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Ruço, o Beijinho Doce

Autor: José Renato - 06 de Maio de 2015   Comentários Nenhum comentário

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José Carlos dos Santos nasceu no simplório bairro do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, em 3 de junho de 1949. Filho de um pintor de carro e de uma dona de casa, durante criança, sua vida se resumia a estudar e bater bola na rua. A necessidade fez com que logo aos 14 anos começasse a trabalhar como torneiro mecânico. O sonho de se tornar jogador, no entanto, ainda estava muito presente na cabeça daquele menino de cabeleira castanha, na verdade, quase que avermelhada. Resolveu tentar a sorte no Madureira, equipe do subúrbio carioca. Ao chegar no dia de seu teste, se encontrou com o técnico e ex-jogador, Jair da Rosa Pinto. Foi do grande Jair, a ideia de dá-lo um nome mais apropriado, de acordo com a sua fisionomia, virou Ruço, para sempre. Aprovado, passou a atuar nas categorias de base do Madureira. Com 22 anos, atuando pela equipe principal, se destacou no campeonato estadual de 1973, o que chamou a atenção do Botafogo, equipe que o contratou para disputar o campeonato brasileiro daquele ano. Teve poucas chances e acabou emprestado para o Clube do Remo em 1974. Em 19 de maio daquele ano, participou do clássico frente ao Paysandu, que acabou em briga generalizada com direito a invasão de torcedores e intervenção da Polícia Militar. Foi a gota da agua para decidir voltar para casa, naquele tempo, o Madureira Logo na segunda rodada do estadual do Rio de Janeiro, em 10 de agosto, teve atuação impecável na vitória da equipe suburbano frente ao Flamengo por 2 a1 em pleno Maracanã. Ao final do campeonato, novamente Ruço voltou a ser cortejado por outras equipes. Quase foi para o Vasco da Gama, mas em janeiro de 1975 chegou ao Corinthians. O clima no alvinegro paulistano não era dos melhores, uma vez que tinha perdido o estadual para o rival Palmeiras, pouco menos de um mês antes, e com isso o tabu sem títulos tinha alcançado 20 anos. O que estava ruim, piorou com a saída do grande craque do time, Rivellino, acusado pela direção alvinegra de ter tremido na final do Paulistão, contratado pelo Fluminense. Seu primeiro ano no Corinthians foi difícil, sobretudo pela pressão da torcida que não se conformava com mais um ano sem conquistas. Em 6 de julho daquele ano, após sofrer uma goleada por 5 a 1 para a Portuguesa, a torcida cercou o ônibus do time e ameaçou virá-lo. Foi demais para Ruço, que decidiu ir embora de volta ao Rio de Janeiro. Convencido, acabou ficando e para sempre entrou na história da equipe paulista. Marcador implacável, dotado de pouca técnica, mas muita raça se firmou como titular absoluto da equipe lutadora que disputou um grande campeonato brasileiro em 1976. Em 5 de dezembro daquele ano, coube a ele vestir a camisa 10 alvinegra, na partida válida pela semifinal, frente justamente o Fluminense de Rivellino, também camisa 10. Em um Maracanã lotado, com a maioria da torcida pertencente a equipe adversária, a alvinegra, algo jamais visto na história do futebol mundial, em fato que passou para a história do futebol brasileiro como a Invasão do Maracanã, ainda assim os paulistas eram considerados zebras frente a Máquina Tricolor. Momentos antes de pisar no gramado, Ruço tinha uma preocupação a mais. Na véspera, tinha sido chamado pelo técnico Duque, e recebido um pedido de Roberto Barros, que era pai de santo, e, por conta disso, era mais conhecido como Pai Guarantã. Ao receber o Exu Rei, ele afirmou que o Corinthians levaria a melhor e que Ruço faria um gol, mas que para isso se concretizasse o meio campista alvinegro teria que passar três vezes a mão na bunda de Rivellino. Ruço sabia que Rivellino tinha a cabeça quente, o que ele não tinha ideia era de como ele conseguiria atender a orientação do Pai Guarantã. Em certo momento do jogo, surgiu a oportunidade. Após ver o camisa 10 carioca no chão, por conta de uma falta sofrida, deu a mão a ele e bateu três vezes em sua “área traseira”. O alívio foi total, agora só faltava o gol, que não demorou muito e foi marcado com uma inusitada e belíssima meia-bicicleta que tirou totalmente o goleiro Renato da jogada. Era o gol de empate, daquela partida que terminaria 1 a 1. Para comemorar, usou a sua marca registrada, mandou beijos, muitos deles, para a torcida, hábito que já tinha feito com que tivesse ganhado outro apelido, Beijinho Doce, este dado pelo jornalista Osmar Santos. Na decisão de pênaltis, Ruço voltou a marcar, na vitória por 4 a 1 que deu a vaga a final do campeonato brasileiro ao Corinthians. Se o título não veio naquele ano, viria no seguinte, em 13 de outubro de 1977, na vitória por 1 a 0 na final do campeonato paulista frente a Ponte Preta. Ficou no Corinthians até 1978, de onde saiu para atuar novamente no Botafogo que também amargava um grande período sem títulos. A dificuldade em manter o peso, no entanto, algo que o perseguiu durante toda a carreira, se intensificou ainda mais e refletiu muito em seu futebol. Em 1979 voltou ao futebol paulista para atuar no Juventus, onde ficou até o ano seguinte. Retornou ao Rio de Janeiro, onde disputou o campeonato estadual de 1981 jogando pelo Volta Redonda. Seu ultimo ano no futebol profissional aconteceu no Rio Branco do Espirito Santo, onde conquistou o título capixaba em 1983, a sua segunda conquista ao longo de toda a sua carreira. Ruço foi o exemplo do boleiro que embora sem ter muito talento com a bola no pé, conseguiu estar presente em grandes momentos de nosso futebol, por conta de sua raça e disposição quase infinita.


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