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Blog Memória Futebol


Estádio Cícero Pompeu de Toledo

Autor: Adriano Fernandes - 02/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Peixinho - primeiro gol do Morumbi

As festividades inaugurais do estádio alcançaram brilhantismo invulgar para esta obra monumental que o São Paulo F.C. entregou ao Desporto Nacional. Viveu a 2 de outubro de 1960 o esporte brasileiro um dos seus dias mais notável e histórico. Prestigiando a festa máxima dos tricolores, além do numeroso público que lotava completamente suas dependências, estavam presente altas autoridades do país, do Estado, Município e inúmeros próceres dos esportes nacional e internacional.

Antecedendo ao embate futebolístico programado entre o São Paulo Futebol Clube e o Sporting Clube de Portugal para a comemoração do evento, foi precedida pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta a benção do estádio, após o que hastearam-se as bandeiras do Brasil e de Portugal sob os acordes dos respectivos hinos nacionais.

Em seqüência às solenidades, soaram os clarins da Banda da Força Pública, dando "toque de silêncio" como homenagem póstuma a Cícero Pompeu de Toledo, que foi o pioneiro da monumental concepção. Foi o ponto comovente das solenidades. Um ato emocionante. Os são-paulinos evocaram naquele momento a figura notável de seu saudoso presidente, o iniciador da magnífica realização que o São Paulo F.C. entregou a cidade de São Paulo e ao Brasil. Seguindo-se ao momento altamente emotivo, ouviu-se o apito do árbitro, Sr. Olten Ayres de Abreu, dando por iniciada a peleja internacional.

As duas equipes jogaram assim constituídas:

São Paulo F.C. - Poy; Ademar, Gildésio e Riberto, Fernando Sátiro e Victor; Peixinho, Jonas (Paulo e Cláudio), Gino, Gonçalo e Canhoteiro. Técnico: Flávio Costa.

Sporting C.P. - Aníbal; Lino, Morato e Hilário, Mendes e Júlio; Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diogo (Geo) e Seminário.

Árbitro: Olten Ayres de Abreu.

Renda: Cr$ 7.868.400,00.

Gol: Arnaldo Poffo Garcia (Peixinho).

Borderô da Inauguração:

Numeradas (Cr$ 500,00 a entrada).

4.468 - vendidas antecipadamente (Cr$ 2.234.000,00).

1.091 - vendidas no estádio (Cr$ 545.500,00).

Total arrecadado nas numeradas: Cr$ 2.779.500,00.

Gerais (Cr$ 100,00 a entrada).

31.878 - vendidas antecipadamente (Cr$ 3.187.600,00).

10.013 - vendidas no estádio (Cr$ 1.901.300,00).

Total arrecadado nas gerais: Cr$ 5.088.900,00.

Renda Total: Cr$ 7.868.400,00.

Total de público pagante: 56.448.

Convidados: 1.000.

Ingressos distribuídos gratuitamente: 800.

Número (previsão aproximada) dos torcedores que invadiram o estádio sem pagamento: 6.500.

Público Total: 64.748.

Por Agnelo di Lorenzo (Revista Oficial do São Paulo F.C., nº 106)

Fonte da Imagem: SPFCpédia 

Fonte: SPFCpédia 


 

 

A despedida do Rei Pelé do Santos e do futebol brasileiro

Autor: Adriano Fernandes - 02/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários 2 comentários

pele-despedida-do-santos-02.jpg

Hoje é 2 de outubro. O  último jogo oficial de Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, em gramados brasileiros, o último jogo disputado pelo Santos. Em 2 de outubro de 1974, quando tinha 34 anos, ele fez aquela que parecia ser sua despedida oficial dos gramados (no ano seguinte, jogaria nos Estados Unidos com feras como Franz Beckenbauer no Cosmos).

Pelé, que doava seu salário a entidades carentes e começava a administrar negócios próprios, demonstrava que queria encerrar sua carreira ao final de seu contrato com o Peixe, em outubro daquele ano. Naquele período, sua média de gols era de 0,45 por partida, algo fraco, em se tratando do maior jogador de todos os tempos. Eram as últimas rodadas do primeiro turno do Campeonato Paulista, e o alvinegro da Vila Belmiro fazia uma campanha mediana. Pelé fizera somente dois gols em dez partidas do certame. E aquela quarta-feira, 2 de outubro, parecia perfeita para uma despedida do tamanho devido para tamanha sumidade futebolística. No domingo anterior, aconteceu seu último jogo no Pacaembu. Estádio abarrotado, mas ele deixou o campo aos 32 minutos de jogo, por sentir uma contusão. Ficava, então, a preocupação: conseguiria Pelé fazer sua despedida três dias depois? "Jogo nem que seja de muleta", garantiu o Rei. O que se viu, então, foi uma comoção nacional para a partida Santos x Ponte Preta - quer dizer, para a despedida dele.

Os ingressos esgotaram no mesmo dia em que foram postos à venda. Ônibus e carros saíam de todas as partes do país rumo à Baixada Santista. Vendedores ambulantes vendiam feito água. Mais de 250 jornalistas de todo o Brasil e do mundo deslocaram-se para cobrir este momento histórico. Ficava no ar um temor de um incidente igual ao de meses antes, quando um alambrado da Vila Belmiro cedera por superlotação. Mas a vontade de acompanhar a despedida de Pelé dos gramados brasileiros era maior que tudo. Da Torcida Jovem até seu companheiro de Seleção Brasileira, Nílton Santos, todos foram homenageá-lo. A movimentação era tanta, mas tanta, que o Rei se esquivou dos jornalistas até a hora fatal. Milhares já se colocavam em frente ao portão de sua casa, forçando-o a pular o muro lateral para despistá-los e conseguir ir na casa da sogra, indo dali para a concentração com a equipe santista. Com tudo isso acontecendo, ele até se esqueceu de comparecer a uma entrevista para uma revista ao lado do cantor e compositor Chico Buarque, que saíra do Rio de Janeiro de manhã cedo rumo a Santos. Mas Chico nem deu bola, como dissera: "o momento era dele".

Às 18 horas e 20 minutos, foram abertos os portões da Vila Belmiro. Num piscar de olhos, não restava lugar mais nem para minúsculas moscas, tamanha era a lotação do estádio, gerada pela importância do fato. Duas horas depois, Pelé subia pela última vez o corredor do vestiário para defender o alvinegro da Baixada pela derradeira oportunidade. Um sorriso tímido para as câmeras, nenhuma declaração na entrada em campo. O agradecimento à torcida, o recebimento das homenagens e deu. A bola ia rolar. E a bola rolou. Mas ninguém dava muita importância pro jogo em si. Santos e Ponte Preta não era o que importava. Pelé era o que importava. E ele jogava visivelmente no sacrifício. Porém, por vontade própria, pois este momento era impossível de ser perdido. Aos 15 minutos, a bola é cruzada. Ele cabeceia e Carlos, à época com 18 anos, pratica grande defesa. Mais um pouco e o arqueiro brasileiro na Copa de 1986 entraria para a história por tomar o último gol do Rei, da mesma forma que Andrada, do Vasco, que levou o milésimo gol em 1969, no Maracanã.

Mas oito minutos mais tarde, não dava mais. Pelé estava totalmente sem condições de seguir jogando. Então, dirige-se ao centro do campo, pega a bola, ajoelha-se no gramado e levanta os braços dizendo "obrigado, Deus". Chegava, então, ao fim a trajetória do maior jogador de futebol da história da humanidade nos campos do país para o qual dera três títulos mundiais e um sem número de alegrias. Jornalistas e torcedores invadiram o campo. Ele tira a camisa molhada, ergue-a e inicia uma volta olímpica, livrando-se dos microfones e de tapinhas nas costas. A apoteótica despedida do Rei na casa onde fez seu nome e sua história. Na seqüência, ele voltou ao vestiário, se arrumou e deixou o estádio Urbano Caldeira num carro do Corpo de Bombeiros escoltado pela Polícia Militar. Junto, milhares e milhares de fãs apaixonados gritando "Pelé! Pelé! Pelé!".

Em entrevista à Rádio Gazeta de São Paulo, ao final do cortejo, o Rei abriu o coração: "Acho que não há mérito nenhum a gente procurar fazer o melhor. Dar o melhor de si em qualquer que seja a sua afinidade. Foi isso que eu procurei fazer durante minha carreira". Seus números não deixam dúvidas sobre o incontestável título de Atleta do Século que recebeu. Nos 18 anos em que defendeu o Santos, foram 1088 gols em 1114 partidas, média de 0,97 gol por jogo - ou seja, ele marcava praticamente um gol a cada partida. Contando apenas os títulos importantes, foram 25 no clube paulista: 10 campeonatos estaduais, quatro torneios RJ/SP, cinco Taças Brasil, uma Taça de Prata (Robertão), uma Recopa Mundial, duas Libertadores e dois Mundiais Interclubes.

A propósito: a partida do Santos contra a Ponte Preta, pelo primeiro turno do Campeonato Paulista de 1974, seguiu em frente. Gilson substituiu o Rei. Aos 30 minutos do primeiro tempo, Cláudio Adão marcou Peixe 1 a 0. Aos 11 minutos da segunda etapa, a Macaca fez gol contra, com Geraldo, o segundo dos mandantes. Na seqüência, um apagão interrompe o jogo por meia hora. Reiniciado, termina com vitória do Santos por 2 a 0. Mas não importava mais quanto acabara a partida. O que ficara mesmo, para sempre, era a despedida de Pelé dos gramados brasileiros. Nunca mais eles receberam uma expressão individual sequer semelhante.

A ficha técnica do jogo histórico é esta:

Santos (2): Cejas; Wilson, Vicente, Bianque e Zé Carlos; Léo e Brecha; Cláudio Adão, Da Silva, Pelé (Gílson) e Edu.

Ponte Preta (0): Carlos; Geraldo, Oscar, Zé Luiz e Walter; Serelepe e Serginho; Adílson, Waldomiro, Waltinho (Brasília) e Tuta.

Árbitro: Emídio Marquez Mesquita

Fonten da Imagem: aboutbreja.blogspot.com

Fonte: Papo de Bola em 2/10/2004



 

 

101 anos do Vitória Capixaba

Autor: Adriano Fernandes - 01/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Vitória FC

Dentre os jogadores mais assíduos das peladas iniciais (em campinhos improvisados na Rua Sete de Setembro e no Alto do São Francisco, ambos no Centro da cidade de Vitória), dois viviam entre o Rio de Janeiro e Vitória pelo fato de estudarem na primeira cidade, e tiveram participação decisiva na fundação do Vitória, que acabou sendo a primeira agremiação de futebol do Estado.

Eles vinham passar as férias estudantis no Espírito Santo, e conversavam demoradamente com o restante da turma das partidas, falando sobretudo do Fluminense, na época considerado como um padrão de organização. Como na década de 10 era considerado coisa de elite ser jogador do Flu, Jair Tovar e Nelson Monteiro, os dois estudantes capixabas, conseguiam ampla audiência.

E as suas conversas sempre terminavam enfocando a necessidade que havia de se fundar um clube como o carioca. O assunto evoluiu de tal maneira, que um belo dia decidiu-se realmente criar a agremiação e iniciar, na Capital capixaba, a prática organizada do futebol.

Tudo foi previsto. Como a data seria solene, pensou-se num certo formalismo cercando o fato. Marcou-se uma reunião para um sobrado existente na rua São Francisco, esquina com a Ladeira do Carmo, pertencente à viúva Constança Espíndula, mãe de Constâncio e Taciano Espíndula, dois cobras das peladas da rua Sete e fundadores do novo clube.

Desta reunião participaram, dentre outros, João Pereira Neto, João Nascimento, Armando Ayres, Graciano e Edgar dos Santos Neves, Edgard e Pedro O’Reilly de Souza, além, é claro, dos donos da casa (casa que, por sinal, não existe mais). João Pereira Neto foi escolhido presidente dos trabalhos e, logo de início, concordou em que seria fundado um clube de futebol. Faltava o nome.

A discussão em torno desse nome não durou muito. Logo alguém sugeriu que o clube tivesse o nome da cidade-sede e, em pouco tempo, estava criado o Foot-ball Club Victoria. A primeira diretoria foi também logo escolhida: presidente, João Pereira Neto; tesoureiros, João Nascimento e Névio Costa; diretor de esportes, Edgard O’Reilly de Souza.

Em seguida, os homens reunidos no sobrado redigiram a ata de fundação, e todos a assinaram. Este documento foi posteriormente perdido. Deste período de início de atividades ficou apenas a documentação que se seguiu, justamente a inscrição dos primeiros sócios fundadores, e que foram Oscar Guimarães, Sílvio Veredino de Aguiar, Benvindo de Novais, Mário Espíndula e Sidney Pereira de Souza.

Os dirigentes do primeiro clube de futebol do Estado haviam, entretanto, esquecido um ponto muito importante na reunião: ele ainda não tinha cores oficiais. Armando Ayres, que era saldanhista, chegou a pedir que fossem adotados o vermelho e o branco, mas, como na diretoria havia torcedores do Álvares, a proposta terminou derrotada. A que prevaleceu foi outra, determinando o azul e o branco. O azul, diziam os dirigentes, iria representar o céu de Vitória.

O futebol capixaba nascia oficialmente nesta reunião. Daí para a frente surgiriam os outros clubes. Os jovens reunidos no sobrado da rua São Francisco no dia 1º de outubro de 1912 não poderiam imaginar que, naquele dia, estavam organizando o esporte mais popular do Brasil no Espírito Santo.

O ex-presidente do Vitória, Odilon Santos, contou certa vez que uma das primeiras providências adotadas pelos fundadores do clube, ainda em 1912, foi mandar comprar na Inglaterra uma bola de futebol de couro com costuras (custou 5.000 réis) para os jogadores utilizarem. Na época, era comum jogar até mesmo com as hoje ainda usadas bolas de meia.

Inicialmente o clube não tinha sede. Amparou-se em Antenor Guimarães, que cedia um galpão de sua propriedade para os jogadores se reunirem. No mais, tudo se decidia em conversas na rua ou durante os jogos, sempre disputados em terrenos ou na praia. Campo de futebol, só mesmo quando o Moscoso Futebol Clube (já extinto) fez o primeiro, ao lado da igreja de Jucutuquara.

Como o Vitória não tinha sede nem patrimônio algum, todos os seus pertences eram guardados de favor nas casas dos dirigentes ou dos jogadores (inicialmente, todos amadores). Nas residências particulares ficavam jogos de camisa, bolas, material de treinamento, documentos e tudo o mais que o clube necessitava e tinha.

Isso durou até 1951, quando o presidente Arnaldo Andrade comprou de Hugo Viola uma área onde hoje se localiza o Estádio Engenheiro Araripe, em Cariacica. A área, toda formada por alagados, foi adquirida por 80 contos, pagáveis à ordem de dez contos por mês. Como não havia dinheiro para mandar aterrar o local, o terreno jamais foi usado pelo Vitória. O clube, anos depois, terminou se desfazendo dele.

Posteriormente, os dirigentes adquiriram um terreno onde depois chegou a estar a loja Empório Capixaba. Esse terreno foi tomado pelo Governo sob promessa de, posteriormente, ceder outro. Isso efetivamente foi feito. O Vitória recebeu, em doação por escritura pública, a área ocupada até hoje em Bento Ferreira.

Mas somente em 1962 o Estádio Salvador Venâncio da Costa começaria a ser construído. Isso, depois que os torcedores Ailson Lima Cabral e Aprígio Vieira Gomes conseguiram que uma draga a serviço de aterro nas proximidades despejasse sobre o terreno a areia que possibilitou torná-la utilizável.

O presidente Salvador Venâncio da Costa lançou mão de todos os recursos possíveis para levantar o estádio. O clube usou carnês, rifas e vendeu títulos, mas mesmo esses esforços resultaram insuficientes. A obra foi terminada, mas Salvador Costa sofreu um abalo financeiro dos mais sérios.

O Vitória chegou a registrar, ao longo de sua vida, um fato hoje lamentado por todos os dirigentes. Quando o Brasil se uniu aos Aliados, passando a lutar na II Guerra Mundial, foi feita a Campanha do Metal porque o país precisava de recursos para enfrentar o conflito. Os dirigentes terminaram doando, em uma das campanhas, nada menos que todos os troféus ganhos pelo clube até então. Peças valiosas, praticamente o passado inteiro do Vitória foi entregue para que o metal, derretido nos fornos, virasse bocas de canhões.

Fonte da Imagem: Clube Design Gráfico

Fonte: Vitória FC - Site Oficial



 

 

O Maravilha Negra

Autor: Adriano Fernandes - 01/10/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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José Leandro Andrade nasceu a 1 de Outubro de 1901 em Salto, começando a dar os primeiros pontapés na bola no bairro de Palermo. Atuava tanto como médio defensivo como defesa (direito ou esquerdo) e cativou o mundo com a sua eficácia, elegância, inteligência e técnica de jogar futebol, o que o tornou num dos futebolistas mais brilhantes da história.

Iniciou a sua carreira no Misiones, passando depois pelo Bella Vista, Nacional, Penharol e Wanderers, todos emblemas uruguaios. Seria no Nacional que viveria alguns dos anos mais felizes da sua carreira, vencendo os campeonatos do seu país de 1922 e 1924. Pelo Nacional participou em várias digressões pela Europa e pelos Estados Unidos da América, e reza a lenda que o famoso intérprete de jazz norte-americano Louis Armstrong ter-se-á inspirado no “Pelé dos anos 20” (como Andrade foi um dia apelidado) para criar o seu estilo artístico.

Além de um fabuloso futebolista Andrade era um não menos fabuloso bailarino, sendo que por diversas vezes integrou cortejos carnavalescos no seu país. Após a sua retirada dos relvados partiu para Paris, onde se tornou um célebre bailarino de cabarets. Adorava a folia e a vida boémia.

O nascimento do mito Maravilha Negra

Seria no entanto ao serviço da selecção do Uruguai que Andrade atingiu a fama planetária que fizeram dele um dos maiores jogadores de futebol da história.

Numa altura (anos 20) em que o Campeonato do Mundo ainda não havia surgido cabia aos jogos olímpicos a tarefa de reunir as melhores selecções do Mundo de quatro em quatro anos para apurar... o campeão do Mundo. É verdade! Naquela época os torneios olímpicos de futebol tinham a dimensão e importância daquilo que é hoje em dia o Campeonato do Mundo da FIFA.

Em 1924 coube à cidade de Paris organizar as olimpíadas de Verão desse ano. O torneio de futebol viria a ser amplamente dominado pela selecção do Uruguai, uma equipa que com a sua beleza e arte futebolística encantou os europeus. Dúvidas não existiam: o Uruguai era a melhor e mais poderosa equipa do Mundo da altura.

Na final do torneio olímpico os sul-americanos venceram no Stade des Colombes a Suíça por 3-0. O maestro, o craque, dessa equipa era um negro (o primeiro negro a pisar um relvado da Europa) com movimentos felinos de encantar, de seu nome José Leandro Andrade. Cedo, os jornalistas e adeptos franceses trataram de o rebaptizar, chamado-o de A Maravilha Negra. E assim nascia um mito do futebol.

Quatro anos mais tarde seria novamente peça fundamental na revalidação do título olímpico (ou Mundial, como era considerado na altura) da celeste (nome pelo qual é conhecida mundialmente a selecção do Uruguai), desta feita nos Jogos Olímpicos de Amesterdão, tendo na final derrotado a Argentina por 2-1. Andrade era na altura o melhor jogador do Mundo.

Fonte da Imagem: Museu Virtual do Futebol

Fonte: Museu Virtual do Futebol em 6/10/2007



 

 

Frank Rijkaard, a calma e o furacão

Autor: Adriano Fernandes - 30/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Numa analogia com o mundo da música, poderíamos dizer que no futebol existem dois tipos de jogadores: os chamados "carregadores de piano", incansáveis no trabalho de marcação e recuperação da bola, e os "maestros" que ditam o ritmo dos seus times e garantem o espetáculo para o torcedor. Franklin Edmundo Rijkaard, porém, demonstrou durante toda a sua exemplar carreira nos gramados que um futebolista pode ser igualmente eficaz nas duas funções.

Defensor implacável e autor de muitos gols como meia de ligação, o jogador revelado pelo Ajax se tornou a grande referência do Milan de Arrigo Sacchi e da seleção holandesa que voltou à Copa do Mundo da FIFA nas edições de 1990 e 1994. Trabalhando agora como técnico, Rijkaard conserva a esperança inconfessa de retornar à festa máxima do futebol mundial, que não lhe sorriu em duas participações como atleta.  

Das ruas para o Ajax

Rijkaard nasceu no dia 30 de setembro de 1962 em Amsterdã, menos de um mês depois que um certo Ruud Gullit veio ao mundo no mesmo bairro de Jordan. Coincidência ou não, ambos viriam a alcançar muitas glórias jogando lado a lado com a camisa de clubes e da Laranja Mecânica. Outro ponto em comum é que os pais dos dois jogadores são originários do Suriname. O de Rijkaard chegou à Holanda na década de 1950. 

Os dois garotos se conheceram por acaso jogando bola nas ruas da capital e chegaram a atuar juntos no modesto DWS, time do bairro. Impondo respeito no setor defensivo pelo porte físico avantajado e pelo talento nas divididas, Rijkaard acabou chamando a atenção do então técnico do Ajax, Leo Beenhakker, que o levou para o clube. Ele estreou na equipe principal aos 17 anos em 1980, na vitória contra o Go Ahead Eagles por 4 a 2, partida em que marcou o seu primeiro gol no Campeonato Holandês.

Instalado no miolo de zaga por Beenhakker, Rijkaard conservou a posição sob o comando de Kurt Linder, Aad de Mos e na primeira temporada de Johan Cruyff à frente do time. Verdadeiro xerife da defesa, ele teve um papel preponderante na conquista de sete títulos entre 1980 e 1987, sagrando-se campeão nacional em três oportunidades e vencendo uma Recopa Europeia.

Trio mágico

No entanto, a chegada de Cruyff ao banco do Ajax acabaria provocando desavenças entre os dois ídolos de personalidade igualmente forte. Decidido a deixar o clube, Rijkaard se transferiu para o Sporting português e foi emprestado ao Zaragoza antes de ser contratado pelo Milan, onde reencontrou o amigo Gullit e o também holandês Marco van Basten. Sob a batuta de Sacchi, passou a jogar no meio-campo ao lado de Gullit, Carlo Ancelotti e Demetrio Albertini.

Para executar o projeto, porém, o técnico precisou batalhar firme com a diretoria a fim de impor a escolha de Rijkaard como terceiro atleta estrangeiro do clube. À época, o presidente Silvio Berlusconi estava mais interessado no argentino Claudio Borghi.

Mas o dirigente não se arrependeria por dar ouvidos ao treinador. A bagagem técnica, a inteligência tática, a força física e, principalmente, a surpreendente elegância de Rijkaard para um jogador de 1,90 m de altura logo sacudiram o Estádio San Siro, em cujos bastidores recebeu o apelido de "furacão". Ao futebol ofensivo e vistoso da escola holandesa, Rijkaard acrescentava o rigor defensivo e a objetividade italiana.

Além disso, ele costumava subir para apoiar o ataque — e não somente nas cobranças de falta, com as quais causava sérios problemas às defesas adversárias. Foi numa dessas subidas que ele marcou o gol do título milanista na Copa dos Campeões da Europa de 1990, contra o Benfica. E enquanto os Rossoneri à holandesa dominavam o Velho Continente, o trio batavo monopolizou a votação da Bola de Ouro em 1988 e quase repetiu o desempenho no ano seguinte, com o capitão Franco Baresi interpondo-se entre Van Basten e Rijkaard.

Um final feliz

Mas a decisão continental de 1993, perdida diante do Olympique de Marselha pelo placar mínimo, selaria o término daquela era gloriosa. Gullit deixou o Milan, Van Basten foi obrigado a pendurar as chuteiras em função de repetidas lesões e Rijkaard voltou ao Ajax como zagueiro, desta vez a serviço do técnico Louis van Gaal. Em 1995, para coroar a carreira, foi campeão europeu pela terceira vez dando o passe para o gol de Patrick Kluivert na final contra o Milan — difícil imaginar um final mais feliz para a sua carreira dentro das quatro linhas.

Com a seleção da Holanda, porém, apesar do grande elenco, Rijkaard faturou menos troféus. Ainda assim, foi titular da esquadra laranja na campanha do título europeu de 1988 — o único triunfo internacional da história do país, conquistado diante da União Soviética. À época, Rijkaard formava a dupla de zaga ao lado de Ronald Koeman. Por ironia do destino, a estreia dele com o uniforme holandês havia acontecido no dia 1º de setembro de 1981, entrando no lugar de Gullit no segundo tempo contra a Suíça em Roterdã.

Em 73 partidas pelo país entre 1981 e 1994, ele marcou dez gols, disputou a Copa do Mundo da FIFA duas vezes e uma segunda Eurocopa em 1992. Nas três ocasiões, a Holanda acabou sendo eliminada pelo futuro campeão do torneio. Rijkaard se despediu do selecionado após a derrota por 3 a 2 para o Brasil nas quartas de final dos EUA 1994.

A carreira como treinador só veio confirmar aquilo que Rijkaard foi dentro de campo: uma bem-sucedida mistura entre objetividade e elegância. "O Frank encontrou o equilíbrio entre a plasticidade e a eficiência", afirmou Cruyff, que lhe abriu as portas do Barcelona. "Assim como eu, ele sabe que a soma de talentos individuais não serve para nada se os jogadores alinhados em campo não pensam no coletivo. É um homem por quem tenho enorme estima." Depois de se sagrar bicampeão espanhol e de vencer a Liga dos Campeões, Rijkaard deixou o clube catalão ao final da temporada 2007/08 para dar lugar a Pep Guardiola — outro especialista em carregar piano e jogar por música.

Fonte da Imagem:

Fonte: FIFA.com



 

 

Bill Shankly*, o ídolo imortal

Autor: Adriano Fernandes - 29/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

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Desde meados da década de 50, cada vez mais treinadores de futebol de outros países aparecem para o mundo, treinando os clubes da Inglaterra. Nomes como Alex Ferguson, David Moyes e Kenny Dalglish. , por algum motivo sempre se destacam, ganhando títulos e dando-se como heróis pelas torcidas dos clubes. No Liverpool, o maior treinador na história, e talvez, o maior técnico estrangeiro do campeonato inglês, é escocês. William Shankly é, sem dúvida, um ícone maior na história do clube. Memoriais, homenagens são constantes no estádio do Liverpool. Bill tirou o time da segunda divisão e o levou ao título da copa dos campeões.

Nasceu em Glenbuck, na escócia em 2 de setembro de 1913, e faleceu em 29 de setembro, em Liverpool, com 63 anos. Shankly é sempre lembrado pelos fãs por sua passagem vitoriosa no Liverpool, que durou 15 anos, de glória. E também, por suas frases únicas, sempre visando o lado bom de algo ruim. Alguns consideram Shankly um sábio no futebol por seus pensamentos e versos. Com o passar do tempo, foi amando cada vez mais a equipe vermelha e disse que tinha o desejo de morrer aos redores de Anfield Road, e, foi assim que aconteceu. Faleceu devido um ataque cardíaco, na noite após sua morte, o Liverpool derrotou o Oulun Palloseura por 7 a 0, ao fim da partida, uma bandeira foi estendida com os dizeres "shankly lives forever".

O mais interessante das declarações de Shankly é a temática: quase sempre tentando encontrar um ponto de vista positivo no que ocorria. A atitude permanecia intacta mesmo após derrotas contundentes, o que alimentava a aura folclórica em torno do técnico. Essa mentalidade o ajudou a se aproximar dos torcedores, que o consideram o maior treinador da história dos reds.

Como comandante Shankly valorizava a motivação do grupo e a construção de um ambiente de trabalho coeso. Com bom olho para identificar jogadores de talento, ele conseguiu tirar o Liverpool da segunda divisão para fazer do time um dos maiores e mais vitoriosos do mundo.

Veja algumas frases do treinador lendário.

“Algumas pessoas acreditam que futebol é questão de vida ou morte. Fico muito decepcionado com essa atitude. Eu posso assegurar que futebol é muito, muito mais importante.”

“Quando eu estava em Anfield, sempre dizíamos que tínhamos os dois melhores times de Merseyside: o Liverpool e os reservas do Liverpool.”

“Brian Clough é pior que a chuva de Manchester. A chuva, pelo menos, Deus pára ocasionalmente.”

“O problema com os árbitros é que eles conhecem as regras, mas não o jogo em si.”

“Se um jogador não está interferindo na jogada ou tentando ganhar alguma vantagem, ele deveria.”

“Eu sei que é uma ocasião triste, mas acho que Dixie ficaria feliz em saber que mesmo morto ele conseguiu trazer mais gente para o Goodison Park que o Everton em um sábado à tarde.” (no funeral de Dixie Dean, ex-jogador do rival Everton)

“Se você não sabe o que fazer com a bola, mande-a para as redes e depois conversamos sobre suas opções.” (ao atacante Ian Saint John)

“O melhor time empatou.” (depois de um empate em 1 x 1)

“Eu só queria ele para o time reserva, mesmo.” (depois de não conseguir contratar um jogador)

“Claro que eu não levei minha mulher para ver o Rochdale no nosso aniversário de casamento. Era o aniversário dela. Você acha que eu casaria durante a temporada? A propósito, era o Rochdale reserva.”

“Eu disse ao jogador: ‘você não quebrou a sua perna. Está tudo em sua mente’.”

* Bill Shankly faleceu neste dia no ano de 1981

Postado por Liverpool Best Fans no site Futemoney em 21/6/2010

Fonte da Imagem: guardian.co.uk



 

 

Silvio Piola um autêntico goleador

Autor: Adriano Fernandes - 29/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Silvio Piola

Por Pedro Spiacci 

Silvio Piola era um autêntico goleador. Em toda a sua carreira, marcou 274 gols em 537 partidas pela Serie A e, até hoje, é o maior artilheiro da principal competição italiana. Durante os 25 anos de carreira, Piola foi ídolo na Lazio, na Juventus e no Novara, porém seus gols não o levaram a comemorar títulos nacionais. A Copa do Mundo de 1938, bicampeonato da seleção italiana, foi o único título que conquistou.

A trajetória do artilheiro começou cedo pelo Pro Vercelli, situado próximo à Robbio, onde nasceu. Nos leoni, à época clube de Serie A, Piola estreou em 1930 e na temporada seguinte, com apenas 17 anos, o atacante foi destaque ao marcar 13 gols, sendo o artilheiro da sua equipe no campeonato. Na temporada 1933-34, outros 15 tentos ajudaram o Pro Vercelli a alcançar o sétimo posto na Serie A. Na partida contra a Fiorentina, em outubro, os piemonteses venceram por 7 a 2, com seis gols de Piola, que estabeleceu o recorde de número máximo de gols de um jogador em apenas um jogo - depois igualado por Omar Sivori, da Juventus.

Ao final da temporada, a Lazio contratou o bomber, mas a transferência foi recheada de polêmica. Pois o partido fascista, que à época dominva o país e tinha ligação com os aquilotti, recebeu acusasões  de ter influenciado essa mudança. O atacante ignorou tudo isso e logo apresentou seu cartão de visitas: marcou 21 gols no primeiro campeonato italiano vestindo biancoceleste e foi o vice-artilheiro da competição. 

No ano seguinte, Silvio Piola novamente apareceu entre o líderes da artilharia ao marcar 20 vezes. Os gols que apareciam em grande escala e fizeram com que ele fosse convocado para a Squadra Azzurra. Na estreia pela Nazionale, contra a Áustria, foi chamado às pressas para substituir o bolonhês Angelo Schiavio e marcou uma doppietta na vitória por 2 a 0. Depois, só deixou a seleção em 1952.

Na temporada 1936-37, marcou 21 gols e, pela primeira vez, foi artilheiro da Serie A. Com seus gols, a Lazio alcançou o vice-campeonato, que lhe garantiu a participação na Copa Mitropa, extinto torneio continental. Os biancocelesti foram bem na competição e acabaram no segundo lugar, perdendo para o Ferencváros, da Hungria. Na Serie A, a campanha não foi boa, mas Piola novamente mostrou sua força e marcou 15 vezes.

Os bons desempenhos lhe garantiram vaga na seleção italiana que foi à Copa da França de 1938, como dententora do título. Na equipe que tinha Giuseppe Meazza como protagonista, Piola fez o seu papel e marcou cinco vezes. Foi fundamental nas oitavas, contra a Noruega, quando marcou o gol decisivil na prorrogação, e nas quartas, quando fez dois para eliminar a anfitriã. Na final, contra a Hungria, os azzurri venceram por 4 a 2 e conquistaram o bicampeonato com dois gols seus. Piola concluiu o Mundial como artilheiro da Nazionale, ficando atrás apenas do brasileiro Leônidas na classificação geral.

O agora campeão mundial voltou para a Lazio, onde seguia sendo a principal esperança e, de certo modo, fazia a equipe dependente de si: quando ele marcava mais gols, a equipe ficava mais à frente na tabela, porém se o mesmo não acontecia, os laziali sofriam. Na sua última temporada na capital italiana, em 1942-43, Piola foi novamente o artilheiro da Serie A, com 21 gols, concluindo sua passagem pelos aquilotti com 143 gols marcados.

Com o avanço da guerra, o futebol praticamente parou e Piola se transferiu para Torino, onde jogou apenas o campeonato de guerra do norte italiano, antes de se juntar à Juventus. Após a saída da Lazio, as convocações para a Nazionale deixaram de ser rotina para o atacante, mas enquant jogava pela equipe bianconera, ele ainda fez mais duas partidas em azzurro e marcou em ambas. Até hoje, Piola tem a maior média de gols pela seleção: marcou 30 em 34 partidas disputadas, alcançando a média de 0,88 gols por partida, à frente de Luigi Riva (0,83) e Giuseppe Meazza (0,62).

Piola jogou duas temporadas pela Velha Senhora e chegou perto de conquistar a Serie A em 1945-46, quando a Juve estava à frente do Grande Torino até a última rodada, quando um empate contra o Napoli fez os rivais comemorarem o título mais suado daquele período. Já visando encerrar a carreira, o artilheiro voltou para a região em que nasceu e foi ajudar o Novara a retornar à Serie A, na única temporada em que não jogou na elite do futebol italiano.

Logo depois de ser protagonista no retorno dos azzurri para a primeira divisão, Piola contribuiu com 15 gols e foi fundamental para manutenção da equipe na divisão de elite do futebol nacional. No ano seguinte, os piemonteses brigaram novamente contra o rebaixamento e escaparam. A temporada 1950-51 viu um grande desempenho de Piola, que marcou 19 vezes e, dessa forma, uma possível volta à Serie B passou longe.

Na disputa de 1951-52, novamente o Novara apareceu bem e ficou na metade de cima da tabela, pois seu artilheiro teve outro ótimo desempenho, marcando 18 gols. Após mais dois anos vestindo a camisa do Novara, em que jogou e marcou menos, Piola optou por pendurar as chuteiras. O clube sentiu a sua ausência e, duas temporadas depois, acabou rebaixado para a Serie B e nunca mais retornou à elite.

O histórico artilheiro chegou a dirigir a seleção italiana logo depois de pendurar as chuteiras, na Copa de 1954, em um sistema de tríplice comando, em parceria com o ex-artilheiro Schiavio e com o húngaro Lájos Czeizler. Treinou também o Cagliari em duas oportunidades, mas não teve sucesso na empreitada como técnico.

Silvio Piola morreu em 1996 e, no ano seguinte, em 23 e outubro de 1997, o estádio Viale Kennedy, de Novara, recebeu o nome do ex-artilheiro. A nomeação teve presença de boa parte da família do campeão do mundo. Por sua grande estreia no Pro Vercelli, desde 2002, Silvio Piola dá nome ao prêmio para o melhor atacante sub-21 das séries A e B. Homenagens à altura do grande atacante que foi.

Silvio Piola

Nascimento: 29 de setembro de 1913, em Robbio, Itália

Falecimento: 4 de outubro de 1996, em Gattinara, Itália

Posição: Atacante

Clubes como jogador: Pro Vercelli (1929-34), Lazio (1934-43), Torino (1944), Juventus (1945-47) e Novara (1947-54)

Carreira como treinador: Seleção italiana (1953-54) e Cagliari (1954-56 e 1957)

Títulos: Copa do Mundo (1938)

Seleção italiana: 34 partidas e 30 gols

Fonte da Imagem: Quattro Tratti /ForzanovaraIT

Fonte: Quattro Tratti em 1/5/2011



 

 

O Boy da Mooca Edu Marangon

Autor: Adriano Fernandes - 28/09/2013 Categoria: Adriano Fernandes   Comentários Nenhum comentário

Edu Marangon (Fonte: Almeida Rocha/Folha Imagem)

Por José Ricardo Leite 

Após mais de dez anos de atuação como treinador entre times profissionais e categorias de base, o ex-jogador Edu Marangon, 50 anos, decidiu dar um tempo na profissão para uma reflexão de se vale a pena continuar.

O ex-meia de Palmeiras, Santos, Portuguesa e Flamengo, entre outros, conhecido como “Boy da Mooca" nos tempos de atleta, se disse decepcionado com algumas situações do futebol e agora se dedica a um negócio particular: conduzir uma empresa de marketing esportivo que tem em parceria com sua esposa.

“Eu já tinha a ideia de formar uma empresa. Minha mulher é formada em marketing e já trabalhava no meio. Há um bom tempo pensávamos e decidimos entrar nesse ramo. Como ela já era do ramo, ficou mais fácil. Eu tinha experiência na parte esportiva. Resolvemos dar uma alavancada nesse negócio e partir pra cima. E paralelo a isso, esse negócio de treinador me deixou meio decepcionado com algumas coisas que aconteciam e que estavam se sucedendo”, falou Marangon ao UOL Esporte.

Edu conta que entre os principais problemas estão a pressão por resultados, falta de boas condições para trabalhar e até mesmo o fato de não receber salários em alguns clubes. “Consegui dois títulos, da A-2 com Juventus e Taça São Paulo com Portuguesa. Mas mesmo assim, enfrentamos situação de baita dificuldade pra receber. Tem clubes que me devem bastante dinheiro. Não vou reaver mais. E esse negócio de colocar na Justiça é complicado, aí dificulta pra trabalhar em outro lugar”, falou.

“AÍ você vai batendo cabeça e coloca em xeque o que fez pelo futebol .Aí falei ´quer saber: vou dar um tempo´. Tinha dado um prazo até o final desse ano para a carreira de treinador. Ainda não estou com certeza de voltar a treinador. Posso voltar a fazer parte em outra função. Estou preparado para fazer outras coisas também, como ser gerente, por exemplo”, continuou.

Edu ainda usou uma frase forte para definir a função de treinador ao destacar os xingamentos que ouve a pressão que tem. “Você tem que ganhar na quarta e no domingo, e se não vira burro. A situação é assim: minha mãe é p... e eu sou burro e não recebo.”

Boy da Mooca

Edu foi conhecido nos tempos de atleta como Boy da Mooca em apelido dado pelo ex-radialista Osmar Santos depois que o jogador apareceu para uma entrevista com carro moderno, óculos escuro e camisa aberta, estilo que era parecido com um personagem de uma música da banda Joelho de Porco.

“Eu fui para um programa dele e cheguei de carrão, camisa aberta, óculos e ouvindo rock. Quando o Osmar me viu, ele falou :´só falta você ser da Mooca´. E quando eu falei que era, ele disse ´então você é o Boy da Mooca´. Falou no rádio e o apelido pegou”, contou.

“Muita gente me conhece como Boy da Mooca. Se fosse hoje, eu patentearia a marca. Mas antes não existia esse marketing todo. Se fosse hoje, com marqueting, eu ia patentear ganharia dinheiro pra caramba. Tudo que o Osmar falava virava onda”, contou.

Surra de vassoura do pai

Apesar de ter o apelido de “Boy”, Edu disse que nunca foi de balada e extravagâncias. Sempre foi um cara muito família. Lembra que só foi sair para um baile, pela primeira vez, aos 19 anos, quando ainda era um jogador júnior.

Pediu para o pai deixá-lo ir em um baile no Juventus, e, surpreendentemente, houve a liberação. Mas desde que chegasse meia noite. Mas ele chegou aproximadamente 3h da manhã. O que rendeu uma surra de vassoura do pai.

“Quando eu vi que estava atrasado, saí correndo do baile pra casa tão rápido que nem o Usain Bolt me pegava. Mas não adiantou. Quando cheguei lá, meu pai estava com uma vassoura para me bater. Ele me dava vassourada e procurava bater na minha perna esquerda [a sua boa]. Ele gritava ´é assim que você quer ser um jogador profissional´?”, falou.

“Foi a melhor surra que eu já levei. Depois me senti muito bem e dei razão a ele. Eu queria ser um jogador profissional e tinha que agir como tal. Aquilo me ajudou muito. Nunca fui de balada, nada. Depois daquilo, nunca mais”, continuou.

Edu, mesmo quando ainda jogava profissionalmente, conseguiu se formar em economia. Tudo pela exigência da família. “Foi meio nas coxas, né? Jogando como profissional e estudando. Mas era uma exigência dos meus pais de que eu tinha que jogar e estudar também.”

Fonte da Imagem: UOL/Almeida Rocha/Folha Imagem

Fonte: UOL Esportes em 27/9/2012



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