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Blog Memória Futebol


O Cigano Claudio Adão

Autor: José Renato - 12/10/2015   Comentários Nenhum comentário

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Claudio Adalberto Adão nasceu em 2 de julho de 1955 na cidade de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. Nunca teve gosto pelos estudos e, aos 13 anos, os abandonou de vez para ir morar com a tia na cidade de Santos. O inicio no futebol aconteceu em Cubatão, cidade vizinha, ainda com 15 anos, jogando pela equipe amadora do Unidos do Parque Fernando Jorge. De lá saiu para atuar pelos juvenis da Portuguesa Santista. Em partida contra o Santos, marcou 2 gols e foi levado para a Vila Belmiro em 1972. Inicialmente como meio campista, por sugestão de Pelé, seu companheiro de time, passou a ser atacante, chegando a marcar por volta de 80 gols pelas equipes de base. Campeão paulista em 1973 foi imediato o surgimento de comparações com o Rei, sobretudo após o maior de todos os tempos se despedir da equipe alvinegra em 1974. Adão passou a ser um dos grandes nomes de uma equipe que ainda sofria da ausência Dele. Com 20 anos foi convocado para a seleção olímpica que conquistou os Jogos Pan Americanos de 1975 e o Torneio Pré-Olímpico de 1976. Possui uma media incrível de 14 gols marcados em 12 jogos disputados com a camisa amarelinha. Sua história no Santos e na Seleção, no entanto, acabaria em 2 de maio de 1976, em partida válida pelo campeonato paulista em São José do Rio Preto frente o América. Após uma dividida com o goleiro Luís Antonio, fraturou a tíbia e o perônio. A recuperação foi demorada e já em 1977 quando estava em tratamento na Escola de Educação Física do Exército no Rio de Janeiro, surgiu o interesse do Flamengo, cujo técnico era o militar Claudio Coutinho, em contratá-lo. Sua estreia no rubro negro aconteceu em um clássico frente o Fluminense, derrota por 2 a 1, em partida amistosa, quando entrou no lugar do meio campista Tita. Na verdade, talvez seja possível considerar que sua verdadeira estreia tenha acontecido, poucos dias depois, em 31 de julho, quando formou com Zico a dupla de ataque na partida, válida pelo campeonato carioca, frente a Portuguesa Carioca. Juntos, a dupla marcou 2 gols, um cada, da vitória por 4 a 0. Era apenas o começo de uma parceria que fez história do Flamengo. Foi tricampeão carioca com o Mengo nos anos de 1978 e 1979, quando houve dois campeonatos, sendo artilheiro da competição em 1978, com 19 gols ao lado de Zico e Roberto Dinamite e vice-artilheiro da edição especial de 1979 com 19 gols novamente. Problemas com a diretoria rubro-negra acabaram o levando, em 1980, a defender o Botafogo do Rio, durante o campeonato brasileiro daquele ano. Logo surgiu o interesse do futebol europeu e Adão se mandou para jogar no Áustria Viena. Ainda naquele ano, voltou ao futebol brasileiro, para atuar no Fluminense, onde foi campeão carioca, aliás, tetracampeão consecutivo e artilheiro da competição, com 20 gols. Após um ano de 1981 no tricolor, ao final da temporada, seguiu para defender o ultimo grande carioca que ainda faltava, o Vasco da Gama. Após um bom campeonato brasileiro e atuar nas duas primeiras partidas do campeonato carioca de 1982, podendo ser considerado, campeão carioca, Adão foi contratado pelo Al Ainn, equipe dos Emirados Árabes, onde foi artilheiro, campeão e ficou até 1983. Contratado pelo presidente do Benfica, Fernando Martins, para atuar na equipe portuguesa, após apenas 2 meses disputando amistosos, foi reprovado pelo técnico sueco Sven-Goran Eriksson e acabou indo direto para o Flamengo. De volta ao rubro negro, Adão não conseguiu conquistar a titularidade da equipe, que ficou com Edmar. Já em 1984 faria a sua segunda passagem pelo Botafogo. Atuou pela equipe da estrela solitária durante o campeonato brasileiro e posteriormente vestiu a camisa alvirrubra do Bangu no campeonato carioca daquele ano. Tinha 29 anos quando chegou em Moça Bonita para atuar em uma equipe badalada por conta dos altos investimentos de seu patrono, Castor de Andrade. Claudio Adão fez um ótimo campeonato, sendo o artilheiro da competição, ao lado de Baltazar do Botafogo, com 12 gols. Começou 1985, atuando pelo Vasco da Gama durante o campeonato brasileiro. Já no segundo semestre voltou ao Bangu. Embora não fosse titular da equipe, Adão teve uma participação decisiva naquele time. O Bangu precisava apenas empatar a partida final frente o Fluminense, em 18 de dezembro de 1985, para conquistar o titulo estadual. Após sair vencendo e sofrer a virada no segundo tempo, o Bangu partiu para o ataque, e aos 46 minutos, após um belo lançamento de Marinho, Claudio Adão teve a chance de empatar o jogo, quando recebeu uma “gravata” do zagueiro tricolor, Vica. Todos viram aquele pênalti, exceto o arbitro José Roberto Wright, que deu continuidade a jogada. Resultado, Fluminense campeão carioca. O futebol nordestino foi seu destino em 1986, mais especificamente, o Bahia. Foi campeão baiano e artilheiro da competição com 27 gols, e um dos destaques da equipe tricolor que chegou as quartas de finais do campeonato brasileiro daquele ano. Novamente em alta, foi contratado pela Portuguesa em 1987. Para quem ainda duvidava da eficiência do atacante de 31 anos, em 22 de março, marcou os três gols da vitória lusa por 3 a 1 sobre o Corinthians. Seu próximo destino foi o Cruzeiro, por quem atuou na I Copa União, o campeonato brasileiro daquele ano, chegando as semifinais da competição. Em 1988, estava de volta pela terceira vez ao Botafogo e novamente teve uma passagem discreta no alvinegro. O regulamento do campeonato brasileiro daquele ano definia que após toda partida terminada empatada, teria que haver uma disputa por penalidades, com o vencedor ganhando mais um ponto. Embora já fosse cobrador de pênaltis nas equipes por quais passou, a frequência de suas cobranças passou a chamar atenção pelo fato dele não tomar distancia. Adão movia quase todo o seu corpo, próximo a bola, e chutava forte. Chegou ao Corinthians em 1989, onde teve uma passagem discreta, mas ainda assim marcante por conta de um gol de calcanhar em sua ultima partida, no clássico contra o Palmeiras, em 10 de dezembro, resultado que eliminou o rival da classificação para a final do campeonato brasileiro daquele ano. Contratado pela equipe peruana do Sport Boys em 1990, Claudia Adão foi vice-campeão nacional e, aos 35 anos de idade, artilheiro da competição com 31 gols. Em 1991, de volta ao Bahia, foi novamente campeão estadual. Já com 37 anos, o folego parecia estar próximo do fim, quando passou pelo Campo Grande e em seguida, no Ceará, onde foi campeão estadual de 1992, junto com mais três equipes, o Fortaleza, Icasa e Tiradentes. Em 1993 voltou ao futebol peruano para atuar no Deportivo Sipesa, que tinha conquistado o acesso para a primeira divisão. O fraco desempenho de sua equipe e uma trágica morte de um amigo, em um acidente aéreo, o fizeram voltar ao Brasil, para jogar pelo Volta Redonda. Logo a seguir, no mesmo ano, defendeu o Santa Cruz durante o campeonato brasileiro. Em 1994, o futebol capixaba foi seu destino, outro alvinegro, o Rio Branco. Já no ano seguinte, prestes a completar 40 anos, retornou ao futebol carioca, novamente no Volta Redonda, Foi titular na vitória da equipe do interior sobre o Fluminense, que viria a ser o campeão da competição, por 2 a 1, em 9 de março de 1995. Ainda naquele ano voltou para o Espirito Santo, para jogar na Desportiva Ferroviária. Encerrou a carreira em 1996, em sua terceira passagem no Volta Redonda. Claudio Adão foi um cigano do futebol, um artilheiro nato em todas as 21 equipes, e mais seleção olímpica, em que atuou ao longo de 24 anos como profissional. Segundo seus próprios cálculos, 862 gols marcados, para outras fontes, 591 tentos, o que certamente o garante como um digno representante de qualquer lista dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro.

 

 

Valdir Appel, o Goleiro maior que o Gol.

Autor: José Renato - 05/10/2015   Comentários 2 comentários

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Nascido em 1° de maio de 1946, na cidade catarinense de Brusque, filho de Rosa e Herbert Appel, o menino Valdir vivia intensamente o esporte, sobretudo, por conta de seu pai e de seu tio, Oswaldo, que praticavam várias modalidades esportivas. Arqueiro, seu pai impressionava pelos voos espetaculares. Já seu tio que se destacava por sua discrição e segurança, virou Santo Oswaldo, como goleiro titular do time local, o Clube Esportivo Paysandú. Valdir tinha 11 anos, quando testemunhou um fato histórico em sua cidade. Em 30 de março de 1958, seu clube do coração, o Botafogo do Rio de Janeiro teria como adversário o Carlos Renaux, grande rival do seu Paysandú. Por estas coisas que apenas o futebol pode explicar, o “carrenô” abriu uma vantagem, ainda no começo do segundo tempo, de 5 a 1 frente ao esquadrão da Estrela Solitária que contava com craques como Didi, Nilton Santos, Garrincha e Quarentinha. Aborrecido, Valdir resolveu voltar para casa e acabou não testemunhando os 4 gols alvinegros, em pouco mais de 20 minutos, que empataram aquela partida em 5 a 5. Não demorou muito que, já como Chiquinho, apelido dado por sua mãe, assumisse a posição de goleiro dos infantis do Paysandú. Em 1960, aos 14 anos, uma nova experiência que parecia ser um indicativo de seu futuro. O goleiro Barbosa, aquele da Copa do Mundo de 1950, foi convidado para ir até Brusque realizar um treino aberto aos torcedores. Valdir passou a tarde toda atrás dele, “defendendo” as bolas em sua direção. Se ainda pairava alguma duvida em sua cabeça, ali passou a ter uma certeza, queria ser goleiro profissional. Em 1962, com apenas 16 anos assumiu a titularidade do time principal do Paysandú. Após duas boas temporadas, foi natural chamar atenção do rival Carlos Renaux que disputaria a fase final do campeonato catarinense de 1962, já no ano seguinte. Sua estreia no tricolor aconteceu em 17 de março de 1963, em uma histórica vitória de 4 a 1 frente o atual bicampeão catarinense, e que acabou sendo tricampeão aquele ano, o Metropol. Com o termino da competição voltou ao Paysandú, onde ficou até o final 1964. No ano seguinte, seguiu uma tradição de seus conterrâneos e foi ao Rio de Janeiro prestar serviço militar na Polícia do Exercito, já com o claro interesse de se tornar profissional no futebol carioca. Durante o serviço militar, fez testes no América do Rio de Janeiro, do técnico Gentil Cardoso, por indicação de um capitão. Aprovado, o clube de Campos Sales adquiriu seu passo por empréstimo Em função da ditadura militar, mal conseguia treinar e por conta disso atuou em apenas duas partidas do time de aspirantes. Uma delas, justamente contra o Vasco da Gama, onde realizaria testes em abril de 1966. Acabou contratado em definitivo pelo clube de São Januário Embora fosse ainda muito jovem, com 19 anos, já conseguia reunir características normalmente presentes em goleiro mais experientes, a frieza, o bom posicionamento e muita elasticidade. Logo em seu primeiro ano na equipe da Cruz de Malta, foi campeão carioca de aspirantes em 1966. Promovido para a equipe principal, que fazia campanha irregular no estadual, passou a ser titular até que, por conta de uma surpreendente derrota para o Campo Grande no estádio do Maracanã, em 14 de outubro de 1967, no dia em que Dadá Maravilha surgiu para o futebol ao marcar o gol, irregular, da vitória do Campo Grande, foi afastado junto com outros grandes nomes, dentre os quais Brito e Fontana, pelo técnico Ademir Menezes, o Queixada. De volta a equipe aspirante, acabou sendo bicampeão carioca da categoria e ganhando de vez sua posição de titular da equipe para o ano seguinte. Naquele tempo, o futebol brasileiro vivia uma safra de grandes goleiros, e embora Valdir mostrasse muita segurança no gol vascaíno, logo passou a viver grande concorrência. Em um pequeno intervalo de tempo, dois goleiros passaram por São Januário pleiteando seu lugar, Ado e Leão, futuros goleiros da seleção na Copa do Mundo de 1970, que acabaram sendo devidamente dispensados em seus testes e foram procurar abrigo na Corinthians e Palmeiras, respectivamente. O Vasco, comandado por Paulinho de Almeida, tinha um goleiro, Valdir. O ano de 1969 marcaria definitivamente a sua história. Eram reais as suas chances de convocação para a Seleção Brasileira que disputaria as eliminatórias para a Copa do Mundo do México. Em 16 de março de 1969, o Vasco vencia o clássico frente o Bangu, no estádio do Maracanã, por 1 a 0. O primeiro tempo chegava ao seu final, quando após fazer uma defesa milagrosa de um chute do atacante Dé, Valdir foi repor a bola em jogo. Um acidente de trabalho o fez arremessar a bola em direção de suas próprias redes. O arbitro, Arnaldo César Coelho deu o apito final ali mesmo. O arqueiro de apenas 22 anos atravessou em silencio toda a distancia de seu gol até o vestiário do Vasco, justamente no lado oposto do campo. Orientado pelo preparador físico, Carlos Alberto Parreira, se manteve focado na partida, batendo bola durante todo o intervalo. Ao retornar em campo, ainda foi colocado para falar com seu ídolo, Barbosa, que houvera sido marcado pelo gol sofrido na final da Copa do Mundo de 1950. Questionado por um repórter, se ele continuaria no jogo, sugeriu que sua mãe tomasse o seu lugar de goleiro. A partida acabou 1 a 1, mas as discussões sobre o gol prosseguiu por semanas. De nada adiantaram suas boas atuações nas partidas seguintes, após a primeira derrota do time no campeonato carioca, foi para o banco, e pouco depois emprestado, por três meses, ao Sport Recife, onde foi vice-campeão estadual. De volta ao Vasco da Gama para disputar o Roberto Gomes Pedrosa, Valdir era o reserva de Andrada, na partida frente ao Santos, vencida pelos paulistas por 2 a 1, realizada em 19 de novembro de 1969, quando Pelé marcou o seu milésimo gol. Por muito pouco não foi ele o goleiro vascaíno naquele dia, uma vez que o argentino Andrada chegou a ser duvida na partida, tamanho era seu nervosismo em se tornar o goleiro a sofrer este marca do Rei, o que acabou acontecendo mesmo. Em 1970, fez parte do plantel que conquistou o título de campeão estadual daquele ano, dando fim a um incomodo tabu de 11 anos de jejum sem titulo da equipe da colina. Com a contusão de Andrada em 1971, Valdir foi titular da equipe durante boa parte do campeonato carioca daquele ano, se consolidando de vez no elenco crumaltino. No começo de 1972, no entanto, precisou se submeter a uma, na época, complexa cirurgia no joelho esquerdo. Sua recuperação foi demorada. Ficou sem jogar o ano inteiro e foi, literalmente, afastado do clube. Um ano para se esquecer. Com passe livre na mão, seu retorno aconteceria apenas no ano seguinte, defendendo as cores do Campo Grande, durante a disputa do campeonato estadual. Ao seu final, emprestou seu passe ao CEUB, primeira equipe do Distrito Federal a disputar um campeonato brasileiro. Ainda que não estive em plena forma, por conta de seu joelho, Valdir foi um dos destaques da equipe que participou das edições de 1973 e 1974 da competição nacional. Logo estaria respirando novos ares, desta vez em Natal, para defender o Alecrim, no estadual de 1974. Teve bons momentos na equipe esmeraldina durante o campeonato potiguar, mas certamente o maior deles, foi quando resolveu entrar com a camisa do América, justamente no clássico frente ao ABC, provocando a ira da torcida rival, o que aumentou ao defender uma penalidade máxima batida pelo ídolo local, Alberi, e a simpatia de outra equipe que viria a contratá-lo no ano seguinte. 1975 foi o ano das vitórias frente ao seu antigo clube, o Vasco da Gama. Defendendo o Bonsucesso, em 5 de março, teve uma atuação memorável na vitória da equipe do subúrbio carioca por 1 a 0 em pleno estádio de São Januário, em partida válida pelo campeonato carioca. Poucos meses depois, em 27 de setembro, desta vez defendendo o América de Natal, lá estava Valdir, novamente ganhando todos os prêmios de melhor em campo, em nova vitória por 1 a 0 no campo cruzmaltino, em partida válida pelo campeonato brasileiro. Aquela vitória foi a maior zebra da Loteria Esportiva naquele final de semana, que contou com apenas um vencedor, o humilde lavrador Miron, que marcara vitória do América, por acredita que fosse o carioca e não o potiguar. No ano seguinte, foi o goleiro titular da primeira equipe do Volta Redonda que estreou no campeonato estadual e brasileiro de 1976. Valdir viveu grandes momentos no Voltaço e ao final de seu contrato recebeu seu passe. De férias em Brusque no começo de 1977, aceitou o desafio de atuar pelo Palmeiras de Blumenau, mas logo estava de volta ao futebol potiguar, mais precisamente no América. Após um bom campeonato brasileiro, com a eminente saída de Raul, do Cruzeiro para o Flamengo, Valdir acertou todas as clausulas de seu contrato com a equipe mineira. Saiu de Natal em direção a Belo Horizonte, e lá chegando foi informado que o novo técnico cruzeirense, Zé Duarte, o tinha preterido. A decepção foi gigantesca, ainda mais que tinha a intenção de encerrar sua carreira em Natal. Acabou indo ao futebol goiano, primeiramente no Goiânia entre os anos de 1978 e 1980. Posteriormente, o Atlético Goianiense, novamente o Goiânia, até encerrar a carreira no Rio Verde em 1982. Valdir foi uma marca de goleiro, um digno nome da escola Appel de grandes arqueiros, dos quais fizeram parte seu pai, Herbert e tio, Oswaldo. Um homem que suportou, como raríssimos fariam, momento de total isolamento e desconfiança de forma única, o que o fez maior que todos as suas defesas ao longo de seus mais de 20 anos de carreira.



 

 

A “Bruxa” Marinho Chagas

Autor: José Renato - 28/09/2015   Comentários Nenhum comentário

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Em 8 de fevereiro de 1952, no bairro de Alecrim em Natal, nasceu Francisco das Chagas Marinho. O menino bonito, galego e saudável logo ganhou as graças de toda a família. Caçula dos seis filhos do casal Pedro e Maria, Chiquinho, como era chamado, passava os dias jogando bola na rua. Tinha em seu irmão mais velho, Dedeca, um ídolo, principalmente por conta de suas tentativas de ser jogador profissional. Certa vez, ao acompanhar o irmão em um treino do pequeno Riachuelo Atlético Clube, que costumava treinar na Base Aérea, perto de sua casa, acabou ganhando a simpatia de um tenente, e por conta disso, a vaga de gandula do time. Um dia, a falta de um lateral esquerdo, fez com que Chiquinho fosse chamado para completar a equipe. Ganhou a posição no lado esquerdo, embora fosse destro, o que sempre intrigou a muitos. Era apenas o começo. Em outubro de 1969, com 17 anos, atuando pelo Riachuelo, Chiquinho “acabou” com o jogo e ganhou todos os prêmios de melhor em campo, no surpreendente empate de sua equipe frente ao grande ABC, por 1 a 1. Sua ousadia em campo aliada a uma rara habilidade técnica, muita disposição para avançar ao ataque em direção do gol, algo incomum para os laterais daquela época, e um chute fortíssimo acabaram por convencê-lo até mesmo a trocar seu nome. Precisava de algo mais vistoso, daí veio Marinho. Poucos dias depois, dirigentes do ABC o contrataram em troca de 20 pares de chuteiras e 20 bolas. Ajudou a equipe abecedista a sair do incomodo jejum de título de três anos sem títulos, ao ser campeão potiguar em 1970. O galego, como também era conhecido, passou a ser um ídolo na cidade de Natal, sendo também um sucesso com as mulheres, que solteiras ou casadas, eram sempre alvos das suas investidas. No ano seguinte, dirigentes do Náutico chegaram a Natal para contratar o atacante Petinha e acabam resolvendo levar também Marinho. Logo em seu primeiro treino, ganhou a posição de titular da equipe alvirrubra que buscava reaver a hegemonia no estado. Em 1972, após assistir partida da equipe pernambucana, o cantor Agnaldo Timóteo, torcedor ilustre do Botafogo do Rio de Janeiro, ligou de imediato aos dirigentes alvinegros, quase que os obrigando a contratá-lo. Marinho atuou pela ultima vez com a camisa alvirrubra em 20 de agosto de 1972 e já no dia 9 de setembro estreava como titular do Botafogo frente ao Santos de Pelé, no estádio do Maracanã, em partida válida pelo campeonato brasileiro daquele ano. Aos 13 minutos do segundo tempo, falta a favor dos cariocas. Jairzinho, o Furação da Copa, maior nome daquela equipe, ajeitou a bola e tomou distância. Marinho aproveitou, correu, ultrapassou Jairzinho e deu um chutaço sem chances para o goleiro Cláudio. Gol do Botafogo. Em meio de um aborrecido Jairzinho, ganhou de vez as graças da torcida, que foi ao delírio ao vê-lo aplicar um chapéu no Rei Pelé e sair com a bola dominada. No dia seguinte, os jornais estampavam Marinho em suas manchetes, sem dar grandes destaques ao empate por 1 gol. Marinha com apenas 20 anos, embora casado, estava no Rio de Janeiro, sem a esposa, Marijara, então com 16 anos, que ficara em Natal. Passou a repetir o sucesso em campo fora dele também, principalmente junto as mulheres, algumas delas famosas do meio televisivo. Ganhou o apelido de Bruxa Loura, para os mais próximos, apenas Bruxa. Jogando pelo Botafogo ganhou dois troféus Bola de Prata, premio promovido pela revista Placar aos melhores jogadores de cada posição no campeonato brasileiro. Sua primeira convocação para a seleção brasileira foi para enfrentar a Suécia em 25 de junho de 1973, em partida amistosa, na derrota por 1 a 0. Ganhou a titularidade em 1974 e assim como outro botafoguense ilustre, Nilton Santos, se tornou titular absoluto da seleção brasileira que disputaria a Copa do Mundo daquele ano. Considerado o melhor lateral esquerda da competição, acabou envolvido em polemica com o goleiro Leão, que o teria agredido após a derrota por 1 a 0 frente a Polônia em partida que decidia a terceira colocação, em 6 de julho. Segundo o arqueiro, o gol marcado pelo polonês Lato, aconteceu por conta da avançada de Marinho ao ataque brasileiro. Ainda assim foi escolhido o segundo melhor jogador da América do Sul, em pesquisa promovida pelo jornal El Mundo, atrás apenas do zagueiro chileno Elias Figueroa. De volta ao Botafogo ganhou status de líder da equipe da Estrela Solitária. Para desespero da torcida alvinegra, em 1977 acabou incluído no troca-troca promovido pelo presidente do Fluminense, Francisco Horta, que também envolveu craques do nível de Paulo César Caju, Rodrigues Neto e Gil, todos da seleção brasileira. Juntamente com Rivelino passou a ser um dos grandes nomes da “Máquina Tricolor”. Nunca, no entanto, deixou de lado o seu estilo gozador. Depois de se tornar batedor oficial de pênaltis da equipe tricolor, passou a inovar em suas cobranças. Em 7 de agosto de 1977 na final do torneio Teresa Herrera, frente ao Dukla Praga, que eliminara o Real Madrid, resolveu fazer algo diferente. Ao correr em direção da bola, parou, deu um giro de 360° e chutou sem chance para o goleiro, que parado, não acreditava no que tinha presenciado. O tricolor conquistou o titulo daquele torneio com uma convincente goleada de 4 a 1 e Marinho, a fama de “louco”. Foi nesta época também, que chegou a lançar um disco, na verdade um compacto, chamado “Eu sou assim”. Este seu comportamento acabou sendo decisivo para que o técnico da seleção brasileira, Claudio Coutinho, o tenha preterido em favor de Rodrigues Neto, seu substituto no Botafogo, e posteriormente, Edinho, colega tricolor, que, na seleção, foi deslocado para a lateral esquerda. Ao longo de sua carreira, Marinho atuou 36 vezes com a camisa canarinha e marcou 4 gols. Magoado por não ter sido convocado para a Copa do Mundo de 1978, acabou aceitando o convite de Pelé e foi atuar no New York Cosmos, time norte americano que contava com craques do quilate de Carlos Alberto Torres e Franz Beckenbauer. Desta forma, Marinho passou a ser visto junto aos grandes nomes de Show Business, tais como Frank Sinatra, Sammy Davis Junior e Dean Martin. No ano seguinte ainda atuou na equipe do Fort Lauderdale Strikers, com quem foi vice-campeão da Liga Norte Americana em 1980. Em 1981, vislumbrando participar da Copa do Mundo de 1982, quando estaria com 30 anos, resolveu voltar ao Brasil, e foi contratado pelo São Paulo. Com a camisa do tricolor paulista foi vice-campeão brasileiro, com direito a ganhar nova Bola de Prata, como melhor lateral esquerdo da competição, e campeão paulista. Ainda assim, não foi o suficiente para chamar a atenção do técnico da seleção, Telê Santana, que passou a contar com o esplendido Junior, lateral do Flamengo. Ficou na equipe paulista até meados de 1983, de onde saiu para atuar novamente em uma equipe alvirrubra, o Bangu, que sob a gestão de Castor de Andrade, voltara a montar grandes equipes. Machucado e em claro declínio técnico, Marinho não teve chances e em 1984 foi contratado pelo Fortaleza do Ceará, um negocio considerado audacioso na época. Suas atuações no Tricolor de Aço foram apenas discretas e no ano seguinte, acabou aceitando o convite de voltar a jogar na sua terra natal, desta vez para defender o América, onde ficou até 1986. Sofrendo com muitas contusões e graves problemas com a bebida, atuou em apenas duas partidas amistosas. Ainda atuaria no Los Angeles Heats e na equipe alemã do Augsburg, antes de encerrar a carreira em 1988. Marinho foi um genial jogador. Um raro talento. Um pobre menino que ganhou o mundo, e aproveitou de tudo o que o sucesso no futebol pode proporcionar aos seus grandes nomes. Infelizmente também acabou sendo vitima deste sucesso como tantos outros.



 

 

Juary, o menino da vila.

Autor: José Renato - 21/09/2015   Comentários 2 comentários

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Juary Jorge dos Santos Filho nasceu em 16 de junho de 1959 na cidade fluminense de São João de Meriti. Quando moleque dividia seu tempo entre bater bola na equipe amadora do Pavunense e trabalhar como auxiliar administrativo no escritório do cunhado. Eram tempos difíceis, quando chegou, até mesmo, a presenciar a morte do tio em sua própria casa, executado por policiais que buscavam capturar uma quadrilha de bandidos. Por conta disso, embora tivesse apenas 16 anos, aceitou de imediato o convite feito para fazer testes no Santos Futebol Clube. A viagem de ônibus, já tinha data marcada para retorno, no entanto, Juary tinha outros planos. Após o fim da carreira do Rei Pelé, ao menos com a camisa do Santos, em 1974, os dirigentes do clube passaram a identificar que o futuro da equipe estaria no uso dos jogadores mais novos, pertencentes da base do clube, uma decisão que reina até os dias atuais. Foi esta estratégia que permitiu que atletas, como Juary, fossem “recrutados” de várias cidades brasileiras, para formar uma geração de jogadores santistas que ficou conhecida como a dos “Meninos da Vila”. Ainda em 1976, vestiu pela primeira vez a camisa de titular da equipe, inicialmente como ponta direita e posteriormente como centroavante, após a chegada de Nilton Batata, vindo do Atlético Paranaense. Embora contasse com o apoio da diretoria, a jovem equipe santista liderada por nomes como Clodoaldo e Ailton Lira não conquistava títulos, o que começou a criar apreensão junto aos seus torcedores. Tudo mudou, no entanto, com a chegada do técnico Chico Formiga, que no começo de 1978, não apenas confirmou a titularidade de Juary, bem como trouxe para a equipe principal, outros jovens talentos, tais como Pita e João Paulo. Embora fosse franzino para ser centroavante, Juary era muito rápido e um finalizador implacável, o que aliado a um ótimo senso de posicionamento, fez dele um dos grandes atacantes de sua época. Os Meninos da Vila fizeram história ao conquistar, de forma brilhante, o título paulista de 1978, ao levar a melhor frente ao São Paulo nas finais. Aliás, o tricolor, em especial o seu goleiro Valdir Peres, era a vitima favorita de Juary, que costumava fazer muitos gols nos clássicos San-São (Santos x São Paulo), o que sempre era acompanhado de uma inusitada, que virou tradicional, comemoração que consistia em uma corridinha ao redor da bandeirinha de escanteio. Juary foi artilheiro desta competição com 29 gols marcados, o que lhe valeu a convocação para a seleção brasileira, onde estreou, marcando gol, no empate por 1 a 1 frente a seleção baiana em 5 de julho de 1979. Também atuaria na Copa América daquele ano. A mesma sorte e competência que Juary costumava ter frente ao São Paulo, não se repetia frente ao outro rival, o Corinthians, equipe contra a qual jamais levou a melhor, enquanto vestiu a camisa santista. A verdade é que o Santos ficou sem vencer o clássico alvinegro entre 13 de junho de 1976 e 23 de outubro de 1983. O pretexto da falta de gols nestes confrontos acabou sendo um dos fatores que provocaram a sua venda para a equipe da Universidad Autonoma de Guadalajara já no final de 1979. Ficou pouco tempo no futebol mexicano, uma vez que foi contratado pela equipe italiana do Avellino, onde atuou ao longo de duas temporadas entre 1980 e 1982. Ainda muito jovem e sofrendo em um futebol duro e de muita marcação, ainda defendeu a Internazionale, Ascoli e Cremonese, até ser contratado pelo Porto em 1985. Fez sucesso no futebol português onde conquistou dois campeonatos nacionais, em 1986 e 1988 e uma taça de Portugal em 1988. Além disso, teve participação decisiva para a conquista da Liga dos Campeões da Europa em 27 de maio de 1987 na vitória de 2 a 1 frente ao Bayern de Munique em Viena. Após estar perdendo a primeira etapa por 1 a 0, o técnico Artur Jorge, que não pudera contar com o atacante Casagrande, que estava lesionado, resolveu colocar Juary na equipe no segundo tempo. Aos 33 minutos, foi dele o passe para que o argelino Madjer marcasse, de calcanhar, o gol de empate. Dois minutos depois, Madjer devolveu a gentileza ao brasileiro que marcou o gol do título dos portugueses. Desde esse dia, Juary se tornou para sempre um dos grandes nomes da história do Clube do Porto e ídolo de sua torcida. Após uma breve passagem por outra equipe portuguesa, o Boavista, voltaria ao Brasil para defender a Portuguesa em 1988. No ano seguinte, defenderia novamente a camisa onde tudo começou, a do Santos. Infelizmente, apesar de ainda ter apenas 30 anos, e a principio, muita lenha para queimar, Juary não foi nem a sombra daquele virtuoso jogador de outrora. Ainda atuaria na equipe maranhense do Moto Club e no Vitória do Espirito Santo, onde encerrou a carreira em 1992. Juary foi um atacante prodigioso, cheio de virtudes e que ao sair para o futebol estrangeiro ainda muito jovem, em um tempo em que os nossos selecionáveis atuavam dentro do país, fez com que deixasse de ser lembrado da forma devida. Certamente poderia ter tido uma carreira de muitas conquistas em nosso futebol.



 

 

O multihomem Jorge Mendonça

Autor: José Renato - 14/09/2015   Comentários 2 comentários

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Jorge Pinto Mendonça nasceu na pequena cidade carioca de Silva Jardim em 6 de junho de 1954. Filho mais velho de uma família muito humilde, por ordem de seu pai, um funcionário da companhia ferroviária, passou a estudar contabilidade. Para ele, no entanto, o que importava era jogar futebol, sobretudo defender as cores do União, equipe amadora da sua cidade. Em um destes jogos chamou a atenção de Eusébio de Andrade, pai de Castor de Andrade, que era dono de um sítio próximo daquela região e presidente do Bangu Atlético Clube, que o convidou para atuar na equipe juvenil. Embora fosse amador, Jorge Mendonça passaria a ganhar uma pequena ajuda de custo, comida e moradia, o que fez com que abandonasse de vez os estudos. Em 1971, apenas com 16 anos chamou a atenção nos juvenis e foi convidado para se profissionalizar. No começo de 1972, foi o destaque da equipe campeã do torneio Romeu Dias Pinto, que contou com a participação de times do subúrbio carioca, ao marcar 5 dos 6 gols anotados pelo Bangu. Passou a ser titular absoluto naquela equipe que contava com Coutinho, ex-companheiro de Pelé e Jorginho Carvoeiro, que em 1974 faria o gol do primeiro titulo brasileiro conquistado pelo Vasco da Gama. Jogador muito habilidoso, com grande inteligência na armação de jogadas e raro poder de finalização, Jorge Mendonça passou a ganhar maior destaque junta a imprensa em 1973, quando ainda defendendo o Bangu, marcou 11 gols nas 11 partidas disputadas pela Taça Guanabara. No inicio de 1974, no entanto, as dificuldades financeiras da equipe carioca acabaram tornando necessária a sua venda a outro time alvirrubro, o Náutico de Recife. Logo passou a ser a grande esperança da equipe que tinha como grande objetivo interromper que o rival Santa Cruz igualasse a sua marca de hexacampeão, sequência de título que apenas o Náutico tinha e tem até hoje. Jorge Mendonça não decepcionou, sendo campeão e artilheiro, com 24 gols, do campeonato pernambucano daquele ano. Em 11 de agosto, chegou a marcar todos os gols da vitória do Náutico por 8 a 0 frente o Santo Amaro. Ficou no Náutico até 1975, de onde saiu juntamente com o meia Vasconcelos, para atuar no Palmeiras. Apesar de ter atuado na equipe alvirrubra por apenas 2 anos, é o décimo maior artilheiro da história da equipe, com 95 gols marcados. Em 1976 formou com o centroavante Toninho uma dupla de ataque genial do Palmeiras que, liderado pelo meio campista Ademir da Guia, o Divino, conquistou o campeonato paulista daquele ano. Aliás, foi dele o gol do título na vitória por 1 a 0 frente o XV de Piracicaba em 18 de agosto. Após a aposentadoria do Divino, passou a ser o grande nome da equipe paulista. Suas grandes atuações acabaram fazendo com que fosse convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1978, onde protagonizou um fato curioso. Na segunda partida daquele mundial, frente a Espanha, em 7 de junho, foi chamado pelo técnico Claudio Coutinho para aquecer. Ao que parece Coutinho esqueceu e deixou Jorge Mendonça no aquecimento por mais de 30 minutos. Acabou entrando no lugar de Zico apenas aos 38 minutos do segundo tempo. Ainda assim, ganhou a posição de titular da equipe. Ao todo vestiu a camisa canarinha em 11 oportunidades e marcou 2 gols. De volta ao Palmeiras, após atravessar por uma má fase, passou a ser um dos principais nomes da equipe que encantou o futebol brasileiro em 1979 sob o comando técnico de Telê Santana, participando inclusive da história vitória alviverde por 4 a 1 frente o Flamengo em pleno Maracanã, em 9 de dezembro, na partida que para muitos definiu a ida de Telê para a seleção brasileira. Sua relação com o técnico disciplinador, no entanto, não era boa, principalmente por seu comportamento fora do campo. Jorge Mendonça acabou sendo negociado para o Vasco da Gama em 1980. Ficou pouco tempo na equipe da Cruz de Malta e não demorou muito para voltar ao futebol paulista, ainda naquele ano, desta vez para defender as cores de outro alviverde, o Guarani. Na equipe campineira voltou a brilhar, sendo artilheiro do campeonato paulista de 1981, com 38 gols, campeão da Taça de Prata, segunda divisão do brasileiro, pelo Guarani em 1981, e levando a equipe as semifinais do campeonato brasileiro em 1982, com o ataque mais positivo da competição, 53 gols. Tudo isso, no entanto, não foi o suficiente para que fosse lembrado por Telê para a Copa do Mundo, em seu lugar foram Zico e Renato do São Paulo. Talvez a frustração por não ter sido convocado para a Copa tenha influenciado sua performance em campo e em 1983 mudou de ares novamente, foi justamente para o maior rival do Guarani, a Ponte Preta, onde chegou a atuar com Mário Sérgio e Dicá. Ficou na Macaca até 1985, de onde saiu para atuar no Cruzeiro. Também não demorou na equipe mineira, e já em 1986 foi defender o Rio Branco do Espírito Santo. Ainda atuaria pelo extinto Colorado, novamente pela Ponte Preta e por fim o Paulista de Jundiaí, onde encerrou a carreira em 1991. Jorge Mendonça foi um jogador único, cracaço de bola que tinha uma inteligência rara no meio campo e grande habilidade para marcar gols. Infelizmente não levou toda esta capacidade para sua vida pessoal e assim como tantos outros grandes nomes do futebol passou a impressão de que poderia ser ainda maior do que foi.



 

 

A formiguinha e sua história de amor por Placar.

Autor: José Renato - 10/09/2015   Comentários 2 comentários

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Maior revista de esporte do Brasil, a Placar nasceu em 1970, um pouco antes da Copa do Mundo do México conquistada por nossa seleção de futebol. Digna sucessora de importantes publicações, tais como Globo Sportivo, Esporte Ilustrado, Gazeta Esportiva Ilustrada, Manchete Esportiva, Revista do Esporte e tantas outras, logo passou a ser fonte obrigatória de todos aficionados pelo esporte bretão. Cá entre nós, muito mais que isso. Tornou se também uma importante publicação voltada para alfabetização de tantos meninos que, assim como eu, aprenderam a ler através de suas páginas. Nasci em 1970, diferentemente da revista, um pouco depois da Copa do Mundo. Não demorou muito para que ela passasse a ser minha companheira inseparável. Em qualquer lugar, na sala, no banheiro, embaixo do travesseiro, no meio dos livros de escola, sempre era possível me ver com uma edição da revista nas mãos. Confesso que nem sempre foi fácil, uma vez que não eram raras as reclamações de que eu só queria saber de futebol e que aquilo não me levaria a lugar algum (como se precisasse). Posso afirmar também que não era bem assim, pois, na verdade eu respirava futebol e a Placar era minha bíblia (minha avó que me perdoe). Passaram os anos e o futebol deixou de ser a coisa mais importante da minha vida. Não por coincidência de forma quase que simultânea, a revista Placar também foi perdendo sua relevância junto aos seus leitores. Mas afinal, o que ou quem teria mudado? Eu ou a revista? Certamente os dois. Eu, apenas uma formiguinha, no meio de tantas outras, cresci, entrei na faculdade, me formei, passei a trabalhar, constitui família (não exatamente nesta ordem) e alcancei outras conquistas. Apesar de tantas coisas, permaneci amando o futebol. Após concluir meu mestrado em engenharia, resolvi passar a escrever sobre futebol, mais especificamente, sua história. Em 2002 investi recursos em meu primeiro livro do gênero. Desde então já foram sete, alguns publicados por editoras e outros igualmente bancados por mim. Em todos eles, havia algo em comum, o desejo de conseguir ao menos um espaço de divulgação na Placar. Nem sempre foi possível, e quando foi, o caminho, bem difícil. Demais da conta. Ainda assim prazeroso. Se para divulgar a dificuldade era tão grande, escrever para a revista então era algo inimaginável para esta formiguinha. Ainda assim, ela passou a manter um site, o www.memoriafutebol.com.br (já que você, «nome», chegou até aqui, quem sabe não faz uma visita a ele rs rs) e a escrever semanalmente sobre historias e curiosidades do futebol neste espaço. A Placar também mudou. Não me cabe explicitar os motivos que, segundo minha humilde opinião, levaram a revista a perder esta relação que outrora mantinha com seus leitores fiéis. O mais importante, no entanto, é que, apesar de tudo, a publicação resistiu: não morreu. Durante todo este tempo, me mantive religiosamente, comprando todas as edições. Por conta disso, foi grande a minha alegria ao receber a noticia, em junho passado, que a revista passaria a ser gerida por outra editora, mais especificamente por profissionais que também são apaixonadas por futebol. O presente maior viria poucas semanas depois, quando a formiguinha foi convidada a escrever para a publicação que foi sua companheira de toda vida. A edição deste mês de setembro marca a sua primeira participação na revista, um espaço onde ela escreverá sobre curiosidades do esporte ao longo dos tempos. Uma alegria que não me cabe e que se renovará durante todo o tempo em que for digna deste espaço.



 

 

Terto, o Pelé Nordestino.

Autor: José Renato - 07/09/2015   Comentários 1 comentários

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Tertuliano Severiano dos Santos nasceu na cidade do Recife em 29 de dezembro de 1946. O nome “pouco usual” fez com que logo passasse a ser conhecido como Terto. Começou no futebol em 1965 jogando pelo Santa Cruz. Numa época em que o futebol local era plenamente dominado pelo Náutico, que foi hexacampeão estadual, foi considerado uma das grandes esperanças do tricolor pernambucano. Apesar de possuir pouca habilidade técnica o fato de possuir grande vigor físico o permitia correr o campo todo e atuar em várias posições no meio de campo e ataque. Ganhou status junto à torcida, sobretudo pelo fato de não achar que havia bola perdida. Sempre que a perdia sua posse, continuava junto aos calcanhares dos adversários, para recuperá-la, um verdadeiro “carrapato”. Após grandes atuações pela equipe coral em 1967, foi contratado por outro tricolor, o paulista, no começo de 1968, aonde chegou com status de “Pelé Nordestino”, um exagero que foi evidenciado logo nos primeiros treinos no São Paulo. Sua estreia no tricolor foi em 11 de fevereiro de 1968, na vitória por 3 a 1 frente o XV de Piracicaba, quando entrou no lugar do, até então, titular Ismael. Logo em sua segunda partida, fez o gol da vitória, por 1 a 0, frente o Juventus, aos 40 minutos do segundo tempo, o que o levou a titularidade na equipe. A adaptação no tricolor não foi fácil, sobretudo pela vida solitária que levava na cidade, o que contribuiu muito com sua decisão de passar a frequentar a noite paulistana com certa frequência. Atuações irregulares fizeram com que passasse a atuar em várias posições. Até de volante chegou a atuar. Em um São Paulo que contava com craques do nível de Roberto Dias, Pedro Rocha e Gerson, Terto era exatamente o contraponto, aquele jogador “formiguinha” que corria por todos. O segredo era lançar a bola para ele correr e trombar no meio dos zagueiros. Virou um xodó dos dirigentes e da torcida tricolor, que revezavam em chama-lo entre perna de pau e genial. A imprensa costumava brincar muito com isso. Durante esta época a rádio Jovem Pan tinha um programa de muito sucesso chamado Show de Rádio que começava suas transmissões de futebol, destacando “...o esporte bretão que consagrou Terto”. Bicampeão paulista pelo São Paulo nos anos de 1970 e 1971 entrou na história também por ser o autor do primeiro gol do clube em campeonatos brasileiros, no dia 14 de agosto de 1971, na derrota por 3 a 1 frente o Santos. Naquele ano seria vice-campeão daquela competição. Jogando pelo tricolor, ainda foi campeão paulista em 1975. Ao longo de 10 anos vestindo a camisa do São Paulo, marcou 86 gols em 499 jogos. No final do estadual de 1977 foi contratado por outro tricolor, o da cidade de Ribeirão Preto, o Botafogo, onde atuou com o genial Sócrates. Seguindo a sua carreira, sempre tricolor, em 1979 foi contratado pelo Ferroviário do Ceará, onde foi campeão cearense daquele ano, sua ultima conquista como jogador. No ano seguinte, em 1980, ainda atuaria no “Tricolor de Aço”, o Fortaleza, sendo vice-campeão estadual. Terto foi um sobrevivente do futebol. Um dos muitos exemplos de jogadores que surgiram no nordeste, onde ganharam a fama de craque, e ainda que não o fossem, fizeram sucesso atuando por grandes equipes do futebol brasileiro.



 

 

O Super Zé

Autor: José Renato - 31/08/2015   Comentários Nenhum comentário

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José Maria Rodrigues Alves nasceu em 18 de maio de 1949 na cidade paulista de Botucatu. Começou no futebol atuando como atacante na equipe amadora, de sua cidade natal, o Atlético Clube Lageado, time de uma fazenda de café, ainda nos meados da década de 1960. Ainda com pouco mais de 15 anos, passou a atuar na equipe amadora mais popular de sua Botucatu, a Associação Atlética Ferroviária. Chamou a atenção da comissão técnica da equipe tricolor, por conta de seu grande vigor físico. Por conta disso, acabou deslocado para a lateral direita, onde teria a possibilidade de avançar em direção ao ataque, algo quase que inédito no futebol daqueles tempos. Em 1966 foi um dos destaques da Ferroviária de Botucatu que chegou até a fase final do campeonato paulista da Divisão Intermediária, algo similar a Série B, o que fez com que chamasse atenção de olheiros da Portuguesa de Desportos, que o contratou no ano seguinte. Chegou à equipe de Canindé para ser reserva de Augusto, no entanto, já na estreia do campeonato paulista daquele ano, em 4 de julho, na vitória por 2 a 1 frente a Prudentina, era o titular da boa equipe Lusa que contava com jogadores do nível de Felix, Lorico, Basilio e Leivinha. Após um campeonato promissor em 1967, foi contratado pelo Vasco da Gama no começo de 1968, onde acabou ficando apenas por 3 meses. Este retorno, inesperado, a Portuguesa acabou servindo de motivação para Zé Maria. Não demorou muito e ele foi convocado para atuar na seleção brasileira que venceu a seleção polonesa, por 6 a 3, em partida amistosa realizada na cidade de Varsóvia, em 20 de junho em 1968. Foi ali que começou o seu namoro com a camisa canarinho o que acabou rendendo sua convocação, como reserva de Carlos Alberto Torres, para a seleção brasileira que acabaria por conquistar o tricampeonato mundial na Copa do Mundo de 1970, Já campeão mundial viria a ser contratado pelo Corinthians, um namoro antigo que começara ainda no ano anterior, após a morte em acidente automobilístico do lateral direito alvinegro Lidu, juntamente com o ponta esquerda Eduardo, em 28 de abril de 1969. A contratação junto a Lusa foi uma das mais difíceis, sendo necessário até mesmo a influencia do seu pai, Durvalino, a quem prometeu conquistar um título para dar fim a fila de 22 anos sem conquistas da equipe do Parque São Jorge. Sua estreia no Corinthians aconteceu em 11 de novembro de 1970, na derrota por 1 a 0 frente o Grêmio no estádio Olímpico, e marcou o inicio de um casamento que durou quase 14 anos, 599 jogos, 4 títulos paulistas (1977, 1979, 1982 e 1983) e 17 gols. No seu ultimo ano de Timão, em 1983, após a demissão do técnico Mario Travaglini no meio do campeonato brasileiro, Zé Maria foi escolhido pelos jogadores para assumir o cargo de técnico até o final da competição, o que o fez ao longo de 10 partidas. Seu apelido Super Zé se devia ao seu folego quase interminável e principalmente por não fugir de divididas. Nas partidas finais do campeonato paulista de 1977, caberia a ele marcar o seu irmão Tuta, ponta esquerda da Ponte Preta e que vinha sendo um dos destaques da equipe campineira. Ainda no vestiário, membros da comissão técnica, José Teixeira e Oswaldo Brandão se mostravam meio temerosos, com relação ao vigor que ele daria nas divididas com o irmão mais novo. Meio de lado, ao ouvir a conversa, Zé Maria direcionou aos dois e disse: Do meu irmão, cuido eu. Na primeira jogada entre os dois, Tuta foi parar no meio da pista que cercava o campo do estádio do Morumbi. Acabara ali o confronto entre os irmãos, uma vez que o ponta esquerda da Ponte sumiu nas partidas finais. Em 13 de outubro, na partida decisiva, caberia a Zé Maria bater a falta que deu início a jogada do gol libertador de Basilio, na vitória por 1 a 0. A promessa feita ao pai estava cumprida. Mais um fato marcante propiciado pelo Super Zé aconteceu na primeira partida da final do campeonato paulista de 1979, novamente contra a Ponte Preta, em 3 de fevereiro de 1980. Após sofrer um corte do supercilio, com a camisa toda ensanguentada resolveu continuar na partida, levando a fiel ao delírio. Esta identidade com a torcida do Corinthians acabou contribuindo para sua eleição a vereador na cidade de São Paulo em 1982. Em 1984, encerrou sua carreira após atuar algumas partidas pela Internacional de Limeira. Pela Seleção Brasileira, além da Copa de 1970, disputou a Copa de 1974, na Alemanha, quando se tomou a posição de titular de Nelinho, após as três primeiras partidas daquela competição. Chegou a ser convocado para Copa do Mundo de 1978, na Argentina, mas contusões acabaram o afastando do seu terceiro mundial. Vestiu a camisa amarela em 66 oportunidades.



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