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Blog Memória Futebol


Ruço, o Beijinho Doce

Autor: José Renato - 04/05/2015   Comentários 1 comentários

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José Carlos dos Santos nasceu no simplório bairro do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, em 3 de junho de 1949. Filho de um pintor de carro e de uma dona de casa, durante criança, sua vida se resumia a estudar e bater bola na rua. A necessidade fez com que logo aos 14 anos começasse a trabalhar como torneiro mecânico. O sonho de se tornar jogador, no entanto, ainda estava muito presente na cabeça daquele menino de cabeleira castanha, na verdade, quase que avermelhada. Resolveu tentar a sorte no Madureira, equipe do subúrbio carioca. Ao chegar no dia de seu teste, se encontrou com o técnico e ex-jogador, Jair da Rosa Pinto. Foi do grande Jair, a ideia de dá-lo um nome mais apropriado, de acordo com a sua fisionomia, virou Ruço, para sempre. Aprovado, passou a atuar nas categorias de base do Madureira. Com 22 anos, atuando pela equipe principal, se destacou no campeonato estadual de 1973, o que chamou a atenção do Botafogo, equipe que o contratou para disputar o campeonato brasileiro daquele ano. Teve poucas chances e acabou emprestado para o Clube do Remo em 1974. Em 19 de maio daquele ano, participou do clássico frente ao Paysandu, que acabou em briga generalizada com direito a invasão de torcedores e intervenção da Polícia Militar. Foi a gota da agua para decidir voltar para casa, naquele tempo, o Madureira Logo na segunda rodada do estadual do Rio de Janeiro, em 10 de agosto, teve atuação impecável na vitória da equipe suburbano frente ao Flamengo por 2 a1 em pleno Maracanã. Ao final do campeonato, novamente Ruço voltou a ser cortejado por outras equipes. Quase foi para o Vasco da Gama, mas em janeiro de 1975 chegou ao Corinthians. O clima no alvinegro paulistano não era dos melhores, uma vez que tinha perdido o estadual para o rival Palmeiras, pouco menos de um mês antes, e com isso o tabu sem títulos tinha alcançado 20 anos. O que estava ruim, piorou com a saída do grande craque do time, Rivellino, acusado pela direção alvinegra de ter tremido na final do Paulistão, contratado pelo Fluminense. Seu primeiro ano no Corinthians foi difícil, sobretudo pela pressão da torcida que não se conformava com mais um ano sem conquistas. Em 6 de julho daquele ano, após sofrer uma goleada por 5 a 1 para a Portuguesa, a torcida cercou o ônibus do time e ameaçou virá-lo. Foi demais para Ruço, que decidiu ir embora de volta ao Rio de Janeiro. Convencido, acabou ficando e para sempre entrou na história da equipe paulista. Marcador implacável, dotado de pouca técnica, mas muita raça se firmou como titular absoluto da equipe lutadora que disputou um grande campeonato brasileiro em 1976. Em 5 de dezembro daquele ano, coube a ele vestir a camisa 10 alvinegra, na partida válida pela semifinal, frente justamente o Fluminense de Rivellino, também camisa 10. Em um Maracanã lotado, com a maioria da torcida pertencente a equipe adversária, a alvinegra, algo jamais visto na história do futebol mundial, em fato que passou para a história do futebol brasileiro como a Invasão do Maracanã, ainda assim os paulistas eram considerados zebras frente a Máquina Tricolor. Momentos antes de pisar no gramado, Ruço tinha uma preocupação a mais. Na véspera, tinha sido chamado pelo técnico Duque, e recebido um pedido de Roberto Barros, que era pai de santo, e, por conta disso, era mais conhecido como Pai Guarantã. Ao receber o Exu Rei, ele afirmou que o Corinthians levaria a melhor e que Ruço faria um gol, mas que para isso se concretizasse o meio campista alvinegro teria que passar três vezes a mão na bunda de Rivellino. Ruço sabia que Rivellino tinha a cabeça quente, o que ele não tinha ideia era de como ele conseguiria atender a orientação do Pai Guarantã. Em certo momento do jogo, surgiu a oportunidade. Após ver o camisa 10 carioca no chão, por conta de uma falta sofrida, deu a mão a ele e bateu três vezes em sua “área traseira”. O alívio foi total, agora só faltava o gol, que não demorou muito e foi marcado com uma inusitada e belíssima meia-bicicleta que tirou totalmente o goleiro Renato da jogada. Era o gol de empate, daquela partida que terminaria 1 a 1. Para comemorar, usou a sua marca registrada, mandou beijos, muitos deles, para a torcida, hábito que já tinha feito com que tivesse ganhado outro apelido, Beijinho Doce, este dado pelo jornalista Osmar Santos. Na decisão de pênaltis, Ruço voltou a marcar, na vitória por 4 a 1 que deu a vaga a final do campeonato brasileiro ao Corinthians. Se o título não veio naquele ano, viria no seguinte, em 13 de outubro de 1977, na vitória por 1 a 0 na final do campeonato paulista frente a Ponte Preta. Ficou no Corinthians até 1978, de onde saiu para atuar novamente no Botafogo que também amargava um grande período sem títulos. A dificuldade em manter o peso, no entanto, algo que o perseguiu durante toda a carreira, se intensificou ainda mais e refletiu muito em seu futebol. Em 1979 voltou ao futebol paulista para atuar no Juventus, onde ficou até o ano seguinte. Retornou ao Rio de Janeiro, onde disputou o campeonato estadual de 1981 jogando pelo Volta Redonda. Seu ultimo ano no futebol profissional aconteceu no Rio Branco do Espirito Santo, onde conquistou o título capixaba em 1983, a sua segunda conquista ao longo de toda a sua carreira. Ruço foi o exemplo do boleiro que embora sem ter muito talento com a bola no pé, conseguiu estar presente em grandes momentos de nosso futebol, por conta de sua raça e disposição quase infinita.

 

 

Bizu, amado por uns e por outros, nem tanto.

Autor: José Renato - 27/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Cláudio Tavares Gonçalves nasceu na cidade paulista de São Vicente em 18 de junho de 1960 e entrou na história do futebol brasileiro pelo nome de Bizu. O seu começo no futebol aconteceu em 1979, em uma pequena equipe do futebol catarinense, o Caçadorense. Após um ano de experiência foi contratado pelo Blumenau onde atuou até 1982. Após rápida passagem pelo Bangu, chegou ao Avaí, em 1983, onde se destacou na equipe que conquistou a primeira fase do campeonato estadual, a Taça Governador do Estado. Já no ano seguinte foi contratado pela equipe gaúcha do Novo Hamburgo. Ao que tudo indicava sua vida profissional seria similar a de um nômade, passando de clube em clube. Foi com esta fama que chegou ao Caxias para disputar o campeonato gaúcho de 1987. O primeiro turno daquele estadual marcou definitivamente a carreira de Bizu. Ele comandou a equipe grená que conquistou o primeiro turno do Gauchão daquele ano (após vencer o sorteio, ultimo critério de desempate, frente o Grêmio). Com 12 gols e até então artilheiro da competição, chamou a atenção do Palmeiras. A equipe alviverde vivia um momento de grande pressão, sobretudo por conta do jejum de títulos, que começara em 1976. Ficou pouco tempo na equipe paulista, atuando em 30 oportunidades e marcando apenas 4 gols. Alvo de muitas críticas dos torcedores virou motivo de piada por grande parte da imprensa. Acabou encostado e emprestado para o Náutico. Chegou ao Timbu em 1988, quando foi vice campeão brasileiro da segunda divisão, em uma pequena amostra do que viria acontecer nos anos seguintes. Em 1989, viveu o seu melhor momento. Foi artilheiro do campeonato pernambucano, ao marcar 31 gols em 35 jogos, uma média fantástica de quase 1 gol por partida. Além disso, foi campeão da competição e autor do gol do título frente o Santa Cruz, aos 43 minutos do segundo tempo, na vitória por 2 a 1, em 3 de agosto daquele ano. Ainda naquele ano foi o vice artilheiro do campeonato brasileiro ao marcar 10 dos 16 gols da equipe pernambucana, que teve o melhor ataque daquela competição. Por fim, foi escolhido pela revista Placar, o melhor atacante do campeonato, o que lhe valeu a conquista da tradicional Bola de Prata. Em 1990, voltou a se destacar. Além de, novamente, ser artilheiro do estadual e vice artilheiro do campeonato brasileiro, foi artilheiro da Copa do Brasil, com 7 gols marcados. Depois de mais um ótimo campeonato brasileiro em 1991, foi contratado pelo Grêmio. Com 31 anos, foi recebido com desconfiança e acabou não repetindo suas boas atuações. Contratado pelo CSA de Alagoas em 1992, ainda naquele ano estaria de volta ao Timbu, onde foi vice campeão estadual. Chamou a atenção do rival Sport, ao comandar os alvirrubros em uma sonora goleada por 4 a 1, em 6 de dezembro daquele ano, e acabou contratado pelos próprios rubro-negros para a temporada de 1993. No ano seguinte, 1994, foi contratado pelo Ceará, e posteriormente já estaria de volta ao Náutico. Após defender a equipe gaúcha do Aimoré, em 1995, se despediu do futebol em 1996, jogando no Novo Hamburgo. Bizu é daqueles jogadores que viveram no limiar do amor e ódio. Enquanto é considerado um dos piores atacantes da história do Palmeiras, é idolatrado pelos torcedores do Náutico, onde é o sexto maior artilheiro da história do clube com 114 gols marcados. Um legítimo artilheiro que viveu dos gols que marcou.



 

 

O homem que substituiu Pelé: Luizinho, um artilheiro das Arábias.

Autor: José Renato - 20/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Luiz Alberto Duarte dos Santos nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro em 13 de novembro de 1957. Ainda menino veio morar com a família no subúrbio carioca, onde passou grande parte do seu tempo batendo bola nas ruas. Muito franzino se destacava nas peladas por ser fominha, aquela cara que queria ficar com a bola a maior parte do tempo. Tinha apenas 13 anos, quando foi convidado para ir treinar nas equipes infantis da Portuguesa Carioca. A carreira parecia pouco promissora, o que fez com que entrasse na faculdade de Educação Física. Até que o ano de 1977 marcou um divisor de águas na vida de Luizinho. Promovido para o time principal, seria centroavante da equipe que disputaria o campeonato carioca daquele ano. O futebol passou a ser sua prioridade. Luizinho tinha 1,80m de altura, era muito rápido e chutava muito forte, sobretudo com o pé esquerdo. Além disso, era muito oportunista. Foi destaque da pequena Portuguesa durante dois anos, chegando até mesmo a ser emprestado para disputar o campeonato brasileiro pelo Juventude de Caxias do Sul. Em 1979, foi contratado pelo Flamengo, onde teve um começo fulminante. Logo ganhou a posição de Claudio Adão, até então titular absoluto, e passou a ser dono da camisa 9 rubro negra. Até que veio o dia 6 de abril de 1979, talvez o maior jogo de toda a sua carreira. Naquele dia, quase 140.000 pessoas, incluindo o Presidente da República, João Baptista Figueiredo, estiveram presentes no estádio do Maracanã para assistir a partida em prol dos atingidos pelas fortes chuvas que atingiram Minas Gerais. A partida entre Flamengo e Atlético Mineiro tinha algo ainda mais especial. Aos 39 anos de idade, Pelé atuaria com a camisa 10 da equipe carioca. Por conta disso, Zico ficou com a 9 e Luizinho, no banco de reservas. Algo muito especial estava guardado para ele naquele dia. Após um primeiro tempo de domínio mineiro, o placar marcava 1 a 1. No segundo tempo, veio o grande momento, substituição no Flamengo: Sai Pelé, Entra Luizinho. O centroavante entrou com fome de gol, e juntamente com Zico, comandou a goleada do rubro negro por 5 a 1, com direito a marcar um golaço, o quarto dos cariocas. Luizinho estava no céu. No Flamengo conquistou os dois títulos estaduais que foram disputados no Rio de Janeiro, naquele ano. O mundo queria saber quem era aquele menino que entrou no lugar do Rei, e “acabou” com o jogo. Ao final do ano, foi contratado para jogar no futebol árabe, o Al Nassr. Algo reservado para pouquíssimos craques brasileiros naqueles tempos. Foi uma decisão difícil, pois se ficasse no Brasil, certamente em breve seria convocado para a seleção nacional. Mas era muito dinheiro na jogada. Os donos do Al Nassr contavam com ele para enfrentar o grande rival, o Al Halil, que contava simplesmente com Roberto Rivellino. Eles não se arrependeram, foi de Luizinho o gol do titulo nacional frente ao maior rival. Os árabes queriam mantê-lo de qualquer forma na equipe, mas a saudade foi maior, e ao final do contrato, Luizinho estava de volta ao Flamengo. Desta vez, no entanto, foi impossível arrumar um espaço naquela equipe que acabara de conquistar o titulo brasileiro de 1980, e que contava com o centroavante Nunes em grande fase. Castor de Andrade, patrono do Bangu, tratou de contratá-lo. Foi nesta época que, para diferenciar do centroavante Luizinho Lemos que jogava no América, o jornalista Washington Rodrigues passou a chamá-lo de Luizinho das Arábias. Teve boas atuações no Bangu onde ficou até 1981, quando foi contratado pelo Campo Grande. Foi por esta modesta equipe, que conquistou o seu único título brasileiro, o da Série B de 1982. Sempre artilheiro, disputou a primeira divisão do brasileiro com a equipe que foi dirigida por um técnico estreante, Vanderlei Luxembugo. Ao final do seu contrato, valorizado, foi contratado pelo Fortaleza, juntamente com seu ex- colega do Flamengo, o ponta esquerda Julio Cesar. No Ceará, Luizinho jogou demais, foi artilheiro do estadual com 33 gols e campeão cearense, ao marcar os dois gols da vitória, por 2 a 0 na final do campeonato frente o Ferroviário. Em 1984, voltou ao futebol carioca, defendendo as cores do Bangu e posteriormente do Botafogo onde fez dupla de ataque com Baltazar. No ano seguinte, após rápida passagem pela Desportiva, do Espirito Santo, já estava de volta a Fortaleza, desta vez para defender as cores do Ferroviário. Nesta primeira passagem pelo Tubarão da Barra, Luizinho só não foi campeão, mas foi artilheiro do campeonato cearense com 24 gols e segundo maior do Brasil em 1985. Seria campeão estadual pelo clube em 1988, quando atuou por algumas partidas. Antes disso, em 1987, foi decisivo para a conquista do estadual paraense jogando pelo Paysandu, com direito a gol do titulo na final do campeonato. Ídolo no Papão, onde disputou o estadual daquele ano, foi contratado pelo arquirrival, o Remo, para disputar o campeonato paraense de 1989. Acabou atuando por apenas 6 partidas. Sua ultima partida aconteceu em 3 de maio daquele ano, uma vitória por 4 a 0 frente o Tiradentes. Saiu do estádio, foi para casa e virou lenda com apenas 32 anos de idade. Luizinho das Arábias foi um legitimo representante do futebol brasileiro, artilheiro por todos os lugares que passou, e ídolo por onde passou.



 

 

Simplesmente Revetria…

Autor: José Renato - 13/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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1976, o Cruzeiro era o atual campeão da Taça Libertadores e sofrera com a perda de dois de seus principais atacantes, Jairzinho e Palhinha. Outro desafio da equipe azulina seria impedir o rival, Atlético, de chegar ao bicampeonato mineiro. Por conta disso, o técnico cruzeirense Zezé Moreira, que havia treinado o Nacional de Montevidéu, indicou aos dirigentes mineiros a contratação do atacante do Nacional, Hebert Revetria, que era titular na seleção olímpica uruguaia, e apontado como eventual sucessor de Fernando Morena, um dos grandes nomes do futebol celeste. A última lembrança do uruguaio no Brasil tinha sido em 28 de abril de 1976, no Maracanã, na vitória da seleção brasileira por 2 a 1 frente a Celeste, na partida que ficou marcada para a história, por conta da briga generalizada ao seu final. Perseguido por Ramirez, Rivellino levou um épico tombo nos degraus do túnel de acesso aos vestiários. Naquele dia, Revetria chegou a ser preso após agredir um fotógrafo. Acabou salvo por Cláudio Coutinho, que era militar e fazia parte da comissão técnica da seleção nacional. Naqueles tempos era muito raro o futebol brasileiro trazer atacantes estrangeiros, ainda mais de um país rival como o Uruguai. O desafio seria muito grande, mas tratava-se de um jogador muito promissor. Era um goleador com grande senso de finalização, no entanto não era veloz, tão pouco driblador. Seu começo no Cruzeiro foi difícil e acabou sendo colocado no banco de reservas. Não foi aproveitado na competição sul-americana. Passou a ser considerado, pela imprensa mineira, como um bonde, nome dado as grandes contratações que não surtiram efeito. Já com Iustrich como técnico, chegou a ser aproveitado pontualmente, mas normalmente apenas como opção para o segundo tempo. Em 14 de setembro, a equipe mineira perdeu a final da Taça Libertadores para o Boca Juniors, o que fez Iustrich bancar a sua escalação na primeira partida da final do campeonato mineiro, pouco mais de dez dias, em 25 de setembro frente o grande rival, o Atlético. Nova derrota, desta vez por 1 a 0, fez o sinal de alerta acender de vez no lado cruzeirense. O empate na segunda partida daria o título ao Galo Desta vez em 2 de outubro, tudo teria que ser diferente, no entanto logo aos 5 minutos do primeiro tempo, o Galo abriu o placar. Ao que parece, aquele era o momento para se separar homens de meninos. E foi isto que aconteceu com Revetria. O atacante uruguaio empatou a partida, ainda na primeira etapa, aos 25 minutos. De volta do intervalo, coube a ele marcar mais duas vezes, de cabeça, aos 10 e 12 minutos. Posteriormente Reinaldo diminuiu para o Galo. A vitória por 3 a 2 recolou o Cruzeiro na briga e, o mais importante, elevou a moral da equipe, que estava cabisbaixa. Na semana seguinte, a terceira partida resolveria de vez o campeonato. A partida começou da mesma forma que a anterior, com o Galo abrindo o placar ainda no primeiro tempo. Coube ao guerreiro uruguaio empatar o jogo, novamente de cabeça, a 20 minutos do final, e levar a partida para a prorrogação. Esgotado e sentindo a virilha, foi substituído e de fora assistiu seus companheiros marcarem mais 2 gols, 3 a 1. O Mineirão era azul. Depois do desempenho nas finais, Revetria assumiu a titularidade no comando do ataque cruzeirense por algum tempo, e acabou deixando o clube em 1979. Partiu para atuar no futebol mexicano, onde ficou por 5 anos com sucesso. Ainda voltaria a ser campeão uruguaio com o Peñarol na temporada 1985/1986 e a atuar no futebol chileno, onde também foi campeão nacional pelo Colo Colo e Cobreloa. Para os cruzeirenses, sempre será digno do coro: “Rei... Rei... Rei... Reivétria é nosso rei!”. Revetria é um daqueles jogadores que foram protagonistas em momentos únicos que marcaram o futebol para sempre.



 

 

Um craque único, o grande Rubens Feijão

Autor: José Renato - 06/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Rubens de Jesus nasceu na cidade paulista de Taubaté em 09 de maio de 1957. Começou a jogar nas ruas e logo chamou sua atenção por seu perfil elegante de dominar a bola. Passou a atuar nas equipes juvenis do Burro da Central, o Esporte Clube Taubaté. Ainda amador, em 1975 foi convocado para representar a cidade nos Jogos Abertos do Interior que seriam realizados na cidade do Guarujá. Visto por um olheiro, foi convidado para fazer testes no Santo Futebol Clube. Lá conheceu Chico Formiga que tratou de trazê-lo ao alvinegro da Vila Belmiro. Foi nesta época que ganhou o sobrenome “Feijão”, uma mistura do seu gosto por feijão e da sua cor morena, o que talvez tenha chamado mais a atenção de muitos torcedores do que a qualidade de seu futebol, o que é uma grande injustiça, pois sempre foi um baita jogador. Lançado por Oto Glória, logo em sua estreia como titular nos profissionais, no dia 25 de setembro de 1977, em clássico frente o Palmeiras, marcou gol, o que fez com que fossem inevitáveis as comparações com o Rei Pelé. Aliás, chegou a atuar com Ele em sua despedida definitiva do futebol, uma semana depois, em 1° de outubro, frente ao Cosmos. Com a promoção de Formiga para o cargo de técnico da equipe principal em 1978, passou a fazer parte da primeira geração dos meninos da vila com Pita, Juari, João Paulo, Nilton Batata e tantos outros. Esta equipe marcou historia ao conquistar o titulo paulista daquele ano, o primeiro depois da saída do Rei. Por conta de sua deficiência em marcar e da grande concorrência no meio campo santista, passou muito tempo no banco de reservas, como talismã que entrava em campo no segundo tempo para fazer gols, o que aconteceu com certa frequência. Sua presença no time principal passou a ser mais efetiva em 1979 e 1980, quando foi vice-campeão paulista. Sua habilidade e fama de goleador atraiu a atenção de Castor de Andrade, patrono do Bangu, que de forma surpreendente o contratou para disputar o campeonato carioca de 1981. Lá viveu seu grande momento no futebol. Feijão foi o grande destaque, e artilheiro com 15 gols marcados, daquela equipe que acabou em quarto lugar na competição. Chegou a ser considerado o meio campista que faltava para a seleção brasileira do técnico Telê Santana. A concorrência, no entanto era gigantesca naquela época e nunca foi convocado. Em 1982, novamente Rubens Feijão foi o principal jogador do Bangu que chegou as quartas de finais do campeonato brasileiro, algo incrível para uma equipe do subúrbio carioca. Para se ter uma ideia de sua importância, em partida frente ao Operário do Mato Grosso do Sul, após estar perdendo por 2 a 0, o Bangu virou o placar para 3 a 2 com três gols marcados por ele, sendo que um deles foi eleito como o Gol do Fantástico, um disputado premio atribuído pelo programa da Rede Globo de Televisão aos finais de semana. Castor ficou tão impressionado com seu futebol que chegou a encomendar um busto seu para ser colocado no estádio de Moça Bonita, campo do Bangu. Após um período pouco inspirado, voltou para o futebol paulista, em setembro de 1983, contratado pelo Guarani de Campinas que lutava para escapar do rebaixamento. Ficou no Bugre até 1985. No ano seguinte voltou a vestir uma camisa alvinegra, desta vez do Ceará Sporting Club. Tornou-se o maior nome da equipe cearense ao ser artilheiro, com 30 gols, e campeão do estadual de 1986. Até hoje aquela equipe é considerada uma das maiores da história do Vozão. Já no ano seguinte estava de volta a São Paulo, na Ferroviária de Araraquara em 1987. Com 30 anos nas costas chamou atenção do futebol português e foi contratado pelo Boa Vista. Em Portugal atuou por 5 equipes ao longo de 7 temporadas. Feijão foi um exemplo de atleta que viveu o futebol, como poucos, sempre em alto desempenho.



 

 

Tudo em Sima, o maior artilheiro nordestino.

Autor: José Renato - 30/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Dia 3 de fevereiro de 1966, a vitória do Piauí por 1 a 0 frente o Auto Esporte foi um marco para o futebol piauiense, algo inimaginável para aqueles poucos que presenciarem a partida. O gol da vitória foi marcado por um rapaz de 17 anos, Sima, o primeiro da carreira daquele que acabou por se tornar o maior nome do futebol em seu estado. Nascido no povoado de Matões, na pequena cidade de Miguel Alves, em 7 de março de 1948, Simão Teles Bacelar foi um dos maiores artilheiros da história do futebol brasileiro. Ainda franzino foi cedido para disputar o campeonato intermunicipal pela cidade de Barras. Na verdade poucos acreditavam no potencial daquele atleta, que se tornou artilheiro desta competição, o que o fez voltar imediatamente ao clube para ser campeão estadual em 1967. Já como titular foi artilheiro e campeão estadual em 1968 e 1969, jogando pelo Piauí Esporte Clube. Sua habilidade e fama de goleador fez com que fosse levado para fazer testes no Sport Recife. Acabou não ficando. De volta a sua casa, foi artilheiro do estadual de 1970 e ao marcar 42 gols na temporada se tornou o recordista de gols no estado, feito quebrado por ele próprio em 1977, quando balançou as redes em 44 oportunidades. Após voltar a ser artilheiro do campeonato estadual em 1971, foi contratado pelo Bahia em 1972. Teve bons momentos do Tricolor da Boa Terra, chegando até mesmo a marcar gol de título do turno frente o rival Vitória, no entanto, contusões acabaram por fazer com que voltasse ao Piauí em 1973. Aquele ano foi marcante para fazer com que se tornasse conhecido nacionalmente, uma vez que pela primeira vez na história uma equipe de seu estado iria participar de uma edição do campeonato brasileiro, o Tiradentes. Sima voltou a ser artilheiro e campeão estadual em 1974 e 1975. Artilheiro e campeão foi contratado pela equipe mais popular do estado, o River Atlético Clube, em 1977, naquele que foi seu maior ano. Foi campeão estadual, maior artilheiro brasileiro (considerando todas as competições) com 33 gols marcados e chegou a figurar por algumas rodadas como maior artilheiro do campeonato brasileiro. Conquistou três títulos estaduais pelo River e é o maior artilheiro da história do clube com 185 gols. Já considerado veterano, foi cedido por empréstimo, em várias ocasiões para equipes de outros estados nordestinos, até que em 1983 foi cedido ao Auto Esporte, para, novamente ser artilheiro e campeão estadual. Sima era considerado o Pelé em seu estado, e a grande receita para qualquer clube que almejasse conquistas. Em 1984 ainda voltaria ao seu time de origem, o Piauí, onde ganhou seu último título de campeão piauiense no ano seguinte. Ao contrário do que costumava ser uma característica de muitos goleadores, sobretudo naqueles anos, Sima era muito habilidoso e disciplinado, uma prova disso é que jamais foi expulso de uma partida ao longo de 21 anos de carreira. Foram 11 títulos estaduais, sendo 10 no Piauí, e 1 em Sergipe, jogando pelo Sergipe. Foi, por 10 vezes, o maior artilheiro do campeonato estadual. Uma carreira de muitos títulos e gols, ao todo 530, que fizeram dele o maior artilheiro nordestino do futebol brasileiro.



 

 

O artilheiro Bife, o maior do Mato Grosso.

Autor: José Renato - 23/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nascido na cidade paulista de Vera Cruz, José da Silva Oliveira era filho de uma “marmiteira”. Com 12 anos, já morando em Aquidauana, no Mato Grosso, cabia a ele entregar as “quentinhas” para os soldados de um quartel perto da casa da família. Eram quase 150 por dia. Quase que diariamente sempre havia alguma reclamação sobre a ausência de bife em algumas delas. Após certa pressão, o menino acabou confessando o “crime”. A mãe quase perdeu os clientes, quanto ao menino, ganhou o apelido de Bife. Foi com este nome que ele marcou história no futebol brasileiro. O começo foi em 1968 no LS de Campo Grande, equipe do futebol amador, onde se destacou por marcar muitos gols. Seu primeiro contrato profissional foi com o Operário de Várzea Grande em 1971. Foi vice-campeão logo no seu primeiro ano e bicampeão nos anos seguintes, 1972 e 1973. Seus gols chamaram a atenção do Atlético Mineiro, do técnico Tele Santana, que contava com ele para substituir o atacante Dario, o Peito de Aço, em 1974. Destacou se em alguns coletivos, até que foi abordado por um dirigente do Galo, quanto à necessidade de mudar seu nome. Segundo ele, “... não fica bem o Atlético ter no seu time um jogador com nome de carne de vaca...”. Bife não deixou por menos e respondeu: “....gosto do meu apelido e não vou muda-lo por nada neste mundo...” Resultado: foram apenas 10 dias no Atlético. Acabou no Comercial de Campo Grande para participar do Campeonato Brasileiro de 1975. Em 1976 foi contratado para atuar no maior rival do Operário, o Mixto. Viveu grandes momentos na equipe de Cuiabá. Muito habilidoso e artilheiro, Bife sempre foi sondado para sair de Mato Grosso, mas seu temperamento nunca ajudou muito. Em 1978 foi emprestado para atuar no campeonato paulista pelo São Bento de Sorocaba, do técnico João Avelino. Após boas atuações, foi dada como certa sua ida para a Portuguesa, na época do técnico Osvaldo Brandão. No meio de um treino foi informado que posteriormente falaria com um representante da equipe paulistana. Grande foi sua surpresa ao ser abordado pelo presidente do XV de Piracicaba, Romeu Ítalo Rípoli, que o intimou: “... a partir de hoje, você é jogador do XV...” Bife não gostou do comportamento do dirigente e respondeu: “...tenho nome de carne de animal, mas sou gente, sei conversar...”. Chegando a cidade de Piracicaba, a conversa virou em discussão. Resultado: em 1979 já estava de volta ao Mixto. Foi bicampeão estadual em 1979 e 1980. Seu futebol refinado estava em alta e atraiu o interesse do Futebol Clube do Porto, para onde foi emprestado. Após fazer uma boa temporada de 1980/1981, foi procurado por dirigentes portugueses que desejavam sua contratação em definitivo. Sua proposta foi alta, e para a sua surpresa, aceita. Foi quando uma ligação do dirigente do Mixto o fez largar tudo e voltar para Cuiabá. Ainda chegou a atuar no Belenenses, mas já em 1983, estava de volta ao Operário de Várzea Grande que pretendia recuperar a hegemonia no estado, novamente após uma polêmica contratação junto ao grande rival da capital. 1983 foi seu último grande ano, artilheiro e campeão do campeonato estadual pela equipe tricolor. Seus últimos anos no futebol foram marcados por contusões e muitas situações de indisciplina, sobretudo, envolvendo bebida. O maior artilheiro da história do maior estádio de Mato Grosso, o Governador José Fragelli – o Verdão, com quase 100 gols marcados, parou de atuar como jogador em 1987. Bife foi um craque caseiro como tantos outros que fazem de sua cidade ou estado, seu mundo.



 

 

O belo Rosemiro, o homem de muitos pulmões.

Autor: José Renato - 16/03/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nascido na cidade de Belém em 22 de fevereiro de 1954, Rosemiro Correia de Souza começou no futebol jogando na Tuna Luso Brasileira. Embora tivesse uma baixa estatura, 1,67 metros, e apenas 61 quilos, seu vigor físico impressionou muito e logo foi contratado pelo Clube do Remo. Suas atuações na equipe azulina chegaram a causar estranheza. Como poderia um jogador tão franzino, correr tanto? Além disso, era raro, naquele tempo, ver um lateral avançar tanto para o ataque. Por conta disso passou a ser escalado também como ponta direita. Ainda com 19 anos, já titular, conquistou o estadual de 1973, o que repetiria em 1974 e 1975. Embora fosse tricampeão paraense ainda era “remunerado” com apenas uma ajuda de custo, o que o colocava ainda como amador. Por conta disso foi convocado para a seleção olímpica que conquistou o Pan Americano de 1975 e o Pré Olímpico de 1976. Apesar de ter sido convocado como lateral direito, Rosemiro atuou como ponta direita titular em uma seleção que contava com o goleiro Carlos, Batista, Edinho e Claudio Adão, dentre outros. Passou a ser pretendido por grandes clubes e acabou contratado pelo Palmeiras em 1976. No alviverde fez história, sendo campeão paulista logo em seu primeiro ano no clube, sua quarta conquista consecutiva, ao ser lançado pelo técnico Dino Sani. No começo chegou a dividir a titularidade com Valdir, mas logo passou a ser absoluto na posição. Sua, digamos, “falta de beleza”, era motivo de muita brincadeira por parte dos colegas e de muitos jornalistas. A verdade, no entanto, é que em campo Rosemiro era um dos pulmões de uma das grandes equipes do futebol brasileiro. Formou juntamente com Edu, um setor direito que marcou história. Protagonizou duelos históricos com Zé Sérgio, ponta esquerda tricolor. Vice-campeão brasileiro em 1978, conquistou a Bola de Prata, tradicional prêmio promovido pela revista Placar. Titularíssimo no grande Palmeiras formado pelo Mestre Telê Santana em 1979, segundo muitos, foram as características de Rosemiro que levaram o técnico a convocar Leandro para ser o lateral da seleção brasileira em 1982. A saída de Telê para o seleção, em 1980, acabou provocando um desmonte da equipe alviverde, o que provocou a saída de muitos de seus principais jogadores. Por conta disso, após 300 jogos com a camisa alviverde, foi contratado pelo Vasco da Gama em 1981. Ajudou a equipe da cruz de malta a interromper a hegemonia do tricampeão Flamengo, ao conquistar o titulo de campeão carioca de 1982. Rosemiro foi um atleta exemplar e muito disciplinado, daqueles que é chamado como “de grupo”. Atuou até 1990.



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