dicá, azar da Seleção.



 

 

Carlos Celso Cordeiro, o Senhor Futebol.

Autor: José Renato - 24/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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“Um historiador preciso”. Esta, talvez, seja a forma como Carlos Celso Cordeiro, certamente, poderia se definir. Também é certo que sua humildade jamais o permitiria fazê-lo. Ouvi falar de seu nome, pela primeira vez, quando lançou uma série de três livros com todos os jogos disputados pelo Náutico. Um trabalho de folego, “coisa de louco” para alguns, que se destaca pela exatidão de uma pesquisa inimaginável. Engenheiro, Administrador e Torcedor do Timbu, não necessariamente nesta ordem, Carlos Celso não parou por aí. Seu trabalho, incansável, gerou novas publicações, com levantamentos históricos sobre todo o campeonato pernambucano, Sport e Santa Cruz. Um Historiador com H maiúsculo que dignificou como pouquíssimos fazem, com trabalhos totalmente isentos. Impossível achar qualquer rastro de ser torcedor do Náutico em seus trabalhos sobre os rivais. Por conta disso, é muito possível afirmar que ele seja o maior historiador dos três grandes times de seu estado, bem como do futebol pernambucano. Na verdade, por ser autor com maior número de livros publicados sobre futebol no país, é certo afirmar que ele seja o maior historiador de futebol do país. Sim, pois é intrínseco a qualquer historiador, algo que ele tinha como regra tácita: compartilhar. Carlos Celso é a maior das exceções. Mas há algo muito maior nele que o futebol, sua bondade. Quando tive a felicidade de conhecê-lo, ele me levou a sua casa e compartilhou de sua intimidade com aquele, que até então, era “apenas” um admirador de seu trabalho. Encontrá-lo era sempre uma alegria. Poucos encontros, porém, sempre duradouros em minha mente. Na ultima vez que o encontrei em Recife, combinamos de marcar uma tarde juntos. E o local escolhido não poderia ser o mais apropriado, o estádio dos Aflitos, o campo do seu Náutico. Aliás, do nosso Náutico, de tantos outros amigos queridos, Lucídio, Lenivaldo, Roberto Vieira... Carlos Celso foi chamado para o andar de cima neste domingo, dia 24 de janeiro.



 

 

O bom alagoano Peu

Autor: José Renato - 18/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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Júlio dos Santos Ângelo nasceu em Maceió, no dia 4 de abril de 1960. Um dos oito filhos do casal formado por “Seo”Antônio, roupeiro da equipe alagoana do Centro Sportivo Alagoano, o CSA, e “Dona” Maria, lavadeira do clube, entrou para a história do futebol com o apelido de Peu. Sua infância foi vivida praticamente no campo do Mutange, onde o Azulão treinava e mandava algumas de suas partidas. Durante os jogos costumava ajudar a mãe vendendo raspadinha e atuando como gandula. Ainda com 15 anos passou a atuar nas equipes de base da CSA, onde logo se destacou por ser um meio campista habilidoso, veloz e que avançava ao ataque com grande facilidade. Chegou à equipe principal com apenas 17 anos e logo passou a ser chamado de Pelezinho. Graças ao jornalista Marcio Canuto, sabedor sobre o quanto o peso deste nome poderia atrapalhar sua carreira, o apelido logo foi deixado de lado. A excelente campanha da equipe em 1980, quando foi vice-campeã da Taça de Prata, atual Série B do campeonato brasileiro, e campeã alagoana, galgou Peu à condição de maior ídolo da torcida azulina. Dos rivais chegou a ganhar o apelido de “Demônio Preto”. Toda esta badalação acabou chamando a atenção do então técnico, e ex-jogador, Orlando Peçanha, que o indicou ao Flamengo. O interesse rubro negro acabou provocando a realização de uma pesquisa de opinião pública promovida pelo jornal local Tribuna de Alagoas, para saber se o craque alagoano deveria seguir para o Rio de Janeiro. Para a felicidade de sua mãe, que chegara a pedir ao presidente do CSA, João Lyra, que “pelo Amor de Deus” vendesse seu filho, seu destino foi a Gávea. Atuar no Flamengo era a concretização do sonho de seu falecido pai, que fora fã de Dida, um dos grandes nomes da história da equipe carioca e que também iniciara a carreira no CSA. Peu chegou ao “Mengo” justamente no maior ano da história da equipe da Gávea, 1981. Coube a ele substituir o maior nome rubro negro de todos os tempos, Zico, que defendia a seleção brasileira durante as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1982, durante o começo do campeonato brasileiro daquele ano. Estreou em 28 de janeiro na vitória por 2 a 0 frente ao Sampaio Corrêa no Maracanã. Com o retorno do Galinho, passou a ser utilizado como opção na linha de ataque. Embora não tenha se firmado como titular, o ano foi muito promissor para o atacante que conquistou a Taça Guanabara, o Campeonato Carioca, a Taça Libertadores e o Mundial Interclubes. Além de sua habilidade, outra característica marcante em Peu era a sua ingenuidade, o que, somado com sua gagueira, o fazia ser a vitima preferida das brincadeiras de seus colegas de time. Durante a viagem de avião entre Los Angeles e Tóquio, onde o Flamengo decidiria a final do Mundial contra o Liverpool, Zico e Junior se dirigiram a ele e apresentaram um documento onde estavam listados todos os nomes dos atletas que possuíam bigode. Alertaram Peu, que em sua foto no passaporte ele estava sem bigode, e que pelo fato do seu nome não estar no documento, ele teria problemas para entrar no Japão. O atacante se desesperou pela possibilidade de ser mandado de volta ao Brasil. Minutos depois, coube ao comandante do voo continuar com a brincadeira o chamando pelo alto falante: “Jogador Peu, por favor, se dirija a cabine de comando” Chegando lá, o comandante o alertou do “problema” e lhe entregou um barbeador e um creme, para que retirasse o bigode. Agradecido, Peu se dirigiu ao toilette. Ao sair, se deparou com quase todos os seus amigos rubro-negros que não aguentavam de tanto rir. O ano de 1982 começou com mais uma conquista, a do campeonato brasileiro, com participação decisiva de Peu que após longo período sem atuar, ao substituir Nunes, marcou um dos gols da vitória rubro-negra por 2 a 1 frente ao Guarani, em partida, realizada no Maracanã, válida pelas semifinais da competição, em 11 de abril. Naquele mesmo jogo, no entanto, sofreu uma distensão muscular que o afastaria dos campos por um longo tempo. Seu retorno foi demorado e as oportunidades no time titular, no entanto, se tornaram cada vez mais raras. No começo de 1983, acabou envolvido em uma troca, por empréstimo pelo meio campista Lino, do Atlético Paranaense para a disputa do campeonato brasileiro daquele ano. Peu teve boas atuações na equipe do Furacão, comandada pelo Casal 20, Assis e Washington, que chegou as semifinais do campeonato brasileiro, sendo eliminada justamente pelo Flamengo. De volta a Gávea, com apenas 23 anos e muito mais experiente, a saída de Zico para a Udinese, em junho de 1983, talvez pudesse significar novas chances para Peu, no entanto, a instabilidade da equipe carioca acabou contribuindo para a sua saída, após a goleada de 6 a 2 sofrida frente ao Bangu em partida válida pelo campeonato carioca em 7 de setembro. Foram 59 partidas com a camisa rubro-negra e 11 gols marcados. Poucos dias depois, em 25 de setembro, já estrearia no Santa Cruz em um clássico frente ao Náutico, vencido pela equipe tricolor por 1 a 0. Peu conquistaria o titulo pernambucano daquele ano, na épica vitória por 6 a 5, em disputa por pênaltis, frente a equipe alvirrubra. Ficou pouco tempo no Arruda, e logo no começo de 1984 foi contratado pelo Nacional de Manaus para participar a Taça de Ouro, o campeonato brasileiro. A aventura no Amazonas foi ainda mais curta, e naquele ano, chegaria a Ribeirão Preto, mais precisamente no Botafogo. Acabou se firmando no clube e durante 4 temporadas foi titular da equipe na disputa dos campeonatos paulistas, atuando com grandes jogadores, tais como Raí, Marco Antonio Boiadeiro e Mario Sergio. Durante este período chegou a ir jogar no futebol mexicano, sendo campeão nacional pelo Monterrey em 1986. Passaria ainda pelo Cruzeiro, em 1989, e São José, em 1990, antes de voltar a atuar no futebol alagoano, primeiro pelo Comercial de Viçosa, e posteriormente, por quase três anos, onde tudo começou o CSA. Terminaria a carreira por lá, aos 34 anos, sendo campeão alagoano em 1994. Peu foi um jogador vencedor, que nasceu dentro do futebol, em uma família muito simples que sempre viveu do esporte, e que ganhou o mundo, literalmente, ao fazer parte de uma das maiores equipes da história do futebol mundial, sem que em momento algum, no entanto, chegasse a perder a sua ingenuidade e verdade.



 

 

O Maior Artilheiro Azulino, Alcino

Autor: José Renato - 11/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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Alcino Neves dos Santos nasceu em uma família pobre do subúrbio carioca em 24 de março de 1951. Desde muito pequeno seu grande sonho era jogar futebol e foi com muita alegria que recebeu a notícia que fora aprovado nos testes para jogar no Flamengo, que passou a lhe dar uma pequena ajuda financeira. Embora morasse longe, graças à ajuda de seu pai, conseguia pagar o transporte para treinar. A morte paterna caiu como uma bomba junto à família. Sem dinheiro para chegar a Gávea, Alcindo precisou abandonar o clube, quase na mesma época em que sua mão adoeceu. O desespero de precisar colocar dinheiro em casa e as más companhias acabaram por levá-lo a praticar um assalto a um motorista de taxi, com uma arma de brinquedo. Preso juntamente com o amigo, Damião, foi liberado enquanto o inquérito corria. Logo o futebol o daria nova chance, agora na equipe do Madureira. Após disputar a Taça Guanabara, logo na sua estreia em campeonato carioca em 28 de junho de 1970, marcou gol no empate por 1 gol frente ao São Cristovão. Atacante alto, 1,91m, ótimo cabeceador, apesar de pouca habilidade técnica, sabia se posicionar como poucos na grande área e tinha um raro poder de finalização. Boas atuações e gols durante sua primeira temporada voltaram a atrair a atenção de outra grande equipe, desta vez, o Fluminense. Os dirigentes da equipe do subúrbio acabaram dificultando as negociações com o tricolor e seu destino acabou sendo o Clube do Remo, do Pará. Polêmico, em uma de suas primeiras partidas pela equipe azulina, em 4 de abril de 1971, justamente na vitória por 2 a 0 em um clássico frente ao Paysandu, no estádio da Curuzu, depois de driblar toda a defesa adversária, sentou sob a bola e fez o chamado “gol de bunda”. Acabou expulso pelo árbitro, que achou o ato desrespeitoso com o adversário, mas ganhou de vez a moral da torcida remista. Pelo campeonato paraense daquele ano, teve atuações históricas, ainda que não viesse a conquistar o titulo estadual. Na final da competição frente ao rival Paysandu, em 13 de outubro, colocou o Remo em vantagem, com 2 gols. A 10 minutos do final da partida a equipe remista sofreu o empate, provocando uma prorrogação que acabou com vitória do Papão por 1 a 0. Ainda naquele ano, se recusou a viajar para Aracaju na primeira partida válida pelas semifinais do campeão brasileira da segunda divisão frente o Itabaiana em 5 de dezembro. No jogo de volta, foi colocado no banco de reservas pelo técnico François Thym. Após 0 a 0 no primeiro tempo, acabou entrando após o intervalo, e embora não tenha feito gol, incendiou o jogo, sendo essencial na vitória por 2 a 0, gols de Robilota. A torcida invadiu o gramado e levantou o atacante gigante como herói, o levando às lágrimas. Aquela equipe do Remo seria vice-campeã da competição ao perder as finais para a equipe mineira do Villa Nova de Nova Lima. Irreverente e admirador da noite, Dadinho passou a aprontar fora de campo. No Mosqueiro, onde o Remo costumava concentrar para grandes partidas, tinha como hábito desfilar nu em cima do seu opala envenenado. Em dezembro de 1973, titularíssimo da equipe azulina, os jornais do Pará estamparam em suas manchetes que o inquérito do assalto cometido no passado houvera sido concluído com a sua condenação a cinco anos e quatro meses. Os dirigentes remistas chegaram a escondê-lo para evitar sua prisão, enquanto os advogados do clube conseguiram livra-lo da condenação por conta dele estar plenamente recuperado e feito um crime quando ainda era menor de idade. Dadinho se transformou no maior nome do futebol paraense nos anos de 1973, 1974 e 1975, sendo tricampeão estadual e artilheiro das três edições com 7, 12 e 21 gols respectivamente. No entanto, foram suas atuações no campeonato brasileiro que o fizerem ganhar notoriedade em todo o país. Na edição de 1974, em 10 de março, no empate por 2 gols frente ao Botafogo do Rio de Janeiro, ao ver a bola parar em uma poça d´água a poucos centímetros da linha do gol, não se furtou a se jogar de cabeça para marcar o gol e empatar a partida. Já no ano seguinte, em 25 de outubro, foi dele, de cabeça, o primeiro gol da vitória remista frente ao Flamengo de Zico, por 2 a 1, no primeiro triunfo de uma equipe paraense no estádio do Maracanã. Seus feitos o fizeram ser contratado pelo Grêmio em 1976. Com a camisa do Imortal Tricolor, conseguiu ser o artilheiro máximo do campeonato gaúcho, com 19 gols marcados, embora tivesse perdido o título do estadual para o Internacional. O frio intenso para quem estava acostumado a jogar nas altas temperaturas do Pará e a dificuldade em manter o peso, acabaram fazendo com que, logo após o campeonato brasileiro daquele ano, fosse negociado com a Portuguesa de São Paulo. Aos 26 anos de idade e pesando 97 quilos, sua estreia na Lusa foi promissora, em 27 de março de 1977, numa goleada por 3 a 0, com direito a um gol, frente ao São Paulo em partida realizada no Pacaembu e válida pelo campeonato paulista. Para a imprensa da época, enfim a Portuguesa teria um parceiro ideal para seu craque Eneias. A dificuldade em manter um bom preparo físico, no entanto, continuou sendo seu principal inimigo. Para piorar, em 21 de outubro de 1978, após marcar o gol da vitória da Portuguesa frente o Paulista de Jundiaí, por 1 a 0, correu para comemorar sambando junto a torcida. A euforia demonstrada pelo atacante chamou a atenção do médico da Federação Paulista de Futebol, Hélio Grillo, que resolveu chama-lo para fazer o exame antidoping ao final da partida. O resultado do exame foi positivo para o uso de um inibidor de apetite, receitado, segundo o atleta, pelo próprio médico da Portuguesa. Por conta disso, o clube correu riscos de perder os pontos ganhos na partida e preventivamente Alcino foi suspenso por 60 dias. Afastado do clube e sem treinar, acabou esquecido, sendo emprestado para a equipe do Atlético Goianiense que participaria do campeonato brasileiro de 1980. Embora continuasse marcando seus gols, não conseguia se manter na equipe por muito tempo. No segundo semestre daquele ano foi contratado pela Internacional de Limeira. Fez algumas boas partidas pela equipe do interior que chegou as semifinais do campeonato paulista de 1980. Ainda assim, no ano seguinte foi emprestado ao Bangu para disputar o campeonato brasileiro. Ao final da competição, de volta a Limeira, acabou sendo negociado com o grande rival do “seu” Clube do Remo, o Paysandu. Em 1981, aos 30 anos de idade, sua contratação agitou ainda mais a rivalidade entre os dois clubes, no entanto, em campo, estava claro que o fim da carreira estava próximo. Foram apenas 5 partidas pelo Papão, sendo 4 delas amistosas. Com apenas 1 gol marcado e mais um caso de indisciplina, foi afastado antes do término do campeonato paraense. Sua fama de artilheiro, no entanto, o fez ser contratado em 1982 pela equipe amazonense do Rio Negro. Vice-artilheiro da equipe com 8 gols e campeão do estadual, ainda chegou a disputar seu ultimo campeonato brasileiro em 1983. Logo estaria de volta ao futebol paraense, defendendo a pequena equipe do Pinheirense, onde encerraria a sua carreira. Alcino foi um retrato do jogador de origem simples, que em um momento de fraqueza se envolveu com o submundo do crime, ganhou do futebol a chance de se reerguer, mas que não teve equilíbrio para crescer com ele. Ainda assim, considerado o maior jogador da história do Clube do Remo, é admirado como ídolo por milhares de torcedores.



 

 

Paulo Cézar, o genial polêmico craque Caju

Autor: José Renato - 14/12/2015   Comentários 2 comentários

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Paulo Cézar Lima nasceu em 16 de junho de 1949 na favela da Cachoeira, em frente ao cemitério São João Batista no tradicional bairro carioca de Botafogo. Sua roda familiar incluía sua mãe, Dona Esmeralda, conterrânea do Rei Pelé, empregada doméstica, e sua irmã, mais velha, Célia Maria. Seu pai, marceneiro, morreu quando ele ainda tinha apenas um mês de nascido. O futebol surgiu em sua vida por meio dos jogos que costumava participar nas quadras do quartel da polícia militar e no campo do Botafogo, onde passou a atuar na equipe infantil, que ficavam perto da sua casa. Aos 11 anos foi convidado para jogar futebol de salão no Flamengo, onde ganhou o apelido de Pelezinho. No rubro negro, fez uma grande amizade com Fred, filho de Marinho Rodrigues de Oliveira, ex-jogador e técnico do Botafogo, o que mudaria de forma marcante seu futuro. A família de Fred praticamente o adotou, e tão logo Marinho foi convidado para treinar a seleção de Honduras, Paulo Cézar, com o consentimento da mãe, se mudou com a nova família para Tegucigalpa. Marinho logo assumiu o papel de pai adotivo e passou a exercer forte influencia em sua educação. Em meados de 1966, após passar por Colômbia e Peru, onde juntamente com Fred, foi convidado para se naturalizar, Paulo César voltou com a família para o Brasil. Levado por Marinho ao Flamengo, foi dispensado pelo técnico Flávio Costa. Na semana seguinte, no entanto, ganhou uma oportunidade no Botafogo do técnico Admildo Chirol. Logo no primeiro coletivo, em janeiro de 1967, teve atuação soberba, atuando pela equipe titular, deixando boquiaberta toda comissão técnica do time principal, e muito aborrecido o técnico do juvenil, Zagallo, que preferia contar com sua participação na equipe alvinegra que buscava o hexacampeonato da categoria. Foi necessária a intervenção de Gerson junto à diretoria para que Paulo Cézar fosse mantido na equipe principal. Jogando como ponta esquerda em um ataque formado também por Rogério, Roberto e Jairzinho, sua habilidade e rara visão de jogo, logo se tornaram imprescindíveis para o Botafogo. Em sua primeira competição oficial, a Taça Guanabara daquele ano, na partida final frente ao América, em 20 de agosto, marcou três gols, na vitória por 3 a 2, conquistada na prorrogação, após empate em 2 gols durante o tempo regulamentar. Em seguida voltou a ser campeão, desta vez do campeonato carioca, com o Botafogo que venceu 15 das 18 partidas que disputou. Ainda naquele ano estreou na seleção brasileira, em 19 de setembro, na vitória por 1 a 0 frente ao Chile, em partida amistosa, realizada em Santiago, que também marcou a estreia do Zagallo como técnico da seleção. Já o ano seguinte, de 1968, foi de afirmação para Paulo Cézar, que conquistou o bicampeonato da Taça Guanabara e do Campeonato Carioca, bem como a Taça Brasil, cujas finais aconteceram apenas em 4 de outubro de 1969. Sua presença passou a ser constante na seleção brasileira. Com apenas 20 anos de idade, foi convocado para a seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo de 1970. Era o décimo segundo jogador daquela equipe espetacular. Logo na estreia, em 3 de junho, na vitória por 4 a 1 frente a Tchecoslováquia, entrou no lugar de Gerson, que houvera se contundido. Titular nas vitórias frente a Inglaterra, 1 a 0, e Romênia, 3 a 2, também atuou na partida contra o Peru, 4 a 2. Campeão mundial continuou brilhando na equipe alvinegra, até que em 1971, se deixou fotografar com a faixa de campeão carioca antes do final da competição. A surpreendente queda de rendimento da equipe da Estrela Solitária e a ascensão do Fluminense, fez com que o titulo ficasse com a equipe das Laranjeiras e Paulo Cézar, embora tivesse sido artilheiro da competição com 11 gols, passasse a ser criticado pelos dirigentes alvinegros, sobretudo pelo presidente do clube, Altemar Dutra de Castilho que o culpou pela perda do titulo. Ainda disputou pelo Botafogo a primeira edição do campeonato brasileiro em 1971, quando a equipe chegou ao triangular final com o Atlético Mineiro, que foi o campeão, e o São Paulo, o vice. O clima pesado no Botafogo, o levou a mudar de ares e no começo de 1972 estava de volta ao Flamengo, desta vez como atleta profissional. Sua estreia com a camisa rubro negra aconteceu em 8 de janeiro, justamente frente ao antigo clube, seu time do coração, o Botafogo no empate por 1 a 1 em partida amistosa. Viveu um grande ano na Gávea, conquistando a Taça Guanabara e o Campeonato Carioca, no ano do Sesquicentenário da Independência. Além do sucesso em campo, Paulo Cézar costumava chamar a atenção por seu estilo de vida. Gostava de sair à noite, embora não bebesse e fumasse, e costumeiramente se apresentava com carros luxuosos e roupas bem extravagantes. Também não fugia de uma boa polemica, cobrando dirigentes e se posicionando sobre quaisquer assuntos. Além disso, passou a pintar o cabelo de caju, segundo ele apenas um efeito do sol carioca, o que fez com que passasse a ser conhecido como Paulo Cézar Caju. Já em 1973, conquistou novamente a Taça Guanabara e foi vice-campeão carioca, perdendo a final para o Fluminense em 22 de agosto por 4 a 2. Durante o campeonato brasileiro, no entanto, sofreu com a má campanha da equipe rubro negra, até que na derrota por 2 a 1 para o Grêmio, em 28 de outubro, no estádio do Maracanã, quase foi agredido pela torcida, que destruiu seu carro. Aborrecido, deixou acertada sua contratação pela equipe francesa do Olympique de Marseille, antes da Copa do Mundo de 1974, deixando sua apresentação oficial apenas após o termino da competição. Por conta disso, a imprensa alegou que Paulo Cézar tivesse evitado entrar em bolas divididas durante a Copa do Mundo disputada na Alemanha. O fato é que Paulo Cézar, com 25 anos, titularíssimo daquela seleção, atuou muito mal nos dois empates sem gols, contra Iugoslávia e Escócia, e perdeu a posição de titular. Deslocado para o meio campo, voltou à equipe na segunda fase, no entanto, ficou muito aquém daquilo que se esperava dele. Atuou no futebol francês, juntamente com Jairzinho, por pouco mais de um ano, sendo vice-campeão francês da temporada 1974/1975 e campeão da Copa do França em 1975. Ainda na França foi assistir a uma partida do Fluminense que disputava um torneio em Nice, quando acabou conhecendo o presidente tricolor Francisco Horta, que não perdeu a chance de convidá-lo para voltar ao Brasil e fazer parte da Máquina Tricolor, uma das maiores equipes da historia do clube, liderada por Rivellino. Com a camisa tricolor, foi bicampeão carioca, duas vezes semifinalista do campeonato brasileiro e voltou a ser convocado para a seleção brasileira que se preparava para as eliminatórias da Copa do Mundo de 1978. As confusões, no entanto, não foram deixadas de lado. Em 17 de setembro de 1976, a delegação carioca que estava na Paraíba para enfrentar o Treze, em partida válida pelo campeonato brasileiro, acabou se envolvendo em uma confusão com os torcedores paraibanos e no meio do tumulto, Paulo Cézar aplicou uma rasteira em um jovem. O atacante acabou sendo preso e passando a noite no II Batalhão de Polícia Militar, sendo posto em liberdade na manhã seguinte, após o pagamento de fiança. Embora estivesse muito bem nas Laranjeiras, no começo de 1977, Caju acabou sendo envolvido juntamente com Gil e Rodrigues Neto em uma troca pelo lateral esquerdo botafoguense Marinho Chagas. De volta ao time de seu coração, Paulo Cézar fez parte da equipe que alcançou a incrível marca de 52 jogos sem perder, uma das maiores invencibilidades da história do futebol brasileiro. Apesar disso, as conquistas não vieram e após brigar com o presidente Charles Borer, preferiu permanecer os últimos três meses de seu contrato sem atuar, nem receber, do que voltar a vestir a camisa alvinegra. Já seu sonho de disputar sua terceira Copa do Mundo acabou ainda nos vestiários da vitória brasileira por 1 a 0 frente a seleção peruana em 10 de julho de 1977, em partida realizada na cidade colombiana de Cali, que praticamente garantiu a vaga brasileira para a Copa da Argentina. Aproveitando a presença do presidente da CBD, atual CBF, o almirante Heleno Nunes, Paulo Cézar passou a reivindicar uma premiação maior aos jogadores. Ao ser ignorado pelo dirigente, se dirigiu a ele afirmando que ele deveria estar cuidando de seus navios e armas, pois de futebol não entendia nada. Oficialmente foi afastado por problema no joelho direito, mas de fato, jamais voltou a vestir a camisa da seleção brasileira. O ano de 1979 começou em um novo clube, o Grêmio de Porto Alegre, onde foi recepcionado de forma calorosa pelos torcedores gaúchos que lotaram o aeroporto em sua chegada as terras gaúchas. Em campo correspondeu com as expectativas, sendo campeão gaúcho com uma campanha espetacular, com 10 pontos a frente do rival Internacional que acabou na terceira colocação, atrás ainda do Esportivo de Bento Gonçalves. Aos 30 anos, embora os torcedores e dirigentes quisessem mantê-lo por lá, a saudade das praias cariocas acabou sendo maior, e ele acabou sendo envolvido em uma troca com o goleiro Leão, indo para o Vasco da Gama, o único grande carioca onde ainda não tinha atuado. Não foi bem na equipe da Cruz de Malta, muito embora tenha sido vice-campeão carioca de 1980. Durante sua estadia em São Januário, chegou a ser negociado como o Barcelona de Guayaquil, mas não aguentou mais de dois dias na Colômbia. Cansado de jogar futebol, resolveu passar férias, longe da bola, na França. No segundo semestre de 1981, aceitou o desafio de atuar no futebol paulista, cuja imprensa costumava criticá-lo de forma impiedosa. Contratado pelo Corinthians, estreou no clássico frente ao São Paulo em 25 de outubro, na derrota por 2 a 0. Atuaria apenas mais três vezes pela equipe paulista, sem grande destaque. No começo de 1982, recebeu a ligação de seu amigo Carlos Alberto Torres para atuar na equipe norte- americana do California Surf. Apenas passeou pelas terras de Tio Sam e logo estaria de volta à França, onde passou a atuar, a pedido de um amigo, em uma equipe da terceira divisão, o AS Aix. Tinha a certeza de que tinha parado de jogar futebol e seguiu por novos caminhos, não tão promissores, o das bebidas e das drogas, mais especificamente cocaína. Em julho de 1983, no entanto, recebeu a ligação de Antônio Verardi, supervisor do Grêmio, o convidando para disputar a final do Mundial Interclubes no final do ano frente à equipe alemã do Hamburgo. Ciente de seus problemas, os dirigentes gremistas prepararam Paulo Cézar para esta partida. Deu certo, em 11 de dezembro de 1983, a equipe gaúcha conquistou o Mundial ao vencer os alemães por 2 a 1, com dois gols de Renato Gaúcho. Esta foi sua ultima partida como profissional. Paulo Cézar Caju foi um jogador genial, um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro e que não deixou de aproveitar a vida da forma que quis, ignorando as criticas e sempre deixando claro suas posições frente a dirigentes e jornalistas. O futebol de hoje sente muito a falta de jogadores como ele.



 

 

O recordista Marinho Macapá

Autor: José Renato - 07/12/2015   Comentários Nenhum comentário

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Marinho Carlos da Silva Santos nasceu na cidade da Macapá, capital do Amapá, em 16 de janeiro de 1955. Vivia com sua família, próximo a Curiaú, onde desde muito jovem passou a trabalhar em uma roça de mandioca, onde ao que tudo indica ganhou o preparo físico que sempre foi seu ponto forte. Tinha como lazer, participar das peladas nas praças do Laguinho, que eram organizadas pelos padres das paroquias locais. Nos campeonatos internos entre as equipes paroquiais, muitos jogadores locais eram revelados, dentre eles Marinho que logo foi convidado para fazer parte do Ameriquinha.

Aos 17 anos foi jogar nos juvenis do maior clube da cidade, o Esporte Clube Macapá, onde sonhara fazer parte da equipe principal. Sem muitas oportunidades, acabou indo para o América Manganês de Serra do Navio e em seguida já estava no Independente. Contratado pelo Santana Esporte Clube, para disputar o campeonato amapaense de 1976. Marinho foi um dos destaques da equipe que foi vice-campeã do Amapá ao empatar sem gols com o Ypiranga em 8 de dezembro daquele ano. Jogando como volante e considerado um marcador implacável, a imprensa passou a afirmar que “ele não cansava nunca”.

Passou pelo Fluminense de Santarém, onde ficou pouco tempo, e de onde saiu para defender o Guarani Atlético Clube, ajudando a equipe a conquistar seu primeiro título do campeonato amapaense em 1977. No ano seguinte, em 1978, de passagem por Manaus, o Guarani disputou uma partida amistosa com o Nacional, então campeão amazonense, que se preparava para disputar o campeonato brasileiro. Embora estivesse recheado de “medalhões” o Nacional não conseguiu sair de um empate por 1 gol, muito por conta da grande atuação de Marinho. Embora não tivesse muita habilidade, o que chamou a atenção do técnico amazonense Laerte Dória, foi a disposição demonstrada por Marinho, para quem não havia bola perdida.

Contratado juntamente com o seu companheiro Bolinha, Marinho chegou ao Nacional para disputar o campeonato amazonense de 1979, onde agregou ao seu nome, o do seu estado de origem, Macapá. A princípio viria apenas para ser reserva, no entanto, sua estreia na equipe aconteceu logo na primeira rodada da competição em 14 de abril substituindo o lateral titular, Soló, na goleada por 6 a 0 frente ao Sul América. De volta ao banco de reservas, conquistaria seu primeiro título amazonense naquele ano.

Já como titular, a partir de 1980, Marinho Macapá passou a impor uma rotina de títulos, inédita e jamais alcançada por qualquer jogador que atuou no futebol amazonense. Campeão pelo Nacional em 1980 e 1981 perdeu a chance de conquistar seu quarto titulo em 1982, por conta dos dirigentes nacionalinos terem impedido a equipe de ir enfrentar o rival Rio Negro, na partida decisiva marcada para o dia 25 de novembro. Seu bom futebol acabou chamando a atenção de equipes do nordeste, no caso de dois Américas, o de Natal e o do Ceará, onde atuou durante 1983. De volta ao Amazonas, em 19 de julho de 1984 teve a incrível experiência de atuar ao lado de Rivelino, convidado especial, Dario, em sua estreia na equipe, e Edu, no empate por 1 a 1, em partida amistosa disputada entre Nacional e Remo. Voltaria a ser campeão estadual em 1984, 1985 e 1986, neste ultimo, segundo palavras do próprio Marinho, na final mais emocionante que disputou na vitória por 1 a 0 frente ao rival Rio Negro, em 27 de agosto, com o estádio Vivaldo Lima completamente lotado.

Em 1987, foi surpreendido com o convite para atuar justamente no Rio Negro, onde embora não tenha conseguido se firmar como titular foi campeão estadual em 1987 e 1988, na verdade pentacampeão de forma consecutiva. De volta ao Nacional e novamente como titular seria vice-campeão estadual em 1989 e 1990 e as vésperas de completar 37 anos, foi campeão em 1991. Continuou como titular do Nacional até 1994, conquistando seu ultimo titulo amazonense, em 1995, com mais de 40 anos de idade. Ao longo de sua carreira, foram 11 títulos estaduais, 1 no Amapá e 10 no Amazonas, sendo o jogador com o maior número de conquistas na história do futebol amazonense.

Marinho Macapá foi um jogador de exceção, vindo de um estado com pouquíssima representatividade no futebol brasileiro, que se tornou quase que um selo de garantia para as equipes que almejavam o título no estado em que escolheu para fazer sua carreira.



 

 

O anjo negro, Eneas

Autor: José Renato - 30/11/2015   Comentários Nenhum comentário

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Eneas de Camargo nasceu no bairro do Jaçanã, na cidade de São Paulo, em 18 de março de 1954. Filho de Arnaldo de Camargo e Enedina Gomes de Camargo, assim como os irmãos, Edir, Ednilson, Elias e Edméia, recebeu um nome bíblico, no caso de um paralítico que houvera sido curado pelo apostolo Pedro, São Pedro. Quando a família se mudou para morar no Canindé, o menino de ainda 11 anos passou a frequentar a Portuguesa, onde logo começou a fazer parte da equipe de futebol de salão. Atuando como pivô, ao ser vice-campeão metropolitano em 1966, chamou a atenção do técnico da equipe juvenil e ex-atleta da Lusa, Nena, e passou para o futebol de campo. Aos 16 anos, em jogo treino contra a equipe titular, marcou dois gols, na vitória de 3 a 1 dos juvenis, passando a ser tratado como o “Pelezinho do Canindé”. Ainda amador, estreou na seleção brasileira olímpica em 1971, durante o Torneio Pré-Olímpico de Cali, na Colômbia, juntamente com outros dois estreantes que fizeram história no futebol brasileiro, Zico e Falcão. O título foi conquistado de forma invicta, com Éneas marcando gol na partida final frente o Peru, no dia 11 de dezembro. No ano seguinte, em 1972, assinaria seu primeiro contrato como profissional para atuar na Portuguesa do técnico Cilinho. Muito habilidoso e com o dom de dar dribles curtos, começou atuando no meio campo, com a função de armar e ajudar na marcação, o que para o técnico Oto Glória, recém-chegado a Portuguesa em 1973, era um grande desperdício, tamanha sua facilidade de chegar à área adversária. Acabou deslocado para atuar mais próximo ao ataque, e como ponta de lança, passou a ser o grande nome da equipe do Canindé, se tornando um dos grandes artilheiros do time. Após ser campeão da Taça São Paulo de 1973, competição promovida pela Federação Paulista de Futebol durante os 45 dias da excursão da seleção brasileira pela África e Europa, marcando gol na goleada por 3 a 0 frente o Palmeiras no dia 1° de julho, foi a grande revelação do campeonato paulista daquele ano, quando a sua Lusa dividiu o título estadual com o Santos de seu ídolo Pelé, em controversa final realizada em 26 de agosto. Servindo o Exército no 2° Batalhão de Guardas, no bairro do Cambuci, precisava ficar no quartel todos os dias entre às 6:00 e 14:00, o que fez com que desfalcasse a Portuguesa durante algumas partidas do campeonato brasileiro daquele ano. Nos tempos de quartel, brincava que vivia alguns “apuros” por conta das vitórias da Portuguesa frente o Corinthians. Enquanto recebia elogios do Tenente Fernandes, palmeirense, era colocado na cadeia pelo Tenente Landini, alvinegro. Se algumas equipes já tinham demonstrado interesse em sua contratação, sua primeira convocação para a seleção brasileira principal serviu para aumentar ainda mais este desejo por contar com seu futebol. Sua estreia com a camisa canarinha aconteceu no empate por 1 gol frente a seleção mexicana, em partida amistosa realizada no estádio do Maracanã, no dia 31 de março de 1974. Entrou durante a segunda etapa, no lugar de Mirandinha, mas não convenceu o técnico Zagallo que não o levou para a Copa Mundo da Alemanha. Suas atuações primorosas se revezavam com momentos de certa displicência, o que chegou a passar uma imagem de lento, em acusação injusta, similar a feita a outro fantástico jogador, Ademir da Guia. Ainda assim, o assédio continuava grande e os dirigentes da Lusa se mantinham irredutíveis na decisão de não vender seu principal jogador. No ano seguinte, em 1975, novamente levaria a Portuguesa as finais do campeonato paulista, desta vez frente ao São Paulo, que levou a melhor na decisão por pênaltis em partida realizada em 17 de agosto, após ser derrotado no tempo normal, por 1 a 0 com gol do próprio Enéas. Em 19 de fevereiro de 1976 comandou a Lusa em mais uma conquista, da Taça Governador do Estado de São Paulo, na goleada frente ao Guarani de Campinas por 4 a 0. Novamente convocado para a seleção, desta vez pelo técnico Osvaldo Brandão, foi titular nas partidas frente ao Paraguai, em 7 de abril de 1976, quando marcou o gol do empate de 1 a 1, e contra o Uruguai, no dia 28, na vitória por 2 a 1. Suas atuações, no entanto, não convenceram o experiente técnico, e Éneas não foi mais convocado. Continuou na Portuguesa, sempre sendo o principal nome da equipe enquanto esteve por lá, e mantido por dirigentes que não abriam mão de sua permanência no Canindé, o que sem duvida alguma prejudicou muito a sua carreira. Novamente destaque da equipe da Portuguesa que liderou todo o primeiro turno do campeonato paulista de 1980, acabou sendo contratado pela equipe italiana do Bologna, desfalcando a Lusa justamente nas finais do turno. Sua ultima partida com a camisa rubro verde aconteceu em 13 de julho de 1980 no empate por 1 a 1 frente a Internacional de Limeira. Ao todo atuou 376 vezes pela Portuguesa e marcou 179 gols, sendo o segundo maior artilheiro da historia do clube atrás apenas de Pinga, com 190 gols. Na Europa, o frio e a forte marcação do futebol italiano foram os grandes obstáculos para Éneas, que teve apenas lampejos de craque. Em 5 de outubro de 1980 teve uma atuação primorosa na vitória da equipe por 1 a 0 frente a grande Juventus, em plena cidade de Turim, que seria a campeã italiana da temporada de 1980/81, chegando a sofrer o pênalti que deu origem ao gol de seu time. Ainda assim, muito pouco diante de toda a expectativa gerada. Logo após sua primeira temporada, com 20 jogos disputados e 3 gols marcados, foi negociado com o Palmeiras. Seu retorno ao futebol brasileiro ganhou grande destaque, e foi considerada uma das maiores já realizadas até então. Sua estreia em 19 de agosto de 1981, na derrota por 2 a 1 frente ao Comercial de Ribeirão Preto em partida valida pelo campeonato paulista, no entanto, foi um sinal do que seria sua trajetória no alviverde. Atuando em uma equipe que sequer conseguiu uma vaga para o campeonato brasileiro de 1981 e 1982, uma vez que o campeonato estadual servia de classificação para a competição, e sofrendo com muitas contusões, sobretudo em seu joelho direito, Éneas foi apenas uma sombra do craque que despontara na Lusa. Ao final de 1983, após atritos com os técnicos Rubens Minelli e posteriormente com Carlos Alberto Silva, que assumira a equipe em 1984, acabou afastado da equipe por quase 8 meses. Deixou definitivamente o alviverde, após 93 partidas e 28 gols marcados, emprestado gratuitamente para atuar pelo XV de Piracicaba. Sua estreia na equipe do interior paulista foi promissora, na vitória por 2 a 1 frente o América de São José do Rio Preto, em 26 de agosto de 1984. Ledo engano. Em claro declínio técnico logo mudaria de ares. Passaria por Atlético Goianiense, Operário de Ponta Grossa e Juventude de Caxias do Sul, até, aos 32 anos, ser contratado pela Desportiva Ferroviária do Espirito Santo, para atuar nas partidas finais do campeonato capixaba de 1986. Em 6 jogos, marcou 6 gols, incluindo o decisivo da vitória por 2 a 1 frente ao Rio Branco, que valeu pelo titulo estadual em 25 de maio. Sua ultima equipe foi o Central Brasileira de Cotia em 1988. Éneas foi um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, dono de um talento raro e uma vítima de dirigentes que impediram seu crescimento profissional, em seu maior momento, sob a alegação do amor ao clube. Em outros tempos, sem a legislação vigente, em sua época, referente ao passe dos atletas junto aos clubes, teria sido, como atleta, muito mais do que foi.



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