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Blog Memória Futebol


Dé, o Aranha

Autor: José Renato - 08/06/2015   Comentários 1 comentários

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Domingo Elias Alves Pedra nasceu na cidade carioca de Paraíba do Sul em 16 de abril de 1948. Passou para o mundo do futebol com um sutil apelido formado pelas inicias de seu nome, Dé. Em 1966, jogando pelos juvenis do Olaria, equipe do subúrbio carioca, marcou 3 gols no empate em 4 a 4 frente ao Bangu, em uma preliminar dos profissionais, e logo ao final do ano foi contratado pela equipe de Moça Bonita. A intenção da equipe campeã carioca daquele ano era renovar o plantel em busca do bicampeonato estadual. Logo em suas primeiras partidas com a camisa alvirrubra, em julho de 1967,marcou gols em importantes vitórias frente o Fluminense e Vasco, e passou a ser considerado um dos maiores novos talentos do futebol carioca no final da década de 1960. Jogador muito habilidoso e técnico ganhou a fama de malandro por conta da forma como provocava seus adversários, não apenas em campo, bem como através de suas entrevistas e por suas atitudes, nem sempre muito leais. Em partida válida pela Taça Guanabara de 1970, em 25 de abril daquele ano, aproveitou a entrada do massagista do Bangu e pegou uma pedra de gelo, sob a justificativa de matar sua sede. Logo em seguida, jogou a pedra de gelo em direção da bola, que estava sob controle do zagueiro rubro negro, Reyes. A bola mudou levemente de rumo, o suficiente para que Dé aproveitasse, a dominasse e marcasse o segundo gol, da goleada imposta pelos alvirrubros por 4 a 0. Em outra oportunidade, em partida frente o Vasco, a partida se encaminhava para seu final, empatada por 1 a 1, quando foi marcada uma falta a favor do Bangu. Enquanto Aladim ajeitava a bola, Dé aproveitou para encher a mão com uma porção de terra da área, sem grama, próxima do goleiro Andrada. Logo que Aladim chutou, Dé jogou a terra no meio da cara do arqueiro argentino. Gol do Bangu, 2 a 1. Andrada ficou louco e correu em direção do atacante, proporcionando uma baita confusão no Maracanã. Ficou no Bangu até 1970, quando após chegar a vestir a camisa do Fluminense, acabou sendo contratado pelo Vasco da Gama. Em 22 de junho de 1971, justamente contra seu antigo clube, inconformado pelo “baile” que a equipe cruz maltina levava, na partida que acabou com uma goleada de 4 a 0 a favor do Bangu, acabou expulso, e ao ver o cartão vermelho, o tomou das mãos do arbitro e após tentar rasgá-lo, sem sucesso, por ser de plástico, correu em direção aos vestiários com o cartão em suas mãos. O juiz, Nivaldo dos Santos, tentou pegá-lo de volta e acabou recebendo a seguinte resposta de Dé: “Você me deu o cartão, agora ele é meu”. Em outra oportunidade, em um clássico contra o Flamengo, após ter um gol anulado, que seria o de empate, pegou uma porção da grama e levou para o bandeirinha, gritando: “... burro tem que comer capim...”. Permaneceu no Vasco até 1974, e fez parte do plantel que conquistou o titulo brasileiro daquele ano. Partiu para a Europa, onde foi contratado pelo Sporting de Lisboa. Ficou pouco tempo em Portugal, ainda assim foi campeão nacional da temporada 1974/1975 e da Taça de Portugal de 1975. Logo estava de volta ao Vasco, onde voltou a ser campeão, agora da Taça Guanabara de 1976. Em 1977 foi levado para o Botafogo e embora não tenha conquistado título no alvinegro carioca, fez parte da equipe que ficou invicta por 52 partidas, na maior série invicta do futebol brasileiro. Foi lá que acabou incluindo o "Aranha" ao seu nome, que era uma gíria da época para algo muito ruim ou muito bom. Era desta forma que a torcida da equipe da Estrela Solitária o via. Contratado pela equipe árabe do Al Hilal, em 1980, foi campeão nacional, e logo voltou para atuar no Bangu, onde ficou até 1981. Após breve passagem pelo Bonsucesso, acabou sendo redescoberto pelo futebol capixaba em 1983, onde atuou nas duas grandes equipes do estado, Rio Branco e Desportiva Ferroviária, sendo campeão estadual em 1983 e 1985. Dé foi um dos mais irreverentes jogadores do futebol brasileiro, um exemplo que a malandragem faz parte do esporte e o torna ainda mais divertido.

 

 

Cristiano, diretamente da sua digital, o céu está em festa.

Autor: José Renato - 04/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Amizade, relação de afeto e carinho entre pessoas. Esta é uma das definições que podemos ter em um dicionário. Algumas vezes tendemos a acreditar que o tempo precisa estar presente neste conceito. Como que se apenas ele fosse capaz de garantir que ela exista. Certamente um equívoco. A amizade pode surgir a qualquer momento, sem qualquer aviso prévio. Melhor assim. Junto dela cabem outras coisas, sem as quais, podemos afirmar que ela não existiu. Confiança é uma delas. Querer bem também. Contar com a pessoa, seja qual for a ocasião, também é sinal de amizade. Sorrir sempre que ouvir o nome da pessoa e saber que o mesmo acontecerá com ela, é mais uma prova. Poderia listar mais algumas evidencias, para isso bastaria lembrar de certo amigo. Seu nome, Cristiano. Tive a alegria de conhecê-lo em um bar no bairro da Gentilândia, em Fortaleza. Aquele homem grande, do tamanho do seu sorriso largo e de chapéu. Passou a promover encontros com pessoas que tinham um interesse em comum, o futebol. Mesmo morando em cidades diferentes, sempre me colocava a par de suas ideias. Logo viraram realizações. Corria atrás de seus sonhos, sempre movido por muita alegria. Incansável. Incansável. Incansável. O maior colecionador de amigos. Impossível que não fosse assim. Alguns meses atrás, Deus pediu a sua presença no andar de cima. A este filho querido permitiu que viesse no seu tempo, e da melhor forma, no meio de um sonho. Dormiu para virar uma estrela. Lá de cima ele já deve estar cantando um sambinha, batendo fotos “diretamente da sua digital”, organizando encontros... sorrindo. Hoje, Deus recebeu um presente, o céu está em festa. Obrigado por ter convivido conosco Cristiano.



 

 

O combativo Caçapava

Autor: José Renato - 01/06/2015   Comentários Nenhum comentário

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Nasceu na cidade de Caçapava do Sul, no Rio Grande do Sul, distante cerca de 240 km da capital Porto Alegre, em 26 de dezembro de 1954 , Luís Carlos Melo Lopes. Começou no futebol no time da cidade, o Gaúcho, e em 1972 foi levado para o Internacional, onde passou a ser chamado pelo nome de sua cidade de origem, Caçapava. Meio campista vigoroso, de pouca técnica, mas com muita disciplina tática e poder incansável de marcação, fez parte de uma das maiores equipes da história do Internacional. Foi campeão gaúcho em quatro oportunidades, 1974, 1975, 1976 e 1978 e bicampeão brasileiro em 1975 e 1976. Junto com Carpegiani, Batista e Falcão, contribuiu muito para que a equipe colorada tivesse, durante muitos anos, o melhor meio campo do Brasil. O que sobrava em habilidade nos demais companheiros meio campistas era pouco notado em Caçapava, por outro lado, difícil que alguém fosse mais raçudo que ele. Para muitos, era ele quem fazia o trabalha “sujo” que permitia ao espetacular Falcão, um dos maiores jogadores da história do Colorado, ter a liberdade de avançar para o ataque. Aliás, Falcão sempre foi um grande amigo e costumava dar dicas sobre como marcar alguns jogadores. Certa vez passou horas orientando sobre como ele poderia evitar um espetacular drible, o elástico, que era a marca registrada de Roberto Rivellino. Para executá-lo, o meio campista tricolor, puxava a bola para um lado e saía para o outro. Na primeira oportunidade que teve, Caçapava aplicou um “carrinho” no meio de Rivellino quase que dividindo o adversário em dois. Aborrecido, Falcão foi a sua direção questionando porque não tinha feito o que houvera sido combinado, e ouviu como resposta: “...esqueci para que lado ele ia sair, então resolvi ir no meio...” A única coisa que media medo no volante era a necessidade de fazer qualquer tipo de cirurgia. Certa vez, após ser informado pelo médico do Internacional, que havia aparecido uma lesão em seu joelho direito no exame de artroscopia, e que por conta disso seria necessário uma operação, Caçapava retrucou: “...mas, doutor, não sinto nada, este joelho do exame deve ser do Batista (seu companheiro de equipe)...” Entre os anos de 1976 e 1977 chegou a ser convocado para a seleção brasileira, atuando em 4 partidas. Em 1979, o presidente do Corinthians tentou contratar junto ao Internacional o meio campista Batista, jogador tão combativo quanto Caçapava, mas com maior qualidade técnica, não conseguiu. Como alternativa, fechou junto aos dirigentes colorados outro acordo, a troca do lateral Claudio Mineiro por Caçapava. Seu estilo de jogo caiu no agrado do torcedor alvinegro, sobretudo por sua raça. Logo em seu primeiro ano conquistou o estadual paulista como titular, condição que manteve durante grande parte do período em que vestiu a camisa do Corinthians. Em 1982 foi contratado pelo Palmeiras para disputar o Campeonato Paulista. Atuou em poucas partidas, sobretudo devido as inúmeras contusões que prejudicaram seu condicionamento físico, principalmente o seu controle de seu peso. A saída foi passar a peregrinar por várias equipes brasileiras. No ano seguinte já estava no Vila Nova de Goiás, em 1984, no Ceará, onde, como titular, foi campeão estadual. Em 1985 voltou ao Rio Grande do Sul para atuar no Novo Hamburgo, onde ficou por mais de um ano. De volta ao futebol nordestino, encerrou a carreira atuando pelo Fortaleza em 1987. Caçapava foi um dos precursores, no Brasil, de uma linha de atletas que não precisou demonstrar muito qualidade técnica para ganhar destaque e importância em sua equipe, mas sim atuar com muita vontade, como se a cada jogada um prato de comida estivesse em disputa.



 

 

O Salto Imortal de André Catimba

Autor: José Renato - 25/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Carlos André Avelino de Lima nasceu na cidade de Salvador em 30 de outubro de 1946. Um atacante brigador e oportunista que ganhou notoriedade como André Catimba. A inclusão do “catimba” ao seu nome se deveu ao fato dele ser conhecido por provocar seus marcadores e, por conta disso, causar muitas expulsões. O início de carreira, com 19 anos, foi no Ypiranga da Bahia, em 1966, equipe que tinha um torcedor ilustre, Jorge Amado. Ficou por lá até 1968, quando foi contratado por outra equipe baiana, o Galícia. A conquista do estadual pelo Bahia em 1970, ano em que o Vitória sequer chegou as finais da competição, fez com que o clube rubro negro resolvesse investir em talentos nativos da região. Foi esta receita que fez com que André fosse contratado pelo Vitória em 1971. Não demorou muito para que ele se transformasse no homem gol da equipe. No ano seguinte, em 1972, foi um dos grandes líderes do time que conquistou o titulo estadual de forma incontestável, com um dos maiores ataques da história do futebol baiano com os geniais Osni e Mário Sérgio. Por conta disso, em 1973, chegou a ser convocado para a seleção brasileira para enfrentar um combinado estrangeiro. Ficou no Vitória até 1975, quando foi contratado pelo Guarani de Campinas. Confirmou sua fama de goleador e acabou sendo levado, em 1977, para o Grêmio, comandado pelo técnico Telê Santana. O desafio no futebol gaúcho era gigantesco, interromper a incrível sequência de oito títulos consecutivos do atual bicampeão brasileiro, o Internacional. Muitos gremistas não acreditavam que isso seria possível. Em 25 de setembro de 1977, coube justamente a André, aos 42 minutos do primeiro tempo, marcar o gol do título sobre o rival, na vitória por 1 a 0. Mas o mais curioso ainda estava por vir, a vibração foi tanta que André tentou dar um salto mortal durante a comemoração. Não conseguiu... levou uma queda. Enquanto era ovacionado pela torcida, André se contorcia em dor. Não teve condições de continuar na partida, precisando ser substituído por Alcindo. A grotesca cena de seu malfadado salto estampou as capas de todos os jornais do Rio Grande do Sul que destacavam o título gaúcho gremista. Até hoje, muitos chegam até mesmo a lembrar do salto, mas esquecem da importância daquele gol e até mesmo de seu autor. André voltaria a ser campeão estadual pelo Imortal Tricolor em 1979. Ainda naquele ano foi contratado pelo rival do Vitória, o Bahia, para disputar o campeonato brasileiro. Em 1980, acabou sendo levado ao Argentino Juniors, onde chegou a atuar, simplesmente, com Diego Maradona. A partir daí passou a ser um cigano da bola. Andou pelo extinto Pinheiros, do Paraná, em 1981, Comercial de Ribeirão Preto e Náutico do Recife, em 1982, até voltar, em 1983 onde tudo começou, o Ypiranga da Bahia. Decidido a encerrar a carreira por lá, ainda assim voltou a bater uma bola na equipe amazonense do Fast Club em 1984. André foi um grande goleador e um daqueles jogadores que acabaram marcados para a história do futebol por sua irreverência, e principalmente por conta de uma comemoração inusitada.



 

 

Geraldo Assoviador

Autor: José Renato - 18/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Geraldo Cleofas Dias Alves nasceu na pequena cidade mineira de Barão de Cocais em 16 de abril de 1954. Um dos nove filhos de Dona Nilza, Geraldo foi um dos cinco filhos que se tornaram jogador de futebol. No início da década de 1970, veio para o Rio de Janeiro com a ajuda do irmão Washington que era zagueiro do Flamengo onde passou a fazer parte da equipe de base do rubro negro carioca juntamente com o imortal, Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Meio campista com grande habilidade e muito driblador, estreou com a camisa rubro-negra na vitória por 1 a 0 frente ao Goiás em partida amistosa realizada em 24 de junho de 1973. Foi também frente outra equipe goiana, o Vila Nova, que marcou seu primeiro gol, na goleada de 4 a 0 em amistoso realizado em 30 de janeiro de 1974. A titularidade, no entanto, só aconteceria a partir de 1974, quando o então técnico rubro negro, Zagallo, passou a se dedicar da preparação da seleção brasileiro para a Copa do Mundo da Alemanha, e seu substituto, Joubert, resolveu aproveitar os craques da categoria de base. Acabou por ganhar a posição que pertencia ao grande Afonsinho. Segundo amigos, o próprio Geraldo foi flagrado chorando por ter provocado a ida de Afonsinho, seu grande amigo, para o banco de reservas. Naquele ano conquistou o título carioca como dono absoluto da camisa 8 e tendo ao seu lado, o seu amigo inseparável, Zico. Sua amizade com o Galinho era tão grande que chegou a ser considerado como um filho de coração de seu Antunes, o pai do Zico, que passou a chamá-lo de “filho marronzinho”. Ganhou o apelido Assoviador, porque vivia assoviando, o dia inteiro, até mesmo em campo, as músicas que gostava. Dentre elas se destacava “Your Song” de Elton John e que era interpretada por Billy Paul. Logo passou a ter sua presença cobrada nas convocações da Seleção Brasileira, o que aconteceu em 1975, através do técnico Oswaldo Brandão, para a disputa da Copa América. Sua estreia, já como titular e com a camisa 10, aconteceu nas semifinais da competição em 30 de setembro daquele ano frente a seleção do Peru. Aprovou e passou a ser convocado com frequência. Na seleção brasileira atuou em 7 partidas, tempo suficiente para conquistar, já em 1976 a Taça do Atlântico, Copa Rocca e Taça Oswaldo Cruz. Sua ultima partida com a camisa amarela aconteceu em 9 de junho daquele ano na vitória por 3 a 1 frente a Seleção Paraguaia. Com a camisa rubro-negra sua despedida aconteceu em 4 de agosto pelo campeonato carioca na derrota por 3 a 0 frente ao Americano, na cidade de Campos. Após a eliminação da equipe nesta competição, o Flamengo passou a realizar amistosos por várias cidades até a sua estreia no campeonato brasileiro em 1° de setembro. Enquanto isso, seguindo a orientação do Departamento Médico do Flamengo, Geraldo se submeteu em 26 de agosto a uma cirurgia para retirar as amigdalas por conta de uma inflamação crônica na garganta. Um imprevisto deu fim à vida de Geraldo. No Flamengo atuou em 169 partidas pela equipe profissional e marcou 13 gols. Geraldo foi um daqueles jogadores, promissores, que o destino resolveu levar por outros caminhos, bem longe daqueles sonhados.



 

 

Marinho, o Cara

Autor: José Renato - 11/05/2015   Comentários Nenhum comentário

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Mário José dos Reis Emiliano nasceu em Belo Horizonte em uma família de origem muito pobre, em 23 de maio de 1957. Era o sétimo filho de uma lavadeira de cadáveres no necrotério da polícia mineira. A vida era muito dura. Para não passar fome, virou catador no lixão da capital mineira, e por conta de algumas más companhias chegou a ser internado em um reformatório. O menino magricelo corria demais e passou a acalentar seu sonho de ser jogador de futebol já aos 12 anos quando foi levado por um massagista do Atlético Mineiro, para fazer parte das categorias de base do clube. Com a bola nos pés o “neguinho” agradou. Foi neste tempo que a primeira tragédia se fez presente em sua vida. Sua irmã, Irene, morreu atropelada quando o levava a um treino do clube mineiro. Aos 18, foi convocado pela primeira vez para a seleção olímpica que disputaria os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. Pela equipe olímpica participou de 15 jogos e marcou 2 gols, o suficiente para chamar atenção do técnico Barbatana que bancou sua escalação na equipe principal do Atlético. Logo em seu primeiro ano conquistou o titulo mineiro em uma equipe onde se destacavam craques do nível de João Leite, Toninho Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro e tantos outros. O garoto sentiu o peso do sucesso e se deslumbrou com a rápida fama. Passou a se dedicar poucos aos treinos e muito a vida noturna. Acabou afastado da equipe em 1978 e se transferiu para o América de São José do Rio Preto. Na simpática cidade do interior paulista, Marinho se reencontrou e foi um dos grandes nomes do campeonato paulista de 1979, sendo considerado o melhor ponta direita daquela competição. Ao que parecia o menino voltara em rumo ao sucesso. Passou a ser ídolo na cidade paulista e lá ficou até 1982, sempre sob a proteção do folclórico presidente americano, Birigui, que sequer cogitava admitir a sua saída. De volta ao Galo Mineiro, ficou pouco tempo, e logo foi contratado, em 1983, pelo Bangu, cujo patrono, Castor de Andrade, bancava financeiramente a formação de grandes equipes. Sua contratação junto ao América foi árdua, por conta do presidente Birigui que não cansava de irritar o dirigente carioca ao chamá-lo de Esquilo de Andrade. Diz a lenda que Castor chegou a colocar um revolver em cima da mesa, enquanto que com a outra mão assinou o cheque. Marinho não tinha ideia o quanto sua vida profissional mudaria no Bangu. Passou a ser um dos grandes nomes da equipe carioca que viveu o seu auge ao chegar a final do campeonato brasileiro de 1985. O titulo acabou sendo perdido na decisão de pênaltis frente ao Coritiba, ainda assim, Marinho foi escolhido o melhor jogador do campeonato brasileiro daquele ano, e venceu a Bola de Ouro, prêmio oferecido pela Revista Placar. Naquele mesmo ano, conquistou o vice-campeonato carioca após uma conturbada final frente ao Fluminense. Um ano quase perfeito fez com que sua convocação para a seleção brasileira acontecesse em 1986, ano da Copa do Mundo do México. Foram duas partidas com a camisa amarela e um gol marcado, no entanto, sua ida para a Copa acabou não acontecendo. Acabou se achando injustiçado por isso e chegou a acusar o técnico Telê Santana de ser racista. Em 1987 conquistou a Taça Rio, segundo turno do campeonato carioca e viu que era momento de mudar de ares, sobretudo pelo início de problemas judiciais e financeiros que passaram a assolar o patrono banguense Castor de Andrade. Foi contratado pelo Botafogo em 1988 juntamente com Paulinho Criciúma e Mauro Galvão. Em 13 de fevereiro daquele ano reuniu a imprensa para uma entrevista em sua casa para divulgar seus novos rumos profissionais, quando uma nova fatalidade aconteceu. Durante a gravação, seu filho, Marlon, com apenas um ano e sete meses caiu na piscina e morreu afogado. A tragédia pareceu marcar o inicio do fim de sua carreira como jogador de futebol. Teve atuações apagadas na equipe da Estrela Solitária. Voltou ao Bangu em 1989. Em 1990, tentou novo retorno em outro lugar que tinha sido muito feliz, o América de São José do Rio Preto. Não deu certo. No ano seguinte rumou a Bolívia, onde atuou no San Jose. Passaria novamente pelo Bangu, Entrerriense, São Cristovão, até encerrar sua carreira na equipe de Moça Bonita, como o décimo maior artilheiro de sua história, com 81 gols, em 1997, aos 40 anos. Marinho seguiu o roteiro de jogador profissional que a grande maioria dos atletas tem enfrentado ao longo dos tempos. A infância pobre, seguida de muito sucesso e sempre acompanhada de tragédias que marcam sua vida pessoal.



 

 

Ruço, o Beijinho Doce

Autor: José Renato - 04/05/2015   Comentários 1 comentários

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José Carlos dos Santos nasceu no simplório bairro do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, em 3 de junho de 1949. Filho de um pintor de carro e de uma dona de casa, durante criança, sua vida se resumia a estudar e bater bola na rua. A necessidade fez com que logo aos 14 anos começasse a trabalhar como torneiro mecânico. O sonho de se tornar jogador, no entanto, ainda estava muito presente na cabeça daquele menino de cabeleira castanha, na verdade, quase que avermelhada. Resolveu tentar a sorte no Madureira, equipe do subúrbio carioca. Ao chegar no dia de seu teste, se encontrou com o técnico e ex-jogador, Jair da Rosa Pinto. Foi do grande Jair, a ideia de dá-lo um nome mais apropriado, de acordo com a sua fisionomia, virou Ruço, para sempre. Aprovado, passou a atuar nas categorias de base do Madureira. Com 22 anos, atuando pela equipe principal, se destacou no campeonato estadual de 1973, o que chamou a atenção do Botafogo, equipe que o contratou para disputar o campeonato brasileiro daquele ano. Teve poucas chances e acabou emprestado para o Clube do Remo em 1974. Em 19 de maio daquele ano, participou do clássico frente ao Paysandu, que acabou em briga generalizada com direito a invasão de torcedores e intervenção da Polícia Militar. Foi a gota da agua para decidir voltar para casa, naquele tempo, o Madureira Logo na segunda rodada do estadual do Rio de Janeiro, em 10 de agosto, teve atuação impecável na vitória da equipe suburbano frente ao Flamengo por 2 a1 em pleno Maracanã. Ao final do campeonato, novamente Ruço voltou a ser cortejado por outras equipes. Quase foi para o Vasco da Gama, mas em janeiro de 1975 chegou ao Corinthians. O clima no alvinegro paulistano não era dos melhores, uma vez que tinha perdido o estadual para o rival Palmeiras, pouco menos de um mês antes, e com isso o tabu sem títulos tinha alcançado 20 anos. O que estava ruim, piorou com a saída do grande craque do time, Rivellino, acusado pela direção alvinegra de ter tremido na final do Paulistão, contratado pelo Fluminense. Seu primeiro ano no Corinthians foi difícil, sobretudo pela pressão da torcida que não se conformava com mais um ano sem conquistas. Em 6 de julho daquele ano, após sofrer uma goleada por 5 a 1 para a Portuguesa, a torcida cercou o ônibus do time e ameaçou virá-lo. Foi demais para Ruço, que decidiu ir embora de volta ao Rio de Janeiro. Convencido, acabou ficando e para sempre entrou na história da equipe paulista. Marcador implacável, dotado de pouca técnica, mas muita raça se firmou como titular absoluto da equipe lutadora que disputou um grande campeonato brasileiro em 1976. Em 5 de dezembro daquele ano, coube a ele vestir a camisa 10 alvinegra, na partida válida pela semifinal, frente justamente o Fluminense de Rivellino, também camisa 10. Em um Maracanã lotado, com a maioria da torcida pertencente a equipe adversária, a alvinegra, algo jamais visto na história do futebol mundial, em fato que passou para a história do futebol brasileiro como a Invasão do Maracanã, ainda assim os paulistas eram considerados zebras frente a Máquina Tricolor. Momentos antes de pisar no gramado, Ruço tinha uma preocupação a mais. Na véspera, tinha sido chamado pelo técnico Duque, e recebido um pedido de Roberto Barros, que era pai de santo, e, por conta disso, era mais conhecido como Pai Guarantã. Ao receber o Exu Rei, ele afirmou que o Corinthians levaria a melhor e que Ruço faria um gol, mas que para isso se concretizasse o meio campista alvinegro teria que passar três vezes a mão na bunda de Rivellino. Ruço sabia que Rivellino tinha a cabeça quente, o que ele não tinha ideia era de como ele conseguiria atender a orientação do Pai Guarantã. Em certo momento do jogo, surgiu a oportunidade. Após ver o camisa 10 carioca no chão, por conta de uma falta sofrida, deu a mão a ele e bateu três vezes em sua “área traseira”. O alívio foi total, agora só faltava o gol, que não demorou muito e foi marcado com uma inusitada e belíssima meia-bicicleta que tirou totalmente o goleiro Renato da jogada. Era o gol de empate, daquela partida que terminaria 1 a 1. Para comemorar, usou a sua marca registrada, mandou beijos, muitos deles, para a torcida, hábito que já tinha feito com que tivesse ganhado outro apelido, Beijinho Doce, este dado pelo jornalista Osmar Santos. Na decisão de pênaltis, Ruço voltou a marcar, na vitória por 4 a 1 que deu a vaga a final do campeonato brasileiro ao Corinthians. Se o título não veio naquele ano, viria no seguinte, em 13 de outubro de 1977, na vitória por 1 a 0 na final do campeonato paulista frente a Ponte Preta. Ficou no Corinthians até 1978, de onde saiu para atuar novamente no Botafogo que também amargava um grande período sem títulos. A dificuldade em manter o peso, no entanto, algo que o perseguiu durante toda a carreira, se intensificou ainda mais e refletiu muito em seu futebol. Em 1979 voltou ao futebol paulista para atuar no Juventus, onde ficou até o ano seguinte. Retornou ao Rio de Janeiro, onde disputou o campeonato estadual de 1981 jogando pelo Volta Redonda. Seu ultimo ano no futebol profissional aconteceu no Rio Branco do Espirito Santo, onde conquistou o título capixaba em 1983, a sua segunda conquista ao longo de toda a sua carreira. Ruço foi o exemplo do boleiro que embora sem ter muito talento com a bola no pé, conseguiu estar presente em grandes momentos de nosso futebol, por conta de sua raça e disposição quase infinita.



 

 

Bizu, amado por uns e por outros, nem tanto.

Autor: José Renato - 27/04/2015   Comentários Nenhum comentário

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Cláudio Tavares Gonçalves nasceu na cidade paulista de São Vicente em 18 de junho de 1960 e entrou na história do futebol brasileiro pelo nome de Bizu. O seu começo no futebol aconteceu em 1979, em uma pequena equipe do futebol catarinense, o Caçadorense. Após um ano de experiência foi contratado pelo Blumenau onde atuou até 1982. Após rápida passagem pelo Bangu, chegou ao Avaí, em 1983, onde se destacou na equipe que conquistou a primeira fase do campeonato estadual, a Taça Governador do Estado. Já no ano seguinte foi contratado pela equipe gaúcha do Novo Hamburgo. Ao que tudo indicava sua vida profissional seria similar a de um nômade, passando de clube em clube. Foi com esta fama que chegou ao Caxias para disputar o campeonato gaúcho de 1987. O primeiro turno daquele estadual marcou definitivamente a carreira de Bizu. Ele comandou a equipe grená que conquistou o primeiro turno do Gauchão daquele ano (após vencer o sorteio, ultimo critério de desempate, frente o Grêmio). Com 12 gols e até então artilheiro da competição, chamou a atenção do Palmeiras. A equipe alviverde vivia um momento de grande pressão, sobretudo por conta do jejum de títulos, que começara em 1976. Ficou pouco tempo na equipe paulista, atuando em 30 oportunidades e marcando apenas 4 gols. Alvo de muitas críticas dos torcedores virou motivo de piada por grande parte da imprensa. Acabou encostado e emprestado para o Náutico. Chegou ao Timbu em 1988, quando foi vice campeão brasileiro da segunda divisão, em uma pequena amostra do que viria acontecer nos anos seguintes. Em 1989, viveu o seu melhor momento. Foi artilheiro do campeonato pernambucano, ao marcar 31 gols em 35 jogos, uma média fantástica de quase 1 gol por partida. Além disso, foi campeão da competição e autor do gol do título frente o Santa Cruz, aos 43 minutos do segundo tempo, na vitória por 2 a 1, em 3 de agosto daquele ano. Ainda naquele ano foi o vice artilheiro do campeonato brasileiro ao marcar 10 dos 16 gols da equipe pernambucana, que teve o melhor ataque daquela competição. Por fim, foi escolhido pela revista Placar, o melhor atacante do campeonato, o que lhe valeu a conquista da tradicional Bola de Prata. Em 1990, voltou a se destacar. Além de, novamente, ser artilheiro do estadual e vice artilheiro do campeonato brasileiro, foi artilheiro da Copa do Brasil, com 7 gols marcados. Depois de mais um ótimo campeonato brasileiro em 1991, foi contratado pelo Grêmio. Com 31 anos, foi recebido com desconfiança e acabou não repetindo suas boas atuações. Contratado pelo CSA de Alagoas em 1992, ainda naquele ano estaria de volta ao Timbu, onde foi vice campeão estadual. Chamou a atenção do rival Sport, ao comandar os alvirrubros em uma sonora goleada por 4 a 1, em 6 de dezembro daquele ano, e acabou contratado pelos próprios rubro-negros para a temporada de 1993. No ano seguinte, 1994, foi contratado pelo Ceará, e posteriormente já estaria de volta ao Náutico. Após defender a equipe gaúcha do Aimoré, em 1995, se despediu do futebol em 1996, jogando no Novo Hamburgo. Bizu é daqueles jogadores que viveram no limiar do amor e ódio. Enquanto é considerado um dos piores atacantes da história do Palmeiras, é idolatrado pelos torcedores do Náutico, onde é o sexto maior artilheiro da história do clube com 114 gols marcados. Um legítimo artilheiro que viveu dos gols que marcou.



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