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Blog Memória Futebol


Manga, o sinônimo de goleiro.

Autor: José Renato - 20/07/2015   Comentários Nenhum comentário

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Haílton Corrêa de Arruda nasceu na cidade de Recife em 26 de abril de 1937. Passou sua infância em um bairro pobre da capital pernambucano, onde contraiu varíola. A doença deixou marcas em seu rosto e fez com que seu apelido virasse Manga, por conta dos “buracos” do tamanho de mangas. Certamente um exagero. Ainda menor de idade, começou no futebol jogando no Sport Recife, onde desde cedo mostrou seu potencial. Em 1954 conquistou o estadual juvenil sem tomar um gol sequer, o que chamou a atenção do técnico Gentil Cardoso que o promoveu para a equipe principal. A titularidade só viria a partir de 1957, após se destacar durante excursão da equipe rubro negra à Europa e ao Oriente Médio. No ano seguinte foi titular da equipe que conquistou o campeonato pernambucano. Em 1959, foi contratado pelo Botafogo do Rio de Janeiro, por indicação do jornalista João Saldanha. Sua chegada foi cercada de muita desconfiança. Manga não somente se tornou titular como passou para a história do clube como o maior goleiro de todos os tempos. Convocado para a seleção brasileira participou da Copa do Mundo de 1966, quando chegou a substituir ninguém mais que Gylmar dos Santos Neves. Dono de um estilo arrojado, não tinha medo te meter suas mãos, imensas, juntos aos pés dos adversários, habito que acabou por deformar quase todos os dedos das mãos. Era também ótimo na reposição de bola e costumava abrir mão da formação de barreiras em cobranças de faltas, segundo ele, para poder encarar o cobrador “de frente”. Muito simplório, seu nome frequentemente está presente em engraçadas situações. Em uma delas, Manga estaria dirigindo seu carro, quando avistou o centroavante Radar, que atuava no rival Flamengo, no ponto de ônibus. Solicito, ofereceu carona ao rubro negro e seguiu em direção ao seu destino, em alta velocidade. Tudo ia bem, até que foi parado por um policial, que lhe deu uma multa por excesso de velocidade. Manga retrucou como ele sabia disso. O policial respondeu que o radar tinha “dedurado”. Aborrecido, Manga se virou ao rubro negro Radar e o expulsou do carro imediatamente. Em outra oportunidade, ao compartilhar com os colegas que só tinha votado uma única vez, quando ainda vivia no Recife, foi perguntado em quem tinha votado. De imediato respondeu que não sabia, pois tinha recebido a cédula de votação já preenchida e que o “coronel” da cidade tinha proibido que fosse visto o voto, uma vez que era secreto. As polêmicas também estiveram sempre próximas dele. Pelo fato de costumeiramente ter grandes atuações irretocáveis frente ao Flamengo, antes dos clássicos, chamava a imprensa para afirmar que “o leite das crianças já estava garantido”, o que gerava a irritação dos torcedores rubros negros. Em outra oportunidade, poucos dias antes da ultima rodada do campeonato carioca de 1967, teve seu nome envolvido em suposto suborno oferecido pelo dirigente do Bangu, Castor de Andrade, contra quem o Botafogo disputava o título estadual. Tal fato acirrou os ânimos do jornalista e botafoguense, João Saldanha, o mesmo que o indicara para o alvinegro, e que durante toda a transmissão da partida final, passou a questionar sua atuação. Embora o Botafogo tenha vencido a partida por 2 a 1, e conquistado o título, Saldanha não estava convencido da inocência do goleiro e invadiu a sede alvinegra, dois dias depois, com arma em punho em direção ao goleiro. Assustado, Manga precisou pular um muro de quase três metros para escapar do tiro dado pelo jornalista. Com a camisa alvinegra, conquistou quatro campeonatos cariocas em 1961, 1962, 1967 e 1968, três torneios Rio-São Paulo em 1962, 1964 e 1966, uma Taça Brasil em 1968, além de inúmeras outras competições e torneios. Após quase 10 anos na equipe carioca, foi contratado pelo Nacional de Montevidéu, a convite do técnico Zezé Moreira, onde também marcou história. Foi tetracampeão nacional em 1969, 1970, 1971 e 1972, da Taça Libertadores e do Mundial Interclubes em 1971. Até gol, Manga marcou, ao repor uma bola em campo, seu chute foi tão forte e alto que acabou encobrindo o goleiro adversário. Em 1974 estava de volta ao Brasil para defender as cores do Internacional, onde também se tornou um dos maiores nomes da história da equipe. Fez parte de um dos maiores times formados pelo Colorado, sendo tricampeão estadual em 1974, 1975 e 1976 e bicampeão brasileiro em 1975 e 1976, vencendo as Bolas de Prata, tradicional premio promovido pela revista Placar, nos dois anos consecutivos, como o melhor goleiro do campeonato brasileiro. Para muitos colorados, também foi o maior goleiro da historia do Internacional. Chegando aos 40 anos, considerado velho, foi liberado pela equipe gaúcha e contratado pelo pequeno Operário de Campo Grande. Coube a Manga provar, novamente, que todos estavam errados. Foi campeão estadual pelo Operário e foi um dos grandes responsáveis pela impressionante campanha da equipe que chegou as semifinais do campeonato brasileiro de 1977, feito até hoje inédito para um time da região Centro Oeste. Novamente em alta, em 1978 foi jogar no Coritiba, sendo campeão estadual, e no ano seguinte, já estava de volta a Porto Alegre, desta vez para defender o grande rival do Internacional, o Grêmio, onde voltou a ser campeão gaúcho, em 1979. Sua ida para o Grêmio mudou a relação existente entre os rivais. Desde então, jamais um jogador do rival era contratado pelo adversário, e vice versa, em um acordo tácito, que teria sido quebrado pelos tricolores, que alegaram o fato, por conta do jogador estar atuando no Coritiba, e não no Internacional. A partir dali, as transferências entre os rivais, embora sempre polêmicas, passaram a ser frequentes. Acabou a carreira na equipe equatoriana do Barcelona de Guayaquil onde foi campeão nacional em 1981. Manga teve uma carreira tão excepcional e marcante que sua data de aniversário passou a ser considerada como o Dia do Goleiro, algo único e certamente justo, pois seu nome é sinônimo de goleiro.

 

 

Quando um show de strip-tease foi o craque de uma partida de futebol

Autor: José Renato - 17/07/2015   Comentários Nenhum comentário

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Brega & Chique foi uma telenovela, de autoria de Cassiano Gabus Mendes, produzida pela Rede Globo de Televisão, entre 20 de abril e 6 de novembro de 1987. Estrelada por Marilia Pêra, Marco Nanini, Gloria Menezes e tantos outros astros globais, a novela foi considerada a melhor do gênero pela APCA, Associação Paulista dos Críticos de Arte, naquele ano e um grande sucesso de audiência em seu horário, convencionalmente, adotado como sendo o das sete horas. Apesar de toda a boa repercussão provocada pela novela, ela acabou entrando na história da televisão brasileira, por conta da polêmica provocada pela sua abertura. Criada pelo designer Hans Donner, durante a sua exibição, ao som da música, Pelado, da banda Ultraje a Rigor, o modelo Vinícius Manne aparecia, de costas, nu, com as nádegas expostas. A nudez do rapaz passou a ser um dos assuntos mais comentados do país naquele ano, e o rapaz viveu, como pouco, muito bem os seus quinze minutos de fama, com muitos elogios, sobretudo por parte das mulheres. No entanto, após algumas semanas de exibição da novela, o interesse acabou se transformando em grande polêmica por conta, principalmente do horário em que a cena era veiculada e do público da novela formado por muitas crianças. Por conta de ação judicial, a Rede Globo precisou modificar a cena de abertura, com a inclusão de uma pequena folha que encobria as nádegas do jovem rapaz. Após muita negociação e uma repercussão muito negativa junto ao público, a censura acabou não durando muito tempo, e pouco depois a folha foi retirada. Sendo assim, a abertura voltou a ser exibida conforme houvera sido produzida originalmente. Este episódio não passou despercebido pelo cearense Emanuel Magalhães, um fanático torcedor do Fortaleza Esporte Clube e dirigente da torcida organizada Fiel Tricolor e que identificou naquela nudez, uma possibilidade de aumentar o interesse da torcida nos jogos da sua equipe de coração. Aborrecido pelo baixo numero de pessoas presentes no estádio, em media de 500 a 600 pessoas, resolveu convidar sua atual namorada, da época, uma ex-namorada e duas conhecidas para realizarem um show de strip tease momentos antes do início da partida entre o Fortaleza e o Quixadá, que aconteceria em 9 de julho, no estádio Presidente Vargas, o PV. Pegas de surpresa, Rogelha, Sueli, Rosileire, todas com 21 anos, e Ana Paula com 18 anos, no inicio recusaram a proposta, mas acabaram convencidas pelo cachê de mil e quinhentos cruzados que seria dado para cada uma delas. Uma delas, Rogelha, em entrevista dada na época, chegou a afirmar que, embora trabalhasse como caixa de um supermercado, identificava aquilo como uma grande oportunidade de realizar seu grande sonho de ser tornar famosa, uma vez que já fazia shows a noite. Quanto a Emanuel coube o trabalho de divulgar junto a alguns órgãos de imprensa que haveria um desfile “especial” feito por um grupo de garotas. Por volta das 18:00 daquele dia, como já era uma tradição, os torcedores tricolores começaram a chegar ao estádio e se aglomeraram ao redor de suas cercanias, para comer o sanduíche chamado pelo sugestivo nome de “Cai Duro”, pelo fato de ser feito por uma mistura de carne moída de várias origens, quase todas desconhecidas e beber algo que os tornassem mais animados para aquela partida. Mal sabiam eles o que estariam prestes a assistir. Eram ainda muito poucos os torcedores posicionados nas arquibancadas, quando as 4 meninas entraram em campo, quase que em fila indiana, vestindo shortinhos apertados e camisetas coladas e empunhando bandeiras, começaram a acenar em direção ao público. Foi imediato o início dos gritos elogiosos, porém tímidos, por parte de alguns torcedores. De repente as meninas começaram a rebolar e fazer movimentos que insinuavam a predisposição a tirar suas roupas. Neste momento, um dos repórteres chegou a uma delas e perguntou: “Você vai tirar a roupa?”. Rapidamente ela respondeu: “...se o Emanuel quiser, sim...” Foi a senha para que os torcedores que ouviam o rádio ainda do lado de fora do estádio, resolvessem correr em direção a entrada, pularem catracas e passando por cima de tudo que vissem pela frente, chegassem para assistir o “desfile”. Segundo testemunhas, muitos largaram seus lanches no chão. Ao que parece, isto animou ainda mais as meninas, que em pleno campo de jogo iniciaram o strip-tease sob os gritos de “tira tira tira...”. Quase que simultaneamente, foram tirando peça por peça, ao mesmo tempo em que eram orientadas para apressarem o show por conta da necessidade de início da partida, uma vez que até mesmo os jogadores das duas equipes tinham deixado seus vestiários para assisti-las. Enquanto repórteres se esbarravam uns nos outros para entrevistá-las, os policiais começaram a pedir, entre uma olhada e outra mais maliciosa, que elas se retirassem. E foi sob muitos aplausos, e algumas vaias, por conta daqueles que queriam que elas continuassem lá, que as meninas saíram de campo em direção aos vestiários, mandando beijos para os mais de 5.000 torcedores presentes no estádio naquele dia. Segundo relatos da época, nenhuma delas chegou a ficar totalmente nuas, apenas sem a parte de cima e de biquíni do tipo fio dental. Quando as duas equipes entraram em campo para dar o pontapé inicial, o que se viu, foi ainda mais curioso, alguns torcedores desceram as arquibancadas para terminarem de fazer os seus lanches, pois tinham interrompido por conta do show das meninas. Ao contrário da animação antes de seu inicio, o jogo foi pouco empolgante, e acabou com a vitória do Fortaleza por 1 a 0, com um gol marcado já no segundo tempo. Após seu final, no entanto, o grande nome da partida, não foi nenhum dos jogadores que atuaram naquele dia, e sim, Emanuel, o torcedor, que não cansava de dar entrevistas para falar sobre o strip tease, bem como sobre o que estava sendo programado para acontecer na próxima partida de sua equipe, no clássico frente o grande rival, Ferroviário. Emanuel não se furtou a afirmar que estava preparando algo ainda mais arrojado para este próximo jogo, o que fez com que muitos imaginassem que haveria, até mesmo, um show de sexo explícito. A imprensa passou a destacar muito o episódio destacando, principalmente, o quanto o futebol local estava falido por necessitar usar deste tipo de artificio para atrair público. Por conta da repercussão, algumas das meninas que fizeram o show chegaram a negar que sequer estiveram presentes naquele dia no estádio, quanto mais que haviam tirado a roupa. Já Rogelha, a mais desinibida delas, acreditava que poderia cobrar até mais por um novo strip-tease. Incomodado pelo acontecido e por seus desdobramentos, um juiz local chegou a decretar a prisão preventiva de Emanuel, por atentado ao pudor, sobretudo por conta da presença de crianças no estádio. Assustado, Emanuel resolveu evitar novas entrevistas e desistir de novas peripécias. Ainda assim, em 19 de julho, ao chegar ao estádio para assistir o clássico entre Fortaleza e Ferroviário, acabou sendo preso e levado para dar maiores esclarecimentos para a justiça. Só foi liberado após prometer que jamais voltaria a organizar algo parecido. Ao que parece sua iniciativa acabou surtindo efeito junto aos torcedores que, na duvida, passaram a frequentar de forma mais efetiva os jogos do tricolor cearense, o que foi muito importante para levar a sua equipe a conquista do título estadual daquele ano, poucos dias depois, em 9 de agosto.



 

 

Jorge Demolidor, aquele que demolia as defesas adversárias.

Autor: José Renato - 13/07/2015   Comentários Nenhum comentário

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O capixaba Jorge da Silva nasceu em 18 de agosto de 1947. Ainda criança veio com a família para o Rio de Janeiro, local escolhido para viver e onde começou a jogar futebol defendendo a pequena equipe do São Cristovão. Atacante, muito alto, com pouca habilidade técnica, mas com muita disposição, por conta da forma como “demolia” as defesas adversárias, passou para a história do futebol como Jorge Demolidor. Poucas vezes um apelido combinou tanto com o estilo de jogo de um atleta, uma vez que era comum vê-lo passando por cima, literalmente, os zagueiros. Por indicação do meio campista Danilo Menezes, que o conhecia dos confrontos frente ao Vasco da Gama, aos 19 anos foi contratado pela equipe potiguar em 1973. Para isso foi preciso que Danilo prometesse para a sua mãe que cuidaria dele em Natal, uma vez que seria a primeira vez que ia morar longe dela. Naquela oportunidade, a equipe potiguar tinha sido suspensa do campeonato brasileiro, por 2 anos, pelo CBD (atual CBF) por ter utilizado jogadores irregulares durante uma partida válida pelo campeonato nacional de 1972. Por conta disso o ABC promoveu uma excursão entre países da Ásia, África e Europa ao longo de mais de 100 dias, e que é, até hoje, o maior tempo de permanência de uma equipe brasileira fora do país. Jorge foi contratado para fazer parte desta excursão e se destacou ao ser o artilheiro da equipe. Além dos gols, Jorge teve um papel importantíssimo durante aquela excursão. Para muitos presentes naquela viagem, ele foi essencial fora de campo também. Sempre que via alguém desanimado ou com saudade de casa, ele era quem começava a cantar um samba ou fazer graça com seus companheiros. Em 1973 ganhou status de ídolo “Abcedista” ao marcar dois gols, ambos de cabeça, na final frente o rival América e ser artilheiro da equipe que conquistou o campeonato estadual daquele ano. Já com fama nacional e por conta da suspensão da equipe potiguar, foi contratado pelo Rio Negro de Manaus em 1974 para disputar o campeonato brasileiro. Com a equipe Barriga Preta, viveu um dia histórico, em 2 de maio daquele ano, na derrota por 3 a 0 frente o Santos, quando Pelé marcou seu ultimo gol pela camisa alvinegra, em partida oficial, realizada na Vila Belmiro. No ano seguinte já estava no Comercial, atualmente do Mato Grosso do Sul, quando fez parte da equipe que conquistou o estadual daquele ano. Pouco depois já estava novamente no ABC, desta vez por pouco tempo. Em 1976 voltou a mudar de ares, no Botafogo da Paraíba, onde chegou com fama de artilheiro, mas com certa desconfiança por parte da torcida.Voltou a viver uma grande fase em 1977, quando foi artilheiro e campeão estadual daquele ano. No ano seguinte vestiu as cores do rival, o Campinense. E logo continuou trocando camisas. Em 1979 jogou pelo Serrano do Rio de Janeiro e o Confiança de Aracaju. No ano seguinte já estava no Madureira, onde continuou fazendo seus gols até 1982. Anos depois, em 1985, após passar pelo Guarany de Sobral, estava de volta ao ABC, onde era ídolo e posteriormente no Mogi Mirim, onde foi campeão e conquistou o acesso para a primeira divisão do campeonato paulista. Encerrou a carreira em 1991 no Atlético, da cidade de Natal, local escolhido para fixar residência. Jorge Demolidor é, até hoje, um dos maiores nomes da história da equipe do ABC, um trabalhador do futebol que viveu dos seus gols defendendo camisas de todas as cores ao longo de sua carreira.



 

 

Mococa, o homem que desafiou Falcão.

Autor: José Renato - 06/07/2015   Comentários Nenhum comentário

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Gilmar Justino Dias nasceu na cidade paulista de Mococa em 10 de março de 1958. Assumiu como seu o nome de sua cidade natal e passou para a história do futebol como Mococa. Da mesma forma passou a chamar seus companheiros, pelos nomes de suas cidades de origem. Começou no futebol atuando nos juvenis da Ponte Preta e Guarani até que surgiu a oportunidade de atuar no Palmeiras. Ainda muito novo, em 1978, foi emprestado, para ganhar experiência, ao Noroeste de Bauru, onde atuou com Jairzinho, o Furacão da Copa e com outro atacante que fez história do futebol, Lela. Logo estaria de volta ao Palmeiras, naquela oportunidade, comandado pelo Mestre Telê Santana. Com Telê passou a ser um dos principais jogadores daquela equipe que marcou época no futebol brasileiro em 1979. No campeonato brasileiro daquele ano, após quatro goleadas consecutivas, 5 a 1 no Santos, 5 a 1 na Portuguesa, 5 a 1 no Comercial de Ribeirão Preto e 4 a 0 no São Bento de Sorocaba, o Palmeiras chegou em 9 de dezembro para enfrentar o Flamengo de Zico em pleno estádio do Maracanã, em partida decisiva que valeria uma vaga para as semifinais. Os jornais cariocas eram quase unanimes em afirmar que os paulistas “tremeriam” diante um Maracanã lotado. E realmente o estádio estava cheio, com mais de 112 mil pessoas que assistiram a um verdadeiro baile alviverde, que goleou a equipe rubro-negra por 4 a 1, em partida que, para muitos, selou a ida de Tele Santana para a seleção brasileira, quando montou uma das melhores equipes da história do futebol mundial. Naquele dia, Mococa teve a incumbência de marcar Zico, o maior de todos os craques da história do Maracanã, e simplesmente não deixou o Galinho jogar. Foi um monstro. Juntamente com Pires levou Carpegiani e Adílio a loucura. Assim como o técnico do Flamengo, Claudio Coutinho, que sem ter o que fazer acabou por colocar o polemico Beijoca em campo, dando a seguinte missão: “Entra lá e acaba com o jogo”. O atacante rubro negro entrou em campo e em pouco mais de um minuto, largou uma cotovelada no rosto de Mococa, que caiu gritando de dor no meio do campo, e em seguida foi expulso. Anos depois o meio campista palmeirense afirmou que sua reação de dor tinha sido mero teatro. Na partida seguinte, válida pelas semifinais do Brasileirão, em 13 de dezembro, o adversário seria o Internacional, liderado pelo magistral Falcão, no estádio do Morumbi. Um jogo que reunia duas equipes invictas na competição. Naquele dia o jornal paulistano, Jornal da Tarde, imprimiu em sua manchete principal: “Mococa ou Falcão?”. Para a imprensa de São Paulo era Mococa, o camisa 10 da equipe, quem fazia o Palmeiras ser um time veloz e combativo. Pois naquele dia, foi a vez de Falcão acabar com o jogo, marcando 2 gols da vitória colorada por 3 a 2, naquela que foi considerada a final antecipada do campeonato. Quanto ao Jornal da Tarde, no dia seguinte, o diário respondeu sua pergunta com nova manchete: “Falcão, é claro”. Na partida de volta, em 16 de dezembro, no estádio do Beira Rio, o Palmeiras que precisava vencer a equipe colorada, apenas empatou por 1 a 1, com um gol de Mococa. A saída de Telê para o seleção, em 1980, acabou, aos poucos, provocando um desmonte da equipe alviverde. Em 1981 Mococa foi contratado pelo Santos, onde ficou por pouco tempo. Já no segundo semestre do ano foi jogar no Bangu. Na equipe de Moça Bonita, foi titular absoluto durante mais de três anos, até 1984, período em que a equipe do subúrbio carioca cresceu sob o comando de seu patrono, Castor de Andrade, que investia alto na formação de equipes competitivas. Já no final de carreira passou pela Cabofriense, Rio Branco de Americana e Atlético de Três Corações, até voltar para sua cidade natal para defender a equipe do Radium, onde jogou entre os anos de 1987 e 1988. Mococa foi daqueles jogadores esforçados, que em certo momento da carreira, principalmente, por conta do fato de fazer parte de uma equipe muito bem armada, chegou a ser considerado craque.



 

 

Rei Dada, o Beija Flor com Peito de Aço

Autor: José Renato - 29/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Dario José dos Santos nasceu no bairro de Marechal Hermes, no subúrbio do Rio de Janeiro em 4 de março de 1946. Filho do meio do casal Seo João José e de Dona Metropolitana, ainda aos 5 anos presenciou uma terrível tragédia. Sua mãe, que sofria de alucinações, jogou querosene em seu próprio corpo, ateou fogo e saiu correndo pela rua como se fosse uma tocha humana. Dario correu em sua direção para tentar apagar o fogo, o que poderia ter o levado a morte, quando foi empurrado pela mãe em uma vala a céu aberto. Aquele empurrão salvou sua vida. A visão da morte de sua mãe completamente queimada marcou para sempre a sua vida. Pouco tempo depois, sem condição de mantê-los, o pai acabou por deixar os três filhos no Serviço de Assistência aos Menores. Isolado, Dário passou a viver internado, e pouco pode contar com as visitas de familiares aos finais de semana. O mundo do crime pareceu ser o seu destino, ainda mais pelos inúmeros delitos que começou a cometer. Chegou a tentar o suicídio. Certa vez passando pela rua viu um grupo de meninos jogando bola. Tentou se unir ao grupo, mas depois de pouco tempo, foi impedido. Motivo? Era muito ruim de bola. Ainda assim arrumou uma maneira para poder jogar, roubou uma bola e a levou como sendo o dono dela. Passou a jogar como zagueiro, onde bastaria dar chutões para cima. Tudo estava indo razoavelmente bem até que o time da sua rua passou a enfrentar outro formado pelos irmãos Antunes. Dentre eles o próprio Antunes, Edu e Zico, que posteriormente se transformaria em um dos maiores nomes do futebol mundial. Acabou sendo deslocado ao ataque para fugir das “humilhações” que sofria, sobretudo dos dribles de Antunes. Aos dezoito anos foi para o exército onde passou a atuar na equipe de seu regimento. Não sabia dominar uma bola, mas marcava muitos gols. Animado com uma eventual oportunidade no futebol, passou a tentar uma vaga nas equipes cariocas, quase todas da capital fluminense, e foi recusado em todas elas. Passou a trabalhar na Light, empresa de energia elétrica, cavando buraco para colocar postes de luz. Vida muito dura. Resolveu tentar a sorte na equipe do Campo Grande, onde fez um acordo inusitado. Jogaria em troca de um prato de comida. Seus gols mataram sua fome e logo o fizeram titular da equipe. Em 1967, na sua primeira partida no Maracanã, ganhou as manchetes dos jornais cariocas ao marcar os dois gols da vitória de virada frente o Vasco da Gama. Aquele resultado acabou por causar a queda do técnico cruzmaltino, Gentil Cardoso, o mesmo que anos antes houvera dispensado Dario e sugerido que fosse arrumar algum trabalho braçal. Foi em 1968, no entanto, que surgiu sua primeira chance em uma grande equipe brasileira, o Atlético Mineiro, por conta da vinda de um diretor da equipe mineira, Jorge Ferreira, ao Rio de Janeiro para contratar um jogador do São Cristovão. Acabou levando Dario. Sua chegada ao Atlético, no entanto, sequer foi considerada como reforço a equipe e ficou por quase 2 anos no banco de reservas. Quando entrava em campo, normalmente era vaiado pela torcida e depois de um tempo sequer passou a ser relacionado entre os reservas. Tudo isto mudou em 1969, com a chegada do técnico Yustrich, que resolveu acreditar naquele atacante alto, sem qualquer técnica, mas que corria muito e cabeceava como poucos. Logo virou titular e artilheiro do campeonato estadual daquele ano. Em 3 de setembro de 1969, aconteceria o fato que marcaria de vez sua carreira como jogador de futebol. Naquele dia a seleção mineira, representada inteiramente por jogadores do Atlético venceu por 2 a 1 a seleção brasileira que houvera acabado de conseguir classificação para a Copa do Mundo de 1970. O gol da vitória foi marcado, justamente, por Dario e acabou por causar certa comoção em torno de uma eventual convocação sua para a seleção brasileira. Enquanto o técnico da seleção, João Saldanha, sequer considerava pensar nesta possibilidade, coube ao presidente da república, Emílio Garrastazu Médici, revelar para a imprensa que era fã do atacante do Galo e que não entendia porque ele não era convocado. Daí surgiu a histórica resposta de Saldanha ao presidente: “Ele escala o ministério, que eu escalo a seleção.” Pouco tempo depois, Saldanha deixou a seleção. Em 12 de abril de 1970, no Maracanã, Dario estreava na seleção, já comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo, ao lado de Pelé, em partida amistosa frente a seleção paraguaia. O episódio com Médici acabou provocando certa dificuldade no relacionamento de Dario com os demais atletas selecionados, ainda assim o fato é que ninguém marcava mais gols que ele naquela época. Campeão mundial em 1970 no México, como reserva, voltou ao Galo para ser campeão mineiro e artilheiro do campeonato estadual em 1970, campeão brasileiro e artilheiro da competição em 1971, com direito a fazer o gol do título na final. Novamente artilheiro do estadual e do brasileiro em 1972, ficou em Minas Gerais até 1973, quando foi contratado pelo Flamengo. Foi lá que ganhou o apelido, Dadá Maravilha, alusão a cidade Maravilhosa e a outro jogador folclórico que atuara na equipe rubro negra, Fio Maravilha. Após breve retorno ao Atlético, em 1975 já estava no Sport Recife, que formara um verdadeiro esquadrão para quebrar o jejum de 13 anos sem títulos. Foi campeão estadual e artilheiro da competição. Em 7 de abril de 1976, mais um grande feito, desta vez mundial, na goleada de 14 a 0 frente ao Santo Amaro, Dario marcou 10 gols. Ainda naquele ano, seus gols acabaram por levá-lo a atuar na maior equipe brasileira da década de 1970, o Internacional, onde foi campeão estadual, campeão brasileiro e artilheiro da competição, com direito, novamente, a gol na final. Ficou no Colorado até 1977, de onde saiu para atuar na Ponte Preta. Logo depois estava de volta ao Galo, para ser campeão mineiro de 1978. A partir daí passou a percorrer o país, sempre marcando gols e firmando sua fama de artilheiro e campeão por onde passou. Em 1979 vestiu a camisa do Paysandu, no ano seguinte, a do Náutico, em 1981, passou pelo Santa Cruz e Bahia, onde foi bicampeão estadual 81/82 e condecorado Rei Dadá. Em 1983, esteve no Goiás, já em 1984 no Coritiba e em 1985 no América Mineiro e Nacional de Manaus, onde novamente foi campeão estadual. Em 1986, no seu ultimo ano como profissional, defendeu as cores do XV de Piracicaba e Douradense de Mato Grosso do Sul. O homem das frases feitas, um exemplo de ser humano que enganou o destino que tinha pela frente, para se tornar um dos maiores nomes do futebol brasileiro. Dario sempre foi e será a alegria da bola, um orgulho para o futebol arte, muito embora sequer dominar uma bola soubesse, cá entre nós, azar dela.



 

 

Marciano, o artilheiro interplanetário

Autor: José Renato - 22/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Em 3 de janeiro de 1950, nasceu na cidade catarinense de Lauro Muller, Marciano José Silveira Filho. Verdade, Marciano era o nome oficial de Marciano, jogador que marcou época no futebol brasileiro durante as décadas de 1970 e 1980. Começou no futebol no Henrique Lage, equipe amadora de sua cidade. De lá saiu contratado pelo Metropol, onde após apenas 4 partidas, acabou sendo levado para o Figueirense, onde ficou por somente 5 meses, até um amistoso frente ao Internacional, quando chamou a atenção do técnico colorado. Com 19 anos seu caminho foi Porto Alegre. Lá chegando enfrentou a concorrência de dois ídolos da torcida colorada, os atacantes Bráulio e Valdomiro. Acabou sendo emprestado ao América Carioca. De volta ao Internacional fez parte do plantel que conquistou os títulos gaúchos de 1970 e 1971. Com poucas chances na equipe titular, comprou seu passe junto a equipe gaúcha. Em 1973 foi contratado pelo Fortaleza, onde viveu seu primeiro grande momento como titular da equipe que foi campeã cearense daquele ano, sendo inclusive o artilheiro do campeonato com 17 gols marcados. No ano seguinte, chegou a participar da campanha do bicampeonato cearense, quando aceitou o desafio de jogar no futebol paulista, no Guarani de Campinas. Ao se contundir, rescindiu o contrato e voltou para se recuperar na cidade de Porto Alegre, onde fixara residência. Em 1975, já recuperado, foi contratado pelo Paysandu de Belém do Pará. Fez sucesso na equipe alviceleste, sendo vice-campeão estadual e vice-artilheiro do campeonato paraense. Em 1976, voltou ao futebol cearense, desta vez para vestir a camisa do Ceará, onde foi campeão estadual de 1976 e artilheiro da competição com uma incrível marca de 34 gols. Sua fama de goleador voltou a correr o Brasil e atraiu o interesse do Flamengo que não acreditava ser Luisinho, futuramente Luisinho das Arábias, o centroavante ideal para a equipe. Entre 1976 e 1977, Marciano jogou 25 partidas com a camisa rubro negra e marcou 12 gols. Nunca se firmou como titular e após o surgimento de Claudio Adão, acabou sendo negociado com o Botafogo de Ribeirão Preto. Após uma tímida passagem no tricolor, continuou sua peregrinação no mundo do futebol, agora pelo estado do Paraná, onde atuou no extinto Colorado, em 1978, e posteriormente no Coritiba, em 1979. Logo estaria de volta ao futebol nordestino defendendo as cores do Bahia, novamente as do Fortaleza, onde foi vice-campeão estadual em 1980, e em seguida as do Ceará, onde voltou a ser campeão estadual em 1981. Segundo alguns historiadores, é o maior artilheiro da história do campeonato cearense, com 98 gols marcados, vestindo as camisas das duas maiores equipes do estado. Em 1982, passou pelo CSA, sendo o artilheiro da equipe que conquistou o vice-campeonato brasileiro da segunda divisão. A seguir foi contratado pelo Náutico. Em 1983 voltaria a vestir as camisas do CSA e do Ceará. Não parou por ali e continuou sua vida peregrina, sempre marcada por muitos gols. Marciano foi daqueles jogadores considerados ciganos do futebol brasileiro, por conta do grande número de camisas que defendeu, mais de 18, ao longo de toda a sua carreira, em vários estados e em todas as regiões do país, feito raríssimo.



 

 

Bezerra e o cabeceio fatal

Autor: José Renato - 15/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Juvenal de Souza nasceu na cidade paulista de Altair em 5 de setembro de 1949. Começou no futebol na equipe homônima de sua cidade natal, de onde saiu para jogar nas pequenas equipes do Guaraçaí e Barretos. Seu futuro se restringiria a equipes de pequeno porte, quando chamou a atenção do Guarani de Campinas em 1971, onde passou a ser conhecido sob o nome de Bezerra. Há registros que o motivo de ter adotado este nome, se deve ao fato dele levar a sua vida no campo, no interior de São Paulo, e gostar muito da vida no pasto, onde costumava pegar o “touro à unha”. Se não touro, bezerra. Primeiramente como lateral esquerda, e depois como zagueiro, se destacou por ter um ótimo senso de posicionamento, ser um bom passador e ter um grande poder de marcação. Na equipe campineira ganhou destaque e teve grandes atuações. Foi contratado pelo São Paulo em 1976, onde acabou se fixando mais na zaga. Sua estreia em 7 de março daquele ano foi em um clássico frente ao Corinthians. Em 5 de março de 1978, coube a Bezerra marcar o terceiro gol, o decisivo, na disputa por pênaltis na final do campeonato brasileiro de 1977, vencida pelo São Paulo frente ao invicto Atlético Mineiro, em pleno estádio Mineirão completamente lotado. Aliás, apenas ele e o meio campista Chicão atuaram em todas as partidas da campanha do primeiro título brasileiro do Tricolor. Bezerra foi titular na dupla de zaga tricolor até 1979. Quando começou a reclamar de constantes dores de cabeça. Acabou sendo diagnosticado, pelos médicos do São Paulo, com cisticercose cerebral, conhecida “como doença do porco”, por conta de uma das formas mais comuns de contágio ser através do consumo de carne de porco contaminada. A cisticercose ocorre quando a larva da tênia do porco infecta o sistema nervoso, e provoca crises convulsivas, cefaléia e distúrbios psiquiátricos, e em casos mais extremos, cabe cirurgia. A falta de maiores informações sobre a doença, na época, levou a criação de um boato que caso Bezerra cabeceasse uma bola, poderia morrer em campo. Por conta disso, foi recomendado a encerrar sua carreira, justamente quando seu nome chegou até mesmo a ser cogitado para a seleção brasileira. A diretoria do São Paulo resolveu promover uma partida para sua despedida, em 26 de janeiro de 1980, um amistoso frente o Flamengo, no estádio do Morumbi, e que acabou 0 a 0. Bezerra vestiu a camisa tricolor em 206 partidas e marcou 11 gols. Após dois anos, no entanto, acabou voltando ao futebol, jogando, primeiro, pelo Fernandópolis e posteriormente no Olímpia, Uberaba e Barretos. Segundo reportagem publicada na época pela revista Placar, não havia qualquer indicio que estivesse curado. A verdade é que ainda havia muito incerteza sobre a evolução da doença. Bezerra encerrou definitivamente a carreira em 1985.



 

 

Dé, o Aranha

Autor: José Renato - 08/06/2015   Comentários 1 comentários

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Domingo Elias Alves Pedra nasceu na cidade carioca de Paraíba do Sul em 16 de abril de 1948. Passou para o mundo do futebol com um sutil apelido formado pelas inicias de seu nome, Dé. Em 1966, jogando pelos juvenis do Olaria, equipe do subúrbio carioca, marcou 3 gols no empate em 4 a 4 frente ao Bangu, em uma preliminar dos profissionais, e logo ao final do ano foi contratado pela equipe de Moça Bonita. A intenção da equipe campeã carioca daquele ano era renovar o plantel em busca do bicampeonato estadual. Logo em suas primeiras partidas com a camisa alvirrubra, em julho de 1967,marcou gols em importantes vitórias frente o Fluminense e Vasco, e passou a ser considerado um dos maiores novos talentos do futebol carioca no final da década de 1960. Jogador muito habilidoso e técnico ganhou a fama de malandro por conta da forma como provocava seus adversários, não apenas em campo, bem como através de suas entrevistas e por suas atitudes, nem sempre muito leais. Em partida válida pela Taça Guanabara de 1970, em 25 de abril daquele ano, aproveitou a entrada do massagista do Bangu e pegou uma pedra de gelo, sob a justificativa de matar sua sede. Logo em seguida, jogou a pedra de gelo em direção da bola, que estava sob controle do zagueiro rubro negro, Reyes. A bola mudou levemente de rumo, o suficiente para que Dé aproveitasse, a dominasse e marcasse o segundo gol, da goleada imposta pelos alvirrubros por 4 a 0. Em outra oportunidade, em partida frente o Vasco, a partida se encaminhava para seu final, empatada por 1 a 1, quando foi marcada uma falta a favor do Bangu. Enquanto Aladim ajeitava a bola, Dé aproveitou para encher a mão com uma porção de terra da área, sem grama, próxima do goleiro Andrada. Logo que Aladim chutou, Dé jogou a terra no meio da cara do arqueiro argentino. Gol do Bangu, 2 a 1. Andrada ficou louco e correu em direção do atacante, proporcionando uma baita confusão no Maracanã. Ficou no Bangu até 1970, quando após chegar a vestir a camisa do Fluminense, acabou sendo contratado pelo Vasco da Gama. Em 22 de junho de 1971, justamente contra seu antigo clube, inconformado pelo “baile” que a equipe cruz maltina levava, na partida que acabou com uma goleada de 4 a 0 a favor do Bangu, acabou expulso, e ao ver o cartão vermelho, o tomou das mãos do arbitro e após tentar rasgá-lo, sem sucesso, por ser de plástico, correu em direção aos vestiários com o cartão em suas mãos. O juiz, Nivaldo dos Santos, tentou pegá-lo de volta e acabou recebendo a seguinte resposta de Dé: “Você me deu o cartão, agora ele é meu”. Em outra oportunidade, em um clássico contra o Flamengo, após ter um gol anulado, que seria o de empate, pegou uma porção da grama e levou para o bandeirinha, gritando: “... burro tem que comer capim...”. Permaneceu no Vasco até 1974, e fez parte do plantel que conquistou o titulo brasileiro daquele ano. Partiu para a Europa, onde foi contratado pelo Sporting de Lisboa. Ficou pouco tempo em Portugal, ainda assim foi campeão nacional da temporada 1974/1975 e da Taça de Portugal de 1975. Logo estava de volta ao Vasco, onde voltou a ser campeão, agora da Taça Guanabara de 1976. Em 1977 foi levado para o Botafogo e embora não tenha conquistado título no alvinegro carioca, fez parte da equipe que ficou invicta por 52 partidas, na maior série invicta do futebol brasileiro. Foi lá que acabou incluindo o "Aranha" ao seu nome, que era uma gíria da época para algo muito ruim ou muito bom. Era desta forma que a torcida da equipe da Estrela Solitária o via. Contratado pela equipe árabe do Al Hilal, em 1980, foi campeão nacional, e logo voltou para atuar no Bangu, onde ficou até 1981. Após breve passagem pelo Bonsucesso, acabou sendo redescoberto pelo futebol capixaba em 1983, onde atuou nas duas grandes equipes do estado, Rio Branco e Desportiva Ferroviária, sendo campeão estadual em 1983 e 1985. Dé foi um dos mais irreverentes jogadores do futebol brasileiro, um exemplo que a malandragem faz parte do esporte e o torna ainda mais divertido.



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