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Blog Memória Futebol


Fala Galvão Bueno, fale muito e muito mais.

05/12/2016   Comentários 1 comentários

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Sim, ele fala muito.

Mas o que poderíamos esperar de uma pessoa que trabalha com comunicação?

Pois é.

Desde muito tempo costumeiramente fazia parte de uma maioria silenciosa que sempre entendeu ser ele o melhor de todos os narradores.

Isto mesmo, maioria.

Inegável que o fato de um profissional se manter, por mais de três décadas, como a grande voz de uma das maiores emissoras do mundo, já seria o suficiente para se comprovar sua excelência.

Ainda que uma insignificante minoria, mas muito ruidosa, costume propagar pontos de vista contrários, dos quais respeito, ainda que para isso use frases mal educadas, tais como “CalaBocaGalvão”, jamais entendi minimamente a razão por tal postura, por uma única questão, para mim, Galvão sempre foi muito f...

Particularmente, foi com a sua voz que meu time coquistou o primeiro título da Taça Libertadores, em 1992, em um raro momento quando esteve fora da Rede Globo.

Antes disso, foi com ele, que a Formula 1 nacional viveu seu melhor momento, com Nelson Piquet e Ayrton Senna. “Como assim?” podem perguntar alguns, usando como argumento o fato dele não estar dirigindo os carros de nossos campeões mundiais. Pois é, com Galvão narrando, “na ponta dos dedos”, sempre me senti pilotando cada um deles. Certamente por isso, todos fomos tão campeões nestas conquistas.

Na verdade, serão quase infinitos os exemplos de eventos esportivos que se tornaram maiores por conta de sua narração. Ou alguém realmente acha emocionante quando dois lutadores ensanguentados ficam trocando sopapos em uma briga de rua chamada de forma rebuscada por MMA? Pois até mesmo estas lutas se tornam um show sob sua narração.

Cabe aqui o mais singelo respeito a todos os demais narradores brasileiros, uma área em que o nosso país tem um dos terrenos mais ferteis, o que torna descabível a citação de nomes, uma vez que certamente haveria a injustiça na falta de algum, no entanto, entendo que Galvão esteja em um outro patamar, algo parecido quando fazemos comparações entre Pelé e os demais grandes jogadores da história do futebol mundial.

Desde as primeiras horas do fatídico acidente do avião da Chapecoense, na madrugada de segunda para terça feira da semana passada, passando por sua presença no jornal matutino da Rede Globo, bem como ao longo de toda programação, culminando na narração de um velório, algo por mais de inacreditável, tamanha foi a emoção que claramente o invadia, assim como a todos, e finalizando em uma narração do suposto título da Copa Sul Americana ao final do programa Fantástico, no último domingo, o que se viu foi o ápice da performance de um narrador, tamanho foi seu envolvimento pessoal apenas menor que a excelência demonstrada.

Sem medo de errar, assim como o mundo costuma usar a ‘palavra’ Pelé, como forma de elogiar um profissional que se sobressai em sua profissão, creio que seja factível que mais que nunca a ‘palavra’ Galvão Bueno tenha o mesmo significado.

Fala, para sempre, Galvão, que orgulho ser seu contemporâneo.


 

 

O maravilhoso Cisco Kid, Mário Sérgio

Autor: José Renato - 30/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu em 7 de setembro de 1950 na cidade do Rio de Janeiro. De família muito humilde foi criado no bairro das Laranjeiras, próximo ao Fluminense, clube do qual seu pai era sócio, e onde jogou futebol de salão por cerca de sete anos. Eram tempos dificeis e embora tenha se destacado, a necessidade de colocar dinheiro em casa o fez largar as quadras em troca do trabalho em uma empresa de processamento de dados.

O amor pelo futebol, no entanto, era maior, e em 1969, foi levado para fazer testes no Flamengo, que logo o contratou. Sua grande habilidade de driblar chegou a ser motivo de preocupação para a comissão técnica rubro negra, sobretudo do técnico Yustrich, que achava que ele segurava muito a bola, em outras palavras, ‘um fominha’. Dono de uma personalidade forte, Mário Sérgio também não perdia a oportunidade de mostrar, fora de campo, como ele era. Aproveitava, como poucos, a vida, sempre com seus cabelos longos e roupas muito coloridas. Isso não passou em vão para Yustrich. Autoritário, o técnico não demorou a bater de frente com ele, e não perdia a chance de chamá-lo de boneca. Mário Sérgio também não deixava por menos e costumava aprontar das suas com o técnico. Depois de muitas brigas, no entanto, Yustrich levou a melhor, ao convencer a diretoria da equipe carioca para que cedesse Mário Sérgio ao Vitória da Bahia.

Em um tempo quando o futebol brasileiro era, mais que nunca, concentrado no eixo Rio-São Paulo, Mário Sérgio surpreendeu a todos ganhando destaque nacional ao defender as cores do rubro negro baiano. Campeão estadual em 1972, ganhou a Bola de Prata, premiação promovida pela Revista Placar, como melhor de sua posição nos campeonatos brasileiros de 1973 e 1974. Suas grandes atuações levaram Francisco Horta, presidente do Fluminense, a trazê-lo de volta ao Rio, mais precisamente para atuar na “ A Máquina”, como ficou conhecida uma das maiores equipes da história do clube. De volta onde tudo começou para ele, ganhou um novo apelido, Vesgo, por conta do hábito de “olhar para um lado e tocar a bola para o outro”. Ainda que tenha sido campeão carioca em 1975, em um time cheio de craques, não costumava aceitar ser sacado do clube, o que sempre foi um grande problema. Acabou sendo cedido ao Botafogo.

Entre os anos de 1976 e 1979 fez parte do time do camburão, apelido dado pelo jornalista botafoguense Roberto Porto, por conta da presença de jogadores polêmicos, todos com a ‘chave da cadeia’, como o próprio Mário Sérgio, Dé, Paulo César Lima, Renê, Perivaldo e tantos outros. No meio de tantos amigos, sobrou pouco tempo para jogar bola e não brilhou de forma tão intensa com a camisa do alvinegro da Estrela Solitária. Foi para o Rosário Central da Argentina, onde foi sozinho, sem a esposa, que acabara de começar seus estudos na faculdade, o que fez sua estadia em terras portenhas ser muito breve, apesar de cheia de atos de indisciplina. Ficou por muito pouco tempo, apenas 4 meses, e logo voltou ao Brasil, a pedido de Paulo Roberto Falcão, para atuar no Internacional. Aliás, para o Rei de Roma, Mário Sérgio foi o jogador mais técnico com quem jogou.

No Colorado, comandado pelo técnico Enio Andrade, Mário Sérgio renasceu. Foi um dos grandes responsáveis pela conquista do único título brasileiro invicto, em 1979. Atacante inteligente, com habilidade única para atuar no meio campo e colocar o bola onde queria, voltou a ganhar a Bola de Prata em 1980 e 1981, o que proporcionou sua contratação pelo São Paulo, outra equipe que tinha como apelido, “A Máquina”. Chegou no Morumbi e conseguiu o que seria improvável, ganhar a posição de um dos maiores atacantes do clube, Zé Sérgio, até então titular da seleção brasileira do técnico Telê Santana.

No tricolor paulista, foi um do grandes nomes da equipe campeã paulista daquele ano. Cracaço de bola em campo, temperamental fora dele. Na final do segundo turno do campeonato paulista, na partida frente ao São José, no Vale do Paraíba, após a torcida local cercar o onibus da equipe, ele abriu a janela e sacou alguns tiros para cima. Dispersão desfeita, a delegação tricolor pode sair das cercanias do estádio Martins Pereira. O episódio fez com que o jornalista Silvio Luiz o desse o apelido de ‘Cisco Kid’. Seu bom futebol o levou a vestir a camisa canarinha. No entanto, sua fama de indisciplinado, fez com que Telê não o levasse para a Copa do Mundo de 1982. No Morumbi também teve atritos com José Poy e foi cedido a Ponte Preta.

Após um curto período na equipe campineira, a pedido do técnico Valdir Espinosa foi contratado pelo Grêmio para atuar na final do Mundial Interclubes de 1983. Foi o cérebro daquela equipe que conquistou o título mundial diante a equipe alemã do Hamburgo, com uma épica vitória por 2 a 1, com gols de Renato Gaúcho. Logo no ano seguinte estaria de volta ao Beira Rio para defender o Internacional. Desta vez ficou por pouco tempo e ainda naquele ano foi contratado pelo Palmeiras, onde viveu uma grande fase. Jogou demais com a camisa alviverde e foi o grande comandante da equipe que liderou boa parte do campeonato paulista daquele ano. Voltou, até mesmo, a ser, novamente, convocado para a seleção brasileira. Tudo ia muito bem, até que acabou sendo pego no exame anti-doping no clássico diante o São Paulo em 9 de setembro de 1984. Suspenso, o fato também afetou a performance do Palmeiras, que perdeu fôlego na competição. Deixou o Parque Antarctica em 1985.

Passou pelo Botafogo de Ribeirão Preto e pela equipe suíça do Bellinzona, até chegar ao tricolor da Boa Terra, o Bahia, em 1987. Se despediu do futebol no meio de muita polêmica, algo tão natural para ele. No dia 4 de outubro, no intervalo da partida diante o Goiás, válida pelo campeonato brasileiro, entrou no vestiário, trocou de roupa e disse que encerraria ali sua carreira. Anos depois, já com a camisa da seleção brasileira de Master, mostrou que poderia ter desfilado seu talento pelos gramados ainda por muito tempo.

Mário Sérgio foi um jogador brilhante, um dos maiores do seu tempo. Espetacular como atacante e meio campista. Dono de seus pensamentos e de suas palavras, o que, certamente impediu que muitos técnicos soubessem utilizar o seu melhor.   



 

 

O Tiziu, Paulo Isidoro

22/11/2016   Comentários Nenhum comentário

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Paulo Isidoro de Jesus nasceu em 3 de julho de 1953 na cidade mineira de Matosinhos. O menino de origem humilde começou no futebol com apenas 9 anos na equipe infantil do Cruzeirinho. Ao se mudar com a família para Belo Horizonte passou a atuar no Ideal, clube amador do Bairro das Graças. Atuando no meio campo, acabou chamando a atenção do massagista do Atlético Mineiro, Irineu, que o convidou para fazer um teste no clube que tinha como técnico da equipe principal Barbatana.

Dono de um preparo físico invejável, com muita disciplina tática e com perfeição no passe, Paulo Isidoro se destacou, por ser um ótimo “garçom”, pois servia bem aos atacantes, e acabou ganhando uma vaga nos juvenis do Galo. Foi neste tempo que ganhou o apelido de “tiziu”, nome de um pássaro preto e arredio.

Em 1974, com 21 anos, sem chances na equipe titular, passou a ser considerado como “moeda de troca” para ser utilizada em outras contratações no clube. Naquele tempo, o Atlético mantinha uma parceria com o Nacional de Manaus, para onde mandava atletas que não costumavam ser utilizados na equipe principal em troca de colocá-los para atuar. Desta forma, poderia chamar atenção de prováveis interessados em contratá-los. Sua estreia no clube amazonense aconteceu em 29 de setembro de 1974 na goleada por 3 a 0 frente ao Fast em partida válida pelo campeonato amazonense. Embora tenha começado na reserva, entrou no lugar de Bibi, filho do campeão mundial Didi, e marcou um dos gols da vitória nacionalina. Campeão amazonense daquele ano, suas atuações, ainda que boas, não chegaram a empolgar e tão logo o campeonato acabou, ele voltou ao Atlético.

Ainda reserva precisou esperar mais algum tempo para ter uma chance na equipe principal. Ela veio com a convocação do titular, Marcelo Oliveira, para a seleção brasileira que disputaria os Jogos Pan-americanos da Cidade do México, por decisão do técnico Telê Santana que identificou qualidades únicas naquele incansável meio campista que segundo ele, sabia, como poucos, sair com a bola dominada de forma rápida. Seu estilo de jogo se adaptou com perfeição ao do centroavante Reinaldo e não saiu mais do time. O bicampeonato mineiro em 1975 e 1976 acabou por lhe render a primeira convocação para a seleção brasileira pelas mãos do técnico Osvaldo Brandão, para disputar partida amistosa frente um combinado formado por atletas do Flamengo e Fluminense, em 31 de janeiro de 1977 e que acabou empatado por 1 a 1.

As expectativas eram muito boas para aquele ano, uma vez que passou a ser figura constante na seleção que se preparava para a Copa do Mundo de 1978 e, além disso, era um dos destaques do Atlético Mineiro que fazia uma campanha impecável no campeonato brasileiro daquele ano. Tudo ia muito bem, até que acabou barrado, pelo técnico Barbatana, que voltara ao Galo, da equipe titular justamente nas partidas decisivas da competição nacional, realizadas já no começo de 1978. Para Barbatana, Marcelo era o titular e ele, o reserva. A perda do titulo para o São Paulo foi surpreendente assim como o esquecimento do técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, que não o levou para a Copa da Argentina.

Novamente campeão mineiro em 1978, foi negociado com o Grêmio em 1979, em uma troca pelo ponta-esquerda Eder. Atuando no tricolor gaúcho, Paulo Isidoro se tornou em um elemento indispensável para a equipe, uma referência que acabou por provocar seu retorno a seleção brasileira, comandada por um velho conhecido Telê Santana.  Bicampeonato gaúcho de 1979 e 1980, Paulo Isidoro teve participação decisiva na conquista do primeiro titulo nacional dos gremistas, o campeonato brasileiro de 1981, ao marcar os dois gols da vitória de virada, por 2 a 1, frente ao São Paulo na primeira partidas das finais, realizada no estádio Olímpico em 30 de abril de 1981. Além disso, ganhou a Bola de Ouro, prêmio promovido pela revista Placar, como o melhor jogador da competição.

Presença obrigatória em todas as convocações da seleção de Telê passou a ser o décimo segundo jogador, aquele que entrava em todas as partidas. Com a expulsão de Toninho Cerezo, na partida, válida pelas eliminatórias, frente à Bolívia, em 22 de fevereiro de 1981, e sua suspensão para a partida de estreia na Copa do Mundo de 1982, contra a União Soviética, tudo indicava que ele seria o titular. Apesar de contar com sua confiança, Telê preferiu improvisar Dirceu numa posição em que jamais o escalara antes. Ao final do primeiro tempo, Paulo Isidoro entrou no lugar de Dirceu, que a partir daquele momento não voltou mais a equipe, e foi um dos responsaveis pela vitória brasileira de virada por 2 a 1. O meio campista continuou como reserva na competição, mas sempre entrando no decorrer das partidas, o que só não aconteceu na vitória frente a Argentina por 3 a 1. Foi um dos poucos atletas poupados de críticas por conta da prematura e trágica eliminação frente a Itália. Também foi um dos poucos a continuar a ser convocado imediatamente depois dela, já sob o comando de Carlos Alberto Parreira em 1983. Ao todo atuou 41 jogos com a camisa da seleção brasileira, sofrendo apenas duas derrotas.

Nesta época foi contratado pelo Santos, onde continuou a surpreender a todos sobretudo por demonstrar uma incrível vitalidade para um atleta que já chegara aos 30 anos, algo considerado muito raro naquela época. Sempre atuando de forma cerebral e praticamente sem errar passe, foi o escolhido o melhor meio-campista do campeonato brasileiro de 1983, e peça importante para o vice-campeonato brasileiro conquistado pela equipe alvinegra, bem como pelo titulo paulista de 1984, que deu fim a um incomodo tabu de 6 anos, em uma momento inesquecível para a sua carreira, por conta da morte do pai, na véspera da partida vencida por 1 a 0 frente o Corinthians em 2 de dezembro de 1984. É de arrepiar a cena da comemoração do gol de Serginho, com Paulo Isidoro desabando em campo com as mãos erguidas para o céu.

Ainda voltaria ao Galo no ano seguinte, para ser bicampeão mineiro em 1985 e 1986. Ao final da temporada de 1987, se despediria de vez do clube onde tudo começou, para atuar no Guarani de Campinas, onde continuaria com os holofotes virados em sua direção. Aos 35 anos de idade foi um dos destaques da equipe bugrina que chegou ao vice-campeonato paulista de 1988. Quase que interminável ainda atuaria no XV de Jaú, Cruzeiro e Internacional de Limeira, onde encerrou a carreira já com 39 anos.

Paulo Isidoro foi um profissional exemplar cuja longevidade de uma carreira vitoriosa serve para comprovar o atleta único que foi, um trabalhador incansável em campo e um dos grandes nomes da historia do futebol brasileiro. 



 

 

Ali, o Pelé do Boxe, já Pelé...

13/06/2016   Comentários Nenhum comentário

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Jamais vi Pelé em campo, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira. Jamais vi Muhammad Ali no ringue, a não ser em vídeos após o fim de sua carreira. Ouvi nos últimos dias alguém afirmar que Ali foi maior que Pelé. Um equívoco pleno. Primeiro que para exaltar alguém, e Ali é merecedor das melhores palavras, não cabe fazer comparações a outrem. Ainda mais quando há, entre os envolvidos na comparação, um morto. A morte tende a atribuir qualidades de valor incomensurável. Quanto a Pelé... A proximidade que temos ao Rei do futebol contribui para que tenhamos acesso a um sem número de fatos, que o torna mais mortal e menos divino. Ao resgatarmos tudo o que ele representou, e ainda representa, para os povos de todo mundo, sua história fora do campo, porque em campo é covardia, teríamos orgulho do simples fato de sermos contemporâneos a ele. O homem que parou guerras, sim, no plural. Quantas mortes foram evitadas. Ou na pior da hipótese, se é que é podemos atribuir a palavra pior quando falamos disso, quantas vidas foram prolongadas, por conta disso. O homem que, várias vezes, precisou voltar a campo, após ter sido substituído e/ou expulso, a pedido daqueles que estavam ali ‘só pra ti ver’. Que jamais recusou um autógrafo a qualquer ser. E que, talvez por isso, trate Pelé como uma ‘entidade’ fora do Edson, que certamente aceitaria o cansaço como um impeditivo para tal. O homem que enfrentou ditadores, sem que para isso, precisasse explicitamente atirar contra eles, suas armas, eram os pés, mas as decisões eram divinas. Ou será que Medici e Pinochet, para citar apenas dois deles, acataram de bom grado as decisões do Rei durante o auge da repressão militar brasileira e chilena? O homem que derrubou seus adversários no campo, sem que fosse necessário tirar uma única gota de sangue de nenhum deles, os nocauteando com gols. O ser humano que foi recebido por todos os maiores nomes do mundo, em todos os ramos da atividade, dos séculos XX e XXI, e cujo nome, na verdade, apelido, Pelé, se transformou em excelência, seja qual for a área de atuação, contribuiu, e muito para que Ali, pudesse, ser considerado, o Pelé do Boxe. E tenho dito.



 

 

Meu Querido Mestre

Autor: José Renato - 21/04/2016   Comentários Nenhum comentário

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Sou engenheiro e desenvolvi toda minha vida profissional alinhado com muito dos preceitos morais de minha família, que sempre valorizou muito fortemente a moral e, sobretudo a honestidade sobre todas as ações que deveria desenvolver. Desta forma pode parecer estranho identificar uma importância tão grande e um querer bem tão intenso com relação a alguma pessoa, com quem você nunca teve contato. No entanto, da mesma forma que houve uma enorme consternação popular, e até mundial, com relação ao nosso inesquecível Ayrton Senna e seu trágico desaparecimento em 1994, eu me sinto completamente abalado com a morte de Telê Santana. Mesmo sem saber sequer da minha existência, Telê exerceu forte influência em minha vida, apaixonado que sou por futebol desde os primeiros anos de minha vida, algo que trago principalmente do meu avô, Felipe, e do meu pai. Durante a Copa de 1982, aos 11 anos de idade, eu tinha Telê como aquele Anjo que traria “para mim” o título mundial, naquela época aquilo era tudo o que eu queria. A perda daquele título me fez chorar pela única vez por causa do futebol, o que bem lembro foi motivo de crítica de pessoas da minha própria família que não enxergavam importância alguma naquilo. Talvez eles tivessem razão, no entanto a única coisa que me consolou foi ouvir a voz de Telê após aquela derrota. Cerca de 10 anos depois, eu estava no Morumbi, nas semifinais da Taça Libertadores no jogo entre São Paulo e Barcelona, do Equador, quando aquela relação de cumplicidade com este solene desconhecido se aflorou novamente, no momento que um jogador chamado Rinaldo, que atravessava uma fraca fase técnica, fez um gol, depois de jogada ensaiada, e correu para agradecer Telê. O Morumbi não estava cheio, e aquela cena me chamou mais atenção que tudo, pois mostrava o quando aquele Senhor era querido como pessoa, em um meio tão discutível como era o futebol já desde aquela época. Obviamente que como são-paulino me recordo sempre de toda alegria que Telê ajudou a trazer a partir dos títulos conquistados pelo meu time, no entanto, assim como muitos deixaram de assistir as corridas de fórmula 1 após a morte de Senna, também deixei mesmo que instintivamente, a ir aos jogos do São Paulo , após seu afastamento em 1996. Claro que não deixei de ser são-paulino, no entanto parece que desde aquele momento todos nós torcedores tricolores ficamos meio órfãos. Lembro que naquela época Telê passou a ter uma coluna em um jornal aqui em São Paulo . Mais ou menos próximo do problema de saúde que teve, mandei um e-mail para ele, pedindo que só voltasse a trabalhar quando tivesse com sua saúde restabelecida. Possivelmente ele nunca recebeu esta minha mensagem, no entanto a minha torcida, mesmo que de longe e de um desconhecido, sempre foi para o seu bem estar, como uma humilde forma de agradecimento pelo que ele representou na formação de um desconhecido como eu. Hoje todos nós, torcedores brasileiros, também estamos órfãos.



 

 

O Campeão Mundial Tiquinho.

Autor: José Renato - 18/02/2016   Comentários Nenhum comentário

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Onofre Aluísio Batista nasceu no dia 7 de janeiro de 1959 na cidade do Rio de Janeiro. O pequeno menino que corria pelas ruas próximas a sua casa tinha cerca de 10 anos quando ingressou na categoria dente-de-leite do Botafogo. Com um pouco mais de um metro e meio e apenas trinta e seis quilos, era considerado por muitos, um “tiquinho de gente”, daí surgiu seu apelido Tiquinho. Atacante com pouca intimidade com a bola, que jogava pelo lado esquerdo, Tiquinho chamou atenção por ser muito rápido, o que fazia dele quase imbatível na corrida. Não era incomum que aparecesse sozinho tendo apenas o goleiro a sua frente. Com apenas 14 anos, em 11 de junho de 1973, marcou os dois gols da vitória do Botafogo, por 2 a 0 frente ao Dínamo de Kiev, na final do torneio mundial juvenil, realizada na cidade francesa de Croix. Ainda que não fosse uma competição oficial, por conta da participação de grandes equipes, dentre as quais Ajax, Benfica e Milan, sua conquista deu ares de ser um título mundial juvenil. Tiquinho passou a ser considerado como uma grande joia da equipe da estrela solitária. Em 1975, aos 16 anos, se profissionalizou. Ainda que não fosse titular do Botafogo, costumava atuar em partidas amistosas. No dia 9 de março, marcou o primeiro gol do estádio José Américo de Almeida Filho, o Almeidão, na capital paraibana, João Pessoa, na vitória por 2 a 0 frente ao Botafogo local. Em outubro foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira olímpica, comandada pelo genial Zizinho, que viria a conquistar a medalha de ouro nos jogos pan-americanos da cidade do México. Seu começo foi devastador, marcando gol logo na estreia, frente à seleção da Costa Rica, na vitória brasileira por 3 a 1, no dia 14. De volta ao Botafogo, estreou no campeonato brasileiro, com a equipe já eliminada, marcando um gol na vitória por 2 a 1 frente ao Guarani de Campinas, em 29 de novembro, e mais dois, no triunfo alvinegro por 2 a 0 contra o Nacional de Manaus no dia 4 de dezembro. O ano de 1976 começou de forma ainda mais promissora para o atacante que logo em janeiro voltou a ser convocado para a seleção olímpica que disputaria o Torneio Pré-Olímpico realizado em Recife. Tiquinho atuou em duas partidas, frente o Uruguai e Argentina, e foi, novamente, campeão. Ainda muito jovem chegou a ser testado na equipe titular, no entanto, a camisa alvinegra parecia pesar muito e por conta disso os dirigentes botafoguenses resolveram emprestá-lo ao Treze da Paraíba que iria disputar seu primeiro campeonato brasileiro naquele ano. Acreditava-se que aqueles poucos meses seriam o suficiente para que o futebol promissor do atacante voltasse a brilhar e ele pudesse assumir a posição de titular no ataque carioca. Ledo engano. Tiquinho chegou a ter dificuldades até mesmo para conseguir a titularidade na fraca equipe paraibana que, sob o comando do técnico Laerte Dória, fez uma campanha pífia, abaixo das expectativas, com sete derrotas consecutivas e a penúltima colocação na classificação geral de uma competição que contou com 54 equipes. De volta ao Botafogo, dono do seu passe, Tiquinho trazia consigo algo ainda pior que seu mau desempenho em campo. Havia muitas histórias de suas aventuras fora dele, que costumeiramente envolvia farras com mulheres e muita bebida. Os dirigentes botafoguenses acreditavam que o jovem atacante de 18 anos ainda poderia “voltar aos trilhos” e fazer um grande ano em 1977. Infelizmente não foi o que aconteceu, aliás, muito pelo contrário. Enquanto o Botafogo formou uma grande equipe que permaneceu invicta por 52 partidas, o futebol de Tiquinho parecia minguar. Para piorar, os problemas extracampo se intensificaram e tornaram quase que rotineiros. Quando não faltava aos treinos, chegava à sede do Botafogo em condições precárias, muito por conta da bebida. Após um ano de clara e surpreendente decadência, período em que vestiu a camisa alvinegra carioca em apenas 4 oportunidades, a diretoria do clube perdeu a paciência com o atleta, que acabou sendo transferido para o Ceará em 1978. Era muito difícil imaginar como um atleta tão jovem e vencedor já parecia estar em evidente decadência. Ainda que não tenha mostrado um futebol primoroso no Vozão, Tiquinho foi o protagonista de um fato que fez dele um dos maiores nomes da história do clube. No dia 20 de dezembro de 1978, no estádio do Castelão, foi dele o gol da vitória por 1 a 0 do Ceará frente ao arquirrival, Fortaleza, aos 45 minutos do segundo tempo e que garantiu, à equipe alvinegra, o tetracampeonato estadual. Até os dias atuais, a narração do gol, em que pese o bom posicionamento de Tiquinho na área, que se limitou a ser um chute fraco em direção do gol já vazio, costuma ser repetida a exaustão nos momentos que antecedem as partidas do Ceará. Inegável afirmar que Tiquinho seja um dos grandes ídolos da torcida alvinegra. Inconsequente em suas atitudes e sendo “goleado” pela bebida, este foi o seu grande e derradeiro momento na equipe cearense onde ficou até 1980. A partir daí começaria uma vida cigana, praticamente nômade, ficando pouco tempo nas equipes por onde passou, dentre elas, Remo, Fortaleza, novamente Ceará, até chegar ao futebol amazonense, onde voltou a ser campeão, em 1982, ao defender, novamente, as cores de uma equipe alvinegra, no caso o Rio Negro, em uma conquista importante que deu fim a uma sequência de seis títulos consecutivos do rival, o Nacional, onde também atuaria em 1985, após passar pouco tempo no Marília. Ao que parecia sua carreira encerrara no interior paulista. Em 1988, com 27 anos de idade, Tiquinho foi flagrado bêbado nas arquibancadas do estádio Carlos de Alencar Pinto, em Fortaleza, durante amistoso do Ceará. Exalando cheiro forte, repetia em alto e bom som para centenas de torcedores que tinha sido campeão mundial com 14 anos, algo que ninguém acreditava. No ano seguinte, voltou a ter uma chance no futebol defendendo o River do Piauí. Sua estreia aconteceu no clássico contra o Flamengo, o chamado Rivengo, no dia 14 de maio de 1989. Aos 30 minutos do primeiro tempo, mostrou que sua contratação tinha valido a pena, ao marcar o gol de empate de sua equipe. No intervalo da partida, no entanto, quando o técnico do River, o ex-meio-campista Caçapava o procurou para dar orientações, o encontrou já com roupa de passeio e o questionou: “Quem mandou você trocar de roupa?”. Tiquinho, sem titubear, respondeu: “Entrei e já marquei meu gol, o que o senhor quer mais?” e deixou o vestiário. O River acabou vencendo a partida por 2 a 1 e, posteriormente, conquistaria o titulo piauiense daquele ano, o terceiro título estadual de Tiquinho, que atuou apenas esta partida. Tiquinho é um triste exemplo de um talento que foi jogado fora por clara falta de acompanhamento de alguém que pudesse orientá-lo. Infelizmente acabou vencido por uma companheira que esteve ao seu lado durante toda a sua vida, a bebida.



 

 

Craque “di lá” ou Dicá.

Autor: José Renato - 01/02/2016   Comentários Nenhum comentário

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Oscar Sales Bueno Filho nasceu no dia 13 de julho de 1947 na cidade de Campinas. O filho mais velho de “Seo” Oscar, que “tocava” algumas pequenas obras da prefeitura da cidade, e da dona de casa Elvira passou toda a sua infância batendo bola na rua. Foi neste tempo que ganhou o apelido pelo qual passaria a ser conhecido no futebol. Certo dia, ele e um de seus irmãos, Walter, jogavam uma partida, quando um rapaz perguntou ao outro, qual deles era o Oscar, o “di lá” ou o “di cá”? Daí surgiu, Dicá. Há outra versão que ele seria sempre o escolhido para jogar no time “di cá” e não no “di lá”. Que possamos ficar com a versão que mais gostarmos. O começo no futebol foi defendendo as cores azul e branca do clube do bairro onde morava, o Santa Odila Futebol Clube, que tinha o pai, Oscar, como técnico, fato que acabaria por lhe causar problemas. Sua habilidade em dar dribles e fazer jogadas de efeito logo chamou a atenção de muitos que costumavam se acotovelar para vê-lo atuar, ainda que ele tivesse apenas 14 anos. Apesar disso, alguns dos meninos, com quem atuava, e, sobretudo, seus pais passaram a reclamar com “Seo” Oscar, pai de Dicá, que ele driblava demais. Preocupado em não passar a impressão de estar, indevidamente, o protegendo, não foram raras as vezes que o pai resolveu colocá-lo no banco de reservas. Retraído, o menino Dicá sempre acatava, sem reclamar, ainda que todos soubessem que ele era o melhor do time. Este tipo de comportamento acabaria por marcar a sua carreira. Certo dia, quando ainda dividia o seu tempo de bola, com os estudos e o trabalho em uma tapeçaria, ao saber que um dos olheiros da Ponte Preta fora observá-lo, atuou bem abaixo de sua capacidade, o que acabaria por atrasar um caminho que já estava traçado, o de ser jogador de futebol. Passaram pouco mais de dois anos e desta vez, além da Ponte Preta, seu maior rival, o Guarani também demonstrou interesse em contar com Dicá. A dúvida sobre o que seria melhor para ele foi resolvida por uma questão simples, o amor de seu pai à Ponte Preta. Desta forma, em 1965, com 17 anos, passou a fazer parte da equipe juvenil da Macaca. Sua estreia na equipe principal, comandada pelo técnico Sidney Cotrin, aconteceria em 27 de agosto de 1966, no empate em 2 gols frente ao Nacional, em partida realizada no estádio Nicolau Alayon, válida pelo campeonato paulista da primeira divisão, equivalente a atual A2 da competição e em muitos outros estados a segunda divisão. Seu primeiro gol como profissional aconteceu em 16 de outubro daquele ano, na goleada por 6 a 1 frente a Esportiva de Guaratinguetá, no estádio Moisés Lucarelli. Aliás, naquele dia, marcou duas vezes. Um pouco antes disso, no dia 27 de setembro, ainda como juvenil, foi campeão da Liga Campineira de Futebol, marcando 2 gols na goleada pontepretana de 6 a 1 frente a Mogiana. Com a chegada do técnico Cilinho em 1967, Dicá passou de vez a equipe principal e chegou a ser vice-artilheiro na temporada, por conta de outra qualidade onde era quase insuperável, a sua precisão nas cobranças de falta. Seu chute era sempre certeiro, exigindo muita atenção dos arqueiros adversários. Ainda que já fosse considerado um dos melhores meio-campistas do estado, foi em 1969, que Dicá teve seu primeiro grande ano, com a conquista do título paulista da divisão intermediária, o que valeu a Ponte Preta uma vaga para a divisão especial, com uma equipe que fez história com jogadores de grande qualidade, como os meio-campistas Roberto Pinto, sobrinho de Jair da Rosa Pinto e Teodoro, que depois se destacaria no São Paulo e do lateral esquerdo Nelsinho Baptista. O ano de 1970 seria ainda mais promissor. Inicialmente com o técnico Zé Duarte, com quem subirá de divisão, e posteriormente com Cilinho, que o substituiu após uma derrota para a Ferroviária por 5 a 0, sem a presença de Dicá, a Ponte Preta conquistou um incrível e surpreendente vice-campeonato, tendo o meio campista sido escolhido como a grande revelação da competição. Após quase ter sido negociado com o Corinthians, Dicá permaneceu na Ponte Preta, que ainda naquele ano se tornou a primeira equipe do interior do país a participar de uma competição de âmbito nacional, o Roberto Gomes Pedrosa, conhecido como Taça de Prata, que foi vencida pelo Fluminense. Após a disputa do campeonato paulista de 1971, Dicá foi emprestado ao Santos de Pelé, comandado pelo técnico Mauro Ramos de Oliveira, o capitão campeão mundial em 1962. Sua estreia, ao lado do Rei, aconteceu durante excursão a América do Norte, em 24 de julho, no empate por 1 gol frente a equipe mexicana do Monterrey. Participou de boa parte das partidas santistas no campeonato brasileiro, em sua primeira edição, ainda assim, sem ter empolgado tanto, os dirigentes santistas acabaram achando alto o valor do passe estipulado, na época Cr$ 500 mil (quinhentos mil cruzeiros). Seu caminho de volta para Campinas estava aberto e era o que ele mais desejava. De volta a Ponte Preta, onde continuou sendo o principal jogador da equipe, depois do campeonato paulista de 1972 Dicá foi novamente negociado, desta vez em definitivo, para a Portuguesa, clube que participaria do campeonato brasileiro e que vivia um grande momento, ainda mais pela inauguração oficial de seu estádio no Canindé, em 9 de janeiro daquele ano, em amistoso frente ao Benfica. Dicá chegou a equipe para ser titular e sua estreia aconteceu no dia 13 de setembro, na derrota por 1 a 0 para o Santa Cruz em partida realizada no Parque Antarctica. A derrota logo na estreia, ainda mais em São Paulo, caiu feito uma bomba no clube, cujo presidente, Dr. Oswaldo Teixeira Duarte, reunido com a diretoria, depois do jogo, decidiu dispensar vários de seus titulares em um episódio que entrou na história do clube como a Noite do Galo Bravo. Com uma equipe bem mais enfraquecida, a campanha da lusa foi pífia naquela competição e Dicá que fora contratado como a grande esperança da equipe, acabou sendo marcado por isso. Em 1973, o surgimento de Eneias na equipe do Canindé trouxe ótimos ventos para a Portuguesa, que comandada pelo técnico Oto Gloria, chegou a conquista, dividida com o Santos, do título paulista daquele ano. Ainda que tivesse atuado em algumas partidas, Dicá foi preterido por Oto Glória que sempre deixou clara a sua preferência pelo combativo Basílio ao cerebral Dicá que passou a ser figura frequente do banco de reservas. Não foram poucas as vezes que era chamado para entrar em campo apenas nos minutos finais. Ao que parecia o menino que aceitava de forma passiva o pai colocá-lo no banco de reservas no pequeno Santa Odila, continuava a acatar as ordens do técnico sem reclamar. Mesmo depois da saída de Oto Glória do clube, Dicá jamais voltou a ser aquele jogador que fora na Ponte Preta, ainda que em 1975, tenha recuperado a condição de titular e tenha sido importante para a equipe que chegou ao vice-campeonato estadual, ao perder o título na decisão por pênaltis frente ao São Paulo (naquele dia, Dicá perdeu a sua cobrança). Por conta disso, foi com uma alegria sem fim, que recebeu a notícia de seu pai, sobre o interesse da Ponte Preta em contratá-lo para a disputa do campeonato brasileiro de 1976, o seu primeiro defendendo a camisa da equipe campineira. Aos 29 anos, Dicá estava em casa novamente e com ela a alegria de voltar a jogar em alto nível. Em 1° de setembro de 1976, na primeira rodada da competição, lá estava ele como titular da Ponte Preta no empate por 1 a 1 frente ao Corinthians. A equipe de Campinas fez uma boa campanha e teve Dicá como um de seus grandes nomes. Mal sabia que 1977 seria ainda melhor. Com uma equipe fantástica, talvez a melhor de sua história, e novamente com um velho conhecido como técnico, Zé Duarte, a Macaca que contava com os promissores e futuros atletas titulares da seleção brasileira em Copa do Mundo, Carlos e Oscar, fez uma campanha maravilhosa, chegando ao seu segundo vice-campeonato estadual e tendo como melhor jogador, o mesmo que se destacara em seu primeiro vice, em 1970, Dicá. Coube a ele, na segunda partida das finais frente ao Corinthians, em 9 de outubro de 1977, no estádio do Morumbi, marcar o primeiro gol, uma falta batida com perfeição, da épica vitória pontepretana por 2 a 1, que levou a decisão do título para uma terceira partida, que viria a ser vencida pelo Corinthians, por 1 a 0, com o gol de Basilio, aquele mesmo que ganhara a posição de Dicá na Portuguesa. Não sairia mais da Ponte Preta onde sempre foi titular e principal atleta da equipe, enquanto atuou, que sob sua liderança voltaria a ser vice-campeonato paulista de 1979 e 1981, quando perdeu para o Corinthians e São Paulo, respectivamente e semifinalista do campeonato brasileiro de 1981, na melhor colocação da equipe campineira na competição. Sua despedida oficial aconteceu em 26 de janeiro de 1986, em partida amistosa realizada no estádio Moises Lucarelli frente à equipe suíça do Grasshoper. Naquele dia, a Ponte venceu a partida por 2 a 0, com um dos gols sendo marcado por Rivellino. Dicá, talvez tenha sido o maior batedor de cobranças de falta no seu tempo, também um dos jogadores mais habilidosos e que por um capricho do futebol conseguia mostrar o melhor do seu futebol sempre que atuava no time de seu coração, a Ponte Preta, onde é considerado o maior jogador de sua história e o maior artilheiro, com 154 gols marcados em 581 jogos oficiais. Se a Seleção Brasileira não teve Dicá, azar da Seleção.



 

 

Carlos Celso Cordeiro, o Senhor Futebol.

Autor: José Renato - 24/01/2016   Comentários Nenhum comentário

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“Um historiador preciso”. Esta, talvez, seja a forma como Carlos Celso Cordeiro, certamente, poderia se definir. Também é certo que sua humildade jamais o permitiria fazê-lo. Ouvi falar de seu nome, pela primeira vez, quando lançou uma série de três livros com todos os jogos disputados pelo Náutico. Um trabalho de folego, “coisa de louco” para alguns, que se destaca pela exatidão de uma pesquisa inimaginável. Engenheiro, Administrador e Torcedor do Timbu, não necessariamente nesta ordem, Carlos Celso não parou por aí. Seu trabalho, incansável, gerou novas publicações, com levantamentos históricos sobre todo o campeonato pernambucano, Sport e Santa Cruz. Um Historiador com H maiúsculo que dignificou como pouquíssimos fazem, com trabalhos totalmente isentos. Impossível achar qualquer rastro de ser torcedor do Náutico em seus trabalhos sobre os rivais. Por conta disso, é muito possível afirmar que ele seja o maior historiador dos três grandes times de seu estado, bem como do futebol pernambucano. Na verdade, por ser autor com maior número de livros publicados sobre futebol no país, é certo afirmar que ele seja o maior historiador de futebol do país. Sim, pois é intrínseco a qualquer historiador, algo que ele tinha como regra tácita: compartilhar. Carlos Celso é a maior das exceções. Mas há algo muito maior nele que o futebol, sua bondade. Quando tive a felicidade de conhecê-lo, ele me levou a sua casa e compartilhou de sua intimidade com aquele, que até então, era “apenas” um admirador de seu trabalho. Encontrá-lo era sempre uma alegria. Poucos encontros, porém, sempre duradouros em minha mente. Na ultima vez que o encontrei em Recife, combinamos de marcar uma tarde juntos. E o local escolhido não poderia ser o mais apropriado, o estádio dos Aflitos, o campo do seu Náutico. Aliás, do nosso Náutico, de tantos outros amigos queridos, Lucídio, Lenivaldo, Roberto Vieira... Carlos Celso foi chamado para o andar de cima neste domingo, dia 24 de janeiro.



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