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Marinho, o Cara

Autor: José Renato - 11 de Maio de 2015   Comentários Nenhum comentário

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Mário José dos Reis Emiliano nasceu em Belo Horizonte em uma família de origem muito pobre, em 23 de maio de 1957. Era o sétimo filho de uma lavadeira de cadáveres no necrotério da polícia mineira. A vida era muito dura. Para não passar fome, virou catador no lixão da capital mineira, e por conta de algumas más companhias chegou a ser internado em um reformatório. O menino magricelo corria demais e passou a acalentar seu sonho de ser jogador de futebol já aos 12 anos quando foi levado por um massagista do Atlético Mineiro, para fazer parte das categorias de base do clube. Com a bola nos pés o “neguinho” agradou. Foi neste tempo que a primeira tragédia se fez presente em sua vida. Sua irmã, Irene, morreu atropelada quando o levava a um treino do clube mineiro. Aos 18, foi convocado pela primeira vez para a seleção olímpica que disputaria os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. Pela equipe olímpica participou de 15 jogos e marcou 2 gols, o suficiente para chamar atenção do técnico Barbatana que bancou sua escalação na equipe principal do Atlético. Logo em seu primeiro ano conquistou o titulo mineiro em uma equipe onde se destacavam craques do nível de João Leite, Toninho Cerezo, Reinaldo, Paulo Isidoro e tantos outros. O garoto sentiu o peso do sucesso e se deslumbrou com a rápida fama. Passou a se dedicar poucos aos treinos e muito a vida noturna. Acabou afastado da equipe em 1978 e se transferiu para o América de São José do Rio Preto. Na simpática cidade do interior paulista, Marinho se reencontrou e foi um dos grandes nomes do campeonato paulista de 1979, sendo considerado o melhor ponta direita daquela competição. Ao que parecia o menino voltara em rumo ao sucesso. Passou a ser ídolo na cidade paulista e lá ficou até 1982, sempre sob a proteção do folclórico presidente americano, Birigui, que sequer cogitava admitir a sua saída. De volta ao Galo Mineiro, ficou pouco tempo, e logo foi contratado, em 1983, pelo Bangu, cujo patrono, Castor de Andrade, bancava financeiramente a formação de grandes equipes. Sua contratação junto ao América foi árdua, por conta do presidente Birigui que não cansava de irritar o dirigente carioca ao chamá-lo de Esquilo de Andrade. Diz a lenda que Castor chegou a colocar um revolver em cima da mesa, enquanto que com a outra mão assinou o cheque. Marinho não tinha ideia o quanto sua vida profissional mudaria no Bangu. Passou a ser um dos grandes nomes da equipe carioca que viveu o seu auge ao chegar a final do campeonato brasileiro de 1985. O titulo acabou sendo perdido na decisão de pênaltis frente ao Coritiba, ainda assim, Marinho foi escolhido o melhor jogador do campeonato brasileiro daquele ano, e venceu a Bola de Ouro, prêmio oferecido pela Revista Placar. Naquele mesmo ano, conquistou o vice-campeonato carioca após uma conturbada final frente ao Fluminense. Um ano quase perfeito fez com que sua convocação para a seleção brasileira acontecesse em 1986, ano da Copa do Mundo do México. Foram duas partidas com a camisa amarela e um gol marcado, no entanto, sua ida para a Copa acabou não acontecendo. Acabou se achando injustiçado por isso e chegou a acusar o técnico Telê Santana de ser racista. Em 1987 conquistou a Taça Rio, segundo turno do campeonato carioca e viu que era momento de mudar de ares, sobretudo pelo início de problemas judiciais e financeiros que passaram a assolar o patrono banguense Castor de Andrade. Foi contratado pelo Botafogo em 1988 juntamente com Paulinho Criciúma e Mauro Galvão. Em 13 de fevereiro daquele ano reuniu a imprensa para uma entrevista em sua casa para divulgar seus novos rumos profissionais, quando uma nova fatalidade aconteceu. Durante a gravação, seu filho, Marlon, com apenas um ano e sete meses caiu na piscina e morreu afogado. A tragédia pareceu marcar o inicio do fim de sua carreira como jogador de futebol. Teve atuações apagadas na equipe da Estrela Solitária. Voltou ao Bangu em 1989. Em 1990, tentou novo retorno em outro lugar que tinha sido muito feliz, o América de São José do Rio Preto. Não deu certo. No ano seguinte rumou a Bolívia, onde atuou no San Jose. Passaria novamente pelo Bangu, Entrerriense, São Cristovão, até encerrar sua carreira na equipe de Moça Bonita, como o décimo maior artilheiro de sua história, com 81 gols, em 1997, aos 40 anos. Marinho seguiu o roteiro de jogador profissional que a grande maioria dos atletas tem enfrentado ao longo dos tempos. A infância pobre, seguida de muito sucesso e sempre acompanhada de tragédias que marcam sua vida pessoal.


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